domingo, 12 de dezembro de 2010

Um Veterano da USAAF que mora em Natal-RN

Rostand Medeiros – Pesquisador 

No último o dia 13 de novembro, em meio ao dia de “Portões Abertos” do exercício militar CRUZEX 5, depois de 66 anos, Emil Anthony Petr o único veterano norte-americano da II Guerra Mundial vivendo no Rio Grande do Norte, estava novamente ao lado de uma aeronave de combate da Força Aérea dos Estados Unidos, no caso um moderno caça F-16. Este veterano foi respeitosamente tratado pelos militares do seu país. 

Em janeiro de 1942, quando o jovem Emil buscou um local de alistamento para se engajar lutar contra os nazi-fascistas, este filho de simples agricultores, natural da pequena cidade de Deweese, Nebraska, tinha certeza que “-Não queria lutar em trincheiras, mas no ar”. 

Foi primeiramente designado para o 57º Grupo de Caça, na área de Boston. Quando estava para seguir com a sua unidade para o deserto do norte da África, ele conseguiu a aprovação para cursar a escola de formação de navegadores, em San Marco, no Texas. Em 1943, após conseguir a patente de segundo tenente, foi designado para atuar em bombardeiros B-24. Mas não era o fim de sua preparação. O tenente Petr seguiu para a base aérea de Langley, Virginia, onde se especializou na tarefa de bombardeio por radar. 

Em abril de 1944 chegou a sua transferência para a 15ª Air Force, no sul da Itália, para atuar no esquadrão 139, do 454th Bomb Group, baseado no campo de San Giovanni, próximo a cidade de Cerignola. 
B-24 e tripulação do avião que caiu em 13-09-1944
Durante o trajeto para a Europa o tenente Emil esteve no Brasil, mas não em Natal. Seu trajeto passou pelas cidades de Belém e Fortaleza, onde guardou boas lembranças. “-Não era para ter conhecido Natal na época da guerra, mas foi para cá que optei por viver e me casar”. 

As B-24 que transportavam radar eram diferentes das outras aeronaves deste modelo. Era retirada a torre de metralhadora no formato de bola, que se encontrava na parte inferior do quadrimotor, para a colocação de um domo de radar. Devido à configuração deste radar, com as antenas em formato de “orelhas de rato”, estes B-24 eram conhecidos como “Radar Mickey”. Estes aviões especiais transportavam 11 pessoas, ao invés de 10, que era o número normal de tripulantes de uma B-24. 

No 454th Bomb Group havia uma seção específica de pessoas que trabalham com sistemas de radar. Quando Emil foi escolhido para uma missão de bombardeio, ele me disse que era extremamente focado em seu trabalho. Porque ele sabia que qualquer erro pode comprometer todo o grupo de aeronaves e suas tripulações. 

De abril a setembro de 1944 o tenente Emil participou de 38 missões sobre a Europa ocupada. Em uma delas, ao atacarem a fábrica da Messerschmitt, em Bad Voslau, na Áustria. O bombardeamento desta estratégica unidade fabril rendeu ao 454th Bomb Group um citação do presidente dos Estados Unidos e o tenente Emil estava lá. 

Avião B-24 com domo de radar, similar ao utilizado por Emil

Curtindo uma folga ainda nos Estados Unidos
Mas no dia 13 de setembro de 1944, quando na sua 39º missão, a de número 117 do 454th Bomb Group, cujo objetivo era uma refinaria na cidade alemã de Odertal, seu B-24J foi atingido pela artilharia antiaérea. O comandante da nave, o capitão Allen Leroy Unger tentou retornar a Itália. Próximo a cidade de Modra, no atual território Eslovaco, Emil e seus 10 companheiros tiveram de saltar de pára-quedas. 

Ninguém morreu, mas a maioria foi capturada, entre estes o tenente Emil. Todos foram levados para o campo de prisioneiros Stag Luft III, em Sagan (atual Zagan, na Polônia) e o sofrimento foi grande. Depois de quatro meses como prisioneiro de guerra neste campo, as tropas russas estavam avançando a partir do leste e começaram a se aproximar do campo. Segundo os livros relativos à Segunda Guerra Mundial Adolf Hitler mandou evacuar Stalag Luft III, pois além de não querer que estes 11.000 aviadores aliados fossem libertados pelos russos, havia a intenção de utilizá-los como reféns. 

A saída do campo se deu entre 27 e 28 de janeiro de 1945. Emil lembra que era uma noite muito fria quando os alemães lhe ordenaram a pegar o que pudesse para marchar para outro campo. A caminhada foi realmente terrível, pois estes prisioneiros já estavam bem debilitados e havia muita neve e frio. Seguiram para um lugar chamado Spremberg, em quase 100 quilômetros de marcha forçada. 




Em 31 de Janeiro os homens seguiram para o Stalag Luft VIIA, em Moosburg. Durante dois dias de viagem, os aviadores foram levados em vagões de transportar gado. As necessidades fisiológicas eram feitas ali mesmo, em pé e para dormir só escorados uns nos outros e a viagem durou dois dias. Moosburg era uma verdadeira pocilga, onde os alemães amontoaram mais de 140.000 prisioneiros aliados, entre estes alguns brasileiros. 

Finalmente os prisioneiros foram libertados pelos soldados da 14ª Divisão Blindada, do 3º Exército da U.S. Army, comandados pelo general George Patton. 

Para o veterano residente em Natal, a lição mais importante da guerra foi a “Falta de justificativas para a violência”, que no seu entendimento ainda não foi aprendida pela humanidade. 

Depois de retornar aos Estados Unidos, Emil tentou a universidade de Lincoln, sem sucesso e foi trabalhar em uma empresa de construção da família. Mas este americano de origem eslava, de profunda devoção católica, decidiu trabalhar como um voluntário em obras assistenciais na America Latina, através de um programa criado pelo Papa João XVIII. 

O destino o trouxe a natal em 1963, onde conheceu Dom Eugenio de Araújo Sales (na época Bispo de Natal) e se incorporou no programa SAR – Serviço de Assistência Rural. 

Emil teve oportunidade de conhecer o sertão potiguar, os aspectos ligados aos trabalhadores rurais nordestinos e veio a ser casar com a assistente social Célia Vale Xavier da cidade de Caicó. Chegaram a adotar a jovem Maria Isabel, mas a mesma faleceu de uma rara doença em 1984. 

Nos últimos anos surgiu no veterano a vontade de contar sua história, principalmente depois do falecimento de sua esposa. 

O autor deste artigo havia sido um dos realizadores do livro “Os cavaleiros dos céus – A saga do vôo de Ferrarin e Del Prete”, que narra a história da primeira travessia sem escalas entre a Europa e America do Sul, realizada pelos pilotos italianos Arturo Ferrarin e Carlo Del Prete, em 1928. Emil, um grande leitor sobre aviação, gostou do livro e me convidou para escrever sua biografia. 

Desde o primeiro semestre de 2010 iniciamos a fase de entrevistas, daí seguimos para fazer contato com pessoas e entidades nos Estados Unidos e na Eslováquia. Depois partimos para a análise de suas cartas e de sua esposa, Célia Vale Petr. Outras fontes são seus apontamentos compilados em um diário, muitas fotos, além do livro da sua formatura como oficial navegador, o livro oficial do seu esquadrão (publicado em 1946) e outras fontes. 

Justamente por esta relação junto aos potiguares o livro vai se chamar “Why? – O encontro de duas culturas”, pois era muito comum Emil ter de responder as pessoas em Natal à razão de escolher esta cidade para viver. 

O lançamento está previsto para abril de 2011.

Obs: Só clicarem nas imagens que apareceram em seus tamanhos originais.


























Só clicarem nas imagens que apareceram em seus tamanhos originais.

Os creditos desse post vão para Rostand Medeiros – Pesquisador (rostandmedeiros@gmail.com) que me forneceu o material desse novo livro que pretende lançar.




quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Torgau, no Centro do Sistema Penal Militar (1939-1945)

Fort Zinna (centro) com Seydlitzkaserne (Special Camp No. 8, abaixo) e Zieten Barracks (sede da Corte Imperial Marciais, à esquerda). 

O aperto de mão entre o Segundo Tenente americano Bill Robertson eo sargento soviético Nikolai Andreyev em 25 de abril de 1945, sobre as ruínas da ponte sobre o Rio Elba em Torgau, simbolizou a vitória sobre a Alemanha nazista pelos aliados na Segunda Guerra Mundial. A reunião também significou o fim da sua existência Torgau como o centro do sistema penal militar alemão.

Ambas as prisões em Torgau alojavam os presos condenados por tribunais militares alemães, eram chamados de "portadores de espírito anti-militar": projeto de resistentes, os soldados rebeldes, desertores, acusados de "minar a força militar", "dar tratamento preferencial do inimigo", ou " "espionagem e soldados condenados de delitos.

Os detentos também incluiam os prisioneiros de guerra e membros da resistência anti-nazista na Alemanha e nos países da Europa ocupada, assim como os homens de Luxemburgo, Alsácia e Lorena, que haviam resistido alistamento no Exército alemão.

Torgau assumiu um papel fundamental no sistema de justiça militar alemão, em março de 1941, quando o Alto Comando do Exército (Oberkommando des Heeres, OKH) estabeleceu o escritório de seleção para "serviço de estágio" em Fort Zinna. A função especial de Torgau como uma estação de inspeção e de transferência foi reforçada um ano depois, quando o Alto Comando das Forças Armadas (Oberkommando der Wehrmacht, OKW) ordenou a instalação do Acampamento Penal de Campo I e II em Torgau.

Além disso, em agosto de 1943, o Reichskriegsgericht, supremo tribunal militar na Alemanha, foi transferida para o Quartel Zieten em Torgau. Durante o período da guerra, a mais alta corte do sistema de justiça militar alemã emitiram cerca de 1.400 condenações à morte, dos quais cerca de 1200 foram realizados em Torgau e outros lugares. As vítimas incluem os objetores de consciência - a maioria das Testemunhas de Jeová - os membros resistência do "Rote Kapelle", franceses e poloneses combatentes da resistência, prisioneiros de guerra americanos, e os generais alemães.

Quanto mais tempo a guerra da Alemanha se arrastava, e quanto mais desesperada se tornou, mais draconiano(severo) os tribunais militares nazistas se tornaram na luta contra os sinais de moral das tropas e da crescente oposição à guerra. Mais de um milhão de soldados alemães foram condenados, e 20.000 foram executados. Em comparação, os aliados ocidentais durante o mesmo período realizou cerca de 300 condenações à morte pronunciadas por tribunais marciais.

O número exato de execuções levadas a cabo em Torgau já não pode ser determinada. Os registros incompletos do exército, o gabinete de estatísticas vitais e administração de cemitérios mostram que pelo menos 170 soldados condenados foram baleados em Torgau. Outras fontes sugerem, contudo, que o número real de vítimas foi significativamente maior. As execuções foram realizadas por um pelotão de fuzilamento em uma cascalheira, perto da prisão e no fosso do lado norte de Fort Zinna.

Depois da guerra, alguns dos agressores foram julgados e condenados. A maioria dos juízes do Reichskriegsgericht e outros advogados militares responsáveis sobreviveram ao fim da guerra ilesos, e continuaram sua carreira na profissão jurídica na Alemanha Ocidental.

Após a guerra, a agencia da Polícia Secreta Soviética NKVD estabeleceu a seus Campos Especiais nº 8 e nº10 em Fort Zinna e no quartel próximo Seydlitz. Alemães e alguns cidadãos soviéticos foram internados ou serviram sentenças proferidas pelos tribunais militares soviéticos. A Polícia do Povo da Alemanha Oriental usou a prisão do Forte Zinna de 1950-1990 como uma penitenciária. Na década de 1950 alojou principalmente os presos políticos.

A Centro de Documentação e informação de Torgau (DIZ), fundado em 1991 e agora sob a administração do Fundação Memorial Saxon para a comemoração das vítimas do despotismo político, pesquisas e apresenta a história das prisões Torgau, em permanente exposição "Traços da Injustiça ".



Tradução: Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com

domingo, 5 de dezembro de 2010

Kurt Meyer fala sobre a luta entre o Leibstandarte e a guerrilha russa


Em busca de soldados russos 
O Leibstandarte entrou imediatamente em ação. Seu movimento geral era na direção do Mar Negro e no Dnieper,  como parte de um plano de envolvimento pelo Panzergruppe do Coronel-General von Kleist. Os russos, sem que lhes dessem a chance de recuperar o equilibro, perdido porque o ataque os surpreendera dolorosamente desatentos, revidara com violência. Eles eram indiferentes às condições de tempo, à fome e à sede, depois que o movimento de cerco dos alemães cortou as linhas através das quais eram supridas de alimento as forças russas  submetidas ao ataque. Nem mesmo a quantidade de vidas perdidas, absurdamente grande, foi capaz de pesar na sua disposição de resistir - como patenteado nos 900 dias de sitio de Leningrado. Chovera muito durante os meses de junho e julho e isto reduzira  as estradas e as planícies intermináveis a um traiçoeiro atoleiro que só os tanques  podiam atravessar. Infelizmente, até que o sol voltasse a brilhar e secasse o terreno arenoso, os veículos de abastecimento comuns ficaram imobilizados, de modo que os tanques tiveram de parar, até que as unidades de transporte de gasolina e manutenção, bem como a infantaria de apoio, que também ficara atolada, os pudessem alcançar.

Nessas circunstâncias, o Leibstandarte ficou também mobilizado, suscitando atrasos que Dietrich recebia sempre com fúria. Mas nem todo o tempo foi perdido. Seus homens desembarcaram dos veículos e foram despachados em patrulhas a pé pelas florestas que, de qualquer modo, eram impenetráveis para veículos de rodas e onde os russos haviam deixados grupos de hostilização durante a retirada.

"Esses grupos nos hostilizavam terrivelmente", declarou Kurt Meyer, que havia sido condecorado com a Cruz de Cavaleiro, pelo que fizera na Grécia e, longe de considerá-la uma recompensa por serviços prestados, tinha-a como algo que ainda estava a merecer. "A artilharia não lhes era muito util, por muito fechada a floresta, mas  nós também sabíamos tudo sobre armadilhas, colocação  de minas e emboscadas; mas nós também sabíamos, dando-se por isso continua competição de esperteza entre nossas patrulhas e seus grupos de hostilização. Certa feita, despachamos uma patrulha  de seis homens que arrebanharam e acorrentaram 22 bolchevistas. Usamos as correntes para a neve dos veículos imobilizados. Era lúgubre andar pela floresta com as correntes ressoando e a chuva caindo torrencialmente. Doutra feita, não fomos tão felizes. Despachamos uma patrulha e ela desapareceu completamente; nunca mais ouvimos falar dela. A dificuldade quando se verifica esse tipo de luta é que todos se irritam e querem passar para os grandes combates."


Transcrito por: Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com
Fonte: WIKES, Alan -  A guarda de Hitler -  SS Leibstandarte - Ed. Renes; pg. 119 - 121

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Kapos

Kapos  judeus prestam continência a oficial alemão.
Kapo era um termo usado para certos presos que colaboravam com os nazistas nos guetos e nos campos de concentração em várias posições administrativas mais baixas. A palavra oficial nazista foi Funktionshäftling, ou "prisioneiro funcionário".

A palavra alemã Kameraden Polizei pode também significar “capataz/contramestre” e “oficial inferior", e deriva-se do francês para o “cabo” (caporal) ou da palavra italiana capo.  O surgimento do termo ainda tem certa controvérsia.

Os kapos recebiam mais privilégios que os presos normais, para quem eram com freqüência brutais. Os kapos freqüentemente eram presos que tinham se oferecido para fazer esse trabalho, na troca para uma sentença reduzida ou uma liberação supervisionada antes da conclusão de sua sentença. Dependendo do campo, os privilégios mudavam, geralmente recebiam melhor alimentação,  melhores roupas e um local melhor para dormir. Sendo que a alimentação era um dos pontos fundamentais para sobrevivência nos campos, mas mesmo tendo a ração extra, muitos ainda roubavam dos prisioneiros ou não entregavam toda ração que lhes eram destinadas.

Para a maior parte, Kapos eram encarregados de grupos de trabalhadores, mas também havia Kapos para os hospitais ou as cozinhas. Alguns campos ainda tinha uma hierarquia: Oberkapo, Kapo, Unterkapo.

Nos campos de extermínio, eles geralmente foram assassinados e substituídos com um grupo novo dos prisioneiros em intervalos regulares. Muitos desses Kapos eram criminosos comuns, que ostentavam o triângulo verde no peito. Eles eram o nº 1 na prioridade dos alemães na nomeação para esse serviço, pois  na visão dos alemães, era melhor um criminoso comum alemão levar essa vantagem do que outros grupos, como por exemplo judeus, comunistas, homossexuais... Mas isso não impediu de muitos kapos serem de outra raça, etnia, partido politico e religião. Geralmente os prisioneiros políticos conseguiam derrubar os Kapos e nomear pessoas de suas próprias fileiras, para beneficiar uma grande parcela de presos.

O sadismo e a brutalidade de muito desses homens, que muitas vezes roubavam alimentos dos presos, era evidente nos campos, que . chegava a se comparar com os próprios SS. Mas alguns Kapos exerceram o seu poder de forma humana e com sensibilidade e trabalharam para ajudar os seus companheiros de prisão.

Fontes:
http://www.jewishvirtuallibrary.org/jsource/judaica/ejud_0002_0011_0_10732.html
Adaptei os texto, mesclando os dois, e inclui na dos triângulos verdes e seus privilégios uma curiosidade que não podia deixar passar, sendo que algumas coisas dita acima foram retiradas das obras de Christian Bernarc.

Transcrição por : avidanofront.blogspot.com/

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Fuga do Gueto de Varsóvia pelos esgotos

Sapadores alemães atribuídos a explodir os bunkers onde os judeus estavam se escondendo, junto com os judeus que haviam sido retirados de uma dos bunkers, aparentemente, em 08 de maio de 1943.

O Levante propriamente dito, que teve inicio a 19 e abril de 1943, na primeira noite da Páscoa judaica, continuou até a liquidação final do gueto. Tres dias foram destinados para a liquidação final do Gueto de Varsóvia. A batalha dos bunkers durou mais de um mes.

Com o gueto em chamas, alguns judeus escaparam pelos esgotos. Relata um sobrevivente:

A 10 de maio de 1943, às 9 horas da manha, a tampa do esgoto sobre nossas cabeças literalmente se abriu e uma torrente de luz solar jorrou para dentro. Krzaczek[um membro da resistência polonesa] estava de pé na abertura do esgoto, chamando-nos para sair. Começamos a escalar a saída, um atrás do outro, e imediatamente subimos num caminhão. Era um lindo dia de primavera, e o sol nos aqueceu. Nossos olhos foram cegados pelo brilho do , pois durante muitas semanas não tínhamos visto a luz do dia e haviamos passado o tempo todo em completa escuridão. As ruas estavam cheias de gente, e todos ficaram parados olhando, enquanto seres estranhos, dificilmente reconhecíveis como humanos, rastejavam para fora dos esgotos.


Transcrito por: Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com
Fonte: GUTMAN, Israel -  Resistência. Ed. Imago, 1995, pg 18.

domingo, 28 de novembro de 2010

Extrato do diário de Friedrich Schmidt, o torturador de Budionovka

Extrato do diário de Friedrich Schmidt, Secretário da Policia Secreta adjunto ao 1° Exercito Blindado das Forças Armadas alemãs, redigido em Budionovka, perto de Mariupol.

25 de fevereiro - Não esperava que este dia fosse um dos mais intensos da minha vida... A comunista catarina Skoroiedova estava informada com alguns dias de antecedencia do ataque dos russos contra Budionovka. Dizia mal dos russos que colaboravam conosco. A fuzilamos as 12h...O velho Saveli Petrovitch Stepanenko e a mulher, da aldeia de Samsonovka, também foram executados... Foi ainda exterminado o filho da amante de Goraviline, de quatro anos de idade. pelas 16h, trouxeram-me quatro raparigas de dezoito anos que vieram a pé pela neve de Ieisk até aqui... O chicote tornou-as mais obedientes. Todas elas são estudantes e uma belas raparigas. As celas abarrotadas são um verdadeiro pesadelo...

26 de fevereiro - Os acontecimentos deste dia ultrapassaram tudo o que até hoje me foi dado ver... A bela Tamara suscitou o maior interesse. Depois trouxeram ainda seis rapazes e uma rapariga. Nem as exortações nem as mais violentas chicotadas fizeram qualquer efeito. Portaram-se como diabos! A rapariga não derramou nem uma unica lágrima, apenas cerrou os dentes... Depois de uma sova impiedosa fiquei com o braço como que paralisado.  Recebi duas garrafas de conhaque, uma do tenente Koch, do estado-maior do conde von Förster, e outra dos romenos. Senti-me novamente feliz. Sopra um vento do sul, começou o degelo. A primeira companhia da guarda de campanha apanhou a 3 km a norte de Budionovk cinco rapazes de dezessete anos de idade. Trouxeram-mos...O chicote entrou em ação, e ficou com o punho partido em mil pedaços. Batíamos a dois... Contudo, nada confessaram...Trouxeram-me dois soldados vermelhos...Moemo eles de pancadas... Tratei da saúde ao sapateiro de Budionovka, que pensava que lhe era permitido rir-se do nosso exercito. Já me doem os músculos do braço direito. O degelo continua...

1 de março - Mais um domingo de guerra... Recebi o pré: 105 marcos e 50 cêntimos... Hoje jantei com os romenos. Comi bem... Às 16h fui convidado, inesperadamente, para tomar café na casa do general von Vöster...

2 de março - Sinto-me mal. Fui atacado de diarréia. Tenho que ficar deitado...

3 de março - Interroguei o tenente Ponomarenko, que me tinham trazido. Ponomarenko foi ferido na cabeça no dia 2 de março; refugiou-se no kolkhoz Rosa Luxemburgo; aí disfarçou-se e desapareceu. A familia que escondeu Ponomarenko começou a mentir. Naturalmente, moí-os de pancada... À noite ainda me trouxeram cinco pessoas de Ieisk. Como de costume, são adolescentes. Usando do meu método simplificado que já deu boas provas, levei-os a confessar: como sempre, fiz trabalhar o chicote. O tempo começa a fiar doce. 

4 de março -  Está um tempo soberbo... O sub-oficial Vogt já fuzilou o sapateiro Alexandre Iakubenko. Atirou-se para a vala comum. Estou constantemente a sentir comichão por todo o corpo.

6 de março - Entreguei 60 marcos ao fundo de ...

7 de março - Ainda vivemos bem. Recebo manteiga e ovos; às 16h trouxeram-me novamente quatro jovens guerrilheiros...

8 de março - O sub-oficial Springwald e Frau Reidmann regressaram de Mariupol.Trouxeram o correio e uma ordem escrita de Groschek relativa à execução... Já tinha mandado fuzilar seis pessoas...Disseram-me que chegou de Vessioly mais uma rapariga de dezessete anos.

9 de março -  Como o sol esta radioso! Como a neve brilha! Mas nem mesmo o ouro do sol é capaz de me descontrair. Dia difícil. Acordei às tres horas. Tive um sonho horrível. O motivo é que tenho que matar trinta adolescentes capturados. Esta manha Maria serviu-me uma excelente torta...Às 10h trouxeram-me mais duas raparigas e seis rapazes...tive que lhes bater impiedosamente... Depois, foram as execuções em massa: ontem seis, hoje trinta e tres criaturas liquidadas. Não posso comer. Pobre de mim se me apanham. Já não me posso sentir seguro em Budionovka. Não há dúvida que me odeiam. No entanto não podia proceder de outro modo. Se os meus pais soubessem o dia difícil que passei. A vala está quase cheia. Como esta juventude bolchevista sabe morrer heroicamente! Será o amor da pátria ou o comunismo que lhes penetrou na carne e no sangue? Muitos deles, sobretudo as raparigas, não derramaram uma lágrima. Tem na verdade uma grande valentia. Obrigamo-los a despir-se (queremos as roupas para as vender)... Mal de mim se sou apanhado!

11 de março -  Só à chicotada se pode educar a raça inferior. Mandei construir ao lado do meu quarto uma privada muito limpa e dependurei na porta um letreiro proibindo a população civil de se servir dela... Em frente ao meu quarto fica o escritório do burgomestre, onde chegam todas as manhas os operários para trabalhar no aterro. Desprezando o letreiro, servem-se da privada. Ah! como lhes bato! Para a próxima mando-os fuzilar...

13 de março - Carregado de trabalho, há muito tempo que não escrevo para casa. Para dizer a verdade, não tenho vontade de escrever à familia, - não o merecem...Depois, moí de pancada um russo de cinquenta e sete anos, juntamente com seu genro, por ter falado com insolência dos alemães. Em seguida, fui ter com o coronel romeno...

14 de março - Voltou o frio. Tenho novamente diarreia e sinto dores na região do coração; chamei o medico. Diagnosticou: complicações no estomago e nervos... Dei hoje ordem para fuzilarem Ludmila Tchukanova, de dezessete anos. Tenho que matar adolescentes, e é por isso que tenho o coração doente.

17 de março -O meu primeiro trabalho de hoje: Mandei trazer do hospital, numa telega(espécie de carroça, de quatro rodas), o quinto paraquedista russo. Ordenei a execução imediata junto da vala comum... Feito isso, passei o dia tranqüilamente. Depois de jantar dei um pequeno passeio. A terra estava dura do gelo.

19 de março - Eis-me na cama. Mandei chamar o major medico. Auscultou-me e pensa que quanto ao coração tudo corre bem.  Constatou uma depressão moral. Receitou-me comprimidos contra a prisão de ventre e um ungüento contra o comichão... Temos um porco excelente. Mandamos fazer chouriços.

21 de março - Ainda não tínhamos conhecido em Budionovka um dia tão horroroso. À noite apareceu um bombardeiro russo. Lançou primeiro foguetes luminosos e depois doze bombas. Os vidros tremeram nas janelas. Imagine-se a emoção que senti quando, deitado na cama, ouvi o ruido do avião e o rebentar das bombas...

23 de março - Interroguei uma mulher que roubou o meu interprete, Frau Reidmann. Chicoteamos-lhe as nádegas nuas. Ao ver isto, até Frau Reidmann chorou. Depois dei uma volta pela aldeia e passei pelo talho onde me estão a fazer os chouriços... A seguir interroguei dois garotos que tinham tentado fugir pela neve até Rostov. Fuzilei-os como espiões. Pouco depois trouxeram-me um rapaz que há uns dias atrás tinha vindo de Ieisk, pela neve... Entretanto, trouxeram-me chouriço de fígado picado. Não sabe mal. Quis mandar espancar uma komsomol (organização juvenil do Partido Comunista da União Soviética)...


27 de março - à noite esteve calma... Interrogo dois rapazes de quatorze anos que rondavam pelos arredores. Mandei espancar uma mulher que se tinha esquecido de se registrar.

28 de março - Fui visitar o coronel Weiner, que desempenha a tarefa de Arbeitsfuhrer. Às 18h mandei fuzilar um homem e uma mulher que tinham tentado fugir pela neve...

1 de abril -  Recebi 108 marcos em rublos, o que faz um grande maço de dinheiro. Valia massageou-me e banhou-me novamente...

10 de abril -  O sol queima. Quando, de manha, Maria abre a janela, os raios brilhantes jorram sobre a cama. O gelo fundiu, e agora só se receia a ameaça dos aviões. Espanquei varios rapazes e raparigas por não se terem registrado. Entre eles a filha do staroste (campones). Sinto uma sensação desagradável quando começa a escurecer, - começo a pensar nos bombardeiros.

11 de abril -  Todos estão contentes por eu ter voltado. Tratam-me como rei. Ceamos copiosamente e bebemos aguardente...

12 de abril -  Todas as manhas bebo leite quente  como um omelete... Agora há menos que fazer... Trabalhamos somente à escala local. Punições: espancamentos  ou fuzilamentos. Geralmente mando aplicar as chicotadas nas nádegas nuas.

16 de abril - Dia calmo. Resolvi uma questão entre o staroeste e o chefe da milícia, e depois espanquei tres homens e uma mulher que, apesar da proibição, vieram a Budionovka procurar trabalho... Em seguida, torturei uma mulher militar: confessou ter sido maqueira... Os romenos deram-me por varias vezes aguardente, cigarros e açúcar. Sinto-me novamente feliz.
Finalmente Groschek propôs-me para a Cruz de Guerra com espadas cruzadas. Eis-me pois condecorado!

17 de abril - As raparigas (Maria, Ana, Vera) cantam e brincam junto da minha cama... À noite trazem-me uma noticia. Parti para o local com o interprete para resolver o assunto. Mexericos de mulheres. Mandei espancar duas raparigas, em minha casa, nas nádegas nuas...

18 de abril - Tempo chuvoso e encoberto. Mandei chamar varias raparigas que se tinham exprimido em termos reprovadores sobre a policia secreta. Mandei-as espancar a todas.

Transcrito por: Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com
Fonte: COELHO, Zeferino - O crime metódico. Ed. Inova Limitada - pg.74-79

Parlamento da Rússia atribui massacre de poloneses a ex-líder soviético

26/11/2010

União Soviética reconheceu apenas em 1990 a autoria dos crimes

A Câmara Baixa do Parlamento da Rússia, chamada de Duma, aprovou nesta sexta-feira (26) em primeiro turno uma declaração que reconhece como "uma tragédia" ordenada por Josef Stalin o massacre de milhares de oficiais poloneses pelo NKVD em 1940 em Katyn. A declaração também implica outros dirigentes soviéticos.

- Os documentos publicados, que permaneceram por muitos anos nos arquivos secretos, não apenas revelam a amplitude desta terrível tragédia, como são uma prova de que o crime de Katyn foi cometido por ordem pessoal de Stalin e de outros dirigentes soviéticos. A responsabilidade desta matança foi atribuída na propaganda soviética aos criminosos nazistas, o que alimentou a revolta, a amargura e a desconfiança do povo polonês.

Imagem de arquivo mostra retirada de corpos de poloneses de cova coletiva em Katyn.
O Parlamento russo manifesta sua "profunda compaixão com todas as vítimas desta repressão injustificável, com suas famílias e amigos", prossegue a nota.

Moscou e Varsóvia iniciaram este ano uma aproximação sem precedentes desde a época soviética.

Após a invasão pela URSS em setembro de 1939 das regiões do leste da Polônia em consequência do pacto germânico-soviético, 22 mil oficiais poloneses prisioneiros do Exército Vermelho foram mortos nos bosques de Katyn e em Mednoia (Rússia), assim como em Jarkiv (Ucrânia).

Durante décadas, a União Soviética acusou a Alemanha nazista de ter cometido os assassinatos. Apenas em abril de 1990 o líder soviético Mikhail Gorbachov reconheceu a responsabilidade do país no massacre.



As imagens dos documentos que foram liberados pelo governo russo vocês podem ver aqui:  

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O frustrado ataque da Brigada de Cavalaria Pomorska (mito)



"A bravura dos defensores é indubitável", disse Dietrich num espaço enviado ao QG de combate. E era verdade, como prova o exemplo abaixo:

Do outro lado das ruínas fumegantes de Krzepice, com seus habitantes procurando fugir apressadamente, mas sendo assassinados às centenas, enquanto os atacantes avançavam implacavelmente, veio um contra-ataque inesperado. Era ridículo em seu conceito e desesperado na maneira de fazer. Uma tropa da famosa Brigada de Cavalaria Pomorska ocultara-se nos bosques existentes além de Krzepice e, de acordo com ordens do seu comandante, saiu para atacarem campo aberto na direção dos tanques do "Leibstandarte". Os cavaleiros portavam lanças e espadas; seus uniformes azuis eram enfeitados de borlas douradas e de seus capacetes pontiagudos pendiam plumas; e em suas frágeis couraças de parada viam-se bordados os símbolos de antigos reis  poloneses. Montavam veloses cavalos negros e seus "Hurrah", o tradicional brado de guerra polones, que é hoje conhecido em todo o mundo, foram momentaneamente ouvidos em meio às intermináveis levas de aviões que rugiam pelos céus da região.

Mais tarde, Dietrich disse que por instantes ninguém quis acreditar naquela horrível carga de opereta.  "Quase todos nós achavamos que era uma espécie de miragem". Os cavalos continuaram galopando na direção do tanque e, depois de breve momento de espanto e antes que os canhões abrissem fogo, começou a atacar o veiculo com sua espada e lança. Os artilheiros do "Leibstandarte" - escotilhas abertas e rindo às gargalhadas diante de espetaculo tão inusitado - pegaram de suas suas metralhadoras e varreram os que se aventuravam a luta tão desigual. Cavalos empinavam, caíam, davam saltos, confundindo-se tudo em dolorosa desordem, homens e animais. O espetaculo resultou numa amálgama de carne, osso, sangue e uniformes desfeitos em trapos que o gelo tradizadas pelo inverno deu aparencia de "uma colagem na qual os elementos de cor, estupidez, bravura, crueldade e agonia haviam sido conservados".

Transcrito por: Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com
Fonte: WIKES, Alan -  A guarda de Hitler -  SS Leibstandarte - Ed. Renes; pg.75


OBS: Conforme estudos recentes, foi diagnosticado que essa carga da cavalaria contra tanques foi merito da propaganda alemã, pois não há provas algum que comprovem o fato, e foi repassado em centenas de publicações até os dias atuais. Colocarei um texto referente sobre o assunto logo abaixo:

Cavalaria Polaca: Um mito militar dissipado

Nazista acusado de 430 mil mortes morre aos 89 anos na Alemanha

Guardas do campo de extermínio de Belzec. Samuel Kunz é o terceiro da direita, com o bandolim nas mãos.


Agência de Notícias

Ex-guarda de um campo de concentração nazista, Samuel Kunz morreu na quinta-feira passada (18) aos 89 anos, antes de enfrentar julgamento pela morte de 430 mil judeus.

"Samuel Kunz morreu em 18 de novembro, aparentemente em sua residência. Temos o atestado de óbito", afirmou o promotor Andreas Brendel, diretor do Escritório Central para a Elucidação de Crimes Nazistas de Dortmund (oeste).

Kunz era o terceiro na lista de nazistas mais procurados do centro e devia ser julgado por crime contra a humanidade pelo assassinato de judeus aprisionados no campo de concentração de Belzec, então parte da Polônia ocupada pelos nazistas, entre janeiro de 1942 e julho de 1943.

Ele era acusado de ter matado dez dos prisioneiros pessoalmente, além de participar da morte de outros 430 mil. O julgamento de Kunz deveria começar somente em 2011, depois de vários atrasos --o último resultado de uma petição do próprio juiz para novas investigações sobre o réu no registro de criminosos de guerra de Dortmund.

Depois da guerra, Kunz trabalhou como funcionário do Ministério Federal da Construção.

Brendel lamentou ao jornal "Bild" a suspensão do caso do julgamento que "teria sido uma boa oportunidade para esclarecer o massacre dos judeus, em especial no campo de morte de Belzec".

Na lista de criminosos nazistas mais procurados permanecem, entre outros, o húngaro Sandor Kepiro, ex-oficial de polícia que teria participado de uma matança de 1.200 civis em Novi Sad (Sérvia), o ex-chefe de polícia croata Milivoj Asner, que colaborou na deportação de sérvios e judeus. Entre os alemães mais buscados por crimes de guerra, está Adolf Storms, sub-oficial das forças nazistas que teria matado 58 prisioneiros judeus.




Morre 3º criminoso nazista alemão mais procurado

Site Terra

O terceiro criminoso nazista alemão mais procurado, Samuel Kunz, de 89 anos, morreu na quinta-feira passada sem chegar a ser processado por crimes contra a humanidade, informou nesta segunda-feira o Escritório Central para a Elucidação de Crimes Nazistas de Dortmund.

Kunz, que foi guarda do campo de concentração nazista de Belzec (Polônia) de janeiro de 1942 até julho de 1943, era acusado de ter matado pessoalmente dez pessoas e de participar do assassinato de outros 430 mil prisioneiros.

O julgamento contra Kunz estava previsto para o próximo ano após vários atrasos, o último a pedido do próprio juiz, que solicitou novas investigações sobre o acusado no registro de criminosos de guerra de Dortmund.

Após a guerra, o ex-guarda viveu perto de Bonn até sua aposentadoria como funcionário do Ministério de Construção.

As investigações contra Kunz tiveram início durante o processo atualmente em tramitação em Munique contra o suposto criminoso nazista John Demjaniuk pela morte de 27.900 judeus no campo de concentração de Sobibor.

Segundo o jornal "Bild", o promotor Andreas Brendel lamentou a suspensão do julgamento e afirmou que "teria sido uma boa oportunidade para esclarecer o massacre judeu, especialmente o do campo da morte de Belzec".

O diretor do Centro Wiesenthal de Jerusalém, Efraim Zuroff, expressou nesta segunda-feira sua frustração pelo fato de que Kunz não poderá ser julgado.

"O fato de que Kunz tenha vivido durante décadas na Alemanha sem ser julgado é o resultado de uma falha na estratégia de investigação: a de que quem não foi oficial desconhecia o Holocausto", disse Zuroff.

O diretor do Centro Wiesenthal desafiou as autoridades alemãs a "solucionarem rapidamente outros casos similares dada a elevada idade de muitos dos acusados".

Na lista dos criminosos nazistas mais procurados permanecem, entre outros, o húngaro Sandor Kepiro, ex-oficial de Polícia que teria participado de um massacre de 1.200 civis em Novi Sad (Sérvia), e o então chefe de Polícia croata Milivoj Asner, que colaborou na deportação de sérvios e judeus.

Entre os alemães mais procurados por crimes de guerra está Adolf Storms, suboficial das SS que teria assassinado 58 trabalhadores forçados judeus.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Extrato de um relatório sobre a destruição da aldeia de Borki - de 22 a 26 setembro de 1942



15º Regimento de policia - 10º Companhia

28 Setembro de 1942

A 21 de setembro de 1942 a companhia recebeu a missão de destruir a aldeia de Borki situada a 7 km a leste a leste de Mokrany.

À noite as seções da companhia foram postas ao corrente da operação. A preparação começou.

Em 22 de setembro o numero de veículos era suficiente para carregar e transportar ao ponto de ligação em Mokrany todas as seções da companhia e a seção da 9ª companhia que lhe estava adjunta. A deslocação teve lugar sem incidentes. Ninguém foi licenciado.

As carroças necessárias para a operação  foram previamente preparadas e chegaram a Borki à hora determinada. Quando se estavam a mobilizar as carroças descobriram-se varias camponeses recalcitrantes e a companhia pediu a sua punição.

A operação realizou-se segundo o plano, salvo alguns atrasos em algumas etapas. A causa destes atrasos foi a seguinte: no mapa, a localidade de Borki, está indicada como uma aldeia compacta. Na realidade, esta localidade estende-se por 6 ou 7 km de comprimento e de largura.

Quando, de madrugada, dei conta deste fato, alarguei o cerco a leste e organizei o contorno da aldeia de tesoura espaçando simultaneamente a distancia entre os postos. Graças a isto consegui prender e levar para o local de  concentração todos os habitantes da aldeia sem exceção. Esta tarefa foi facilitada pelo fato de a população ignorar até o ultimo momento a finalidade deste reagrupamento. No local de concentração reinava a calma, o numero de postos foi reduzido ao mínimo, e as forças que assim ficaram disponíveis puderam ser utilizadas no ulterior desenvolvimento da operação. A equipa de coveiros só recebeu as pás no local da execução, e a população ignorava a sorte que a esperava. As espingarda-metralhadoras, como  foram colocadas de modo a não serem vistas, evitaram o pânico que surgiu no inicio quando soaram os primeiros tiros no local da execução situado a 700 metros da aldeia. Dois homens tentaram fugir mas, depois de darem alguns passos, caíram atingidos pelas balas. A execução começou às 9 horas e acabou as 18. Das 809 pessoas reunidas, 104 (seguras do ponto de visto político) foram libertadas, entre as quais os operários da exploração de Mokrany. A execução desenvolveu-se sem complicações, tendo-se mostrado racionais as medidas preparatórias. A confiscação do trigo e do material decorreu segundo o plano, exceto algum atraso de tempo. O numero de carroças era suficiente, pois a quantidade de trigo era epquena e os postos de entrega do cereal não debulhado encontravam-se a curta distancia.

Os objetos caseiros e o material agrícola foram transportados nas carroças juntamente com o trigo.

Indico os resultados numéricos da execução: foram fuziladas 705 pessoas, das quais 203 homens, 372 mulheres e 130 crianças.

A quantidade de gado confiscado só pode ser calculada de modo aproximado pois nos postos de entrega não foi feito registro: 45 cavalos, 250 bois, 65 bezerros, 450 porcos, leitões e 300 carneiros. Só nalgumas quintas se encontraram aves de capoeira. Foram distribuídas pelas pessoas libertadas.

Material confiscado: 70 carroças, 20 charruas e grades de esterroar, 5 maquinas de joeirar, 25 corta-palhas e outro material ligeiro.

O trigo, o material e o gado confiscados foram entregues ao chefe da exploração de Estado em Morkrany.

Na operação em Borki foram gastos: 786 cartuchos de espingarda e 2496 cartuchos de submetralhadora.

A companhia não teve perdas. um ajudante foi enviado para o hospital Brest. Supõe-se que tenha icterícia. 

Tenente da Policia de segurança Muller,
adjunto do comando da companhia


( o original alemão encontra-se nos Arquivos centrais da U.R.S.S. sobre a revolução de Outubro, fundo 7021, registro 148, dossier 2, folhas 358-362.)

Transcrito por: Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com
Fonte: COELHO, Zeferino - O crime metódico. Ed. Inova Limitada -  pg 81-83)

sábado, 13 de novembro de 2010

Carta de Ivan Dronov, Subtenete do Exercito Vemelho

Salvando o camarada


22 de julho de 1942

Antes da guerra nunca tinha matado ninguem. Horrorizava-me  só de pensar nisso. Tenho vinte e quatro anos. A guerra começou. Quando abati o primeiro alemão disse para mim mesmo: Porque fiz isso? A culpa não é del, mas de seus governantes. Pensava que muitos alemães vieram para nossa terra sem saber o que faziam.

Depois, fui ferido e feito prisioneiro. E só então compreendi por que tinha matado aquele maldito alemão.

Hospital era como os alemães chamavam ao local onde lançavam os feridos e os combatentes soviéticos supliciados.

Era como uma casa da morte; aí torturavam e moíam os prisioneiros de pancada. Os medicos alemães enraiveciam-se conosco: amputavam pernas e braços validos, cortavam-nos a sangue frio. Deliravam quando um russo morria. Riam-se quando a vitima martirizada desmaiava. Aquele canalha selvagem juntava-se na sala e, atirando sobre um homem desarmado, ria a bandeiras despregadas.

Falta-me a força para descrever tudo aquilo. Levaram-se- a tres feridos - para uma sala para nos interrogarem. Primeiro, bateram-me porque minha ferida cheirava mal; recusaram-se a por-me pensos (curativos). Depois  torturaram-me para me obrigar a entregar os meus camaradas. Estes por sua vez tambem foram torurados. Calávamo-nos.

Esmagavam-nos os dedos nas portas, enterravam-nos agulhas debaixo das unhas, batiam-nos violentamente com um pau nos calcanhares, mas tinhamos jurados não falar e aguentamos.

Eu e mais quatro camaradas conseguimos fugir do cativeiro facista. Eis-me de novo na primeira linha, a destruir os vrmes alemães. Já não pergunto porque se matam os alemães. Agora já sei.

Transcrição por : Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com/
Fonte: COELHO, Zeferino - O crime metódico. Ed. Inova Limitada - pg74

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Relato sobre humilhações e abusos praticadas pela Wehrmacht em Varsóvia

Biografia de Marcel Reich-Ranicki, de Uwe Wittstock

Relato de Marcel Reich-Ranicki (é um crítico literário alemão, seguramente o crítico literário mais conhecido da actualidade na Alemanha.)

A população judaica de Varsóvia foi alvo de todo tipo de humilhações e dos maiores abusos praticadas pelo exército alemão. No capítulo "A caça é um prazer", de sua autobiografia, Marcel Reich-Ranicki dá-nos um relato pessoal dos acontecimentos:


"Ainda Varsóvia acabava de se render; mal tinha chegado a Wehrmacht à cidade, logo começou o grande gáudio dos vencedores, o prazer incomparável dos conquistadores – a caça aos judeus.Após o rápido, grandioso triunfo, aos soldados alemães, exuberantes e compreensivelmente desejosos de aventura, oferecia-se nas ruas de alguns quarteirões da capital polaca uma vista surpreendente. O que ainda não se tinha sucedido aparecia-lhes agora pela frente a cada passo: Eles viam, completamente surpresos, inúmeros indivíduos orientais, ou de aspecto aparentemente oriental, com longas faixas de cabelo nas têmporas, e com fartas barbas. Exóticas eram também as suas roupas: pretas e sem ornamentos...Os jovens soldados (alemães) viram pois, pela primeira vez nas suas vidas, judeus ortodoxos. Estes estranhos habitantes de Varsóvia não lhes despertavam nenhuma simpatia, muito mais desdém e talvez repulsa. Mas os soldados podiam agora também gozar de uma satisfação inconsciente. Pois se em casa, emEstugarda, Schweinfurt ou Stralsund eles não conseguiam distinguir visualmente os judeus dos alemães de “raça pura”, os “arianos”, aqui eles podiam finalmente ver aqueles que só conheciam das caricaturas dos jornais alemães, sobretudo o der Stürmer....Que estes sub-humanos, que sem dúvida deixavam uma impressão mais medrosa do que ameaçadora, pudessem portar armas, era muito improvável. De qualquer forma isso tinha de ser controlado. Diariamente tinham lugar controles, nunca se sabia qual o próximo quarteirão a ser revistado. As armas, as quais os bem-dispostos soldados supostamente procuravam, não apareciam, por muito que eles se esforçassem. Mas eles possuíam outras coisas que os ordeiros homens alemães acolhiam de bom grado: Anéis, carteiras, dinheiro, e por vezes um relógio de ouro.Mas não se tratava apenas de roubar os judeus. Eles, os inimigos do Império Alemão deveriam também ser punidos e humilhados. Não era difícil de o conseguir. Os soldados notaram em breve que os judeus ortodoxos achavam particularmente humilhante que lhe cortassem as barbas. Com este objectivo, os ocupantes, desejosos de entretenimento, tinham-se munido com tesouras...Assim era: cada alemão que vestisse um uniforme e tivesse uma arma podia, em Varsóvia, fazer com um judeu o que quisesse. Ele podia obrigá-lo a cantar, a dançar, ou a fazer nas calças, ou a ajoelhar-se perante ele rogando pela sua vida. Ele podia abatê-lo repentinamente ou matá-lo de forma mais lenta. Ele podia ordenar a uma judia que se despisse, que limpasse o passeio com a sua roupa interior e depois que urinasse em frente de toda a gente. Ninguém estragou o divertimento aos alemães que se entregaram a estes passatempos, ninguém os impediu de maltratar e matar os judeus, ninguém os chamou à responsabilidade."

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Documentos falsos do Holocausto renderam US$ 42 milhões pagos indevidamente

Falsas vítimas do Holocausto recebiam dinheiro da Alemanha.
09 de novembro de 2010, pela AFP. 

Cerca de 5.500 judeus receberam de forma fraudulenta 42 milhões de dólares nos Estados Unidos pagos pela Alemanha, fazendo-se passar por vítimas do Holocausto, revelou nesta terça-feira a promotoria de Nova York.

Dezessete pessoas, responsáveis pela armação do golpe, foram acusadas de usar um fundo destinado a ajudar vítimas da perseguição nazista na Segunda Guerra Mundial, informou em um comunicado a promotoria.

Os supostos golpistas, em maioria de origem russa, aprovaram "mais de 5.500 candidaturas fraudulentas, que resultaram no pagamento a candidatos que não se qualificavam para os programas", acrescentou.

"Se há uma instituição que se poderia supor imune à ganância e à fraude criminal é a Claims Conference, que ajuda diariamente milhares de pobres e idosos vítimas da perseguição nazista", disse o promotor do distrito sul de Nova York, Preet Bharara.

Um dos fundos fraudados entregava em um pagamento único 3.600 dólares a judeus que supostamente haviam sido evacuados de suas cidades de origem por causa da perseguição nazista.

"Muitos dos que receberam os fundos fraudulentos haviam nascido depois da Segunda Guerra Mundial e pelo menos um deles sequer era judeu", indica a nota.

Após receber os cheques, os beneficiários pagavam uma comissão aos que organizavam a fraude. Um total de 4.957 pessoas receberam indenizações fraudulentas entre 2000 e 2009 de 18 milhões de dólares.

Em outro golpe, eram entregues mensalmente 411 dólares "aos que viveram em guetos durante 18 meses ou mais ou durante seis meses em campos de concentração ou de trabalho".

Mediante documentos e testemunhos falsos, 658 pessoas que fingiam ter sido vítimas da perseguição reivindicaram assim um total de 24,5 milhões de dólares pagos pelos contribuintes da Alemanha.

Onze dos suspeitos foram detidos nesta terça-feira e contra todos os eles pesam acusações por fraude passíveis de até 20 anos de prisão e uma multa de 250 mil dólares, informou a promotoria.


sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Romênia acha vala comum com corpos de judeus mortos na 2ª Guerra

Especialistas observam vala com judeus mortos na Segunda Guerra na Romênia
Da Reuters - visitado a 05/11/2010

BUCARESTE - Arqueólogos descobriram uma vala comum com judeus mortos por tropas romenas durante a Segunda Guerra Mundial, informou nesta sexta-feira o Instituto Elie Wiesel. De acordo com testemunhas citadas pelo instituto, mais de cem judeus - homens, mulheres e crianças - foram sepultados no local, numa floresta próxima à aldeia de Popricani, no nordeste romeno.


"Uma das testemunhas viu os judeus sendo alvejados, porque os soldados acharam que ele próprio fosse judeu e pretendiam alvejá-lo também", informou, em nota, a filial romena do Instituto Elie Wiesel. "Ele só foi poupado quando os soldados se convenceram de que era cristão ortodoxo."


Ganhador do Nobel da Paz, Eli Wiesel liderou uma comissão internacional que declarou em 2004 que entre 280 mil e 380 mil judeus romenos e ucranianos foram mortos na Romênia e em áreas controladas pelo governo do país durante a Segunda Guerra Mundial. A Romênia foi aliada da Alemanha nazista.

Muitos foram mortos em "pogroms" (massacres) como o de 1941, que vitimou quase 15 mil judeus na cidade de Iasi, perto da vala recém-descoberta. Outros morreram em campos de trabalhos forçados ou "trens da morte".
Pesquisador mostra munição antiga encontrada na vala comum próximo a Popricani, na Romênia. (Foto: Reuters)
Os arqueólogos já encontraram 16 corpos em escavações na vala comum, segundo promotores, que estão investigando o caso. Esse é o segundo local desse tipo descoberto desde a Segunda Guerra Mundial. Em 1945, 311 corpos foram exumados de três valas comuns em Stanca Roznovanu, na mesma região.

A Romênia só recentemente começou a discutir o extermínio de judeus. Até 2003, o país não admitia que isso houvesse ocorrido. Depois que o país trocou de lado na guerra, em 1944, os regimes comunistas pouco fizeram para investigar as mortes, e os governos nacionalistas após 1989 também mantiveram sigilo sobre o assunto. A Romênia tinha 750 mil judeus antes da guerra. Hoje restam no máximo 10 mil.

Vala da 2ª Guerra com até 700 corpos é achada na Eslovênia

Até 700 corpos de homens e mulheres vítimas de atrocidades na Segunda Guerra podem estar em vala.
Uma vala comum com os restos de até 700 pessoas, datada do final da Segunda Guerra Mundial, foi encontrada na Eslovênia, anunciou nesta terça-feira o governo do país europeu.

A vala de 21 m de extensão foi descoberta em uma floresta perto da cidade de Prevalje, no norte do país.

De acordo com a BBC, o governo esloveno informou que os restos de homens e mulheres foram encontrados na vala na semana passada com as mãos amarradas nas costas. Alguns parecem ter sido baleados, outros podem ter sido golpeados até a morte.

Acredita-se que os corpos encontrados pertenciam às vítimas das atrocidades cometidas logo após o fim da guerra, possivelmente mortas por grupos antifascistas que queriam se vingar dos eslovenos que colaboraram com os nazistas durante o conflito.

Informações divulgadas na Eslovênia afirmam que alguns dos corpos podem ser de cidadãos do país vizinho, a Áustria.

Se os promotores eslovenos decidirem pelo início de um inquérito, os restos serão exumados.

Nos últimos anos várias outras valas comuns datadas da época da Segunda Guerra Mundial foram descobertas no país.

Site Terra, datado a 07 de setembro de 2010

domingo, 31 de outubro de 2010

Ustasha e a Igreja Católica


Bandeira do clero fascistas croata. Observe o U de Ustasha na bandeira.

Os ustaše (no singular ustaša, por vezes escrito ustashe ou ustasha) foram uma organização croata de extrema-direita que foi colocada no poder no Estado Independente da Croácia pelas potências do Eixo em 1941. Praticou políticas fascistas e foi expulso pelos partisans comunistas iugoslavos e pelo Exército Vermelho em 1945.

A Ustase foi fundada em 1929, como um movimento político nacionalista que praticava o terrorismo. Na altura em que chegou ao poder, durante a Segunda Guerra Mundial e a subseqüente ocupação da Iugoslávia pelo Terceiro Reich, a organização tinha um exército que atingiu 76.000 homens em 1944.

Ideologia

A palavra ustaše é plural de ustaša, e descreve uma pessoa que participa de um ustanak (levante, em croata). Os ustaše tinham como objetivo estabelecer uma Croácia pura do ponto de vista étnico – assim sendo, pessoas de origem sérvia e bósnia eram seu principal alvo. Sobre essa forma de limpeza étnica, os ministros Mile Budak, Mirko Puk e Milovan Žanić declararam, em maio de 1941, que as três principais metas ustaše eram:

 - Converter um terço dos sérvios ao catolicismo;
 - Exterminar um terço dos sérvios residentes na Croácia;
 - Expulsar/deportar o terço restante.

Uma contradição da ideologia nazi-fascista tão apreciada pelos ustaše era o fato de que os croatas são de origem eslava e, portanto, considerados racialmente inferiores aos olhos dos mentores nazistas. Assim, os "ideólogos" ustaše criaram uma teoria absurda baseada numa origem pseudo-gótica dos croatas, visando elevar seu status aos olhos dos arianos.

Para os ustaše, os bósnios muçulmanos são considerados croatas muçulmanos. Estes não eram formalmente perseguidos pelos ustaše; inclusive, alguns alistaram-se em divisões dasWaffen-SS nazistas (como a divisão Handschar, comandada pelo infame Amin al-Husayni, e a Kama, chefiada por Edmund Glaise von Horstenau, então adido militar do Terceiro Reichna Croácia e pelo Coronel Viktor Pavicic).

Os princípios básicos do movimento ustaše foram enunciados por Ante Pavelić em seu manifesto "Princípios do Movimento Ustaše", publicado em 1929.


Vítimas


Os ustaše tentaram exterminar sérvios, judeus, ciganos ou quaisquer outros que a eles se opusessem ou não professassem a fé católica, incluindo-se aí alguns comunistas croatas. Uma vez chegados ao poder, aliando-se às tropas nazistas, em 1941, os ustaše criaram diversos campos de concentração para isolar suas vítimas. O maior e mais famoso deles foi o de Jasenovać, comandado por Dinko Sakić (que fugira para a Argentina ao final da guerra, sendo descoberto e levado a julgamento em solo croata em 1998, sendo condenado a vinte anos de prisão).

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Não se sabe ao certo o número exato das vítimas dos ustaše, e as estimativas existentes confirmam que dezenas ou até mesmo centenas de milhares de inocentes foram mortos nesses campos de concentração, ou mesmo fora deles. Mas o número de judeusmortos é bastante confiável: 32.000 pereceram em território croata durante a Segunda Guerra Mundial. Mais de 40.000 ciganos iugoslavos também vieram a ser assassinados; com relação ao número de sérvios vitimados pelos Ustaše, as estimativas são entre 700.000 e 1.200.000 de sérvios.

As atrocidades cometidas pelos ustaše eram tão grotescas que horrorizaram até mesmo os nazistas, que tiveram que intervir para frear o terrorismo ustaše.

Livros didáticos de História editados durante o regime comunista na Iugoslávia afirmam que o número de vítimas dos ustaše chega a setecentas mil pessoas somente em Jasenovać. Este número foi citado com base em um cálculo de perdas demográficas de população (i. e., a diferença entre a população atual e a do período pré-guerra, somando-se aí um eventual crescimento populacional impedido pelo conflito).




Campos de concentração


O Memorial de Jasenovac, atualmente dirigido por Slavko Goldstein, possui uma lista de 59.188 nomes de vítimas desse local; essa lista foi compilada por assessores do governo comunista iugoslavo. Como esse processo foi algo impreciso, estima-se que a lista mencione entre 60 e 75% do total de vítimas, elevando o número de mortos nesse complexo à faixa entre oitenta e cem mil. O antigo administrador do Memorial, Simo Brdar, estimou ao menos 365 mil mortos em Jasenovac.

Milicianos da Ustaše executando prisioneiros próximo ao Campo de concentração de Jasenovac.
As análises dos estatísticos Vladimir Žerjavić e Bogoljub Kočović são similares às do memorial. Em toda a Iugoslávia, o número estimado de mortes de sérvios chega a 487 mil, de acordo com Kočović, e 530 mil segundo Žerjavić, de um total de 1.014.000 ou 1.027.000 mortos, respectivamente. Žerjavić declarou que 197 mil civis sérvios foram assassinados no NDH (sigla em croata para o Estado Independente da Croácia), sendo 78 mil como prisioneiros em Jasenovac, bem como 125 mil combatentes dessa etnia. No entanto, esses dados foram acusados como sendo artificialmente inflados devido ao crescimento do nacionalismo sérvio. Žerjavić e Kočović estimaram a taxa de crescimento populacional dos sérvios na Bósnia (dentro do Estado Independente da Croácia) como 1,1%, a mesma taxa média de crescimento da Iugoslávia como um todo. Na verdade, a taxa de crescimento era de 2,4% entre 1921 e 1931, passando para 3,5% entre 1949 e 1953; acredita-se que eles tenham subestimado a taxa de crescimento populacional sérvia para diminuir a contagem de mortos dessa etnia.

O Museu do Holocausto de Belgrado compilou uma lista de mais de 77 mil nomes de vítimas de Jasenovac. O museu era dirigido por Milan Bulajić – que apoiava uma estimativa de setecentas mil vítimas ao todo. Atualmente, o Museu defende que o número de mortos está na casa dos oitenta mil.

Os primeiros campos de concentração Ustaše foram formados em 1941 e dissolvidos em outubro de 1942 (entre parênteses, o número de prisioneiros/campo, segundo dados disponíveis):
 - Danica, próximo de Koprivnica;
 - Pag (cerca de 8.500);
 - Jadovno, próximo de Gospić (35 mil);
 - Krušćica, na área de Vitez e Travnik;
 - Đakovo (três mil);
 - Loborgrad, Zagorje;
 - Tenja, perto de Osijek.

O complexo de Jasenovac foi construído entre agosto de 1941 e fevereiro de 1942. Os campos de concentração anteriores, Krapje e Bročica, foram fechados em novembro de 1941. Outros três campos (Ciglana, ou Jasenovac III), Kozara (Jasenovac IV) e Stara Gradiška (Jasenovac V) funcionaram até o final da ocupação nazista, em 1944. O número de prisioneiros (estimativas) varia de oitenta a cem mil, trezentos a 350 mil até setecentos mil.








Ligações com a Igreja Católica


As políticas adotadas pelos ustaše são definidas pelo termo "uniatismo" em alguns círculos da Igreja Ortodoxa. Mas este termo jamais foi usado pela Igreja Católica Romana ou peloVaticano, a não ser para fins de execração. Ainda assim, refere-se de forma pejorativa às conversões forçadas de cristãos ortodoxos sérvios ao catolicismo.

Isso confirmava o quanto os ustaše representariam um exemplo extremo do "uniatismo". Apoiavam agressões ou qualquer uso da força com tal de converter crentes ortodoxos. Apesar das conversões forçadas terem sido condenadas por Santo Agostinho, pelo Papa Leão XIII e outras personalidades, foi uma prática comum a católicos durante séculos (em especial durante a Inquisição espanhola). Os ustaše sempre acreditaram que os ortodoxos seriam seus principais inimigos – o que negava teses como as defendidas em encíclicas papais, que reconheciam a Igreja Ortodoxa como a única Igreja legítima além da católica romana. Indo mais além, os ustaše nunca sequer reconheceram a existência de minorias sérvias em território croata ou bósnio — apenas os identificavam como "croatas de fé oriental", e os bósnios, por sua vez, eram chamados "croatas de fé islâmica". Muitos padres entre os ustašeapoiavam a hostilidade aos sérvios ortodoxos conduzindo e incentivando conversões forçadas e amiúde violentas de sérvios por todo o território croata.


Alguns padres franciscanos e de outras ordens correlatas participavam dessas atrocidades pessoalmente. Um deles, frade Miroslav Filipović (do monastério de Petrićevac), que entrou para o movimento ustaša em 6 de fevereiro de 1942, num brutal massacre de 2.730 sérvios moradores de vilas próximas, sendo 500 destes crianças. Ele foi excomungado de sua ordem e teve sua prisão decretada. Filipović então tornou-se chefe da guarda do campo de concentração de Jasenovać, e era apelidado "Fra Sotona".

Durante toda a guerra, o Vaticano manteve fortes relações diplomáticas com o Estado Independente da Croácia, mantido pelos ustaše, inclusive mantendo um núncio papal na capital Zagreb. Ele estaria ali para investigar as conversões forçadas de sérvios ortodoxos, mas teria participado de algumas delas. Ainda hoje, as relações entre a Santa Sé e os ustaše são vistas com controvérsias pelos historiadores; ainda hoje, muitos sérvios acusam Pio XII, então pontífice, de cumplicidade com os crimes dos fascistas croatas.

Ante Pavelic, líder Ustasha
Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, os ustaše que conseguiram escapar do território iugoslavo (entre eles seu comandante-em-chefe, Poglavnik – termo croata para Führer, ditador – Ante Pavelic) fugiram para a América do Sul, em especial para a Argentina. Acredita-se que conexões clandestinas operadas por clérigos católicos tenham sido vitais nesse processo. Entre os membros do Colégio Ilírio de São Girolamo, em Roma, envolvidos, pode-se citar os freis Krunoslav Draganović, Petranović e Dominik Mandić.

Sacerdotes e soldados do NDH fazem a saudação fascista durante o funeral do general Ustasha Matasic (Abril 1942)

O regime ustaša depositou grandes quantidades de ouro rapinadas de sérvios ortodoxos e judeus para contas em bancos suíços. De um total de 350 milhões de francos suíços, cerca de 150 milhões destes foram recuperados por tropas britânicas, mas os 200 milhões restantes (equivalentes a US$ 47 milhões) chegariam ao Vaticano. Alegações de que esse dinheiro ainda estaria mantido sob a guarda do Banco do Vaticano são voz corrente; de acordo com relatório da agência de inteligência norte-americana SSU, os depósitos dessa quantia foram efetuados em outubro de 1946. Ações judiciais foram perpetradas contra o Banco do Vaticano por vítimas das extorsões.

O arcebispo de Zagreb na época da guerra, cardeal Alojzije Stepinac, foi acusado de apoiar os ustaše, mas ele próprio teria afirmado que teria auxiliado vítimas do terror dos fascistas croatas. Ele foi formalmente julgado pelas autoridades comunistas da Iugoslávia após a guerra – mas, num processo controverso, foi beatificado por João Paulo II em 1998.

No dia 22 de junho de 2003, João Paulo II visitou Banja Luka, na Bósnia. Durante essa viagem, ele discursou para uma multidão no já mencionado monastério de Petrićevac, o que causou comoção pública, devido à ligação desse sítio com os crimes do frade Filipović. Nesse mesmo local, o Sumo Pontífice proclamou a beatificação do clérigo católico Ivan Merz (1896-1928), que fundara a Associação das Águias Croatas, em 1923.

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Pavelic e franciscanos

Membros do Ustaše e cleros católicos.







Mais recente:

O Vaticano, após a queda do NDH, jamais admitiu qualquer ligação com o regime. Nem mesmo o site oficial do Vaticano possui texto repudiando as barbaridades do NDH. O papa JP2 nunca aceitou visitar Jasenovac, atitude compartilhada pelo atual papa,B16. O Vaticano, através de seu banco, receptou e lavou o dinheiro roubado pelos fugitivos do regime nazi-católico da Croácia (Ustasha) no final da 2GM, além de ajudar vários figurões do NDH que nem Ante Pavelic,Andrija Artukovic e Dinko Sakic fugirem pra América do Sul e EUA(Operação Ratlines). A cumplicidade vaticana com os croatas lhe rendeu uma ação judicial. Advogados dos EUA, representando sobreviventes e parentes de vítimas do regime Ustasha, estão tentando processar, sem sucesso, o Banco do Vaticano.


Ver site dos advogados:  http://www.vaticanbankclaims.com/faqs.html
As folhas do processo contra o Banco Vaticano: http://www.vaticanbankclaims.com/5AC.pdf


Para quem se interessar, o Roberto do Holocaust-doc  traduziu uma materia sobre o Ustasha:
A Ustasha e o silêncio do Vaticano - parte 1parte 2 / parte 3

Material relacionado:
Holocausto na Croácia - parte 1 / parte 2
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