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terça-feira, 6 de julho de 2010

Cartas de soldados alemães, escritas durante a batalha em Stalingrado


“Amados pais. Se estão lendo esta carta, é porque ainda temos o aeroporto. Tenho certeza que esta  será a última que seu amado filho lhes escreverá. Temos russos por todos os lados e não nos mandam ajuda de Berlim. Lhes tenho uma triste notícia, Granstsau morreu semana passada. Estava ele, eu e mais três andando quando simplesmente caiu no chão com a cabeça aberta. Amados pais, chorei muito ao vê-lo, porque crescemos juntos, lembram-se? Quando éramos crianças, quebrei a perna, ele me levou a casa nas suas costas com a minha perna quebrada. Sinto muito pelos pais dele. Perdi meu único amigo. E aqui haverá o fim. Nosso comandante se matou com um tiro na boca ontem de noite. Nossa moral não existe mais. Mas espero que essa maldita guerra acabe, pouco me importa o que aconteça. Se não receberem mais cartas minhas, vão para Espanha o quanto antes, sabemos que é uma questão de tempo dos russos chegarem em Berlim. Amados pais, após essa guerra, a Alemanha ficará atônita ao saber que o soldado que lhes escreve teve a vida salva por um médico judeu. Estou bem dos ferimentos, mas a cicatriz é enorme e horrível. Amados pais, se cuidem. Se não receberem mais cartas minhas, vão para Espanha, o dinheiro vocês já tem. Logo estaremos de novo conversando com Hilse, nos bom tempos dos dias de sol. Com muita devoção, seu filho querido.”

Fonte: Cartas de Stalingrado, Coleção Einaudi, 1958.

Mais cartas:
http://www.stalingrad-stalingrad.de/stalingrad-feldpostbriefe.htm

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Rumo a liberdade

Nicholas Winton

Ano - 1939. Local - Londres, estação de Liverpool. Mais de uma centena de crianças amontoadas, com etiquetas presas em seu pescoço, desembarcam do trem, uma atrás da outra
 
Mais uma vez, a história mostrou que, às vezes, uma pessoa sozinha faz a diferença e consegue até mudar o rumo da história e da vida de inúmeras outras. Assim foi com Nicholas Winton, o inglês que, com sua iniciativa e empenho pessoal, salvou a vida de centenas de crianças, em sua maioria judias, ajudando-as a escapar do Holocausto.

O envolvimento de Winton na operação que culminou com o transporte das crianças da então Checoslováquia para a Grã-Bretanha começou por causa de um fato corriqueiro. Era o ano de 1938 e Winton viu cancelados seus planos de férias de final de ano com seu amigo, Martin Blake, funcionário da Comissão Britânica para Refugiados da Checoslováquia. Este, por sua vez, fez a seguinte sugestão ao amigo: "Venha comigo para a Checoslováquia. Quero mostrar-lhe algo". E Winton aceitou o convite, perguntando-se o que Blake poderia ter para lhe mostrar.

Ao chegar na Checoslováquia entendeu o que o amigo queria dizer. Diante de seus olhos, milhares de refugiados desesperados - judeus assustados, comunistas e dissidentes políticos tinham que deixar o país rapidamente por causa do Acordo de Munique, assinado em setembro e, segundo o qual, a Grã-Bretanha, França e Itália haviam concordado em retirar suas tropas do território checo e ceder à Alemanha uma parte deste território. "Quando vi todas aquelas pessoas, percebi que deveria fazer algo para ajudá-las". E fez.

Winton ficou três semanas em Praga, coletando fotos e informações sobre jovens que precisavam de ajuda. Ao retornar à Grã-Bretanha, teve que convencer o governo a permitir a entrada dos jovens refugiados, o que de fato conseguiu, e atender as condições impostas pelas autoridades. Winton conseguiu através do apoio de organizações beneficentes e de organizações cristãs encontrar pessoas interessadas em adotar os refugiados, assim como obter os recursos necessários para o transporte e para o deposito de 50 libras para cada criança .

Durante os primeiros nove meses de 1939, organizou o transporte de crianças para a Grã-Bretanha, chegando ao total de 664 jovens, dos quais 90% eram judeus. O novo grupo, com quase 200 passageiros, deveria partir no dia 3 de setembro, quando a guerra eclodiu. Todos os meios de transportes foram bloqueados e os que não conseguiram sair da Checoslováquia foram enviados aos campos de concentração, nos quais acabaram morrendo, como milhares de outros judeus, durante o período de 1939 a 1945.

1 - Winton recebe uma criança salva na plataforma do trem na Inglaterra
2 - O heróico Nicholas Winton aos 98 anos de idade


Apesar de todo o seu empenho, porém, o responsável por essas operações de resgate permaneceu oculto por quase meio século. Nem as crianças por ele salvas sabiam a quem agradecer por estarem vivas. O fato tornou-se conhecido, mais por obra do destino do que por iniciativa de Winton.

No final de 1987, enquanto organizava seus documentos, Winton encontrou a listagem do nome de todas as crianças que havia salvado em 1939. Não sabendo o que fazer com a lista, foi aconselhado por um amigo a entregá-la à Dra. Elizabeth Maxwell, uma especialista em estudos sobre o Holocausto, esposa de um jornalista judeu, o magnata Robert Maxwell. A história foi publicada no Sunday Mirror, um dos tablóides da família Maxwell, com grande repercussão.

A apresentadora de televisão londrina Esther Rantzen, ouvindo a história, interessou-se em trazê-lo a seu programa, "That's life". Sob o pretexto de que viesse apenas assistir ao show para prestigiá-la, colocou Winton estrategicamente na primeira fileira. Durante o programa, Rantzen anunciou: "Senhor Winton, tenho uma surpresa para lhe contar. Sentados ao seu lado estão duas das pessoas que o senhor salvou da Checoslováquia, em 1939".

Vera Gissing, que estava ao seu lado, relembra que seus olhos se arregalaram ao fitá-la e começaram a lacrimejar: "Para mim, após tantos anos, ter finalmente conhecido o homem que salvou minha vida, foi um momento muito especial. Fiquei apenas preocupada com ele, pois pensei que, que aos 80 anos, o choque seria muito forte. Apesar da grande alegria em nos conhecer, ele não gostou da maneira como a apresentação foi feita".

Ela escreveu a biografia de Winton em reconhecimento a seu ato de coragem. Na obra, a autora relata toda a sua vida, seus méritos e a operação de resgate que se iniciou em 1938. Na época, ele trabalhava como operador na Bolsa de Valores. Vera Gissing conta que, quando a guerra eclodiu, não havia quase nada que Winton pudesse fazer para ajudar os refugiados. Porém em 1942, ele abandonou o mercado financeiro e tornou-se voluntário da Cruz Vermelha, na França. Posteriormente começou a trabalhar nas Nações Unidas e, em seguida, no International Bank, em Paris. Depois de se aposentar dedicou-se exclusivamente ao trabalho voluntário, tendo sido homenageado em 1993 com o título de Membro do Império Britânico e incluído na lista de honra da rainha Elizabeth.


Atualmente, Winton vive em Maidenhead, perto de Londres, com sua esposa, com a qual é casado desde 1948. Tem dois filhos; um terceiro faleceu na infância. Desde 1988, no entanto, sua família cresceu rapidamente. "Ele é nosso pai e avô honorário, porque nossa família foi exterminada durante a guerra", afirmou Vera Gissing.

Sessenta destas "crianças" se reuniram em um evento chamado "Obrigado, Inglaterra", organizado pelo embaixador checo para honrar aqueles que acolheram e facilitaram a adaptação destes refugiados. Na ocasião, a atuação de Nicolas Winton foi comparada à de Oscar Schindler, por um dos organizadores.

Nicolas Winton, no entanto, não entende o porquê de tantas homenagens. "Ele considera que apenas fez o seu dever", explica Vera Gissing. "Outras pessoas também tiveram méritos nesta operação, mas Winton foi quem idealizou e organizou o salvamento de tantas vidas. Sem ele, algumas poucas crianças poderiam ter sido salvas, apenas algumas".

Fonte: http://www.morasha.com.br/conteudo/artigos/artigos_view.asp?a=226&p=0

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Espionagem em Pearl Harbor



Tudo começou em 1935 e o cenário foi o Ministério de Propaganda do III Reich, em Berlim. Fazia dois anos que Goebbels estava à frente daquele departamento quando, em princípios deste ano, ofereceu uma festa ao seu pessoal. O secretário particular do ministro de propaganda, Leopold Kuehn, estava presente, acompanhado por sua jovem irmã Ruth. Goebbels, geralmente indiferente à beleza feminina, sentiu-se atraído pela formosa Ruth. Ficou toda a noite a seu lado e, de acordo com as aparências, aquele encontro tornaria a se repetir. Porém, mais tarde, possivelmente sob pressões, Ruth Kuehn teve que sair da Alemanha. O destino quis que sua nova residência fosse fixada próxima à do General Haushofer, famoso geopolítico. O general informou a Goebbels que tinha oportunidades não somente para a senhorita Kuehn, mas também para seus pais e irmãos. Aquelas "oportunidades" significavam ingressar, depois de um período de treinamento, no Serviço Secreto do Japão; devemos destacar, com efeito, que Haushofer trabalhava na organização do citado Serviço Secreto a pedido do governo japonês.

Em 15 de agosto de 1935, finalmente, uma família alemã desembarcou no Havaí. O pai era cientista, um elegante professor de cabelos grisalhos, bem educado de aspecto atraente. O Doutor Bernard Julius Otto Kuehn chegou com toda a sua família, exceto seu filho Leopold. Com ele vieram sua esposa Friedel, seu filho de seis anos, Hans Joachim, e sua filha Ruth. Estavam ali porque seu pai interessava-se pelo idioma japonês. Além disso, o doutor e sua filha estavam cativados pela história do Havaí. Eles percorreram meticulosamente todo o Havaí, até conhecer a topografia de suas ilhas melhor que sua própria casa. Ruth gostava da praia e dos esportes aquáticos, assim como sua família. Freqüentemente nadavam e passeavam de lancha. Friedel, a mãe, cujo aspecto era de uma matrona vulgar, escutava e observava detalhes de importância que passariam despercebidos a olhos menos avisados.

Ruth trabalhava de acordo com o plano estabelecido. Falava corretamente o inglês, dançava maravilhosamente e freqüentava todas as reuniões sociais importantes, onde se encontrava com oficiais americanos desejosos de passar uns momentos com a formosa alemã.

O doutor, por sua vez, escrevia uma série de artigos sobre os primeiros colonos alemães que chegaram às ilhas; os artigos, aparentemente, eram publicados por jornais de seu país natal.

Durante seus primeiros três anos nas ilhas, receberam cerca de 70.000 dólares, enviados a um banco de Honolulu pela Rotterdam Bank Association. Friedel, por seu turno, voltou de uma de suas viagens ao Japão com mais de 16.000 dólares.

Posteriormente, o FBI e o Serviço Secreto da Marinha calcularam que a família recebera, durante aquele período, quase 100.000 dólares.

Os Kuehn, porém, estavam a serviço de dois países. Cedidos aos japoneses pelo General Haushofer, os alemães descobriram logo seu valor. E foi assim que cópias das informações partiram rumo a Berlim, engrossando os arquivos da espionagem alemã.

No começo do ano de 1939, o Doutor Kuehn decidiu que necessitava de um lugar tranqüilo para o estudo do idioma japonês. Mudou-se, então, com sua família, de Honolulu para Pearl Harbor. A partir de então, o plano do Serviço Secreto japonês, para o qual haviam sido enviados Ruth e seu pai, começou a concretizar-se.

Ruth converteu-se na companhia favorita dos jovens e das esposas dos oficiais de marinha. Muito atraente, deu a entender, de muitas maneiras, ser uma experta no cuidado da beleza física. Por isso, quando em 1939 decidiu abrir um salão de beleza, a idéia foi recebida com entusiasmo. O êxito foi total, e a concorrência, integrada na maioria por noivas ou esposas de oficiais navais, superou todas as expectativas. Não é preciso dizer que as informações recolhidas referentes a chegadas e partidas de barcos, avarias, acidentes e alarmas iam diretamente para seus objetivos: Berlim e Tóquio. Afinal, o vice-cônsul japonês em Honolulu, Otogiro Okuda, reuniu-se secretamente com Ruth e seu pai. Okuda disse-lhes que era necessário enviar informações precisas, detalhadas e minuciosas, com dados exatos, das localizações dos barcos, aeroportos e quanta informação militar pudesse ser recolhida, com brevidade.

Kuehn começou a dar cumprimento ás instruções recebidas, iniciando longos passeios pelos molhes de Pearl Harbor, acompanhado de seu filho pequeno, excelente pretexto para deter-se ante os imponentes couraçados e estudá-los detidamente.

Os Kuehn, além da residência em Pearl Harbor, tinham uma pequena casa em Kalama, povoado situado em Oahu, perto de Pearl Harbor. Dali, pai e filha, em 2 de dezembro de 1941, utilizaram um sistema de comunicações por meio de sinais luminosos, que se constituiu em pleno êxito. Além disso, providos de poderosos binóculos, estudavam detidamente os movimentos dos barcos americanos. Os sinais, em código, eram recebidos pelo Vice-Cônsul Okuda, que, depois de decifra-los, os irradiava imediatamente a Tóquio.

Em 7 de dezembro de 1941, Ruth Kuehn abriu a janela da água-furtada e seu pai começou a fazer os sinais convencionais. Por meio destes, informaram aos japoneses quais eram os objetivos que deviam atacar e suas localizações. O Doutor Kuehn indicava os alvos, enquanto Ruth os observava por meio de seus binóculos.

Daquela pequena janela foi conduzido o ataque a Pearl Harbor, na manhã de 9 de dezembro.

Mas algo sucedeu. Aquelas luzes, quase imperceptíveis, foram localizadas pelos homens da defesa. E os Kuehn, que esperavam sair de Pearl Harbor num submarino japonês, foram detidos. O Doutor Kuehn, desesperado, atribuiu a si toda a responsabilidade do feito. Procurou por todos os meios evitar as suspeitas que recaíam sobre sua esposa e sua filha e, finalmente, resolveu revelar tudo quanto sabia. Kuehn foi condenado à morte; mais tarde, em 26 de outubro de 1942, a sentença foi comutada por 50 anos de trabalhos forçados, que seriam cumpridos em Alcatraz. Sua esposa e sua filha Ruth foram presas e, posteriormente, libertadas.

Fonte: adluna.sites.uol.com.br/

sábado, 5 de junho de 2010

Massacre de civis alemães é revelado em vídeo



Há muito se sabe que civis alemães foram vítimas dos excessos tchecos imediatamente após a rendição dos nazistas no fim da Segunda Guerra Mundial. Mas um vídeo recém-descoberto mostra um desses massacres em detalhes brutais. O vídeo deixou a República Tcheca em choque.

Por décadas as imagens ficaram esquecidas numa caixa de alumínio – quase 7 minutos de filme original em preto e branco, filmado com uma câmera 8 mm em 10 de maio de 1945, no distrito de Borislavka, em Praga, durante os confusos dias que se seguiram à rendição alemã.

O homem que fez a filmagem é Jirí Chmelnicek, um engenheiro civil e cinegrafista amador que viveu no distrito de Borislavka e queria documentar a liberação da cidade da ocupação alemã. Chmelnicek filmou tanques, soldados e refugiados pelas ruas. Então, em certo ponto, sua câmera pegou um grupo de alemães, que haviam sido expulsos de suas casas por soldados do Exército Vermelho e milicianos tchecos.

O filme de Chmelnicek mostra como os alemães foram agrupados em um cinema próximo, também chamado Borislavka. A câmera então mostra a lateral da rua, onde 40 homens e pelo menos uma mulher estão de pé de costas para as lentes. Uma pradaria pode ser vista ao fundo. Tiros são disparados e, um a um, todas as pessoas alinhadas caem mortas. Os feridos deitados no chão imploram por misericórdia. Então um caminhão do Exército Vermelho passa por cima, com seus pneus esmagando os mortos e feridos da mesma maneira. Depois, outros alemães podem ser vistos, forçados a cavar uma vala comum na pradaria.





Um choque para os tchecos


As trêmulas imagens mostram um evento que foi descrito inúmeras vezes por testemunhas e historiadores: a matança sistemática de civis alemães. Ainda assim, o filme foi um choque para os tchecos. “Até agora, não havia filmagem alguma dessas execuções”, disse o cineasta tcheco David Vondracek, que mostrou as imagens na TV. “Quando vi essas imagens pela primeira vez, senti que assistia uma transmissão ao vivo do passado”.

As únicas imagens anteriormente conhecidas haviam sido feitas por cinegrafistas da Força Aérea do Exército Americano. Mostra civis alemães feridos no chão em Plzen, na antiga Tchecoslováquia, no começo de maio de 1945. As imagens incluem alguns corpos, mas não mostra os assassinatos, do começo ao fim, como este novo filme.

O documentário de Vondracek sobre as atrocidades tchecas, chamado “Matança ao Estilo Tcheco”, foi levado ao ar pela televisão estatal tcheca dois dias antes de 8 de maio, aniversário da rendição alemã. A transmissão marca um ponto importante na conturbada relação do país com seu nem sempre agradável passado na Segunda Guerra Mundial.

Até mesmo organizações que representam os “Alemães dos Sudetos” – alemães étnicos que foram expulsos da Tchecoslováquia após o fim da guerra – tomaram conhecimento. Horst Seehofer, governador da Bavária, planeja uma viagem oficial à Praga, fazendo dele o primeiro a fazer isso desde a Segunda Guerra. “Isso é muitíssimo importante para os alemães dos Sudetos”, comentou Seehofer recentemente.




Vítimas de atos de vingança

Depois da derrota da Alemanha Nazista, os tchecos e o Exército Vermelho expulsaram cerca de 
3 milhões de alemães étnicos dos Sudetos e do resto da Tchecoslováquia. No processo, cerca de 30.000 civis foram vítimas de atos de vingança. Somente uma ínfima percentagem deles estava envolvida com a ocupação. Alemães e tchecos haviam vivido lado a lado por décadas antes da anexação da Boêmia e Morávia em 1938, duas regiões que hoje constituem a maior parte da República Tcheca.

Ninguém sabe quem liderou a expulsão dos alemães de Borislavka, nem os crimes dos quais foram acusados. Foram certamente mortos por soldados do Exército Vermelho e talvez também pela “Guarda Revolucionária” – membros da milícia tcheca. Aqueles que dispararam os tiros também podem ter sido 
antigos colaboradores tchecos, que haviam trabalhado com os alemães e agora queriam limpar seus nomes com uma mostra de brutalidade anti-germânica.
Helena Dvoracková, filha do cineasta amador Chmelnick, foi uma das primeiras a ver as filmagens. Ela não se lembra que idade tinha quando o pai montou a tela de projeção e mostrou-lhe o filme. “Não me lembro se ele disse alguma coisa sobre isso – e realmente, não há muito o que dizer”, ela disse.







“Sob a pradaria”

Seu pai manteve o filme oculto em casa por décadas. A polícia comunista até mesmo os abordou – alguém desconfiara que a filmagem existia. A polícia perguntou sobre o filme e ameaçou Chmelnicek. Mas o cineasta não entregou os rolos. Ele queria que o mundo eventualmente descobrisse o que havia sido feito ao povo indefeso naquele dia de maio em Borislavka.

Dez anos atrás, muito depois da morte do pai, Helena Dvoracková ofereceu a filmagem a um conhecido historiador tcheco, mas ele manteve o filme escondido. “
O povo me apedrejaria se eu mostrasse isso”, ele supostamente disse, e colocou o filme nos arquivos da televisão. Foi lá que o cineasta Vondracek o encontrou, após um operador de câmera que conhecia a família de Chmelnicek contar-lhe a respeito.

Hoje, Borislavka é um dos melhores subúrbios de Praga, e grama alta cresceu sobre a pradaria onde realizaram-se as execuções. Vondracek agora quer começar uma busca pela vala comum dos alemães. “
Deve estar em algum lugar sob a pradaria”, disse.

Talvez esteja perto de um monumento a dois tchecos que caíram em batalha contra os nazistas em 6 de maio de 1945.

Assista ao video: Irei corrigir o link, então acessem o documentario logo abaixo na minha conta do Youtube que tem as mesmas cenas.


Fontes: Der Spiegel, 2 de junho de 2010.
http://globalfire.tv/nj/10de/zeitgeschichte/verbrechen_an_deutschen.htm
http://www.ct24.cz/domaci/89000-zabijeni-po-cesku-drasticke-zabery-vrazdeni-nemeckych-civilistu/


Coloquei todos os videos na minha conta do youtube .
Link do documentario Töten auf Tschechisch - Die andere Seite der Vertreibung (Massacre de alemães ne Tchecoslováquia - O outro lado da expulsão).

Massacre de alemães ne Tchecoslováquia - O outro lado da expulsão - 1 de 4 

terça-feira, 18 de maio de 2010

Uma história de um antigo operário da Outubro Vermelho


Ju 87 Stuka em Stalingrado
Pela orla estavam as pessoas, incluindo muitas crianças. Usando pequenas pás, bem como suas próprias mãos, elas cavavam buracos para protegerem-se das balas e granadas de artilharia. A amanhecer aviões alemães apareceram sobre o Volga. Em um vôo rasante eles passaram por cima de uma balsa, bombardearam e abriram fogo de metralhadoras. De cima, era muito bem visível aos pilotos que na orla os civis estavam esperando. Muitas vezes nós vimos pilotos inimigos agindo como assassinos profissionais. Eles abriam fogo sobre mulheres e crianças desarmadas e selecionavam objetivos para maximizar o número das pessoas assassinadas. Os pilotos lançaram bombas em uma multidão no momento que esta começava a subir a bordo de um barco, metralhavam os conveses dos barcos e bombardeavam as ilhas nas quais centenas de feridos tinham se acumulado. As pessoas não só cruzavam o rio em barcos e barcaças. Elas navegavam em barcos superlotados, até mesmo em troncos, barris e tábuas atadas com arame. E sobre cada ponto flutuante os fascistas abriam fogo do ar. Era uma caçada de pessoas.


----xxx----


Nós retornamos à nossa fábrica no assentamento. Nós chegamos a estação de trem de Archeda e fomos a pé mais adiante. Estava muito frio. Nós viajamos dois dias. Passamos a noite em desolados abrigos externos. Nós chegamos na cidade em 14 de fevereiro. No distrito da fábrica nós encontramos o diretor P.A. Matevosyan e o diretor da garagem V. J. Jukov. Eles chegaram primeiro à fábrica e a retomaram do comando militar. Eles nos avisaram: todas as áreas da fábrica são um sólido campo minado. Só é possível andar através de trilhas feitas pelos sapadores. Nós começamos a procurar um lugar para abrigar a nós mesmos. Nós decidimos assentar moradia temporária diretamente nas propriedades da fábrica. Nós entramos no alto-forno N1 da fábrica. Era necessário examinar a localização de um porão. Nós demos uma olhada silenciosamente e atravessamos um buraco na parede da oficina. De repente nós vimos uma metralhadora posicionada num buraco em uma parede mirando a uma barreira. Nós mesmos não tínhamos nenhuma arma.
O que fazer? Nós deveríamos entrar mais adiante na oficina ou não? Nós estacamos; era necessário olhar mais além ao redor. Nós ouvimos passos vindos da direção do Volga. Dois soldados fascistas com marmitas de estanho chegaram mais próximos à nossa oficina. No caminho eles foram até a metralhadora. Ao nos verem eles ficaram atônitos. Após alguns momentos de confusão eles começaram a tagarelar em um péssimo russo: " Nós trabalhamos cozinha e garagem ". Mas nós sabíamos que não havia nenhuma cozinha ou garagem funcionando no distrito da fábrica a muito tempo. Nós dissemos " ok " e seguimos em frente. Depois de alguns minutos nós encontramos um jovem soldado - submetralhador, e perguntamos-lhe: vocês recolheram todos os prisioneiros de guerra na área da usina? " Sim, claro , ele respondeu. A mais de uma semana atrás. O que aconteceu "? Nós vimos dois fascistas e uma posição de metralhadora, nós respondemos. " Hm... Vamos " ele disse. Ele entrou na oficina com nós atrás dele. Nós descemos em um porão. Seguimos na mais completa escuridão. Nós passamos um porão localizado, e a um outro. No terçeiro era visível uma escrivaninha de madeira, forno, marmitas de estanho, uma luminária de pavio. Sobre catres, alemão deitados. O soldado iluminou o porão com uma lanterna e gritou: " Armas sobre a escrivaninha ".
Os soldados fascistas ergueram-se de seus catres e puseram suas pistolas e outras armas na escrivaninha. O soldado os conduziu para o quartel-general.

Um episódio da batalha de Stalingrado

Do arquivo de Volgogrado.

Informe do comandante da batería de artilharia antiaérea do 1051º Regimento de Fuzileiros da 300ª Divisão de Infantaria.

Nota: Esta batería estava situada na ilha Penkovatyj no Rio Volga. Através da parte do norte da cidade. Próximo da aldeia de Sryedne-Pogromnoje na margem esquerda (leste) do rio.

 
"Ao amanhecer do dia 20 de outubro de 1942, informou o posto de observação: entre a névoa na área de Tomilino, o estrondo de motores de barcos é audível. Estão se aproximando da ilha dois barcos de assalto e 12 barcos a remos, transportando aproximadamente um batalhão de comandos alemães (tropas de assalto). Os artilheiros da batería A.A. elevaram um alarme. Quando os barcos inimigos estavam à distância de 150 metros, a bateria começou um fogo destrutivo. Os fuzis e metralhadoras das companhias de um batalhão do 1049° Regimento de Fuzileiros também começaram atirar. A artilharia alemã começou um poderoso contrafogo. Metralhadoras inimigas da margem direita e dos barcos atiraram sobre nossas defesas. Os canhões da bateria destruíram os barcos de assalto alemães e duplas metralhadoras pesadas, com a ajuda dos fuzileiros, destruíram os barcos a remo. Os "comandos" são completamente destruídos na água. Nenhum soldado alemão pôs os pés na ilha.
Baixas da batalha: 1 morto, 6 feridos.
Munição desperdiçada... ..etc..
Estes soldados mostraram coragem particular:
1. Sargento Kuzmenko - comandante de guarnição antiaérea.
2. Sargento júnior Temirgalyjev - municiador.

Assinatura: Tenente Júnior I. Chenin.

domingo, 16 de maio de 2010

Arapuca de guerra (relato de um oficial alemão)


Panzer V Panther – Rússia
“A aldeia estava muito bem fortificada e muitos tanques haviam sido postados entre as casas, para servir como casamatas. Os carros blindados eram difíceis de descobrir e eliminar. Nosso primeiro ataque havia fracassado ao enfrentar o fogo dos tanques, embora nossas perdas tenham sido reduzidas, pois nossas tropas, veteranas, ante o perigo, haviam sabido retirar-se a tempo.

Para desfechar o segundo ataque, era necessário fazer os tanques saírem - a maioria dos quais estava entrincheirada na parte sul da aldeia - de suas posições protegidas. Com o fim de conseguir isto, o fogo de toda nossa artilharia foi concentrado no setor nordeste da aldeia, e um ataque simulado foi efetuado nesse setor por carros blindados e veículos semilagartas, acobertados por uma cortina de fumaça. Então, inesperadamente, o fogo da artilharia foi orientado sobre o setor sul da aldeia e concentrado, maciçamente, sobre o ponto pelo qual nos propúnhamos irromper. Apenas uma bateria continuava apoiando, com bombas de efeito moral, o ataque simulado. Enquanto os projéteis estavam ainda caindo sobre as posições inimigas, os tanques do 15o Regimento Panzer se lançaram sobre a aldeia e superaram, de sul a norte, a defesa russa. Os tanques russos que haviam deixado os seus abrigos, deslocando-se para o setor norte da aldeia, foram atacados pela retaguarda, pelos nossos Panzer e destruídos depois de encarniçada luta.

A infantaria russa abandonou a localidade e se retirou desordenadamente, seguida pelos nossos atiradores motociclistas. Vinte tanques russos foram destruídos na ação e 600 soldados ficaram mortos os feridos”.


sábado, 15 de maio de 2010

Biografia de Vasili Zaitsev


Vassili Zaitsev e Vasily Chuikov - Stalingrado

O início da 2ª Guerra Mundial foi marcado pelo avanço das tropas hitleristas na Europa. Usando-se de uma estratégia conhecida como Blitzkrieg, o III Reich ampliava suas fronteiras a cada dia, chegando à conquistar quase metade da França, ocupar a Polônia, Tchecoslováquia, Romênia, Iugoslávia, Grécia e Hungria, partindo então para cima da União Soviética em uma operação conhecida como Barbarossa(homenagem ao imperador do Sacro Império Romano-Germânico que liderou uma expedição católica contra o Leste Europeu ortodoxo). Adentrando território soviético os fascistas alemães escravizavam as populações subjugadas e marchavam em direção ao leste, chegando nos portões de Moscou e cercando Leningrado, todavia resistia heroicamente uma cidade às margens do rio Volga, tida como um dos símbolos da URSS, essa cidade era conhecida como Stalingrado.

Durante o início da batalha de Stalingrado as condições que os russos enfrentavam eram extremamente difíceis, pois os alemães queriam os campos de petróleo do sul da Rússia, do Cáucaso e o controle do rio Volga. Era uma região de extrema importância econômica, industrial e política, o que fazia com que os nazistas levassem não só infantaria bastante numerosa, mas também tanques, aviões de caça, bombardeiros, canhões e infantaria blindada. Visto que a cidade industrial de Stalingrado não tinha grande concentração de efetivos militares, as condições eram extremamente difíceis e a vitória alemã parecia iminente. Todavia os efetivos para Stalingrado foram aumentados, contando com o comando de vários generais soviéticos, unidades da NKVD e a chegada de soldados de todas as partes da URSS. Hitler chegou a declarar uma guerra pessoal entre ele e Stalin, tornando-se assim um conflito entre o Vozhd e o Fürrer.

A população civil fugia, todavia não era possível que uma boa parte escapasse, fazendo com que muitos civis sofressem com a guerra ou se juntassem à luta como partizans(guerrilheiros comunistas). Um esforço sobrenatural era feito, cada fábrica, cada casa, cada rua era disputada arduamente. Efetivos não paravam de chegar, chegou-se a fazer uma ponte alguns centímetros abaixo do rio Volga(a primeira da história), trens blindados chegavam trazendo divisões do Exército Vermelho, uma dessas, a 284ª divisão do 62º exército, trazia dentre vários soldados um pastor de ovelhas siberiano que habitava a região dos Montes Urais. Nascido em Katav-Ivanovskogo, era órfão desde cedo e foi ensinado à atirar desde os 5 anos de idade por seu avô caçador de lobos, esse grande soldado que passaria imortal para a história se chamava Vassili Grigorievitch Zaitsev("lebre" em russo), que chegava à Stalingrado no dia 20 de setembro de 1942. De feições delicadas e olhos azuis o jovem pastor de 27 anos descia no solo de Stalingrado sem um rifle, tudo o que precisava para abater os fascistas.

Devido à falta de munições muitos soldados tinham de ficar atrás de outro que tivesse um rifle para pegá-lo quando este morresse, recebendo apenas uma tira de balas. Vassili recebeu apenas as balas, mas não ficou com o rifle. Avançando pela cidade junto da sua pequena tropa(que foi facilmente vencida pelos alemães entrincheirados), Vassili escondeu-se entre os cadáveres dos seus camaradas mortos e segundo relatos do livro Enemy at the gates("O Círculo de Fogo", transformado em filme) através do camarada comissário Igor Danilov apossou-se de um rifle e atirando apenas quando soava o som das explosões(afim de que não fosse ouvido o barulho do rifle), abateu 5 fascistas que estavam em um estabelecimento próximo sem ser percebido e sem levar um só tiro, o que conquistou a atenção do camarada comissário Danilov.

Naquele momento em que o jovem soldado Vassili mostrava proezas heróicas abatendo os soldados hitleristas, o camarada Nikita Khruschev chegava à Stalingrado para cobrar dos líderes militares e dos comissários. Uma das sugestões para um melhor desempenho dos soldados, agoniados com a provável vitória das tropas do III Reich, partiu do camarada Igor Danilov, comissário e jornalista que sugeriu publicação do jornal militar novamente e a exaltação do sacrifício pessoal e a dedicação à causa comunista, mostrando como exemplo aquele que conhecera de perto, o lendário atirador de elite Vassili Zaitsev.


O Moisin-Nagant 91/30, o modelo do rifle usado por Vassili(que hoje está no museu de Stalingrado)

Tal proeza funcionou e Vassili foi promovido para a divisão dos atiradores de elite, seu nome foi publicado nos jornais militares e ainda se tornou a grande sensação das primeiras páginas do jornal "Pravda", o qual era lido por milhões de pessoas na URSS, dando grandes esperanças ao povo soviético e aos soldados do Exército Vermelho. De fato as proezas de Zaitsev eram lendárias, por exemplo, no período de apenas 10 dias ele já havia eliminado cerca de 40 oficiais alemães de alta patente, corajosa atitude essa que fizera dele também o mais falado nas rádios soviéticas e o mais popular soldado da cidade e um dos mais da URSS(senão o mais popular). Foi devido à necessidade de mais soldados como ele, que Danilov encarregou Vassili de treinar e instruir outros atiradores de elite, dentre os quais a oficial russa-americana Tatiana Tchernova, que voltou dos EUA para a URSS quando a guerra havia começado. Obcecada pelo desejo de vingança contra os nazistas que executaram seus avós, Tania perdera também seus pais durante a guerra, e por isso sob instruções de Vassili Zaitsev tornou-se uma exímia franco-atiradora, matando um grande número de soldados alemães junta com seu instrutor.

Tania Tchernova também veio a tornar-se a namorada de Zaitsev, vindo a iniciar um relacionamento duradouro. Além de Tania, Vassili também deu eficaz treinamento à outros atiradores, procurando sempre compartilhar com estes seu conhecimento e táticas que utilizava na taiga siberiana. Vassili Zaitsev era um exímio atirador de elite, com seu rifle Moisin-Nagant 91/30(na época um dos melhores do Exército Vermelho) foi capaz de abater só em Stalingrado 242 nazistas, dentre soldados, oficiais e até atiradores de elite alemães, com os quais travou árduas lutas, sendo a mais épica dessas a luta com o major alemão Heintz Thorvald, também conhecido como Major König. Esse rico caçador de veados da Bavária foi enviado apenas com a missão de abater Vasha(como também era conhecido Vassili), fato que comprovava sua fama até mesmo entre os soldados alemães, o que fazia dele um arcanjo para os soviéticos e demônio para os alemães.

Ambos assistenciados, o duelo entre o comunista pastor de ovelhas e o nazista caçador de veados seria um dos épicos episódios da batalha de Stalingrado, pois além de sua extensa duração foi marcado por momentos em que ambos estiveram próximos da morte, momentos em que a sorte esteve presente, em que a ânsia e a angústia estiveram presente nos corações daqueles que aguardavam os resultados daquele duelo, fossem civis ou militares, enquanto que com toda cautela, mas sobretudo com calma os atiradores souberam levar tal conflito. Uma das desvantagens de Vasha era o fato de que seus atos haviam sido observados, sendo levados ao conhecimento de König, daí o fato de que ninguém sabia em que lugar o major fascista iria estar. Justamente por tal fato ajudarou a Vassili um garoto russo que fazia as botas do major para fingir estar do lado alemão mas na verdade marcar os encontros do soldado do Exército Vermelho e do major da Wermatch. Além do garoto ajudou-o também Nikolay Kulikov, que conheceu o major na Alemanha durante a época do tratado de não-agressão, buscando durante dois dias sinais do alemão e observando seus hábitos.

Acompanhando Vassili, Kulikov usou-se de binóculos para scannear as linhas inimigas quando estas travavam nas ruas batalhas e desferiam ataques contra as tropas soviéticas, sempre escondendo-se em prédios ou outras edificações. No terceiro dia quem o acompanhou foi o camarada comissário Igor Danilov, que acreditando ter avistado o alemão levantou-se e levou um tiro no ombro. Zaitsev queria saber aonde o major estava escondido e sobre isso William Craig relata no livro "Inimigo nos portões" que "para testar sua teoria, Zaitsev pôs uma luva em um pedaço de madeira e a exibiu, tendo esta imediatamente recebido um tiro, quando após esse momento Zaitsev verificou e percebeu que König estava abaixo de uma chapa de ferro".

Após muito tempo de espera com a sua paciência de siberiano, Vassili finalmente estava pronto para abater o nazista, quando então seu amigo Kulikov deixou a amostra um capacete do Exército Vermelho e Konig atirou e veio a verificar se Zaitsev estava morto, mas pelo ressentimento de ter seu amigo Danilov atingido e sua namorada Tania Tchernova ferida por uma mina atirada pelos nazistas, Zaitsev com todo o ressentimento e sede de justiça esperou o major chegar perto e disparou a bala de seu Moisin-Nagant diretamente em sua cabeça. Thorvald estava morto e o camarada Vassili apanhara então seu rifle K-98 como troféu do duelo. Este foi um dos mais épicos episódios de sua vida. Após o duelo o camarada Vassili Zaitsev veio a matar vários outros fascistas que infernizavam a vida dos cidadãos de Stalingrado. Indomável e audacioso ficaria conhecido em toda a cidade por seus feitos heróicos, tanto pelos comunistas quanto pelos nazistas, por quem era tão temido. Para se ter uma idéia muitos exércitos ficaram desmoralizados pelas perdas de oficiais que Vasha matou, daí a razão de ter sido designado um "super-atirador" alemão para matá-lo.

Vassili seria designado posteriormente como comandante dos atiradores de elite, que viam nele uma inspiração e um grande professor que procurava repassar aos alunos todos os conhecimentos aprendidos. Em janeiro de 1943 Vassili Zaitsev veio a ser gravemente ferido, sendo levado para Moscou e tratado no principal hospital da cidade com o professor universitário Filatov, um dos melhores médicos do país. Zaitsev pôde no mesmo ano retornar a Stalingrado e reecontrar seus amigos atiradores de elite e sua companheira Tania Tchernova.

À pedido seu veio a atuar no front de batalha como soldado comum, demonstrando clara determinação e heroísmo de um soldado exemplar. Após Stalingrado, Zaitsev atuou em Dniestre já com a patente de capitão. Nesse período o camarada capitão veio a escrever dois famosos manuais para atiradores de elite. Condecorado com a Ordem da Guerra Patriótica, duas Ordens da Bandeira Vermelha, várias vezes condecorado com a Ordem de Lenin, além de medalhas menores, Vassili Zaitsev recebeu então a medalha da Estrela Dourada e o status de "Herói da União Soviética", vindo a ser condecorado ainda outras vezes por ser veterano de guerra de Stalingrado.

Após o término da guerra Zaitsev desmobilizou-se e passou a ser um veterano de guerra, trabalhando como diretor de uma fábrica de construção de carros em Kiev, tendo terminado esse trabalho somente em 15 de dezembro de 1991, quando apenas o corpo físico deste grande herói nos deixava, enquanto sua memória, feitos e atitudes permanecem vivos na história daqueles que tão duramente em Stalingrado lutaram, que lêem esta curta biografia e que vivem hoje nas cidades aonde Zaitsev lutou e nos deu o exemplo de que podemos com determinação, coragem, vontade de avançar, otimismo, humanismo e luta, vencer os obstáculos que nos impõem dificuldades, levar a frente a luta de classes em direção a vitória do ideal popular comunista! Vassili Zaitsev foi um grande herói que a história dos homens jamais pode esquecer e que deve permanecer sempre vivo em nossas mentes, que se manteve leal ao ideal de Lenin e Stalin à todo tempo!


Túmulo de Vasily Grigoryevich Zaitsev


Bibliografia: Za Volgoi Zemliy dlya nas ne bylo. M., 1981 i dr. - Velikaya Otechestvenaya Voyna 1941-1945: Entsik.-M.: Sov. entsiklopediya - Geroi Sovietskogo Soyuza: Kratkiy Biograficheskiy Slovar. T. I. M.: Voyeniz. 1987. - Samsonov, A. M. Stalingrad Bitva. M. Nauka. 1968 - Enemy at the Gates: The History Behind the Movie(documentário do The History Channel) - http://www.warheroes.ru

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Nordpol: o maior blefe da guerra secreta

Introdução:
Abwehr, nome do serviço de informação do exército alemão, ativo de 1925 a 1944. O líder da Abwehr chamava-se Wilheim Canaris e ocupava o posto de almirante. Reportava diretamente ao OKW (Oberkommando der Wehrmacht), alto comando das forças armadas alemãs. O termo Abwehr significa defesa.

Serviço secreto de rádio na OKW(Amt Ausland/Abwehr)

H. J. Giskes

Como o serviço secreto do Exército Alemão lubridiou os aliados através de suas redes de contatos subterrâneos na Holanda :

Em dezembro de 1943, os Aliados tinham uma esmerada rede de espionagem e uma organização subterrânea de cerca de 1.500 sabotadores que agiam na Holanda ocupada pelos alemães ou assim acreditavam eles. Na realidade, os rádios "subterrâneos" que respondiam aos chamados de Londres estavam nas mãos de operadores alemães há quase dois anos. Os homens e a enorme quantidade de armas e explosivos que o Serviço Secreto anglo-holandês lançara de pára-quedas na Holanda, em quase 200 operações, foram todos esperados, ao chegar, por comissões de recepção alemãs. Cinqüenta e quatro agentes secretos treinados em Londres estavam na prisão, enquanto os contra-espiões alemães inventavam histórias fabulosas sobre as atividades deles e as transmitiam para a Inglaterra. Foi uma das mais gigantescas mistificações perpetradas contra os Aliados em toda a "guerra secreta".

Na qualidade de major do Abwehr (serviço secreto do Exército Alemão), recebi ordem de apresentar-me em Haia, no outono de 1941, para assumir o comando da contra-espionagem militar nos Países Baixos. Tinham corrido boatos de comunicações radiofônicas clandestinas com Londres. Nossa função era descobrir os agentes inimigos e invalidar seus planos de levarem a guerra à retaguarda das linhas alemãs.

Nosso primeiro golpe de sorte ocorreu em fins de novembro. Um de nossos agentes secretos, que conseguira introduzir-se na resistência holandesa, informou que estava sendo organizada em Haia, por dois agentes britânicos, uma nova rede de espionagem. Tal informação foi confirmada em janeiro de 1942, quando o Tenente Heinrichs, do nosso serviço de escuta, ouviu um novo transmissor, com prefixo RLS, operando em Haia.

Começamos a controlar a RLS, anotando todos os detalhes da técnica de transmissão. Nosso objetivo não era eliminar a estação, e sim utilizá-la, isto é, operá-la nós mesmos, fingindo-nos de agentes aliados. Isso nos faria conhecer por dentro as operações do serviço secreto inimigo.

Em 6 de março, o nosso radiogoniômetro indicou a situação exata da RLS e na mesma noite nós prendemos o seu operador - um inglês, H. M. G. Lauwers. Dentro de algumas horas havíamos prendido todos os colaboradores do grupo de espionagem, de maneira a não deixar elementos que pusessem em perigo a nossa mistificação.

Com os códigos apreendidos no momento da prisão e outras informações fornecidas pelo nosso agente no grupo de espionagem, não tardamos a desvendar o código secreto de Lauwers. Mas Lauwers recusou-se a transmitir as nossas mensagens falsas para Londres, e nós relutávamos em fazê-lo nós mesmos - por enquanto.

No terceiro domingo de março, procurei Lauwers e disse-lhe que só ele poderia facilitar o meu plano de salvá-lo e ao agente Thijs, seu colega, de condenação à morte por um tribunal militar alemão. Disse-lhe que teria apenas de transmitir as três mensagens que não pudera mandar no dia da sua prisão.

Lauwers mostrou-se interessado, mas conservou-se em silêncio. Modifiquei minha maneira de tratá-lo.

- Como soldado, respeito sua coragem e seu senso de dever - disse eu - mas deploro a missão que Londres lhe confiou, pois importa em armar civis para que nos alvejem pelas costas. Todo exército de ocupação é obrigado a sufocar tramas dessa espécie com a captura de reféns. Usarei, portanto, de todos os meios ao meu alcance para impedir o fornecimento de armas a fanáticos desse país, pois o uso delas só poderá resultar num banho de sangue para a população holandesa.

Vesti o sobretudo.

- Está na hora de se preparar a transmissão de hoje - disse eu - você vem?

Ele me olhou dentro dos olhos e respondeu:

- Vou.

Lauwers irradiou as três mensagens e depois recebeu vários despachos referentes a irradiações anteriores da RLS. Heinrichs, naturalmente, tinha um de seus agentes ouvindo a transmissão na chave de um aparelho de interferência, para o caso de Lauwers nos trair. Nada de suspeito ocorreu (1).

E assim começou o que denominamos "Operação Nordpol" (Pólo Norte).

Por quanto tempo seria possível manter essa comunicação radiofônica com Londres? Se houvesse no código sinais que desconhecíamos para confirmar a autenticidade do operador, a mistificação poderia muito bem ser descoberta na transmissão seguinte.

Na segunda vez que estivemos no ar, Londres fez um apelo urgente: preparação de uma zona onde pudesse ser lançada grande quantidade de material de sabotagem e um novo agente. A notícia perturbou Lauwers consideravelmente. Disse que não operaria mais a RLS, que não podia tornar-se responsável pela queda de camaradas seus em nossas mãos.

- Esse homem cairá nas nossas mãos, quer você coopere, quer não - disse-lhe eu. - Se você continuar as transmissões para nós, espero obter das autoridades superiores que não sejam condenados à morte os agentes que capturarmos (2).

Lauwers voltou para o transmissor.

O aviso do desembarque foi recebido em 27 de março, e às 11 horas da mesma noite uma pequena caravana de automóveis, com as luzes amortecidas, parou numa pequena mata perto do local onde deveriam cair os pára-quedistas e onde havia três homens com poderosas lanternas de luz vermelha dispostos num grande triângulo. Esperamos duas horas. Teriam os britânicos descoberto o nosso estratagema? Estariam a caminho do nosso triângulo iluminado com uma carga de bombas, para pulverizar-nos no pântano com TNT?

Finalmente ouvimos um ruído de motores e um avião passou por cima de nós a uns 200 metros de altura no máximo. De repente, bem sobre nós, apareceram, na esteira do avião, vários pontos escuros. Quatro pesados volumes, sustidos por pára-quedas, tocaram o solo com baques surdos. Um quinto pára-quedas trazia o agente. O bombardeiro ganhou altura, suas luzes piscaram numa saudação, e ele desapareceu.

Eu e Heinrichs apertamos as mãos em silenciosa congratulação.

Imediatamente após esta operação, radiografamos para Londres informando que o agente lançado de pára-quedas estava bem e em boas mãos. Seguiu-se um calmo intervalo de várias semanas. Isso nos pareceu de mau agouro, pois tínhamos provas de que o serviço secreto anglo-holandês estava realizando operações na Holanda sem o nosso auxílio. Entre outras coisas, ouviu-se um novo transmissor na área de Utrecht e em abril foi encontrado o corpo de um pára-quedista, perto de Holten, com o crânio fraturado; ao aterrar tinha batido com a cabeça numa pedra. Comecei a preocupar-me com nossas transmissões pela RLS. Teria Londres desconfiado?

A verdade é que nossa primeira vitória não poderia ter sido mantida por muito tempo se não fosse o que aconteceu depois: por mero acaso, caíram em nossas mãos todos os canais usados por Londres para controlar o serviço secreto anglo-holandês!

Sem o nosso conhecimento, seis agentes haviam descido aos pares, cada par com um aparelho de rádio. Viemos a saber depois que, nas aterragens, morrera um operador de rádio, de nome Maartens (era seu o corpo encontrado junto à pedra) e que só um aparelho chegara intacto. À vista disso, os agentes se entrosaram, transmitindo seus comunicados por esse único aparelho, que funcionava e respondia pela cifra de Trumpet. Quando Londres deu ordem para que a RLS entrasse em contato com um dos agentes da Trumpet, ficamos conhecendo toda a rede.

A Trumpet caiu em nosso poder completa, com seu plano de, sinalização e seus códigos. Utilizamo-la para iniciar uma segunda linha de comunicação Nordpol com Londres e sugerimos para esse grupo um novo local para o lançamento de pára-quedas. Aceitamos a primeira aterragem nesse ponto cerca de 15 dias depois.

Agente utilizando um aparelho de rádio
Enquanto isso, o plano de sinalização de Maartens, o operador morto, fora encontrado em poder de seu companheiro, Andringa. Anunciamos para Londres, via Trumpet, que Andringa descobrira na resistência um operador de confiança que podia servir-se da sinalização de Maartens com o aparelho deste já consertado. Londres mandou que o novo recruta fizesse uma transmissão de experiência para comprovar sua capacidade. O operador alemão que se submeteu à prova foi rapidamente aceito, e assim estabelecemos uma terceira linha de comunicação com Londres.

Em meados de maio. Heinrichs declarou suspeitar que Lauwers havia transmitido letras adicionais no fim de sua última mensagem. Esperamos ansiosamente para ver se Londres desconfiara de alguma coisa. Parecia que não. Entretanto pusemos termo às transmissões de Lauwers, propondo operadores de "reserva". Com espanto nosso, eles foram aprovados.

À medida que novos agentes iam sendo presos à chegada, nossos homens iam apanhando os transmissores e operando-os. Com isso corríamos o risco de que as características de transmissão de algum agente houvessem sido gravadas em Londres antes da partida. Se assim foi, eles nunca fizeram uma verificação cuidadosa. Em várias ocasiões, durante a Operação Nordpol, chegamos a ter 14 canais de comunicação radiotelegráfica com Londres e isso apenas com seis operadores alemães!

De junho em diante, a operação desenvolveu-se de maneira inacreditável. Os lançamentos de pára-quedas se sucediam quase ininterruptamente. A decisão tomada em Londres de mandar todos os futuros agentes e materiais por intermédio das articulações existentes foi o grande erro do nosso inimigo. Um só grupo de controle lançado às cegas, sem o nosso conhecimento, poderia ter desarticulado a Operação Nordpol.


H. J. Giskes

Em julho, Londres confiou ao grupo da RLS uma tarefa especialmente importante: um reconhecimento para ver se era possível fazer explodirem as torres do transmissor de Kootwijk, pelo qual o Almirantado Alemão se comunicava com os submarinos no Atlântico. O agente Thijs deveria comandar a turma encarregada da demolição. Mandei uma patrulha de reconhecimento e depois radiografei as conclusões exatas a que chegara: a demolição das torres não apresentaria grandes dificuldades; Thijs e seu grupo estavam de prontidão, à espera de ordens para levar a cabo a operação. Quando chegou a ordem, eu já tinha inventado motivos para o "insucesso". Dois dias depois a RLS transmitiu para Londres a seguinte mensagem: "Tentativa contra Kootwijk mal sucedida. Nossos homens encontraram campo de minas. Cinco homens desaparecidos. Thijs e os outros salvos, inclusive dois feridos". No dia seguinte: "Dois dos cinco desaparecidos voltaram. Três outros mortos em combate. Inimigo reforçou guarda de Kootwijk e outras estações".

Londres respondeu: "Lamentamos muito suas perdas. Sistema de defesa novo e imprevisível. Necessária a maior vigilância possível. Comunique qualquer anormalidade". Mandei noticiar o caso na imprensa holandesa. A notícia dizia que elementos criminosos haviam tentado fazer explodir uma estação de rádio. O material de sabotagem apreendido sugeria auxílio do inimigo. Eu esperava que meus adversários em Londres tivessem conhecimento dessa notícia por intermédio dos países neutros. Quinze dias depois, Londres mandava à RLS uma mensagem de congratulações pela tentativa de sabotar Kootwijk. Thijs deveria receber uma condecoração britânica como dirigente da operação.

A fase decisiva da Nordpol, de junho de 1942 até a primavera de 1943, foi a sua participação na Operação Marrow, de iniciativa anglo-holandesa. O chefe da operação Marrow era um agente chamado Jambroes, cuja missão - conforme soubemos quando os representantes da resistência lhe deram as boas-vindas antes de o prendermos - era estabelecer contato com os líderes da organização holandesa Ordedienst e fazer com que esta formasse 16 grupos de sabotagem e resistência com cem homens cada um.
Desenhos de radares alemães feito por agentes.

Não sabíamos quem eram os líderes da Ordedienst, de modo que comunicamos a Londres que havia desmoralização nas altas camadas da organização e que se haviam infiltrado espiões alemães entre os seus dirigentes. Sugerimos que Jambroes entrasse em contato com líderes de organizações de maior confiança.

A formação fictícia da organização Marrow começou em agosto de 1942. Os 16 grupos tiveram um desenvolvimento aparentemente tão grande que, em novembro, Londres havia mandado por nosso intermédio 17 agentes, cinco dos quais eram operadores de rádio, com seus próprios aparelhos e freqüência. Quando radiografamos que havia cerca de 1.500 homens recebendo instrução, lembramo-nos de que toda aquela gente precisaria com urgência de coisas tais como roupas, calçados, fumo, chá. E pedimos abastecimentos, recebendo certa noite uma remessa de cinco toneladas!


(1) Depois da guerra, Lauwers declarou que recebera instruções de Londres para cometer propositadamente um erro na 16ª letra de cada mensagem; a falta dessa "prova de identidade" indicaria que ele tinha caído nas mãos do inimigo. Conseguiu esconder de seus captores esse estratagema, inserindo, assim, uma advertência clara em todas as mensagens que irradiava para os alemães. Mas, por incrível que pareça, Londres não percebeu esses avisos.

(2) Nota do autor: Apesar disso, dos 54 agentes anglo-holandeses da Nordpol, 47 não sobreviveram à guerra. Investigações dos holandeses apuraram que eles foram fuzilados em 1944, no campo de Mauthausen. Sua eliminação foi um dos muitos crimes característicos dos processos de Himmler, que não podem ser justificados por quaisquer necessidades da guerra. A memória dessas vítimas de um infame abuso de confiança, que só posso recordar com vergonha e amargura, foi o que guiou a minha pena ao escrever esta narrativa.


O major da Abwehr, H. J. Giskes, narra as ações da contra-espionagem alemã e como se deu o fim da Operação Nordpol :

De janeiro a abril de 1943, outros 17 agentes caíram em nosso poder, compreendendo sete operadores com canais independentes de comunicação radiotelegráfica. Agora defrontava-me com o problema de dar informações a Londres sobre as atividades de quase 50 agentes. Não poderíamos manter a situação por muito tempo. Nossos seis radio-operadores não podiam dar conta do recado. Assim, obtivemos autorização de Londres, "por motivos de segurança", para encerrar as atividades de alguns dos transmissores Marrow.

Por um triz não fomos apanhados quando desembarcou um agente chamado Jongelie, cujo nome de guerra era "Arie". Preso, declarou que, para confirmar sua chegada são e salvo, devia imediatamente radiografar a Londres: "O expresso partiu na hora". Isso colocou os interrogadores num dilema. Estaria ele procurando enganar-nos?

Fui falar com Jongelie. Impassível ele respondia a todas as minhas perguntas com a declaração de que devia imediatamente transmitir o despacho: "O expresso partiu na hora", do contrário Londres compreenderia que ele caíra em poder dos alemães. Fingi, afinal, estar convencido. Aparentemente absorto nos meus pensamentos, disse-lhe que transmitiríamos a sua mensagem. E então, levantando os olhos de repente, surpreendi uma expressão de triunfo nos dele. Era realmente um estratagema.

Na primeira transmissão de rotina, mandamos o seguinte despacho: "Houve um acidente. Arie caiu mal e está desacordado. Médico diagnostica traumatismo grave". Três dias depois radiografamos: "Arie recuperou os sentidos ontem, por algum tempo. Médico espera melhoras". E no dia seguinte: "Arie faleceu. Esperamos prestar-lhe homenagens condignas depois da vitória".

Tivemos sorte: Londres tomava precauções normais, mas não podia supor que toda a sua rede de comunicações na Holanda e todos os seus agentes tivessem caído nas mãos dos alemães.

Pouco depois desse incidente, o quartel-general anglo-holandês começou a insistir que mandássemos de volta à Inglaterra, a fim de prestar informações, o agente Jambroes, chefe do grupo Marrow. Tínhamos que arranjar pretextos constantes para conservá-lo na Holanda: o principal era que a rota de comunicações para a Espanha andava difícil e perigosa. Reforçávamos essas informações dizendo que de vez em quando um agente partia para a França e não chegava a parte alguma. Quando Londres pedia informações sobre terrenos da Holanda onde poderia descer um avião para apanhar Jambroes, respondíamos que não conseguíamos achar lugar conveniente, ou então, quando parecia iminente um vôo especial, declarávamos à última hora que o local marcado era perigoso. Finalmente, tomamos a única atitude ainda possível: anunciamos que Jambroes estava desaparecido, "depois de uma incursão da polícia alemã em Roterdã".

Para remediar a situação, foi desembarcado na Holanda o Grupo Golf. Visava preparar rotas de comunicação e linhas de fuga seguras, através da França, Espanha e Suíça. Deixamos passar seis semanas e depois Golf radiografou a Londres que fora aberta uma rota segura até Paris e que o emissário seria um homem experimentado chamado "Arnaud". Na realidade, Arnaud era o nosso Unteroffizier Arno. Fingindo-se de refugiado francês, ele já havia entrado em contato com elementos da resistência e conseguira realmente penetrar nas rotas de comunicação do inimigo.

Para "experimentar a segurança" da linha de fuga do Grupo Golf, mandamos para a Espanha dois aviadores ingleses que viviam escondidos na Holanda. Três semanas depois, Londres confirmou que eles haviam chegado bem. Esse sucesso deu grande prestígio ao Grupo Golf e a Arnaud em Londres, e assim obtivemos informes sobre três estações do Serviço Secreto britânico em Paris, que serviam as linhas de fuga. A contra-espionagem alemã não tomou medidas contra essas estações, partindo do princípio de que obter informações - como passamos a obter em quantidade - era mais valioso do que a eliminação.

Nos meses seguintes, o Grupo Golf prestou realmente alguns serviços aos Aliados. Muitos aviadores inimigos que tinham sido abatidos na Holanda e na Bélgica foram encaminhados numa aventurosa viagem clandestina para a Espanha, sem saberem que estavam sob a asa da contra-espionagem alemã. Anunciávamos continuamente essas viagens, dando nomes e patentes, e quando os aviadores chegavam à Inglaterra realizávamos o nosso propósito: aumentar o prestígio do Grupo Golf, sem prejudicar a Nordpol.
Nessa altura eu começava a recear que as informações obtidas pelo inimigo nos países neutros não confirmassem as notícias que transmitíamos sobre movimentadas atividades de sabotagem na Holanda. Promovemos, então, uma série de atentados fictícios nas estradas de ferro. Hora e local eram planejados de maneira a evitar acidentes de trem, mas o assunto era muito comentado nos meios ferroviários holandeses.

Fizemos, também, explodir um navio em pleno dia, no Rio Maas, em Roterdã. Escolhemos uma barcaça de mil toneladas, que fazia o percurso para a Alemanha pelo Reno, com uma carga de peças de aviões destroçados e uma tripulação da Marinha de Guerra alemã. Pouco depois do meio-dia, numa bela tarde de agosto, houve uma explosão no momento exato em que a barcaça passava sob a grande ponte do Maas. Subiu ma enorme nuvem de fumaça e a embarcação começou a afundar. Homens a meu serviço tinham embarcado nela passando por engenheiros da luftwaffe e, sem despertarem as suspeitas da tripulação, fizeram detonar a carga de explosivos no lugar e no momento que convinham.

A lancha do capitão do porto "estava por caso nas proximidades", comigo a bordo. Tocamos depressa para o local do desastre e salvamos a tripulação da barcaça. Os destroços foram arrastados para a terra, pela correnteza, com a carga de velhas fuselagens e asas de aviões. Nas margens, milhares de habitantes de Roterdã aplaudiam e gritavam de alegria. A publicidade teve um êxito retumbante.

O capitão do porto, um honrado oficial alemão, passou uma semana interrogando febrilmente a tripulação da barcaça, num grande esforço para descobrir a origem da sabotagem. Mas nunca soube a verdade.

Em 31 de agosto de 1943, Ubbink e Dourlein, dois dos cinqüenta e tantos agentes que detínhamos na prisão de Haaren, conseguiram fugir e desapareceram. Eu estava convencido que aqueles homens corajosos e resolutos encontrariam algum meio de voltar à Inglaterra. Se conseguissem, trairiam a nossa organização.

Durante os dez primeiros dias de dezembro, as mensagens de Londres tornaram-se de repente monótonas e desinteressantes. Parecia que Ubbink e Dourlein tinham alcançado seu objetivo. Agora Londres procuraria enganar-nos a nós. Não deixamos transparecer que sabíamos que o grande logro fora, afinal, descoberto e continuamos as atividades normais. As mensagens de Londres apenas se tornavam cada vez mais desinteressantes.

Em março de 1944, propus a Berlim que puséssemos termo à farsa das operações Nordpol por meio de uma última mensagem. E assim foi que radiografamos aos homens que sabíamos estarem à testa do serviço secreto anglo-holandês:

Srs. Pancrácio, Simplório & Cia. Ltda., Londres. Sabemos que V. Sras. há algum tempo vêm procurando fazer negócios na Holanda, sem nosso auxílio. Lamentamos esse fato, pois fomos por tanto tempo seus únicos representantes no país em condições mutuamente satisfatórias. Asseguramo-lhes, não obstante, que, no caso de pretenderem fazer-nos alguma visita no continente, em escala considerável, dispensaremos aos seus emissários a mesma atenção de sempre, e uma acolhida sempre cordial.
O texto, em linguagem comum, foi radiografado para Londres no dia 1º de abril, por todos os dez canais. A data não podia ser mais indicada.

Na tarde seguinte, nossos radioperadores informaram que Londres aceitara a mensagem em quatro canais, mas que não respondera aos chamados dos outros seis. E assim foi encerrada a operação Nordpol.


Fonte: História Secreta Da Última Guerra  - Seleções Do Reader S. Digest
Autor: H.J. CISKES
http://pt.wikipedia.org/wiki/Abwehr



sábado, 1 de maio de 2010

Passaporte para a vida

A luta de um homem corajoso que salvou milhares de judeus durante a Guerra.
 
Chiune (Sempo) Sugihara acordou com os gritos do lado de fora do consulado japonês em Kovno, na Lituânia. Através de uma janela, o diplomata de 40 anos de idade, viu, incrédulo, centenas de homens, mulheres e crian-ças. Muitos destes homens tinham barba e usavam longos casacos e chapéus de pele. Algumas pessoas seguravam bebês ou ajudavam os parentes mais idosos. A maioria carregava tudo o que possuía em trouxas.

"São refugiados judeus" – um contínuo do consulado disse a Sugihara. "Querem que o senhor salve suas vidas."

Era 27 de julho de 1940. No mês de setembro anterior a Alemanha invadira a Polônia e relatórios horríveis dos crimes alemães contra os judeus se espalhavam. Mas o que isto tinha a ver com um obscuro diplomata japonês na Lituânia? Sugihara pe-diu um encontro e Zorach Warhaftig, um advogado na casa dos 30, explicou a situação de seu povo.

Famílias inteiras estavam sendo assassinadas pelos nazistas, Warhaftig contou a Sugihara. Os refugiados conseguiram chegar à Lituânia dominada pelos russos, mas era apenas uma questão de tempo antes da guerra estourar ali também.

Sobrava apenas uma rota de fuga – por terra através da União Soviética. Mas os russos nunca os deixa-riam passar sem prova de que os judeus seriam recebidos por outro país depois de cruzar a União Soviética. Outros con-su-la-dos na Lituânia ou foram omissos ou fecharam.

Milhares de vistos seriam necessários. "Quero ajudá-los" – disse Sugihara – "mas tenho que pedir permissão a Tóquio."
Warhaftig ficou preocupado. Poucos países em 1940 queriam ajudar os judeus deserdados e o Japão era quase um aliado formal da Alemanha.

Na multidão naquele dia estava Yehoshua Nishri, 20 anos. Ele ouviu o relato de Warhaftig. É nossa única esperança – pensou. O tempo está correndo.

Sugihara telegrafou ao Ministro do Exterior em Tóquio, explicando a situação dos judeus. "Estou pedindo permissão para emitir vistos de trânsito imediatamente" – escreveu.

Dois dias mais tarde veio a resposta. Decepcionado, Sugihara leu: "Você não pode conceder vistos de trânsito para pessoas sem destino conhecido."

Naquela noite, Sugihara andou para lá e para cá até a alvorada. "Preciso fazer alguma coisa" – disse à esposa, Yukiko, que ficou acordada com ele.

"Sim" – Yukiko disse. "Precisamos." Ela pensou, triste, no aviso do parque de "Proibido para judeus." Como as pessoas podem fechar seu coração por ódio cego? ela pensava. O olhar de desespero nos olhos daqueles refugiados – especialmente daqueles com crianças pequenas – tocou a jovem mãe de três meninos.
Sugihara telegrafou novamente a Tóquio, explicando que aquele refugiados precisariam de 20 dias para cruzar a União Soviética. Partindo de barco do porto russo de Vladivostok, em 30 dias chegariam ao Japão. Com certeza, em 50 dias, ele argumentou, um destino final seria encontrado.

A resposta ainda era não.

Casal Sugihara 

Sugihara mandou um terceiro telegrama para Tóquio explicando que com um avanço nazista iminente, os judeus não tinham mais para onde se voltar. De novo, negativo. A escolha para Sempo Sugihara era óbvia: tinha de obedecer a seu governo ou a sua cons-ciên-cia.

Sempo Sugihara sempre agia independentemente. Formou-se no colégio com notas brilhantes e seu pai insistiu que fosse médico. Mas o sonho de Sempo era estudar literatura e morar no exterior.

Na manhã do vestibular de medicina, o jovem Sugihara saiu de casa com o conselho de seu pai para dar o melhor de si. Mas quando as provas foram entregues, ele escreveu seu nome no cabeçalho e colocou o lápis de lado. Quando o teste terminou, entregou uma folha em branco.

Sugihara foi estudar inglês na conceituada Universidade Waseda. Pagou seus estudos trabalhando meio-período como estivador, professor particular e puxador de riquixá.

Certo dia, ele viu um anúncio intrigante nos classificados. O Ministério das Relações Exteriores estava procurando jovens que quisessem estudar no exterior como início para a carreira diplomática. Caía como uma luva para o jovem sonhador. Um dos únicos a passar o teste eliminatório, Sugihara foi enviado para Harbin, na China. Lá estudou russo.

Depois de se formar com louvor, entrou a serviço do governo da Mandchúria controlada pelos japoneses, no nordeste da China. Chegou a vice-ministro de Relações Exteriores. Certa vez, quando o governo soviético queria vender uma ferrovia aos japoneses, Sugihara pesquisou o negócio. Depois de descobrir que o preço pedido era o dobro do valor da ferrovia, conseguiu cortar o preço pela metade.

Tal iniciativa logo colocou Sugihara a um passo de se tornar Ministro das Relações Exteriores da Mandchúria. Mas ele ficou desalentado com a maneira cruel com que seus concidadãos tratavam a população local. Sugihara renunciou ao cargo de vice-ministro e voltou ao Japão em 1934.

Uma vez que era um funcionário do governo japonês que dominava o russo como ninguém, o Chanceler esperava colocá-lo na embaixada em Moscou. Mas os soviéticos se lembraram do negócio da ferrovia e recusaram as credenciais de Sugihara. Em vez disso, Tóquio enviou-o a Lituânia para abrir uma represen-tação consular em 1939. Lá poderia relatar as atividades soviéticas e os planos alemães de guerra. Seis meses mais tarde, a guerra eclodiu e a União Soviética anexou a Lituânia. Todos os consulados deveriam ser fechados. E a multidão de judeus nos portões de Su-gihara aumentava a cada instante.

Sugihara e sua esposa discutiram o que aconteceria se ele desobedecesse ordens. "Poderia ser o fim de minha carreira" – ele disse. Mas no final, Sugihara sabia que caminho seguir.

"Vou ter de desobedecer a meu governo" – disse a Yukiko. "Mas se não o fizer, estarei desobedecendo a Deus."

Fora do consulado, Sugihara anunciou à multidão: "Vou conceder vistos de trânsito a quem quiser."
Houve um silêncio chocante, depois uma explosão de alegria. Muitos choravam, rezando. Uma fila longa e desorganizada se formou enquanto as pessoas se acotovelavam por um lugar.

Uma vez que os vistos japoneses eram apenas de trânsito, as pessoas deveriam ter de declarar um destino final. Curaçao, uma possessão holandesa no Caribe, foi uma sugestão. Warhaftig obteve uma declaração de que não era necessário visto para entrar nesta colônia.

Sugihara começou a emitir vistos naquela manhã, 1º de agosto. Primeiro, ele fazia as perguntas de praxe: se tinham passagem para fora do Japão; se tinham dinheiro suficiente para a viagem. Mas quando se tornou óbvio que muitos refugiados fugiram com a roupa do corpo, Sugihara omitiu estas perguntas.

Igo Feldblum, 12 anos, e sua família, escaparam de Cracóvia, Polônia. Quando foi sua vez de entrar no escritório de Sugihara, um dos assistentes do cônsul sussurrava uma frase a cada membro da família de Igo: "Banzai Nipon!" (Vida longa ao Japão!). Com estas palavras, Sugihara podia confirmar que os refugiados "falavam japonês".

Cada visto levava quinze minutos. Sugihara deixara de almoçar para emitir tantos quanto possível. Mesmo assim, quando finalmente parou naquela primeira noite, a multidão não diminuiu.

Ele trabalhou dia e noite e quando acabaram os formulários oficiais, escreveu mais à mão. À medida que passavam os dias, ele começou a ficar fraco. Seus olhos se tornaram injetados pela falta de sono. "Penso se não deveria parar já" – disse, exausto, à sua esposa uma noite.

"Vamos salvar o mais que pudermos" – Yukiko respondeu baixinho.

Na terceira semana de agosto, Sugihara recebeu telegramas ordenando-o a parar. Grande número de refugiados poloneses chegava ao Japão nos portos de Yokohama e Kobe, provocando confusão. Sugihara ignorou as ordens.

No final de agosto, os soviéticos exigiam que o consulado fosse fechado. Tóquio instruiu Sugihara a se mudar para Berlim. Porém centenas de judeus ainda estavam chegando. As faces suplicantes na multidão eram demais para ele. "Vou ficar uma noite num hotel aqui" – anunciou. "Vou conceder o máximo de vistos que puder antes de partir."

Documentos de viaje carimbados com o visto de Sugihara

Uma multidão seguiu a família até o hotel, onde Sugihara continuou a escrever. Na manhã seguinte, um grupo ainda maior seguiu Sugihara e sua família à estação do trem. No trem, ele continuou a escrever freneticamente, mas não conseguia dar vistos para todos. Começou a assinar seu nome em folhas em branco, esperando que o resto pudesse ser preen-chido. Ainda estava passando papéis quando o trem partiu.

"Sempo Sugihara" – um homem gritou nos trilhos – "nunca o esqueceremos."
Agarrando seus preciosos vistos, os refugiados partiram para o leste através da Sibéria. Quando se encontraram em segurança a bordo de um navio para o Japão, muitos estavam convencidos de que a pressa com que Sugihara escreveu e selou os pedaços de papel fora de algum modo abençoada.

Moshê Cohen, um estudante de religião de 17 anos, certamente o pensava. Quando seu grupo se preparava para subir no navio para Kobe, Cohen viu um oficial russo empurrar um rabino em direção a dois oficiais japoneses que verificavam os vistos. Quando o rabino abriu seu passaporte, o vento carregou o visto, levando-o num arco flutuante sobre a água.

"Todos olhamos, transfixados" – disse Cohen. "Voou a nosso redor até aterrissar na rampa, bem em frente aos pés do rabino. Ele o entregou aos japoneses, que acenaram para que seguisse."

No Japão, os judeus foram tratados sem discriminação. Quando seus vistos de trânsito expiraram, tiveram permissão para ir para Xangai esperar pelo fim da guerra. Curaçao estava fechado para eles. Depois da guerra, alguns ficaram no Japão. A maior parte dos outros foi para os Estados Unidos, América do Sul ou Palestina, o futuro Estado de Israel.

Sugihara estima que concedeu 3.500 vistos. Outros dizem que foram 6.000.


                   Judeus esperando por vistos em frente ao consulado japones em Kovno

Durante a guerra, Sugihara dirigiu os consulados na Tchecoslováquia, Romênia e Alemanha. Uma vez que seu governo nunca mencionou os vistos, achava que haviam esquecido.

Em 1945, Sugihara dirigia o consulado japonês em Bucareste, Romênia, quando ele e sua família foram presos pelas tropas soviéticas e levados a um campo de prisioneiros. Depois de 21 meses, a família retornou ao Japão.

De volta a Tóquio, Sugihara esperava que lhe oferecessem uma embaixada. Mas o vice-chanceler pediu sua renúncia. A costumeira carta de recomendação foi negada. Sugihara percebeu que se lembravam do que ele fizera na Lituânia.

Para sustentar a família, o diplomata de carreira primeiro tentou vender lâmpadas de porta em porta. Finalmente se mudou para Moscou para dirigir uma filial de uma empresa exportadora, deixando sua família para trás por longos períodos de tempo.

Os judeus cuja vida ele salvou nunca se esqueceram de Sugihara. Muitos tentaram encontrá-lo; suas investigações junto à Chancelaria de Tóquio foram infrutíferas.

Certo dia, em 1967, o filho de Sugihara, Hiroki, recebeu uma mensagem de um oficial da embaixada israelense em Tóquio que queria vê-lo. Era Yehoshua Nishri, que havia rastreado a família por meio de uma lista de universitários.

"Há anos procuro por seu pai" – Nishri contou a Hiroki. "Nunca esquecerei o homem que salvou minha vida."
Hiroki disse que seu pai estava trabalhando em Moscou. "Diga-lhe que Israel quer homenageá-lo pelo que ele fez" – Nishri falou.

Hiroki recebeu uma resposta típica de seu pai: estava ocupado com o trabalho e não tinha tempo para agradecimentos oficiais. Mas três meses mais tarde, Nishri convenceu Sugihara a ir para Israel.

Em Tel-Aviv, Sugihara foi recebido como herói. Houve festas para homenageá-lo organizadas por quem ele salvou – alguns deles desempenhavam papel importante na jovem história de Israel. Entre eles, Zorach Warhaftig que ajuda-ra a escrever a Declaração de Independência de Israel e era agora Ministro de Assuntos Religiosos.

"Sempre fiquei a pensar" – disse Warhaftig – "por que você fez aquilo."

Sugihara respondeu: "Vi pessoas em desespero e era capaz de ajudá-las e, então, por que não fazê-lo?"
Em 1984, o Departamento dos Mártires e Heróis do Holocausto de Israel concedeu a Sugihara o título de "Justo entre as Nações." Sugihara, com 85 anos, estava fraco demais para comparecer à cerimônia, assim sua esposa recebeu o prêmio. Um parque recebeu seu nome em 1992; Sugihara recebeu o título de cidadão honorário de Israel.

Sugihara foi homenageado nos Estados Unidos também. Recentemente, a Yeshivá de Mir celebrou o jubileu de ouro em Nova York. Todo o corpo docente e discente da escola – cerca de 300 rabinos, alunos e familiares – fugiu de Mir, Polônia e foi salvo por Sugihara. O aniversário foi comemorado com a criação do Sempo Sugihara Educational Fund em prol dos jovens eruditos judeus.
Igo Feldblum é atualmente médico em Haifa, Israel. "Um homem corajoso faz coisas difíceis" – reflete. "Um herói faz coisas que parecem impossíveis. Ele agiu mesmo sabendo que nada ganharia em troca."

Sugihara morreu no Japão em 1986 em relativa obscuridade. Apenas quando um grande número de judeus ortodoxos compareceu a sua casa para o funeral é que seus vizinhos perceberam que viviam ao lado de um herói.

Em 1991, o governo japonês emitiu um tardio pedido de desculpas a sua família por demiti-lo. Sua esposa e filhos ainda têm contato com judeus agradecidos que receberam um dos vistos de Su-gi-hara. Estima-se que se os descen-dentes dos que foram salvos fossem computados, haveria dezenas de milhares em todo o mundo que devem suas vidas ao corajoso diplomata.

Warhaftig, que tem 25 netos, olha para trás para o que aconteceu, e diz:

"Sempo Sugihara foi um emissário de Deus."

Por David Tracey
Fonte: http://www.chabad.org/
United States Holocaust Memorial Museum Photo Archive
http://www1.yadvashem.org/es/righteous/stories_sugihara.asp
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