quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Extrato de um relatório sobre a destruição da aldeia de Borki - de 22 a 26 setembro de 1942



15º Regimento de policia - 10º Companhia

28 Setembro de 1942

A 21 de setembro de 1942 a companhia recebeu a missão de destruir a aldeia de Borki situada a 7 km a leste a leste de Mokrany.

À noite as seções da companhia foram postas ao corrente da operação. A preparação começou.

Em 22 de setembro o numero de veículos era suficiente para carregar e transportar ao ponto de ligação em Mokrany todas as seções da companhia e a seção da 9ª companhia que lhe estava adjunta. A deslocação teve lugar sem incidentes. Ninguém foi licenciado.

As carroças necessárias para a operação  foram previamente preparadas e chegaram a Borki à hora determinada. Quando se estavam a mobilizar as carroças descobriram-se varias camponeses recalcitrantes e a companhia pediu a sua punição.

A operação realizou-se segundo o plano, salvo alguns atrasos em algumas etapas. A causa destes atrasos foi a seguinte: no mapa, a localidade de Borki, está indicada como uma aldeia compacta. Na realidade, esta localidade estende-se por 6 ou 7 km de comprimento e de largura.

Quando, de madrugada, dei conta deste fato, alarguei o cerco a leste e organizei o contorno da aldeia de tesoura espaçando simultaneamente a distancia entre os postos. Graças a isto consegui prender e levar para o local de  concentração todos os habitantes da aldeia sem exceção. Esta tarefa foi facilitada pelo fato de a população ignorar até o ultimo momento a finalidade deste reagrupamento. No local de concentração reinava a calma, o numero de postos foi reduzido ao mínimo, e as forças que assim ficaram disponíveis puderam ser utilizadas no ulterior desenvolvimento da operação. A equipa de coveiros só recebeu as pás no local da execução, e a população ignorava a sorte que a esperava. As espingarda-metralhadoras, como  foram colocadas de modo a não serem vistas, evitaram o pânico que surgiu no inicio quando soaram os primeiros tiros no local da execução situado a 700 metros da aldeia. Dois homens tentaram fugir mas, depois de darem alguns passos, caíram atingidos pelas balas. A execução começou às 9 horas e acabou as 18. Das 809 pessoas reunidas, 104 (seguras do ponto de visto político) foram libertadas, entre as quais os operários da exploração de Mokrany. A execução desenvolveu-se sem complicações, tendo-se mostrado racionais as medidas preparatórias. A confiscação do trigo e do material decorreu segundo o plano, exceto algum atraso de tempo. O numero de carroças era suficiente, pois a quantidade de trigo era epquena e os postos de entrega do cereal não debulhado encontravam-se a curta distancia.

Os objetos caseiros e o material agrícola foram transportados nas carroças juntamente com o trigo.

Indico os resultados numéricos da execução: foram fuziladas 705 pessoas, das quais 203 homens, 372 mulheres e 130 crianças.

A quantidade de gado confiscado só pode ser calculada de modo aproximado pois nos postos de entrega não foi feito registro: 45 cavalos, 250 bois, 65 bezerros, 450 porcos, leitões e 300 carneiros. Só nalgumas quintas se encontraram aves de capoeira. Foram distribuídas pelas pessoas libertadas.

Material confiscado: 70 carroças, 20 charruas e grades de esterroar, 5 maquinas de joeirar, 25 corta-palhas e outro material ligeiro.

O trigo, o material e o gado confiscados foram entregues ao chefe da exploração de Estado em Morkrany.

Na operação em Borki foram gastos: 786 cartuchos de espingarda e 2496 cartuchos de submetralhadora.

A companhia não teve perdas. um ajudante foi enviado para o hospital Brest. Supõe-se que tenha icterícia. 

Tenente da Policia de segurança Muller,
adjunto do comando da companhia


( o original alemão encontra-se nos Arquivos centrais da U.R.S.S. sobre a revolução de Outubro, fundo 7021, registro 148, dossier 2, folhas 358-362.)

Transcrito por: Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com
Fonte: COELHO, Zeferino - O crime metódico. Ed. Inova Limitada -  pg 81-83)

sábado, 13 de novembro de 2010

Carta de Ivan Dronov, Subtenete do Exercito Vemelho

Salvando o camarada


22 de julho de 1942

Antes da guerra nunca tinha matado ninguem. Horrorizava-me  só de pensar nisso. Tenho vinte e quatro anos. A guerra começou. Quando abati o primeiro alemão disse para mim mesmo: Porque fiz isso? A culpa não é del, mas de seus governantes. Pensava que muitos alemães vieram para nossa terra sem saber o que faziam.

Depois, fui ferido e feito prisioneiro. E só então compreendi por que tinha matado aquele maldito alemão.

Hospital era como os alemães chamavam ao local onde lançavam os feridos e os combatentes soviéticos supliciados.

Era como uma casa da morte; aí torturavam e moíam os prisioneiros de pancada. Os medicos alemães enraiveciam-se conosco: amputavam pernas e braços validos, cortavam-nos a sangue frio. Deliravam quando um russo morria. Riam-se quando a vitima martirizada desmaiava. Aquele canalha selvagem juntava-se na sala e, atirando sobre um homem desarmado, ria a bandeiras despregadas.

Falta-me a força para descrever tudo aquilo. Levaram-se- a tres feridos - para uma sala para nos interrogarem. Primeiro, bateram-me porque minha ferida cheirava mal; recusaram-se a por-me pensos (curativos). Depois  torturaram-me para me obrigar a entregar os meus camaradas. Estes por sua vez tambem foram torurados. Calávamo-nos.

Esmagavam-nos os dedos nas portas, enterravam-nos agulhas debaixo das unhas, batiam-nos violentamente com um pau nos calcanhares, mas tinhamos jurados não falar e aguentamos.

Eu e mais quatro camaradas conseguimos fugir do cativeiro facista. Eis-me de novo na primeira linha, a destruir os vrmes alemães. Já não pergunto porque se matam os alemães. Agora já sei.

Transcrição por : Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com/
Fonte: COELHO, Zeferino - O crime metódico. Ed. Inova Limitada - pg74

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Relato sobre humilhações e abusos praticadas pela Wehrmacht em Varsóvia

Biografia de Marcel Reich-Ranicki, de Uwe Wittstock

Relato de Marcel Reich-Ranicki (é um crítico literário alemão, seguramente o crítico literário mais conhecido da actualidade na Alemanha.)

A população judaica de Varsóvia foi alvo de todo tipo de humilhações e dos maiores abusos praticadas pelo exército alemão. No capítulo "A caça é um prazer", de sua autobiografia, Marcel Reich-Ranicki dá-nos um relato pessoal dos acontecimentos:


"Ainda Varsóvia acabava de se render; mal tinha chegado a Wehrmacht à cidade, logo começou o grande gáudio dos vencedores, o prazer incomparável dos conquistadores – a caça aos judeus.Após o rápido, grandioso triunfo, aos soldados alemães, exuberantes e compreensivelmente desejosos de aventura, oferecia-se nas ruas de alguns quarteirões da capital polaca uma vista surpreendente. O que ainda não se tinha sucedido aparecia-lhes agora pela frente a cada passo: Eles viam, completamente surpresos, inúmeros indivíduos orientais, ou de aspecto aparentemente oriental, com longas faixas de cabelo nas têmporas, e com fartas barbas. Exóticas eram também as suas roupas: pretas e sem ornamentos...Os jovens soldados (alemães) viram pois, pela primeira vez nas suas vidas, judeus ortodoxos. Estes estranhos habitantes de Varsóvia não lhes despertavam nenhuma simpatia, muito mais desdém e talvez repulsa. Mas os soldados podiam agora também gozar de uma satisfação inconsciente. Pois se em casa, emEstugarda, Schweinfurt ou Stralsund eles não conseguiam distinguir visualmente os judeus dos alemães de “raça pura”, os “arianos”, aqui eles podiam finalmente ver aqueles que só conheciam das caricaturas dos jornais alemães, sobretudo o der Stürmer....Que estes sub-humanos, que sem dúvida deixavam uma impressão mais medrosa do que ameaçadora, pudessem portar armas, era muito improvável. De qualquer forma isso tinha de ser controlado. Diariamente tinham lugar controles, nunca se sabia qual o próximo quarteirão a ser revistado. As armas, as quais os bem-dispostos soldados supostamente procuravam, não apareciam, por muito que eles se esforçassem. Mas eles possuíam outras coisas que os ordeiros homens alemães acolhiam de bom grado: Anéis, carteiras, dinheiro, e por vezes um relógio de ouro.Mas não se tratava apenas de roubar os judeus. Eles, os inimigos do Império Alemão deveriam também ser punidos e humilhados. Não era difícil de o conseguir. Os soldados notaram em breve que os judeus ortodoxos achavam particularmente humilhante que lhe cortassem as barbas. Com este objectivo, os ocupantes, desejosos de entretenimento, tinham-se munido com tesouras...Assim era: cada alemão que vestisse um uniforme e tivesse uma arma podia, em Varsóvia, fazer com um judeu o que quisesse. Ele podia obrigá-lo a cantar, a dançar, ou a fazer nas calças, ou a ajoelhar-se perante ele rogando pela sua vida. Ele podia abatê-lo repentinamente ou matá-lo de forma mais lenta. Ele podia ordenar a uma judia que se despisse, que limpasse o passeio com a sua roupa interior e depois que urinasse em frente de toda a gente. Ninguém estragou o divertimento aos alemães que se entregaram a estes passatempos, ninguém os impediu de maltratar e matar os judeus, ninguém os chamou à responsabilidade."

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Documentos falsos do Holocausto renderam US$ 42 milhões pagos indevidamente

Falsas vítimas do Holocausto recebiam dinheiro da Alemanha.
09 de novembro de 2010, pela AFP. 

Cerca de 5.500 judeus receberam de forma fraudulenta 42 milhões de dólares nos Estados Unidos pagos pela Alemanha, fazendo-se passar por vítimas do Holocausto, revelou nesta terça-feira a promotoria de Nova York.

Dezessete pessoas, responsáveis pela armação do golpe, foram acusadas de usar um fundo destinado a ajudar vítimas da perseguição nazista na Segunda Guerra Mundial, informou em um comunicado a promotoria.

Os supostos golpistas, em maioria de origem russa, aprovaram "mais de 5.500 candidaturas fraudulentas, que resultaram no pagamento a candidatos que não se qualificavam para os programas", acrescentou.

"Se há uma instituição que se poderia supor imune à ganância e à fraude criminal é a Claims Conference, que ajuda diariamente milhares de pobres e idosos vítimas da perseguição nazista", disse o promotor do distrito sul de Nova York, Preet Bharara.

Um dos fundos fraudados entregava em um pagamento único 3.600 dólares a judeus que supostamente haviam sido evacuados de suas cidades de origem por causa da perseguição nazista.

"Muitos dos que receberam os fundos fraudulentos haviam nascido depois da Segunda Guerra Mundial e pelo menos um deles sequer era judeu", indica a nota.

Após receber os cheques, os beneficiários pagavam uma comissão aos que organizavam a fraude. Um total de 4.957 pessoas receberam indenizações fraudulentas entre 2000 e 2009 de 18 milhões de dólares.

Em outro golpe, eram entregues mensalmente 411 dólares "aos que viveram em guetos durante 18 meses ou mais ou durante seis meses em campos de concentração ou de trabalho".

Mediante documentos e testemunhos falsos, 658 pessoas que fingiam ter sido vítimas da perseguição reivindicaram assim um total de 24,5 milhões de dólares pagos pelos contribuintes da Alemanha.

Onze dos suspeitos foram detidos nesta terça-feira e contra todos os eles pesam acusações por fraude passíveis de até 20 anos de prisão e uma multa de 250 mil dólares, informou a promotoria.


sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Romênia acha vala comum com corpos de judeus mortos na 2ª Guerra

Especialistas observam vala com judeus mortos na Segunda Guerra na Romênia
Da Reuters - visitado a 05/11/2010

BUCARESTE - Arqueólogos descobriram uma vala comum com judeus mortos por tropas romenas durante a Segunda Guerra Mundial, informou nesta sexta-feira o Instituto Elie Wiesel. De acordo com testemunhas citadas pelo instituto, mais de cem judeus - homens, mulheres e crianças - foram sepultados no local, numa floresta próxima à aldeia de Popricani, no nordeste romeno.


"Uma das testemunhas viu os judeus sendo alvejados, porque os soldados acharam que ele próprio fosse judeu e pretendiam alvejá-lo também", informou, em nota, a filial romena do Instituto Elie Wiesel. "Ele só foi poupado quando os soldados se convenceram de que era cristão ortodoxo."


Ganhador do Nobel da Paz, Eli Wiesel liderou uma comissão internacional que declarou em 2004 que entre 280 mil e 380 mil judeus romenos e ucranianos foram mortos na Romênia e em áreas controladas pelo governo do país durante a Segunda Guerra Mundial. A Romênia foi aliada da Alemanha nazista.

Muitos foram mortos em "pogroms" (massacres) como o de 1941, que vitimou quase 15 mil judeus na cidade de Iasi, perto da vala recém-descoberta. Outros morreram em campos de trabalhos forçados ou "trens da morte".
Pesquisador mostra munição antiga encontrada na vala comum próximo a Popricani, na Romênia. (Foto: Reuters)
Os arqueólogos já encontraram 16 corpos em escavações na vala comum, segundo promotores, que estão investigando o caso. Esse é o segundo local desse tipo descoberto desde a Segunda Guerra Mundial. Em 1945, 311 corpos foram exumados de três valas comuns em Stanca Roznovanu, na mesma região.

A Romênia só recentemente começou a discutir o extermínio de judeus. Até 2003, o país não admitia que isso houvesse ocorrido. Depois que o país trocou de lado na guerra, em 1944, os regimes comunistas pouco fizeram para investigar as mortes, e os governos nacionalistas após 1989 também mantiveram sigilo sobre o assunto. A Romênia tinha 750 mil judeus antes da guerra. Hoje restam no máximo 10 mil.

Vala da 2ª Guerra com até 700 corpos é achada na Eslovênia

Até 700 corpos de homens e mulheres vítimas de atrocidades na Segunda Guerra podem estar em vala.
Uma vala comum com os restos de até 700 pessoas, datada do final da Segunda Guerra Mundial, foi encontrada na Eslovênia, anunciou nesta terça-feira o governo do país europeu.

A vala de 21 m de extensão foi descoberta em uma floresta perto da cidade de Prevalje, no norte do país.

De acordo com a BBC, o governo esloveno informou que os restos de homens e mulheres foram encontrados na vala na semana passada com as mãos amarradas nas costas. Alguns parecem ter sido baleados, outros podem ter sido golpeados até a morte.

Acredita-se que os corpos encontrados pertenciam às vítimas das atrocidades cometidas logo após o fim da guerra, possivelmente mortas por grupos antifascistas que queriam se vingar dos eslovenos que colaboraram com os nazistas durante o conflito.

Informações divulgadas na Eslovênia afirmam que alguns dos corpos podem ser de cidadãos do país vizinho, a Áustria.

Se os promotores eslovenos decidirem pelo início de um inquérito, os restos serão exumados.

Nos últimos anos várias outras valas comuns datadas da época da Segunda Guerra Mundial foram descobertas no país.

Site Terra, datado a 07 de setembro de 2010

domingo, 31 de outubro de 2010

Ustasha e a Igreja Católica


Bandeira do clero fascistas croata. Observe o U de Ustasha na bandeira.

Os ustaše (no singular ustaša, por vezes escrito ustashe ou ustasha) foram uma organização croata de extrema-direita que foi colocada no poder no Estado Independente da Croácia pelas potências do Eixo em 1941. Praticou políticas fascistas e foi expulso pelos partisans comunistas iugoslavos e pelo Exército Vermelho em 1945.

A Ustase foi fundada em 1929, como um movimento político nacionalista que praticava o terrorismo. Na altura em que chegou ao poder, durante a Segunda Guerra Mundial e a subseqüente ocupação da Iugoslávia pelo Terceiro Reich, a organização tinha um exército que atingiu 76.000 homens em 1944.

Ideologia

A palavra ustaše é plural de ustaša, e descreve uma pessoa que participa de um ustanak (levante, em croata). Os ustaše tinham como objetivo estabelecer uma Croácia pura do ponto de vista étnico – assim sendo, pessoas de origem sérvia e bósnia eram seu principal alvo. Sobre essa forma de limpeza étnica, os ministros Mile Budak, Mirko Puk e Milovan Žanić declararam, em maio de 1941, que as três principais metas ustaše eram:

 - Converter um terço dos sérvios ao catolicismo;
 - Exterminar um terço dos sérvios residentes na Croácia;
 - Expulsar/deportar o terço restante.

Uma contradição da ideologia nazi-fascista tão apreciada pelos ustaše era o fato de que os croatas são de origem eslava e, portanto, considerados racialmente inferiores aos olhos dos mentores nazistas. Assim, os "ideólogos" ustaše criaram uma teoria absurda baseada numa origem pseudo-gótica dos croatas, visando elevar seu status aos olhos dos arianos.

Para os ustaše, os bósnios muçulmanos são considerados croatas muçulmanos. Estes não eram formalmente perseguidos pelos ustaše; inclusive, alguns alistaram-se em divisões dasWaffen-SS nazistas (como a divisão Handschar, comandada pelo infame Amin al-Husayni, e a Kama, chefiada por Edmund Glaise von Horstenau, então adido militar do Terceiro Reichna Croácia e pelo Coronel Viktor Pavicic).

Os princípios básicos do movimento ustaše foram enunciados por Ante Pavelić em seu manifesto "Princípios do Movimento Ustaše", publicado em 1929.


Vítimas


Os ustaše tentaram exterminar sérvios, judeus, ciganos ou quaisquer outros que a eles se opusessem ou não professassem a fé católica, incluindo-se aí alguns comunistas croatas. Uma vez chegados ao poder, aliando-se às tropas nazistas, em 1941, os ustaše criaram diversos campos de concentração para isolar suas vítimas. O maior e mais famoso deles foi o de Jasenovać, comandado por Dinko Sakić (que fugira para a Argentina ao final da guerra, sendo descoberto e levado a julgamento em solo croata em 1998, sendo condenado a vinte anos de prisão).

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Não se sabe ao certo o número exato das vítimas dos ustaše, e as estimativas existentes confirmam que dezenas ou até mesmo centenas de milhares de inocentes foram mortos nesses campos de concentração, ou mesmo fora deles. Mas o número de judeusmortos é bastante confiável: 32.000 pereceram em território croata durante a Segunda Guerra Mundial. Mais de 40.000 ciganos iugoslavos também vieram a ser assassinados; com relação ao número de sérvios vitimados pelos Ustaše, as estimativas são entre 700.000 e 1.200.000 de sérvios.

As atrocidades cometidas pelos ustaše eram tão grotescas que horrorizaram até mesmo os nazistas, que tiveram que intervir para frear o terrorismo ustaše.

Livros didáticos de História editados durante o regime comunista na Iugoslávia afirmam que o número de vítimas dos ustaše chega a setecentas mil pessoas somente em Jasenovać. Este número foi citado com base em um cálculo de perdas demográficas de população (i. e., a diferença entre a população atual e a do período pré-guerra, somando-se aí um eventual crescimento populacional impedido pelo conflito).




Campos de concentração


O Memorial de Jasenovac, atualmente dirigido por Slavko Goldstein, possui uma lista de 59.188 nomes de vítimas desse local; essa lista foi compilada por assessores do governo comunista iugoslavo. Como esse processo foi algo impreciso, estima-se que a lista mencione entre 60 e 75% do total de vítimas, elevando o número de mortos nesse complexo à faixa entre oitenta e cem mil. O antigo administrador do Memorial, Simo Brdar, estimou ao menos 365 mil mortos em Jasenovac.

Milicianos da Ustaše executando prisioneiros próximo ao Campo de concentração de Jasenovac.
As análises dos estatísticos Vladimir Žerjavić e Bogoljub Kočović são similares às do memorial. Em toda a Iugoslávia, o número estimado de mortes de sérvios chega a 487 mil, de acordo com Kočović, e 530 mil segundo Žerjavić, de um total de 1.014.000 ou 1.027.000 mortos, respectivamente. Žerjavić declarou que 197 mil civis sérvios foram assassinados no NDH (sigla em croata para o Estado Independente da Croácia), sendo 78 mil como prisioneiros em Jasenovac, bem como 125 mil combatentes dessa etnia. No entanto, esses dados foram acusados como sendo artificialmente inflados devido ao crescimento do nacionalismo sérvio. Žerjavić e Kočović estimaram a taxa de crescimento populacional dos sérvios na Bósnia (dentro do Estado Independente da Croácia) como 1,1%, a mesma taxa média de crescimento da Iugoslávia como um todo. Na verdade, a taxa de crescimento era de 2,4% entre 1921 e 1931, passando para 3,5% entre 1949 e 1953; acredita-se que eles tenham subestimado a taxa de crescimento populacional sérvia para diminuir a contagem de mortos dessa etnia.

O Museu do Holocausto de Belgrado compilou uma lista de mais de 77 mil nomes de vítimas de Jasenovac. O museu era dirigido por Milan Bulajić – que apoiava uma estimativa de setecentas mil vítimas ao todo. Atualmente, o Museu defende que o número de mortos está na casa dos oitenta mil.

Os primeiros campos de concentração Ustaše foram formados em 1941 e dissolvidos em outubro de 1942 (entre parênteses, o número de prisioneiros/campo, segundo dados disponíveis):
 - Danica, próximo de Koprivnica;
 - Pag (cerca de 8.500);
 - Jadovno, próximo de Gospić (35 mil);
 - Krušćica, na área de Vitez e Travnik;
 - Đakovo (três mil);
 - Loborgrad, Zagorje;
 - Tenja, perto de Osijek.

O complexo de Jasenovac foi construído entre agosto de 1941 e fevereiro de 1942. Os campos de concentração anteriores, Krapje e Bročica, foram fechados em novembro de 1941. Outros três campos (Ciglana, ou Jasenovac III), Kozara (Jasenovac IV) e Stara Gradiška (Jasenovac V) funcionaram até o final da ocupação nazista, em 1944. O número de prisioneiros (estimativas) varia de oitenta a cem mil, trezentos a 350 mil até setecentos mil.








Ligações com a Igreja Católica


As políticas adotadas pelos ustaše são definidas pelo termo "uniatismo" em alguns círculos da Igreja Ortodoxa. Mas este termo jamais foi usado pela Igreja Católica Romana ou peloVaticano, a não ser para fins de execração. Ainda assim, refere-se de forma pejorativa às conversões forçadas de cristãos ortodoxos sérvios ao catolicismo.

Isso confirmava o quanto os ustaše representariam um exemplo extremo do "uniatismo". Apoiavam agressões ou qualquer uso da força com tal de converter crentes ortodoxos. Apesar das conversões forçadas terem sido condenadas por Santo Agostinho, pelo Papa Leão XIII e outras personalidades, foi uma prática comum a católicos durante séculos (em especial durante a Inquisição espanhola). Os ustaše sempre acreditaram que os ortodoxos seriam seus principais inimigos – o que negava teses como as defendidas em encíclicas papais, que reconheciam a Igreja Ortodoxa como a única Igreja legítima além da católica romana. Indo mais além, os ustaše nunca sequer reconheceram a existência de minorias sérvias em território croata ou bósnio — apenas os identificavam como "croatas de fé oriental", e os bósnios, por sua vez, eram chamados "croatas de fé islâmica". Muitos padres entre os ustašeapoiavam a hostilidade aos sérvios ortodoxos conduzindo e incentivando conversões forçadas e amiúde violentas de sérvios por todo o território croata.


Alguns padres franciscanos e de outras ordens correlatas participavam dessas atrocidades pessoalmente. Um deles, frade Miroslav Filipović (do monastério de Petrićevac), que entrou para o movimento ustaša em 6 de fevereiro de 1942, num brutal massacre de 2.730 sérvios moradores de vilas próximas, sendo 500 destes crianças. Ele foi excomungado de sua ordem e teve sua prisão decretada. Filipović então tornou-se chefe da guarda do campo de concentração de Jasenovać, e era apelidado "Fra Sotona".

Durante toda a guerra, o Vaticano manteve fortes relações diplomáticas com o Estado Independente da Croácia, mantido pelos ustaše, inclusive mantendo um núncio papal na capital Zagreb. Ele estaria ali para investigar as conversões forçadas de sérvios ortodoxos, mas teria participado de algumas delas. Ainda hoje, as relações entre a Santa Sé e os ustaše são vistas com controvérsias pelos historiadores; ainda hoje, muitos sérvios acusam Pio XII, então pontífice, de cumplicidade com os crimes dos fascistas croatas.

Ante Pavelic, líder Ustasha
Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, os ustaše que conseguiram escapar do território iugoslavo (entre eles seu comandante-em-chefe, Poglavnik – termo croata para Führer, ditador – Ante Pavelic) fugiram para a América do Sul, em especial para a Argentina. Acredita-se que conexões clandestinas operadas por clérigos católicos tenham sido vitais nesse processo. Entre os membros do Colégio Ilírio de São Girolamo, em Roma, envolvidos, pode-se citar os freis Krunoslav Draganović, Petranović e Dominik Mandić.

Sacerdotes e soldados do NDH fazem a saudação fascista durante o funeral do general Ustasha Matasic (Abril 1942)

O regime ustaša depositou grandes quantidades de ouro rapinadas de sérvios ortodoxos e judeus para contas em bancos suíços. De um total de 350 milhões de francos suíços, cerca de 150 milhões destes foram recuperados por tropas britânicas, mas os 200 milhões restantes (equivalentes a US$ 47 milhões) chegariam ao Vaticano. Alegações de que esse dinheiro ainda estaria mantido sob a guarda do Banco do Vaticano são voz corrente; de acordo com relatório da agência de inteligência norte-americana SSU, os depósitos dessa quantia foram efetuados em outubro de 1946. Ações judiciais foram perpetradas contra o Banco do Vaticano por vítimas das extorsões.

O arcebispo de Zagreb na época da guerra, cardeal Alojzije Stepinac, foi acusado de apoiar os ustaše, mas ele próprio teria afirmado que teria auxiliado vítimas do terror dos fascistas croatas. Ele foi formalmente julgado pelas autoridades comunistas da Iugoslávia após a guerra – mas, num processo controverso, foi beatificado por João Paulo II em 1998.

No dia 22 de junho de 2003, João Paulo II visitou Banja Luka, na Bósnia. Durante essa viagem, ele discursou para uma multidão no já mencionado monastério de Petrićevac, o que causou comoção pública, devido à ligação desse sítio com os crimes do frade Filipović. Nesse mesmo local, o Sumo Pontífice proclamou a beatificação do clérigo católico Ivan Merz (1896-1928), que fundara a Associação das Águias Croatas, em 1923.

Adicionar legenda
Pavelic e franciscanos

Membros do Ustaše e cleros católicos.







Mais recente:

O Vaticano, após a queda do NDH, jamais admitiu qualquer ligação com o regime. Nem mesmo o site oficial do Vaticano possui texto repudiando as barbaridades do NDH. O papa JP2 nunca aceitou visitar Jasenovac, atitude compartilhada pelo atual papa,B16. O Vaticano, através de seu banco, receptou e lavou o dinheiro roubado pelos fugitivos do regime nazi-católico da Croácia (Ustasha) no final da 2GM, além de ajudar vários figurões do NDH que nem Ante Pavelic,Andrija Artukovic e Dinko Sakic fugirem pra América do Sul e EUA(Operação Ratlines). A cumplicidade vaticana com os croatas lhe rendeu uma ação judicial. Advogados dos EUA, representando sobreviventes e parentes de vítimas do regime Ustasha, estão tentando processar, sem sucesso, o Banco do Vaticano.


Ver site dos advogados:  http://www.vaticanbankclaims.com/faqs.html
As folhas do processo contra o Banco Vaticano: http://www.vaticanbankclaims.com/5AC.pdf


Para quem se interessar, o Roberto do Holocaust-doc  traduziu uma materia sobre o Ustasha:
A Ustasha e o silêncio do Vaticano - parte 1parte 2 / parte 3

Material relacionado:
Holocausto na Croácia - parte 1 / parte 2

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

1942: Judeus proibidos de ter animais domésticos


Judeu idoso é interpelado nas ruas de Berlim em 1933

No dia 15 de maio de 1942, Victor Klemperer registrou em seu diário a proibição aos judeus de manterem animais domésticos. O diário de Klemperer foi um relatório minucioso da cruel perseguição nazista aos judeus.


Em maio de 1942, a máquina mortífera de Hitler já havia fixado suas bases e a chamada solução final para os judeus estava, há muito, decidida. Depois que a Conferência de Wannsee, em janeiro de 1942, havia dado o sinal de largada para a matança coletiva, as pessoas começaram a ser estigmatizadas, perseguidas e aterrorizadas.

Victor Klemperer foi um deles. O professor de Literatura foi obrigado a deixar sua cátedra na Universidade de Dresden, mas negou-se a emigrar. Protegido pela mulher não-judia, Eva, ele passou dois anos num abrigo para judeus em Dresden.

A casa da família Klemperer havia sido confiscada. Victor conseguiu resgatar apenas algumas peças do mobiliário e o gato Muschel. Entre os anos de 1933 e 1945, ele registrou fielmente, todos os dias, o avanço do terror nazista. Mais de 50 anos depois, seu diário virou best-seller, em forma de cronologia do terror. 

Um pouco de normalidade

Em março de 1942, ele havia escrito: "Uma coisa tem que acontecer nos próximos meses. Ou Hitler se afunda, ou nós vamos a pique". O pouco de normalidade que restou na vida dos Klemperer havia sido o gato. Um animal de estimação, um ser fiel e carinhoso que os ajudava a esquecer as dificuldades do cotidiano, enquanto o cerco nazista aos judeus fechava-se cada vez mais.

Victor chegou a enumerar 31 proibições: rádio, cinema, concertos, museus, andar de ônibus, comprar flores, ir ao cabeleireiro, à estação ferroviária, passear nos jardins dos parques, ter máquinas de escrever, freqüentar bibliotecas públicas e restaurantes...

Para fazer suas compras, os judeus dispunham de apenas uma hora, sendo que, por exemplo, não podiam adquirir peixe, café, chocolates e frutas. "Mas estas proibições não são nada diante do constante perigo das batidas em nossas casas, dos maus-tratos, da prisão, do campo de concentração e da morte por violência", registrou Klemperer em seu diário.

Sentença de morte para o gato

No dia 15 de maio de 1942, ele anotou: "Está anoitecendo. Encontrei a senhora Ida Kreidl durante as compras e ela me contou do mais recente decreto dos nazistas: a partir de agora, os judeus e quem mora com eles estão proibidos de manter animais domésticos (cães, gatos, pássaros). Os animais também não podem ser dados a terceiros. É a sentença de morte para nosso Muschel, com quem convivemos há 11 anos e do qual Eva gosta tanto. Amanhã ele será levado ao veterinário, para poupar-lhe a morte coletiva".

O gato simbolizava a vida para o casal Klemperer, ou melhor, sua sobrevivência. Ambos tiravam do seu prato para darem de comer a Muschel. Seu rabo erguido significava para Klemperer a bandeira da sua causa, pelo fim do martírio dos judeus.

O fim próximo do animal foi um grande choque para o casal. A pior tortura, entre tantas proibições e restrições. "Outra pessoa não entenderia nosso martírio, poderia achar ridículo ou até imoral, se há tanta gente sofrendo..." anotou Klemperer.

O professor e escritor sobreviveu ao nazismo, falecendo em 1960 em Dresden.

Fonte: http://www.dw-world.de/dw/article/0,,520240,00.html

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Golias, a versão elétrica dirigivel (Sd.Kfz. 302)

ORIGENS E DESENVOLVIMENTO

Em novembro de 1940, após recuperar o protótipo de um veículo de lagartas em miniatura desenhado pelo engenheiro francês Adolphe Kégresse, o comando da Wehrmacht ordenou à companhia automotiva de Carl Borgward, em Bremen, que desenvolvesse um veículo similar com o propósito de carregar um mínimo de 50 kg de explosivos. A idéia por trás da iniciativa era destruir bunkers, posições fortificadas e até mesmo tanques à uma distância segura. O resultado foi o SdKfz. 302 (Sonderkraftfahrzeug, “veículo de propósito especial”), chamado de Leichter Ladungsträger (“carregador de carga leve”) ou simplesmente “Goliath”, que carregava 60 kg de explosivos.

O veículo se movia remotamente através de uma caixa de controle com joystick, que se ligava ao Goliath através de um cabo telefônico triplo conectado à traseira do veículo. Cada Goliath era descartável, sendo projetado para explodir junto com seu alvo. O protótipo tinha quatro grandes rodas principais e era propelido por dois motores elétricos. Os primeiros modelos de produção apresentavam rodas principais menores, e a esteira passava por cima das guias em três rolamentos de retorno. De abril de 1942 a janeiro de 1944 foram produzidas 2.650 unidades. Os primeiros exemplares foram entregues à Panzerpionierkompanien (Goliath) 811-815, que pertencia ao Heerespionierbataillon zb V600 (Taifun).

NOVAS VERSÕES

Contudo, a carga levada era pequena demais para causar os danos pretendidos, e o alto preço do aparelho, cerca de 3.000 Reichmarks, não compensava. A produção do SdKfz. 302 foi então paralisada em janeiro de 1944 em favor da produção de uma versão mais barata com motor de combustão, designada SdKfz. 303. Essa versão podia carregar 75 kg de explosivos e teve seu preço bastante reduzido em comparação com a versão anterior, custando cerca de 1.000 Reichsmarks a unidade.
Goliath: minas controladas por controle remoto.
A partir de novembro de 1944 foi colocada em produção a variante SdKfz. 303b, que carregava 100 kg de explosivos e era maior que sua predecessora. No fim, quase 5.000 unidades dessa versão foram produzidas. O alcance operacional do Goliath era de 1,5 quilômetro em cidades e 800 metros em campo.

EM OPERAÇÃO

Os Goliath foram usados em todos os fronts que a Wehrmacht lutou, a partir da primavera de 1942. Eram utilizados principalmente por unidades especializadas panzer e de engenheiros de combate. Esses aparelhos foram usados com destaque no Levante de Varsóvia em 1944, onde unidades do Exército e SS foram empregadas para esmagar a tenaz resistência polonesa do Armia Krajowa. Como os poloneses tinham somente um punhado de armas antitanque, voluntários foram muitas vezes enviados para cortar os cabos de comando dos Goliath antes que atingissem seu alvo. Alguns aparelhos também foram utilizados nas praias da Normandia durante os desembarques da Operação Overlord, embora a maioria tenha sido posta fora de ação pelas explosões de artilharia que danificavam seus cabos de comando.

CONCLUSÃO

Embora um total de 7.564 Goliaths tenham sido produzidos, essa arma de propósito único não foi considerada um sucesso devido ao alto custo unitário, velocidade baixa (cerca de 10km/h), pouca elevação em relação ao solo (apenas 11,4 centímetros), cabos de comando vulneráveis e blindagem fraca que falhava em proteger a bomba remota de qualquer forma de arma antitanque. No entanto, o Goliath fundou as bases para as tecnologias do pós-guerra em veículos remotamente controlados. Existem Goliaths preservados no Museu da Cavalaria Holandesa, em Roterdã, e no Museu do Campo de Provas de Aberdeen, em Maryland, EUA.

Os soldados britânicos com as minas controladas alemã Golias, capturadas .


DADOS TÉCNICOS (SdKfz. 302)

Tripulação: nenhum
Comprimento: 1,5 m
Largura: 0,85 m
Altura: 0,56 m
Blindagem: 5 mm
Peso: 370 kg
Motor: 2× Bosch MM/RQL 2500/24 RL2 (2,5 kW)
Velocidade máxima: 10 km/h
Alcance: 1,5 km em cidades e 800 m em campo
Armamento: 60 kg de explosivos






sábado, 9 de outubro de 2010

Churchill deliberadamente deixou milhões de indianos morrerem de fome

Winston Churchill, exibindo o V de vitória.
O Primeiro-Ministro britânico Winston Churchill deliberadamente deixou milhões de indianos morrerem de fome, diz a autora de um novo livro, motivado parcialmente por seu ódio racial.

Cerca de três milhões de pessoas morreram na Grande Fome de Bengala em 1943 após o Japão capturar a vizinha Birmânia – grande fonte de importação de arroz – e as autoridades britânicas guardarem toda a comida para soldados e operários de guerra.

A compra em pânico de arroz levou a uma alta vertiginosa dos preços, e os canais de distribuição foram desativados quando as autoridades confiscaram ou destruíram a maioria dos barcos e carros de Bengala para evitar que caíssem em mãos japonesas, caso fossem invadidos.

O arroz repentinamente tornou-se escasso no mercado e, enquanto a fome se espalhava pelas aldeias, Churchill repetidamente recusava súplicas por carregamentos emergenciais de alimentos.

Massas de famintos migraram para Kolkata, onde testemunhas descreveram homens lutando por restos e mães esqueléticas morrendo nas ruas enquanto os britânicos e indianos de classe média comiam fartas refeições em seus clubes e em casa.

Essa epidemia de fome é dos capítulos mais negros do Raj Britânico, mas agora a autora Madhusree Mukerjee disse ter descoberto evidências de que Churchill foi diretamente responsável pelo extremo sofrimento.

Seu livro, “Churchill’s Secret War”, mostra documentos nunca antes vistos que dizem que nenhum navio podia ser poupado da guerra. Análise de encontros do gabinete de guerra mostra que navios carregados de grãos da Austrália passavam pela Índia em seu caminho para o Mediterrâneo, onde grandes reservas foram construídas.

Análise das reuniões de gabinete da Segunda Guerra Mundial, os registros esquecidos do ministério e arquivos pessoais mostram que os navios cheio de grão da Austrália estava passando na Índia em seu caminho para a região do Mediterrâneo, onde enormes reservas foram se acumulando.



“Não era uma questão se Churchill sabia ou não: pedidos de suprimentos para Bengala foram feitos repetidamente e ele e seus associados mais próximos recusaram todos os esforços”, disse Mukerjee.




“Os Estados Unidos e a Austrália ofereceram-se para prestar ajuda mas não puderam, porque o gabinete de guerra não queria liberar os navios. E quando os americanos ofereceram-se para enviar comida em seus próprios navios, a oferta não foi seguida pelos britânicos”.


O registro de Churchill como um líder na guerra contra a Alemanha nazista já garantiu seu lugar na história, mas a sua atitude para com os indianos atrai menos admiração.



"Ele disse coisas horríveis sobre os índianos. Ele disse à sua secretária, que desejou que eles poderiam ser bombardeados", disse Mukerjee. "Ele ficou furioso com os indianos porque ele podia ver que a América não iria deixar o governo britânico na Índia continuar".


Churchill ridicularizou líder da independência indiana Mahatma Gandhi como um advogado que se levanta como um homem santo"semi-nu", respondendo a oficiais britânicos na Índia que pediram abastecimento de alimentos e perguntou a eles por que Gandhi ainda não havia morrido.



"Eu odeio os índianos. Eles são um povo bestial com uma religião bestial", disse Leo Amery, o secretário de Estado para a Índia. Outra vez, acusou os indianos de efetivamente causar a fome, "reproduzindo como coelhos."


Amery uma vez perdeu a paciência depois de um discurso do primeiro-ministro, com Churchill dizendo que ele não poderia "ver muita diferença entre a sua perspectiva e de Hitler."

Amery escreveu em seu diário: "Eu estou de maneira nenhuma certeza se sobre este assunto da Índia, ele é realmente muito saudável."

Mukerjee acredita que as opiniões de Churchill sobre a Índia, onde serviu como jovem oficial do Exército, veio de sua formação vitoriana. Como seu pai, ele via a Índia como a jóia fundamental para a coroa do império britânico.



“O ódio racista de Winston vinha de seu amor pelo Império, da mesma maneira que um marido ama sua esposa-troféu: ele prefere destruí-la do que perdê-la”, disse a autora.


O livro de Mukerjee foi saudado como uma conquista revolucionária que desenterra novas informações, apesar das centenas de volumes já escritos sobre a vida de Churchill.

Eminente historiador britânico Max Hastings o descreveu como "significativa - e para os leitores britânicos -. angustiante".

O autor Ramachandra Guha disse que "pela primeira vez, a prova definitiva de como um grande homem preconceituoso contribuiu para uma das fomes mais mortais da história moderna".

Mukerjee atributos revelações do livro para a sua formação como físico.



"As pessoas suspeitavam que algo como isto aconteceu, mas ninguém realmente atravessou a prova propriamente para descobrir o que os navios estavam fazendo no momento, provando que o grão pode ter sido levado para a Índia", disse ela.




"Eu não tive a intenção do destino Churchill. Parti para entender a fome e eu lentamente descobriu sua parte nela."


"A fome, você poderia argumentar, foi em parte um ato deliberado. A Índia foi forçada a exportação de grãos nos primeiros anos de guerra e em 1943 foi a exportação do arroz, por insistência pessoal de Churchill. Os britânicos exploraram impiedosamente a Índia, durante a guerra e não pararam mesmo quando a fome começou. "

Mukerjee, uma bengali de 49 anos que agora vive em Frankfurt com o marido alemão, acredita que a fome de Bengala também foi escovada do ar nos livros de história indiana.

"Eu nunca aprendi sobre ele na escola e meus pais nunca mencionaram isso", disse ela."Não há culpa da classe média que eram empregados em profissões que significava que eles receberiam rações. Mas os moradores foram considerados dispensáveis."

Sete anos de trabalho sobre o livro, e de ouvir contos extenuante de sobreviventes da fome que rastreou em vilas remotas, deixaram Mukerjee com parecer duros de Churchill.

"Ele é freqüentemente criticado por bombardear cidades alemãs, mas nunca antes foi responsabilizado pelas mortes de tantas pessoas como a fome de Bengala. Foi a maior mancha na sua carreira."

"Acho muito difícil ter a mente aberta sobre ele agora", disse ela. "Afinal, ele teria pensado que eu não valho a comida que eu como."

Fonte: http://www.rawstory.com/rs/2010/09/book-claims-churchill-deliberately-millions-indians-starve-death/

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Relatório de Cornides, Oficial da Wehrmacht, sobre Belzec

Wilhelm Cornides

Em 30 de agosto de 1942, um oficial alemão não-comissionado, Wilhelm Cornides, esteve em Rzeszow, em seu caminho de trem para Chelm. Em seu diário ele registrou que um policial ferroviário em Rzeszow lhe disse que "uma placa de mármore com letras douradas será erguida em 1° de setembro, porque então a cidade estará "livre de judeus". O policial também lhe disse que trens cheios de judeus "passam quase diariamente através dos pátios de baldeação, são despachados imediatamente para seu trajeto, e retornam totalmente vazios, com mais freqüência na mesma noite." Cerca de 6.000 judeus de Jaroslaw, acrescentou o policial, "foram mortos recentemente em um dia."

Então Cornides pegou o trem regular de passageiros de Rzeszow para Chelm, chegando a Rawa Ruska em 31 de agosto, e registrando em seu diário, enquanto esteve na "Casa Alemã" daquele local:


"Ao meio-dia e dez minutos, eu vi um transporte de trem correr para a estação. No teto e nos degraus sentavam-se guardas com rifles. Podia-se ver à distância que os vagões estavam abarrotados de pessoas. Eu me virei e percorri a pé o trem inteiro: ele consistia de 35 vagões de gado e um vagão de passageiros. Em cada um dos carros havia no mínimo 60 judeus (no caso dos transportes de homens alistados ou transportes de prisioneiros, esses vagões comportariam 40 homens; entretanto, os bancos haviam sido removidos e podia-se ver que aqueles que estavam ali trancados tinham que ficar espremidos em pé). Algumas das portas estavam um pouco abertas, as janelas entrecruzadas com arame farpado. Entre as pessoas ali trancadas havia alguns poucos homens e a maioria deles eram velhos; tudo o mais eram mulheres, garotas e crianças. Muitas crianças se amontoavam às janelas e às estreitas aberturas das portas. A mais nova com certeza não tinha mais de dois anos.

Assim que o trem parou, os judeus tentaram passar garrafas para fora a fim de pegar água. O trem, entretanto, estava cercado por guardas da SS, para que ninguém pudesse se aproximar. Naquele momento, um trem chegou vindo da direção de Jaroslaw; os viajantes afluíram em direção da saída sem se preocupar com o transporte. Alguns poucos judeus que estavam ocupados carregando um carro para as forças armadas acenaram seus chapéus para as pessoas que estavam trancadas."


Eu conversei com um policial em serviço na estação da ferrovia. À minha pergunta sobre de onde os judeus realmente vieram, ele respondeu:


"Aqueles são provavelmente os últimos de Lwow. Isso tem continuado por três semanas ininterruptamente. Em Jaroslaw eles só deixaram ficar oito, ninguém sabe por quê."


Perguntei: "Para onde eles irão?" Então ele respondeu: "Para Belzec." "E então?"


"Veneno." Eu pergutei: "Gás:" Ele encolheu os ombros. Então ele disse apenas:

"No começo eles sempre os fuzilavam, acredito eu."



Aqui na Casa Alemã eu só falei com dois soldados do campo de prisioneiros de guerra da linha de frente 325. Eles disseram que ultimamente estes transportes tinham corrido todos os dias, na maiora das vezes à noites. Acredita-se que ontem passou um de 70 vagões."


De Rawa Ruska, Cornides tomou o trem da tarde para Chelm. As coisas que ele aprendeu nessa jornada eram tão extraordinárias que ele fez três entradas separadas em seu diário dentro do período de uma hora, a primeira às 17:30:


"Quando nós embarcamos às 16:40, um transporte vazio tinha acabado de chegar. Eu acompanhei o trem a pé duas vezes e contei 56 vagões. Sobre as portas havia sido escrito em giz: 60, 70, uma vez 90, ocasionalmente 40 - obviamente o número de judeus que eram carregados lá dentro. Em meu compartimento eu falei com a esposa de um policial ferroviário que está atualmente visitando seu marido aqui. Ela disse que esses transportes agora estão passando diariamente, às vezes também com judeus alemães. Ontem seis corpos de crianças foram encontrados ao longo dos trilhos. A mulher acha que os próprios judeus tinham matado essas crianças - mas elas devem ter sucumbido durante a viagem.


O policial ferroviário que apareceu como companhia de trem juntou-se a nós no nosso compartimento. Ele confirmou as declarações da mulher sobre os corpos das crianças que foram encontrados ontem ao longo dos trilhos. Eu perguntei: "Os judeus sabem o que vai acontecer com eles?" A mulher respondeu:


"Aqueles que vêm de longe não sabem de nada, mas aqui na vizinhança eles já sabem. Então eles tentam fugir, se eles percebem que alguém está vindo atrás deles. Assim, por exemplo, mais recentemente em Chelm onde três foram fuzilados a caminho da cidade." "Nos documentos da ferrovia esses trens rodam sob o nome de transportesde reassentamento", notou o policial da ferrovia. Então ele disse que depois do assassinato de Heydrich, vários transportes contento tchecos haviam passado.


Judeus deportados


O Campo Belzec deve estar localizado à direita da linha férrea, e a mulher prometeu mostrá-lo a mim quando nós passássemos por ele.

17:40 pm. Uma parada rápida. Em frente a nós, um transporte pára novamente. Eu falo com o policial na frente do compartimento no qual nós estamos viajando. Eu pergunto:


"Você vai voltar para casa, para o Reich?" Sorrindo, ele diz:

"Você provavelmente sabe de onde nós estamos vindo. Bom, para nós o trabalho nunca está terminado."


Então o transporte à nossa frente vai embora, com 35 vagões vazios e limpos. Com toda a certeza este foi o trem que eu havia visto às 13:00 na estação Rawa Ruska.

18:20. Nós passamos pelo campo Belzec. Até então, nós viajamos por algum tempo através de uma floresta de altos pinheiros. Quando a mulher chamou, "Agora vem!", podia-se ver uma ponta alta de pinheiros. Um forte cheiro adocicado podia ser percebido distintamente. "Mas eles já estão cheirando mal", diz a mulher. "Oh, bobagem, é apenas o gás", disse o policial ferroviário rindo. Enquanto isso - nós havíamos percorrido cerca de 200 metros - o odor adocicado se transformava em um forte cheiro de algo queimando. "Isso é do crematório", diz o policial. Uma curta distância adiante, a cerca acabou. Na frente dela, podia-se ver uma casa de guarda com um posto SS. Um trilho duplo levava para dentro do campo. Um ramal de trilhos se separava da linha principal, a outra corria sobre uma rotunda a partir do campo para uma fileira de celeiros cerca de 250 metros adiante. Um vagão por acaso estava sobre a rotunda. Vários judeus estavam ocupados girando o disco.

Guardas da SS, com rifles sob os braços, estavam presentes. Um dos celeiros estava aberto; podia-se ver distintamente que estava cheio até o teto com fardos de roupas. Enquanto prosseguíamos, olhei para trás mais uma vez. A cerca era muito alta para se poder ver qualquer coisa. A mulher diz que às vezes, enquanto se passa, pode-se ver fumaça subindo do campo, mas eu não percebi nada do tipo. Minha estimativa é que o campo mede entre 800 por 400 metros."

Em seu diário, Cornides registrou conversas que teve com outras testemunhas:

"Na noite de 30 de agosto de 1942, na 'Casa Alemã' em Rawa Ruska, um engenheiro me contou:


"Tirando os poloneses e prisioneiros de guerra, judeus, que foram os principais transportados desde então, também foram empregados em conexão com o trabalho no solo de exercícios eqüestres que está localizado aqui. O trabalho dessas turmas de construção (que incluíam mulheres) atingia 30% do nível de produtividade de trabalhadores alemães em média. Enquanto algumas pessoas recebiam pão de nós, outras tinham que encontrá-lo por si mesmas. Por acaso, recentemente eu vi o carregamento de um transporte desses em Lwow. Os vagões ficavam ao pé do banco de areia. Usando paus e chicotes de cavalaria, os homens da SS dirigiam e empurravam as pessoas para dentro dos vagões. Aquele era uma visão que não esquecerei enquanto estiver vivo."


Lágrimas vinham aos olhos do homem enquanto ele contava sua história. Ele tinha aproximadamente 26 anos de idade, e usava um emblema do partido. Um capataz de construção dos sudetos que sentava-se à mesma acrescentou:


"Recentemente, um homem SS bêbado sentou-se na nossa cafeteria, chorando feito uma criança. Ele disse que estava servindo em Belzec, e que se as coisas corressem desse jeito por mais 14 dias ele se mataria, porque ele não poderia mais suportar."


Um policial no restaurante do prédio do governo em Chelm disse, em 1° de setembro de 1942:


"Os policiais que guardam os transportes judaicos não são permitidos dentro do campo; somente a SS e o Sonderdienst Ucraniano (uma formação policial que compreendia auxiliares ucranianos) eram permitidos. Por causa disso, eles criaram um bom negócio. Recentemente, um ucraniano que esteve aqui tinha um grande maço de notas, relógios, e ouro - tudo que se podia imaginar. Eles encontram tudo isso quando eles juntam e despacham as roupas."


Em resposta à pergunta, sobre o modo como os judeus eram mortos, o policial respondeu:


"Alguém diz a eles que eles precisam ser despiolhados. Então eles se despem e entram numa sala na qual, no início, entra uma onda de calor, e assim eles já receberam uma pequena dose de gás. É suficiente para agir como um anestésico local. O resto vem em seguida. E então eles são imediatamente queimados."


Quanto à questão de por que toda essa ação era executada, o policial declarou:


"Até agora, os judeus foram empregados em todo o lugar pela SS e pela Wehrmacht, etc., como trabalhadores auxiliares. Naturalmente, eles ouviram um monte de coisas, e além disso eles relataram tudo aos russos. Com tudo isso, eles têm que ir. E então eles também operavam todo o mercado negro e manipulavam os preços aqui. Quando os judeus se forem, os preços podem novamente se tornar razoáveis."


Fontes do texto:
Gilbert, Martin. Final Journey: The Fate of the Jews in Nazi
Germany, Mayflower Books, New York, 1979
Longerich, Peter. Die Ermordung der europäischen Juden. Serie Piper
1060, München, 1989


Fonte do artigo:
http://www.deathcamps.org/belzec/rawacornides_pt.html
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