sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Golias, a versão elétrica dirigivel (Sd.Kfz. 302)

ORIGENS E DESENVOLVIMENTO

Em novembro de 1940, após recuperar o protótipo de um veículo de lagartas em miniatura desenhado pelo engenheiro francês Adolphe Kégresse, o comando da Wehrmacht ordenou à companhia automotiva de Carl Borgward, em Bremen, que desenvolvesse um veículo similar com o propósito de carregar um mínimo de 50 kg de explosivos. A idéia por trás da iniciativa era destruir bunkers, posições fortificadas e até mesmo tanques à uma distância segura. O resultado foi o SdKfz. 302 (Sonderkraftfahrzeug, “veículo de propósito especial”), chamado de Leichter Ladungsträger (“carregador de carga leve”) ou simplesmente “Goliath”, que carregava 60 kg de explosivos.

O veículo se movia remotamente através de uma caixa de controle com joystick, que se ligava ao Goliath através de um cabo telefônico triplo conectado à traseira do veículo. Cada Goliath era descartável, sendo projetado para explodir junto com seu alvo. O protótipo tinha quatro grandes rodas principais e era propelido por dois motores elétricos. Os primeiros modelos de produção apresentavam rodas principais menores, e a esteira passava por cima das guias em três rolamentos de retorno. De abril de 1942 a janeiro de 1944 foram produzidas 2.650 unidades. Os primeiros exemplares foram entregues à Panzerpionierkompanien (Goliath) 811-815, que pertencia ao Heerespionierbataillon zb V600 (Taifun).

NOVAS VERSÕES

Contudo, a carga levada era pequena demais para causar os danos pretendidos, e o alto preço do aparelho, cerca de 3.000 Reichmarks, não compensava. A produção do SdKfz. 302 foi então paralisada em janeiro de 1944 em favor da produção de uma versão mais barata com motor de combustão, designada SdKfz. 303. Essa versão podia carregar 75 kg de explosivos e teve seu preço bastante reduzido em comparação com a versão anterior, custando cerca de 1.000 Reichsmarks a unidade.
Goliath: minas controladas por controle remoto.
A partir de novembro de 1944 foi colocada em produção a variante SdKfz. 303b, que carregava 100 kg de explosivos e era maior que sua predecessora. No fim, quase 5.000 unidades dessa versão foram produzidas. O alcance operacional do Goliath era de 1,5 quilômetro em cidades e 800 metros em campo.

EM OPERAÇÃO

Os Goliath foram usados em todos os fronts que a Wehrmacht lutou, a partir da primavera de 1942. Eram utilizados principalmente por unidades especializadas panzer e de engenheiros de combate. Esses aparelhos foram usados com destaque no Levante de Varsóvia em 1944, onde unidades do Exército e SS foram empregadas para esmagar a tenaz resistência polonesa do Armia Krajowa. Como os poloneses tinham somente um punhado de armas antitanque, voluntários foram muitas vezes enviados para cortar os cabos de comando dos Goliath antes que atingissem seu alvo. Alguns aparelhos também foram utilizados nas praias da Normandia durante os desembarques da Operação Overlord, embora a maioria tenha sido posta fora de ação pelas explosões de artilharia que danificavam seus cabos de comando.

CONCLUSÃO

Embora um total de 7.564 Goliaths tenham sido produzidos, essa arma de propósito único não foi considerada um sucesso devido ao alto custo unitário, velocidade baixa (cerca de 10km/h), pouca elevação em relação ao solo (apenas 11,4 centímetros), cabos de comando vulneráveis e blindagem fraca que falhava em proteger a bomba remota de qualquer forma de arma antitanque. No entanto, o Goliath fundou as bases para as tecnologias do pós-guerra em veículos remotamente controlados. Existem Goliaths preservados no Museu da Cavalaria Holandesa, em Roterdã, e no Museu do Campo de Provas de Aberdeen, em Maryland, EUA.

Os soldados britânicos com as minas controladas alemã Golias, capturadas .


DADOS TÉCNICOS (SdKfz. 302)

Tripulação: nenhum
Comprimento: 1,5 m
Largura: 0,85 m
Altura: 0,56 m
Blindagem: 5 mm
Peso: 370 kg
Motor: 2× Bosch MM/RQL 2500/24 RL2 (2,5 kW)
Velocidade máxima: 10 km/h
Alcance: 1,5 km em cidades e 800 m em campo
Armamento: 60 kg de explosivos






sábado, 9 de outubro de 2010

Churchill deliberadamente deixou milhões de indianos morrerem de fome

Winston Churchill, exibindo o V de vitória.
O Primeiro-Ministro britânico Winston Churchill deliberadamente deixou milhões de indianos morrerem de fome, diz a autora de um novo livro, motivado parcialmente por seu ódio racial.

Cerca de três milhões de pessoas morreram na Grande Fome de Bengala em 1943 após o Japão capturar a vizinha Birmânia – grande fonte de importação de arroz – e as autoridades britânicas guardarem toda a comida para soldados e operários de guerra.

A compra em pânico de arroz levou a uma alta vertiginosa dos preços, e os canais de distribuição foram desativados quando as autoridades confiscaram ou destruíram a maioria dos barcos e carros de Bengala para evitar que caíssem em mãos japonesas, caso fossem invadidos.

O arroz repentinamente tornou-se escasso no mercado e, enquanto a fome se espalhava pelas aldeias, Churchill repetidamente recusava súplicas por carregamentos emergenciais de alimentos.

Massas de famintos migraram para Kolkata, onde testemunhas descreveram homens lutando por restos e mães esqueléticas morrendo nas ruas enquanto os britânicos e indianos de classe média comiam fartas refeições em seus clubes e em casa.

Essa epidemia de fome é dos capítulos mais negros do Raj Britânico, mas agora a autora Madhusree Mukerjee disse ter descoberto evidências de que Churchill foi diretamente responsável pelo extremo sofrimento.

Seu livro, “Churchill’s Secret War”, mostra documentos nunca antes vistos que dizem que nenhum navio podia ser poupado da guerra. Análise de encontros do gabinete de guerra mostra que navios carregados de grãos da Austrália passavam pela Índia em seu caminho para o Mediterrâneo, onde grandes reservas foram construídas.

Análise das reuniões de gabinete da Segunda Guerra Mundial, os registros esquecidos do ministério e arquivos pessoais mostram que os navios cheio de grão da Austrália estava passando na Índia em seu caminho para a região do Mediterrâneo, onde enormes reservas foram se acumulando.



“Não era uma questão se Churchill sabia ou não: pedidos de suprimentos para Bengala foram feitos repetidamente e ele e seus associados mais próximos recusaram todos os esforços”, disse Mukerjee.




“Os Estados Unidos e a Austrália ofereceram-se para prestar ajuda mas não puderam, porque o gabinete de guerra não queria liberar os navios. E quando os americanos ofereceram-se para enviar comida em seus próprios navios, a oferta não foi seguida pelos britânicos”.


O registro de Churchill como um líder na guerra contra a Alemanha nazista já garantiu seu lugar na história, mas a sua atitude para com os indianos atrai menos admiração.



"Ele disse coisas horríveis sobre os índianos. Ele disse à sua secretária, que desejou que eles poderiam ser bombardeados", disse Mukerjee. "Ele ficou furioso com os indianos porque ele podia ver que a América não iria deixar o governo britânico na Índia continuar".


Churchill ridicularizou líder da independência indiana Mahatma Gandhi como um advogado que se levanta como um homem santo"semi-nu", respondendo a oficiais britânicos na Índia que pediram abastecimento de alimentos e perguntou a eles por que Gandhi ainda não havia morrido.



"Eu odeio os índianos. Eles são um povo bestial com uma religião bestial", disse Leo Amery, o secretário de Estado para a Índia. Outra vez, acusou os indianos de efetivamente causar a fome, "reproduzindo como coelhos."


Amery uma vez perdeu a paciência depois de um discurso do primeiro-ministro, com Churchill dizendo que ele não poderia "ver muita diferença entre a sua perspectiva e de Hitler."

Amery escreveu em seu diário: "Eu estou de maneira nenhuma certeza se sobre este assunto da Índia, ele é realmente muito saudável."

Mukerjee acredita que as opiniões de Churchill sobre a Índia, onde serviu como jovem oficial do Exército, veio de sua formação vitoriana. Como seu pai, ele via a Índia como a jóia fundamental para a coroa do império britânico.



“O ódio racista de Winston vinha de seu amor pelo Império, da mesma maneira que um marido ama sua esposa-troféu: ele prefere destruí-la do que perdê-la”, disse a autora.


O livro de Mukerjee foi saudado como uma conquista revolucionária que desenterra novas informações, apesar das centenas de volumes já escritos sobre a vida de Churchill.

Eminente historiador britânico Max Hastings o descreveu como "significativa - e para os leitores britânicos -. angustiante".

O autor Ramachandra Guha disse que "pela primeira vez, a prova definitiva de como um grande homem preconceituoso contribuiu para uma das fomes mais mortais da história moderna".

Mukerjee atributos revelações do livro para a sua formação como físico.



"As pessoas suspeitavam que algo como isto aconteceu, mas ninguém realmente atravessou a prova propriamente para descobrir o que os navios estavam fazendo no momento, provando que o grão pode ter sido levado para a Índia", disse ela.




"Eu não tive a intenção do destino Churchill. Parti para entender a fome e eu lentamente descobriu sua parte nela."


"A fome, você poderia argumentar, foi em parte um ato deliberado. A Índia foi forçada a exportação de grãos nos primeiros anos de guerra e em 1943 foi a exportação do arroz, por insistência pessoal de Churchill. Os britânicos exploraram impiedosamente a Índia, durante a guerra e não pararam mesmo quando a fome começou. "

Mukerjee, uma bengali de 49 anos que agora vive em Frankfurt com o marido alemão, acredita que a fome de Bengala também foi escovada do ar nos livros de história indiana.

"Eu nunca aprendi sobre ele na escola e meus pais nunca mencionaram isso", disse ela."Não há culpa da classe média que eram empregados em profissões que significava que eles receberiam rações. Mas os moradores foram considerados dispensáveis."

Sete anos de trabalho sobre o livro, e de ouvir contos extenuante de sobreviventes da fome que rastreou em vilas remotas, deixaram Mukerjee com parecer duros de Churchill.

"Ele é freqüentemente criticado por bombardear cidades alemãs, mas nunca antes foi responsabilizado pelas mortes de tantas pessoas como a fome de Bengala. Foi a maior mancha na sua carreira."

"Acho muito difícil ter a mente aberta sobre ele agora", disse ela. "Afinal, ele teria pensado que eu não valho a comida que eu como."

Fonte: http://www.rawstory.com/rs/2010/09/book-claims-churchill-deliberately-millions-indians-starve-death/

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Relatório de Cornides, Oficial da Wehrmacht, sobre Belzec

Wilhelm Cornides

Em 30 de agosto de 1942, um oficial alemão não-comissionado, Wilhelm Cornides, esteve em Rzeszow, em seu caminho de trem para Chelm. Em seu diário ele registrou que um policial ferroviário em Rzeszow lhe disse que "uma placa de mármore com letras douradas será erguida em 1° de setembro, porque então a cidade estará "livre de judeus". O policial também lhe disse que trens cheios de judeus "passam quase diariamente através dos pátios de baldeação, são despachados imediatamente para seu trajeto, e retornam totalmente vazios, com mais freqüência na mesma noite." Cerca de 6.000 judeus de Jaroslaw, acrescentou o policial, "foram mortos recentemente em um dia."

Então Cornides pegou o trem regular de passageiros de Rzeszow para Chelm, chegando a Rawa Ruska em 31 de agosto, e registrando em seu diário, enquanto esteve na "Casa Alemã" daquele local:


"Ao meio-dia e dez minutos, eu vi um transporte de trem correr para a estação. No teto e nos degraus sentavam-se guardas com rifles. Podia-se ver à distância que os vagões estavam abarrotados de pessoas. Eu me virei e percorri a pé o trem inteiro: ele consistia de 35 vagões de gado e um vagão de passageiros. Em cada um dos carros havia no mínimo 60 judeus (no caso dos transportes de homens alistados ou transportes de prisioneiros, esses vagões comportariam 40 homens; entretanto, os bancos haviam sido removidos e podia-se ver que aqueles que estavam ali trancados tinham que ficar espremidos em pé). Algumas das portas estavam um pouco abertas, as janelas entrecruzadas com arame farpado. Entre as pessoas ali trancadas havia alguns poucos homens e a maioria deles eram velhos; tudo o mais eram mulheres, garotas e crianças. Muitas crianças se amontoavam às janelas e às estreitas aberturas das portas. A mais nova com certeza não tinha mais de dois anos.

Assim que o trem parou, os judeus tentaram passar garrafas para fora a fim de pegar água. O trem, entretanto, estava cercado por guardas da SS, para que ninguém pudesse se aproximar. Naquele momento, um trem chegou vindo da direção de Jaroslaw; os viajantes afluíram em direção da saída sem se preocupar com o transporte. Alguns poucos judeus que estavam ocupados carregando um carro para as forças armadas acenaram seus chapéus para as pessoas que estavam trancadas."


Eu conversei com um policial em serviço na estação da ferrovia. À minha pergunta sobre de onde os judeus realmente vieram, ele respondeu:


"Aqueles são provavelmente os últimos de Lwow. Isso tem continuado por três semanas ininterruptamente. Em Jaroslaw eles só deixaram ficar oito, ninguém sabe por quê."


Perguntei: "Para onde eles irão?" Então ele respondeu: "Para Belzec." "E então?"


"Veneno." Eu pergutei: "Gás:" Ele encolheu os ombros. Então ele disse apenas:

"No começo eles sempre os fuzilavam, acredito eu."



Aqui na Casa Alemã eu só falei com dois soldados do campo de prisioneiros de guerra da linha de frente 325. Eles disseram que ultimamente estes transportes tinham corrido todos os dias, na maiora das vezes à noites. Acredita-se que ontem passou um de 70 vagões."


De Rawa Ruska, Cornides tomou o trem da tarde para Chelm. As coisas que ele aprendeu nessa jornada eram tão extraordinárias que ele fez três entradas separadas em seu diário dentro do período de uma hora, a primeira às 17:30:


"Quando nós embarcamos às 16:40, um transporte vazio tinha acabado de chegar. Eu acompanhei o trem a pé duas vezes e contei 56 vagões. Sobre as portas havia sido escrito em giz: 60, 70, uma vez 90, ocasionalmente 40 - obviamente o número de judeus que eram carregados lá dentro. Em meu compartimento eu falei com a esposa de um policial ferroviário que está atualmente visitando seu marido aqui. Ela disse que esses transportes agora estão passando diariamente, às vezes também com judeus alemães. Ontem seis corpos de crianças foram encontrados ao longo dos trilhos. A mulher acha que os próprios judeus tinham matado essas crianças - mas elas devem ter sucumbido durante a viagem.


O policial ferroviário que apareceu como companhia de trem juntou-se a nós no nosso compartimento. Ele confirmou as declarações da mulher sobre os corpos das crianças que foram encontrados ontem ao longo dos trilhos. Eu perguntei: "Os judeus sabem o que vai acontecer com eles?" A mulher respondeu:


"Aqueles que vêm de longe não sabem de nada, mas aqui na vizinhança eles já sabem. Então eles tentam fugir, se eles percebem que alguém está vindo atrás deles. Assim, por exemplo, mais recentemente em Chelm onde três foram fuzilados a caminho da cidade." "Nos documentos da ferrovia esses trens rodam sob o nome de transportesde reassentamento", notou o policial da ferrovia. Então ele disse que depois do assassinato de Heydrich, vários transportes contento tchecos haviam passado.


Judeus deportados


O Campo Belzec deve estar localizado à direita da linha férrea, e a mulher prometeu mostrá-lo a mim quando nós passássemos por ele.

17:40 pm. Uma parada rápida. Em frente a nós, um transporte pára novamente. Eu falo com o policial na frente do compartimento no qual nós estamos viajando. Eu pergunto:


"Você vai voltar para casa, para o Reich?" Sorrindo, ele diz:

"Você provavelmente sabe de onde nós estamos vindo. Bom, para nós o trabalho nunca está terminado."


Então o transporte à nossa frente vai embora, com 35 vagões vazios e limpos. Com toda a certeza este foi o trem que eu havia visto às 13:00 na estação Rawa Ruska.

18:20. Nós passamos pelo campo Belzec. Até então, nós viajamos por algum tempo através de uma floresta de altos pinheiros. Quando a mulher chamou, "Agora vem!", podia-se ver uma ponta alta de pinheiros. Um forte cheiro adocicado podia ser percebido distintamente. "Mas eles já estão cheirando mal", diz a mulher. "Oh, bobagem, é apenas o gás", disse o policial ferroviário rindo. Enquanto isso - nós havíamos percorrido cerca de 200 metros - o odor adocicado se transformava em um forte cheiro de algo queimando. "Isso é do crematório", diz o policial. Uma curta distância adiante, a cerca acabou. Na frente dela, podia-se ver uma casa de guarda com um posto SS. Um trilho duplo levava para dentro do campo. Um ramal de trilhos se separava da linha principal, a outra corria sobre uma rotunda a partir do campo para uma fileira de celeiros cerca de 250 metros adiante. Um vagão por acaso estava sobre a rotunda. Vários judeus estavam ocupados girando o disco.

Guardas da SS, com rifles sob os braços, estavam presentes. Um dos celeiros estava aberto; podia-se ver distintamente que estava cheio até o teto com fardos de roupas. Enquanto prosseguíamos, olhei para trás mais uma vez. A cerca era muito alta para se poder ver qualquer coisa. A mulher diz que às vezes, enquanto se passa, pode-se ver fumaça subindo do campo, mas eu não percebi nada do tipo. Minha estimativa é que o campo mede entre 800 por 400 metros."

Em seu diário, Cornides registrou conversas que teve com outras testemunhas:

"Na noite de 30 de agosto de 1942, na 'Casa Alemã' em Rawa Ruska, um engenheiro me contou:


"Tirando os poloneses e prisioneiros de guerra, judeus, que foram os principais transportados desde então, também foram empregados em conexão com o trabalho no solo de exercícios eqüestres que está localizado aqui. O trabalho dessas turmas de construção (que incluíam mulheres) atingia 30% do nível de produtividade de trabalhadores alemães em média. Enquanto algumas pessoas recebiam pão de nós, outras tinham que encontrá-lo por si mesmas. Por acaso, recentemente eu vi o carregamento de um transporte desses em Lwow. Os vagões ficavam ao pé do banco de areia. Usando paus e chicotes de cavalaria, os homens da SS dirigiam e empurravam as pessoas para dentro dos vagões. Aquele era uma visão que não esquecerei enquanto estiver vivo."


Lágrimas vinham aos olhos do homem enquanto ele contava sua história. Ele tinha aproximadamente 26 anos de idade, e usava um emblema do partido. Um capataz de construção dos sudetos que sentava-se à mesma acrescentou:


"Recentemente, um homem SS bêbado sentou-se na nossa cafeteria, chorando feito uma criança. Ele disse que estava servindo em Belzec, e que se as coisas corressem desse jeito por mais 14 dias ele se mataria, porque ele não poderia mais suportar."


Um policial no restaurante do prédio do governo em Chelm disse, em 1° de setembro de 1942:


"Os policiais que guardam os transportes judaicos não são permitidos dentro do campo; somente a SS e o Sonderdienst Ucraniano (uma formação policial que compreendia auxiliares ucranianos) eram permitidos. Por causa disso, eles criaram um bom negócio. Recentemente, um ucraniano que esteve aqui tinha um grande maço de notas, relógios, e ouro - tudo que se podia imaginar. Eles encontram tudo isso quando eles juntam e despacham as roupas."


Em resposta à pergunta, sobre o modo como os judeus eram mortos, o policial respondeu:


"Alguém diz a eles que eles precisam ser despiolhados. Então eles se despem e entram numa sala na qual, no início, entra uma onda de calor, e assim eles já receberam uma pequena dose de gás. É suficiente para agir como um anestésico local. O resto vem em seguida. E então eles são imediatamente queimados."


Quanto à questão de por que toda essa ação era executada, o policial declarou:


"Até agora, os judeus foram empregados em todo o lugar pela SS e pela Wehrmacht, etc., como trabalhadores auxiliares. Naturalmente, eles ouviram um monte de coisas, e além disso eles relataram tudo aos russos. Com tudo isso, eles têm que ir. E então eles também operavam todo o mercado negro e manipulavam os preços aqui. Quando os judeus se forem, os preços podem novamente se tornar razoáveis."


Fontes do texto:
Gilbert, Martin. Final Journey: The Fate of the Jews in Nazi
Germany, Mayflower Books, New York, 1979
Longerich, Peter. Die Ermordung der europäischen Juden. Serie Piper
1060, München, 1989


Fonte do artigo:
http://www.deathcamps.org/belzec/rawacornides_pt.html

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Oskar Dirlewanger

Dr. Oskar Dirlewanger (26 de setembro de 1895, Würzburg - 5 de junho de 1945, Altshausen) foi um oficial da SS que comandou a SS-Sturmbrigade Dirlewanger, um batalhão penal composto de criminosos alemães. Juntamente com a SS-Brigada Kaminski, a SS-Sturmbrigade Dirlewanger é considerada uma das mais controversas unidades militares alemão, devido à seus abusos aos direitos humanos, incluindo assassinatos em massa de civis na Revolta de Varsóvia.

Início de vida


 Oskar Dirlewanger foi um oficial de infantaria na I Guerra Mundial e ganhou o Cruz de Ferro de segunda classe e a Cruz de Ferro de primeira classe. Seu serviço militar era visto como exemplar pelas autoridades alemãs, e era conhecido por sua considerável bravura em batalha (por ter sido ferido mais de dez vezes) e que sempre conduzia suas tropas na frente. Durante a Segunda Guerra Mundial, ele ganhou uma série de medalhas adicionais, incluindo a Cruz Ferro 2 ª Classe, a Cruz dos Balcãs, e da Cruz Alemã em Ouro. Ele foi premiado com a Cruz de Cavaleiro em 1944.

Após o término da I Guerra Mundial, ele se juntou a diferentes milícias de voluntários Freikorps e lutou em Ruhr; Saxónia e Silésia. Entre a sua atividade militante, ele estudou na universidade de Frankfurt e atingiu um PhD em ciência política em 1922. No ano seguinte, ingressou no NSDAP, mas acabou por ser expulso. Ele voltou anos depois e recebeu o numero do partido # 1098716 e, posteriormente,o da SS # 357267.

Dirlewanger e os homens de sua brigada.
Ele realizou vários trabalhos, que incluíram o trabalho em um banco, uma fábrica de malha, e como professor. Em 1934, ele foi condenado pelo estupro de uma menina de 13 anos de idade da BDM (Bund Deutscher Mädel ou Liga das Garotas Alemãs), uso ilegal de um veículo do governo,  danificando o veículo sob a influência do álcool. Por esses crimes ele foi condenado a dois anos de prisão. Dirlewanger em seguida, perdeu seu emprego, seu título de doutor e todas as honras militares. Ele também foi expulso do NSDAP. Logo após sua libertação, ele foi preso novamente por acusações semelhantes. Ele foi enviado para o  campo de concentração Welzheim, como era prática habitual para agressores sexuais na Alemanha da época, mas ele foi solto e voltou como um coronel da SS após a intervenção pessoal de seu amigo, mais tarde SS-Obergruppenführer, Gottlob Berger, chefe da SS Hauptamt e de longo tempo amigo pessoal de Heinrich Himmler, com a condição de que ele pretendia viajar para a Espanha para lutar na Legião Condor contra o  forças anti-Eixo na Guerra Civil Espanhola.

Dirlewanger serviu com a Legião Condor de 1936-1939 e foi ferido três vezes. Ambas as vezes ele foi considerado um soldado modelo e foi bem falado nos círculos militares. Após nova intervenção em seu nome por seu patrono Berger, ele conseguiu uma petição para ter seu caso reconsiderado à luz do seu serviço na Espanha. Dirlewanger foi reintegrado ao partido nazista. Seu doutorado foi também restaurado pela Universidade de Frankfurt.




Segunda Guerra Mundial


No início da Segunda Guerra Mundial, Dirlewanger foi voluntário para a Waffen-SS e recebeu a classificação de Obersturmführer. Ele se tornou o comandante do chamado Batalhão Dirlewanger, composto inicialmente de um pequeno grupo de caçadores, juntamente com ex-soldados de um contexto mais convencional. Acreditava-se que o excelente rastreamento e habilidades de tiro dos caçadores poderia ser colocada em uso na luta contra guerrilheiros comunistas.

O batalhão foi designado para funções anti-partisans em primeiro lugar na Polónia ocupada(Governo Geral), onde Dirlewanger anteriormente serviu como um SS-TV( SS-Totenkopfverbände - que significa "Unidades da Caveira", era o SS organização responsável pela administração doscampos de concentração nazista para o Terceiro Reich)- comandante de um campo de trabalho SS em Dzików.

Em fevereiro de 1942, o batalhão foi transferido para fazer uma luta anti-partisans na Bielorrússia . Dirlewanger era conhecido por levar os seus soldados em combate pessoalmente o que era incomum para alguém de sua categoria, e ele foi ferido muitas vezes em combate. Dirlewanger recebeu o fecho para a sua Cruz de Ferro de segunda classe em 24 de maio de 1942, e a sua Cruz de Ferro de primeira classe em 16 de setembro de 1942, e recebeu a Cruz Alemã em Ouro em 05 de dezembro de 1943, em reconhecimento do regimento à seus sucessos durante esta operação (Operação Cottbus, a destruição do pseudo-estado partisan "República Autónoma Lake Pelik " e alegou a contagem de corpos de 14.000 partisans).

O principal patrono da Dirlewanger na hierarquia da SS foi Obergruppenführer Gottlob Berger, que forneceu a Himmler um enorme impulso político, e aumentando numericamente a Waffen-SS através de sua posição como chefe da SS Hauptamt (Inglês: SS Main Office - Escritório Central).

Soldados do regimento Dirlewanger entram Varsóvia, marchando na rua Chlodna, perto de Hala Mirowska (Mirowska Markthalle),  as ruínas no fundo pertencem ao Corpo de Bombeiros do Distrito Mirow em Varsóvia.
Unidade em ação.
 Na sequência de um despacho assinado por Berger em 1940, cada membro ativo da SS  que usam o mesmo uniforme são soldados profissionais. A diluição da fronteira entre os guardas do campo, da Gestapo e  soldados da linha de frente, empurrando Himmler em direção ao seu objetivo final. Tendo em conta a contribuição de Berger para ambições Himmler, é possível que Himmler tenha permitido uma mão livre a Berger .   Himmler e Berger estavam entusiasmados com a incorporação da  Brigada Kaminski a Waffen-SS, uma unidade composta por anti-comunistas dedicados, vindo de terras que estavam sob domínio soviético. No entanto, a brigada rapidamente provou ser quase completamente militarmente ineficaz e Bronislaw Kaminski foi sumariamente e, secretamente, executado por incompetência e roubo de "propriedade do governo alemão" (as posses dos polacos Warsaw), depois de desordeiros desempenho da unidade em Varsóvia em 1944, onde mais de 50% da brigada desertou após  ignorarem os seus objectivos, a fim de saquear tudo o que podiam carregar.

Uma foto muito rara de um grupo de homens do Sonderkommando Dirlewanger

Sturmbrigade Dirlewanger fotografada no Distrito Woli, na janela da casa na rua Focha 9 .No reflexo do vidro pode-se ver detalhes da casa no lado oposto da rua, na Rua Focha 8; Varsóvia; agosto de 1944.
A unidade Dirlewanger foi empregada em operações contra guerrilheiros nos territórios ocupados da União Soviética. A propaganda comunista naturalmente retratou essas operações contra as forças comunistas sob uma luz desagradável.

Mais tarde, a unidade de Dirlewanger foi utilizada na supressão do Levante de Varsóvia. A unidade Dirlewanger matou dezenas de milhares de civis não-combatentes poloneses, ao conseguir pouco militarmente. As atrocidades cometidas por suas tropas chocou e enojou mesmo os endurecido oficiais SS.

Dirlewanger recebeu sua promoção final, a SS-Oberführer der Reserve, em 15 de agosto de 1944. Em 15 de fevereiro de 1945, ele foi seriamente ferido em combate pela 12 ª vez e enviado para a retaguarda.

Os Dirlewangers frequentemente usavam máscaras no final de 1944,
devido a fotos tiradas em Varsóvia.

Assassinato

Em 01 de junho de 1945, as forças de ocupação francesa usaram soldados poloneses no seu serviço para levá-lo à força para prisão a Altshausen. Dirlewanger foi espancado e torturado durante os poucos dias seguintes. Ele morreu de ferimentos infligidos pelos guardas polacos em torno de 05 de junho de 1945. Esta informação foi suprimida na época, e muitas falsas aparições dele foram feitas em todo o mundo, apesar do  registrou francês que Dirlewanger foi enterrado em 19 de junho de 1945, deixando poucas dúvidas de que ele estava morto.

Outros boatos surgiram anos mais tarde, para sugerir que ele havia fugido, incluindo uma história de Dirlewanger servir na Legião Estrangeira Francesa e, posteriormente, desertando para o Egito para aceitar uma comissão do exército de Gamal Abdel Nassers. Estas foram provadas  falsas quando um tribunal francês organizou a exumação de seu corpo para confirmar a sua identidade em novembro de 1960.





Linhagem 

Wilddiebkommando Oranienburg (15 de Junho de 1940 - julho 1940) foi constituído por 84 homens dos quais 79 (94%) eram caçadores. A unidade foi equipada com armamento padrão do exército alemão e uniformes de combate da SS.

SS-Dirlewanger Sonderkommando (Julho 1940-1 Sep 1940) 300 homens, dois terços deles criminosos menores de unidades penais.

SS-Sonderbataillon Dirlewanger (01 de setembro de 1940 - setembro 1943), 700 homens, a maioria das prisões militares, os caçadores originais foram quase totalmente exterminados.

SS-Sonderregiment Dirlewanger (setembro 1943 - dezembro 1944) cerca de 2.000 homens, divididos em um terço de voluntários estrangeiros, presos do campo de concentração, e militares com condenação penal. Os voluntários estrangeiros eram tipicamente poloneses e criminosos russos, que não foram substituídos, sendo eliminados em combate. Durante este tempo, não era incomum que os soldados realizarem as suas tarefas mascarados.

SS-Sturmbrigade Dirlewanger (19 de dezembro de 1944 - 20 de fevereiro de 1945) 4.000 homens dos quais, cerca de 40% foram presos e outros 40% das unidades penais.

Unidades ligadas a Brigada

SS Regiment 1
SS Regiment 2
Artillerie-Abteilung
Fsilier-Kompanie
Pioneer-Kompanie
Nachrichtren-Kompanie

36ª 
Divisão SS de Granadeiros Dirlewanger (20 1945 de fevereiro-maio 1945) 6.000 homens dos quais 40% eram provenientes de unidades penais, 15% de concentração campo de prisioneiros, e 45% eram do exército alemão regular. Esta unidade de divisão foi criada em 20 de fevereiro de 1945, enquanto na frente do Oder- Sturmbrigade Dirlewanger SS e de uma parte de desabrigados de unidades do Exército regular (não da SS) . Foi uma divisão apenas no nome, e foi considerada, de longe, a pior unidade na SS. Qualidade e quantidade de armamento, treinamento e liderança variavam muito, não só de regimento para regimento, mas de pelotão para o pelotão. 


Unidades ligadas a divisão: 


72º Regimento de Granadeiros da Waffen-SS
73º Regimento de Granadeiros da Waffen-SS
Panzer-Abteilung Stansdorf I
Artillerie Abteilung 36
Fsilier Kompanie 36
687º Brigada Pioneiros
1244º Regimento de Granadeiro -  foi constituída uma mistura de homens de várias fontes, cerca de metade deles eram estudantes de escolas NCO e cerca de um quarto veio do Volkssturm.
681.Panzerjaeger-Abteilung



Traduzido por: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)

Fontes:
http://en.wikipedia.org/wiki/Oskar_Dirlewanger
http://www.thedarkpaladin.com/dirlewanger.htm

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Torres marítimas fortificadas na Inglaterra



Em 1943 a posição da Inglaterra na Segunda Guerra Mundial, alvo de bombardeamentos e ataques constantes por parte das tropas alemãs, era mais frágil do que nunca e chegou-se mesmo a recear uma invasão. Por esse motivo as defesas foram ampliadas e reforçadas. 

Uma das obras realizada foi a edificação de torres fortificadas ao longo do rio Tamisa, precisamente uma das vias de penetração do inimigo em território britânico. Essas torres teriam a capacidade de detectar e responder a possíveis ataques. O projecto foi encomendado a um engenheiro civil, Guy Maunsell, que o concluiu e construiu nesse mesmo ano. 


Maunsell foi escolhido pela sua experiência com betão pré-esforçado, sistema que já tinha utilizado em diversas pontes e a que recorreu para este projecto. Para o Tamisa planeou diversos conjuntos e tipos de fortificações imaginativas, entre os quais se conta este insólito grupo de torres, o Shivering Sands Army Fort, também conhecido como U7 devido ao número de elementos que o compõem. 

Cada uma das torres, construída em ferro, foi montada isoladamente em terra e depois fundeada no local, assente numa estrutura de quatro pilares de betão armado. O conjunto possuia vários sistemas defensivos (canhões, metralhadoras, radar, etc.) e interligava-se por passadiços metálicos. Durante a guerra desempenhou um importante papel, detectando ataques aéreos, lançamento de minas e abatendo também diversos aviões e bombas voadoras.


Após o fim do conflito armado o Shivering Sands Army Fort permaneceu em actividade até 1958, ano em que foi abandonado pelas tropas inglesas. A partir daí, sem manutenção e sob a acção corrosiva das águas, foi-se degradando progressivamente. Já foi abalroado por barcos, transformado em estação meteorológica e serviu até de local de emissão de rádios piratas. Houve quem propusesse a sua demolição pura e simples mas até hoje permanece de pé, ameaçando a navegação. É uma ruína magnífica, grave, fantasmagórica e indubitavelmente romântica...





Fonte: http://obviousmag.org/archives/2008/05/torres_fortificadas.html

sábado, 11 de setembro de 2010

O gueto de Riga

O gueto de Riga estava cobrindo uma área pequena em Maskavas Forstater, um subúrbio de Riga, capital da Letónia, nomeado pelos nazistas para concentrar os judeus da Letónia, e mais tarde outros deportados da Alemanha durante a Segunda Guerra.

Em 25 de Outubro 1941, os nazistas moveram todos os judeus de Riga e os seus arredores para o gueto, enquanto os habitantes não-judeus foram expulsos da área. A maioria dos judeus da Letónia (cerca de 24.000) foram mortos em 30 de novembro e 08 de dezembro de 1941 no massacrados de Rumbula. O nazistas um transportaram um grande número de judeus alemães para o gueto, sendo que a maioria deles morreu mais tarde no massacres.

Embora o gueto de Riga é conhecida como uma entidade única, na verdade, havia muitos "guetos". Foi  primeiro maior gueto judaico na Letónia. Após o massacre de Rumbula, os judeus sobreviventes da Letónia estavam concentrados em uma área menor dentro do gueto original, que ficou conhecido como o "gueto pequeno". O gueto pequeno foi dividido em seções para homens e mulheres. A área do gueto não foi alocado para o gueto pequeno, foi transferido para os judeus que foram deportados da Alemanha para este setor que era conhecido como o gueto alemão.

Restrições sobre os judeus

No início de julho de 1941, o exército alemão ocupou Riga e todo o país, começando a implementar as primeiras medidas e os ataques contra judeus, que contou com a colaboração da população civil da Letónia. A poucos dias  após o local ser ocupado, sediou a queima de todas as sinagogas do cidade.

Soldados alemães se divertem com judeus em Riga.

Os alemães emitiram uma série de decretos que afetaram diretamente os judeus, proibindo o trânsito nos locais públicos, incluindo parques e piscinas, e forçá-los a sempre levar uma estrela amarela de seis pontas em suas roupas,  arriscando a morte se eles não fizessem ,  e depois  imporam a obrigação de manter uma segunda estrela para fácil identificação na multidão, porque eles não foram autorizados a usar as calçadas. Os judeus também recebiam apenas metade da ração alimentar de um cidadão não-judeu .

Estabeleceu uma "Escritorio de Assuntos Judeus", que começou a aplicar políticas inspiradas pela Leis de Nuremberg, que previa a proibição de casamentos entre judeus e não judeus, exortando os casais ao divórcio já estabelecidos e em caso de não aceitar obrigadar a esterilização. Em paralelo, proibiu médicos judeus de tratarem não-judeus e médicos não-judeus de tratarem judeus.


Criação do gueto

Em 21 de julho 1941, o comando de ocupação de Riga decidiu concentrar os trabalhadores em um gueto judeu. Todos os judeus foram registrados e estabeleceu um Judenrat (Conselho Judaico), como era feito nos outros guetos . Sendo eleitos para o conselho, alguns dos mais proeminentes judeus da cidade. Os membros do Conselho receberam grandes braçadeiras brancas com uma Estrela de David em azul, e deu-lhes direito de usar as calçadas e conduzir automóveis.

 Riga - transporte de judeus.
Em 23 de outubro de 1941, as autoridades de ocupação emitiram uma ordem obrigando todos os judeus a se mudarem a 25 de outubro de 1941, para Forstater Maskavas (em castelhano, subúrbio de Moscou), um distrito de Riga. Como resultado, cerca de 30 mil judeus foram concentrados em uma pequena área de 16 quarteirões, cercado por arame farpado. Qualquer pessoa que chegava muito perto do muro foi baleado por guardas letões estacionados em todo o perímetro do gueto. A guarda letona, que era comandada pela polícia alemã de Dantzig, foi autorizada a atirar aleatoriamente durante a noite.

Enquanto os judeus foram reassentados no gueto, os nazistas confiscaram a sua propriedade e roubaram seus bens, porque estes foram autorizados levar muito pouco para o gueto, e o que foi deixado de fora, permaneceu sob o controle de uma autoridade de ocupação conhecido como Escritório de administração e confiança (em alemão, Treuhandverwaltung). Todo trens carregados com bens roubados dos judeus foram enviados para a Alemanha. Embora o que era passado para os alemães, era roubado pela polícia letã, considerada como uma forma de compensação pela sua participação nos assassinatos.

Deportação


Assassinatos em massa


Em setembro de 1941, Adolf Hitler, a pedido de Reinhard Heydrich e Joseph Goebbels, havia decretado a expulsão dos judeus da Alemanha para o leste. Embora inicialmente o destino previsto era Minsk, devido à sua superpopulação,  mais trens para deportação foram desviados para Riga, que também ultrapassou a sua capacidade.

Entre 30 de novembro e 9 de dezembro de 1941, os nazistas executaram 27.500 judeus do gueto letão em covas pré-escavadas na floresta perto de Rumbula, no que é conhecido como o massacre de Rumbula. O gueto grande tinha tido a existência de apenas 37 dias. Apenas cerca de 4.500 trabalhadores qualificados de unidades de trabalho masculino sobreviveram, sendo confinadosno ao  "pequeno gueto", com cerca de 500 mulheres, que tinham sido classificados como costureiras.

O primeiro transporte de 1.053 judeus de Berlim chegou na estação de trem Skirotava de Riga, em 30 de novembro de 1941. Todas as pessoas foram mortas no mesmo dia na floresta de Rumbula. Os seguintes quatro trens chegaram com cerca de 4.000 pessoas que foram alojados em um pátio vazio, chamado campos de concentração provisórios Jungfernhof, por ordem do SS-Brigadeführer e comandante da Einsatzgruppen A, Stahlecker Walter.

Um judeu sendo arrastado por soldados letões no gueto de Riga, na Letónia.




Instalação do gueto "pequeno"


Após os assassinatos em massa em Rumbula, os sobreviventes foram instalados no gueto pequeno. Embora por toda Riga foram colocados cartazes, observando que "qualquer pessoa a comunicar às autoridades sobre uma pessoa suspeita ou um judeu escondido, receberá uma grande soma de dinheiro, e muitas outras regalias e privilégios". Criou-se também passaportes internos para identificar a população, que eram utilizaveis, por exemplo, quando era solicitada uma receita médica. Foi nomeado como comandante do gueto pequeno, um oficial nazista chamado Stanke, que também participou da liquidação do gueto grande, sendo assistida por um letónio chamado  Dralleo, que ganhou uma reputação de brutalidade entre os judeus. Como no grande gueto, o perímetro era guardado por guardas também letões.

Vala comum na Mata Bikernieki perto de Riga

Vala comum na Mata Bikernieki perto de Riga.


Tradução: Daniel de A. Moratori à partir do link:
Transcrição por : avidanofront.blogspot.com/

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O ataque trágico


Savoia-Marchetti SM.79

O Tenente Graziani narra um emocionante ataque dos torpedeiros SM79 a um comboio britânico, em 1942.

Em 5 de fevereiro de 1942, dois torpedeiros SM79, pilotados pelos Ten. Graziani e Ten. Cimicchi , decolam as 14:30hs do aeródromo de Gadurra para efetuar um ataque a um pequeno comboio inglês composto de um petroleiro e de algumas unidades de escolta, uma missão aparentemente de rotina mas que na verdade seria uma das mais difíceis pela qual os Aerosiluranti já passaram... Quem narra é o piloto Ten. Graziani.

Já próximos do alvo, avistamos a poucas milhas de Tobruk o comboio navegando para oeste, composto de um petroleiro escoltado por quatro contratorpedeiros do lado direito e três do lado esquerdo.

Eu já tinha estabelecido uma conduta de ataque após analisar os informes do serviço de reconhecimento. O perfeito conhecimento do objetivo certamente fez com que a preocupação com a defesa antiaérea passasse longe de minha mente.

Chegamos a área onde se encontravam os navios que já tínhamos avistado de longe. Não havia qualquer proteção de caças. 

As unidades de escolta também nos avistaram e abriram um violento fogo antiaéreo que ficava mais intenso à medida que avançávamos. As explosões das granadas acima e abaixo faziam o meu avião pular e não me permitia firmar o meu SM79 para o lançamento, era como se estivesse controlando um cavalo que avança sobre obstáculos.

Subitamente ouvi um som metálico, como se um grande martelo nos tivesse caído em cima, e senti algo batendo contra a hélice. Um cheiro de pólvora e de queimado entrava pela fuselagem irritando os olhos e a garganta.

O avião, no entanto, prosseguia e já me aproximava da distância de lançamento.

Ultrapassei os quatro contratorpedeiros de escolta e me dirigi direto contra o petroleiro. Já na posição de lançamento do torpedo, notei uma mancha no pára-brisas, e ao mesmo tempo que senti algo úmido cair no meu colo. Lançado o torpedo não senti o salto que o avião costuma dar após se aliviar dos 900 kg de peso do torpedo. No momento seguinte ao lançamento do torpedo senti uma corrente de ar, ao qual não dei importância naquela hora. Quando, porém, saí fora da área de fogo dos canhões antiaéreos, me apercebi do drama junto a minha tripulação. O co-piloto Ten. Riso estava agachado no soalho do lado direito, e seu peito estava banhado de sangue. O sub-Tenente Pavese feriu-se na mão, e o Sargento Venuti, sujo de sangue, informou que o sub-Tenente fotografo Di Paolo estava morto.
SM79 e um barco atingido
O Sgt. Armeiro Galli, que estava ferido no fêmur, veio até a cabine e informou que o torpedo não saíra do seu suporte.

Considerei por um momento e decidi repetir o ataque. Fiz uma virada e me posicionei para o ataque pela parte oposta de onde tinha vindo.

Os contratorpedeiros de escolta imediatamente voltaram a vomitar fogo com todos os seus canhões. Aproximei-me do alvo e acionei o comando de lançamento do torpedo, e novamente não obtive sucesso.

Após sair da área do fogo inimigo, instrui o Sgt. Venuti para que fosse até o fundo da fuselagem para observar se havia qualquer coisa de anormal nos cabides do torpedo, e disse que o botão de lançamento do torpedo estava acionado. Eu imaginava que a avaria poderia ser no circuito hidráulico em razão da perda de ar.

Venuti não conseguiu ver qual podia ser o problema, e eu compreendi que não podia fazer nada para renovar o ataque contra o petroleiro.

Procurei então levantar a situação de bordo, que era dramática. De imediato notei a triste morte do fotógrafo Di Paolo, que estava caído e com parte do peito fora da fuselagem. Um estilhaço ou uma bala de canhão atingiu a sua cabeça que estava sem metade do crânio. Uma parte do seu cérebro em migalhas caiu sobre meu colo e espirrou sobre o pára-brisa.

O Sgt. Venuti, que o segurava pelas pernas para evitar que caísse para fora do avião, estava manchado do sangue de Di Paolo pois seu coração ainda bateu por algum tempo esguichando sangue em sua direção. O Ten. Riso teve seu pulmão perfurado por dois estilhaços, perdeu muito sangue e permaneceu inconsciente durante todo o vôo de regresso. Constatei ainda que havia dois furos no meu pára-brisa.

Para melhor controlar e fazer a mira, eu sempre inclinava ligeiramente o corpo para o centro do aparelho, e com este gesto havia evitado de ser atingido pelos estilhaços que entraram através do pára-brisas raspando meu traje de vôo no ombro esquerdo, terminando por atingir a mão esquerda de Pavese logo atrás do meu assento.

Pavese por sua vez jazia entre o Sgt. Galli que, golpeado no fêmur, estava no fundo da fuselagem.

Indene estava apenas eu e o Sgt. Venuti. O avião estava em boas condições, mas o rádio havia sido atingido e estava inutilizado.

Tudo isto aconteceu próximo ao porto de Tobruk, ao cair da noite, fim de dia, horário ideal para atacar vindo da parte escura do céu.

Nós, no entanto, tínhamos que retornar a Rodes. Esta era uma noite sem lua com muitas nuvens, e voávamos sem o auxílio do rádio. Perdemos também o contato com o outro SM79 pilotado por Cimicchi.

Pus-me em rota com escassa possibilidade de atingir Rodes. Chamei o bom Venuti e disse-lhe o que pretendia fazer, e que apesar de tomar rumo em direção a Rodes, não sabia qual a nossa possibilidade de alcançar a ilha. Se não encontrássemos a ilha terminaríamos provavelmente em território turco que reconheceríamos através das luzes acesas das cidades ou vilas. Se fosse este o caso, saltaríamos de pára-quedas. Era necessário colocar o pára-quedas no morto e ajudar os feridos, e também auxiliar no lançamento da tripulação, depois Venuti se lançaria e eu iria por último.

Com esta escassa perspectiva de retornar a base, empreendemos o vôo de retorno. Junto com Venuti, consultamos a carta de navegação e efetuamos os cálculos relativos ao tempo de vôo. Mesmo ferido e perdendo sangue, Pavese vigiava o funcionamento dos motores e abria ou deslocava o combustível dos reservatórios no circuito de alimentação.

Depois de 01:15 hs de vôo realmente dramático pela nossa condição psicológica, e traumatizados de quando em quando pelo sinistro barulho provocado pelos gases de escape dos motores quando o avião atravessava as nuvens, avistamos ao longe, em meio a uma escuridão absoluta, um clarão exatamente a nossa frente.

O vôo continuou sem nenhuma correção e o clarão foi se tornando pouco a pouco em uma luz clara e visível. Meu coração de súbito batia violentamente, pois aquela luz não podia ser outra que não a dos holofotes da defesa antiaérea de Gadurra.

Da hora que avistamos o pequeno clarão pela primeira vez, até a aterrissagem, transcorreram 25 minutos, o equivalente a 125km de distância.

Atribuo verdadeiramente a nossa sorte, mais do que minha capacidade de aviador, termos retornado nas condições dificílimas de vôo em que nos encontrávamos.

Localizar a ilha de Rodes em meio à escuridão, sobre o mar e sem orientação, e pousar em Gadurra quando esperávamos bem pouco e quase não tínhamos mais esperança, o que nos deu força física e mental diante de situação tão excepcional, eu não saberia explicar.

Quando cheguei na zona de estacionamento do avião, uma multidão de companheiros, muitos olhando espantados, pois já nos haviam dado por perdidos, veio nos receber e perceberam o drama a bordo, e neste drama eu senti a solidariedade de todos que acorreram e prestaram toda ajuda e conforto.

Devido ao meu esgotamento físico e mental precisei de ajuda para sair do meu posto de pilotagem. Desta maneira, como se fosse um ferido, fui abraçado pelo comandante Cap. Marini...

Ao Coronel Graziani (Tenente na data deste fato) que faleceu em 1997, foi concedido a Medalha de ouro ao Valor Militar, a mais alta condecoração italiana, que só foi concedida a 29 aviadores e equipagens dos esquadrões torpedeiros.

Fonte deste artigo: I Martiri dell´Egeo - Gino Manicone; Revista Storia Militare 
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