quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Abwehr - Os bastidores da espionagem



Abwehr

A guerra, como fenômeno doloroso mas inevitável, mostra duas faces diametralmente opostas: a pública, difundida pelas crônicas periódicas, e a oculta, somente conhecida por grupos selecionados de combatentes e, às vezes, por um só homem. A primeira compreende a ação a céu aberto, a luta de homens e máquinas, o bombardeio, o duelo aéreo e o assalto à baioneta; a segunda vive e se desenrola nas sombras, num silêncio só interrompido quando um homem, ou mais, cai numa ruela silenciosa, baleado na escuridão. Nesse mundo de silêncio é onde a guerra atinge o máximo de dramatismo, um dramatismo que supera o duelo aéreo ou o assalto à baioneta. Nesse mundo, os combatentes jogam sua vida numa cartada, sem nenhuma recompensa, tendo como cúmplices, apenas, um silêncio e uma obscura solidão. Nesse mundo não existem medalhas nem menções. É o mundo da espionagem.

A literatura de ficção tem familiarizado o homem moderno com a figura do espião. E o tem feito alterando fundamentalmente a verdade. A novela e o cinema têm transformado o espião num ser impassível, provido de nervos de aço e dotado de particularidades incomuns. E é aí que a verdade é alterada. Porque o espião não é senão um ser humano, com suas paixões e fraquezas. E também com seus temores, que convertem sua vida diária num longo sofrimento, que termina, invariavelmente, na morte.

O espião, no contexto de uma conflagração mundial, deve ser aceito como mais um combatente; um combatente sem a proteção das convenções e dos tratados internacionais. Para ele não há quartel nem piedade. E assim, como mais um soldado, deve ser estudado em sua trajetória e seus métodos de luta, em sua vida e sua morte, despojado das falsas auréolas de romantismo e das pejorativas definições.


O que é um espião?

Poderíamos definir o espião dizendo que é um homem, ou uma mulher, que vende ou cede informações de importância vital para um Estado. A definição, porém, seria inexata. Com efeito, a informação geralmente é obtida através de pequenos detalhes aparentemente sem importância; porém, esses dados, agrupados e complementados com muitos outros, podem chegar a configurar uma informação de máxima importância. Além disso, vender ou ceder informações implica em considerações e conseqüências diametralmente opostas. Devemos destacar que o Abwehr (Serviço de Informação alemão), em sua seção de espionagem, selecionava, especialmente, voluntários que colaboravam espontaneamente, por simpatia ou por convicções políticas; os espiões mercenários constituíam somente um reduzido grupo, pois o comando alemão achava que o melhor serviço de informação não pode ser comprado.



Como é um espião?

A literatura especializada e a arte cinematográfica têm apresentado o espião, quase sempre, como um personagem de valor infinito, que vive deslumbrantes aventuras, em hotéis luxuosos e automóveis esporte, valendo-se simplesmente de seu valor e de sua força física. Porém, a realidade não é esta.

Um espião é, sempre, um homem ou uma mulher que reúnem, invariavelmente, um valor pessoal e uma série de qualidades individuais indispensáveis ao desempenho de sua tarefa. Quais são? Primeiro, o espião deve possuir uma extraordinária memória. A mesma, inata em muitos seres humanos, pode ser encontrada em muitos outros, atingindo limites inimagináveis. Os métodos e as chaves mnemotécnicas têm especial importância. De qualquer maneira, um espião deverá estar em condições de ler duas, três ou quatro páginas de termos técnicos e repeti-los sem erros nem vacilações. Deverá, ainda, ver um rosto humano e não esquecê-lo nunca mais; para isso, aprenderá a reter em sua memória certos traços determinados, invariáveis e impossíveis de dissimular ou ocultar, e nunca o rosto em sua totalidade. Deverá, finalmente, estar em condições de receber complicadas instruções verbais e recordá-las minuciosamente. Em segundo lugar, deverá conhecer vários idiomas, além do seu. Deparará, em muitas ocasiões, com documentos que estarão redigidos em outro idioma, ou seres que falarão uma língua que pode ser-lhe estranha. Deve estar em condições de entender esta língua, ainda que não totalmente. Um profundo conhecimento de psicologia será imprescindível a um espião, pois o ajudará a prever reações alheias, o porá em guarda e evitará, inclusive, que dê passos em falso. Deverá conhecer muito bem sua zona de operações: ruas, hotéis edifícios públicos, transportes e costumes locais, expressões idiomáticas, etc. O espião deverá estar em condições de responder sem vacilar a um pedido de informação de qualquer desconhecido que o aborde em plena rua, desconhecido este que pode ser, neste caso, um agente da contra-espionagem. Deverá ser, finalmente, um ator consumado, capaz de demonstrar surpresa, dor ou alegria, segundo as circunstâncias o exijam, dominando suas emoções e aprendendo a viver em plena simulação. É necessário destacar uma qualidade que está intimamente ligada à sua profissão: o valor. O espião sabe que para ele não existem convenções internacionais nem piedade. Sabe que sua vida está por um fio. E sabe, principalmente, que ninguém, nem o governo para quem trabalha, dará um passo em seu favor. Ele sabe que está só e isto constitui seu verdadeiro drama.

Almirante Canaris, comandante do Abwehr


Espiões alemães

Em 31 de agosto de 1939, os comandos alemães viviam a excitação do momento histórico que começavam a protagonizar. Somente um alto chefe permanecera despachando em Berlim. Era Wilhelm Canaris, o homem que mais dera de si e de seus homens, até este momento, para o êxito da empresa que a Alemanha estava prestes a empreender. Seus agentes já haviam feito sua guerra, uma guerra silenciosa, subterrânea e sutil, secreta e angustiosa: a guerra da espionagem.

Quem era Canaris? Para alguns, o maior agente alemão de todos os tempos; para outros, um simples intrigante...

Canaris nasceu em Aplerbeck, perto de Dortmund, no coração do Ruhr, em 1o de janeiro de 1887, e era o mais novo dos três filhos de um engenheiro do lugar. Na Primeira Guerra Mundial serviu no Serviço de Informação, esteve no comando de um submarino e no fim do luta passou a comandar o cruzador Schlesien. Depois de desempenhar várias funções no frota alemã, em 1o de janeiro de 1935, surpreendentemente, substituiu o Capitão Konrad Potzig no chefia do Abwehr, Em 1o de setembro de 1939, ao estalar a Segunda Guerra Mundial, Canaris tinha sob seu comando cinco seções: a Seção Central, sob o comando do Coronel Hans Oster, oficial que se destacaria mais tarde como ferrenho antinazista; a Seção Estrangeira, sob o comando do Capitão Buerkner, que mantinha relações com as potências estrangeiras; a Seção II, sob o comando do Coronel von Lohousen, que era responsável pelas ações de sabotagem e outras operações secretas; a Seção III, encarregada dos serviços de segurança, contra-espionagem e contra-sabotagem, e a Seção I, que merece ser estudada detalhadamente.

A Seção I tinha a seu cargo a informação secreta originada da espionagem. Estava organizada em três subseções, pertencentes ao exército, à frota e à aviação, e, além destas, havia cinco grupos. Entre estes, o Grupo I-G, que destinava-se à criação de armas secretas, microfotografias, tintas secretas, etc.; era ali onde se falsificavam passaportes e todo tipo de documentos indispensáveis para o funcionamento da rede de espiões e sabotadores. O Grupo I-I cuidava das telecomunicações, incluindo a fabricação de equipamentos clandestinos de rádio para os agentes, e da organização de redes secretas de rádio. A Seção I, no quartel-general de Berlim, estava instalada num edifício de cinco andares e contava com pessoal relativamente reduzido. Fora dali, ao contrário, seu pessoal era numerosíssimo e integrava a rede de "homens V" (V de "Vetrauen", confiança). Na sua maioria, os homens V eram voluntários a serviço do regime nazista por simpatia ou simplesmente por patriotismo. Havia muito poucos mercenários.

A principal função do Abwehr era defender a Alemanha dos adversários estrangeiros por meio da espionagem agressiva e da contra-espionagem defensiva.

Paralelamente às funções de Canaris e de seus homens, existia na Alemanha outra organização, sob o comando direto de um jovem ex-marinheiro alemão, Reinhard Heydrich. Era o Serviço de Segurança (Sicherheitsdients) para defender a Alemanha dos inimigos internos.

O Serviço de Segurança de Heydrich estava organizado em várias seções. As Seções IV e V eram especializadas em funções policiais. A IV era a temida Gestapo, que operava sob o comando de Heinrich Mueller e destinava-se a combater todos os inimigos do regime. A Seção V era o Kriminolpolizei, ou Kripo, sob o comando de Arthur Nebe.

O Serviço de Informação e o de Espionagem concentravam-se no SD, Seções III (Nacional) e VI (Estrangeira), dirigidas por Reinhard Heydrich. A espionagem agressiva estava a cargo da Seção VI, a famosa Amt Sechs.
A Seção VI desenvolveu-se passo a passo, até converter-se num outro Abwehr no seio da Wehrmacht.

Heydrich, por sua vez, foi reconhecido como um dos mais hábeis chefes do Serviço Secreto de todos os tempos.

As atividades do Abwehr

Hans Pieckenbrock era um alemão de caráter jovial, com um aspecto exterior de comerciante próspero. Porém, sob esta capa simples e sorridente, ocultava-se a verdadeira personalidade de um coronel do Estado-Maior alemão e do chefe da Seção I do Abwehr, dedicada à espionagem. Pieckenbrock, em quem Canaris confiava cegamente, guardava em seus arquivos segredos vitais de várias grandes potências e manejava com pulso firme uma imensa rede de espiões que abarcava dezenas de países. Enfrentava, paralelamente, problemas de toda espécie que se originavam nos serviços repressivos dos citados países e ainda pressões de órgãos alemães. O Ministério de Relações Exteriores alemão, por exemplo, nos anos anteriores à guerra, empenhara-se intensamente em impedir desgastes com a Grã-Bretanha, França e Estados Unidos; isto, logicamente, perturbava profundamente as atividades da espionagem alemã. Em 1937, por ordem expressa de Hitler, o Abwehr organizou, na Inglaterra, uma rede de espionagem de grandes dimensões. Em menos de dois anos, o Abwehr organizou o serviço e completou seus arquivos com detalhes minuciosos acerca da potencialidade do exército inglês e também da RAF e da frota britânica.

Porém, o principal objetivo do Abwehr não era a Inglaterra, e sim a França. Na Seção I foi organizado um ramo especial, com o objetivo de investigar e descobrir tudo sobre as defesas da Linha Maginot. Apesar de haver perdido, nesta empresa, numerosos agentes, o Abwehr obteve, finalmente, a informação precisa dessas defesas. Foi conseguida através de oficiais franceses, comprados pelos agentes do Abwehr; um deles era o Capitão Credle, ajudante do comandante das fortificações do setor de Metz, que forneceu um plano da linha; o outro era o Capitão Forge, encarregado dos abastecimentos na Maginot, que simpatizava com o movimento nazista e cedeu sua informação aos agentes do Abwehr.

Serviço secreto de rádio na OKW(Amt Ausland-Abwehr)
O segundo objetivo importante, para o Abwehr, era a frota de guerra da França. A Seção I-M, divisão de informação naval de Pieckenbrock, reunia os informes que alimentavam uma rede de espiões especialmente adestrados. Um destes últimos era um tenente da marinha francesa, relacionado com uma agente alemã. Este tenente tinha acesso direto ao arquivo e à documentação do Almirante Darlan. Foi assim que a ordem de mobilização chegou ao conhecimento do comando alemão quatro horas antes que às bases e barcos franceses... Outro dos agentes alemães - neste caso, da força aérea francesa - era um capitão da aviação francesa, colaborador de Pierre Cot, Ministro do Ar. Como muitos outros, tornara-se traidor devido a uma agente alemã. Nem todos os espiões alemães, porém, arriscavam suas vidas a troco de dinheiro ou sob a influência de uma mulher mais ou menos atrativa. Como já se havia dito, o serviço de espionagem alemão preferia, acertadamente, aqueles agentes que colaboravam por patriotismo ou simpatia pelo regime. Se déssemos exemplos, teríamos centenas de nomes, mas a descrição minuciosa de somente um deles demonstrará quão árdua e perigosa foi, e é, a missão dos homens que arriscaram, e arriscam, a própria vida pelo amor à pátria.

Num domingo do mês de outubro de 1939, no gabinete do Almirante Karl Doenitz, comandante da frota submarina alemã, o alto chefe dialogava com um jovem oficial, comandante de um submarino. Este último - que não era outro senão o mais tarde famoso Gunther Prien - escutava em silêncio as palavras de seu superior. Doenitz, debruçado sobre um grande mapa de operações, disse: "Tudo depende de um ataque rápido e de surpresa. Scapa Flow tem sete entradas. Se um submarino fosse capaz de penetrar nela, apesar da rápida e traiçoeira corrente... Isto pode ser feito e creio que você é o homem indicado... ".

Almirante Canaris
Em seguida, Doenitz entregou ao Comandante Prien algumas folhas de papel datilografadas, e vários diagramas e mapas. Aquela documentação de valor inapreciável havia sido entregue ao Alto-Comando alemão da frota por um dos melhores agentes alemães que operavam na Grã-Bretanha. O espião, Albert Oertel, havia chegado à Inglaterra em 1927, procedente da Suíça. De acordo com o declarado às autoridades inglesas, era um relojoeiro que desejava radicar-se na Escócia.

Na realidade, aquele relojoeiro suíço não era uma coisa nem outra. Tratava-se, na verdade, de um ex-oficial da marinha alemã, chamado Alfred Wehring, especialmente treinado para espião.

Depois de sua chegada à Grã-Bretanha, Wehring radicou-se definitivamente na cidade de Kirkwall, em Orkneyes, perto de Scapa Flow, a importante base naval.

Oertel - Wehring, na realidade tornou-se um ótimo vizinho dos habitantes do lugar. Era amável, cortês e sumamente inclinado a criar amizade com seus clientes. Porém, no segundo andar de seu pequeno negócio, Oertel ocultava um minúsculo rádio de onda curta, com o qual se comunicava regularmente com o continente; através daquelas mensagens, o serviço de informação alemão tinha observações detalhadas dos movimentos dos barcos ingleses, as particularidades da base e um sem-número de detalhes técnicos que o relojoeiro suíço averiguava por meio de suas inocentes conversações com os oficiais britânicos que chegavam até ele. Paralelamente, era através da correspondência que chegava da Suíça, aparentemente de sua longínqua família, que ele recebia as instruções de seus chefes.

Ao começarem as hostilidades, Oertel recebeu uma carta na qual comunicavam o falecimento de sua velha mãe. Angustiado pela notícia, o relojoeiro apressou-se em viajar ao continente. Dois dias mais tarde, Oertel embarcava em Leith, num barco que se dirigia para Roterdã. Em seu poder, cuidadosamente cosidos no forro de sua jaqueta, levava cartas secretas, diagramas e esboços de Scapa Flow, minuciosamente detalhados. Ao chegar a Roterdã, Oertel dirigiu-se ao Hotel Comércio, onde o esperava Fritz Burler, chefe do serviço de espionagem alemão na Holanda. Juntos, imediatamente dirigiram-se para Haia, onde o Barão von Bulow, importante chefe da espionagem alemã, os esperava. Este, depois de olhar a documentação levada por Oertel, compreendeu que estava de posse de valiosíssima informação, que deveria ser enviada imediatamente ao Almirante Canaris.

Em seguida, depois de cumprir sua missão, Oertel regressou à Inglaterra, decidido a continuar com sua tarefa de informação.

No mês de outubro, Oertel comprovou que as defesas da base possuíam falhas que estavam sendo reparadas urgentemente. Era necessário agir sem vacilação, e assim o fez. Minuciosas e detalhadas investigações permitiram a Oertel comprovar qual era o setor que ainda se encontrava indefeso e exposto à penetração de um barco inimigo.

Na tarde do mês de outubro, quando conseguiu a citada comprovação, Oertel fechou sua loja mais cedo que de costume e subiu rapidamente ao segundo andar. Ali, emitiu pelo rádio a senha convencional e esperou. Depois de estabelecida a comunicação, irradiou sua preciosa informação: "Scapa Flow está indefesa... ".

A mensagem de Oertel chegou ao quartel-general do Almirante Doenitz, da Kriegsmarine. Doenitz compreendeu que um pequeno atraso seria fatal, pois as entradas expostas seriam logo reparadas. O golpe, pois, deveria ser dado imediatamente. Foi quando conversou com o Comandante Prien.

A conseqüência do anteriormente exposto não se fez esperar. Na noite de 13 de outubro de 1939, o submarino alemão U-47 deixou o porto de Kiel. O Capitão Prien, que estava no comando do barco, era o único que sabia do objetivo da missão e suas ordens eram para não revelá-lo, até o último momento.

Ao cruzar as perigosas correntes da entrada da imponente base naval britânica, o U-47 subiu quase até a superfície. Em seguida, o periscópio percorreu minuciosamente a área de Scapa Flow. Atracado junto à costa encontrava-se o Royal Oak. O U-47 acercou-se lentamente de sua presa, até uma distância em que era impossível errar a tiro. Uma breve ordem partiu de Prien: "Fogo!" Depois de alguns segundos deu-se uma explosão terrível. Dois torpedos mais foram disparados ainda contra o Royal Oak.

A cena que se seguiu foi dantesca. Em meio às sombras da noite, as explosões sucediam-se ininterruptamente, destroçando o enorme barco. Entretanto, velozes caça-torpedeiros e lanchas torpedeiras sulcavam as águas, buscando, com seus refletores, o agressor. Prien, porém, com maestria e com uma incrível sorte, conseguiu escapar dali sem nada sofrer. Sem dúvida, esta empresa jamais teria sido realizada se não fosse a decidida e audaz intervenção de Alfred Wehring, o oficial naval alemão que havia adotado a personalidade de Albert Oertel, o pacífico relojoeiro. Depois do episódio, Wehring abandonou silenciosamente seu negócio e desapareceu tão misteriosamente como havia chegado.

O episódio Wehring-Oertel é típico e se repetiu várias vezes, em diferentes lugares e com diversos protagonistas. Em todos, porém, houve um denominador comum de sacrifício: silêncio e tensão insuportáveis para alguém que não possua nervos de aço.


Espionagem americana

No campo aliado, paralelamente, alternativas das mais variadas dificultaram a tarefa dos serviços de informação. Vejamos o Caso Donovan. Em janeiro de 1942, numa entrevista que o então Presidente Roosevelt manteve com William Donovan, o presidente, sem preâmbulos, afirmou que os Estados Unidos careciam de um Serviço de Informação capaz e efetivo. Donovan era o chefe do Bureau Coordenador de Informação, departamento organizado antes do ataque a Pearl Harbor e integrado por várias dezenas de investigadores das mais variadas especialidades. Eisenhower, anos mais tarde, no fim da guerra, expôs uma opinião semelhante, ao dizer: "A Europa estava em guerra há um ano, quando a América alarmava-se ante o estado de suas defesas... O obstáculo maior era... a indiferença. Inclusive quando a França caiu, em maio de 1940, não tínhamos ainda conseguido despertar de nossa inércia... No Departamento de Guerra havia uma surpreendente deficiência que dificultava todos os planos construtivos no campo da informação... A posição de órfã da Seção G-2 em nosso Estado-Maior era comprovada de várias formas. Por exemplo, quase sem exceção, a G-2 esteve sob o comando de um coronel. Isto, em si, não é grave, pois era preferível colocar à frente da seção um coronel capaz do que um general medíocre; mas vê-se claramente que o exército não se dava conta da importância do serviço de informação...".

William Donovan
Porém, devemos destacar que, apesar das opiniões de Eisenhower e Roosevelt, os serviços de informação dos Estados Unidos cumpriam acertadamente suas ordens. Devemos destacar, ainda, o serviço criptográfico do exército e da marinha, que funcionava melhor do que nunca e decifrava as mensagens mais confidenciais do inimigo.


Quando começaram as hostilidades, cada uma das frotas japonesas foi provida de vários sistemas de chaves, cada um dos quais era trocado regularmente. Porém, os criptoanalistas americanos descobriram suficientes senhas, nas telecomunicações japonesas, para ter uma idéia mais ou menos exata das intenções e disposições japonesas. Estas chaves incluíam o volume do tráfego, a repetição de certas letras de chamada, a longitude das mensagens e os tipos de chaves que eram empregados. Todos estes detalhes foram catalogados até que se chegou a uma conclusão muito clara: o Almirante Yamamoto preparava-se para outra ação de grande importância. Para determinar o objetivo de seus preparativos, os japoneses faziam referência ao mesmo com os letras AF e essas duas letras podiam significar muitíssimos lugares: Midway, Havaí, as Aleútas, etc. Nestas circunstâncias, na primavera de 1942, fez-se necessário saber exatamente a que ater-se. Foi então que o Almirante Nimitz pôs em prática uma armadilha que daria o resultado esperado. Nimitz ordenou ao Comandante Cyril Simard, de Midway, que informasse pelo rádio a Pearl Harbor que o abastecimento de água potável do atol fôra interrompido. A mensagem foi transmitida numa linguagem que os japoneses puderam interpretar facilmente.

No terceiro dia aconteceu o esperado. Uma das mensagens japonesas interceptadas dizia que em AF havia dificuldades no abastecimento de água potável.

Yamamoto, indubitavelmente, havia sido derrotado pela criptografia americana. E, mais tarde, haveria de sucumbir nas mãos da mesma. Foi quando o almirante empreendeu a sua última viagem. A notícia da viagem foi interceptada pelos criptoanalistas americanos e foi preparado a armadilha fatal.

Uma nomeação implicaria num notável melhoramento na situação da espionagem americana, em maio de 1942, quando o General Strong foi designado para chefiar a Seção G-2.

Strong foi indicado pelo General George Marshall, levando em conta não somente seus merecimentos em relação às tarefas de informação, mas também sua conhecida decisão e energia indômita.

O primeiro ato de Strong foi partir para Londres para estudar o terreno e o funcionamento dos serviços de inteligência britânicos. Quando voltou, Strong montou nos Estados Unidos uma organização inteiramente nova. Um de seus principais colaboradores foi "Wild Bill" Donovan, sob as ordens do Escritório de Serviços Estratégicos (SSO). Este foi dividido em três ramos paralelos. O primeiro foi o "R e A" (investigação e análise); o segundo era o "MO" (operação Morales), que dirigia a propaganda com o fim de minar a resistência do inimigo e enganá-lo por todos os meios possíveis; a terceira era o "SI" (informação secreta), centro vital da organização, que compreendia o grupo de espiões e sabotadores.

No decorrer da guerra, o SSO empregou mais ou menos 20.000 pessoas. Os integrantes do SSO eram pessoas de todas as classes e níveis sociais e culturais; havia entre eles desde Prêmios Nobel até indivíduos de baixo caráter.

Sob a direção de Donovan, o serviço de inteligência começou a funcionar, afinal, efetivamente. Suas façanhas, ocultas no momento, viriam à luz anos depois, no fim da luta.


Os segredos da espionagem 

O que narramos a seguir ilustra bem os múltiplos e estranhos recursos que a espionagem tem que pôr em prática com o objetivo de obter a informação. "Já fazia bastante tempo que o adido militar da embaixada americana estava conversando com o funcionário russo. Uma série de assuntos haviam sido abordados, e o russo falava sobre o interessante terreno das cifras de produção. O militar americano disse a si mesmo que este era o seu dia de sorte. Conversavam num discreto recanto de um restaurante moscovita e as mesas próximas estavam desocupadas. Ninguém poderia escutá-los. O americano oferecera a seu informante uma boa recompensa em troca de futuros dados. 

"O oficial americano reparou que seu copo estava vazio. Tinha sede e viu que na mesa ao lado, desocupada, havia um martini solitário. Interrompeu o diálogo e foi buscá-lo. Quando estava levando à boca a azeitona do martini, notou que algo estava para acontecer. Um garçom correu até ele, gesticulando e dizendo, atropeladamente: "Um momento... um momento... esta bebida não é para o senhor". 

"Já era tarde. O militar mordera a azeitona e um dos seus dentes estalou ao chocar-se com uma superfície metálica. A azeitona era um minúsculo transmissor de transistores. O palito era a antena. Toda a conversação que acabava de ter com o funcionário russo havia sido captada da mesa vizinha e registrada por um gravador oculto." 

Este fato foi divulgado pela revista americana Time e por várias revistas especializadas em eletrônica, demonstrando até que ponto os métodos de espionagem haviam-se aperfeiçoado, graças ao progresso da ciência. 

A imprensa explorava os casos mais escandalosos da espionagem eletrônica, principalmente os que afetavam as embaixadas de países ocidentais atrás da Cortina de Ferro. Entre eles houve um que se destacou por sua audácia e pela extraordinária perícia técnica posta em prática, dando origem a uma competição entre os Estados Unidos e a União Soviética no campo da eletrônica. Nos referimos ao descobrimento de um minúsculo microfone colocado no escudo dos Estados Unidos, situado atrás da cadeira do embaixador americano na União Soviética. 

Um especialista na matéria, que participou da busca do microfone, declarou, confidencialmente: "Os russos haviam progredido muito nesta arte. Não estávamos equipados para detectar o aparelho, porque os russos haviam instalado, no edifício em frente, um enorme transmissor sintonizado para interferir nas ondas de nossos detectores, quando estes aproximavam-se da cavidade do microfone; esse transmissor funcionava num espectro de freqüência ultra-elevada, que não estávamos em condições de captar". 

Para descobrir este microfone foi necessário demolir o escritório do diplomata, e talvez nunca os americanos houvessem suspeitado de sua existência se os ingleses não houvessem percebido em sua própria embaixada um sinal de rádio que não puderam identificar. 

Espionagem fotográfica 

Em meados de junho de 1942, o Serviço de Informações da Marinha italiana comemorava a aquisição de um dado de capital importância com respeito aos comboios britânicos e à proteção dos barcos de guerra. Tanto uns como outros estavam protegidos por redes de defesa contra torpedos. A informação, de grande importância, não havia sido obtida pelos clássicos meios da espionagem. Nenhum espião poderia proporcionar a rigorosa exatidão e o preciso realismo da imensa ampliação fotográfica, em cores, que se estendia ante os olhos dos oficiais italianos. 

O progresso técnico das últimos décadas abria novas possibilidades aos antigos métodos de espionagem (clandestinidade, risco e intriga), com o acervo de outros métodos de informação, mais seguros e diretos: a fotografia aérea, a interceptação de mensagens radiotelegráficas e, mais tarde, o radar. 

Os alemães, possuidores de uma tradição na indústria de instrumentos de precisão, dispunham, nessa época, de meios mais avançados para a obtenção de fotografias aéreas. 

A Luftwaffe atacava silenciosamente, acionando o disparador de suas poderosos câmaras, ao mesmo tempo que abria as escotilhas das bombas. Foi a Luftwaffe que, ao chegar ao Mediterrâneo, começou a prover a marinha italiana de fotografias aéreas das bases navais e das formações inimigas. 

Dia a dia, os posições da frota britânica eram fotografados e estudadas comodamente, graças às gigantescas ampliações, em cores, que eram recortadas e preparadas de tal maneira que, ao serem observadas através de lentes especiais, ofereciam uma visão panorâmica, estereoscópica e tridimensional. 

Assim, antes de lançar-se ao ataque contra os encouraçados de Alexandria, a marinha italiana conhecia com precisão todos os pormenores da rota a seguir e estava em condições de averiguar todas as variações que se produzissem na mesma, eventualmente.

Fonte: http://adluna.sites.uol.com.br/400/499-09.htm


terça-feira, 24 de agosto de 2010

Theresienstadt (Terezin) e Auschwitz: música sob o signo do Holocausto



Terezin (Theresienstadt) em 1941









A música não era sagrada para o regime nazista. Mesmo nos campos de extermínio ela era meio de diversão, elemento tranqüilizador e álibi para o regime. Mas também a possibilidade de fuga interna e forma de protesto.






O campo de concentração Terezin (Theresienstadt) ficava a 60 quilômetros da capital da então Tchecoslováquia, Praga. Para dezenas de milhares de prisioneiros tratava-se de uma estação de passagem para as câmaras de gás de Auschwitz. Para o regime nazista, era um assim chamado “campo-modelo”.


De início, toda e qualquer atividade artística era punida com a morte. O que não impediu muitos condenados de inventar todo tipo de artifício para não se separar de seus instrumentos. Um violoncelo – grande demais para passar despercebido – era, por exemplo, desmontado, e, uma vez dentro do campo, o músico voltava a colar suas partes. Com esses instrumentos contrabandeados, realizavam-se concertos secretos nos porões ou sob os telhados de Terezin.

Alta qualidade musical

Logo, os mentores do Holocusto perceberam como explorar até mesmo a energia artística “ilegal” dos sofridos detentos. Exibir a rica atividade musical em Terezin era uma forma de provar à opinião pública que as notícias sobre os horrores dos campos de concentração não passavam de propaganda dos inimigos do nacional-socialismo, legitimando as atividades do regime. Só para quem quisesse ser enganado, é claro.

O fato de cada vez mais atores, diretores, cientistas e músicos serem confinados aos guetos garantia produção musical de alta qualidade em Terezin. Entre os detentos contavam Peter Deutsch (ex-regente da Orquestra Real de Copenhague), o libretista Leo Strauss e compositores como Pavel Haas, Viktor Ullmann e Hans Krása. Uma ópera infantil deste último, Brundibar, chegou a ser utilizada pelos nazistas como instrumento de propaganda.

Música de um judeu para a propaganda nazista

Anna Flachová, sobrevivente do “lar de meninas” L410 de Terezin, relembra como, durante a realização de um filme de propaganda, ela e suas companheiras receberam a incumbência de cantar a obra de Krása, “para mostrar à Cruz Vermelha e a todo o mundo como se vivia bem em Theresienstadt. Mas era tudo mentira”. O cínico roteiro do filme visava mostrar Hitler presenteando aos judeus uma nova cidade.

Os ensaios da ópera infantil composta em 1938 realizaram-se num porão, acompanhados por piano, ou apenas por um acordeão. Dependendo de se os músicos podiam permanecer ou se eram subitamente transportados para Auschwitz, havia por vezes uma pequena orquestra.

Apesar de tudo, Anna Flachová adorava Brundibar, não só pela alegria de cantar, como pelo reencontro, ainda que por alguns momentos, com a infância roubada: “Sentíamos falta de ser ainda crianças”. Brundibar foi executada 55 vezes em Terezin, porém a maioria dos participantes não sobreviveu aos anos da Segunda Guerra.

Silêncio em Terezin

No campo tchecoslovaco, não apenas se executava música, como também se compunha intensamente. Viktor Ullmann (Der Kaiser von Atlantis) lá produziu muitas de suas obras, e o jovem e promissor pianista Gideon Klein completou seu Trio de cordas apenas nove dias antes de ser deportado para Auschwitz.

“Carrega-se o pesado destino como se não fosse tão pesado, e se fala do futuro melhor como se já fosse amanhã”: esta é uma citação de Als ob (Como se), uma das numerosas canções com textos de Leo Strauss. Os versos contêm uma crítica velada a seus companheiros de cativeiro, que mesmo em Terezin cultivavam a esperança e se alimentavam de ilusões.

Entretanto, em 16 de outubro de 1944 quase toda música emudeceu em Terezin. O trem de transporte ER 949 levou Haas, Ullmann e Klein, entre outros, para Auschwitz. Os mais idosos, como Hans Krása, foram diretamente para a câmara de gás, após o desembarque.


Pausa musical em Auschwitz

O próprio campo de extermínio de Auschwitz, na Polônia, possuía uma orquestra feminina, com cerca de 50 instrumentistas, entre 17 e 20 e poucos anos de idade, sob a regência de Alma Rosé, além de outras dez, que copiavam as peças a mão.
Prisioneiras de Auschwitz

Para que música na sala de espera da câmara de gás? Claro, para os de fora, a existência dessa orquestra era um álibi, a falsa prova de que os internos viviam em condições humanas. Mas também não faltavam verdadeiros melômanos entre os oficiais da SS, entre eles o abominável Dr. Josef Mengele, apelidado o Anjo da Morte, extremamente musical e que, mesmo durante o exílio na América do Sul, não deixava de freqüentar concertos. Outros, como Adolf Eichmann, exigiam entretenimento durante a inspeção dos campos.

As musicistas eram confrontadas diariamente com uma amarga tarefa: cronicamente subnutridas, executar música de forma convincente, para os assassinos de suas famílias e amigos, e possivelmente seus próprios futuros algozes. Um precário prolongamento da vida, que podia acabar numa nota mal tocada.

Regente-heroína

Apesar dos relativos privilégios de que gozavam as instrumentistas, música era acima de tudo uma forma de trabalho forçado em Auschwitz, envolvendo um mínimo de 10 a 12 horas diárias de ensaios. Além disso, a qualquer hora um oficial podia resolver escutar sua melodia favorita, e neste caso as mulheres tinham que estar sempre a postos.

Outra cruel função da orquestra feminina era tranqüilizar os novatos, que acabavam de chegar ao campo após viagem massacrante no vagão de carga de um trem.

Nesse contexto de vida ou morte, a figura da regente Alma Rosé toma proporções de heroína. Com enorme habilidade psicológica, ela conseguiu durante anos manter o difícil equilíbrio entre o rigor necessário à disciplina da orquestra e o calor humano indispensável à sobrevivência mental de cada uma das mulheres sob a sua batuta. Até hoje, algumas das musicistas de Auschwitz afirmam dever a vida a essa mulher.

Os Diários de Guerra de Hans Frank


No dia 1 de maio de 1945, o governador-geral da Polônia, Hans Frank foi preso por um patrulha americana em um pequeno escritório na cidade de Neuhaus-Josephstal.

Hans Frank entregou na tarde do dia 1 de maio a um oficial americano desta mesma patrulha os seus Diários de Guerra, estes continham muitas anotações de Hans Frank (extraído do livroTu carregas meu nome: A herança dos filhos de nazistas notórios, Norbert & Stephan Lebert, 2004, Ed.Record, Páginas 104-105), entre elas:

"Recebi ordens para saquear totalmente os territórios conquistados a Leste, ou seja, transformando suas estruturas econômicas, sociais, culturais e políticas em um monte de escombros." (19 de janeiro de 1940)

"(...)Conforme as últimas pesquisas, a maior parte da população da Polônia ingere apenas 600 calorias por dia, enquanto uma pessoa normal necessita de 2.200 calorias. Por isso dizem que a população polonesa está tão enfraquecida que ela se tornará uma presa fácil da febre exantemática(...). Só teremos comiseração com o povo alemão, e mais ninguém no mundo."(9 de setembro de 1941)

"(...)não será possível disponibilizar mais alimentos para a populaçã judia." (15 de outubro de 1941)

"(...) diga-se de passagem que estamos condenando à morte por desnutrição 1,2 milhão de judeus." (24 de agosto de 1942)

"Quando começamos, havia três milhões e meio de judeus, dos quais sobraram apenas algumas frentes de trabalho. Todo o resto, digamos assim, emigrou." (2 de junho de 1943)

"Quero ressaltar que não podemos ser melindrosos ao escutarmos o número de 17 mil fuzilados(...) Qualquer discórdia sobre métodos seria ridícula." (25 de janeiro de 1943)

"Uma vez ganha a guerra, poderemos fazer picadinho de poloneses, ucranianos e tudo o mais que anda por aí." (12 de janeiro de 1944)


Fonte: http://holocausto-doc.blogspot.com/2009/06/os-diarios-de-guerra-de-hans-frank.html

sábado, 21 de agosto de 2010

Um depoimento de Paul Blobel sobre a queima de corpos e destruição dos traços dos corpos de judeu mortos pelas Einsatzgruppen:



Eu, Paul Blobel, juro, declaro e afirmo em evidência:

1. Eu fui comandante do Sonderkommando 4A.

2. Depois de eu ter sido dispensado deste comando, eu deveria reportar a Berlim ao SS Obergruppenführer Heydrich e Gruppenführer Müller, e em junho de 1942foi-me confiada pelo Gruppenführer Müller a tarefa de destruir traços de execuções levadas a cabo pelas Einsatzgruppen no Leste. Minhas ordens eram de que eu deveria me reportar pessoalmente aos comandantes da Polícia de Segurança e SD, comunicar as ordens de Müller verbalmente e supervisionar sua implementação. Esta ordem era altamente secreta e o Gruppenführer Müller havia dado ordens de que devido à necessidade do mais alto sigilo, não deveria haver correspondência em conexão com esta tarefa. Em setembro de 1942, eu me reportei ao Dr. Thomas em Kiev e comuniquei a ordem a ele. A ordem não poderia ser executada imediatamente em parte porque o Dr. Thomas não estava disposto a executá-la, e também porque os materiais exigidos para a queima dos corpos não estavam disponíveis. Em maio e junho de 1943, eu fiz viagens adicionais para Kiev para tratar desse assunto e então, depois de conversas com o Dr. Thomas e com o líder da SS e da Polícia Hennecke, as ordens foram executadas.

3. Durante minhas visitas em agosto, eu mesmo observei a queima de corpos numa sepultura em massa próxima a Kiev. Esta sepultura tinha cerca de 55 m de comprimento, 3 m de largura e 2-1/2 m de profundidade. Depois que a cobertura havia sido removida, os corpos foram cobertos com material inflamável e incendiados. Levou cerca de dois dias até que a sepultura queimasse até o fundo. Eu mesmo observei que o fogo havia iluminado lá no fundo. Depois disso a sepultura foi preenchida e os traços praticamente destruídos.

4. Devido ao levantamento das linhas de frente, não foi possível destruir as sepulturas em massa mais distantes ao sul e ao leste, que haviam resultado de execuções pelas Einsatzgruppen. Eu viajei para Berlim em conexão com esse relatório, e foi enviado para a Estônia pelo Gruppenführer Müller. Eu comuniquei as mesmas ordens ao Oberführer Achammer-Pierader em Riga, e também ao Obergruppenführer Jeckeln. Eu retornei para Berlim a fim de obter combustível. A queima dos corpos começou somente em maio ou junho de 1944. Eu lembro que as incinerações ocorreram na área de Riga e Reval. Eu estive presente em tais incinerações próximas a Reval, mas as sepulturas eram menores ali e continham somente cerca de vinte a trinta corpos. As sepulturas na área de Reval estavam a 20 ou 30 km a leste da cidade, num distrito pantanoso e eu acho que quatro ou cinco sepulturas foram abertas e os corpos queimados.


5. De acordo com as minhas ordens, eu deveria ter ampliado minhas obrigações pela área inteira ocupada pelas Einsatzgruppen, mas devido à retirada da Rússia, eu não pude executar minhas ordens completamente...


18 de junho de 1947
//assinado// Paul Blobel


Fonte: Berenbaum, Michael, editor. Witness to the Holocaust. New York: HarperCollins. 1997. pp. 143-144
Tradução: Marcelo Oliveira

http://br.groups.yahoo.com/group/Holocausto-Doc/message/6262

Uma brasileira que salvou varios judeus


Aracy de Carvalho Guimarães Rosa (Rio Negro, Paraná, c. 1908) é uma senhora brasileira, segunda esposa do escritor João Guimarães Rosa. Aracy também é conhecida por ter seu nome escrito no Jardim dos Justos entre as Nações, no Museu do Holocausto (Yad Vashem), em Israel, por ter ajudado muitos judeus a entrarem ilegalmente no Brasil durante o governo de Getúlio Vargas. A homenagem foi prestada em 8 de julho de 1982, ocasião em que também foi homenageado o embaixador Luiz Martins de Souza Dantas. Ela é uma das pessoas homenageadas também no Museu do Holocausto de Washington (EUA).

Paranaense, foi morar com uma irmã de sua mãe na Alemanha após separar-se do primeiro marido. Por falar quatro línguas (português, inglês, francês e alemão), conseguiu uma nomeação no consulado brasileiro em Hamburgo, onde passou a ser chefe da Secção de Passaportes.

No ano de 1938, entrou em vigor, no Brasil, a Circular Secreta 1.127, que restringia a entrada de judeus no país. Aracy ignorou a circular e continuou preparando vistos para judeus, permitindo sua entrada no Brasil. Como despachava com o cônsul geral, ela colocava os vistos entre a papelada para as assinaturas. Para obter a aprovação dos vistos, Aracy simplesmente deixava de pôr neles a letra J, que identificava quem era judeu.

Nessa época, João Guimarães Rosa era cônsul adjunto (ainda não eram casados). Ele soube do que ela fazia e apoiou sua atitude, com o que Aracy intensificou aquele trabalho, livrando muitos judeus da prisão e da morte.

Aracy permaneceu na Alemanha até 1942, quando o governo brasileiro rompeu relações diplomáticas com aquele país e passou a apoiar os Aliados. Seu retorno ao Brasil, porém, não foi tranquilo. Ela e Guimarães Rosa ficaram quatro meses sob custódia do governo alemão, até serem trocados por diplomatas alemães.

Sua biografia inclui também ajuda a compositores e intelectuais durante o regime militar implantado no Brasil em 1964.

Aracy enviuvou no ano de 1967 e não se casou novamente.


 XX



Mais uma materia  sobre Aracy:

Os 100 anos da brasileira que casou com Guimarães Rosa e salvou judeus

Os olhos negros e vivos enxergam através das pessoas e se fixam em um ponto distante. Talvez estejam absortos em recordações do passado, quando Aracy Moebius de Carvalho, de 100 anos, desafiou o poder do regime nazista e enfrentou preconceitos para viver com o homem que amava, o escritor João Guimarães Rosa.

Era 1936 e Aracy trabalhava na Embaixada do Brasil em Hamburgo. Fazia dois anos que ela deixara o Brasil para uma temporada na casa da tia na Alemanha, levando o filho Eduardo Tess. Ela havia se separado do marido depois de um casamento de cinco anos e, à época, mulheres desquitadas não eram vistas com bons olhos pela sociedade. Graças à fluência em alemão, inglês e francês, Aracy foi contratada na embaixada, onde ficou responsável pelos vistos de emigração.

Às vésperas do estouro da 2ª Guerra Mundial, os judeus já sofriam com as perseguições. O governo de Getúlio Vargas, por sua vez, havia limitado o número de vistos concedidos para eles. Driblando a ordem recebida, ela facilitou o embarque de inúmeros judeus alemães para o Brasil.

Embaralhava a papelada para que o cônsul assinasse as requisições de visto sem se dar conta dos sobrenomes judaicos. Outra estratégia era conseguir passaportes sem a letra "J" - que identificava os judeus - com amigos que trabalhavam na prefeitura. Como o atendimento se restringia aos moradores da região de Hamburgo, ela conseguia atestados de residência falsos. Certa vez, levou uma pessoa escondida no banco de trás do carro. Como a placa do automóvel era do corpo consular, atravessou a fronteira com a Dinamarca sem ser revistada pelos nazistas.

[i]"Ela tinha uma bondade enorme. Ajudou muitos judeus. Eu quis recompensá-la com presentes, mas ela não aceitava dinheiro de ninguém, eu sou testemunha", conta Maria Margarethe Bertel Levy, de 100 anos, com seu forte sotaque alemão. Margarida, como é mais conhecida, veio com o marido para o Brasil graças à ajuda de Aracy. A mãe, no entanto, não teve a mesma sorte e morreu em um campo de concentração na Polônia.[/i]

Para se certificar do embarque, Aracy levou Margarida e o marido até o navio e escondeu as jóias em um pacote dentro da caixa para descarga do vaso sanitário da cabine, para que não fossem confiscadas pelos policiais. "Ela nos pediu para retirarmos o embrulho depois que o navio estivesse em alto-mar. Com a venda das jóias, pudemos alugar uma casa quando chegamos", diz Margarida. Anos mais tarde, as duas se reencontraram no Brasil e se tornaram grandes amigas. "Foi uma emoção enorme", diz. "Além da sua bondade, era uma mulher muito bonita."

Por um bom tempo, a embaixada brasileira em Hamburgo foi procurada por judeus vindos de toda a Alemanha e Aracy ficou conhecida como o "Anjo de Hamburgo". Por causa dos inúmeros gestos de coragem, ela é a única mulher brasileira convidada a plantar uma árvore no Bosque dos Justos, em Israel. O local é uma homenagem aos não-judeus que ajudaram a salvar vidas judias das perseguições nazistas na Europa. Ela ganhou um bosque com o seu nome. Aracy também é a única brasileira citada nos registros dos Museus do Holocausto, em Israel e em Washington.
Aracy de Carvalho Guimarães Rosa

ARA E JOÃOZINHO

Foi no consulado em Hamburgo, em 1938, que Aracy conheceu o grande amor de sua vida, o cônsul-adjunto João Guimarães Rosa, que mais tarde se tornaria um dos maiores escritores da literatura brasileira. [i]"Ele sabia que ela ajudava os judeus a fugir da guerra e aprovava, mas sempre lhe advertia sobre os riscos, porque ela não tinha imunidade consular. Ele falava: ?Aracy, tome cuidado, os nazistas são perigosos?", [/i]conta o único filho Eduardo Tess, de 79 anos, do primeiro casamento, que mora em São Paulo.

Quando o Brasil rompeu relações diplomáticas com a Alemanha em 1942, os funcionários da embaixada ficaram "internados" por quatro meses na cidade de Baden-Baden. Ainda no mesmo ano, Aracy e Guimarães Rosa vieram ao Brasil e, em 1947, se casaram por procuração na Embaixada do México, no Rio, pelo fato de já terem sido casados e a legislação brasileira não reconhecer a união entre desquitados.

O casamento "não oficial" dificultava a indicação dos dois para trabalharem na mesma embaixada. Ela recebeu um convite para trabalhar como secretária da Embaixada no Equador enquanto Guimarães Rosa foi chamado para a Colômbia. No entanto, ela preferiu abdicar da carreira a se separar de "Joãozinho", como o chamava carinhosamente.

Em 1948, Aracy e Guimarães Rosa seguiram para Paris, onde ele atuava como conselheiro da embaixada brasileira. Dois anos depois, o casal veio para o Rio, onde se estabeleceu no bairro de Copacabana. Foi durante o tempo em que moraram no Brasil e estiveram casados que Guimarães escreveu suas obras literárias mais importantes e desenvolveu sua prosa "roseana", como Sagarana e Primeiras Estórias. À amada, ele dedicou o livro Grande Sertão: Veredas. "A Aracy, minha mulher, Ara, pertence este livro". Com a morte de Guimarães Rosa em 1967, ela nunca mais se casou.

As histórias fascinantes de coragem e amor vividas por Aracy são contadas por seu filho. Ela sofre do mal de Alzheimer e pouco interage com os fatos do cotidiano. Algumas vezes, nem reconhece o filho, com quemveio morar há dez anos, em um amplo apartamento em São Paulo. Suas memórias podem ser conhecidas pelo vasto acervo de fotos, onde é possível vê-la sempre sorrindo, com os mesmos olhos negros e vivos.
Fonte 2º texto: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081221/not_imp297214,0.php


Morte:
Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa, viúva do escritor João Guimarães Rosa , morreu na manhã de 03 de março 2011 de causas naturais, em São Paulo. Aos 102 anos, ela sofria de Mal de Alzheimer.

Fonte do falecimento:
http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2011/03/03/morre-em-sp-aos-102-anos-viuva-do-escritor-guimaraes-rosa-aracy-moebius-923936735.asp

sábado, 14 de agosto de 2010

Boris Smyslovsky

Boris Alexeyevich Smyslovsky (também Smyslovsky-Holmston e Holmston-Smyslovsky) (03 de dezembro de 1897 - 5 de Setembro de 1988) foi um general russo, emigrante anti-comunista. Seus pseudônimos foram Artur Holmston e von Regenau. Ele comandou o pró-nazi e colaboracionista 1º Exército Nacional Russo, durante a II Guerra Mundial.

Boris Smyslovsky - terceiro da direita, de cachimbo- com sua esposa e funcionários.

Biografia

Smyslovksy nasceu em Terijoki , Grand Duchy, Finlândia (hoje Zelenogorsk, São Petersburgo, Rússia), e mais tarde se juntou ao Exército Imperial Russo, onde alcançou a patente de capitão da Guarda Imperial.
Durante a Guerra Civil Russa , ele lutou contra os bolcheviquese, em seguida mudou-se para a Polónia, depois para a Alemanha. Lá, ele entrou para a Preußische Kriegsakademie (Academia Militar Prussiana)

Sua visão era de que a intervenção  e ajuda estrangeira era necessária para libertar a Rússia do bolchevismo. Quando a Alemanha invadiu a União Soviética em 1941, serviu na Frente Leste com os batalhões formados que foram usados para combater guerrilheiros. À Smyslovsky foi dado o comando da Sonderdivision R ("divisão especial da Rússia) e se tornou o primeiro russo nos serviços alemães a comandar uma unidade anti-bolchevique na 2ª guerra.

Ele logo percebeu que a ideologia nazista ia de encontro com o seu ponto de vista da utilização inteligente das forças anti-bolcheviques russa e criou tentáculos para a Suíça , caso ele precisaria de asilo na guerra do fim.
Os russos em  Liechtenstein.

1º Exército Nacional Russo 

No final da guerra, a Alemanha aumentou seus voluntários russos no esforço de guerra, e as forças Smyslovsky foram elevadas para o 1º Exército Nacional Russo, em 10 de março de 1945.
Em abril de 1945, Smyslovsky direcionou seus combatentes para Feldkirch, onde se encontrou com o Grão-duque Vladimir Cyrillovich. O exército nesse momento contava com 462 homens, 30 mulheres e 2 crianças, e logo em seguida, mudou-se para o país neutro Liechtenstein , em 2 de maio de 1945. Os russos foram atendidas pela Liechtenstein Cruz Vermelha. Em 16 de agosto de 1945, um soviético delegação chegou ao Liechtenstein , na tentativa de repatriar os russos, e conseguiram que cerca de 200 do grupo concordassem em retornar, por meio de ameaças, sejam pro meio de promessas. Eles partiram em um trem para Viena e nada foi ouvido novamente sobre eles (foram fuzilados no meio do caminho por soldados soviéticos). O restante ficou em Liechtenstein por mais um ano, resistindo com o apoio de Liechtenstein à pressão por parte do governo soviético para participar do programa de repatriamento. Eventualmente, o governo da Argentina ofereceu asilo, e cerca de uma centena de pessoas foram para o país sulamericano. Smyslovsky foi visitado por Allen Dulles e outros especialistas militares ocidentais para saber mais sobre seus conhecimentos sobre a União Soviética e as informações entregues à Reinhard Gehlens ( ler nota mais abaixo).

De acordo com Alexander Frick, ministro do Liechtenstein, os russos não tiveram em nenhum momento o risco de serem extraditados, e a população local apoiou plenamente o governo de conceder asilo ao russo. A pequena população do país (12.141 em 1945 ) apoiou a emigrantes (4% da população) a uma taxa de SF 30.000 por mês durante 2 anos e pagar as suas despesas para ir para a Argentina, pois eles não sabem que esses custos foram mais tarde a ser reembolsado pela Alemanha. Enquanto os aliados ocidentais e de outros países na Europa cumpriram os pedidos da URSS para repatriar cidadãos soviéticos, independentemente de seus desejos individuais, Liechtenstein foi o único país que levantou-se a estas exigências e informou que o governo soviético que só os russos que queriam ir para casa teriam permissão para sair a hora que quisessem.

Smyslovsky morreu em Vaduz, Liechtenstein, em 05 de setembro de 1988.

Tumba de  smyslowsky.

Monumento aos soldados de Smyslovsky em Liechtenstein.
Holmston-Smyslovsky com sua esposa, Liechtenstein.

Nota: Reinhard Gehlen (03 de abril de 1902 - 8 de Junho de 1979) foi um general do exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial, que serviu como chefe de recolhimento de informações na Frente Oriental. Após a guerral, ele foi recrutado pelo Estados Unidos para criar um anel de espionagem contra a União Soviética (conhecida como a Organização Gehlen), e eventualmente se tornou chefe dos aparatos de inteligência da Alemanha Ocidental . Ele serviu como o primeiro presidente do Serviço Federal de Inteligência até 1968.


Filme: 
Filme francês de 1993, Vent d'Est (East Wind), dirigido por Robert Enrico baseia-se na visita de inspeção do Smyslovsky e seu exército. Ótimo filme que da para entender bem a situação dos russos.

Fonte:  
http://en.wikipedia.org/wiki/Boris_Smyslovsky
Transcrição e traduzido por : avidanofront.blogspot.com/

Campanha Norte-Africana




Durante a Segunda Guerra Mundial, a Campanha Norte-Africana, também conhecida como a Guerra do Deserto, desenrolou-se nodeserto norte-africano 10 de junho de 1940 até 16 de maio de 1943. Ela incluiu campanhas travadas nos desertos líbio e egípcio, noMarrocos e na Argélia (Operação Torch) e na Tunísia (Campanha Tunisiana).


A campanha foi travada entre os Aliados e as potências do Eixo. O esforço de guerra dos aliados era protagonizado pela Commonwealthe por exilados da Europa sob ocupação alemã. Os Estados Unidos entraram na guerra em 1941 e começaram a dar assistência militar direta na África do Norte em 11 de maio de 1942.

A luta na África do Norte começou com a declaração de guerra do Reino da Itália em 10 de junho de 1940. Em 14 de junho, o 11º Hussars Exército Britânico (composto por integrantes do 1º Royal Tank Regiment cruzou a fronteira líbia e capturou o Forte Capuzzo, italiano. Seguiu-se uma ofensiva italiana no Egito e, depois, uma contra-ofensiva britânica em dezembro de 1940 Operação Compasso. Durante a Operação Compasso, o 10º Batalhão do Exército italiano foi destruído e o Afrika Korps da Alemanha Nazista, comandados pelo marechal-de-campo Erwin Rommel, foram relocados para a África do Norte, durante a Operação Sonnenblume, para apoiar as forças italianas e prevenir uma completa derrota do Eixo.

Uma série de batalhas pelo controle da Líbia e partes do Egito seguiram-se e tiveram seu clímax na Segunda Batalha de El Alamein, quando as forças britânicas, sob o comando do tenente-general Bernard Montgomery, imprimiram uma derrota decisiva contra as forças do Eixo e empurraram-nas para a Tunísia. Depois das aterrissagens aliadas no Norte da África Operação Torch, sob o comando do General Dwight Eisenhower, no fim de 1942, e após as batalhas dos Aliados contra as forças da França de Vichy (que, depois disso, uniram-se aos Aliados), as forças combinadas dos Aliados cercaram as forças do Eixo no norte da Tunísia e forçaram-nas a se renderem.

Ao fazer os batalhões do Eixo lutarem num segundo front no Norte da África, os Aliados deram algum alívio à União Soviética, que lutava conta o Eixo no Front Leste. Informação obtida pela operação de decodificação britânica Ultra deu uma contribuição decisiva ao sucesso aliado na campanha norte-africana.


Avanço da 39ª secção Panzerjäger pertencente ao Afrika Korps, 1942.

Campanha no Deserto Ocidental


A Campanha Norte-Africana foi de importância estratégica tanto para os Aliados quanto para o Eixo. Os Aliados usaram-na como um passo na direção de um segundo front contra o Eixo na Europa e para ajudar a aliviar a pressão do Eixo no Front leste. As potências do Eixo planejavam dominar o Mediterrâneo por meio do controle de Gibraltar e do Canal de Suez, intencionavam promover uma bem-sucedida campanha na África do Norte e, ainda, atacar os ricos campos de petróleo do Oriente Médio.[1] Isto acabaria com os suprimentos de combustível dos Aliados na região e aumentaria tremendamente os surpimentados disponíveis para a máquina de guerra do Eixo.

Em 13 de setembro de 1940, a Itália enviou o 10º Batalhão, estacionado na Líbia, numa invasão de 200 mil soldados no protetorado britânico no Egito e armaram fortes defensivos emSidi Barrani. Mas o general italiano Graziani, sem apoio de inteligência de agentes infiltrados nas forças Aliadas na região, decidiu não continuar adiante em direção ao Cairo.

As forças Aliadas tinham 36 mil homens a menos comparados com o total de 200 mil do Eixo. Mesmo assim, ao fim de 1940, os Aliados lançaram um contra-ataque Operação Compasso, mais bem-sucedido do que o esperado, resultando na destruição da maior parte do 10º Batalhão italiano e no avanço das forças Aliadas para El Agheila. A derrota estrondosa não passou despercebida e novas tropas italianas sob Uldo Capzoni juntamente com tropas alemãs, os Afrika Korps sob o comando de Erwin Rommel foram enviadas para reforçar as forças italianas no oeste da Líbia. Ao mesmo tempo, as forças que haviam derrotado os italianos haviam se retirado do Deserto Ocidental, uma divisão de infantaria australiana foi enviada para apoiar os batalhões gregos durante a Batalha da Grécia e, enquanto a 7ª Divisão Armada foi enviada para o delta do Nilo para reabastecimento, divisões inexperientes e enfraquecidas os substituíram.

Embora Rommel tenha recebido ordem para simplesmente manter a posição alemã, um reconhecido armado logo tornar-se-ia uma plena ofensiva aérea a partir de El Agheila em março de 1941, a qual, com exceção de Tobruk, conseguiu fazer os Aliados recuarem além de Sollum de volta para o Egito, colocando ambos os lados aproximadamente de volta para suas posições antes da guerra.

As forças Aliadas lançaram um pequeno ataque, Operação Brevidade, numa tentativa de empurrar as forças do Eixo mais para trás da fronteira, mas falharam. Seguiu-se então uma ofensiva em maior escala, Operação Battleaxe, com o objetivo de aliviar o forte em Tobruk, o que também falhou.

Durante o conseqüente impasse, as forças Aliadas reorganizaram-se. Archibald Wavell obteve sucesso como comandante-em-chefe Comando do Oriente Médio e a Força do Deserto Ocidental foi reforçada com um segundo batalhão para formar o novo 8º Exército Britânico, o qual, neste tempo, foi composto de unidades dos Exércitos britânico, australiano, da Índia Britânica, neozelandês e sul-africano. Havia também uma brigada da França Livre sob o comando de Marie-Pierre Koenig. A nova formação lançou outra ofensiva, Operação Crusados, em novembro de 1941 e, em janeiro de 1942, recapturou todo o território recentemente conquistado por alemães e italianos. Novamente, o front moveu-se para El Agheila.

Depois de receber suprimentos e reforços de Tripoli, o Eixo novamente atacou, derrotando os Aliados na Batalha de Gazala em junho e capturando Tobruk. As forças do Eixo empurraram o 8º Batalhão de volta para trás da fronteira egípcia e foram detidas em julho a apenas 90 km de Alexandria durante a Primeira Batalha de El Alamein.

O general Claude Auchinleck, que tinha assumido pessoalmente o comando do 8º Batalhão depois da derrota em Gazala, perdeu o posto depois da Primeira Batalha de El Alamein e foi substituído pelo general Harold Alexander. O tenente-general William Gott havia recebido o comando do 8º Exército, mas foi morto no caminho e substituído pelo tenente-generalBernard Montgomery.

As forças do Eixo fizeram uma nova tentativa para penetrar em Cairo no fim de junho durante a Alam Halfa, mas foram detidas. Depois de um período de reequipamento e treino, o 8º Batalhão lançou uma grande ofensiva, derrotando decisivamente os batalhões ítalo-germânicos durante a Segunda Batalha de El Alamein no fim de outubro de 1942. O 8º Batalhão então empurrou as forças do Eixo para o oeste, conquistado Tripoli em meados de janeiro de 1943. Em fevereiro, o 8º Batalhão enfrentava os Panzer ítalo-germânicos perto do frontMareth, sob a liderança do 18º Army Group, comandado por Harold Alexander, na fase final da guerra no norte da África, a Campanha Tunisiana.


Operação Torch

A Operação Torch começou em 8 de novembro de 1942 e terminou em 11 de novembro de 1942. Numa tentativa de derrotar as forças alemães e italianas, as forças Aliadas dosEstados Unidos e a Grã-Bretanha aterrissaram na África do Norte ocupada por tropas da França de Vichy sob a premissa de que haveria pouca ou nenhuma resistência. Contudo, as forças da França de Vichy envidaram uma resistência poderosa e sangrenta contra os Aliados em Oran e no Marrocos. Mas não em Argel, onde um golpe de estado feito pela resistência francesa em 8 de novembro foi bem-sucedido em neutralizar o 19º Batalhão francês e em prender os comandantes de Vichy. Consequentemente, as ocupações aliadas praticamente não encontraram oposição em Argel e a cidade foi conquistada no primeiro dia bem como todo o comando da África de Vichy. Depois de três dias de conversações e ameaças, o general Mark Clark e Eisenhower obrigaram o Almirante de Vichy François Darlan (e o general Alphonse Juin) a ordenarem o fim da resistência armada em Oran e no Marrocos pelas forças francesas, em 10 de novembro e em 11 de novembro, com o aviso de que Darlan seria comandada por uma administração em favor da França Livre.

As campanhas aliadas forçaram o Eixo a ocupar a França de Vichy (Case Anton). Além disso, a esquadra francesa foi capturada em Toulon pelos italianos, o que não foi grande vantagem para estes porque a maior parte desta esquadra havia sido parcialmente destruída para prevenir seu uso pelas potências do Eixo. O batalhão de Vichy na África do Norte uniu-se aos Aliados.


Campanha Tunisiana

17 de novembro de 1942-13 de maio de 1943.

Depois das ofensivas terrestres da Operação Torch (desde novembro de 1942), os alemães e italianos iniciaram a formação de tropas na Tunísia para preencher o vácuo deixado pelas tropas de Vichy com sua retirada. Durante este período de fraqueza, os Aliados foram contrários a um avanço rápido contra a Tunísia enquanto tinham problemas com as autoridades de Vichy. Muitos dos soldados aliados perderam tempo na mesma posição por conta do status incerto e das intenções das tropas de Vichy.

Em meados de novembro, os Aliados conseguiram avançar para Tunísia, mas somente com a força de uma divisão. No começo de dezembro, a Força Tarefa Oriental da 78ª Divisão de Infantaria Britânica e integrantes da 1ª Divisão Armada dos Estados Unidos avançaram em direção ao leste até apenas 30 km de Tunis. Nesta altura, o Eixo tinha uma divisão alemã e cinco italianas na Tunísia para reforçar sua defesa. Os aliados foram destruídos.

Durante o inverno, seguiu-se um período de impasse, durante o qual os dois lados continuaram a formar tropas. Na altura do ano novo, as forças-tarefa aliadas eram formadas pelo 1º Batalhão americano e por três falanges britânicas, seis americanas e uma francesa, além de soldados de outras nações aliadas. . Na segunda metade de fevereiro, no leste da Tunísia, Rommel e von Arnim tiveram algum sucesso principalmente contra tropas francesas e americanas inexperientes, mais destacadamente ao cercar o US II Corps na Batalha de Kasserine Pass.

No começo de março, o 8º Batalhão britânico, avançando em direção ao oeste ao longo da costa norte-africana, havia atingido a fronteira tunisiana. Rommel e von Arnim foram cercados e superados na qualidade das manobras, no número de homens e armas. O 8º Batalhão britânico desbaratou a defensiva do Eixo na Linha Mareth no final de março e o 1º Batalhão lançou uma ofensiva grande na Tunísia central em meados de abril para pressionar as forças do Eixo até que sua resistência na África fosse derrotada por completo, o que aconteceu em 13 de maio de 1943, com um saldo superior a 275 mil prisioneiros de guerra. Esta grande derrota de tropas experientes reduziu grandemente a capacidade militar das potências do Eixo, embora a maior parte das tropas delas tenham escapado da Tunísia. Esta derrota na África levou à conquista de todas as colônias italianas em África.

Conclusão

Depois da vitória dos Aliados na Campanha Norte-Afriacana, o palco estava armado para a Campanha Italiana começar. A invasão aliada da Sicília teve início apenas dois meses depois.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Cartas de soldados alemães, escritas durante a batalha em Stalingrado

“Você é o coronel, querido pai e do Estado-Maior. Você sabe o que significa tudo isto, por isso evita de eu explicar o que poderia ser sentimentalismo.É o fim. Acho que ainda agüentamos uma semana, depois, fecha o cerco. Não quero falar dos motivos a favor ou contra nossa situação. Esses motivos são perfeitamente insignificantes e não tem importância, mas se pudesse dizer qualquer coisa, gostaria de dizer que não devem procurar em nós a razão dessa situação, mas sim em vocês e quem é o responsável por isso tudo. Levantai a cabeça! Você pai, e os que são da mesma opinião, estejam com atenção para não acontecer uma coisa pior à nossa pátria. Que o inferno do volga sirva de aviso. Por favor, não deixem que o vento leve esta lição.”

Fonte: Cartas de Stalingrado, Coleção Einaudi, 1958.

domingo, 8 de agosto de 2010

Herbet Floss - O especialista em cremação de cadáveres


Quem já leu o livro Treblinka de Jean-françois Steiner, que é um romance, no qual ele diz que o que foi escrito vem de supostos depoimentos e declarações de sobreviventes, lembra-se do especialista em cremação de cadáveres, que se chamava-se Herbert Floss. Sobre esse especialista em cremação de cadáveres, há muitos debates em relação da existencia ou não dele, e a impossibilidade da cremação da quantidade gigantesca de cadáveres. No "Eu sou o ultimo Judeu", de Chij Rajchman, também fala da existência de uma pessoa que era responsável pela cremação dos corpos, o qual o autor chama de "O Artista" (no livro de Steiner, ele fala que os prisioneiros também apelidaram Herbert Floss de "Artista", devido a seu ar inspirado, ou "canhoto das duas mãos", por causa da sua falta de jeito.)

A muitíssimos debates na internet, em que os revisionistas tentam mudar essa historia e alegam a impossibilidade da cremação de tal forma descrita no livro, como disse acima (só estou falando sobre a cremação, já que os negacionistas, revisionistas e outros  tentam dar outros "olhos" para o campo). A seguir, vou apresentar a parte dos dois livros, e ao leitor do blog, vai notar que o eventual romance de Steiner, que diz ter entrevistado sobreviventes de Treblinka, tem uma relação direta com o do livro "Eu sou o ultimo judeu", publicado anos depois,que é o depoimento de um dos 57 sobreviventes. Mas você pode dizer que Steiner pode ter entrevistado Chij Rajchman, e assim os dois livros tem uma correlação...se for assim, os dois confirmam o evento. Mas relembrando, o primeiro é um romance.


Para ler só clicar na imagem que vai ampliar  em uma melhor visualização e leitura:






                     






















Para ver outras similaridades entre os dois livros, comprem os livros, que tem um preço muito bom. O livro de Chij é bom entender um pouco de Treblinka, pois os relatos serão meios soltos para leigos no assunto.

(A reprodução das paginas  é só para uma argumentação das passagens nos livros, e mesmo sendo errado, vai contribuir para divulgação do mesmo)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A primeira experiência sob a artilharia alemã - FEB



O Cabo Raul Carlos dos Santos, que serviu num Compania de Petrechos (metralhadoras e morteiros) do 11º RI, relatou a sua primeira experiência sob a artilharia alemã:



Aí fomos recebidos com granadas.  A gente dizia “as boas vindas”. O inimigo já sabia do nosso deslocamento. Em Lucca, Monte Cassino, em Pistóia. Cada um procurava um lugar pra se esconder. Já estávamos a pé. 
Estávamos numa área montanhosa, subindo para Sila. Uma coisa horrível! No dia 28 [novembro], para Bombiana [lê anotações]. Botei aqui, Bombiana, mas não botei tudo. Era uma área, tudo tinha número, fica do lado...... do Monte Castelo? A direita assim. Era uma cidade pequena, estava tudo destruído. Minha Cia teve que ficar aqui. Encontramos muita resistência aqui, demais! De perto! De perto numa guerra é um Km, 800 metros. É! Tiro direto! Desses canhõezinhos então! Bombiana, nós passamos aqui umas duas, três semanas 
talvez. Quando chegamos cada qual recebeu ordem de cavar seu fox hole. Fomos instruídos disso. Tínhamos que procurar uma coisa pra nos defender. Você sabe o que é cavar um buraco ligeiro? Usávamos umas pazinhas. Quebrava a mão toda! Calo! Calo de estoura e você não sentir! Tirava a luva via aquela zorra toda saindo sangue! 


Cb. Raul Carlos dos Santos, entrevista concedida à Luciano Meron para sua dissertação em 25/09/2007

domingo, 1 de agosto de 2010

O preconceito racial na FEB




Embora os veteranos hoje não se refiram ou não se recordem de preconceito racial dentro da FEB, pelo menos durante a campanha italiana, há registros de que no transcorrer dos preparativos para o envio dos soldados brasileiros à Itália houve atitudes discriminatórias por parte de alguns oficiais. O veterano Demócrito C. de Arruda fala sobre o preconceito racial no Exército:







Em 1943, quando o nosso Regimento foi designado para fazer uma demonstração física em São Paulo e se tratou da seleção e organização das turmas componentes, veio uma ordem surpreendente, partida de um general: “tirem fora os negros!” A ordem não foi cumprida, mas houve uma posterior recomendando colocá-los no meio das turmas, evitando a testa e as pontas. Igual espetáculo ocorreu no Rio, em março de 1944, quando se preparava um desfile da infantaria expedicionária. Nas vésperas de sua realização, lá veio o mesmo comandante, já nosso conhecido, a ordem: “Excluam os negros!”. O problema era que, excluído os negros - e por aproximação também os cafuzos, os mulatos, os morenos, etc. - pouco restaria da nossa infantaria. A 



ordem, mais uma vez, foi desconhecida; mas, não podemos deixar de guardá-la em nossos espíritos como testemunho sobre a conduta do nosso comando.


Fonte da citação: Impressões de um infante sobre o comando - ARRUDA, Demócrito C. Arruda - Pagina 64.


Einsatzgruppen - Unidades móveis de extermínio


As Einsatzgruppen eram unidades móveis de extermínio, esquadrões compostos principalmente pela polícia alemã e pelas SS. Sob o comando do Serviço de Segurança (Sicherheitsdienst; SD) e das autoridades da Polícia de Segurança alemã (Sicherheitspolizei; Sipo), as unidades móveis de extermínio tinham, entre suas atividades a tarefa de assassinar pessoas suspeitas de serem inimigas raciais ou políticas do nazismo que se encontravam atrás das linhas de combate alemãs, dentro do território soviético ocupado.

As vítimas incluiam judeus, ciganos da subetnia Roma, e autoridades do estado e do Partido Comunista soviético. Os Einsatzgruppen também assassinaram milhares de deficientes físicos e mentais que se encontravam internados em instituições médicas e sociais. Muitos estudiosos acreditam que o assassinato sistemático dos judeus dentro da União Soviética ocupada pelos batalhões dos Einsatzgruppen e da Polícia da Ordem (Ordnungspolizei), foi o primeiro estágio da “Solução Final”, o programa nazista para o extermínio dos judeus europeus.


Soldados de uma unidade não identificada da Einsatzgruppe C (grupo de unidades móveis de extermínio) vasculham pertences dos judeus massacrados em Babi Yar, uma ravina perto de Kiev. Foto tirada na União Soviética, entre 29 de setembro a 1° de outubro de 1941.

Durante a invasão da União Soviética, em junho de 1941, as Einsatzgruppen acompanhavam o exército alemão enquanto este avançava rumo o interior do território soviético. As Einsatzgruppen, muitas vezes com o apoio dos cidadãos soviéticos e da polícia local, realizavam operações de extermínio em massa, indo diretamente até locais onde haviam comunidades judaicas e massacrando todos seus habitantes, diferentemente dos métodos posteriormente empregados de deportação dos judeus dos locais onde viviam, cidades ou guetos, para serem assassinados nos campos de extermínio.

O exército alemão provia o apoio logístico para asEinsatzgruppen, incluindo suprimentos, transporte, moradia, e até mesmo recursos humanos, através de unidades militares que vigiavam e transportavam os prisioneiros. No início de suas atividades as Einsatzgruppen atiravam somente em homens, porém, de meados até o final de 1941, passaram a assassinar a todos--homens, mulheres e crianças-- sem distinção de idade, e os enterrava em conjunto em grandes valas. Com a ajuda de informantes e intérpretes, identificavam-se os judeus de uma determinada região, que eram então levados para pontos de coleta, como lixo. Destes locais tinham que marchar, ou eram transportados por caminhões, para os locais onde seriam massacrados e onde grandes valas já haviam sido abertas. Em alguns casos, as vítimas tinham que cavar suas próprias sepulturas: depois de entregarem seus objetos de valor e de serem forçados a se despir, homens, mulheres e crianças eram fuzilados, fosse ao “estilo militar” (de pé, na frente da sepultura aberta) ou deitados dentro das valas, com a face virada para o fundo. Este último tipo de assassinato em massa era designado pelos nazistas e seus cúmplices, em deboche cruel, como “empacotamento de sardinhas”.

As Einsatzgruppen que acompanhavam o exército alemão durante a ocupação da União Soviética eram compostas por quatro grandes grupos operacionais: a Einsatzgruppe Aespalhou-se pelo leste da Prússia e atravessou a Lituânia, a Letônia, e a Estônia em direção a Leningrado (atualmente São Petersburgo). Elas massacraram os judeus de Kovno, Riga e Vilna; o Einsatzgruppe B saiu de Varsóvia, na Polônia ocupada, e espalhou-se pela Bielorrússia, em direção a Smolensk e Minsk, devastando a população judaica de Grodno, Minsk, Brest-Litvosk, Slonim, Gomel e Moglilev, além de outras regiões; a Einsatzgruppe C começou suas operações em Krakow (Cracóvia) e se espalhou atravessando a região oeste da Ucrânia, em direção a Kharkov e Rostov-on-Don. Os membros daquele grupo assassinaram populações inteiras em Lvov, Tarnopol, Zolochev, Kremenets, Cracóvia, Zhitomir e Kiev. Elas eram tão letais que, na cidade de Kiev, na Ucrânia, as unidades do 4º destacamento dosEinsatzgruppen mataram, em apenas dois dias, 33.771 judeus na ravina de Babi Yar, no final de setembro de 1941. Das quatro unidades, o Einsatzgruppe D era o que operava mais ao sul. Seus membros chacinaram populações judaicas inteiras no sul da Ucrânia e da Criméia, principalmente em Nikolayev, Kherson, Simferopol, Secastopol, Feodosiya, e na região de Krasnodar.

Em sua tarefa macabra, as Einsatzgruppen recebiam ajuda dos soldados alemães e dos demais países do Eixo, bem como de colaboradoracionistas locais e outras unidades das SS. Os membros das Einsatzgruppen eram escolhidos entre unidades das SS, das Waffen SS (formações militares das próprias SS), SD, Sipo, Polícia da Ordem, e outras unidades policiais.





Membros de um Einsatzkommando.Os homens à esquerda são civis de origem étnica alemã que aproveitaram para ajudar o esquadrão. Slarow, União Soviética. Dia 4 de julho de 1943.






Judeus ucranianos que foram forçados a se despir antes de serem massacrados pelo destacamento do Einsatzgruppe. Esta foto, originalmente colorida, era parte de uma série tirada por um fotografo militar alemão. Posteriormente, cópias dessa coleção foram usadas como evidência nos julgamentos dos crimes de guerra. Lubny, União Soviética, 16 de outubro de 1941


Na primavera de 1943, os batalhões das Einsatzgruppen e da Polícia da Ordem já haviam exterminado mais de um milhão de judeus soviéticos, além de dezenas de milhares de comissários políticos soviéticos, guerrilheiros, ciganos da subetnia Roma, e deficientes físicos e mentais que se encontravam em instituições destinadas a seus cuidados. Os métodos móveis de extermínio, particularmente os fuzilamentos, mostraram-se cansativos, ineficientes, e ainda traumatizanates para muitos dos que atiravam. Mesmo com a continuação das atividades das Einsatzgruppen, as autoridades alemãs planejaram e iniciaram a construção de instalações fixas de gás nos campos de extermínio centralizados com a finalidade de exterminar uma quantidade bem maior de judeus.

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