domingo, 21 de março de 2010

Entrevista com Kesselring




O jornalista Enzo Biagi relembra suas entrevistas com o marechal de campo alemão após seu cativeiro e falecimento.

De Kesselring recordo os olhos claros, azuis e o sorriso. Sorria sempre. Sorria quando, ao comando de um "Messerchmitt" voava sobre grandes planícies russas ou nos céus da Inglaterra; sorria, inspecionando os canhões na praia de Anzio; sorria, no campo de concentração austríaco, onde estava prisioneiro, condenado, aguardando a execução; sorria, dizendo-me: "Estou muito doente", e tocava o peito.

Passeávamos numa tarde quente do último outono, entre as flores um tanto murchas de um tranqüilo e cuidado jardim; o tempo da guerra estava longe. Crianças loiras saíam gritando das escolas, bando de pássaros desapareciam por trás dos bosques de folhas avermelhadas.

"Que pensa a respeito de Hitler, senhor marechal?" Perguntava eu.
"Uma grande, uma fascinante personalidade" respondia sorrindo.
"Que pensa de Mussolini, senhor marechal?"
"Uma grande mente política" e me olhava sem ironia.
"Que diz da Itália?" Insistia eu.
"Sinto ainda grande simpatia pelo seu povo; Hitler sempre me dizia que eu era honesto demais para os italianos; ele não os estimava, eis tudo".Sorria ainda.
"Agradar-lhe-ia" perguntava, "voltar novamente à minha pátria?"
"Amo sua terra, a beleza da natureza, os monumentos, Roma, Florença, Veneza..."
"Também Veneza?", dizia eu, "Deveria ter péssimas recordações dessa cidade".
"Devido à sentença? Uma sentença injusta, um grande erro judiciário".

Somente então se pôs a recordar aquele julgamento: a lancha escoltada que o conduzia ao tribunal; o frio que fazia; a chuva abundante; a voz monótona do magistrado que lia: "O marechal Albert Kesselring, culpado de crime contra a humanidade, é condenado à morte". O sorriso do velho soldado se transformou numa espécie de trejeito e eu percebi que um daqueles olhos claros azuis era um pouco menor, mais frio.

"Sou um marechal alemão" dizia Kesselring freqüentemente, e endireitava o talo de um crisântemo, ou tocava uma folha, explicando-me, sorrindo, que um marechal alemão permanece como tal, "bis zum letzten Tag", até o último dia; que um marechal alemão não pode ter dúvidas; que a Disziplin (disciplina) é um dever; que não pode sentir arrependimentos, temores; não pode conhecer nossas fraquezas, as fraquezas humanas; deve sorrir, mesmo sob o fogo inimigo, mesmo quando lhe dizem: "A forca o espera". Para um marechal, mesmo cansado, doente e sozinho (agora até a mulher se foi e a fila dos companheiros é cada vez menor), para um marechal da Wehrmacht que considera a rendição do soldado alemão, no dia da derrota, "um triunfo da educação" as palavras têm estranhos, diversos significados.

"Senhor marechal, que pensa de Marzabotto?", disse de repente, e sentia-me embaraçado, quase envergonhado.
"Uma operação bélica" responde-me tranqüilo.
"Quase dois mil mortos", disse, "são muitos, até mulheres e crianças, principalmente mulheres e crianças".
"Sob as bombas dos anglo-americanos tombaram também muitas mulheres alemãs e muitas crianças alemãs. Quem ataca tem o dever de vencer. É pena que os inocentes também paguem".
"E dos delitos do Fuehrer, que diz?"
"Nem todas as culpas foram suas, estava rodeado de péssimos conselheiros".
"E do seu amigo Goering? Que me diz de seu amigo Goering".
"Um homem do Renascimento, um verdadeiro príncipe do Renascimento, um bom garfo, um bom bebedor, nascido para a caça, cultor das artes, o último senhor do Renascimento".

Prisioneiro de si próprio

Passeávamos, e a guerra parecia tão distante, o marechal tinha o ar sereno de um funcionário aposentado, de um professor aposentado educado, vestido com circunspecção, conversador de certo garbo, anfitrião cheio de atenções: "Experimente - pede-me - este vermute italiano". E eu pensava em cápsulas de cianureto rompidas com os dentes na escuridão de uma cela, ou no carro negro da Gestapo, no destino de alguns dos companheiros de Kesselring, e outros mortos sem história, tantos mortos. Mas no relato do marechal não havia nem paixão, nem dor; aqueles mortos eram apenas o resultado de enganos estratégicos, de avaliações políticas erradas. Ele se sentia ainda e sempre marechal, marechal até o último dia.

Parece-me prisioneiro de si próprio, de um sonho angustiante de que não soube se libertar: falava insistentemente em capacetes de aço, capacetes com pregos, capacetes com a suástica. Falava nisso com orgulho, com altivez. Podemos ver ainda esses capacetes, enferrujados, em nossos cemitérios, nos campos italianos, colocados entre as cruzes cinzentas que recordam, entre os mortos do país, alguns pobres Hans, ou alguns pobres Rudolph, mortos sob as ordens do Fuehrer e do marechal Kesselring, nas terras da Itália.

Mostrou-me seu livro de memórias, onde havia uma frase assinalada com um traço a lápis: "Minha vida foi rica, porque foi cheia de preocupações, de trabalho, de responsabilidades. Ela terminou num calvário". Não era o pesadelo dos enganos cometidos que o afligia, mas o senso do prestígio perdido. "No cárcere - disse-me - devia colar envelopes de cartas. Era muito bom nisso, aliás. Pense: um marechal alemão colando envelopes".

Não mudara em nada. Alto, calvo, modos gentis, assemelhava-se ao retrato que dele traçavam seus colaboradores. "Um temperamento modesto, muito diferente de Rommel. E uma boa dose de calor humano" dizia Siegfried Westphal, que estivera a seu lado, como seu chefe do Estado-maior.

Contavam que sabia entreter agradavelmente os hóspedes durante as refeições, amava a boa mesa, apreciava as belas mulheres, tinha aprendido a desfrutar, entre a tensão de uma batalha e as longas horas passadas debruçado sobre mapas, a visão de uma obra de arte, ou a música; mas, sob aquela aparência afável, se escondia um fortíssimo orgulho. "Uma esfinge", é a definição que lhe dão os críticos menos calorosos, "habilíssimo em se desenredar das situações embaraçosas ou graves, sempre atento em não cair nas armadilhas da política".

Mesmo quando, em 28 de abril de 1945, enquanto a Alemanha desmoronava, Eugen Dollmann foi informá-lo dos entendimentos de paz que o general das SS, Wolff, efetuou na Suíça, o marechal de campo foge aos compromissos, não dá seu apoio, não critica, não se compromete: "Compreendi tudo muitíssimo bem" - diz - "agora vamos almoçar. Depois lhe desejarei uma boa viagem".


Sua obra-prima

Sua obra-prima é a campanha da Itália, combatendo em Cassino, Anzio, sobre a Linha Gustav, sobre a Linha Gótica, resistindo durante vinte meses ao lento e implacável avanço do V e VIII Exércitos Aliados, sob as ordens do americano Clark. Para tanto, contava com um potencial bélico reduzidíssimo, em comparação com os aliados; porém, nunca ousou protestar. Disziplin.

Considera-se um benemérito, com relação às atitudes mantidas para com a população. "É preciso defender Roma, rua por rua", ordena Hitler, e dá ordens para que os pontos sejam minados. Pela primeira vez Kesselring recusa-se a obedecer.

"Impedi que Roma fosse evacuada, como era projetado, e se transformasse em teatro de luta, mas com graves danos para as operações militares... salvei muitas obras de arte, entregando-as ao Vaticano, como o tesouro de Montecassino. Os centros de interesse histórico foram por mim declarados cidades-hospitais. Determinei que Orvieto, Perugia, Urbino e Siena não fossem defendidas. Ravenna foi evacuada sem que se disparasse um tiro".

Diz o general Siegfried Westphal: "Um coração generoso e sensível. Fez muito pelos italianos, principalmente pelos civis. Impediu a destruição de cidades famosas e históricas. Talvez ninguém tenha ainda reconhecido à altura, essa sua bondade. Certamente, tinha perdido a guerra, assim, processaram-no e o condenaram. Na guerra, a culpa é sempre de quem perde. Quando se combate durante tantos anos, é fácil enganar-se".



O caso de Marzabotto

Marzabotto, Sant'Anna de Stazema, Boves, Bassano del Grappa, Villa Marzano, a Benedicte. Nomes esses que recordam morticínios e sofrimentos. Quando lhe falei sobre as Grutas Ardeatinas, disse: "A ordem veio de Hitler. Fiz de tudo para que fosse mitigada". Marzabotto entrava na lógica da guerra. Kesselring considerava os partigiani "sabotadores... canalhas... que roubavam, matavam e saqueavam". Esquecia-se de que era o superior daquelas tropas que, em Cefalonia e em Corfù, "por vingança", haviam passado pelas armas 8.400 homens, entre soldados e oficiais.

Quando compareceu diante da Corte Marcial britânica que deveria julgá-lo, declarou: "Assumo a responsabilidade apenas pelos meus comandados. Se errei como chefe e como homem, as conseqüências desses erros devem cair apenas sobre mim. Porém, jamais reconhecerei leis punitivas emanadas apenas contra os alemães. Muitíssimos alemães e muitíssimos estrangeiros não me negam seu respeito como homem e como soldado. Conscientemente tranqüilo, posso deixar que a História julgue meu comportamento militar, e conscientemente tranqüilo, estarei diante de meu Deus".

"Vossa decisão, senhores juízes, atingir-me-á materialmente, mas moralmente golpeará os demais chefes militares de todo o mundo, que se encontraram, ou se encontrarão, nas minhas condições. Aguardo vossa condenação de pé, sem inclinar a cabeça, de vós que, como eu, combatestes na mesma frente. Essa, seja qual for, saberei suportá-la. Aprendi, nesse período da mais funda humilhação de minha vida, a erguer-me acima de minhas misérias".

Em 9 de março de 1945 Hitler ainda lhe fornece uma prova de sua consideração: retira-o do setor italiano e manda-o, no lugar de von Rundstedt, comandar a defesa da frente ocidental. Kesselring não tem mais ilusões, mas anota em seu diário: "Ainda em 12 de abril o Fuehrer se mantinha otimista. Desde o início da ofensiva russa ele vive num mundo irreal". Mesmo assim, serve devotadamente o seu chefe até o último dia. Depois do cárcere e da morte da mulher, Luisa, vive solitário na casinha à beira do lago Tegern, onde estão guardados seus uniformes, suas medalhas, as páginas que escreveu quando marechal e quando esteve preso. Uma velha governanta ocupa-se dele, e mantém afastados os indiscretos. Recebe poucas visitas: mesmo os amigos já se foram. Morre aos 74 anos.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Os diários da Husky

As lembranças do General Patton sobre o início da invasão na Sicília e suas conclusões sobre a ação decorrente.

O I Corpo Blindado, que planejou a campanha da Sicília, era constituído pelo que restara da Força-Tarefa Ocidental, depois de fornecer oficiais e soldados para o recém-criado 5º Exército. O efetivo do Corpo foi reforçado para a invasão da Sicília e, após o desembarque, veio a constituir o 7º Exército.

As Forças Terrestres aliadas, sob o comando do General Sir Harold Alexander, compreendiam o 8º Exército inglês, comandado pelo General Montgomery, e o 7º Exército americano, comandado pelo General Patton. As Forças Navais eram comandadas pelo Almirante Sir Andrew Cunningham e as Forças Aéreas pelo Marechal-do-Ar Sir Arthur Tedder.

Os exércitos desembarcaram no dia 10 de julho de 1943, com o 8º Exército no lado sudeste da ilha e o 7º Exército no lado sudoeste. Na noite de 16 de agosto, elementos do 7º Regimento de Infantaria, da 3ª DI, comandado pelo Coronel H. B. Sherman, entraram em Messina. A queda da Sicília ocorreu na manhã do dia 17, quando o General Patton entrou naquela cidade. A campanha durara 38 dias.


P. D. H.

OS DIÁRIOS DA INVASÃO DA SICÍLIA

11 de julho de 1943

Eu, o General Gay, o Capitão Stiller e alguns soldados saímos do Monróvia no batelão do almirante às 9 horas, e chegamos na praia, em Gela, às 9h30min.

Na praia vi dois DUKW, destruídos por minas e sete embarcações de desembarque encalhadas na areia. Enquanto fazia esta observação o inimigo abriu fogo, provavelmente com um canhão de 88 ou 105 mm. As granadas explodiram dentro da água, a uns 30 metros da praia, mas não podiam atingir a areia por causa do desenfiamento proporcionado pelos prédios da cidade. Assim que retirassem o material que fizera o nosso carro de reconhecimento flutuar, era minha intenção avançar até o QG da 1ª Divisão de Infantaria, cerca de 5 quilômetros para sudeste e a cavaleiro da estrada litorânea. Ao entrarmos em Gela observamos uma flâmula à nossa esquerda e resolvemos visitar o Coronel W. O. Darby, comandante dos Rangers. Foi uma decisão feliz; se houvéssemos avançado pela estrada, teríamos encontrado sete carros de combate alemães que, naquele momento, progrediam pela estrada em direção à cidade.

Tripulação do tanque "Eternity" buscar seu veículo após o desembarque na Praia Vermelha 2, na Sicília

Quando chegamos no Posto de Comando dos Rangers o Coronel Darby e a cidade de Gela sofriam um ataque de alemães e italianos, vindo do nordeste. Darby dispunha de uma bateria de canhões 77 mm, capturada aos alemães, da 8ª companhia do 3º batalhão do 26º RI, de dois batalhões de Rangers, de uma companhia de morteiros 4.2 e de um batalhão do 59º Regimento de Engenharia.

Esta força ficara isolada da divisão, pelo lado direito, em conseqüência da progressão dos sete carros de combate, já agora a uma distância de 1.000 metros da orla da cidade. Dirigimo-nos para um Posto de Observação situado 100 metros à retaguarda da linha de contato; dali podíamos ver o inimigo progredindo através do campo, talvez uns 800 metros à nossa frente.

Darby ordenara que as estradas fossem patrulhadas por viaturas meia-lagarta. Estas viaturas não se destinavam a ações de combate e sim ao transporte de material de Engenharia; todavia, trabalharam tão bem e fizeram tanto barulho que perturbaram a progressão dos italianos, os quais parecem que não dispunham de apoio de Artilharia.

A progressão italiana cessou por volta das 11h50min; voltamos ao PC de Darby para averiguar o que se passava do lado direito, região que podia ser avistada de dentro de Gela.

Ao chegarmos lá, dois bombardeiros Hurricane despejaram bombas sobre a cidade. Depois, a Artilharia alemã abriu fogo com os canhões de 88mm. O edifício onde nos encontrávamos foi atingido duas vezes; o teto do prédio situado do outro lado da rua também foi atingido, mas ninguém ficou ferido, com exceção de alguns civis. Nunca ouvi tanta gritaria como naquela ocasião. Neste momento chegou um oficial da 3ª DI trazendo dez carros de combate, vindo de Licata para Gela pela estrada litorânea. Chegaram também dois carros de combate do Grupamento Tático B.

Disse a Gaffey para fechar a brecha entre Gela e a 1ª DI e para mandar uma companhia de carros de combate para ajudar Darby. A ordem foi cumprida. Darby contra-atacou imediatamente, na esquerda, e fez 500 prisioneiros. Também destruímos os sete carros de combate alemães, na direita.

O oficial recém-chegado explicou-me a situação da 3ª DI; chegou também o General Roosevelt (sub-comandante da 1ª DI) e conversei com ele a respeito do fracasso da 1ª DI na conquista do objetivo, na noite anterior. Na minha opinião o motivo do fracasso residiu no fato de a divisão haver atacado sem canhões anticarro e sem desdobrar a sua Artilharia. É verdade que a reação a um contra-ataque dos CC (carros de combate) alemães foi muito boa, inclusive com a destruição de vários dos nossos carros. Acho que foram destruídos 14 carros de combate inimigos naquele dia. Eu, pessoalmente, contei onze.

Decidi, então, ir ver o General Allen e o General Gaffey.Já na estrada, encontramos o General Allen viajando em sentido contrário ao nosso; paramos no alto de uma colina. Eram 15h30min. De repente, apareceram 14 bombardeiros alemães e a nossa Artilharia antiaérea abriu fogo. Saímos da estrada, mas como o traçado da mesma era paralelo à direção de vôo dos aviões inimigos, os estilhaços das granadas antiaéreas começaram a cair na estrada. Um estilhaço caiu a 5 ou 10 metros do local em que estávamos eu e o General Gay. Durante esta incursão vi dois bombardeiros e um outro avião serem abatidos.

Passado o ataque voltamos às viaturas e nos dirigimos para o QG da 2ª Divisão Blindada. Enquanto permanecemos lá uma bateria alemã ficou atirando contra o quartel-general, mas a pontaria não era boa, ou a colina atrás do QG nos deixava desenfiados; de qualquer maneira, todos os tiros foram longos. Combinamos que Allen e Gaffey conquistariam o aeroporto de Ponte Olivo na manhã seguinte.

Regressamos a Gela sem nenhum acidente; creio não ser comum um comandante de exército e seu chefe de estado-maior viajarem 10 quilômetros em uma estrada paralela às linhas de frente de dois exércitos.

Durante a viagem de volta fiquei olhando, despreocupadamente, para o mar. Saía fumaça de um navio classe Liberty que fora bombardeado pelos alemães. Diante dos meus olhos uma explosão monumental lançou nuvens brancas e pretas a vários metros de altura. O navio partiu-se em dois, mas a parte da popa ainda flutuou durante seis horas. Quase todo o pessoal do exército que se encontrava a bordo, cerca de 115 homens, foi salvo.

Enquanto aguardava, na praia de Gela, a embarcação que nos levaria de volta ao Monróvia, vi a coisa mais tola que os soldados poderiam fazer. Estavam empilhadas, na areia, cerca de 300 bombas de 250 quilos e sete toneladas de granadas explosivas de 20 mm; os soldados cavavam abrigos individuais entre as bombas e as caixas de munição. Disse-lhes que estavam procedendo corretamente se quisessem poupar o trabalho de serem enterrados pelo pelotão de sepultamento; se desejassem poupar suas vidas, seria melhor cavar em um outro lugar.

Enquanto dava esta explicação, surgiram dois bombardeiros Stuka e metralharam a praia; todos os soldados correram para os buracos que haviam cavado. Continuei a caminhar pela praia e, assim, convenci-os a saírem dos buracos. Chegamos ao Monróvia às 19 horas, completamente encharcados. Acho que este foi o primeiro dia desta campanha no qual fiz jus aos meus vencimentos.


Durante a invasão aliada da Sicília, a SS Robert Rowan (navio Liberty K-40) explodiu após ser atingido por um Ju 88 bombardeiro alemão fora de Gela, na Sicília (Itália), em (11 de julho de 1943).



18 de julho de 1943

Continuamos a progredir, com vários dias de adiantamento em relação ao planejado desde o assalto bem sucedido contra as praias, executado antes do alvorecer do dia 10. Conseguimos isto, graças ao fato de não deixar o inimigo parar a partir do momento em que começou a recuar, isto é, nos mantivemos, por assim dizer, sempre nos seus calcanhares.

Nosso sucesso também se deve ao fato de os alemães e italianos haverem gasto muito tempo, trabalho e dinheiro na construção de posições defensivas. Tenho certeza que, como no caso das muralhas de Tróia e das muralhas romanas espalhadas pela Europa, o fato de confiarem em posições defensivas reduziu-lhes a capacidade de combate. Se houvessem despendido em combate um terço do esforço gasto na construção de fortificações de campanha, por certo não teríamos conquistado suas posições. Por outro lado, as unidades italianas, quase todas provenientes do norte da Itália, combateram de forma desesperada. As unidades alemãs não lutaram tão bem quanto as que destruímos na Tunísia. Este julgamento aplica-se particularmente aos carros de combate. Os alemães revelaram bravura, mas adotaram decisões erradas.

Os números de prisioneiros, de canhões capturados etc., são mais convincentes do que as palavras para demonstrar o sucesso da nossa operação. As comparações são odiosas, mas acho que até ontem o 8º Exército inglês não fez mais de 5.000 prisioneiros.

O inimigo colocava armadilhas no cadáver dos seus mortos, atirava em nós pela retaguarda depois que o ultrapassávamos e estava utilizando bala dum-dum. Tudo isto nos custou algumas baixas, mas o inimigo sofreu muito mais. Nos campos ao sul do aeroporto de Biscari, onde ocorrera um combate violentíssimo, eu senti o cheiro de corpos em decomposição em ambas as margens da estrada pelo menos até afastar-me 10 quilômetros do aeroporto.

Em diversas ocasiões, os alemães semearam minas na retaguarda dos italianos; quando os italianos corriam, acabavam explodindo. É claro, por outro lado, que os italianos não gostavam dos alemães.

Os italianos também praticaram atos de bravura. No dia 10, alguns carros de combate italianos entraram na cidade de Gela, que era defendida pelo Coronel Darby com dois batalhões de Rangers. Com a metralhadora leve do seu jipe Darby engajou um dos carros de combate, a uma distância de 50 metros. Ao verificar que os projeteis não penetrariam no carro, Darby desceu até a praia sob o fogo de três carros de combate, apanhou um canhão de 37mm, que acabara de ser desembarcado, abriu uma caixa de munição com uma machadinha, subiu a colina até a cidade e ocupou posição com o canhão a menos de 100 metros na frente de um carro que descia sobre ele. O primeiro tiro não deteve o carro, o que só foi conseguido com o segundo disparo. Apesar disto, a guarnição não abandonou o carro enquanto Darby não abriu uma escotilha e atirou uma granada de termite lá dentro.

No dia seguinte, este mesmo oficial - Darby - foi proposto para o comando de um regimento, com promoção ao posto superior na sua patente de tempo de paz; recusou tudo só para poder continuar combatendo junto com os homens que ele próprio instruíra. No mesmo dia, o General-de-Brigada Albert C. Wedemeyer solicitou rebaixamento a coronel, a fim de poder receber o comando de um regimento. Considero os dois atos como da maior relevância.

O tenente-coronel Lyle Bernard, CO, Inf 30. Regt., a prominent figure in the second daring amphibious landing behind enemy lines on Sicily's north coast, discusses military strategy with Lt. Gen. George S. Patton . Regt., Uma figura proeminente no desembarque anfíbio ousadia segundo atrás das linhas inimigas, na costa norte da Sicília, discute estratégia militar com o general George S. Patton. Near Brolo. Próximo Brolo. 1943. 1943

Durante o desembarque, um tenente de Artilharia decolou de uma embarcação de desembarque com o seu avião Piper Cub, depois de correr 15 metros em cima de uma pista improvisada com cerca de arame. Passou o dia inteiro voando sobre a cidade, apesar do fogo da defesa. O avião sofreu vários impactos, mas o observador aéreo manteve o comandante da 3ª DI informado sobre a situação.

Um oficial de Marinha conduzindo uma embarcação de desembarque de carros de combate (LCT) verificou que a lâmina de água não tinha profundidade suficiente para permitir o acesso de embarcação à praia. Decidiu avançar o máximo, encalhou a embarcação na areia e engajou as metralhadoras inimigas com os dois canhões de 20mm do seu barco; silenciou-as e possibilitou o desembarque das tropas que transportava.

O apoio de fogo naval - isto é, o fogo naval lançado sobre as praias pelos navios situados ao largo do litoral - representou um papel destacado. Chegamos a solicitar este apoio até durante a noite e conseguimos enquadrar o alvo já na terceira salva.

A população deste país é a mais miserável e esquecida por Deus entre todas as que já vi. Certo dia, eu estava na cidade quando o inimigo quase a reconquistou; algumas granadas mataram civis. Pois bem, todo mundo na cidade levou cerca de 20 minutos gritando que nem coiote.

Os animais recebem melhor tratamento, são mais gordos e maiores do que os animais na África; fora isto, tudo o mais por aqui é pior do que na África. As carroças são bem diferentes.Têm o formato de uma caixa com umas coisas que parecem pés de cama nos cantos e ao longo das bordas laterais. Os painéis que ficam entre esses pés de cama são desenhados com figuras. Na parte de baixo da carroça existe uma voluta, colocada entre o eixo e o fundo da caixa, parecida com as existentes nas varandas das casas construídas em 1880. A coleira do animal de tração possui um espigão apontado para cima, com cerca de 60 cm de altura, e alguns animais usam plumas na testeira da cabeçada.

Durante dois ou três dias, enquanto o combate se desenvolvia junto das cidades, os habitantes mostraram-se hostis; como demonstramos a nossa capacidade de destruir tanto alemães como italianos, tornaram-se americanófilos e passavam o tempo todo pedindo cigarros.


Fonte deste artigo: A guerra que eu vi - George S. Patton - Bibliex

sexta-feira, 5 de março de 2010

A pesquisa de Mengele sobre as diferenças nas cores dos olhos entre gêmeos adolescentes ciganos

Crianças ciganas vitimas de experiências medicas de Josef Mengele.  Reperem as pernas,os braços, e a face do 1º da esquerda. O 3º da direita pra esquerda esta com um orgão genital fora do comum pra uma criança. Mengele fazia castramentos, transplantes de ossos e membros, o que pode ter ocorrido com o garoto.

Os médicos nazistas realizavam experimentações absurdas em prisioneiros de campos de concentração com o intuito de promover a crença de “superioridade ariana” dos alemães. Houve casos de os médicos infringirem feridas à bala em prisioneiros, de infecção deliberada de prisioneiros com tifo e com outras doenças de campos de batalha, de exposição de prisioneiros a temperaturas muito baixas por períodos prolongados, além de apoiar abertamente a ideologia nazista quanto à defesa da eliminação de homossexuais, da esterilização dos judeus e outras ações indesejáveis. Outros experimentos nazistas incluíam forçar risioneiros a beber água do mar ou a respirar ar poluído por longos períodos de tempo, promover novas técnicas de castração e fazer transplantes de ossos e membros do corpo.

Posner oferece um arrepiante testemunho relativo à pesquisa de Mengele sobre as diferenças nas cores dos olhos entre gêmeos adolescentes ciganos, ilustrando a extensão de sua crueldade:

“...na sala de trabalho perto da sala de dissecação, 14 gêmeos ciganos estavam esperando e chorando. Dr. Mengele não nos dirigiu uma única palavra e preparou uma seringa de 10 centímetros cúbicos e outra de 15. De uma caixa, Mengele pegou Evipal e, de outra, clorofórmio, que estava em recipientes de 20 centímetros cúbicos, colocando tudo namesa de operação. Depois disso, o primeiro gêmeo foi trazido...uma garota de quatorze anos. Dr. Mengele ordenou que se despisse a criança e colocasse a cabeça dela na mesa de dissecação. Então, injetou Evipal intravenoso no braço direito da garota. Depois que ela adormeceu, ele sentiu o ventrículo esquerdo do coração e injetou dez centímetros cúbicos de clorofórmio. Depois de uma pequena convulsão, a criança estava morta...dessa maneira todos os 14 adolescentes foram mortos...”.

...Mengele, então, removeu os olhos de todos os gêmeos mortos e enviou para Berlim para a realização de estudos futuros..."

Apesar de quinze médicos nazistas terem sido julgados e sentenciados em Nurembergue, Joseph Mengele, o mais notável clínico do nazismo alemão, escapou.E viveu até sua suposta morte aqui no Brasil.

Fontes: Procter, R. 1992. Nazi Doctors, Racial Medicine, and Human Experimentation. In The Nazi Doctors and the Nuremberg Code. Annas, G. & Grodin, M., eds. New York. Oxford University Press: 17-31.
Schüklenk, U. Protecting the Vulnerable: Testing Times for Clinical Research Ethics. Social Science and Medicine 2000; 51: 969-977. Disponível em: http://www.wits.ac.za/bioethics/res.htm (acesso em 19.09.2003).

segunda-feira, 1 de março de 2010

Estrelas, triângulos e marcações

As estrelas, triângulos, e as marcações neste cartaz são símbolos usados pelos nazistas para isolar e identificar suas vítimas. Quase em toda parte sob o regime nazista os judeus eram obrigados a comprar e usar uma estrela de seis pontas de David, sempre que aparecia em público. A estrela amarela ou azul foi usado em uma braçadeira ou preso em uma camisa ou casaco. Prisioneiros  dos campo de concentração usavam crachás triangular que os identificavam por sua categoria de detenção. Muitos emblemas também identificaram a raça do portador ou nacionalidade. Triângulos amarelos foram para os judeus, triângulos vermelhos para os presos políticos, roxo para as Testemunhas de Jeová, rosa para os homossexuais, verde para criminosos, preto para os ciganos e "anti-sociais", e azul para os emigrantes. Letras impressas em crachás normalmente indicado nacionalidade.



(1) Estrela de Davi com a palavra francês Juif (judeu). France, 1942. França, 1942. (1989.045.01)
(2) Estrela de David braçadeira, Governo Geral, ca. November 1939-May 1943. Novembro 1939-maio de 1943. (1990.051.08)
(3) Estrela de Davi com a palavra alemã Jude (judeu), Checoslováquia. (1989.205.0 1)
(4) Estrela de David botão, Bulgária, 1942. (1991.135.01)
(5) Triângulo vermelho bordado de preto com "T" inicial para Tschechoslowakei (1989.303.27)
(6) Estrela de Davi com o holandês palavra Jood (judeu), Holanda, 1942. (1990.145.01) (1990.145.01)
(7) Etiqueta de identificação emitido para Bronia Eiger-Sitner, um operário forçado judeu em uma fábrica de munições em Radom, Polônia, 1944.  Anexado a etiqueta de identificação com a corda azul é um coração de plástico vermelho e uma mezuzá (um rolo de papel ritual judaico). Fundo de papel é usado para fins fotográficos, (1919.171.11)
(8) Triângulo amarelo com "U" (Hungria ou a Hungria), Buchenwald, abril de 1945. (1989.295.07)
 (9) Triângulo roxo com o número de prisioneiro 46436 emitida em Sachsenhausen Albert jahndorf. (1989.240.02)
(10) Estrela de David usado na Hungria, março de 1944. (1988.064)
(11)  Patch usado para identificar um trabalhador polonês civil no Reich alemão, 1940-1945. (1990.259.02) 
(12) Triângulo roxo com prisioneiro número 1989 emitida em Ravensbrück a Luise jahndorf (1989.240.01)

Fonte:  Museu Memorial do HolocaustoEstados Unidos.  Fotografia de Arnold Kramer.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Raras fotos engraçadas e inusitadas de soldados alemães durante a Segunda Guerra Mundial

Mais uma sequência de fotos inusitadas de soldados alemães.





Hip Hop

Josef Mengele e os gemêos

Josef Mengele era um cientista nazista envolvido em um programa de genética que tinha a tarefa de criar uma raça superior de povos arianos. O trabalho de Mengele, ou o "Anjo da Morte", como era chamado, foi o de encontrar formas de aumentar as chances de uma mãe dar à luz a gêmeos. Enquanto trabalhava no campo de concentração de Auschwitz, Mengele fez uma série de experiências brutais em gêmeos, a maioria morreu com os resultados das cirurgias ou de feridas infectadas mais tarde.

Uma noite, o anjo da morte colocou 14 pares de gêmeos para dormir em sua sala de operações. Ele então injetou clorofórmio diretamente em seus corações, matando-os instantaneamente e começou a dissecá-los, tomando notas de cada pedaço de seus corpos. As autópsias eram uma parte importante das experiências de Mengele.

Em outro experimento bizarro, ele levou um par de gêmeos ciganos e costurou-os juntos, a remoção cirúrgica das veias deixou-os com gangrena. Um gêmeo que sobreviveu e esteve sob os cuidados do médico lembrou que seu irmão veio a perder a sua vida;

"Dr. Mengele estava sempre mais interessado em Tibi. Não sei porquê, talvez porque ele era o gêmeo mais velho. Mengele fez várias operações em Tibi. Uma cirurgia em sua espinha deixou meu irmão paralisado. Ele não podia andar mais. Então eles tiraram seus órgãos sexuais. Após a quarta operação, eu não vi mais o Tibi. Eu não posso dizer-lhe como me sentia. É impossível colocar em palavras o que senti. Eles haviam tirado o meu pai, minha mãe, meus dois irmãos mais velhos e, agora, meu irmão gêmeo."

Os gêmeos de Auschwitz foram alojados em quartos mais confortáveis do que os outros presos, tinham melhor alimentado e estavam a salvo das câmaras de gás. Mengele se apresentava aos gêmeos como 'Tio Mengele "e dava-lhes doces. A maioria dos registros mantidos por Mengele foram perdidos ou destruídos no final da guerra, de modo que a extensão de suas atrocidades, nunca será conhecida. Sabe-se contudo que, durante a II Guerra Mundial, cerca de 3.000 gêmeos foram para Auschwitz, mas apenas cerca de 52 deles iriam conseguir sair dali vivos.

Depois da guerra, Mengele conseguiu escapar da Alemanha depois de receber uma falsa identidade de inocentes trabalhadores da Cruz Vermelha que forneciam documentos para milhares de refugiados. Ele fugiu primeiro para a Argentina e, em seguida, rodou pela América do Sul em uma tentativa de evitar a captura e julgamentos de crimes de guerra. Acredita-se que ele possa ter continuado seus experimentos genéticos no Brasil na década de 1960. Isso por que na cidade gaúcha de Cândido Godói, uma em cada cinco gestações resultam em gêmeos, a maioria dos quais loiros e de olhos azuis.



Encontro anual de gemêos em Godoi(RS) / Brasil

Moradores afirmam que Mengele visitou a cidade em várias ocasiões e que ofereceu tratamento médico para as mulheres. Normalmente, nascem gêmeos em cada oitenta gravidez assim, parece que em Cândido Godói, Josef Mengele conseguiu alcançar o seu sonho de criar o que ele acreditava ser uma raça superior.

Abaixo  um pedaço da matéria no Telegraph:
 

"Camarasa conversou com a população de Cândido Godói, a maioria de descendência germânica, e muitos contaram que um educado alemão que se apresentava como Rudolph Weiss, e era especialista em reprodução, passou pela cidade na década de 1960, pouco antes do surgimento dos gêmeos em série. Este homem, que muitos na cidade acreditam que era Mengele, atendeu mulheres, acompanhou gestações e as prescreveu medicação. Há uma ocorrência de gêmeos a cada cinco nascimentos em Cândido Godói, bem superior à média de um nascimento de gêmeos a cada 80 partos."


   
Biografia: Mengele: o Anjo da Morte na América do Sul
http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/southamerica/brazil/4307262/Nazi-angel-of-death-Josef-Mengele-created-twin-town-in-Brazil.html

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Mauthausen


Prisioneiros quebram pedras em Mauthsausen

Mauthausen-Gusen foi um complexo de campos de concentração construídos pelos nazistas na Áustria, situado a cerca de 20 kms da cidade de Linz. Inicialmente consistindo apenas de um pequeno campo, transformou-se num dos maiores complexos de trabalho escravo da Europa ocupada pela Alemanha durante a II Guerra Mundial. Os prisioneiros destes campos era usados para o esforço de guerra alemão, trabalhando em pedreiras e fabricando armas, munições, peças de aviões e minas, sob um regime de trabalhos forçados que causou centenas de milhares de mortos.
Em janeiro de 1945, estes campos somados continham um total aproximado de 85 mil prisioneiros, sobreviventes de cerca de 200 a 300 mil mortos, que foram exterminados pela dureza do trabalho escravo ali realizado. Mauthausen, ao contrário de outros campos nazistas que recebiam gente de todas as classes e categorias, era destinado apenas a integrantes da “intelligenzia” dos países ocupados, pessoas da alta sociedade e maior grau de educação e cultura. Foi um dos primeiros complexos de campos de concentração da Alemanha nazista e o último a ser liberado pelos Aliados ao fim da guerra.

Os famosos 186 degraus. A guarda de honra soviética está diante do "Todesstiege" (os degrais da morte) no campo de concentração Mauthausen. Os nazistas forçaram os prisioneiros a transportar blocos de granito repetidamente pesados até as escadas, até que eles morreram ou foram assassinados quando falharam no transporte.

História

Em 8 de agosto de 1938, prisioneiros do campo de concentração de Dachau foram enviados à cidade de Mauthausen, perto de Linz, na Áustria, para começarem a construção de um novo campo. Apesar de controlado inicialmente pelo Estado alemão, ele foi fundado por uma empresa privada como um empreendimento econômico. A empresa, comandada por Oswald Pohl, também um oficial graduado da SS, comprou as pedreiras ao redor da cidade e iniciou a construção do campo, cujo principal objetivo econômico era a extração de granito em pedras, a ser feita através do trabalho escravo de milhares de prisioneiros, de prisioneiros comuns como ladrões, assassinos e prostitutas a prisioneiros políticos do Reich.
A partir de 1939, outros campos menores começaram a ser construídos em volta, abrigando mais prisioneiros trazidos de Dachau e Sachsenhausen, além de prisioneiros de guerra soviéticos após a invasão da Rússia em 1941.
Em 1944, apesar da construção de novos pequenos campos no complexo, o número de prisioneiros superava em muito a capacidade das instalações, chegando a quatro internos por cama. Os prisioneiros do campo também eram “alugados” para trabalho escravo, sendo usados por empresas austríacas para trabalhar em fazendas, construção e reparo de estradas, reparos em barragens do rio Danúbio e até escavação de sítios arqueológicos.
Com o início dos bombardeios estratégicos aliados à indústria de guerra alemã, os planejadores alemães decidiram mover a produção para locais construídos em túneis e sob o solo, impenetráveis às bombas, onde os prisioneiros de Mauthausen construíram fábricas de aviões Messerschmitt Me 262 a jato e de foguetes V-1.

Inspecionando a pedreira de Mauthausen, após a libertação


Extermínio

A função política de exterminação do campo era exercida ao mesmo tempo que a função econômica. Até 1942, Mauthausen foi usado para prisão e assassinato dos inimigos políticos e ideológicos da Alemanha nazista, reais ou imaginários.Este extermínio se dava inicialmente através de trabalhos forçados. Quando os prisioneiros regressavam às barracas e alojamentos após doze horas de trabalho exaustivo nas pedreiras, aqueles sem condições físicas de continuarem a servir às expectativas, por exaustão completa ou doença, eram mortos com injeções intravenosas de veneno, nas “enfermarias” e cremados no crematório local. Milhares deles morreram por exaustão nas próprias pedreiras e fábricas.


A câmara de gás era disfarçada como uma casa de banho com água encanada real e chuveiros no teto. na parede na extrema esquerda é uma placa comemorativa a um dos presos que foi intoxicado nesta sala.

A princípio, o campo não contava com câmaras de gás e prisioneiros sem condição de trabalho eram transferidos para outros campos para execução. A partir de 1940, caminhões itinerantes com boléias transformadas em câmaras viajavam entre os sub-campos do complexo para realizar sua tarefa macabra. A partir de dezembro de 1941, uma câmara de gás permanente com capacidade para 120 pessoas de cada vez foi instalada.
A pedreira de Mauthausen foi o local da infame “Escada da Morte”, onde prisioneiros eram obrigados a subir os 186 degraus da pedreira carregando blocos de pedra de 50 kgs em fila; como resultado disso, alguns prisioneiros exaustos caíam por cima dos outros, derrubando diversos homens na fila escada abaixo, num efeito dominó, para a morte ou graves ferimentos.
Esta brutalidade proposital seguia os métodos dos SS, que forçavam prisioneiros a subirem correndo os degraus da pedreira carregando pedras, após horas de trabalho pesado, sem comida nem água suficientes, e os que caíssem eram executados; os poucos sobreviventes participavam então do chamado Muro do Páraquedas, onde alinhados na crista da pedreira à beira do precipício, tinham a escolha de morrerem fuzilados perfilados na fila ou jogarem o companheiro ao lado pela borda do penhasco.
Outros métodos de extermínio usados em Mauthausen eram:

  • Surra com bastões até a morte

  • Chuveiro de gelo, onde eram obrigados a tomar um banho gelado e depois deixados para secar do lado de fora da barraca sob um frio de -30°C, morrendo de hipotermia (3.000 morreram assim)

  • Fuzilamento em grupo

  • Experimentos médicos, com inoculação de bactérias de tifo e cólera nos prisioneiros para testar vacinas. (2000 mortos)

  • Enforcamento

  • Fome em solitárias

  • Afogamento em barris de água

  • Arremesso de prisioneiros na cerca eletrificada do campo
Libertação
 
 
Sobreviventes derrubam a aguia nazista na entrada do campode Mauthausen
 
Foto recente da entrada do campo
 
 
Mulheres e crianças sobreviventes de Mauthausen falam com um libertador americano através de uma cerca de arame farpado
 
Em 3 de maio de 1945, a guarda SS de Mauthausen deixou os campos junto com seu comandante, o SS-Standartenführer Franz Ziereis, devido ao avanço das tropas aliadas. Foram substituídos no dia seguinte por homens desarmados da Volkssturm, a guarda nacional criada por Hitler nos últimos dias de guerra, formada basicamente por homens de meia idade e inválidos de guerra, policiais aposentados e bombeiros de Viena, que criaram junto com os internos um sistema de controle do campo pelos próprios prisioneiros.
Em 5 de maio, o complexo foi o último a ser libertado pelas tropas norte-americanas do 3º Exército dos Estados Unidos, que desarmaram os policiais e se retiraram. A grande maioria dos SS já havia fugido, mas cerca de 30 restantes do pessoal de apoio que ficaram foram linchados pelos prisioneiros.
Entre os sobreviventes estavam o tenente americano Jack Taylor, que seria uma testemunha chave nos subseqüentes julgamentos de crimes de guerra de Mauthausen e um engenheiro chamado Simon Wiesenthal, que dedicaria o resto de sua vida a caçar criminosos de guerra nazistas.
Após a capitulação alemã, o campo passou a fazer parte da zona de ocupação soviética na Áustria. Inicialmente sua área foi usada para instalações de barracas de acampamento de tropas do Exército Vermelho a medida que as fábricas subterrâneas iam sendo desmanteladas e enviadas para a URSS como butim de guerra; em 1947 os soviéticos explodiram os túneis e devolveram o local ao governo austríaco, que declararam o local memorial nacional.
Em 1975, o chanceler Bruno Kreisky abriu no local o Museu Mauthausen. A área antes ocupada pelos sub-campos do complexo hoje é coberta de edificações residenciais construídas no pós-guerra.


Sobreviventes e libertadores americanos se reuniram em uma rua de campo depois da libertação de Mauthausen.


Libertação do campo pelas tropas norte-americanas. Detalhe para a faixa de saudações escrita em espanhol. Nesse campo, a quantidade de espanhois era grande, que foram feitos prisioneiros depois da derrocada na espanha.

 
Sobreviventes em Mauthausen abrem um dos fornos crematórios para as tropas americanas que estão inspecionando o acampamento.


  Sobreviventes em 6 de maio de 1945.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Mauthausen

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Avanço na Rússia - As memórias de Otto Skorzeny sobre a Barbarossa

As memórias de Otto Skorzeny sobre a Barbarossa, quando ainda era um oficial de artilharia vinculado à Divisão Grossdeutschland :

Em meados de junho de 1941, nossa Divisão foi transferida para a Polônia. Desta vez viajamos de trem até Lodz. A novidade deste meio de transporte foi por nós recebida com grande alegria, pois tivemos certeza que as viaturas e peças de artilharia chegariam ao destino sem sofrer dano. Quando verificamos que tudo estava carregado, sentamos e respiramos aliviados.

As conversas giravam em torno do nosso novo destino. Todos ignorávamos que estávamos a ponto de iniciar uma campanha contra a Rússia. Até os mais pessimistas estavam convencidos de que a meta final de nossa viagem seriam os poços petrolíferos do Golfo Pérsico. Estávamos certos de que a Rússia abriria suas portas ao Exército alemão e que, por tal motivo, poderíamos atravessar sem dificuldade alguma o Cáucaso, podendo chegar, dessa forma, às fronteiras do Irã. Discutimos sobre a possibilidade de as populações árabes ficarem do nosso lado, o que era de vital importância para nós, pois poderiam proporcionar-nos o combustível que necessitávamos urgente e nos facilitar a oportunidade de ocupar seus riquíssimos territórios. Outros opinavam que iríamos para a Turquia e depois para o Egito a fim de atacarmos o Exército inglês. Confesso que estava identificado com esta última opinião e, por isso, levava comigo o livro de Lawrence "As sete colunas da sabedoria". O misterioso e longínquo Oriente nos proporcionou um sem-fim de assuntos durante as longas horas de viagem em que o comboio traçou um grande círculo, beirando o protetorado da Boêmia e Moravia, até chegar à Silésia Superior para entrar na Polônia.

Deixamos o trem em Lodz e continuamos a viagem pelas empoeiradas estradas. Numa só noite percorremos toda a distância que nos separava da frente Leste. Ficamos concentrados a uns cinqüenta quilômetros do fronteiriço rio Bug, num povoado ao sul da cidade russa de Brest-Litowsk. A pobreza da localidade e das casas obrigou-nos a armar as barracas em pleno bosque.

Sentia-me satisfeito por ter a oportunidade de conhecer um país que não tinha visitado anteriormente. Nunca imaginara que os homens e os animais pudessem conviver em semelhante promiscuidade! Algumas vivendas tinham o estábulo ao lado da moradia comum, que servia para todos os místeres; muitas tinham os cômodos separados apenas por uma cortina. As crianças criavam-se entre os animais e havia casos de não se fazer diferença entre uns e outros. A água era tão escassa, que só era utilizada para cozinhar e dar de beber aos animais. Foi então, só então, que eu compreendi o sentido das palavras "economia polaca!"

Não tardamos muito em comprovar que as suposições que fizéramos acerca do nosso destino estavam erradas, já que o ambiente nos fazia compreender que não tardaríamos muito a entrar em combate. Aquilo nos deixou surpreendidos; não sabíamos o que pensar. Nunca pudemos imaginar que chegaríamos a combater contra a União Soviética! Sabíamos e percebíamos que o Pacto de Não-Agressão, firmado entre a Rússia e a Alemanha, acabaria por romper-se mais dia menos dia. Mas nunca pudemos supor que tal coisa chegasse a acontecer em plena guerra. Aquilo nos levou a perguntar-nos se seríamos obrigados a manter uma guerra em duas frentes ou poderia repetir-se o caso de uma nova Blitzkrieg? Não pudemos deixar de pensar nas imensas e inacabáveis estepes russas; no país que foi o causador do princípio da derrota de Napoleão, o homem que se acreditou invencível. Não nos restou outra coisa a não ser conformarmo-nos com a sorte, e esperar o desenrolar dos acontecimentos, a fim de prepararmo-nos para cumprir as ordens recebidas. Procuramos nos consolar dizendo que o Alto Comando sabia o que estava fazendo. Estávamos convencidos de que nos encontrávamos à mesma altura do colossal adversário e que, talvez, o destino tivesse escolhido os homens da nossa geração para derrotarem a invencível Rússia.

Entramos em posição com as baterias perto do Bug, procurando nos camuflar na vegetação. Aproveitei os momentos de folga para passear pelas margens do rio em companhia de alguns camaradas. Vimos os postos avançados russos na outra margem do rio e nos pareceram semelhantes aos nossos. Foi a primeira vez que vimos, alinhados ao longo de toda a fronteira russa, vários mangrulhos. Nossas sentinelas ocultavam-se nos galhos das árvores; passei muitas horas compartilhando com elas de suas inquietudes e desvelos. Pudemos comprovar que os russos, tal como nós, tinham concentrado grande número de tropas na fronteira polaca; suas posições, meio mascaradas, aproveitando as dobras do terreno, eram perfeitamente visíveis.

SdKfz. 251/1 na Latvia, Junho de 1941

Chegou o dia em que o Alto Comando tomou a suprema decisão. Importantíssima decisão, saída dos cérebros de muitos poucos homens! As ordens foram dadas e se fixou o dia "D" para o desencadeamento do ataque: 22 de junho de 1941. Às 5 horas deveria ter início a ofensiva cujo objetivo era o longínquo Leste. Na véspera, o general comandante pronunciou um discurso diante de todos os comandantes de unidades, dizendo entre outras palavras:

- Firmaremos um novo Tratado de Paz em Moscou dentro de algumas semanas.

Perguntei a mim mesmo se ele acreditava, realmente, no que dizia ou se limitava apenas a nos animar. Contudo, suas palavras de otimismo contagiaram a tropa e lhe deram ânimo para enfrentar o que se avizinhava.

Um grande número de soldados alemães encontrou-se, em algum momento de suas vidas, na mesma situação que nos encontrávamos naquela ocasião. Seus corações, certamente, pulsavam mais forte quando pensavam que se viam obrigados a conquistar um território enorme, quase ilimitado...

Agora, depois das experiências vividas, posso afirmar que não é fácil conhecer a alma - a verdadeira alma - dos russos! É profunda, variável e espantosa. Exatamente igual às suas imensas estepes, aos seus gigantescos rios, às inclemências do seu clima e à angustiante visão da solidão de suas paisagens! Estou convencido de que muitos oficiais do Estado-Maior terão que trabalhar durante anos inteiros, antes de poderem julgar de forma objetiva todas as vicissitudes e pormenores daquela extraordinária campanha. Por isso acredito que devo limitar-me a relatar alguns dos acontecimentos dos quais fui testemunha com meus homens.

À zero hora de 22 de junho de 1941, todas as baterias e as outras posições estavam prontas para o início da ofensiva. Todos estávamos agitadíssimos, coisa muito natural, porquanto ignorávamos a excepcional magnitude da empresa. Devo dizer que notei algo estranho; alguma coisa diferente das outras ocasiões pairava no ar. Dois soldados cochichavam na escuridão e outro dormia de boca aberta agarrado ao fuzil; alguns não podiam conciliar o sono, enquanto outros eram despertados pelos que, ao dormir, lançavam sonoros roncos! Cada homem reagia segundo seu estado de ânimo, conforme seu próprio temperamento. Mas, "às cinco da madrugada" à hora "H" todos estavam acordados, agarrados aos seus fuzis, cada um no cumprimento de sua missão.

Alguns momentos após começaram a sibilar por cima de nossas cabeças as granadas que iam estalar nas posições inimigas. Um barulho ensurdecedor nos envolveu; era comparável ao produzido pelo retumbar dos trovões nas montanhas, que se prolongam devido ao eco. Terminada a preparação da artilharia, a infantaria subiu nas embarcações e começou a atravessar o rio. Os infantes foram acompanhados pelos observadores avançados da artilharia, cuja missão era encontrar novos alvos e dirigir o tiro. Trepado num velho carvalho, via a margem oposta e presenciei os acontecimentos nela desenrolados. Mas somente pelo barulho podíamos orientar-nos com referência ao desenrolar dos combates. Nossas tropas conseguiram avançar quatro, cinco e até seis quilômetros, mas tiveram que enfrentar uma obstinada resistência.

A artilharia começou a atirar de forma intermitente, fazendo fogo de bateria para conseguir preparar as novas posições na outra margem do rio. O fogo inimigo começou a diminuir, inclusive chegou a emudecer; só de vez em quando ouviam-se alguns tiros isolados. Não se podia dizer que o barulho fosse o clássico de um combate. Quando nossos elementos avançados regressaram para informar sobre a situação, disseram-nos que tínhamos conseguido atingir os objetivos e que os russos não puderam fazer face ao nosso primeiro ataque, vendo-se obrigados a retirar-se para os bosques próximos e a cobrir-se como podiam, chegando até a esconder-se nas zonas pantanosas.

O fogo de nossas baterias voltou a apoiar o avanço da infantaria, que começava a atingir os pequenos caminhos que se dirigiam a todas as direções. A vários quilômetros das posições onde nos encontrávamos, ao lado de Koden, já dispúnhamos de uma ponte que acabava de ser construída pelos engenheiros. Na manhã seguinte, nós, os artilheiros, avançamos lentamente, seguindo a margem direita do Bug até chegarmos a Brest-Litowsk. A cidade já estava em mãos alemãs. Durante o tempo que durou um engarrafamento, que nos obrigou a parar, pude examinar com atenção as fortificações que via diante de mim. Também pude observar que se continuava lutando em alguns pontos da cidade onde os russos instalaram-se, ocupando algumas casas. Apesar de já estarem em nosso poder as partes inferiores dos fortins, os russos continuavam atirando das torres, contra nós.

Avançamos lentamente, com precaução, pois não ignorávamos que nossos movimentos eram observados pelo inimigo. Ao menor descuido caía sobre nós uma verdadeira chuva de balas. Vi morrer, diante de meus olhos, vários soldados que foram atingidos pelos projéteis do inimigo.

Todas as nossas tentativas para vencer a desesperada resistência dos russos eram vãs. Fizemos várias tentativas para nos apoderar dos torreões dos fortins, e todas falharam; os mortos que se amontoavam diante deles eram a prova disto. Vários dias transcorreram antes que pudéssemos reduzir totalmente os focos de resistência. Os russos lutaram até o último cartucho, até o último de seus homens.

Na estação ferroviária aconteceu o mesmo. Um grupo de soldados soviéticos instalou-se nas passagens subterrâneas anulando todas as tentativas do nosso avanço. Mais tarde inteirei-me de que foi necessário inundar aquelas passagens, para quebrar sua obstinada resistência.
Esquecemos logo as terríveis imagens daquela luta, para recordá-las quando novamente combatíamos. Não tardamos a ter à nossa disposição o que chamamos de "estrada" partindo de Brest-Litowsk em direção ao Leste. Era uma estrada bastante larga, mas o leito não era asfaltado. Nossas tropas travaram combates de um lado e do outro da mesma, conseguindo avançar com relativa facilidade. Vimos os primeiros carros de combate russos nas valas, meio incendiados.

Cinco dias depois chegamos às imediações de Gorodez. As tropas russas empregavam no combate uma tática muito singular: começavam apresentando uma resistência obstinada, mas, quando encontravam uma ocasião propícia, dispersavam-se ou retraíam. Durante os primeiros dias tivemos a impressão de que ainda não tínhamos enfrentado o verdadeiro Exército russo. As forças inimigas só aproveitavam algumas ocasiões para contra-atacar.

Em Gorodez visitei uma pequena estação elétrica, que estava abandonada. Nunca tinha visto, até aquele momento, um trabalho de desmontagem tão perfeito! Não ficara nada, absolutamente nada, ainda que encontrássemos material disseminado pelas imediações da estação! A ordem de evacuação e de desmontagem fora cumprida e executada ao pé da letra num tempo rapidíssimo.

Passamos pela zona pantanosa de Pripet, que nos pareceu absolutamente intransitável. Contudo, os russos consideravam-na um terreno apropriado para o movimento de suas tropas. Ao norte da estrada principal havia uma contínua fileira de colinas, e as planícies eram terras cultivadas que pertenciam aos diversos kolchoses disseminados por toda a região na qual abundavam os bosques. Todas as aparências demonstravam que, destes, os russos não cuidavam; várias clareiras foram abertas para a obtenção de lenha; o restante das árvores estavam descuidadas, ninguém se preocupara em cortá-las corretamente.

As estradas principais eram razoáveis, mas as vicinais eram simples caminhos onde se observavam rastros de viaturas numa só direção. Esses caminhos tinham uma largura de dez a quinze metros. Os rastros das viaturas facilitaram nosso avanço. O tempo estava muito seco e, por isso, enfrentamos verdadeiras nuvens de poeira. As localidades pelas quais passávamos estavam completamente vazias; a população fugira para o Leste com as tropas russas.

Não se pode dizer que naquelas dias houvesse uma verdadeira frente. As divisões alemãs limitavam-se a avançar para o Leste com muita dificuldade. Toda vez que uma viatura sofria uma avaria ficávamos em apuros. Sempre que fazíamos um alto éramos atacados por grupos isolados de tropas russas que se apressavam em retrair depois de nos terem hostilizado.

Soldados alemães da divisão Großdeutschland marcham no front leste, Julho de 1941

Em nosso avanço chegamos a um pequeno rio, em cujas margens se estabeleceu um forte combate. O Capitão Rumohr insistiu que se fizesse um minucioso reconhecimento do terreno numa fileira de colina. Formou-se uma patrulha integrada pelo Capitão Rumohr, seu auxiliar, Tenente Wurach, o oficial de comunicações, cinco sargentos e eu. Dirigimo-nos a uma das colinas com o propósito de alcançar seu cume e ver dali o que se passava na margem oposta do rio. Tivemos que atravessar um terreno acidentado onde havia algumas árvores. Uma chuva de balas caiu sobre nós. Apesar de termos visto que oferecíamos um bom alvo, continuamos avançando com toda a sorte de precauções. As metralhadoras inimigas não paravam de atirar e algumas granadas explodiram perto de nós. Realmente nos encontrávamos em precária situação. Tudo o que pudemos fazer foi nos atirarmos ao solo, aproveitando os declives do terreno para nos abrigar.

Não era agradável sentir-se como um coelho quando o caçam. Toda a vez que levantava a cabeça, via a sola das botas do companheiro que estava deitado diante de mim; em seguida voltava a afundar a cabeça no terreno, porque vinha uma nova saraivada de balas.


Russo de um tanque leve T-26 se rende, Augosto de 1941

Tentamos avançar devagar, cautelosamente, arrastando-nos pelo chão. Isto nos custou um grande esforço, pois o fogo inimigo acompanhava todos os nossos movimentos. De repente, ouvi um grito às minhas costas. Voltei a cabeça e vi que um dos sargentos, que rastejava atrás de mim, tinha sido ferido no ombro. O homem que ia a seguir agarrou-o pelos quadris e levou-o a um lugar abrigado. Uma chuva de granadas, lançada pelos nossos passou por cima de nós e foi explodir em pontos-chave do inimigo. Tivemos sorte, pois o terreno não era difícil para a progressão; caso contrário, o avanço teria sido dificílimo. Um dos nossos homens, que avançava na frente, lançou um gemido. Logo, voltou a cabeça e gritou:

- Está morto! Já não podemos fazer nada por ele...

O fogo tornou-se tão intenso que nos impediu qualquer movimento. Os minutos nos parecem séculos! De repente, lembrei, com estranheza, que tinha um tablete de chocolate num dos bolsos da calça. Fiquei em dúvida se o comia ou não. Decidi que seria melhor não fazê-lo.

Que pensamentos mais esquisitos se apoderam de nossa mente em tais momentos!

Estava deitado no chão, com as pernas e braços estendidos. Ao fim de algum tempo, que me pareceu uma eternidade, o capitão, que se encontrava ao meu lado, disse:

- Devemos prosseguir, Otto; se não o fizermos seremos apanhados.

Em conseqüência, continuamos o avanço, rastejando. O homem que estava à minha frente foi ferido; voltou a cabeça e me olhou. Fiz um grande esforço para chegar junto a ele. Consegui meu propósito e pudemos colocá-lo a salvo, ao abrigo de uma árvore. Vi que sua camisa estava encharcada de sangue, e que uma bala tinha perfurado o seu peito. Pus uma atadura sobre o ferimento e aquilo foi tudo; não podia fazer mais nada.

Ouvimos um forte tiroteio vindo da nossa margem do rio; isto foi a causa para não continuarem atirando contra nós com tanta fúria. Naturalmente nos apressamos em aproveitar tal situação. Eu e mais três companheiros apanhamos o ferido e corremos colina acima, e como não podíamos levá-lo com cuidado, gritava de dor. Chegamos a uma casa e nos abrigamos nela, colocando o ferido sobre o solo e ao amparo de suas paredes. Agradeceu-nos com um sorriso; um dos nossos ficou junto a ele para atendê-lo.

Fizemos um buraco no teto de palha da casa e nele instalamos um telêmetro. Pudemos verificar que acertamos em cheio, pois dali podíamos observar as posições inimigas. Fizemos uns croquis do terreno e assinalamos as linhas inimigas. Enviamos os dados necessários ao tiro das baterias, que não demoraram em abrir fogo. A frente russa tinha sido desarticulada e apenas alguns focos isolados ofereciam resistência.

Nossa vanguarda conseguira aproximar-se de Beresina; um pequeno rio, apenas, nos separava do próximo objetivo. Foi então que nos encontramos em uma situação difícil. Um batalhão de infantaria, apoiado por uma bateria, teve que enfrentar uma forte resistência inimiga. Alguns quilômetros atrás, num cruzamento de estradas, estava o estado-maior da Divisão. O pequeno reboque que servia de alojamento ao comandante da Divisão, papai Hausser, como o chamávamos, estava na orla do bosque onde se encontrava o estado-maior do Regimento de artilharia. Dirigi-me para lá, junto com o Coronel Hansen, que não fazia outra coisa a não ser dizer:

- Já são treze horas e estou com o estômago vazio; creio que já é hora de comer alguma coisa quente.

Lembro ter respondido:

- Vou curar seu mal!

Tropas alemãs marcham. Ao fundo, uma vila russa em chamas.

Em seguida, peguei, na minha viatura, dois ovos e um pedaço de toicinho; acendi um pequeno fogo e não tardou muito, saboreamos um pequeno lanche. Quando terminamos de comer, Hansen levantou-se e dirigiu-se para o reboque. Precisamente naquele momento explodiram várias granadas perto do lugar onde estávamos.

Senti o sangue gelado e temi pela vida do coronel, que me confessou mais tarde ter levado um grande susto. O General Hausser pediu ao Coronel Hansen que se reunisse com ele para uma breve conferência. Disse então, que avançáramos demais e que não tínhamos segurança suficiente para prosseguir, já que ignorávamos se a zona onde nos encontrávamos estava ainda em poder do inimigo. Nossas baterias não podiam atingir a distância de 120 quilômetros. Por isso era necessário que aguardássemos o avanço do grosso da artilharia.

Ofereci-me como voluntário para retornar ao lugar onde estava instalada a nossa artilharia; deram-me uma viatura e cinco homens. Uma metralhadora e cinco submetralhadoras constituíam nosso armamento.

Tinha marcado sobre a carta o itinerário que tínhamos percorrido. Por isso, sabia onde encontrar a unidade. Contudo, descobri que a carta não estava correta; conseqüentemente fui obrigado a orientar-me pela intuição.

Não é agradável viajar, com apenas alguns homens, por um território ocupado pelo inimigo. Na condição de oficial, não devia deixar transparecer a insegurança que sentia. Nosso itinerário passava por vários bosques. Mais de uma vez nossa viatura ficou atolada. Ouvimos muitos barulhos suspeitos e, em mais de uma ocasião, meus soldados atiraram por simples precaução, enquanto o motorista aumentava a velocidade. Quando chegamos a uma aldeia, situada na metade do caminho, lembrei que ao avançar tínhamos passado exatamente ali.

Um estranho pressentimento fez com que eu não continuasse pelo mesmo caminho. Por esta razão, dobrei à esquerda e apressei a marcha, embora não conseguíssemos avançar mais de vinte quilômetros numa hora. Um obstáculo imprevisto - um montão de areia - deteve a nossa marcha. Isto nos obrigou a fazer um alto de um quarto de hora. Mas como já éramos veteranos em tão difíceis situações, construímos um pequeno caminho suplementar com galhos e alguns troncos, e assim pudemos contornar o obstáculo facilmente. Não paramos para comer. Não ignorávamos que nossa missão era importante e que era perigoso determo-nos naquelas paragens.

Encontramos nossa Unidade depois de sete horas de marcha, quando já tinha escurecido. Rapidamente transmiti ao Capitão Rumohr a ordem para avançar. O Tenente Wurach colocou-me a par da situação.

Disse-me que a estrada principal voltara a ser ocupada pelos russos. Com esta notícia, fiquei satisfeito por ter passado pela outra, no caminho de regresso. Tivéramos uma grande sorte em não passar à direita do povoado que deixáramos atrás.

O avanço da unidade foi muito lento. Como era noite, não foi fácil orientarmo-nos. Eu ia à testa da coluna e não deixava de pensar: a estrada certa era a direita ou da esquerda? Só fizemos pequenos altos para reabastecer as viaturas. Fomos, inclusive, obrigados a combater em determinados pontos para podermos prosseguir. Algumas viaturas ficaram atoladas e tivemos que fazer com que avançassem à força. Chegamos a nosso destino ao meio-dia seguinte e ali nos inteiramos de que não nos esperavam tão cedo. Fomos recebidos com grande alegria. O Coronel Hansen elogiou-me e disse que faria a proposta para que eu fosse condecorado com a Cruz de Ferro.

Atravessamos o Beresina ao sul de Bosnick. Esta operação durou três dias, porque o inimigo nos deu muito o que fazer. Os russos conseguiram reunir forças e se defendiam como leões.

Decorridos quinze dias do início desta ofensiva, aprendêramos a nos abrigar utilizando o terreno. Em poucas ocasiões podíamos instalar nossos postos de comando normalmente, já que éramos obrigados a fazer grandes buracos para instalá-los. Assim podíamos dormir mais sossegados. Nossa situação era incômoda, porque a artilharia russa demonstrava ter boa pontaria.

Nossas posições, na margem direita, tinham cotas mais elevadas do que as do inimigo. Nosso comandante, Jochen Rumohr, mandou fazer uma trincheira de um metro e meio de profundidade ao longo da colina. Não era fácil, da retaguarda, chegar a ela; as comunicações estavam batidas pelo fogo inimigo. Os encarregados de reparar os danos causados pelo fogo dos russos levavam uma vida infernal, pois não tinham outra coisa a fazer a não ser abrigar-se constantemente para evitar que fossem atingidos pelo fogo; quando os cabos que reparavam não tinham sido danificados pelas granadas da artilharia soviética, eram por alguma de nossas viaturas. Dentre esses soldados houve muitos mortos e feridos.


Tropas da Wehrmacht marcham por uma estrada russa no verão de 1941.


Trincheiras mais profundas camuflavam os telêmetros e os equipamentos de rádio, assim como os telefones de campanha. O coronel viu claramente, através de um telêmetro, o prolongado zigue-zague das trincheiras inimigas na outra margem. Víamos apenas um ou outro soldado russo, uma vez que estavam perfeitamente cobertos e quase não se moviam, o que não quer dizer que não existisse um grande número deles em cada bosque e em cada colina. Tomamos a decisão de atirar com todas as peças ao mesmo instante em que notássemos um movimento de tropas nas trincheiras inimigas.

Aproveitamos uma pausa para acender um cigarro e beber um trago de nossos cantis. Tomamos também um pouco de muckefuck, o desagradável café que já conhecíamos de nosso tempo de aquartelamento; mas, naquele momento, achamo-lo delicioso.

Rumohr estava tão cansado que mal podia segurar o cigarro. Por isso decidiu dormir algumas horas; Wurach fez o mesmo. Pediram-me que os despertasse em caso de alguma novidade. Dormiram ao fechar os olhos, apesar da postura incômoda que foram obrigados a tomar.

Não parei de observar, através do telêmetro, que estava muito bem camuflado com folhagens. Podia ver uma parte de nossas posições e constatei que estavam tranqüilas. De vez em quando o inimigo atirava algumas granadas contra as nossas linhas; mas, em termos gerais, a situação era relativamente tranqüila.

Instintivamente observei algo que se movia nos bosques à nossa frente. Dois caminhões apareceram e desapareceram ante aos meus olhos, e muitos outros o seguiram envoltos em nuvens de poeira. Cheguei a contar quinze, vinte, quarenta deles, que foram seguidos por muitos mais. Ordenei que pusessem em contato, pelo rádio, com nossas três baterias. Feito o contato disse: "Preparar para fazer fogo sobre o ponto 'W', 18 graus!". Responderam-me: "Estamos prontos". Despertei o comandante e informei-o da novidade. Lembro perfeitamente a sua resposta:

- Seis tiros, Otto. Dê a ordem.
Em seguida voltou a fechar os olhos. Apressei-me em emitir a ordem e logo ouvi um sibilo, assim como as explosões na outra margem do rio.
Nosso tiro foi perfeito e não necessitou de qualquer correção. Tudo passou no intervalo de poucos minutos. Vimos vários soldados russos que se precipitaram em sair do bosque. Vimos, também, que vários pontos das posições inimigas estavam envoltos em chamas; escutamos as explosões de grande número de paióis.
Seguimos avançando pelas margens do Dnieper; uma inesperada chuva, que durou várias horas, deu idéia do que nos esperava. Tivemos que nos defrontar com verdadeiras montanhas de barro e lodo, que foram nossos maiores obstáculos. Os primeiros veículos fizeram valas tão profundas no terreno, que se atolavam nelas os que se seguiam. Neste aspecto, todas as precauções foram inúteis. Cortamos vários troncos de árvores e cobrimos o terreno com eles. Apesar de tudo só conseguíamos avançar lentamente. Tivemos um sem-fim de avarias e panes; os caminhões tiveram várias molas quebradas. Tínhamos esgotado todas as peças de reposição e não sabíamos onde encontrar novas. Abandonamos muitas viaturas nas margens da estrada. Desmontamos tudo aquilo que considerávamos de utilidade e deixamos o restante. Milhares de carcaças de viaturas puderam ser vistas nas estradas russas.

Soldados russos mortos na traseira de um tanque T-26 nos primeiros meses da guerra na Rússia.


Mantivemos um breve combate ao sul de Sckow; quando conseguimos passar o Dnieper, percebemos que a estrada principal estava completamente intransitável. Por esta razão, o grosso da Divisão atravessou o rio um pouco mais ao norte sobre uma ponte construída às pressas. Foi naquele momento que recebemos a terrível notícia de que a companhia de pontoneiros, que tinha ficado ao sul após construir a referida ponte, fora atacada em plena noite por tropas russas; só puderam salvar-se dois soldados que escaparam da tremenda carnificina, e foram eles, precisamente, que nos informaram o acontecido. O aspecto que oferecia o local da batalha era dantesco. Chegamos à conclusão que seríamos obrigados a lutar encarniçadamente na frente Leste.
Passamos por Suchari e chegamos a Tschernikow sem enfrentar muita resistência por parte do inimigo. Era a primeira cidade russa depois de Brest-Litowsk. Disse cidade, apesar de mal podermos considerá-la como tal; contava apenas com alguns prédios de alvenaria no centro; o resto eram construções de madeira, as típicas construções que podiam ser vistas em toda a Rússia.
A maior parte das ruas estava calçada com grandes paralelepípedos, que nos faziam recordar as ruas de nossas cidades medievais. Causou-me espécie ver numerosos microfones colocados a cada duzentos metros. Os alto-falantes, muito antigos certamente, estavam dentro das casas e tinham conexão com os dos edifícios públicos da cidade. Até que chegássemos nas proximidades de Moscou, não encontrei um só aparelho de rádio particular em toda a Rússia.

Fonte: Bibliex - Audaciosas ações de Otto Skorzeny - Autobiografia - Bibliex

Triângulos Roxos - Estudantes da Biblia (Atualmente Testemunhas de Jeóva)


Em 1933, mesmo ano em que Adolf Hitler foi nomeado novo chanceler da Alemanha , Hitler com sua ideologia nazista lançou uma campanha para aniquilar as Testemunhas de Jeová. No ano de 1935 elas estavam proscritas em toda nação ariana.


Quando Hitler assumiu o poder teria dito em um de seus discursos:
"Esses chamados Fervorosos Estudantes da Bíblia, são perturbadores; ... considero-os charlatães, não os tolerarei, por suas arrogantes denúncias aos católicos alemães e ao estado de direito por isso os dissolvo para sempre da Alemanha."

Depois disto, o estado nazista desencadeou uma das mais bárbaras perseguições contra cristãos já registrada na história. Milhares de Testemunhas de Jeová na Alemanha, Áustria, Polônia, Tchecoslováquia, Países Baixos e França, dentre outros, foram lançados em campos de concentração.

Objetores de consciência
 
Nos campos de concentração, as Testemunhas de Jeová precisavam explicar a outros prisioneiros o fato de estarem naquele local, já que muitos deles eram alemães, e não se enquadravam nos perfil dos outros presos: judeus, polacos, ciganos e homossexuais. A questão era a Neutralidade política e militar, que segundo sua convicção e ensino, era de suma importância.

Sua posição era:

"A Obediência a Jeová e a seu filho Jesus Cristo nos compele a nos abster de qualquer ideologia política, nosso reino já tem um Rei e entronizado". Criam que Jesus Cristo deixou claro que seu Reino não faria parte deste mundo. Por isso tornaram-se conhecidos como Objetores de consciência.

No entanto, eram conhecidos como pessoas de boa moral e cumpridores da lei. Para muitos parecia um paradoxo: se não obedeciam as leis nazistas vigentes como poderiam ser bons cidadãos? Sua resposta era: "Dar a César o que é de César, mas dar a Deus o que é de Deus". Acreditando neste conceito muitos foram brutalmente torturados e mortos pelo regime nazista.

 
Nos campos eles eram identificados por triângulos roxos. As Testemunhas de Jeová, diferentemente dos outros prisioneiros, podiam renunciar sua fé, pois era apenas ideológica, mas nem por isso perderam sua coragem e suas convicções. Por amor ao seu Deus, deram um grande exemplo de neutralidade. Homens e mulheres, crianças e idosos, sobreviventes ou mortos acreditam que estão na memória de seu Deus Jeová. - (Livro Testemunhas de Jeová - Proclamadores do Reino de Deus.)
 
O Museu do Holocausto em Washington (DC), possui uma secção reservada às Testemunhas de Jeová, descrevendo o tratamento recebido durante o regime nazista na Alemanha com centenas de relatos de Testemunhas que foram perseguidas e mortas pelos nazistas.

  Pedra Memorial aos Triângulos roxos que sofreram terror no campo de Mauthausen, Áustria.
 

Na Alemanha nazista (1933-1945)
 
As Testemunhas de Jeová foram perseguidas na Alemanha nos anos de 1933 a 1945. naquele tempo eram conhecidas como Bibelforscher (Fervorosos Estudantes da Bíblia), isto se devia ao fato de que as Testemunhas de Jeová não faziam alianças com o partido Nazista, recusando servir as forcas armadas,e por isso eram detidas, em campos de concentrações, ou de outra forma aprisionadas durante o Holocausto.
 
Ao contrário dos Judeus, homossexuais e ciganos, que eram perseguidos por razoes raciais, politicas e sociais, as Testemunhas de Jeová foram perseguidas unicamente por por suas ideologias religiosas. O governo Nazista deu as testemunhas de Jeová, a única opção de renunciar a sua fé, submetendo-se à autoridade do estado, e as forças armadas alemãs. Somente então estariam livres para deixar a prisão ou os campos.


Aproximadamente 12.000 testemunhas de Jeová foram enviadas aos campos de concentração onde foram forçadas a usar o triângulo roxo que os identificava especificamente como testemunhas de Jeová. Aproximadamente 2.500 de seus membros que estavam encarcerados perderam suas vidas sob o regime nazista. Todos perderam seu emprego, muitos foram enviados as prisões regularmente. Pouquíssimos assinaram a declaração nazista.

 
(Citado no livro Testemunhas de Jeová - Proclamadores do Reino de Deus (1993), pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados da Pensilvânia, p. 661. Original.)

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Chegada ao campo de Buchenwald



Prisioneiros recem chegados a Buchenwald eram banhados, cabelos e pelos cortados, barba feita e ganhavam o uniforme caracteristico do campo.



Recem chegados a Buchenwald. Os prisioneiros estão sendo submetidos ao processo de internação. O trabalho era feito pelos proprios internos no campo.

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