segunda-feira, 19 de abril de 2010

Volkssturm - Tempestade do Povo



Em outono de 1944 a derrota total da Alemanha nazista já parecia inevitável. No entanto, Hitler fez qüestão de não se dar por vencido e seguiu empenhado em criar uma linha de defesa para proteger o território alemão e especialmente Berlim. O problema, entre muitos outros, era que o resto de seus exércitos estavam espalhados por toda Europa e a maioria da juventude alemã estava morta ou prisioneira.


Volkssturm em parada, Berlim, Novembro 1944.





Em parada.

A situação não podia ser mais crítica de modo que ante situações desesperadas, soluções desesperadas. Hitler ordenou recrutar qualquer cidadão alemão capaz de carregar uma arma e para isso criou as "Volkssturm".



 O Volkssturm (milícia do povo) foi criado por decreto em 25 de Setembro de 1944 como forma de milícia defensiva local e consistia de todos aqueles homens com idades entre 16 e 60 anos que não eram militares.O pessoal Volkssturm geralmente era constituído pelos muito novos ou muitos velhos e para aqueles não conseguiram ser convocados para o Exército. Estas Unidades Volkssturm tinham como objetivo serem utilizadas nos distritos locais onde foram criadas, sendo lançadas em combate contra o Exército Vermelho com o intuído de diminuir ou retardar o avanço na Alemanha perto do final da Guerra. A formação, administração, treinamento e utilização operacional da Volkssturm ficava a cargo do NSDAP (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei – Partido Nazista), líderes políticos responsáveis locais, as Waffen SS e pela Wehrmacht no controle das operações. No entanto, a Volkssturm era legalmente classificado com o status de soldados, com o mínimo de equipamento e tinha não oficialmente o suprimento de uniformes. A braçadeira foi criada para identificar o pessoal ligado ao Volkssturm.

 
Entre outras coisas dizia assim:



O inimigo iniciou ações para acabar com nosso império, para destruir o povo alemão e sua ordem social; seu último objetivo, é a exterminação da raça alemã. Uma vez mais, por nossa férrea vontade, a continuidade do Império e por tanto da Europa estará assegurada. Mas como nossos inimigos Acreditam ser capazes de nos dar o golpe final, decidimos utilizar novamente o poder de nosso povo. As intenções de nosso inimigo, o judaísmo internacional, de nos aniquilar, será arrasado pela vontade do povo alemão.


Para o reforço do poder de nossas forças armadas e em especial da liderança na luta infatigável em todas partes, ali onde nossos inimigos queiram pôr o pé sobre a terra alemã, demando ir ao combate todos os homens capazes de manejar uma arma. Por tanto, ordeno:


1) Serao formadas as Volkssturms, forças de defesa do povoo alemão, em todos os distritos do Império da Grande Alemanha, nas quais deverão servir todos os homens de 16 a 60 anos capazes de portar uma arma. Defenderão o solo pátrio com todas as armas e os meios a seu alcance que pareçam apropriados.


9)O Partido Nacional-socialista cumpre sua mais alta obrigação de honra ante o povo alemão, ao dar prioridade em sua organização para cumprir com sua responsabilidade nesta luta.


Quartel General do Führer,
25 de setiembre de 1944
Adolf Hitler


                            Volkssturm defendendo o Rio Oder, Fevereiro de 1945.


Volkssturm recebendo ordens.




Sua principal arma foi o "Panzerfaust" (Punho blindado). Um lança foguetes barato na fabricação e fácil de usar, que resultava bastante efetivo como arma anti-tanques. Foi usado para tentar evitar o grande avanço de blindados sovieticos.

 




Treinamento com um Panzerschreck


                                                         Treinamento com uma MG-42


Uma das coisas nas quais Hitler insistiu especialmente foi que estas unidades não só recebessem um treinamento militar, senão que também fossem fortemente doutrinados na ideologia nazista.
A ideia era criar um corpo de fanáticos que lutassem até a aniquilação do inimigo ou a própria. Por este motivo, as Volkssturm não estavam sob o controle da Wehrmatch (exército regular) senão que dependiam diretamente de Hitler e do Partido Nazista.

Hitler condecora um jovem Volkssturm. Esta fotografia foi feita em Abril de 1945, na Batalha de Berlim. (Provavelmente seja uma da últimas fotografias de Hitler com vida).




No entanto a efetividade das Volkssturm foi escassa ou nula. Mal tiveram tempo para receber instruções e muito menos dispunham de instrutores com experiência. A maioria dos instrutores eram veteranos da I guerra mundial que nunca tinham enfrentado um exército moderno. Salvo algum caso esporádico de resistência até a morte em alguma invasão a pequenos povoados, as Volkssturm mal tiveram incidência sobre o incontrolável avanço aliado.

Na maioria das vezes e no melhor dos casos, acabavam virando prisioneiros.

domingo, 11 de abril de 2010

Crianças na guerra

Segue abaixo uma sequencia de fotos de crianças,  atingidas pela guerra, sendo vitimas ou mesmo combatentes, que estiveram, direta ou indiretamente,  ligadas ao grande conflito. As fotos abaixo são de crianças russas.















Aribert Heim, o Doutor Morte

Aribert Heim, conhecido como o Doutor Morte (Bad Radkersburg, Áustria, 28 de Junho de 1914 - Egipto, 10 de agosto de 1992) foi um oficial médico nazista, membro da Schutzstaffel. Participou e comandou experiências médicas nos campos de concentração de Buchenwald, Mauthausen e Sachsenhausen.

Desaparecido desde o fim da Segunda Guerra Mundial, foi acusado de tortura em variadas formas, como a vivisecção em prisioneiros dos campos de concentração. É considerado como criminoso nazi em fuga e procurado como tal pelas polícias alemã, austríaca e espanhola, bem como pelo Centro Simon Wiesenthal de Jerusalém.

O seu pai era polícia, e Aribert fez estudos de medicina na Universidade de Viena. Aos 21 anos, adere ao Partido Nacional Socialista Austríaco antes de se juntar em 1938 às SS de Heinrich Himmler (número de membro 367.744). Depois de ter servido no campo de concentração de Buchenwald sob as ordens de outro médico nazi, Hannes Eisel, foi nomeado em 8 de Outubro de 1941 médico-chefe em Mauthausen, onde se estima que 118.000 prisioneiros checos, neerlandeses, soviéticos, judeus, membros de diversos movimentos de resistência antinazis e republicanos espanhóis tenham sido mortos.


Em Mauthausen, onde ficou sete semanas, Heim entrega-se a intervenções sem anestesia e a experiências médicas para as quais utilizou detidos como cobaias. Fez estudos comparativos sobre misturas de venenos, medindo com um cronómetro na mão a velocidade das injecções letais que dava directamente no coração dos prisioneiros. É esta prática que lhe valeu da parte dos deportados espanhóis de Mauthausen a alcunha de El banderillero. No campo, Heim era conhecido por Dr. Tod («Doutor Morte»). Durante a sua permanência, que durou um pouco menos de dois meses, são atribuíveis a Heim as mortes de centenas de prisioneiros, assassinados directamente durante ou após as suas "pesquisas". A polícia judiciária de Estugarda avançou com o total de 300 mortos. Heim deixou Mauthausen para integrar a Waffen-SS em 29 de Novembro de 1941.

Em 15 de Março de 1945, Heim foi preso pelos Aliados mas apenas foi julgado por ter pertencido às Waffen-SS. Uma recolha de impressões digitais foi feita em 1945, documento que figura ainda no dossier de acusação de Heim. Foi enviado para um campo de trabalhos forçados. Libertado em 1947, encontra trabalho como médico em Baden-Baden no sul da Alemanha Ocidental, onde casa com a sua noiva Frieda e abre um gabinete de ginecologia em 1954. O seu nome reaparece em 1961, no decorrer de um processo de um ex-nazi em Wiesbaden, e um testemunho evoca-o como « carniceiro de Mauthausen ». Heim desapareceu em 1962, quando a polícia alemã se preparava para o prender.

Em 1967, pessoas da sua família noticiaram que tinha falecido de câncer na América Latina. Mas envios de dinheiro repetidos e a descoberta pelos agentes da Alemanha e de Israel de uma conta bancária de Berlim em seu nome com o que hoje equivaleria a um milhão de euros, no início da década de 2000, provaram que ainda era vivo, o que é confirmado pelo facto de os seus filhos não terem feito partilha desse dinheiro. O jornal espanhol El Mundo estima que a fortuna considerável de Heim lhe teria permitido beneficiar da assistência da rede de apoio a antigos nazis em fuga ODESSA (Organisation Der Ehemaligen SS-Angehörigen = Organização dos antigos membros das Schutzstaffel).


KZ Mauthausen

No final da década de 1970, o «caçador de nazis» Simon Wiesenthal, ele próprio sobrevivente de Mauthausen, pede ao ministro da Justiça alemão a comparência de Heim em tribunal. A polícia alemã difundiu uma nota de procura e prometeu uma recompensa de 130.000 euros por informações que conduzissem à sua captura. O Centro Simon Wiesenthal, especializado na procura de antigos responsáveis e torcionários nazis, dedicou-se a procurar vestígios do antigo médico. Em 2002, por iniciativa de Efraim Zuroff (sucessor de Simon Wiesenthal no Centro) foi lançada a 'Operação Última Oportunidade na Alemanha e em oito países da Europa: Heim figurava no segundo lugar na lista de criminosos de guerra nazis mais procurados pelo Centro, logo a seguir a Alois Brunner.

No final de 2005 Heim terá alegadamente encontrado refúgio em Espanha, em Palafrugell segundo a polícia. A busca, que não terminou, foi retomada no início de 2006 no Chile onde a irmã de Heim, Waltraud, vivia desde a década de 1970 (segundo o jornal Der Spiegel). Em Julho de 2007, o ministério da Justiça austríaco anunciou no seu site que uma recompensa de 50.000 euros era dada a quem fornecesse informações que pudessem conduzir, localizar ou capturar Aribert Heim e Alois Brunner.

Em 2007, o antigo militar Danny Baz publicou um livro no qual afirma que Heim foi capturado, julgado e executado na Ilha Santa Catalina em 1982 por um grupo chamado La Chouette, constituído por suplementar os serviços secretos israelitas no rasto de criminosos nazis, abandonados pelo estado de Israel depois da prisão e execução de Adolf Eichmann. Num comunicado, o Centro Simon Wiesenthal afirmou que crê que esta informação não está correcta.

Heim morreu em 1992, no Egipto, segundo uma investigação da televisão alemã ZDF e do jornal “The New York Times”.

Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Aribert_Heim

sábado, 10 de abril de 2010

Norte-americanos nas SS


No início dos anos 40, o pastor protestante e comunicador americano “Father” Charles Coughlin comandava um programa de rádio muito popular na rádio CBS de Detroit. Admirador confesso do nazi-fascismo, Father Coughlin era também popular entre os isolacionistas (adeptos da não participação americana na guerra) e entre alguns Republicanos, entre os quais Prescott Bush, avô do atual presidente americano. Em seus programas, racionalizava as brutalidades do nazismo e lia os discursos de Joseph Goebbels. Na sua revista, Social Justice, Coughlin fazia declarações como essa: "O Eixo Roma-Berlim está servindo a Cristandade de uma maneira peculiarmente importante”.


Foto: Martin James Monti

Um dos principais propagandistas de Coughlin foi Martin James Monti, nascido em 1910 em Saint Louis de pai italo-suiço e mãe alemã. Como muitos simpatizantes nazistas, ele se alistou no U.S. Army. Serviu no U.S. Army Air Corps, esperando obter informações para o Eixo. Em 1944, servindo na Índia, conseguiu uma transferência para a Itália (ou ficou AWOL, ausente sem permissão, segundo outras fontes). De qualquer modo, tendo viajado de Karachi á Nápoles, via Cairo e Trípoli, em 13 de Outubro de 1944, roubou uma aeronave F-4 ou F-5 (a versão de reconhecimento fotográfico do caça Lightning P-38) da base aérea próxima a Nápoles, voando para a base alemã em Milão. Lá ele se rendeu, ou melhor, desertou, para os alemães, dizendo que Father Coughlin tinha pessoalmente inspirado a missão.

Transferido para Berlim, ele começou a transmitir em ondas curtas, para tropas e civis americanos um programa em inglês intitulado "The Round Table Conference" (A Conferência da Távola Redonda). Freqüentemente mencionando Coughlin como seu guia e inspirador, ele repetia material das páginas de Social Justice, dizendo que a Rússia, não a Alemanha, é que era o real inimigo da America a ser esmagado; que os Judeus haviam instigado a Segunda Guerra Mundial; que os GI's estavam sendo recrutados pelos Soviéticos como agentes. Na primavera de 1945, Monti foi recompensado por seus serviçoss ao Reich com o posto de SS-Untersturmführer das Waffen-SS no SS-Standarte Kurt Eggers.

No final da guerra, ele rumou para o sul da Itália onde se rendeu ás forces americanas (ainda vestido com o uniforme das SS) clamando que os partisans o haviam forçado a usar o uniforme! Levado à Corte Marcial depois da queda da Alemanha foi acusado por deserção e roubo de propriedade federal. Seus crimes eram puníveis com a pena de morte, porém, foi condenado à 15 anos de trabalhos forçados, sentença que foi logo suspensa. Monti se re-alistou no U.S. Air Corps, servindo como praça em Mitchell Field, Long Island, tendo sido promovido a sargento em 1946! A Guerra Fria era iminente, e simpatizantes do Nazismo estavam sendo recrutados, perdoados e encorajados! Em 1948 foi expulso da agora USAF e preso pelo FBI. Em Janeiro de 1948 Monti foi julgado na Corte Federal de Brooklyn por traição, roubo de propriedade federal e por servir como agente á uma nação inimiga. Sentenciado a 25 anos de prisão e multa de US$ 25.000, foi posto em liberdade condicional somente em 1960. Seu fim permanece desconhecido.

O SS-Standarte Kurt Eggers, unidade jornalística das Waffen-SS, foi formado em Janeiro de 1940 com o nome de SS-Kriegsberichter-Kompanie. Seu pessoal cobriu as 4 unidades das Waffen-SS que lutaram no ocidente em 1940 e nos Balcãs em 1941. Reformada como SS-Kriegsberichter-Abteilung em Agosto de 1941, quando as Waffen-SS expandiram-se e os kriegsberichter (correspondents de guerra) passaram a ter mais unidades para cobrir. Novamente expandida em Dezembro de 1943 como SS-Standarte Kurt Eggers, nome dado em memória do editor da revista oficiai das SS, “Das Schwarze Korps”, morto em ação perto de Kharkov em 13 de agosto de 1943, cobrindo a SS Panzer Division Wiking.

Os soldados do SS-Standarte Kurt Eggers eram todos voluntários, profissionais em jornalismo e idiomas estrangeiros. Recebiam treinamento na Berlin-Zehlendorf em Berlin e em seguida eram designados para cobrir uma unidade específica.

Sentenciado a 25 anos de prisão e multa de US$ 25.000

A Kurt Eggers incluía em seu staff vários voluntários estrangeiros, normalmente designados para cobrir a Unidade SS de sua nacionalidade. Se não existisse uma (caso dos inúmeros voluntários suecos...), eram designados para uma das unidades regulares das Waffen-SS. Pelo menos dois americanos (além de Monti, Peter Delaney) serviram nela, assim como vários britânicos (Railton Freeman, Dennis John Leister e Francis Paul Matton) e um neozelândes (Roy Nicholas Courlander).



http://www.frontpagemag.com/
home.att.net/~m.standridge/index.html#h1

Massacre em Novi Sad, Vojvodina - Iugoslávia



Policiais hungaros
 
Novi Sad, cidade às margens do Danúbio no Vojvodina, na Sérvia.  Em 1942, um dos mais notáveis de crimes de guerra durante a ocupação da Iugoslavia, foi o assassinato em massa de civis, em sua maioria de sérvios , judeus e ciganos, realizados por tropas alemãs e húngaras na invasão no sul do Bačka, em 1942 . O número total de civis mortos no ataque foi de 4211, quando os lugares que foram afetados pelo ataque incluem Novi Sad , Becej , Vilovo , Gardinovci , Gospođinci , Đurđevo , Žabalj , Lok , Mošorin , Srbobran , Temerin , Titel , Čurug e Šajkaš .  As vítimas incluíram 2.842 sérvios , 1.250 judeus , 64 romenos, 31 rutenos , 13 russos e 11 de etnia húngara .

Policiais hungaros e soldados alemães colocando civis no caminhão.

Até 1941, havia aroximadamente 4.000 judeus em Novi Sad, para uma população total de 80.000. O extermínio dos judeus de Novi Sad foi realizado em ondas sucessivas, inicialmente sob a ocupação da Hungria e mais tarde pelas tropas alemãs. 

Quando o ataque em Sajkaska terminou em 19 de janeiro, um total de 2.425 civis foram mortos. Deste número, 2.183 foram os sérvios, 154 eram judeus, 64 eram Roma, 29 foram rutenos, 3 eram húngaros, um alemão e um checo. Foram 1.425 homens, 450 mulheres, 300 crianças com idade de 18 anos, mais de 90 crianças com idade de 12 anos foram assassinados e 250 idosos. Dez padres ortodoxos sérvios foram mortos e um rabino judeu. Foram 1.199 alunos, 324 artesãos e 149 lojistas.

 Em 21-23 janeiro de 1942, uma pequena rebelião perto Novi Sad serviu de pretexto para o chamado "razzia", quando toque de recolher total foi ordenado e casas de judeus foram procuradas e saqueadas, enquanto seus ocupantes foram assassinados nas ruas. Vojvodina foi anexada à Hungria, onde 4.620 sérvios e judeus foram mortos entre 1941-1945. Durante a grande incursão de 1942, até 3.928 civis foram mortos, consistindo de 2662 sérvios e 1.103 judeus e 163 vítimas de outras nacionalidades. Em 20 de janeiro de 1942, as forças de ocupação da Hungria em Novi Sad mataram aproximadamente 1.300 civis, sendo que 813 eram judeus, 380 foram sérvios, 18 eram húngaros, 15 eram russos, 13 eram eslovacos, 8 foram  croatas, 3 eram alemães, 2 eram russos, 2 eslovenos, e um era 1 muçulmano. Havia 492 homens, 418 mulheres, 168 crianças e 177 idosos. Sete sacerdotes ortodoxos sérvios estavam entre os mortos, juntamente com um rabino, 126 vendedores e lojistas, 100 artesãos e 81 alunos.

 As vítimas foram executadas e jogadas no rio Danúbio congelado. As forças hungaras, em seguida, atiraram no gelo para quebrá-lo. A maioria dos sérvios e judeus se afogou.  Em 23 de janeiro mais de 1.400 judeus foram levados para o Danúbio e alinhados em quatro fileiras. O gelo do rio congelado foi quebrado e durante todo o dia, os judeus, incluindo mulheres e crianças, foram baleados nas costas, desaparecendo nas águas, que transportou os cadáveres até Belgrado, por semanas. Alguns civis, ainda vivos, foram lançados sob a superfície gelada de meados do inverno no Danúbio congelado. O "razzia" causou uma agitação mesmo nos círculos húngaros, e a cabo de ordens de Budapeste, chegaram a parar o massacre na noite de 23 de janeiro. Várias centenas de sobreviventes, metade congelado e com medo da morte, foram liberados. A política de extermínio continuou, entretanto. A região de Banat em Vojvodina foi colocado sob controle direto militar alemão.



Soldados hungaros e alemães no massacre de Novi Sad, Yugoslavia, em 23 Janeiro de 1942.

Novi-Sad, Iugoslávia, soldados hungaros arrastando corpos através da neve. 23-1-1942

 Corpos de judeus assassinados por policiais hungaros. 23-1-1942
Corpos em um campo de futebol em Novi Sad.

Corpos flutuam sobre o Danúbio, 23/1/1942
Novi Sad, na Iugoslávia, os cadáveres no cemitério, após um assassinato em massa no dia 23/01/1942

Zemun, Iugoslávia, corpos das vítimas Novi Sad assassinato perto do rio.
Zemun, Iugoslávia, corpos das vítimas assassinadas em Novi Sad boiando no do rio. 1942
Durante 1942, os judeus do sexo masculino com idades entre 18 e 45 foram reunidos em "batalhões de trabalho", maltratados e com fome (o primeiro na Hungria), e em seguida enviadosao front da Ucrânia, onde morreram.  A última fase veio com a ocupação alemã em março de 1944. Com o auxílio dos húngaros, os alemães procuraram os restantes judeus e transportaram cerca de 1.600 para Auschwitz em abril de 1944.

Consequências:

Em 1943, os dirigentes húngaros tentaram relançar as relações com os Aliados ocidentais, assim como parte de tais objectivos, a Hungria organizou um julgamento de vários oficiais que estavam entre os responsáveis pelo ataque. No entanto, os funcionários foram autorizados a fugir para a Alemanha nazista antes de sua condenação. Após a guerra, algumas das pessoas responsáveis pelo ataque foram julgadas novamente pelo novo governo comunista da Hungria (que os condenou à morte ou à prisão perpétua) e, novamente, na Iugoslávia, onde eles foram condenados à morte novamente e executados. László Deák e Miklos Horthy, que alegadamente também estavam entre os responsáveis pelo ataque, nunca foram condenados.


Sandor Kepiro
 Em 2006 , o Simon Wiesenthal Center cobrou de Sandor Kepiro, antigo policial húngaro, a participação no massacre, sobre a prova da sua convicção nos ensaios de 1944 e 1946 . Kepiro, no entanto, afirma que como um oficial de polícia, sua participação se limitava apenas a detenção de civis, e ele não tomou parte nas execuções ou qualquer outra atividade ilegal. Hoje, ele se encontra preso, aos 93 anos esperando o julgamento, sendo que poderá ser considerado o criminoso mais velho a ser julgado, se isso vier a acontecer.


Monumento às vítimas em Novi Sad

 

Tradução e adaptação: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)
Fontes:



domingo, 4 de abril de 2010

A ferrovia da morte


Stanley Willner e seu livro A Ferrovia da Morte

O relato de Stanley Willner, sobrevivente de um cargueiro americano afundando e prisioneiro de guerra dos japoneses na Tailândia

Quando a guerra começou, eu estava em um navio em Portugal. O meu retorno aos EUA foi feito pelo M.S. Sawokla, como terceiro imediato. O Sawokla era um transporte militar, operado pela Linha Americana de Exportação. Uma vez em Nova York, me reportei ao quartel-general da marinha e disseram-me para permanecer no Sawokla, pois ele seria carregado com suprimentos militares que eram urgentemente necessários no Golfo Persa.

O Sawokla navegou sem qualquer incidente até o destino. Estávamos todos agradecidos por estarmos em um navio que não havia sido torpedeado em direção ao seu destino. Na viagem de retorno, carregávamos uns poucos soldados doentes e uma carga de juta e outros itens de tempos de guerra.

Era novembro e estávamos no Oceano Índico, umas 400 milhas a leste de Madagascar, quando o Sawokla foi atingido, torpedeado e afundado pelo incursor alemão "Michel". Eu era o oficial de vigília naquela noite. O tempo estava encoberto e o mar agitado quando vislumbrei um objeto no horizonte. Apertei a campainha para a cabine do capitão, ouvi sua porta batendo e a próxima coisa de que me lembro era estar boiando na água em um destroço do navio. Estava escuro como breu. Mais tarde eu saberia que era o único dos que estavam de vigília na noite que haviam sobrevivido ao canhoneio. A primeira salva atingiu a ponte e a sala de rádio. A tripulação do incursor alemão me recolheu da água. Eles me disseram que eu estivera boiando por quatro a cinco horas.

O Sawokla explodiu em um clarão e afundou completamente em menos de sete minutos, disse a tripulação do navio alemão. O incursor possuía canhões de 6, 7 e 8 polegadas, além de seis tubos de torpedo, três a bombordo e três a estibordo, mais um hidravião, duas lanchas torpedeiras e cargas de profundidade.

No dia seguinte, o "Michel" enviou seu hidravião e as lanchas torpedeiras para procurar por quaisquer sobreviventes do Sawokla. Nenhum traço do navio ou dos sobreviventes foi encontrado por aliados e a sua tripulação foi considerada legalmente morta. Eu ainda possuo a minha certidão de óbito, emitida pelo Departamento de Marinha, como lembrança. Todos os meus pagamentos cessaram quando fui considerado morto. O governo passou a emitir somente pequenos depósitos a título de pensão.

Os sobreviventes receberam bons cuidados médicos se os ferimentos que os acometiam houvessem sido causados somente pelo ataque ao Sawokla. Eu estava gravemente ferido e fui operado algumas vezes. Durante minha captura e reabilitação abordo do Michel, dois outros navios foram afundados no que me pareceu um período de 90 dias. Havia somente uns 35 sobreviventes dos três navios no total.

Observamos que as antenas do Michel eram muito maiores que as nossas. Os vigias usavam binóculos gigantescos - de 60 a 90 centímetros de comprimento e os turnos eram trocados a cada 15 minutos. A tripulação do incursor nos contou que o Sawokla foi localizado no fim da tarde anterior ao seu afundamento. O Michel o seguiu até o cair da noite, quando então o afundou.

Esboço de um prisioneiro feito no próprio acampamento
Em Cingapura, os alemães nos entregaram aos japoneses. No caminho a nosso cativeiro, passamos pela praça Raffles e vimos vários corpos nus e decompostos de mulheres. Nossos captores nos disseram que este era um aviso às demais mulheres para que não se recusassem a dormir com os oficiais japoneses. Fomos então levados à prisão de Changi, nos subúrbios de Cingapura. Esta prisão era de segurança máxima e foi construída para conter uns 800 internos de alta periculosidade, no entanto os japoneses amontoaram 10.000 prisioneiros de guerra entre seus muros. Felizmente nós fomos colocados nas barracas do lado de fora.

Durante a minha primeira chamada em Changi, o intérprete britânico perguntou se tínhamos alguma dúvida. Eu o entreguei uma carta do médico alemão que me tratara abordo do Michel. O intérprete a passou para o sargento japonês que a rasgou e me acertou com a coronha do fuzil. Neste momento percebi que passaríamos por maus bocados.

Olhando para trás, o tempo que passamos em Changi não foi de todo ruim. Os britânicos, australianos, holandeses e americanos que lá estavam possuíam seus setores, suas próprias vestimentas, utensílios, etc. Entretanto, a comida era escassa, embora a brutalidade fosse moderada. Os prisioneiros americanos consistiam, em sua maioria, da 131ª Unidade de Artilharia do Texas, que rendera em Cingapura, alguns sobreviventes do cruzador Houston, uns poucos pilotos que haviam sido abatidos sobre as linhas japonesas e os sobreviventes do Sawokla e dois outros navios. Os sobreviventes da 131ª eram conhecidos como "o batalhão perdido".

De Changi, eu fui colocado em um grupo de trabalho de oficiais, somando uns 3.000 homens, chamado "Força H". A "Força H" consistia de britânicos, australianos e holandeses e somente dez americanos. Foi então que o rude despertar começou. Deixamos Cingapura em uns pequenos vagões de metal cobertos. Os prisioneiros eram amontoados como sardinhas de pé. Se alguém desmaiasse por causa do calor ou de doença, ele não podia cair, permanecia de pé. Depois de vários dias, os vagões tinham um odor indescritível e nauseante.

Já na Tailândia, fomos obrigados a sair do trem e andar umas 50 milhas até o rio Kwai. Pelos próximos dois anos, eu trabalhei na ferrovia da morte. Eu até mesmo trabalhei na construção da infame "ponte sobre o rio Kwai". A ferrovia de 150 milhas que passava sobre o Kwai era conhecida como "Rodovia da Morte" pelos 150.000 prisioneiros de guerra e os trabalhadores nativos (a maioria desse número) que morreram durante a sua construção.

Esboço de um prisioneiro sobre a rotina do cativeiro


Não havia qualquer suprimento médico. Éramos alimentados com uma dieta de fome: um punhado de arroz por dia, uma sopa aguada algumas vezes por semana e uma garrafa de água por dia. A despeito de nossas condições físicas ou mentais, éramos forçados a trabalhar na ferrovia. Um oficial médico britânico estava freqüentemente no campo, embora seus conselhos fossem sempre ignorados pelo sargento japonês que selecionava os grupos de trabalho - pegando todos apesar do estado ou doença.

É impossível descrever as condições; trabalhávamos pelo menos 14 horas por dia, 7 dias por semana, sempre sob os olhares de guardas japoneses ou coreanos. Se você estava doente ou não pudesse trabalhar por qualquer motivo, era espancado até voltar ao trabalho ou desmaiar. Marchávamos de posição para posição através da selva virgem. Quando a próxima localização era alcançada, tínhamos que limpar a selva e construir o acampamento. Esse procedimento foi seguido até que a ferrovia fosse finalizada. Éramos obrigados a dormir ao relento ou improvisar qualquer coisa que pudéssemos aproveitar da selva.

Ponte sobre o rio Kwai, que ainda mantém os arcos da estrutura original
Os poucos sobreviventes do Sawokla, incluindo eu mesmo, não tinha calçados, roupas ou utensílios. Meu pé ficou tão duro e áspero que acho que poderia andar sobre carvão em brasa. A única roupa que tinha sobre meu corpo era uma bermuda que me foi dada por um australiano.

Os campos eram sempre infestados de insetos. Se fossemos capazes de pegar alguns desses, eles eram comidos junto com o arroz.

O trabalho consistia de limpar a selva, levantar postes, descarregar chatas e construir a ferrovia - sempre sob supervisão de um japonês com um bastão de bambu que era utilizado a seu bel prazer. A doença era uma constante. Em um dos acampamentos, a cólera matou 1.500 de 1.600 prisioneiros em uns poucos dias. O calor era intolerável e a garrafa de água fervida acabava rapidamente. Muitos bebiam a água do próprio rio Kwai e contraíam cólera, morrendo em poucos dias. O rio era infectado com os dejetos dos nativos e era terreno fértil para doenças como a cólera.

Durante a estação das monções, ficávamos ensopados dia e noite. O terreno se tornava escorregadia e lamacento. A única coisa boa a respeito das monções era a água fresca. Nem mesmo banho tomávamos, pois não possuíamos sabão, gilete nem nada para cortar os cabelos, permanecemos desta forma por quase três anos.

Duas memórias desses tempos ainda me atormentam até hoje. A primeira foi a minha designação para um pequeno grupo de trabalho que deveria percorrer campo a campo; se a cólera tivesse infectado a região, nós deveríamos empilhar todos os corpos, alguns dos doentes ainda vivos, e os queimar. Se nos recusássemos a fazer esta tarefa abominável, seríamos executados na hora. Nos todos sentíamos que sem qualquer brilho de esperança, era melhor estar morto do que ser deixado a sofrer lentamente. O fedor da morte e da doença era terrível. Estas lembranças ainda me atormentam em pesadelos.

A segunda memória inesquecível teve lugar em um dos maiores acampamentos, quando eu estava trabalhando na ponte do Kwai. Por um curto período eu era responsável por trazer cargas da floresta para a estrada, no dorso de um elefante. Havia um soldado britânico, que perdera um braço e uma perna, responsável pelo aquecimento de um barril de petróleo de 50 galões para o banho de um oficial japonês. Nestas andanças, achei um pato próximo a uma cabana nativa e o levei para o acampamento, deixando-o aos cuidados deste soldado. Os japoneses pensaram que o pato pertencesse ao oficial, deixando-o em paz. Se pudéssemos alimentar o animal com 4 ou 5 moluscos por dia, o pato colocava um ovo. Foi quando meu melhor amigo e segundo oficial do Sawokla, Dennis Roland, teve um ataque de apendicite. Um holandês o hipnotizou enquanto um médico australiano o operava somente com água fervente e uma faca. O médico usou um pedaço de tela para suturar a incisão. A cada dia dávamos um ovo para Roland. No sétimo dia, recompensávamos o soldado britânico com um ovo por guardar o pato. Este ciclo se manteve por vários meses. Nós até mesmo cozinhávamos a casca do ovo em carvões quentes e a pulverizávamos com pedras para colocar na água de Roland. De alguma forma isso o ajudou, pois dentro de algum tempo Roland se recuperou.

Uma noite, ao voltar da estrada para o acampamento, sentimos que havia alguma coisa realmente errada. Os guardas japoneses gritavam e batiam em todos. Fomos alinhados em frente ao barril do oficial, cheio de água fervente, neste momento os japoneses jogaram o soldado britânico dentro do barril porque ele havia esquentado demais a água para o banho do oficial. Os gritos e as lágrimas nunca me abandonaram.

Ambos, alemães e japoneses, tratavam os marinheiros mercantes como prisioneiros de guerra e não como internos civis. Dos 3.000 prisioneiro de guerra da força H, menos de mil retornaram para Cingapura. Ao fim da guerra, um avião de transporte de tropas levou os americanos para o 142º Hospital Geral do Exército, próximo a Calcutá. Dois aviões foram enviados para os americanos, pois não havia qualquer registro prévio de sobreviventes. Foram transportados de 40 a 50 prisioneiros por avião, cada um contando com um cirurgião e pessoal médico. Quando os ex-prisioneiros chegaram ao hospital, muitos em macas, o corpo médico não resistiu e alguns até choraram. Eles nunca haviam visto seres humanos em tais condições de debilidade antes. Meu peso normal antes de ser feito prisioneiro era de 65 quilos. Quando fui libertado, estava pesando 42,5 quilos. Alguns dos marines do Houston pesavam originalmente mais de 100 quilos, ao serem libertados, eram osso puro, pesando menos de 50 quilos. Os ex-prisioneiros tinham todas as doenças imagináveis: beribéri, disenteria, vermes, malaria, úlcera, escorbuto e inflamações da cabeça ao dedão do pé.

Quando o hospital estava pronto para nos liberar de volta para casa, os militares ex-prisioneiros receberam novos uniformes, medalhas, dinheiro, festas e tratamento médico preferencial na chegada aos EUA. Os marinheiros mercantes foram deixados por sua própria conta e estão desta forma até os dias de hoje, embora tenhamos finalmente recebido o status de veteranos.

Os japoneses se recusaram a nos dar qualquer centavo pelo trabalho escravo e tratamento desumano, embora muitos pedidos tenham sido feitos por todo o mundo. É impossível para qualquer um compreender como um ser humano pode tratar outro de forma tão monstruosa até que você testemunhe.



Fonte deste artigo:
Grandes Guerras
Discurso de Stanley Willner na academia de West Point em 1992
http://www.angelstation.com/swillner/

terça-feira, 23 de março de 2010

Aviso

Estou preparando uma sequencia de fotos de execução de judeus, sovieticos, polacos, entre outros, por soldados alemães, a pedidos de determinadas pessoas que indagaram sobre o mesmo. Em breve posto todas, em vez de uma de cada vez.

domingo, 21 de março de 2010

A Vida nos Caça-Ferro (Brasil)




Caça-Submarino G8-Graúna da Classe G

C a r a c t e r í s t i c a s

Deslocamento: 280 ton (padrão), 450 ton (carregado).
Dimensões: 52.73 m de comprimento, 7.01 m de boca e 3.04 m de calado.
Propulsão: diesel; 2 motores diesel de 16 cilindros General Motors Model 16-258S gerando 2.000 bhp, acoplados a dois eixos com hélices de três pás.
Eletricidade: ?
Velocidade: máxima de 20 nós.
Raio de ação: 3.000 milhas náuticas à 12 nós.
Armamento: 1 canhão de 3 pol. (76.2 mm/50); 1 canhão Bofors L/60 de 40 mm em um reparo Mk 3; 2 metralhadoras Oerlikon de 20 mm em reparos singelos Mk 4; 2 lançadores óctuplos de bomba granada A/S (LBG) de 7.2 pol. Mousetrap Mk 20 na proa; 2 calhas de cargas de profundidade Mk 3 e 2 projetores laterais do tipo K Mk 6 para cargas de profundidade Mk 6 ou Mk 9.
Sensores: 1 radar de vigilância de superfície tipo SF ou SL; 1 sonar de casco.
Código Internacional de Chamada: ?
Tripulação: 65 homens, sendo 5 oficiais e 60 praças.
Obs: Características da época da incorporação na MB.

H i s t ó r i c o

O Caça Submarino Graúna - G 8, ex-USS PC 561, foi o primeiro navio a ostentar esse nome na Marinha do Brasil, em homenagem a essa ave negra de nossa fauna. O Graúna foi construído pelo estaleiro Jeffersonville Boat and Machine Co., em Jeffersonville, IN. Foi lançado em 1º de maio de 1942 e incorporado a Marinha dos EUA em 11 de julho. Foi transferido e incorporado a MB em 30 de novembro de 1943 em cerimônia realizada em Miami, Florida. Naquela ocasião, assumiu o comando, o Capitão-Tenente José Leite Soares Júnior.
O custo de aquisição dos Caça Submarinos dessa classe em 1942-43 era de US$ 1,7 milhões.

Em seu livro "A Marinha do Brasil na Segunda Guerra Mundial", o Almirante Arthur Oscar Saldanha da Gama, descreve o serviço e a vida a bordo dos Caça-Submarino, carinhosamente chamado pelo pessoal da Armada de "Caça-Ferro", em artigo compilado da Revista do Clube Naval, n.º 252, de maio de 1978, de autoria do Almirante Rubens José Rodrigues de Mattos, intitulado "A Vida nos Caça-Ferro, durante a II Guerra Mundial".
Segue abaixo o depoimento transcrito da revista, conforme acima assinalado:


"Os navios menores, os do tipo SC, foram substituídos pelos PC’s, de 173 pés, casco de ferro, dos quais tivemos oito com nomes iniciados pela letra "G". Como os caças de 110 pés, estes foram projetados para patrulhas com bases nos portos; contudo, tanto na Marinha americana, como na nossa foram usados intensamente nos comboios. A prova máxima destes barcos de 173 pés consistia na escolta do comboio Recife-Trinidad (JT), principalmente na volta, aproado aos ventos alísios e o mar sempre cavado, em 11 a 13 dias de viagem.

Esses navios receberam o radar e tinham melhor tipo de sonar, maior raio de ação e melhores acomodações que os SC’s de madeira, mas eram, assim mesmo, muito deficientes. Eram navios para gente jovem, pois os mais velhos não poderiam resistir à dura vida de bordo. Podemos dizer, sem receio de errar, que os homens que tripulavam esses navios, se não eram, tornaram-se verdadeiros marinheiros.

Os da classe "G" eram melhor armados, havendo, entre eles algumas diferenças nas peças usadas, principalmente no canhão de 3 polegadas e nas metralhadoras de 20 mm, quando foram introduzidos os canhões automáticos de 40 mm. Todo armamento era de duplo uso, de superfície e antiaéreo, se bem que nunca foram disparados contra aviões (na MB) .

Em ambos os tipos, o ponto crítico estava na limitada velocidade máxima, muito próxima da de ataque anti-submarino de 15 nós. Contudo eram navios de fácil manobra, condição essencial para a sua função principal, isto é, combater submarinos imersos. Os "G’s" eram navios de 280 toneladas, dois motores de 2.880 com dois hélices, 60 toneladas de óleo diesel e 65 homens de tripulação.

Os caça submarinos eram empregados em todas as missões anti-submarinos, quer na patrulha, quer nas escoltas de comboios. Essas não eram, na realidade, missões empolgantes ou gloriosas, de curta duração, como acontecia com os avioes militares, os quais recebiam informes precisos, saindo as aeronaves para o ataque aos submarinos plotados. Voltavam esses pilotos às suas bases cheios de excitação, contando, com profusos gestos de mão, os detalhes do combate. A vida de um caça submarino no mar era, pelo contrário, monótona e cansativa, prolongando-se por dias seguidos, sem nada acontecer. A Vitória da missão estava, justamente, em nada de anormal haver no comboio, para os mercantes chegarem, com as suas valiosas carga, incólumes aos seus destinos.

A tripulação de um "caça-ferro" , tipo G, assim chamado para distinguir do "caça-pau" do tipo J, era de 60 homens fortes, moços e capazes, pois de outra forma não resistiriam àquela vida, dividida nos clássicos "quartos", "de serviço", "de retém", e "de folga", folga esta em que nada significava, porque no mar, em tempo de guerra, todos trabalhavam. Os Postos-de-Combate eram rapidamente guarnecidos nas emergências, que não eram poucas e sempre nas horas de maior perigo para o comboio, isto é, nos crepúsculos matutino e vespertino. Estes Postos, atendidos por todos, sem exceção, todos os dias, com mau e bom tempo, marcavam o início e o fim do dia; contudo à noite, por qualquer suspeita, poderiam haver ocorrências, para as quais seria soada, sem hesitação pelo Oficial de Quarto, a buzina de chamada geral. Por essa razão, os homens escolhidos para os caça-submarinos deveriam ser calmos e controlados, de forma a poder, receber chuva e vento frio na cara e voltar meia hora depois para retomar o sono e dormir, até que a buzina soasse novamente. Nos Postos-de-Combate, os homens compareciam, obrigatoriamente, vestindo os capacetes de aço e coletes salva vidas, espalhando-se pelo navio, fechando, na ordem prevista, as portas estanques, e guarnecendo seus postos no armamento, comunicações e máquinas. Em segundos estava o navio pronto, na sua mais alta eficiência, para o combate. Sem indisciplinas ou esmorecimentos, essa gente, vigilante e coesa, estava pronta para qualquer eventualidade; o endoutrinamento era de tal forma perfeito, que poucas ordens eram dadas, sendo unicamente ouvidos os ruídos normais dos aparelhos e a voz severa e serena do Comandante.

Ãs vezes, o tempo era bom, que minorava as condições de vida num caça-submarino que, de convés baixo e levando alta velocidade, obrigava homens aquecidos em seus beliches a se levantarem, já vestidos, e enfrentarem borrifos das ondas, quando atendiam em segundos, os seus postos. Em outras ocasiões, o tempo era mau: o vento soprava forte e o mar varria a proa a cada caturro do navio. A guarnição do canhão de proa era a que mais sofria; a onda invadia o barco, carregando tudo, a ponto de, por vezes, desaparecer no mar, como perdidas fossem, mas ao navio se levantar , rápido, lá estavam os homens, sem um protesto, inteiramente molhados, agarrados como podiam, sem contudo abandonarem seus postos e prontos para fazer o canhão despejar fogo contra o inimigo.

Malgrado toda essa provação e atenção permanente, a vida administrativa do navio continuava; havia a "parada", quando o Imediato distribuía o serviço para limpeza e conservação do material; alem do mais cozinhavam e comiam; quando havia ordem, recebiam meio balde de água para o banho, se bem que água era artigo de luxo e sempre apreciada e poupada. Também, não eram esquecidos os Postos de Incêndio, de Colisão e de Abandono. A cada homem cabia, no convés ou na máquina um incumbência específica, mantida sempre em boas condições.

Os caça submarinos eram navios excelentes: dificilmente os arquitetos navais poderiam fazer um barco tão completo e, ao mesmo tempo, tão compacto. Eram bem armados, com um canhão de duplo uso, de 76 mm na proa; a meio-navio havia instalado um canhão de duplo efeito de 40 mm Bofors, mesmo tipo daqueles fornecidos pelos EUA à URSS, durante a guerra. Além disso, possuía duas metralhadoras, de superfície e anti-aérea de 20 mm Oerlikon, e , no ataque anti-submarino, duas calhas duplas de doze foguetes, dois morteiros K de bombas de profundidade, em ambos os bordos e finalmente as calhas de bombas de profundidade na popa. As calhas de bombas apenas deixavam cair os petrechos, mas os morteiros em K podiam variar a distância, conforme a carga de projeção usada.

Os alojamentos eram confortáveis e com boa ventilação; cada homem dispunha de um beliche e um armário de alumínio, pequeno, mas muito prático. Por ante-à-ré do passadiço ficava a estação rádio bem aparelhada e, logo depois a praça d’armas, tudo no convés principal. A coberta do rancho da guarnição era localizada a ré, ao lado da cozinha, onde o fogão elétrico era o justo orgulho do cozinheiro, membro eficiente da metralhadora de BE. Dois eixos acoplados hidraulicamente aos motores principais davam ao navio, ao fim de 30 segundos, inicialmente a velocidade de 7 nós, indo depois até 18 nós. O fato de levar algum tempo para o acoplamento e arrancar já nos 7 nós, quando se dava a partida no forte motor diesel, pertubava os manobristas de renome, dificultando as atracações e outras manobras,. Era porém otimo navio no mar, apesar de baixo, e os seus dois lemes faziam o navio girar muito rapidamente, condição necessária à caça do insidioso inimigo, o submarino."


Fonte: "A Vida nos Caça-Ferro" - Almirante Rubens José Rodrigues de Mattos - Revista do Clube Naval, n.º 252, de maio de 1978
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