quarta-feira, 9 de junho de 2010

Rumo a liberdade

Nicholas Winton

Ano - 1939. Local - Londres, estação de Liverpool. Mais de uma centena de crianças amontoadas, com etiquetas presas em seu pescoço, desembarcam do trem, uma atrás da outra
 
Mais uma vez, a história mostrou que, às vezes, uma pessoa sozinha faz a diferença e consegue até mudar o rumo da história e da vida de inúmeras outras. Assim foi com Nicholas Winton, o inglês que, com sua iniciativa e empenho pessoal, salvou a vida de centenas de crianças, em sua maioria judias, ajudando-as a escapar do Holocausto.

O envolvimento de Winton na operação que culminou com o transporte das crianças da então Checoslováquia para a Grã-Bretanha começou por causa de um fato corriqueiro. Era o ano de 1938 e Winton viu cancelados seus planos de férias de final de ano com seu amigo, Martin Blake, funcionário da Comissão Britânica para Refugiados da Checoslováquia. Este, por sua vez, fez a seguinte sugestão ao amigo: "Venha comigo para a Checoslováquia. Quero mostrar-lhe algo". E Winton aceitou o convite, perguntando-se o que Blake poderia ter para lhe mostrar.

Ao chegar na Checoslováquia entendeu o que o amigo queria dizer. Diante de seus olhos, milhares de refugiados desesperados - judeus assustados, comunistas e dissidentes políticos tinham que deixar o país rapidamente por causa do Acordo de Munique, assinado em setembro e, segundo o qual, a Grã-Bretanha, França e Itália haviam concordado em retirar suas tropas do território checo e ceder à Alemanha uma parte deste território. "Quando vi todas aquelas pessoas, percebi que deveria fazer algo para ajudá-las". E fez.

Winton ficou três semanas em Praga, coletando fotos e informações sobre jovens que precisavam de ajuda. Ao retornar à Grã-Bretanha, teve que convencer o governo a permitir a entrada dos jovens refugiados, o que de fato conseguiu, e atender as condições impostas pelas autoridades. Winton conseguiu através do apoio de organizações beneficentes e de organizações cristãs encontrar pessoas interessadas em adotar os refugiados, assim como obter os recursos necessários para o transporte e para o deposito de 50 libras para cada criança .

Durante os primeiros nove meses de 1939, organizou o transporte de crianças para a Grã-Bretanha, chegando ao total de 664 jovens, dos quais 90% eram judeus. O novo grupo, com quase 200 passageiros, deveria partir no dia 3 de setembro, quando a guerra eclodiu. Todos os meios de transportes foram bloqueados e os que não conseguiram sair da Checoslováquia foram enviados aos campos de concentração, nos quais acabaram morrendo, como milhares de outros judeus, durante o período de 1939 a 1945.

1 - Winton recebe uma criança salva na plataforma do trem na Inglaterra
2 - O heróico Nicholas Winton aos 98 anos de idade


Apesar de todo o seu empenho, porém, o responsável por essas operações de resgate permaneceu oculto por quase meio século. Nem as crianças por ele salvas sabiam a quem agradecer por estarem vivas. O fato tornou-se conhecido, mais por obra do destino do que por iniciativa de Winton.

No final de 1987, enquanto organizava seus documentos, Winton encontrou a listagem do nome de todas as crianças que havia salvado em 1939. Não sabendo o que fazer com a lista, foi aconselhado por um amigo a entregá-la à Dra. Elizabeth Maxwell, uma especialista em estudos sobre o Holocausto, esposa de um jornalista judeu, o magnata Robert Maxwell. A história foi publicada no Sunday Mirror, um dos tablóides da família Maxwell, com grande repercussão.

A apresentadora de televisão londrina Esther Rantzen, ouvindo a história, interessou-se em trazê-lo a seu programa, "That's life". Sob o pretexto de que viesse apenas assistir ao show para prestigiá-la, colocou Winton estrategicamente na primeira fileira. Durante o programa, Rantzen anunciou: "Senhor Winton, tenho uma surpresa para lhe contar. Sentados ao seu lado estão duas das pessoas que o senhor salvou da Checoslováquia, em 1939".

Vera Gissing, que estava ao seu lado, relembra que seus olhos se arregalaram ao fitá-la e começaram a lacrimejar: "Para mim, após tantos anos, ter finalmente conhecido o homem que salvou minha vida, foi um momento muito especial. Fiquei apenas preocupada com ele, pois pensei que, que aos 80 anos, o choque seria muito forte. Apesar da grande alegria em nos conhecer, ele não gostou da maneira como a apresentação foi feita".

Ela escreveu a biografia de Winton em reconhecimento a seu ato de coragem. Na obra, a autora relata toda a sua vida, seus méritos e a operação de resgate que se iniciou em 1938. Na época, ele trabalhava como operador na Bolsa de Valores. Vera Gissing conta que, quando a guerra eclodiu, não havia quase nada que Winton pudesse fazer para ajudar os refugiados. Porém em 1942, ele abandonou o mercado financeiro e tornou-se voluntário da Cruz Vermelha, na França. Posteriormente começou a trabalhar nas Nações Unidas e, em seguida, no International Bank, em Paris. Depois de se aposentar dedicou-se exclusivamente ao trabalho voluntário, tendo sido homenageado em 1993 com o título de Membro do Império Britânico e incluído na lista de honra da rainha Elizabeth.


Atualmente, Winton vive em Maidenhead, perto de Londres, com sua esposa, com a qual é casado desde 1948. Tem dois filhos; um terceiro faleceu na infância. Desde 1988, no entanto, sua família cresceu rapidamente. "Ele é nosso pai e avô honorário, porque nossa família foi exterminada durante a guerra", afirmou Vera Gissing.

Sessenta destas "crianças" se reuniram em um evento chamado "Obrigado, Inglaterra", organizado pelo embaixador checo para honrar aqueles que acolheram e facilitaram a adaptação destes refugiados. Na ocasião, a atuação de Nicolas Winton foi comparada à de Oscar Schindler, por um dos organizadores.

Nicolas Winton, no entanto, não entende o porquê de tantas homenagens. "Ele considera que apenas fez o seu dever", explica Vera Gissing. "Outras pessoas também tiveram méritos nesta operação, mas Winton foi quem idealizou e organizou o salvamento de tantas vidas. Sem ele, algumas poucas crianças poderiam ter sido salvas, apenas algumas".

Fonte: http://www.morasha.com.br/conteudo/artigos/artigos_view.asp?a=226&p=0

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Espionagem em Pearl Harbor



Tudo começou em 1935 e o cenário foi o Ministério de Propaganda do III Reich, em Berlim. Fazia dois anos que Goebbels estava à frente daquele departamento quando, em princípios deste ano, ofereceu uma festa ao seu pessoal. O secretário particular do ministro de propaganda, Leopold Kuehn, estava presente, acompanhado por sua jovem irmã Ruth. Goebbels, geralmente indiferente à beleza feminina, sentiu-se atraído pela formosa Ruth. Ficou toda a noite a seu lado e, de acordo com as aparências, aquele encontro tornaria a se repetir. Porém, mais tarde, possivelmente sob pressões, Ruth Kuehn teve que sair da Alemanha. O destino quis que sua nova residência fosse fixada próxima à do General Haushofer, famoso geopolítico. O general informou a Goebbels que tinha oportunidades não somente para a senhorita Kuehn, mas também para seus pais e irmãos. Aquelas "oportunidades" significavam ingressar, depois de um período de treinamento, no Serviço Secreto do Japão; devemos destacar, com efeito, que Haushofer trabalhava na organização do citado Serviço Secreto a pedido do governo japonês.

Em 15 de agosto de 1935, finalmente, uma família alemã desembarcou no Havaí. O pai era cientista, um elegante professor de cabelos grisalhos, bem educado de aspecto atraente. O Doutor Bernard Julius Otto Kuehn chegou com toda a sua família, exceto seu filho Leopold. Com ele vieram sua esposa Friedel, seu filho de seis anos, Hans Joachim, e sua filha Ruth. Estavam ali porque seu pai interessava-se pelo idioma japonês. Além disso, o doutor e sua filha estavam cativados pela história do Havaí. Eles percorreram meticulosamente todo o Havaí, até conhecer a topografia de suas ilhas melhor que sua própria casa. Ruth gostava da praia e dos esportes aquáticos, assim como sua família. Freqüentemente nadavam e passeavam de lancha. Friedel, a mãe, cujo aspecto era de uma matrona vulgar, escutava e observava detalhes de importância que passariam despercebidos a olhos menos avisados.

Ruth trabalhava de acordo com o plano estabelecido. Falava corretamente o inglês, dançava maravilhosamente e freqüentava todas as reuniões sociais importantes, onde se encontrava com oficiais americanos desejosos de passar uns momentos com a formosa alemã.

O doutor, por sua vez, escrevia uma série de artigos sobre os primeiros colonos alemães que chegaram às ilhas; os artigos, aparentemente, eram publicados por jornais de seu país natal.

Durante seus primeiros três anos nas ilhas, receberam cerca de 70.000 dólares, enviados a um banco de Honolulu pela Rotterdam Bank Association. Friedel, por seu turno, voltou de uma de suas viagens ao Japão com mais de 16.000 dólares.

Posteriormente, o FBI e o Serviço Secreto da Marinha calcularam que a família recebera, durante aquele período, quase 100.000 dólares.

Os Kuehn, porém, estavam a serviço de dois países. Cedidos aos japoneses pelo General Haushofer, os alemães descobriram logo seu valor. E foi assim que cópias das informações partiram rumo a Berlim, engrossando os arquivos da espionagem alemã.

No começo do ano de 1939, o Doutor Kuehn decidiu que necessitava de um lugar tranqüilo para o estudo do idioma japonês. Mudou-se, então, com sua família, de Honolulu para Pearl Harbor. A partir de então, o plano do Serviço Secreto japonês, para o qual haviam sido enviados Ruth e seu pai, começou a concretizar-se.

Ruth converteu-se na companhia favorita dos jovens e das esposas dos oficiais de marinha. Muito atraente, deu a entender, de muitas maneiras, ser uma experta no cuidado da beleza física. Por isso, quando em 1939 decidiu abrir um salão de beleza, a idéia foi recebida com entusiasmo. O êxito foi total, e a concorrência, integrada na maioria por noivas ou esposas de oficiais navais, superou todas as expectativas. Não é preciso dizer que as informações recolhidas referentes a chegadas e partidas de barcos, avarias, acidentes e alarmas iam diretamente para seus objetivos: Berlim e Tóquio. Afinal, o vice-cônsul japonês em Honolulu, Otogiro Okuda, reuniu-se secretamente com Ruth e seu pai. Okuda disse-lhes que era necessário enviar informações precisas, detalhadas e minuciosas, com dados exatos, das localizações dos barcos, aeroportos e quanta informação militar pudesse ser recolhida, com brevidade.

Kuehn começou a dar cumprimento ás instruções recebidas, iniciando longos passeios pelos molhes de Pearl Harbor, acompanhado de seu filho pequeno, excelente pretexto para deter-se ante os imponentes couraçados e estudá-los detidamente.

Os Kuehn, além da residência em Pearl Harbor, tinham uma pequena casa em Kalama, povoado situado em Oahu, perto de Pearl Harbor. Dali, pai e filha, em 2 de dezembro de 1941, utilizaram um sistema de comunicações por meio de sinais luminosos, que se constituiu em pleno êxito. Além disso, providos de poderosos binóculos, estudavam detidamente os movimentos dos barcos americanos. Os sinais, em código, eram recebidos pelo Vice-Cônsul Okuda, que, depois de decifra-los, os irradiava imediatamente a Tóquio.

Em 7 de dezembro de 1941, Ruth Kuehn abriu a janela da água-furtada e seu pai começou a fazer os sinais convencionais. Por meio destes, informaram aos japoneses quais eram os objetivos que deviam atacar e suas localizações. O Doutor Kuehn indicava os alvos, enquanto Ruth os observava por meio de seus binóculos.

Daquela pequena janela foi conduzido o ataque a Pearl Harbor, na manhã de 9 de dezembro.

Mas algo sucedeu. Aquelas luzes, quase imperceptíveis, foram localizadas pelos homens da defesa. E os Kuehn, que esperavam sair de Pearl Harbor num submarino japonês, foram detidos. O Doutor Kuehn, desesperado, atribuiu a si toda a responsabilidade do feito. Procurou por todos os meios evitar as suspeitas que recaíam sobre sua esposa e sua filha e, finalmente, resolveu revelar tudo quanto sabia. Kuehn foi condenado à morte; mais tarde, em 26 de outubro de 1942, a sentença foi comutada por 50 anos de trabalhos forçados, que seriam cumpridos em Alcatraz. Sua esposa e sua filha Ruth foram presas e, posteriormente, libertadas.

Fonte: adluna.sites.uol.com.br/

sábado, 5 de junho de 2010

Massacre de civis alemães é revelado em vídeo



Há muito se sabe que civis alemães foram vítimas dos excessos tchecos imediatamente após a rendição dos nazistas no fim da Segunda Guerra Mundial. Mas um vídeo recém-descoberto mostra um desses massacres em detalhes brutais. O vídeo deixou a República Tcheca em choque.

Por décadas as imagens ficaram esquecidas numa caixa de alumínio – quase 7 minutos de filme original em preto e branco, filmado com uma câmera 8 mm em 10 de maio de 1945, no distrito de Borislavka, em Praga, durante os confusos dias que se seguiram à rendição alemã.

O homem que fez a filmagem é Jirí Chmelnicek, um engenheiro civil e cinegrafista amador que viveu no distrito de Borislavka e queria documentar a liberação da cidade da ocupação alemã. Chmelnicek filmou tanques, soldados e refugiados pelas ruas. Então, em certo ponto, sua câmera pegou um grupo de alemães, que haviam sido expulsos de suas casas por soldados do Exército Vermelho e milicianos tchecos.

O filme de Chmelnicek mostra como os alemães foram agrupados em um cinema próximo, também chamado Borislavka. A câmera então mostra a lateral da rua, onde 40 homens e pelo menos uma mulher estão de pé de costas para as lentes. Uma pradaria pode ser vista ao fundo. Tiros são disparados e, um a um, todas as pessoas alinhadas caem mortas. Os feridos deitados no chão imploram por misericórdia. Então um caminhão do Exército Vermelho passa por cima, com seus pneus esmagando os mortos e feridos da mesma maneira. Depois, outros alemães podem ser vistos, forçados a cavar uma vala comum na pradaria.





Um choque para os tchecos


As trêmulas imagens mostram um evento que foi descrito inúmeras vezes por testemunhas e historiadores: a matança sistemática de civis alemães. Ainda assim, o filme foi um choque para os tchecos. “Até agora, não havia filmagem alguma dessas execuções”, disse o cineasta tcheco David Vondracek, que mostrou as imagens na TV. “Quando vi essas imagens pela primeira vez, senti que assistia uma transmissão ao vivo do passado”.

As únicas imagens anteriormente conhecidas haviam sido feitas por cinegrafistas da Força Aérea do Exército Americano. Mostra civis alemães feridos no chão em Plzen, na antiga Tchecoslováquia, no começo de maio de 1945. As imagens incluem alguns corpos, mas não mostra os assassinatos, do começo ao fim, como este novo filme.

O documentário de Vondracek sobre as atrocidades tchecas, chamado “Matança ao Estilo Tcheco”, foi levado ao ar pela televisão estatal tcheca dois dias antes de 8 de maio, aniversário da rendição alemã. A transmissão marca um ponto importante na conturbada relação do país com seu nem sempre agradável passado na Segunda Guerra Mundial.

Até mesmo organizações que representam os “Alemães dos Sudetos” – alemães étnicos que foram expulsos da Tchecoslováquia após o fim da guerra – tomaram conhecimento. Horst Seehofer, governador da Bavária, planeja uma viagem oficial à Praga, fazendo dele o primeiro a fazer isso desde a Segunda Guerra. “Isso é muitíssimo importante para os alemães dos Sudetos”, comentou Seehofer recentemente.




Vítimas de atos de vingança

Depois da derrota da Alemanha Nazista, os tchecos e o Exército Vermelho expulsaram cerca de 
3 milhões de alemães étnicos dos Sudetos e do resto da Tchecoslováquia. No processo, cerca de 30.000 civis foram vítimas de atos de vingança. Somente uma ínfima percentagem deles estava envolvida com a ocupação. Alemães e tchecos haviam vivido lado a lado por décadas antes da anexação da Boêmia e Morávia em 1938, duas regiões que hoje constituem a maior parte da República Tcheca.

Ninguém sabe quem liderou a expulsão dos alemães de Borislavka, nem os crimes dos quais foram acusados. Foram certamente mortos por soldados do Exército Vermelho e talvez também pela “Guarda Revolucionária” – membros da milícia tcheca. Aqueles que dispararam os tiros também podem ter sido 
antigos colaboradores tchecos, que haviam trabalhado com os alemães e agora queriam limpar seus nomes com uma mostra de brutalidade anti-germânica.
Helena Dvoracková, filha do cineasta amador Chmelnick, foi uma das primeiras a ver as filmagens. Ela não se lembra que idade tinha quando o pai montou a tela de projeção e mostrou-lhe o filme. “Não me lembro se ele disse alguma coisa sobre isso – e realmente, não há muito o que dizer”, ela disse.







“Sob a pradaria”

Seu pai manteve o filme oculto em casa por décadas. A polícia comunista até mesmo os abordou – alguém desconfiara que a filmagem existia. A polícia perguntou sobre o filme e ameaçou Chmelnicek. Mas o cineasta não entregou os rolos. Ele queria que o mundo eventualmente descobrisse o que havia sido feito ao povo indefeso naquele dia de maio em Borislavka.

Dez anos atrás, muito depois da morte do pai, Helena Dvoracková ofereceu a filmagem a um conhecido historiador tcheco, mas ele manteve o filme escondido. “
O povo me apedrejaria se eu mostrasse isso”, ele supostamente disse, e colocou o filme nos arquivos da televisão. Foi lá que o cineasta Vondracek o encontrou, após um operador de câmera que conhecia a família de Chmelnicek contar-lhe a respeito.

Hoje, Borislavka é um dos melhores subúrbios de Praga, e grama alta cresceu sobre a pradaria onde realizaram-se as execuções. Vondracek agora quer começar uma busca pela vala comum dos alemães. “
Deve estar em algum lugar sob a pradaria”, disse.

Talvez esteja perto de um monumento a dois tchecos que caíram em batalha contra os nazistas em 6 de maio de 1945.

Assista ao video: Irei corrigir o link, então acessem o documentario logo abaixo na minha conta do Youtube que tem as mesmas cenas.


Fontes: Der Spiegel, 2 de junho de 2010.
http://globalfire.tv/nj/10de/zeitgeschichte/verbrechen_an_deutschen.htm
http://www.ct24.cz/domaci/89000-zabijeni-po-cesku-drasticke-zabery-vrazdeni-nemeckych-civilistu/


Coloquei todos os videos na minha conta do youtube .
Link do documentario Töten auf Tschechisch - Die andere Seite der Vertreibung (Massacre de alemães ne Tchecoslováquia - O outro lado da expulsão).

Massacre de alemães ne Tchecoslováquia - O outro lado da expulsão - 1 de 4 

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Diário de Kurt Gerstein


Kurt Gerstein, oficial da SS da seção de 'serviço sanitário', escreveu estas linhas em seu diário, sobre o campo de extermínio de Belzec, antes de seu suicídio em 1945:

"Logo a seguir começa a marcha. À frente uma mocinha muito bonita; Caminham ao longo da avenida, completamente nus, os homens as mulheres, as crianças. Estou junto do capitão Wirth, responsável pela organização do extermínio, na escada exterior de um só lance que há entre as câmaras. As mães - que apertam nos braços seus bebês - sobem, hesitam, entram nas câmaras da morte. À esquina um corpulento SS, com voz sonora e afável, diz àqueles desgraçados 'nada vai acontecer de mau! Basta respirar fundo nas câmaras; Isto fortalece os pulmões e é um meio preventivo contra as doenças e epidemias'.
Aos que indagam sobre o destino que os espera, responde:
'Evidentemente os homens terão de trabalhar, construir casas e ruas. As mulheres tratarão da casa e da cozinha'. Isto representava a última esperança, capaz de os fazer caminhar sem resistência até as câmaras da morte. A maioria porém conhece a sua sorte, pois o cheiro dominante é bastante eloqüente. Sobem uma pequena escada e abrangem tudo num último olhar: As mães com seus filhos apertados contra o peito,
crianças de tenra idade, velhos, homens, mulheres, totalmente nus; Vacilam, mas entram empurrados pelos que vêm atrás, ou pelas vergastadas dos SS, a maioria sem dizer uma palavra. Uma judia de cêrca de 40 anos, de olhos ardentes, amaldiçoa os assassinos:
'Que o nosso sangue caia sobre vocês!' E, tendo recebido 5 ou 6 chicotadas no rosto, dadas pelo próprio capitão Whirth, desaparece na câmara de gás. Muitos rezam, e eu rezo com eles. Vou para um recanto e oro ao meu Deus que é também o Deus deles. Queria entrar ao seu lado nas câmaras de gás. Quanto teria gostado de morrer da mesma morte! Se houvessem encontrado então nas câmaras de gás um oficial SS de uniforme, julgariam tratar-se de um acidente e não voltariam a falar no caso. Mas
não devo fazê-lo.
Primeiro tenho que denunciar o que vi aqui. A câmaras lotam. 'Encher bêm!', ordenara Wirth. A pessoas estão de tal modo apertadas que pisam os pés uma das outras. Há 700,800 em 25m2 e 45 m2. Os SS os colocam como numa prensa, tal como folhas de um livro. As portas são fechadas. Enquanto isso, os outros estão do lado de fora à espera, completamente nus, no inverno ou no verão.
'Estão aqui para morrer', diz um SS.
Compreendo então a inscrição que vi na entrada 'Fundação Heckenholt'. Heckenholt é o encarregado do Diesel, um dos 3 ou 4 técnicos encarregados que construíram a instalação. São os gases de escape do diesel que matam aqueles infelizes. O diesel põe-se em movimento e até este instantes, todos permaneciam vivos: 4 vêzes 750 homens em 4 vêzes 45 m3. Decorreram mais 25 minutos. Agora muitos já morreram.
Pode-se ver pela vigia: Uma lâmpada elétrica ilumina por momentos o interior da câmara. Passados 28 minutos, poucos restam com vida. 32 minutos: todos morreram.
Do lado de fora os homens do Kommando de trabalhadores abrem as portas de madeira. Como colunas de basalto, os homens ainda estão de pé nas câmaras, sem o menor espaço para cair ou dobrarem-se sobre si próprios.
A morte não separou os que pertencem às mesmas famílias, pois estão de mãos dadas. Custa muito a separá-los quando as câmaras são esvaziadas para o próximo carregamento. Despejam-se os corpos úmidos de suor e urina, as pernas cobertas de fezes. Atiram-se pelo ar os cadáveres das crianças. Não há tempo a perder. Duas dezenas de dentistas revistam as bocas com ganchos. Ouro à esquerda; não há ouro, à direita. Outros dentistas, com a ajuda de pu\inças e martelos, arrancam as peças de ouro e as coroas.
Entre eles, vai e vêm o capitão Wirth. Está no seu elemento. Procura-se nos cadáveres o ouro, os diamantes e as jóias.
Wirth chama:
'Veja o peso desta lata cheia de dentes de ouro. São os despojos de ontem e anteontem'.
Numa linguagem incrivelmente cínica, dis-me:
'Não pode imaginar a quantidade de ouro, diamante e dólares que encontramos todos os dias! Vá ver com seus próprios olhos!'
Wirth é capitão do exército imperial austríaco, cavaleiro da cruz de ferro, e tem agora a seu cargo o campo de kommandos dos trabalhadores judeus. Nem em Belzec nem em Treblinka pessoa alguma se incomodou em contar ou em fazer o registro dos mortos. Os números eram calculados por aproximação, segundo o conteúdo dos vagões. O capitão Wirth rogou-me que não propusesse em Berlim, nenhuma modificação nas instalações quedirigia visto haverem provado sua eficácia.
No dia seguinte, 19/08/1942, partimos no carro do capitão Wirth para Treblinka, a 120 km de Varsóvia. A instalação eram mais ou menos a mesma, porém muito maior que em Belzec. 8 câmaras de gás e montanhas de malas e roupas. Ofereceram um banquete em nossa honra, ao velho estilo alemão, tão típico de Himmler. A comida foi simples, mas abundante. Himmler ordenara que se entregasse aos homens do kommando todas as bebidas alcoólicas, a carne e a manteiga que desejássem."
No fim:
"Tenho consciência da importância trágica dos fatos expostos e posso certificar, sob juramento diante de Deus e dos homens, que nada do que disse é inventado. Tudo é inteiramente exato."

Texto extraido do livro: 'Seleções do reader's digest -Grande Crônica da 2a. Guerra Mundial(Vol. 2 de 3) - De Pearl Harbor a Stalingrado'

Fonte:
http://holocausto-doc.blogspot.com.br/2010/06/relato-ss-kurt-gerstein-campo-de-exterminio-de-belzec.html (tem mais informações)

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Irma Grese - "A Bela Besta"

Resumo:
Irma Grese (Wrechen, 7 de outubro de 1923 — Hameln, 13 de dezembro de 1945) foi uma supervisora de prisioneiros nos campos de concentração de Auschwitz-Birkenau, Bergen-Belsen e Ravensbruck, durante a Segunda Guerra Mundial. Apelidada de "A Cadela de Belsen" pelos prisioneiros deste campo por seu comportamento sádico e perverso, foi uma das mais cruéis e notórias criminosas de guerra nazistas, executada na forca pelos Aliados ao fim do conflito.

Filha de um leiteiro filiado ao Partido dos Trabalhadores Alemães Nacional-Socialistas e de u'a mãe suicida, Irma deixou a escola aos quinze anos de idade, devido ao pouco empenho aos estudos e a seus interesses fanáticos em participar da Bund Deutscher Mädel (Liga da Juventude Feminina Alemã), que seu pai não aprovava. Entre outras atividades, trabalhou dois anos num sanatório da SS e tentou, sem sucesso, se formar como enfermeira.

Em 1942, com 18 anos, se apresentou como voluntária para treinamento no campo de Ravensbruck, o que fez com que fosse expulsa de casa pelo pai, contrário a este trabalho. Ente 1943 e 1945, ela atuou em Auschwitz, Ravensbruck e Bergen-Belsen, tres campos nazistas de extermínio, sendo presa em 15 de abril de 1945 pelos britânicos no último deles, junto a outros integrantes da SS.

Irma foi um dos principais réus no julgamento de criminosos de guerra de Belsen, realizado entre setembro e dezembro de 1945. Sobreviventes dos campos testemunharam contra ela, acusando-a de assassinatos e torturas. Sempre usando pesadas botas, chicote e um coldre com pistola, entre outros atos Irma era conhecida por jogar cachorros em cima dos presos para devorá-los, assassinar internos a tiros a sangue frio, torturas em crianças, abusos sexuais e surras sádicas com chicote até a morte. Em seu alojamento após a captura do campo, foram encontrados abajures com as cúpulas feitas de pele humana, de tres prisioneiros judeus assassinados e escalpelados por ela.

Condenada à forca - aos 22 anos a mais jovem condenada à morte sob leis britânicas no século XX - foi executada na prisão de Hameln, Alemanha, em 13 de dezembro de 1945 e suas últimas palavras ao carrasco foram: "Schnell!" (Rápido!).



Irma Ilse Ida Grese nasceu a 7 de outubro de 1923, em Wrechen, um pequeno vilarejo na região rural de Mecklenburg Vorpommem Brandenbrug, entre as cidades de Feldberg e Fürstenwerder. Seu pai, Alfred Anton Albert Grese, nascido em 1899, pessoa de índole conservadora, era agricultor e se filiou ao partido nazista em 1937. Sua mãe, Bertha Grese (Berta Wilhelmmine Winter, nascida em 1904), descobre que seu marido tinha tido encontros com a filha de um dono de um bar e, aparentemente, por causa deste motivo, comete suicídio em 1936, bebendo ácido clorídrico. Em 1939 seu pai casa-se novamente. Sua segunda esposa, uma viúva, trás com ela 4 crianças. Eles tem depois uma filha. Irma foi a terceira de cinco crianças (Alfred; Lieschen, nascida em 1921; Irma, nascida em 1923; Helene, nascida em 1926 e Otto, nascido em 1929). Sua irmã, Helene, foi depoente em seu julgamento depois da guerra. Irma, juntamente com sua irmã Helene, desejaram ingressar na BDM (Bund Deutscher Mädchen - Liga das Moças Alemãs), uma agremiação feminina da Juventude Hitlerista. Na pequena Wrechen, com 175 habitantes, não havia nenhum grupo da BDM. Seria necessário ir até a cidade vizinha de Fürstenhagen de bicicleta. Porém, Alfred proibiu suas filhas de irem até lá, assegurando que isto era muito perigoso. Em 1938 ela terminou a escola elementar e trabalhou durante seis meses em uma fazenda, e em seguida em uma loja, em Lychen, por seis meses. Aos 15 anos fez um estágio, que durou dois anos, em um hospital para convalescentes, mais tarde sob a direção da SS, em Hohenlychen. Ela tentou tornar-se enfermeira mas uma mudança de trabalho não lhe permitiu e foi trabalhar em uma leiteria em Fürstenburg. Em julho de 1942, ainda com 18 anos, ela tentou novamente ser enfermeira, mas com uma nova troca de trabalho (provavelmente devido a um intercâmbio de trabalho, sob a tutela do diretor do hospital de Hohenlychen, o SS Dr. karl Gebhardt), foi enviada para o campo de concentração de Ravensbrück, embora protestasse contra isso. Esse campo foi usado como um campo de treinamento para muitas guardas femininas SS, tendo como instrutora chefe de treinamento, a jovem Dorothea Binz. Tecnicamente as guardas femininas eram classificadas como SS-Gefolge, sendo apenas um grupo auxiliar e não membros, propriamente dito, da Ordem SS, que era uma elite tipicamente masculina. Eram pessoas contratadas pelo governo (Reichsangestellte), que recebiam salário por seus serviços mediante um contrato. Como Aufseherin (Supervisora), Irma recebia um salário de 54 Reichsmarks. Ela ficou alí até março de 1943 quando foi para Auschwitz Birkenau, na Polônia, onde permaneceu até 18 de janeiro de 1945. Em Auschwitz, trabalhou no início nos Campos “A” e “B”, atuando em várias atividades, incluindo operadora de telefone na sala do bloco do comando, trabalhou dois dias no Strafkommando (um comando de punição). Também trabalhou durante duas semanas, em um outro comando, o StraussenbauKommando (companhia de abertura de estradas), também de punição. No outono, na direção do jardim (Gartenführerin), durante dois meses. Em dezembro foi para o escritório de censura do correio. Em maio de 1944 supervisionou o “Campo C”, parte de Birkenau, com 20 a 30.000 pessoas, então ocupado por mulheres judias polonesas e depois por húngaras, onde ficou até o final do ano. No dia 1º de janeiro de 1945 foi promovida e transferida para Auschwitz I, onde supervisionou, por duas semanas, dois blocos da ala dos homens. Em 18 de janeiro, devido a evacuação do campo, frente ao avanço do exército russo, ela retornou ao campo de concentração de Ravensbrück antes de ser transferida, em março, a seu pedido, para Bergen-Belsen (seu namorado, o SS Oberscharführer Franz Wolfgang Hatzinger estava em Bergen-Belsen). Hatzinger era Chefe do Departamento de Construção na administração de Auschwitz I. Ele foi transferido para Bergen-Belsen por volta de fevereiro de 1945, porém morreu de tifo em 23 de abril de 1945. O comandante Josef Kramer concede a ela permanecer em Belsen. Em Belsen, entre outras atividades, teve o encargo de Arbeitsdienstführerin (líder de grupo de trabalho), coordenando turmas de trabalho. Durante o período que vai da primavera de 1942, quando ainda trabalhava em Fürstenburg, ela visitou a familia apenas duas vezes, sendo que a última vez foi em 1943, quando discutiu com o pai e foi expulsa de casa, pois não a queria envolvida na SS. Ela não voltou mais para casa.


Irma Grese e Josef Kramer

O Julgamento e as Acusações
Belsen foi libertada pelos ingleses em 15 de abril de 1945. Nesse dia, depois de um cessar fogo, acordo feito pelo exército alemão, permitiu-se que os ingleses tomassem controle do campo e no centro de treinamento do exército alemão, adjacente ao campo. Uma testemunha da libertação, Lolo Lewis, soldado britânico de 20 anos, recordou que quando ele chegou em Belsen, o comandante Kramer e sua assistente, Irma Grese, estavam nos portões, em posição ereta, para recebê-los. Embora a maior parte do pessoal do campo já tivesse escapado no dia anterior, 80 dos membros do pessoal permaneceram em seus postos com ordem de ajudarem os britânicos, inclusive o comandante. No dia 17 todos os membros da SS foram desarmados e presos. Também foram presos 12 dos Kapos, prisioneiros de confiança, apontados como supervisores de campo. A partir do dia 18 iniciou-se o sepultamento dos mortos que estavam espalhados pelo campo. Os britânicos forçaram deliberadamente os membros da SS a usarem unicamente suas mãos para o sepultamento de cadáveres de prisioneiros que morreram de doenças contagiosas. Em um documentário filmado, um oficial britânico disse que os alemães estavam sendo punidos, não sendo permitido que usassem luvas para manusearem os corpos. Durante 10 dias foram sepultados cerca de 13.000 corpos. Vinte destes 80 guardas morreram depois que os ingleses assumiram o controle, sendo que a maior parte deles morreram de tifo, mas outros foram envenenados com ptomaína, na comida servida pelos britânicos. Em 29 de abril, Irma e outros 44, foram transferidos para a prisão de Celle, cidade a 16 km a noroeste do campo, onde permanceram até o pronunciamento do julgamento de 17 de novembro. Eles foram acusados de crimes de guerra pela Corte Militar Britânica, sob Autorização Real de 14 de junho de 1945, com várias acusações de assassinato, maus tratos aos internos dos campos de concentração de Auschwitz e Bergen Belsen. Foram realizadas duas cortes para os julgamentos, sendo que a 1ª Corte relatava as atividades de Bergen-Belsen e a 2ª Corte as atividades de Auschwitz (ambas dentro do período de 1º de outubro de 1942 a 30 de abril de 1945). Os julgamentos foram realizados na cidade de Lüneburg, a poucos kms ao norte do campo, entre 17 de setembro a 17 de novembro de 1945. Todos os acusados foram representados por um procurador judicial. Irma Grese foi defendida pelo Major L.S.W. Cranfield.

No 1º processo, o de Belsen, o promotor Cel. T.M. Backhouse aludiu o seguinte contra Irma Grese: "Nr. 9, Grese, foi Aufseherin em comandos de trabalho e temporariamente Aufseherin de punição de mulheres, em Auschwitz. Ela foi descrita como a pior mulher no campo, e não havia um tipo de crueldade que aconteceu naquele campo pelo qual ela não foi conhecida como sendo responsável. Ela participou regularmente de seleções para a câmara de gás, fazendo punições por conta própria, e quando ela veio para Belsen ela continuou precisamente do mesmo modo. Ela, também, especializou em lançar cães em pessoas."


Irma Grese na Prisão de Celle

Muitos dos sobreviventes de Bergen Belsen testemunharam contra Irma, que rejeitou a culpa contra várias acusações. Eles forneceram extensos detalhes de assassinatos, torturas, crueldades e excessos sexuais empregados por Irma Grese durante seus anos em Auschwitz e Bergen-Belsen. Sobreviventes de Auschwitz testemunharam que ela usava habitualmente botas, carregava um chicote e uma pistola e que estava sempre acompanhada por um cão feroz. Declararam que seus atos eram de puro sadismo e que tinha satisfação sexual com atos de crueldade, batendo em prisioneiras com seu chicote de equitação e usando prisioneiros para satisfazer suas inclinações bissexuais sádicas. Apesar de tais afirmações, sobre seus "excessos sexuais", publicadas em livros, posteriores a guerra, tais fatos nunca foram realmente comprovados, pois eram declarações isoladas, relatadas principalmente por Olga Lengyel e Gisela Perl, e não de conhecimento geral. Falou-se que ela usava métodos físicos e emocionais para torturar os internos dos campos e que batia em prisioneiras até a morte e atirava em outras a sangue frio. Afirmou-se que tinha sido encontrado em sua barraca, em Birkenau, um abajour, que ela mandou fazer, com a pele de três prisioneiras, porém, tal abajour nunca foi visto ou foi encontrado qualquer vestígio de sua existência. As acusações de assassinato foram feitas em depoimentos juramentados, mas nenhuma delas foram confirmadas, pois não foram citados nomes das vítimas. As mais sérias acusações contra ela eram de que ela estava presente quando os prisioneiros eram selecionados para a câmara de gás, em Birkenau, e que ela tinha participado em forçar as mulheres a fazer fila para a inspeção do Dr. Mengele. Ela admitiu em seu julgamento chicotear prisioneiros e também bater com uma vara, apesar de saber que ambas as práticas eram contrárias as regras do campo. Negou que tivesse um cão, que tivesse espancado até a morte ou atirado em algum prisioneiro. Negou ter selecionado prisioneiros para as câmaras de gás, embora estivesse presente na formação das filas e, fato importante, é que somente os médicos tinham autoridade de fazerem seleções. Muitas das acusações, tanto durante o julgamento, através de depoimentos juramentados, ou, até mesmo publicados depois da guerra, nunca foram realmente comprovados e, desta forma criou-se um mito de beleza e crueldade, hoje conhecida como a "Bela Besta". Entretando, questionada, durante o julgamento, se era culpada ou não, disse: “ Sem culpa."


Nº 8, Herta Ehlert; Nº 9, Irma Grese; Nº 10, Ilse Lothe

Fala Final de Defesa do Major Cranfield a favor de Irma Grese
"Foi declarado por Diament que Grese era encarregada de comandos de trabalho em Auschwitz e Belsen, mas a evidência dos acusados e de outros tinham provado que ela tinha sido Arbeitsdienstführerin no campo e não tinha sido encarregada de tal comando. Em Auschwitz ela declarou que ela tinha tido um Kommando vegetal por um mês ou dois, e houve uma certa divergência entre a promotoria e ele mesmo quanto a saber se ela teve ou não um Strafkommando; aparte destes dois comandos de trabalho ela tinha obrigações no campo o tempo todo. O Conselho alega que as acusações de Diament sobre a severidade de seu tratamento aos internos era exagerada e era evidente que tinham sido a linguagem conduzida pelo interrogador. Dunklemann tinha declarado que a chefe feminina S.S que lidou com ela tinha aproximadamente 30 anos, mas naquele momento Grese teria tido 20 e eles tinham ouvido de uma testemunha que em um campo de concentração uma mulher de 20 olhou sua idade dela duas vezes. Dunklemann alegou que Grese batia nos internos com um bastão de borracha e os chutava – negado pela acusada – durante a Chamada por não ficarem paradas ou outros assuntos triviais durante as revistas. Como poderia esta mulher que permanecia ela mesma nas revistas e não estava encarregada, sabia porque o castigo era infligido? Quatro outras declarações de jovens mulheres com idade de 20, 26, 20 e 27 confirmaram o que Dunklemann disse. O Conselho desejou recorrer novamente às circunstâncias nas quais estas acusações em comum tinham sido feitas em Belsen, e que enquanto Dunklemann identificava a pessoa acusada os outros não, e eles estavam de fato em Auschwitz somente durante três semanas. Um mês depois que elas fizeram seu primeiro depoimento elas fizeram um segundo, identificando Grese por uma fotografia. Klara Lebowitz alegou que a acusada era encarregada da Chamada que acontecia duas vezes por dia e às vezes durava três ou quatro horas. Será que o Tribunal acredita que qualquer pessoa que tinha que fazer uma lista de chamada permitiria que estas revistas durassem oito horas por dia? Isso não era uma tolice absoluta? A deponente declarou então que Grese frequentemente fazia os internos ficarem por horas a fio sobre seus joelhos. Grese tinha admitido fazer nas ocasiões os internos ajoelharem na Chamada, mas a razão era fazer a contagem mais fácil. Será que o Tribunal considera isto um crime de guerra por ordenar internos a se ajoelharem de forma que eles pudessem ser contados?

Katherine Neiger declarou que a Chamada começava as 03:00 horas e ia até as seis horas. Alguém iria começar uma lista de chamada na escuridão e deixaria isto continuar até as seis horas se ela tinha que assistir a isto? Isso era obviamente falso, e o Tribunal tem que aceitar a evidência da acusada e da testemunha de que as revistas começaram as 06:00 horas e estes nunca iam por períodos muito longos. Neiger ficou em Auschwitz durante somente dez dias, mas ela disse que pessoas foram mantidas no Campo C por cerca de uma quinzena. Como ela poderia ter possivelmente conhecimento disto?

Trieger, que, quando ela foi para Auschwitz, teria tido 17 anos, disse em sua deposição que Grese estava em Auschwitz desde junho de 1942, mas a acusada, quando no box das testemunhas, disse que chegou em março de 1943, e isso não foi interrogado pelo erudito promotor. Triszinska alegou que a acusada tinha um cão, mas Grese negou e sua negação tinha sido confirmada por outros dos acusados e outras testemunhas de Auschwitz. O seu nome não tinha sido determinado a este respeito por Kopper quando no box das testemunhas. Triszinska também alegou que ela tinha visto Grese no Bloco 25 ajudando e usando força para carregar as mulheres para dentro dos caminhões. Grese havia negado que ela estivesse no Bloco 25, e Volkenrath tinha dito que aquele bloco estava fora dos limites para todas as Aufseherinnen. Kopper, em sua declaração, disse que Grese tinha chegado em Ravensbrück em 1941, e quando no box das testemunhas ela pôs isto até mais cedo – 1940. Isto era incompatível com a história da acusada quando ela disse que ela tinha chegado em Ravensbrück em 1942, e isso não tinha sido provocado pelo promotor. Kopper alegou que Grese tinha sido uma Blockführerin em Auschwitz mas em evidência, ela disse que ela era encarregada das revistas de todos os blocos. Estava perfeitamente claro o que fazia uma Blockführerin. Como pôde Kopper, com toda a sua experiência, razoavelmente ter cometido um engano estúpido como este? Em evidência, Grese disse que ela só tinha sido encarregada do kommando de punição durante dois dias e encarregada do Strassenbaukommando durante duas semanas, mas Kopper alegou que ela era encarregada do Kommando de punição de 1942 a 1944, e encarregada da companhia de punição que trabalhava fora do campo durante seis meses. Ele tentou conseguir que Kopper reconciliasse estas duas declarações, mas ela foi incapaz de fazer isso. A história da acusada era que durante aquele período ela fazia obrigações no telefone nos Campos A e B, mas quando isto foi colocao para Kopper, Kopper tinha dito que somente homens fizeram estas obrigações. Se isso fosse verdade, Grese teria vindo aqui e contaria uma mentira muito estúpida sem objetivo nisto? O Conselho submeteu que o Kommando de punição do qual Kopper falou era o Kommando Vístula, e naquele Kommando estava Lohbauer. Em nenhum momento Grese teve qualquer coisa que fazer com o Kommando Vístula. Ela teria tomado conta por si mesma, a única Aufseherin, do forte Kommando 800, como um homem S.S., sob ela, de acordo com a história de Kopper? Kopper descreveu como os prisioneiros eram ordenados a irem até a cerca e eram fuzilados pelas sentinelas à taxa de 30 por dia. Era provável que algum interno pudessem enganar e desafiar uma sentinela, e se 30 prisioneiros tinham sido mortos a cada dia, não haveria em algum lugar alguma confirmação daquela história? O Conselho então revisou partes adicionais da declaração de Kopper de que o que ela mantinha era absurdo e só provava que ela era uma mentirosa viciada e que nenhuma palavra que ela disse poderia ser confiada por um momento, deixando de ser usada como evidência contra Grese.

Com respeito à evidência oral, Szafran alegou que ela viu Grese bater em uma jovem em Belsen com um chicote de equitação. Esta foi a única alegação de algum espancamento em Belsen por ela. Grese foi perfeitamente franca e disse que ela tinha batido em internos com uma vara e intencionava ferí-los mas que em nenhum momento em Belsen ela carregou uma vara ou golpeou um interno com qualquer coisa diferente de sua mão. Não havia nenhuma menção deste incidente no depoimento de Szafran. Ilona Stein tinha dado evidência de disparos em três pessoas durante uma revista quando elas tentaram se esconder. Grese notou as tentativas e ordenou a um dos guardas S.S. atirar. Mas em sua declaração somente uma mulher foi falada, e o Conselho sugeriu que isto foi uma confusão de dois ou três incidentes e não era o tipo de evidência suficiente para apoiar uma acusação de assassinato. Aparte disso, estava provado que uma Aufseherin tinha algum poder para dar uma ordem a um guarda S.S. para atirar em uma mulher? O segundo assunto do qual Stein tinha falado era sobre uma mãe e filha que estavam falando sobre a cerca de um setor a outro. Era possível que se Grese tivesse visto duas mulheres fazendo algo contrário dos regulamentos do campo ela teria ido e poderia as ter golpeado, mas a evidência na declaração era de que ela tirou o seu cinto de couro e bateu na mulher com ele. Aquele cinto de couro tinha foi manufaturado para o Tribunal, e ele era tão leve e inconsistente que uma pessoa dificilmente poderia ter conhecimento de uma pessoa que foi furada com isto, permitindo só bater.

A testemunha Klein tinha dito que Grese tinha lhes dado fazer esporte por meia hora, i.e. treinamento físico, em Belsen, e alegou que enquanto isto acontecia ela os batia e infligia várias torturas. Nos interrogatórios estes não tinham chegado a nada, mas tinha sido colocados para fazer a melhorar a história. Durante todo o caso este exagero tinha estado em evidência e quando desafiado não tinha chegado a nada. Os espancamentos mencionados por Bimko tinham se transformado em uma caixa de opiniões. Em três ou quatro ocasiões tinha sido feita uma pergunta perfeitamente simples a Bimko no interrogatório – e ela era foi uma das poucas com inteligência – e ela tinha mentido e recusou a responder no caso em ela deveria dizer uma palavra que poderia estar a favor de algum dos acusados.

Muito se ouviu falar sobre tiros no campo de Belsen, mas muito pouco sobre isso em Auschwitz. A única sugestão que alguém teria sido alvejado em Auschwitz foram as acusações contra Grese. Comparado com Belsen, Auschwitz era normalmente um campo organizado e competentemente administrado, e lá não houve confirmação de todos os incidentes de tiros. Os acusados do Conselho estiveram em Belsen durante um tempo muito curto, e devido as condições caóticas do campo haviam muito poucas partes de funcionamento; seus três acusados em Belsen estavam todos preocupados com comandos de trabalho."


Fala Final do Promotor Cel. T.M. Backhouse contra Irma Grese
A próxima acusada, Grese, é uma mulher curiosa, que é bastante franca sobre quase tudo o que foi alegado contra ela. Ela foi treinada em Ravensbrück, e ela disse que tinha se alistado na SS. Se ela estava alistada na SS, por que você acha que seu pai bateu nela e a expulsou de casa? A irmã de Grese disse que quando elas eram crianças elas queriam estar no Bund Deutscher Mädchen mas o pai delas não permitiu, mas Grese tinha ambições de estar dentro do Movimento da Mocidade Nazista antes dela ter que trabalhar fora, e quando ela volta vestida com o uniforme de um campo de concentração seu pai lhe bate e expulsa de casa. Esta é uma das duas coisas deque ela estava fazendo contra a sua vontade, ou ela lhe falava de coisas que estavam acontecendo e o que ela estava fazendo. Ela se graduou de Ravensbrück para Auschwitz, e seu primeiro trabalho, de acordo com ela, tinha o dever de telefonista na sala do Blockführer, embora Kopper dissesse que eles nunca empregaram mulheres naquele dever. Ela admite ter o encargo do Strafkommando durante dois dias, porque, eu submeti, Völkenrath que já tinha dito o mesmo. Kopper diz que ela tomou conta deste Kommando durante uns sete meses. Você se lembra da história de enviar judeus para buscarem coisas além do arame e a história de Kopper do resultado da investigação. Você pode imaginar Kopper inventando tal história extraordinária? Então ela toma conta do kommando da jardinagem, e você tem sua história de que ela estava montada em sua bicicleta com o cão. Ela nega sempre ter tido um cão, e diz que embora ela tivesse uma bicicleta ela nunca usou porque isto não era permitido a uma Aufseherinnen. Você tem as histórias de Rozenwayg, Watinik e Triszinska dela estar encarregada deste Kommando, com Lothe como Kapo e lançando um cão nelas. Então ela voltava para seus deveres do campo e ia para a agência postal. Está claro na evidência de Hoessler que ela também tinha que ajudar o Blockführer pela manhã quando os destacamentos de trabalho vinham, e novamente você tem vários incidentes que aconteceram quando ela estava agindo como Blockführerin. Então, bem de repente, esta jovem garota é colocada no encargo de Aufseherinnen no Campo C, o campo onde o gaseamento de húngaras está a ponto de começar. Ela é encarregada de 30.000 pessoas. Você ouviu falar do chicote de celofane que, ela disse, foi feito para ferir. No Campo C havia longas Chamadas que às vezes duraram de três a quatro horas. Ela disse: "Eu levava uma vara e se as pessoas evadissem destas seleções eu os arrastava de volta, e as chicoteava". Ela é bastante franca sobre isto, e em sua própria confissão eu sugiro que, em Auschwitz, há ampla evidência para mostrar que ela estava maltratando, enquanto batia e prolongava a Chamada. Então ela vem a Belsen e é feita Arbeitsdienstführerin, e novamente você tem as histórias como ela batia nas pessoas. Ela permanecia no portão batendo nelas, ela bateu em garotas que trabalhavam na cozinha, e ela batia nas pessoas e as faziam fazer esporte. Ela disse: "Embora eu carregasse um chicote e arrebatava pessoas em Auschwitz, pela mesma razão eu nunca fiz isto em Belsen. Eu sempre usei minhas mãos em Belsen, embora em Belsen os prisioneiros estavam tão horrendos que eu não gostava de tocá-los". Até agora, na medida que esta garota está preocupada, sua irmã disse que quando ela era uma criança ela era uma criança amedrontada e uma pequena covarde que corria, e ela adotou esta doutrina do Nazismo no qual o covarde se transforma no tirano. Ela foi para Ravensbruck e lá ela achou sua coragem, porque as pessoas desafiadas não batiam de volta. Em Auschwitz ela tinha seu revólver e chicote de celofane, e com cerca de 21 anos ela tem o encargo de 30.000 mulheres. Ela não fez nenhum segredo disto. Ela batia nelas, e quando ela veio para Belsen você pode duvidar que ela continuava agindo do mesmo modo?"

A Sentença

No 54º dia do julgamento foi pronunciada a sentença do tribunal. Os acusados tiveram que ficar em grupos nos degraus da segunda e terceira bancada. Irma Grese foi conduzida junto a Elisabeth Volkenrath e Johanna Bormann. Elas foram consideradas culpada em ambas as cortes. Dos acusados, foram declarados culpados 8 dos homens e 3 mulheres, sentenciados a morte e outros 19 a vários termos de encarceramento. Foram passadas penas de morte para oito dos homens, que receberam a seguinte sentença:

O PRESIDENTE - "Nº. 1 Kramer, 2 Klein, 3 Weingartner, 5 Hoessler, 16 Francioh, 22 Pichen, 25 Stofel, 27 Dorr. As sentenças deste Tribunal para cada um de vocês de quem eu nomeei há pouco é que vocês sofrerão morte por enforcamento."

Semelhantemente três mulheres receberam a penalidade máxima, com a seguinte sentença:

O PRESIDENTE - "Nº 6 Bormann, 7 Volkenrath, 9 Grese. A sentença deste tribunal é que vocês sofrerão morte por enforcamento."

“Elizabeth Völkenrath, em lágrimas, olhava longinguamente para o alto, com a respiração pesada; Johanna Bormann mergulhou em sí mesma; mas Irma Grese permanceu com o rosto invariável e principiou ir embora. Mulheres da polícia militar conduziram as três mulheres para fora." Ela mostrou pouca emoção do início ao fim quando a sentença de morte foi traduzida para o alemão como “Tode durch den Strang", literalmente, morte pela corda. No dia 22 de novembro os condenados fizeram um pedido de objeção contra o julgamento ao Marechal Montgomery, porém, este rejeitou no dia 8 de dezembro de 1945, todos o pedidos de clemência.

A Execução
Ela, Elisabeth Völkenrath, Johanna Bormann e os oito homens foram transferidos para a prisão de Hameln, na Westfalia, para aguardar a execução. Os sentenciados, juntamente com outros dois homens que foram condenados pela Comissão de Crimes de Guerra, Otto Sandrock e Ludwig Schweinberger, foram albergados em pequenas celas ao longo de um corredor, em cujo final os engenheiros do exército britânico construiram a câmara de execução com o patíbulo.


Albert Pierrepoint

Albert Pierrepoint, (carrasco oficial, executou de 1932 a 1956, cerca de 433 homens e 17 mulheres, dos quais 200 eram nazistas), foi o encarregado para conduzir as execuções, planejada para o dia 13 de dezembro de 1945, numa quinta-feira. As mulheres foram levadas separadas para o enforcamento e os homens foram aos pares para apressar o processo. Visto que os prisioneiros podiam escutar o som do alçapão caindo a cada execução, ficou decidido que Irma, sendo a mais jovem, deveria ser a primeira, para ser poupada do trauma de escutar a execução dos outros.

Em suas memórias, "Executioner", Albert Pierrepoint descreve os fatos relatando os preparativos e as execuções:

Afinal nós terminamos anotando os detalhes dos dez homens, e RSM O'Neil ordenou "Tragam Irma Grese." Ela caminhou fora de sua cela e veio em nossa direção sorrindo. Ela parecia como uma jovem bonita como alguém sempre desejaria encontrar. Ela respondeu as perguntas de O'Neil, mas quando ele perguntou sua idade ela pausou e sorriu. Eu achei que nós ambos estavamos sorrindo com ela, como se nós percebêssemos o embaraço convencional de uma mulher que revela a sua idade. Eventualmente ela disse "vinte e um", que nós sabíamos estar correto. Esta jovem loira de vinte e um, que habitualmente levava um chicote de equitação para chicotear os prisioneiros até a morte, tinha, isso foi declarado por um dos guardas de sua categoria no campo, sido responsável por pelo menos trinta mortes em um dia. O'Neil lhe pediu que pisasse na balança. "Schnell!" ela disse - "Rápido!" ...

...."Eu fui despertado por um ordenança às seis horas da manhã seguinte. Sexta-feira 13 de dezembro de 1945. ... "

...."Nós subimos os degraus às celas onde os condenados estava esperando. Um oficial alemão à porta que conduzia ao corredor com a porta aberta e nós andamos além da fileira de rostos e para dentro da câmara de execução. Os oficiais permaneceram em atenção. O Brigadeiro Paton-Walsh estava com o seu relógio de pulso erguido. Ele me fez o sinal, e um suspiro de respiração libertada foi audível na câmara, eu caminhei pelo corredor. "Irma Grese," eu chamei. Os guardas alemães rapidamente fecharam todas as grelhas dos doze orifícios de inspeção e abriu uma porta. Irma Grese saiu. A cela era muito pequena para eu entrar, e eu tive amarrá-la no corredor. "Siga-me," eu disse em inglês, e O'Neil repetiu a ordem em alemão. Ela entrou na câmara de execução, contemplou por um momento os oficiais que estavam de pé em volta dela, então caminhou para o centro do alçapão onde eu tinha feito uma marca de giz. Ela permaneceu muito firmemente nesta marca, e quando eu coloquei o capuz branco sobre sua cabeça ela disse com voz desfalecida: "Schnell." Após o impacto da queda, o médico me seguiu para dentro do fosso e pronunciou a sua morte. Depois de vinte minutos o corpo foi retirado e colocado em um esquife pronto para o enterro."


Prisão de Hameln

Seguiu-se um rápido sepultamento no pátio adjacente da prisão. Em 1954, seu corpo, assim como o dos demais, foram exumados e transferidos para um cemitério vizinho, Am Wehl, onde seus túmulos permancem até hoje.

Prisão de Hameln, 13.12.1945
Horário das Execuções:
09.34 - Irma Grese
10.03 - Elisabeth Völkenrath
10.38 - Johanna Bormann
12.11 - Josef Kramer e Dr. Fritz Klein
12.46 - Karl Francioh e Peter Weingärtner
13.15 - Intervalo (almoço)
15.37 - Ansgar Pichen e Franz Hössler
16.16 - Wilhelm Dörr e Franz Stöfel

Irma Grese

Herança de 12.12.1945 em Hameln:
Enquanto Irma Grese aguardava sua execução, os bens que ela deixaria eram enumerados na prisão:
Dinheiro: RM 439,65 - Poupança: RM 4.391,57
6 anéis de metal amarelo, 1 cinto de couro, 1 impermeável, 2 pijamas, 1 guarda-pó, 3 camisas, 1 avental, 3 pares de meia-calça, 1 par de sapatos azuis, 1 par de botas altas, 1 vestido, 2 pares de meias, 1 saia, 2 blusas, 1 suéter azul, 1 toalha, 2 calcinhas, 1 sutiã, 1 mochila, 1 carteira, 2 pentes,
1 certidão de nascimento, 1 calça de equitação.

* Irma Grese deixou todos estes pertences às suas irmãs Helene e Lieschen, com excessão de um anel com sua monografia, para Anneli.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Irma_Grese
http://irmagrese.ucoz.com/biografia.html

Ilse Koch




Ilse Koch (Dresden, 22 de setembro de 1906 - Aichach, 1 de setembro de 1967) foi a esposa de Karl Koch, comandante dos campos de extermínio de Buchenwald (1937-1941) e Majdanek (1941-1943).

Biografia

Ilse tornou-se sinistramente famosa por colecionar como sourvenires pedaços de peles tatuadas de prisioneiros dos campos. Histórias de sobreviventes contam que ela tinha cúpulas de abajures feitos de pele humana em seu quarto e era conhecida pelo apelido de 'A Cadela de Buchenwald', pelo caráter perverso e crueldade sádica com que tratava os prisioneiros deste campo.

Nascida em Dresden, na Alemanha, uma cidade-mártir da II Guerra Mundial, e filha de um fazendeiro, ela era conhecida como uma criança educada e alegre no ensino elementar. Aos 15 anos deixou a escola para trabalhar numa fábrica e depois numa livraria. Na época, a economia alemã ainda não tinha se recuperado da derrota da I Guerra Mundial e seu trabalho na livraria a fez começar a se interessar pela nascente ideologia nazista, o que a fez começar a ter relações - em parte sexuais - com integrantes locais das SA.

Coleção de pedaços de peles tatuadas em Buchenwald
Em 1936, começou a trabalhar como guarda e secretária no campo de concentração de Sachsenhausen perto de Berlim, onde veio a conhecer o comandante Karl Koch, com quem se casaria. Em 1937, chegava a Buchenwald, não como guarda, mas como esposa do comandante. Influenciada por ele e por seu poder, Ilse começou a torturar e humilhar prisioneiros, em 1940, construiu uma arena de esportes fechada, com o dinheiro de prisioneiros e seus parentes e no ano seguinte se tornaria supervisora senior da pequena guarda feminina que servia em Buchenwald.
Em 1941, Karl Otto Kock foi transferido para o comando de Majdanek, onde serviria por dois anos. Em 1943, entretanto, eles foram presos pela Gestapo, acusados de desvio de dinheiro e de bens judeus coletados no campo, que por lei era propriedade do Reich. Ilse ficou presa até o começo de 1945 quando foi inocentada e solta, mas seu marido foi condenado à morte e executado em abril do mesmo ano. Ela então foi viver com os membros sobreviventes de sua família na cidade de Ludwigsburg onde foi presa pelos norte-americanos em 30 de junho de 1945.

Julgada por crimes de guerra, em 1947, e condenada à prisão perpétua, foi libertada após cumprir quatro anos sob a alegação de seus advogados que as evidências conseguidas não eram conclusivas. Assim que foi libertada pelos norte-americanos, foi novamente presa desta vez pelos alemães e colocada novamente frente a uma corte de justiça, devido ao grande número de protestos pela decisão de soltura, sendo novamente condenada à prisão perpétua.

Ilse Koch cometeu suicídio se enforcando na prisão feminina de Aichach após escrever uma última carta a seu filho, em 1 de setembro de 1967 aos 60 anos de idade.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ilse_Koch

Albert Pierrepoint - As execuções


As Execuções

Infelizmente para minha vida pessoal, essa emoção foi uma dolorosa vergastada em mim. O anúncio que eu teria que enforcar os condenados do staff de Belsen foi feito pelo quartel-general do Marechal de Campo Montgomery na Alemanha, com uma publicidade mais completa que tinha sido dado oficialmente às execuções em minha própria terra. Porque o que pessoas sentiam sobre Belsen, e porque elas me viram como, de certo modo, o próprio vingador substituto, não só para as injustiças da SS mas por todas suas aflições às mortes nesta longa guerra, eu me tornei em alto grau uma personalidade muito familiar, e muito agitado em particular. Eu tinha tantos repórteres e fotógrafos acampados na soleira de minha porta que um assassino fortemente suspeito seria preso antes. Eu fui perseguido até meu avião no meio do aeródromo de Northolt por um bando de jornalistas que eram para mim tão mal recebidos quanto uma turba linchada. "Ele deveria evitar chamar a atenção... Ele deveria entender claramente que sua conduta e comportamento geral devem ser respeitáveis e discretos..." Isso era como eu tinha sido treinado para ser um executor, e eu poderia ver isso tudo passando à bordo.

Eu pousei em Buckeburg às cinco horas em uma tarde de dezembro. Eu fui recebido por um major e seu motorista em um velho jipe. Nós fizemos uma corrida de quarenta minutos na escuridão, no país devastado do livro de história do Flautista da cidade de Hameln. No assento da parte de trás do jipe eu estava gelando do vento e encharcado com chuva. Quase imediatamente depois de minha chegada houve uma conferência com oficiais do exército britânico, alguns dos quais tinham sido secundados do Serviço de Prisão H.M. Algumas discussões eram prolongadas, porque eu tinha que conduzir a execução de treze pessoas em um dia. Onze eram de Belsen, e dois outros tinham sido condenados a morte pela Comissão de Crimes de Guerra. Este era um total revolucionário na história da moderna criminologia britânica, e a operação exigia cuidadoso planejamento. Estava de acordo que os preparativos deveriam ser integralmente deixados em minhas mãos. Eu tinha trinta e duas horas para completar os meus preparativos.

Eu levantei cedo na manhã de 12 de dezembro e olhei para fora da janela para um frio, úmido prospecto. "Brr!" Lá haverá um enforcamento hoje! Eu me lembrei das crianças da velha Yorkshire dizendo o que eu tinha usado na manhã quando nós tínhamos mudado de casa em Lancashire trinta anos atrás. Eu encontrei meu caminho para a prisão e bati no portão. Um oficial alemão da prisão, vestido muito asperamente, perguntou meu serviço com impressiva vivacidade. Eu comecei a explicar, mas ele não entendia o inglês. Eu fui salvo por um Sargento Major Regimental na Comissão de Controle para a Alemanha, tão elegante quanto o colorido de seu uniforme apertado recentemente. Eu escolhi imediatamente o RSM O'Neil. Ele falava o alemão fluente, e em alguns minutos ele estava me escoltando por toda a prisão. "Eu nunca vi uma execução", ele me disse jovialmente, "mas eu vou ver uma, porque eu sou seu assistente." Eu fiquei muito assustado em terem me dado um principiante, mas como se mostrou, eu não poderia ter esperado por um homem melhor. Eventualmente ele era para ser meu assistente em aproximadamente duzentas execuções de criminosos de guerra na Alemanha.

Neste dia dentro da prisão de Hameln os Engenheiros Reais tinham construido e terminado há pouco a câmara de execução, ao fim de um das alas. Colocada à mão direita de um longo corredor que unia as celas dos condenados, as quais eram as menores celas em que eu já tinha visto seres humanos confinados.

Eu tive meu primeiro olhar rápido dos prisioneiros de Belsen, todos perscrutando silenciosamente pelas barras das portas de suas celas, enquanto eu caminhava ao longo do corredor. O primeiro que eu vi foi Josef Kramer, o antigo comandante. Eu o reconheci imediatamente.

Enquanto eu ia por este corredor sombrio eu podia ouvir o escavar e raspar da pá do lado de fora do pátio da prisão. Ele era um ranger e som insuportável no que teria sido, caso contrário, um silêncio mortal. Eu olhei por uma janela e vi uma equipe de trabalhadores cavando ativamente treze sepulturas durante a manhã seguinte. Não havia nenhuma dúvida de que os prisioneiros condenados também pudessem ouvir este som. Eu me queixei disto a um funcionário da prisão, mas foi dito que nada poderia ser feito para parar isto. "As sepulturas têm que ser cavadas e o chão está congelado. Está cheio de cascalhos e pederneiras, e nós temos que fazer o trabalho hoje para estar pronto a tempo."

Eu fui testar a forca. Nós produzimos várias quedas que me convenceram de que estava satisfatório. Eu caminhei pelo corredor, e os treze rostos de Belsen ainda estavam apertados às barras, assistindo-me. Nunca em minha experiência eu vi uma multidão mais lastimável de prisioneiros condenados. Eu soube que os seus crimes eram monstruosos, mas não podia ajudar sentindo pesar por eles. Quando eu mencionei isto a alguns jovens soldados britânicos que estavam presentes eles disseram, "Se você tivesse em Belsen sujeito a este destino, você não seria capaz de sentir pesar por eles."


Irma Grese e Josef Kramer

Depois do almoço eu enfrentei um trabalho que eu nunca tive que fazer antes como um executor. Eu tive que supervisionar a pesagem e a medição dos treze condenados, com o método para dar certo minhas quedas. Na Inglaterra isto era normalmente feito por oficiais da prisão antes que eu tivesse chegado em cena. No fim distante do corredor, com as faces sempre nos encarando, nós montamos algumas balanças e um medidor de altura que nós tínhamos levado do hospital da prisão. Seis oficiais alemães na vigilia da morte ficaram para nos ajudar. "Guardas, tragam Josef Kramer", ordenou o RSM.

Kramer estava na cela mais distante, e quando a porta foi destrancada ele saiu firme e começou a caminhar pelo corredor. O passo dele estava lento, e eu olhei por muito tempo para a original "Besta de Belsen." Em caricaturas ele tinha sido descrito freqüentemente como meio-homem, meio-gorila. Ele era certamente um animal de um homem com uma estrutura volumosa de ossos. O seu cabelo estava rigorosamente cortado. Ele tinha um queixo quadrado e uma boca dura. Os seus pequenos olhos escuros eram fixos juntos debaixo de sobrancelhas muito cabeludas. Ele tinha um nariz largo com narinas largas e as orelhas dele estavam fixadas tão achatadas em sua cabeça que de longe ele parecia não ter nenhuma. Estava claro que seus meses na prisão tinham reduzido consideravelmente sua estrutura.

O'Neil lhe perguntou em alemão "Você é Josef Kramer?" e o homem disse "Sim." "Idade?" "Trinta e nove." Isto foi traduzido imediatamente para mim. "Religião?" Eu estava ocupado em fazer uma nota sobre o físico dele, e sempre lamentei que eu não pedisse uma tradução de como ele respondeu aquela pergunta. "Pise nas balança", disse RSM O'Neil.

Kramer hesitou. Ninguém disse uma palavra, mas esperamos. Ele não foi estimulado por um cano de arma, nem espancado, nem chicoteado sobre a balança, nem casualmente levou um tiro sob irritação. Em seu julgamento um sobrevivente de Belsen tinha dado evidência que, no dia antes da chegada dos britânicos, ele e dois outros tinham atirado casualmente com uma Schmeisser fora da janela de cozinha em um grupo de prisioneiros e matou vinte e dois. Kramer pisou na balança, teve a sua altura tomada, e foi mandado de volta à sua cela.


Fritz Klein

"Tragam Fritz Klein", ordenou RSM O'Neil. Eu estava interessado, exculpavelmente eu penso, em sua aparência, porque em uma longa carreira este foi o primeiro médico que eu já tinha encontrado e que tinha sido condenado por assassinato. Dr. Fritz Klein que era graduado com Kramer em Auschwitz, tinha feito a inspeção matutina diária dos prisioneiros nus que tremiam na praça do campo, decidia quem deveria ser enviado para os bordéis e quem deveria ser enviado para a câmara de gás naquele dia e quem deveria ser distribuido para o trabalho do outro dia. As vítimas nuas escolhidas para a câmara de gás eram então conduzidas, trezentas de cada vez, em caminhões do tipo tipper, eram dirigidas à rampa das câmaras de gás. Os caminhões chegavam ao término e os corpos enviados esparramados abaixo da rampa na câmara de gás. Eram continuas as entregas até a cota de três mil seres humanos estava cumprida ao dia. O gaseamento e cremação seguiam. Kramer, na sua defesa tinha dito que não poderia ter havido uma câmara de gás no campo ou ele teria sabido sobre isto. Depois ele disse que se "havia uma câmara de gás ele não tinha feito parte alguma selecionando as vítimas." Dr. Klein, que também tinha matado os prisioneiros com injeções hipodérmicas mas, no dia antes da chegada britânica, de repente apareceu com uma pulseira da Cruz Vermelha que diz que o doente "deve ser muito bem tratado", declarou em sua defesa "Eu compreendo que eu sou responsável por milhares de mortes, mas uma pessoa não pode protestar se a pessoa estiver no Exército." Este homem, cinqüenta e cinco anos, magro na aparência e verdadeiro em sua maneira, vinha agora enquanto caminhava vivamente pelo corredor e obedecia eficientemente as formalidades.

Afinal nós terminamos anotando os detalhes dos dez homens, e RSM O'Neil ordenou "Tragam Irma Grese." Ela caminhou fora de sua cela e veio em nossa direção sorrindo. Ela parecia como uma jovem bonita como alguém sempre desejaria encontrar. Ela respondeu as perguntas de O'Neil, mas quando ele perguntou sua idade ela pausou e sorriu. Eu achei que nós ambos estavamos sorrindo com ela, como se nós percebêssemos o embaraço convencional de uma mulher que revela a sua idade. Eventualmente ela disse "vinte e um", que nós sabíamos estar correto. Esta jovem loira de vinte e um, que habitualmente levava um chicote de equitação para chicotear os prisioneiros até a morte, tinha, isso foi declarado por um dos guardas de sua categoria no campo, sido responsável por pelo menos trinta mortes em um dia. O'Neil lhe pediu que pisasse na balança. "Schnell!" ela disse - "Rápido"


Elisabeth Volkenrathh
Elisabeth Volkenrathh foi chamada. Ela, também, tinha feito as seleções para as câmara de gás. Aparte disso, os sobreviventes disseram que sua conduta geral para com os prisioneiros a tinham tornado a "pior e mais odiada mulher no campo." Eu refleti que se ela pudesse superar Irma Grese ela deveria ter sido formidável. Ela era uma mulher bonita. Ela não reluziu o sorriso que Irma Grese tinha dado, mas ela parecia firme, embora nervosa. Ela foi seguida por Juana Bormann, "a mulher com os cães", que habitualmente lançava os seus cães de caça em prisioneiros para rasgá-los em pedaços Ela andou com dificuldade pelo corredor parecendo velha e desfigurada. Ela tinha quarenta e dois anos, somente um pouco cima de cinco pés altura, e ela tinha o peso de uma criança, cento e uma libras. Ela estava tremendo quando nós a pusemos na balança. Em alemão ela disse "Eu tenho minhas emoções."

Com os registros empacotados debaixo de meu braço eu voltei para meu quarto e gastei as próximas duas horas trabalhando no comprimento de altura que seria requerida para cada das pessoas condenadas. Não era uma tarefa simples, porque eu tinha que permitir o ajuste de altura depois de cada execução e este controle extendia até certo ponto na ordem na qual eu escolhia os prisioneiros. Eu estava muito ansioso em não confundir nenhuma das alturas. Teria sido fácil, nesta execução múltipla sem precedente, ter chamado o condenado na ordem errada. Mas, porém isto complicou a operação, eu tinha chegado à decisão de que eu tinha que escolher as mulheres primeiro. As celas dos condenados estavam tão perto do patíbulo que os prisioneiros não sabiam mas ouviam os sons repetidos da queda. Eu não desejava sujeitar as mulheres por muito tempo a isto. Eu determinei levar a cabo a execução das mulheres, isoladamente, no começo, e seguir com duplas execuções para os homens.

Eu ainda tive que voltar para a câmara de execução para fazer os testes finais, atrás além do corredor com os olhos fitando. Nós passamos por um ensaio completo, e eu sabia que inevitavelmente o condenado sabia o que estava acontecendo.

Este foi um dia pesado. Como nós desejamos voltar ao rancho RSM O'Neil disse "Albert, eu li sobre execuções, mas eu nunca pensei que havia tanto trabalho a fazer." "Sim." Eu concordei, "não é tão fácil como você leu."

Eu fui despertado por um ordenança às seis horas da manhã seguinte. Sexta-feira 13 de dezembro de 1945. Eu fiz meu caminho para a prisão e encontrei O'Neil e outro oficial. As testemunhas obrigatórias começaram a chegar, e finalmente o oficial britânico em cargo de execução entrou. Ele era o Brigadeiro Paton-Walsh quem eu tinha conhecido em dias antes da guerra como Deputado Governador de Wandsworth. Com ele estava a Senhorita Wilson, Deputado Governador de Manchester, que tinha que assistir porque as mulheres estavam para ser enforcadas. A poucos minutos da hora o Brigadeiro perguntou, "Você está pronto, Pierrepoint?" eu respondi "Sim senhor." "Cavalheiros, sigam-me," ele disse, e a procissão começou.

Nós subimos os degraus às celas onde os condenados estava esperando. Um oficial alemão à porta que conduzia ao corredor com a porta aberta e nós andamos além da fileira de rostos e para dentro da câmara de execução. Os oficiais permaneceram em atenção. O Brigadeiro Paton-Walsh estava com o seu relógio de pulso erguido. Ele me fez o sinal, e um suspiro de respiração libertada foi audível na câmara, eu caminhei pelo corredor. "Irma Grese," eu chamei.

Os guardas alemães rapidamente fecharam todas as grelhas dos doze orifícios de inspeção e abriu uma porta. Irma Grese saiu. A cela era muito pequena para eu entrar, e eu tive amarrá-la no corredor. "Siga-me," eu disse em inglês, e O'Neil repetiu a ordem em alemão. Ela entrou na câmara de execução, contemplou por um momento os oficiais que estavam de pé em volta dela, então caminhou para o centro do alçapão onde eu tinha feito uma marca de giz. Ela permaneceu muito firmemente nesta marca, e quando eu coloquei o capuz branco sobre sua cabeça ela disse com voz desfalecida "Schnell." Após o impacto da queda, o médico me seguiu para dentro do fosso e pronunciou a sua morte. Depois de vinte minutos o corpo foi retirado e colocado em um esquife pronto para o enterro.

Dentro de outros dez minutos eu tinha preparado a corda para Elisabeth Volkenrath, e eu entrei no corredor e chamei o seu nome. Uma meia hora depois eu tinha enforcado Juana Bormann. Nós pausamos para uma xícara de chá, e eu determinei sobre o ajuste do patíbulo para as execuções duplas. Eu chamei "Josef Kramer, Fritz Klein." Kramer saiu primeiro de sua cela. Embora ele tivesse perdido duas medidas em peso desde que ele foi capturado, ele ainda era um homem poderoso, e eu estava agradecido quando eu tinha amarrado seguramente atrás dele os seus grossos pulsos. Eu o encaminhei ao alçapão e pus o capuz branco sobre seu rosto. Eu voltei ao corredor para amarrar Klein, então o trouxe para a câmara de execução. Na armadilha, Klein media apenas até o ombro de Kramer. Eu ajustei as cordas e precipitei a alavanca. Esta primeira execução dupla levou só vinte e cinco segundos. Mas havia demoras inevitáveis entre as operações. Foram levados os corpos dos dois homens da corda, colocados em esquifes e levados imediatamente para fora para enterro no piso fora das celas dos condenados. A manhã progrediu lentamente, mas o serviço terminou antes de uma hora. Porém, a escuridão do inverno já estava sobre nós quando RSM O'Neil veio a mim antes do último enterro duplo e disse: "Houve um engano - nós temos um caixão curto para um dos homens." Nós embrulhamos o corpo em lençóis e o colocamos na sepultura. Ele era a décima terceira pessoa a ser enforcada na sexta-feira o décimo terceiro ante treze testemunhas oficiais, e não havia nenhum caixão para ele. Mas em Belsen eles tinham sido enterrados por bull-dozers, e sem lençóis.

Na noite eu fui para uma festa de rancho. Os garotos sugeriram que eu deveria receber um memento de minha visita na Alemanha, talvez um relógio gravado. Eu disse que eu deveria estar voltando muito brevemente à Alemanha e estaria orgulhoso em aceitar isto - eu tenho o relógio agora: é uma posse entesourada. Pela manhã eu voei para Londres e enfrentei a turba da imprensa mais uma vez. Eu voltaria para a Alemanha muitas vezes, como o único executor britânico sempre chamado, freqüentemente sob condições difíceis daquela selva do após-guerra por pessoas desalojadas e desesperadas, o Major Thompson, do departamento do Judge Advocate General's do Ministério da Guerra, disse que eles estavam colocando meu nome para um elogio, eu disse que eu recusei ser considerado, e isto foi aceito, entretanto eu estava alegre de saber que o Sargento Major Regimental depois O'Neil foi reconhecido. A guerra, com toda sua cinzenta deslealdade e desumanidade, estava passando ao passado, com exceção do exemplo admirável final de Nuremberg. Quando um jornalista perguntou para Anne qual era a minha memória mais vívida disto ela respondeu - com precisão absoluta - que era o conhecimento de que eu tinha dado um aperto de mão em Winston Churchill. Mas, por tanto luto, a guerra não acabaria por muito tempo. Não somente lamento, mas o pensamento de vingança, não pôde ser acalmado, Todo Natal, durante anos depois daquele ato final na Prisão de Hameln, eu recebia um envelope simples com uma nota de cinco libras nele. Na primeira ocasião havia um pedaço de papel incluído, com uma única palavra BELSEN. Depois não houve mensagem. Então o presente parou, presumivelmente por morte. Quem enviava isto? Que pessoa, com que emoção? Ele encontrou paz?


Extraido de:
Executioner: Pierrepoint
Albert Pierrepoint
Extrato das páginas 145 a 151


Fonte: http://irmagrese.ucoz.com/executioner_pt.html
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