terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Matthäus Hetzenauer - Sniper alemão

Matthäus Hetzenauer
Matthäus Hetzenauer (nasceu em 23 de dezembro de 1924 em Tyrol, Áustria - morte em 3 de outubro de 2004) era um sniper alemão na 3ª Divisão de Montanha na frente oriental, em que foi creditado 345 mortes. Seu tiro mais longo confirmado foi de 1100 metros.

Hetzenauer foi treinado como sniper de 27 março a 16 de julho de 1944, antes de ser atribuído à 3ª Divisão  de Montanha (Gebirgsjäger), usando tanto um rifle K98 com 6x de aumento na luneta e um rifle K43 com 4x de aumento na luneta. 

Em novembro de 1944 sofreu  traumatismo cranianodevido fogo de artilharia, e foi concedido a ele a Verwundeten - Abzeichen (badge ou insígnia de ferido em combate) três dias mais tarde.

Em várias ocasiões ele serviu com o colega sniper Josef Allerberger. Os dois mataram muitos soldados soviéticos com rapidez e facilidade.


Gefreiter Hetzenauer recebeu a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro em 17 de abril de 1945. O Generalleutnant e comandante de Divisões  Paul Klatt tinha recomendado Hetzenauer por causa dos numero de mortos pelo sniper, que em suma derrotou duas  fortes companhias inimigas sem temer por sua própria segurança sob fogo de artilharia e ataques inimigo. Esta recomendação foi aprovada pelo General der Gebirgstruppe Karl von Le Suire e General der Panzertruppe Walter Nehring .

Hetzenauer foi capturado por tropas soviéticas no seguinte mês, e eventualmente, serviu por 5 anos numa rotina de condições terríveis  de uma prisão soviético.

Traduzido por: avidanofront.blogspot.com

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Feliz Natal








Legija Crna (Legião Negra) - Unidade Ustasha


Legião Negra em Bugojno, 1942 
Crna Legija (Legião Negra) foi o nome dado a 1ª e 5ª Brigadas Ustasha durante a Segunda Guerra Mundial. As unidades foram nomeadas como tal porque os seus uniformes eram de cor negra, ao contrário  outras unidades Ustaše. Estas unidades representavam a maioria das unidades de elite do exército NDH (Nezavisna Država Hrvatska - Estado Independente da Croácia) do período.


Coronel Jure Francetić, comandante da Crna legija (legião Negra)

Os comandantes de unidades Crna Legija foram o Coronel Jure Francetić, Major Rafael Boban e Stevan Ivković. Enquanto Boban permaneceu no comando da unidade até o fim da guerra, Francetić foi morto em ação em 1942 e foi sucedido pelo coronel Ivo Stipković e Major Franjo Sudar. Com a perda de seu comandante, a Legião foi desfeita. O corpo principal tornou-se o  Pokretni Ustaški sdrug (1ª  Brigada Móvel Ustasha), enquanto o Batalhão de Boban foi usado para formar a estrutura para a recém-formada 5ª  Brigada Ustasha Podravina .Ex-integrantes da Legião Negra continuaram a usar o uniforme negro por direito até o fim da guerra, provavelmente como uma espécie de marca de honra de distinção. Por fim, pelo menos 120  homens da ex- Legião Negra foram executados pelos partisan em Sisak, em maio 1945.

Grupo de soldados da Legião Negra Ustasha na cidade recapturada de Livno em Herzegovina (1943). Na parede da cidade abandonada os comando partisans são frases "Viva aos Partisans!" e "Venceremos!" 

Traduzido por: avidanofront.blogspot.com

domingo, 19 de dezembro de 2010

Carta do Sargento Evgueni Strchurov, sobre os assassinatos na aldeia de Budionovka

18 de outubro de 1942

Budionovka, minha terra natal... diante dos meus olhos surgem imagens familiares: casas brancas escondidas na verdura dos cerejais, ruas retilíneas que descem para o mar. Foi lá que eu nasci, foi lá onde passei a infancia e adolescencia. E eis que os jornais me informam sobre os meus compatriotas. Fiéis às tradições sagradas dos meus avós, os cossacos do Don lutaram corajosamente contra o inimigo. Os alemães martirizavam os cidadãos soviéticos. As bestas sanguinárias mataram uma criança de quatro anos; fuzilaram rapazes e raparigas às dezenas, cujas roupas vendiam ou mandavam para a Alemanha. Os fascistas fuzilaram Catarina Skoroiedova, o velho Saveli Petrovitch Stepanenko, o jovem sapateiro Alexandre Iakubenko, Ludmila Tchukanova, de dezessete anos. Todos são meus conhecidos amigos.

O meu coração está cheio de ódio pelos bárbaros fascistas. O meu único desejo é vingar a morte dos meus amigos de infância  o sangue dos cidadãos russos que imundou as ruas da minha aldeia natal. Basta-me fechar os olhos para ouvir a voz da minha amada, - para ver estender-me os braços, implorando-me socorro.

Evgueni Stchurov

Transcrição por: Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com
Fonte: COELHO, Zeferino - O crime metódico. Ed. Inova Limitada - pg.80

Para entender melhor essa carta, leiam esse artigo que postei:

Extrato do diário de Friedrich Schmidt, o torturador de Budionovka


sábado, 18 de dezembro de 2010

Tratamento aos trabalhadores judeus no Gueto de Varsóvia


Guarda alemão para um judeu em uma entrada para o gueto de Varsóvia.
Durante toda a ocupação, os alemães exigiram dos judeus no gueto um trabalho escravo. Ainda que antes da emissão de decretos oficiais, soldados alemães em caminhões caçavam judeus na rua para trabalhar em quartéis, carregar caminhões, remover pilhas de escombros, limpar as ruas, e assim por diante. Pegavam pessoas sem se importar com idade, sexo ou estado físico. Os homens, alvos preferidos dessas caçadas, raramente saiam de casa. O aparecimento de um soldado alemão aterrorizava o gueto e os homens imediatamente fugiam das ruas.

Aos trabalhadores eram dadas apenas as mais primitivas ferramentas de trabalho. Em vez de panos de limpeza eram obrigados a usar a própria roupa. Mas ainda pior que o trabalho era a brutalidade de jovens soldados com inclinações sádicas ou inflamados por propaganda anti-judaica. Ao acompanhamento de ásperas gargalhadas cortavam as longas barbas dos judeus ortodoxos, ou zombavam dos trabalhadores com um enxurrada de contínuos gritos e pancadas. Às vezes confiscavam os cartões de identidade dos trabalhadores para obriga-los a se apresentaram repetidamente. Bernard Goldstein, ativista do Bund no gueto de Varsóvia, descreveu o trabalho forçado imposto a idosos sem força para executa-lo. Goldstein falou sobre as matanças que testemunhou. Recordou um incidente típico que havia observado. Um grupo de homens tinha de desencovar vigas de metal debaixo das ruínas de um prédio no gueto, pô-las em carrocas, atrelar-se às mesmas e arrasta-las a um local de ajuntamento. Um velho supervisor alemão, de Viena, demonstrou alguns sinais de simpatia, oferecendo ao grupo até um pedaço de pão. Inesperadamente, porém, a atitude do alemão mudou por completo:

Ele subitamente se pôs a gritar como um louco: Trabalhem! Trabalhem! e começou a nos bater com a coronha do seu fuzil. Isso ocorreu quando ele avistou um oficial se aproximando de nós. "É assim que preciso me comportar", explicou-me ele depois, quando o oficial já havia ido embora, desculpando-se assim por ter posto de lado sua passividade vienense e a trocado por brutalidade prussiana... Ao entardecer, após o trabalho, fomos alinhados em fileiras de 4-5, e levados a cidadela [a fortaleza militar em Varsóvia que outrora havia sido uma prisão russa]. Enquanto nos arrastávamos ao longo do canal, soldados alemães enfileirados de ambos os lados começaram a nos atacar com chicotes, varas e fuzis. Começamos a correr e eles correram atras de nós, batendo-nos impiedosamente e gritando: "judeus sujos","judeus pobres", e expressões semelhantes. Estavamos exaustos e cobertos de sangue após um dia de "trabalho".

Transcrito por: Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com
Fonte: GUTMAN, Israel - Resistência. Ed. Imago, 1995, pg 66-67.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Extrato de um relatório sobre uma operação de destruição das localidades de Zabolotié, situada a nordeste de Mokrany


Na sua degradação moral, os invasores alemães, depois de perderem um rosto humano, há muito tempo caíram para o nível dos animais selvagens. - Stalin, a 6 de novembro de 1941.

Extrato de um relatório sobre uma operação de destruição das localidades em virtude da ordem do comando do batalhão de 22 de setembro de 1942


15º Regimento de Policia - 10ª Companhia

30 de setembro de 1942

A companhia recebeu a missão de destruir a localidade de Zabolotié, situada a nordeste de Mokrany, e de fuzilar a população. Foram adjuntas à companhia a seção de Frohn da 9ª companhia e 10 homens da unidade blindada do 10º Regimento. A 22 de setembro de 1942, pelas 18horas, a 1ª, a 2ª e a 3ª seções chegaram nos seus automóveis à saida  oeste de Mokrany, onde se encontraram com as unidade de reforço. Depois de uma breve exposição da situação e da distribuição das forças, a companhia partiu às 23 horas na direção de Zabolotié. As 93 carroças de camponeses especialmente mobilizadas para a operação foram deixadas até nova ordem a entrada da localidade à guarda de um comando composto por um sub-oficial e 4 homens. Na qualidade de guias da companhia encontravam-se o de legado de distrito para a agricultura, o chefe de distrito de Malorita e dois interpretes.

A 23 de setembro de 1942, às 2h da manha, a companhia atingiu as primeiras quintas de Zabolotié que se encontravam isoladas das outras. Enquanto o grosso da coluna avançava para o centro da aldeia, as quintas isoladas foram cercadas por um comando designado e ordenou-se aos habitantes que saíssem das suas casas. deste modo, foram presos 25 homens e mulheres antes da entrada na aldeia. O chefe da aldeia que habitava numa casa isolada recebeu ordem de se apresentar às 5:30h ao comandante da companhia que se encontrava à entrada da aldeia. Nesta altura todo o cerco externo tinha acabado sem incidentes.

Toda a população, juntamente com o chefe, foi reunida na escola, e um comando partiu imediatamente para as quintas isoladas situadas a 7quilometros da aldeia para prender os habitantes. Um grupo do SD( Sicherheitsdienst ou serviço de segurança), que chegou nesse momento, libertou, depois de minuciosa verificação, 5 familias desta aldeia. Todas as outras foram divididas em 3 grupos e fuziladas no local de execução que já tinha sido preparado pela população masculina. A execução foi realizada segundo o plano, sem incidentes, exceto uma tentativa de fuga. A maioria dos habitantes manteve sangue frio e aceitou a sua morte, que não surpreendeu as suas consciencias culpadas. A execução acabou pelas 12h.

A escola foi arranjada para alojar o posto de comando e o pessoal. Quando as patrulhas enviadas revistaram de novo as casas da aldeia para procurar os homens que pudessem estar escondidos, o cerco exterior foi suprimido e começou a limpeza das quintas. Na segunda busca encontraram-se 5 pessoas que foram expulsas dos abrigos e fuziladas no local.

As carroças dos camponeses transportaram o material e o gado a Mokrany, à exploração do Estado. O trigo não debulhado foi amontoado na saida sul da aldeia. A limpeza das quintas, o envio dos bens e o do gado terminaram no dia 27 de setembro às 10:30h, de modo que ao meio dia se pode começar a incendiar as casas. Os lugares e as quintas isoladas foram incendiadas imediatamente depois da limpeza.

A 27 de setembro, às 12:30, a companhia, exceto uma seção que ficou de guarda ao deposito de trigo na saída sul da aldeia, partiu com as unidades de reforço na direção de Mokrany.

Resultados da operação: 289 pessoas fuziladas, 151 casas incendiadas, 700 cabeças de bovinos, 400 porcos, 400 carneiros e 70 cavalos, 300 quintais de trigos debulhado e 500 quintais de trigo não debulhado confiscados. Foram igualmente confiscadas cerca de 150 maquinas agrícolas manuais e numerosos utensilios.

Capitão Pöhls
Comandante de companhia

(O original alemão encontra-se nos Arquivos Centrais da U.R.S.S. sobre a Revolução de Outubro, fundo 7021. registro 148, dossier 2, folhas 342-343)

Transcrito por: Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com
Fonte: COELHO, Zeferino - O crime metódico. Ed. Inova Limitada - pg.83-86

Olhar essa postagem que eu fiz, onde a 10ª Companhia do 15º Regimento de policia  também relata a destruição de outra aldeia:

Extrato de um relatório sobre a destruição da aldeia de Borki - de 22 a 26 setembro de 1942


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Adam Czerniakow, presidente do Juderant no Gueto de Vársovia e exigência de dinheiro pelos alemães

Adam Czerniakow, "Presidente do Conselho Judeu de Varsóvia", em conversa com um oficial da Luftwaffe

Czerniakow nasceu em Varsóvia, em 1880, numa familia judaica assimilada. Após concluir seus estudos de Química na Politécnica de Varsóvia, continuou estudando Engenharia Industrial em Dresden, na Alemanha. Retornando a Varsóvia, casou e constituiu familia, mas não trabalhou em sua profissão. Em vez disso, tornou-se professor no ginásio técnico, chefiou a organização dos artesão judeus e ocupou um cargo numa empresa publica. Foi tambem membro do governo municipal de Varsóvia, membro ativo em associações judaicas, candidato ao Senado e membro da junta de diretores da Comunidade Judaica de Varsóvia.

Um lider sionista descreveu-o como "um homem dotado, destituído de quaisquer ideais políticos ou publicos, mas um homem decente". Czerniakow era ambicioso, com talento que só revelaram quando viu o momento certo de assumir um papel de liderança. Não foi membro de qualquer partido judeu, nem se identificava com qualquer dos movimentos políticos ou sócio-religiosos dominantes, muito embora, a certa altura, ele tivesse apoiado o bloco minoritário e se aproximado dos não-sionistas na Agencia Judaica.

Czerniakow era um firme patriota polones, completamente à vontade na cultura polonesa e europeia. Estava afastado, quase alheio, no que tange à vida, cultura e historia do povo judeu. Assimilacionista, esteve publicamente ativo no setor judaico, mas permaneceu outsider. Segundo um relato, "até ser nomeado ninguém ouvira falar dele". Mesmo seus inimigos diziam que era um homem decente, com boas intenções e elevados padrões morais, mas talvez fosse decente demais numa época que exigia muito mais do que decência e moralidade para que se dirigisse o povo judeu.

Czerniakow era um liberal em suas opiniões e em seu mundo interior; era sensível em relação às pessoas e à vida, introvertido e isolado, amante de livros e autor secreto de poesias, mas com pouca compreensão  das massas. Na presidência do Judenrat, ele pode ter ansiado pelos alemães pelos alemães que havia conhecido em Dresden -  gente honesta e atenciosa, com um senso de lei e de ordem, em cujas promessas se podia crer.

Como presidente do Judenrat, no entanto, a policia, a Gestapo e os funcionários nazistas com os quais se deparou eram de uma estirpe bem diferente. Quando ocasionalmente encontrava uma resposta humana, ficava momentaneamente aliviado, mas em geral conviveu com a amargura e o desapontamento até seu triste fim. calvo e corpulento, foi insultado e fisicamente agredido. Ainda assim insistia em manter uma atitude cortes. Não ia se submeter ou se humilhar. Uns dois meses antes de sua trágica morte, escreveu no seu diário: "Será que eu tenho a forças para manter um nível de comportamento decente?" Sua preocupação em manter sua dignidade ao lidar com os alemães era estranha para a maioria dos judeus ao seu redor, mas nele era característica.
Diario de Adam Czerniakow
Seu estado de espírito é clara e impressionantemente refletido na anotação no seu diário, de 26 de janeiro de 1940:

"Fui convocado à policia [Tenente-Coronel Daume]. A comunidade vai ter de pagar 100.000 zlotys por ter agredido uma alemã étnica [ Volksdeutschin] ou então 100 judeus serão fuzilados. Apelei à Gestapo  para nos dispensar desse pagamento, e depois eles admitiram que eu não precisaria fornecer trabalhadores para retirar neve, de modo que poderíamos poupar algum dinheiro. Não em nada. Vamos ter de pagar pontualmente amanhã de manhã. Sendo essa a situação, comecei a recolher dinheiro na comunidade. Preciso tomar emprestado 100.000 e depois cobrar dos que devem impostos. Ao mesmo tempo, a policia está exigindo 6.100 zlotys por 61 judeus e judias que foram pegos sem a faixa com a Estrela de davi em suas mangas. Diante desses eventos pedi à SS que me liberasse do meu cargo de chefia [do Judenrat], pois em condições tão anormais não posso dirigir a comunidade. Em resposta...aconselharam-me a não renunciar."

Fonte: GUTMAN, Israel - Resistência. Ed. Imago, 1995, pg 62-63.
Transcrito por: Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com

domingo, 12 de dezembro de 2010

Um Veterano da USAAF que mora em Natal-RN

Rostand Medeiros – Pesquisador 

No último o dia 13 de novembro, em meio ao dia de “Portões Abertos” do exercício militar CRUZEX 5, depois de 66 anos, Emil Anthony Petr o único veterano norte-americano da II Guerra Mundial vivendo no Rio Grande do Norte, estava novamente ao lado de uma aeronave de combate da Força Aérea dos Estados Unidos, no caso um moderno caça F-16. Este veterano foi respeitosamente tratado pelos militares do seu país. 

Em janeiro de 1942, quando o jovem Emil buscou um local de alistamento para se engajar lutar contra os nazi-fascistas, este filho de simples agricultores, natural da pequena cidade de Deweese, Nebraska, tinha certeza que “-Não queria lutar em trincheiras, mas no ar”. 

Foi primeiramente designado para o 57º Grupo de Caça, na área de Boston. Quando estava para seguir com a sua unidade para o deserto do norte da África, ele conseguiu a aprovação para cursar a escola de formação de navegadores, em San Marco, no Texas. Em 1943, após conseguir a patente de segundo tenente, foi designado para atuar em bombardeiros B-24. Mas não era o fim de sua preparação. O tenente Petr seguiu para a base aérea de Langley, Virginia, onde se especializou na tarefa de bombardeio por radar. 

Em abril de 1944 chegou a sua transferência para a 15ª Air Force, no sul da Itália, para atuar no esquadrão 139, do 454th Bomb Group, baseado no campo de San Giovanni, próximo a cidade de Cerignola. 
B-24 e tripulação do avião que caiu em 13-09-1944
Durante o trajeto para a Europa o tenente Emil esteve no Brasil, mas não em Natal. Seu trajeto passou pelas cidades de Belém e Fortaleza, onde guardou boas lembranças. “-Não era para ter conhecido Natal na época da guerra, mas foi para cá que optei por viver e me casar”. 

As B-24 que transportavam radar eram diferentes das outras aeronaves deste modelo. Era retirada a torre de metralhadora no formato de bola, que se encontrava na parte inferior do quadrimotor, para a colocação de um domo de radar. Devido à configuração deste radar, com as antenas em formato de “orelhas de rato”, estes B-24 eram conhecidos como “Radar Mickey”. Estes aviões especiais transportavam 11 pessoas, ao invés de 10, que era o número normal de tripulantes de uma B-24. 

No 454th Bomb Group havia uma seção específica de pessoas que trabalham com sistemas de radar. Quando Emil foi escolhido para uma missão de bombardeio, ele me disse que era extremamente focado em seu trabalho. Porque ele sabia que qualquer erro pode comprometer todo o grupo de aeronaves e suas tripulações. 

De abril a setembro de 1944 o tenente Emil participou de 38 missões sobre a Europa ocupada. Em uma delas, ao atacarem a fábrica da Messerschmitt, em Bad Voslau, na Áustria. O bombardeamento desta estratégica unidade fabril rendeu ao 454th Bomb Group um citação do presidente dos Estados Unidos e o tenente Emil estava lá. 

Avião B-24 com domo de radar, similar ao utilizado por Emil

Curtindo uma folga ainda nos Estados Unidos
Mas no dia 13 de setembro de 1944, quando na sua 39º missão, a de número 117 do 454th Bomb Group, cujo objetivo era uma refinaria na cidade alemã de Odertal, seu B-24J foi atingido pela artilharia antiaérea. O comandante da nave, o capitão Allen Leroy Unger tentou retornar a Itália. Próximo a cidade de Modra, no atual território Eslovaco, Emil e seus 10 companheiros tiveram de saltar de pára-quedas. 

Ninguém morreu, mas a maioria foi capturada, entre estes o tenente Emil. Todos foram levados para o campo de prisioneiros Stag Luft III, em Sagan (atual Zagan, na Polônia) e o sofrimento foi grande. Depois de quatro meses como prisioneiro de guerra neste campo, as tropas russas estavam avançando a partir do leste e começaram a se aproximar do campo. Segundo os livros relativos à Segunda Guerra Mundial Adolf Hitler mandou evacuar Stalag Luft III, pois além de não querer que estes 11.000 aviadores aliados fossem libertados pelos russos, havia a intenção de utilizá-los como reféns. 

A saída do campo se deu entre 27 e 28 de janeiro de 1945. Emil lembra que era uma noite muito fria quando os alemães lhe ordenaram a pegar o que pudesse para marchar para outro campo. A caminhada foi realmente terrível, pois estes prisioneiros já estavam bem debilitados e havia muita neve e frio. Seguiram para um lugar chamado Spremberg, em quase 100 quilômetros de marcha forçada. 




Em 31 de Janeiro os homens seguiram para o Stalag Luft VIIA, em Moosburg. Durante dois dias de viagem, os aviadores foram levados em vagões de transportar gado. As necessidades fisiológicas eram feitas ali mesmo, em pé e para dormir só escorados uns nos outros e a viagem durou dois dias. Moosburg era uma verdadeira pocilga, onde os alemães amontoaram mais de 140.000 prisioneiros aliados, entre estes alguns brasileiros. 

Finalmente os prisioneiros foram libertados pelos soldados da 14ª Divisão Blindada, do 3º Exército da U.S. Army, comandados pelo general George Patton. 

Para o veterano residente em Natal, a lição mais importante da guerra foi a “Falta de justificativas para a violência”, que no seu entendimento ainda não foi aprendida pela humanidade. 

Depois de retornar aos Estados Unidos, Emil tentou a universidade de Lincoln, sem sucesso e foi trabalhar em uma empresa de construção da família. Mas este americano de origem eslava, de profunda devoção católica, decidiu trabalhar como um voluntário em obras assistenciais na America Latina, através de um programa criado pelo Papa João XVIII. 

O destino o trouxe a natal em 1963, onde conheceu Dom Eugenio de Araújo Sales (na época Bispo de Natal) e se incorporou no programa SAR – Serviço de Assistência Rural. 

Emil teve oportunidade de conhecer o sertão potiguar, os aspectos ligados aos trabalhadores rurais nordestinos e veio a ser casar com a assistente social Célia Vale Xavier da cidade de Caicó. Chegaram a adotar a jovem Maria Isabel, mas a mesma faleceu de uma rara doença em 1984. 

Nos últimos anos surgiu no veterano a vontade de contar sua história, principalmente depois do falecimento de sua esposa. 

O autor deste artigo havia sido um dos realizadores do livro “Os cavaleiros dos céus – A saga do vôo de Ferrarin e Del Prete”, que narra a história da primeira travessia sem escalas entre a Europa e America do Sul, realizada pelos pilotos italianos Arturo Ferrarin e Carlo Del Prete, em 1928. Emil, um grande leitor sobre aviação, gostou do livro e me convidou para escrever sua biografia. 

Desde o primeiro semestre de 2010 iniciamos a fase de entrevistas, daí seguimos para fazer contato com pessoas e entidades nos Estados Unidos e na Eslováquia. Depois partimos para a análise de suas cartas e de sua esposa, Célia Vale Petr. Outras fontes são seus apontamentos compilados em um diário, muitas fotos, além do livro da sua formatura como oficial navegador, o livro oficial do seu esquadrão (publicado em 1946) e outras fontes. 

Justamente por esta relação junto aos potiguares o livro vai se chamar “Why? – O encontro de duas culturas”, pois era muito comum Emil ter de responder as pessoas em Natal à razão de escolher esta cidade para viver. 

O lançamento está previsto para abril de 2011.

Obs: Só clicarem nas imagens que apareceram em seus tamanhos originais.


























Só clicarem nas imagens que apareceram em seus tamanhos originais.

Os creditos desse post vão para Rostand Medeiros – Pesquisador (rostandmedeiros@gmail.com) que me forneceu o material desse novo livro que pretende lançar.




quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Torgau, no Centro do Sistema Penal Militar (1939-1945)

Fort Zinna (centro) com Seydlitzkaserne (Special Camp No. 8, abaixo) e Zieten Barracks (sede da Corte Imperial Marciais, à esquerda). 

O aperto de mão entre o Segundo Tenente americano Bill Robertson eo sargento soviético Nikolai Andreyev em 25 de abril de 1945, sobre as ruínas da ponte sobre o Rio Elba em Torgau, simbolizou a vitória sobre a Alemanha nazista pelos aliados na Segunda Guerra Mundial. A reunião também significou o fim da sua existência Torgau como o centro do sistema penal militar alemão.

Ambas as prisões em Torgau alojavam os presos condenados por tribunais militares alemães, eram chamados de "portadores de espírito anti-militar": projeto de resistentes, os soldados rebeldes, desertores, acusados de "minar a força militar", "dar tratamento preferencial do inimigo", ou " "espionagem e soldados condenados de delitos.

Os detentos também incluiam os prisioneiros de guerra e membros da resistência anti-nazista na Alemanha e nos países da Europa ocupada, assim como os homens de Luxemburgo, Alsácia e Lorena, que haviam resistido alistamento no Exército alemão.

Torgau assumiu um papel fundamental no sistema de justiça militar alemão, em março de 1941, quando o Alto Comando do Exército (Oberkommando des Heeres, OKH) estabeleceu o escritório de seleção para "serviço de estágio" em Fort Zinna. A função especial de Torgau como uma estação de inspeção e de transferência foi reforçada um ano depois, quando o Alto Comando das Forças Armadas (Oberkommando der Wehrmacht, OKW) ordenou a instalação do Acampamento Penal de Campo I e II em Torgau.

Além disso, em agosto de 1943, o Reichskriegsgericht, supremo tribunal militar na Alemanha, foi transferida para o Quartel Zieten em Torgau. Durante o período da guerra, a mais alta corte do sistema de justiça militar alemã emitiram cerca de 1.400 condenações à morte, dos quais cerca de 1200 foram realizados em Torgau e outros lugares. As vítimas incluem os objetores de consciência - a maioria das Testemunhas de Jeová - os membros resistência do "Rote Kapelle", franceses e poloneses combatentes da resistência, prisioneiros de guerra americanos, e os generais alemães.

Quanto mais tempo a guerra da Alemanha se arrastava, e quanto mais desesperada se tornou, mais draconiano(severo) os tribunais militares nazistas se tornaram na luta contra os sinais de moral das tropas e da crescente oposição à guerra. Mais de um milhão de soldados alemães foram condenados, e 20.000 foram executados. Em comparação, os aliados ocidentais durante o mesmo período realizou cerca de 300 condenações à morte pronunciadas por tribunais marciais.

O número exato de execuções levadas a cabo em Torgau já não pode ser determinada. Os registros incompletos do exército, o gabinete de estatísticas vitais e administração de cemitérios mostram que pelo menos 170 soldados condenados foram baleados em Torgau. Outras fontes sugerem, contudo, que o número real de vítimas foi significativamente maior. As execuções foram realizadas por um pelotão de fuzilamento em uma cascalheira, perto da prisão e no fosso do lado norte de Fort Zinna.

Depois da guerra, alguns dos agressores foram julgados e condenados. A maioria dos juízes do Reichskriegsgericht e outros advogados militares responsáveis sobreviveram ao fim da guerra ilesos, e continuaram sua carreira na profissão jurídica na Alemanha Ocidental.

Após a guerra, a agencia da Polícia Secreta Soviética NKVD estabeleceu a seus Campos Especiais nº 8 e nº10 em Fort Zinna e no quartel próximo Seydlitz. Alemães e alguns cidadãos soviéticos foram internados ou serviram sentenças proferidas pelos tribunais militares soviéticos. A Polícia do Povo da Alemanha Oriental usou a prisão do Forte Zinna de 1950-1990 como uma penitenciária. Na década de 1950 alojou principalmente os presos políticos.

A Centro de Documentação e informação de Torgau (DIZ), fundado em 1991 e agora sob a administração do Fundação Memorial Saxon para a comemoração das vítimas do despotismo político, pesquisas e apresenta a história das prisões Torgau, em permanente exposição "Traços da Injustiça ".



Tradução: Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com

domingo, 5 de dezembro de 2010

Kurt Meyer fala sobre a luta entre o Leibstandarte e a guerrilha russa


Em busca de soldados russos 
O Leibstandarte entrou imediatamente em ação. Seu movimento geral era na direção do Mar Negro e no Dnieper,  como parte de um plano de envolvimento pelo Panzergruppe do Coronel-General von Kleist. Os russos, sem que lhes dessem a chance de recuperar o equilibro, perdido porque o ataque os surpreendera dolorosamente desatentos, revidara com violência. Eles eram indiferentes às condições de tempo, à fome e à sede, depois que o movimento de cerco dos alemães cortou as linhas através das quais eram supridas de alimento as forças russas  submetidas ao ataque. Nem mesmo a quantidade de vidas perdidas, absurdamente grande, foi capaz de pesar na sua disposição de resistir - como patenteado nos 900 dias de sitio de Leningrado. Chovera muito durante os meses de junho e julho e isto reduzira  as estradas e as planícies intermináveis a um traiçoeiro atoleiro que só os tanques  podiam atravessar. Infelizmente, até que o sol voltasse a brilhar e secasse o terreno arenoso, os veículos de abastecimento comuns ficaram imobilizados, de modo que os tanques tiveram de parar, até que as unidades de transporte de gasolina e manutenção, bem como a infantaria de apoio, que também ficara atolada, os pudessem alcançar.

Nessas circunstâncias, o Leibstandarte ficou também mobilizado, suscitando atrasos que Dietrich recebia sempre com fúria. Mas nem todo o tempo foi perdido. Seus homens desembarcaram dos veículos e foram despachados em patrulhas a pé pelas florestas que, de qualquer modo, eram impenetráveis para veículos de rodas e onde os russos haviam deixados grupos de hostilização durante a retirada.

"Esses grupos nos hostilizavam terrivelmente", declarou Kurt Meyer, que havia sido condecorado com a Cruz de Cavaleiro, pelo que fizera na Grécia e, longe de considerá-la uma recompensa por serviços prestados, tinha-a como algo que ainda estava a merecer. "A artilharia não lhes era muito util, por muito fechada a floresta, mas  nós também sabíamos tudo sobre armadilhas, colocação  de minas e emboscadas; mas nós também sabíamos, dando-se por isso continua competição de esperteza entre nossas patrulhas e seus grupos de hostilização. Certa feita, despachamos uma patrulha  de seis homens que arrebanharam e acorrentaram 22 bolchevistas. Usamos as correntes para a neve dos veículos imobilizados. Era lúgubre andar pela floresta com as correntes ressoando e a chuva caindo torrencialmente. Doutra feita, não fomos tão felizes. Despachamos uma patrulha e ela desapareceu completamente; nunca mais ouvimos falar dela. A dificuldade quando se verifica esse tipo de luta é que todos se irritam e querem passar para os grandes combates."


Transcrito por: Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com
Fonte: WIKES, Alan -  A guarda de Hitler -  SS Leibstandarte - Ed. Renes; pg. 119 - 121

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Kapos

Kapos  judeus prestam continência a oficial alemão.
Kapo era um termo usado para certos presos que colaboravam com os nazistas nos guetos e nos campos de concentração em várias posições administrativas mais baixas. A palavra oficial nazista foi Funktionshäftling, ou "prisioneiro funcionário".

A palavra alemã Kameraden Polizei pode também significar “capataz/contramestre” e “oficial inferior", e deriva-se do francês para o “cabo” (caporal) ou da palavra italiana capo.  O surgimento do termo ainda tem certa controvérsia.

Os kapos recebiam mais privilégios que os presos normais, para quem eram com freqüência brutais. Os kapos freqüentemente eram presos que tinham se oferecido para fazer esse trabalho, na troca para uma sentença reduzida ou uma liberação supervisionada antes da conclusão de sua sentença. Dependendo do campo, os privilégios mudavam, geralmente recebiam melhor alimentação,  melhores roupas e um local melhor para dormir. Sendo que a alimentação era um dos pontos fundamentais para sobrevivência nos campos, mas mesmo tendo a ração extra, muitos ainda roubavam dos prisioneiros ou não entregavam toda ração que lhes eram destinadas.

Para a maior parte, Kapos eram encarregados de grupos de trabalhadores, mas também havia Kapos para os hospitais ou as cozinhas. Alguns campos ainda tinha uma hierarquia: Oberkapo, Kapo, Unterkapo.

Nos campos de extermínio, eles geralmente foram assassinados e substituídos com um grupo novo dos prisioneiros em intervalos regulares. Muitos desses Kapos eram criminosos comuns, que ostentavam o triângulo verde no peito. Eles eram o nº 1 na prioridade dos alemães na nomeação para esse serviço, pois  na visão dos alemães, era melhor um criminoso comum alemão levar essa vantagem do que outros grupos, como por exemplo judeus, comunistas, homossexuais... Mas isso não impediu de muitos kapos serem de outra raça, etnia, partido politico e religião. Geralmente os prisioneiros políticos conseguiam derrubar os Kapos e nomear pessoas de suas próprias fileiras, para beneficiar uma grande parcela de presos.

O sadismo e a brutalidade de muito desses homens, que muitas vezes roubavam alimentos dos presos, era evidente nos campos, que . chegava a se comparar com os próprios SS. Mas alguns Kapos exerceram o seu poder de forma humana e com sensibilidade e trabalharam para ajudar os seus companheiros de prisão.

Fontes:
http://www.jewishvirtuallibrary.org/jsource/judaica/ejud_0002_0011_0_10732.html
Adaptei os texto, mesclando os dois, e inclui na dos triângulos verdes e seus privilégios uma curiosidade que não podia deixar passar, sendo que algumas coisas dita acima foram retiradas das obras de Christian Bernarc.

Transcrição por : avidanofront.blogspot.com/

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Fuga do Gueto de Varsóvia pelos esgotos

Sapadores alemães atribuídos a explodir os bunkers onde os judeus estavam se escondendo, junto com os judeus que haviam sido retirados de uma dos bunkers, aparentemente, em 08 de maio de 1943.

O Levante propriamente dito, que teve inicio a 19 e abril de 1943, na primeira noite da Páscoa judaica, continuou até a liquidação final do gueto. Tres dias foram destinados para a liquidação final do Gueto de Varsóvia. A batalha dos bunkers durou mais de um mes.

Com o gueto em chamas, alguns judeus escaparam pelos esgotos. Relata um sobrevivente:

A 10 de maio de 1943, às 9 horas da manha, a tampa do esgoto sobre nossas cabeças literalmente se abriu e uma torrente de luz solar jorrou para dentro. Krzaczek[um membro da resistência polonesa] estava de pé na abertura do esgoto, chamando-nos para sair. Começamos a escalar a saída, um atrás do outro, e imediatamente subimos num caminhão. Era um lindo dia de primavera, e o sol nos aqueceu. Nossos olhos foram cegados pelo brilho do , pois durante muitas semanas não tínhamos visto a luz do dia e haviamos passado o tempo todo em completa escuridão. As ruas estavam cheias de gente, e todos ficaram parados olhando, enquanto seres estranhos, dificilmente reconhecíveis como humanos, rastejavam para fora dos esgotos.


Transcrito por: Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com
Fonte: GUTMAN, Israel -  Resistência. Ed. Imago, 1995, pg 18.

domingo, 28 de novembro de 2010

Extrato do diário de Friedrich Schmidt, o torturador de Budionovka

Extrato do diário de Friedrich Schmidt, Secretário da Policia Secreta adjunto ao 1° Exercito Blindado das Forças Armadas alemãs, redigido em Budionovka, perto de Mariupol.

25 de fevereiro - Não esperava que este dia fosse um dos mais intensos da minha vida... A comunista catarina Skoroiedova estava informada com alguns dias de antecedencia do ataque dos russos contra Budionovka. Dizia mal dos russos que colaboravam conosco. A fuzilamos as 12h...O velho Saveli Petrovitch Stepanenko e a mulher, da aldeia de Samsonovka, também foram executados... Foi ainda exterminado o filho da amante de Goraviline, de quatro anos de idade. pelas 16h, trouxeram-me quatro raparigas de dezoito anos que vieram a pé pela neve de Ieisk até aqui... O chicote tornou-as mais obedientes. Todas elas são estudantes e uma belas raparigas. As celas abarrotadas são um verdadeiro pesadelo...

26 de fevereiro - Os acontecimentos deste dia ultrapassaram tudo o que até hoje me foi dado ver... A bela Tamara suscitou o maior interesse. Depois trouxeram ainda seis rapazes e uma rapariga. Nem as exortações nem as mais violentas chicotadas fizeram qualquer efeito. Portaram-se como diabos! A rapariga não derramou nem uma unica lágrima, apenas cerrou os dentes... Depois de uma sova impiedosa fiquei com o braço como que paralisado.  Recebi duas garrafas de conhaque, uma do tenente Koch, do estado-maior do conde von Förster, e outra dos romenos. Senti-me novamente feliz. Sopra um vento do sul, começou o degelo. A primeira companhia da guarda de campanha apanhou a 3 km a norte de Budionovk cinco rapazes de dezessete anos de idade. Trouxeram-mos...O chicote entrou em ação, e ficou com o punho partido em mil pedaços. Batíamos a dois... Contudo, nada confessaram...Trouxeram-me dois soldados vermelhos...Moemo eles de pancadas... Tratei da saúde ao sapateiro de Budionovka, que pensava que lhe era permitido rir-se do nosso exercito. Já me doem os músculos do braço direito. O degelo continua...

1 de março - Mais um domingo de guerra... Recebi o pré: 105 marcos e 50 cêntimos... Hoje jantei com os romenos. Comi bem... Às 16h fui convidado, inesperadamente, para tomar café na casa do general von Vöster...

2 de março - Sinto-me mal. Fui atacado de diarréia. Tenho que ficar deitado...

3 de março - Interroguei o tenente Ponomarenko, que me tinham trazido. Ponomarenko foi ferido na cabeça no dia 2 de março; refugiou-se no kolkhoz Rosa Luxemburgo; aí disfarçou-se e desapareceu. A familia que escondeu Ponomarenko começou a mentir. Naturalmente, moí-os de pancada... À noite ainda me trouxeram cinco pessoas de Ieisk. Como de costume, são adolescentes. Usando do meu método simplificado que já deu boas provas, levei-os a confessar: como sempre, fiz trabalhar o chicote. O tempo começa a fiar doce. 

4 de março -  Está um tempo soberbo... O sub-oficial Vogt já fuzilou o sapateiro Alexandre Iakubenko. Atirou-se para a vala comum. Estou constantemente a sentir comichão por todo o corpo.

6 de março - Entreguei 60 marcos ao fundo de ...

7 de março - Ainda vivemos bem. Recebo manteiga e ovos; às 16h trouxeram-me novamente quatro jovens guerrilheiros...

8 de março - O sub-oficial Springwald e Frau Reidmann regressaram de Mariupol.Trouxeram o correio e uma ordem escrita de Groschek relativa à execução... Já tinha mandado fuzilar seis pessoas...Disseram-me que chegou de Vessioly mais uma rapariga de dezessete anos.

9 de março -  Como o sol esta radioso! Como a neve brilha! Mas nem mesmo o ouro do sol é capaz de me descontrair. Dia difícil. Acordei às tres horas. Tive um sonho horrível. O motivo é que tenho que matar trinta adolescentes capturados. Esta manha Maria serviu-me uma excelente torta...Às 10h trouxeram-me mais duas raparigas e seis rapazes...tive que lhes bater impiedosamente... Depois, foram as execuções em massa: ontem seis, hoje trinta e tres criaturas liquidadas. Não posso comer. Pobre de mim se me apanham. Já não me posso sentir seguro em Budionovka. Não há dúvida que me odeiam. No entanto não podia proceder de outro modo. Se os meus pais soubessem o dia difícil que passei. A vala está quase cheia. Como esta juventude bolchevista sabe morrer heroicamente! Será o amor da pátria ou o comunismo que lhes penetrou na carne e no sangue? Muitos deles, sobretudo as raparigas, não derramaram uma lágrima. Tem na verdade uma grande valentia. Obrigamo-los a despir-se (queremos as roupas para as vender)... Mal de mim se sou apanhado!

11 de março -  Só à chicotada se pode educar a raça inferior. Mandei construir ao lado do meu quarto uma privada muito limpa e dependurei na porta um letreiro proibindo a população civil de se servir dela... Em frente ao meu quarto fica o escritório do burgomestre, onde chegam todas as manhas os operários para trabalhar no aterro. Desprezando o letreiro, servem-se da privada. Ah! como lhes bato! Para a próxima mando-os fuzilar...

13 de março - Carregado de trabalho, há muito tempo que não escrevo para casa. Para dizer a verdade, não tenho vontade de escrever à familia, - não o merecem...Depois, moí de pancada um russo de cinquenta e sete anos, juntamente com seu genro, por ter falado com insolência dos alemães. Em seguida, fui ter com o coronel romeno...

14 de março - Voltou o frio. Tenho novamente diarreia e sinto dores na região do coração; chamei o medico. Diagnosticou: complicações no estomago e nervos... Dei hoje ordem para fuzilarem Ludmila Tchukanova, de dezessete anos. Tenho que matar adolescentes, e é por isso que tenho o coração doente.

17 de março -O meu primeiro trabalho de hoje: Mandei trazer do hospital, numa telega(espécie de carroça, de quatro rodas), o quinto paraquedista russo. Ordenei a execução imediata junto da vala comum... Feito isso, passei o dia tranqüilamente. Depois de jantar dei um pequeno passeio. A terra estava dura do gelo.

19 de março - Eis-me na cama. Mandei chamar o major medico. Auscultou-me e pensa que quanto ao coração tudo corre bem.  Constatou uma depressão moral. Receitou-me comprimidos contra a prisão de ventre e um ungüento contra o comichão... Temos um porco excelente. Mandamos fazer chouriços.

21 de março - Ainda não tínhamos conhecido em Budionovka um dia tão horroroso. À noite apareceu um bombardeiro russo. Lançou primeiro foguetes luminosos e depois doze bombas. Os vidros tremeram nas janelas. Imagine-se a emoção que senti quando, deitado na cama, ouvi o ruido do avião e o rebentar das bombas...

23 de março - Interroguei uma mulher que roubou o meu interprete, Frau Reidmann. Chicoteamos-lhe as nádegas nuas. Ao ver isto, até Frau Reidmann chorou. Depois dei uma volta pela aldeia e passei pelo talho onde me estão a fazer os chouriços... A seguir interroguei dois garotos que tinham tentado fugir pela neve até Rostov. Fuzilei-os como espiões. Pouco depois trouxeram-me um rapaz que há uns dias atrás tinha vindo de Ieisk, pela neve... Entretanto, trouxeram-me chouriço de fígado picado. Não sabe mal. Quis mandar espancar uma komsomol (organização juvenil do Partido Comunista da União Soviética)...


27 de março - à noite esteve calma... Interrogo dois rapazes de quatorze anos que rondavam pelos arredores. Mandei espancar uma mulher que se tinha esquecido de se registrar.

28 de março - Fui visitar o coronel Weiner, que desempenha a tarefa de Arbeitsfuhrer. Às 18h mandei fuzilar um homem e uma mulher que tinham tentado fugir pela neve...

1 de abril -  Recebi 108 marcos em rublos, o que faz um grande maço de dinheiro. Valia massageou-me e banhou-me novamente...

10 de abril -  O sol queima. Quando, de manha, Maria abre a janela, os raios brilhantes jorram sobre a cama. O gelo fundiu, e agora só se receia a ameaça dos aviões. Espanquei varios rapazes e raparigas por não se terem registrado. Entre eles a filha do staroste (campones). Sinto uma sensação desagradável quando começa a escurecer, - começo a pensar nos bombardeiros.

11 de abril -  Todos estão contentes por eu ter voltado. Tratam-me como rei. Ceamos copiosamente e bebemos aguardente...

12 de abril -  Todas as manhas bebo leite quente  como um omelete... Agora há menos que fazer... Trabalhamos somente à escala local. Punições: espancamentos  ou fuzilamentos. Geralmente mando aplicar as chicotadas nas nádegas nuas.

16 de abril - Dia calmo. Resolvi uma questão entre o staroeste e o chefe da milícia, e depois espanquei tres homens e uma mulher que, apesar da proibição, vieram a Budionovka procurar trabalho... Em seguida, torturei uma mulher militar: confessou ter sido maqueira... Os romenos deram-me por varias vezes aguardente, cigarros e açúcar. Sinto-me novamente feliz.
Finalmente Groschek propôs-me para a Cruz de Guerra com espadas cruzadas. Eis-me pois condecorado!

17 de abril - As raparigas (Maria, Ana, Vera) cantam e brincam junto da minha cama... À noite trazem-me uma noticia. Parti para o local com o interprete para resolver o assunto. Mexericos de mulheres. Mandei espancar duas raparigas, em minha casa, nas nádegas nuas...

18 de abril - Tempo chuvoso e encoberto. Mandei chamar varias raparigas que se tinham exprimido em termos reprovadores sobre a policia secreta. Mandei-as espancar a todas.

Transcrito por: Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com
Fonte: COELHO, Zeferino - O crime metódico. Ed. Inova Limitada - pg.74-79

Parlamento da Rússia atribui massacre de poloneses a ex-líder soviético

26/11/2010

União Soviética reconheceu apenas em 1990 a autoria dos crimes

A Câmara Baixa do Parlamento da Rússia, chamada de Duma, aprovou nesta sexta-feira (26) em primeiro turno uma declaração que reconhece como "uma tragédia" ordenada por Josef Stalin o massacre de milhares de oficiais poloneses pelo NKVD em 1940 em Katyn. A declaração também implica outros dirigentes soviéticos.

- Os documentos publicados, que permaneceram por muitos anos nos arquivos secretos, não apenas revelam a amplitude desta terrível tragédia, como são uma prova de que o crime de Katyn foi cometido por ordem pessoal de Stalin e de outros dirigentes soviéticos. A responsabilidade desta matança foi atribuída na propaganda soviética aos criminosos nazistas, o que alimentou a revolta, a amargura e a desconfiança do povo polonês.

Imagem de arquivo mostra retirada de corpos de poloneses de cova coletiva em Katyn.
O Parlamento russo manifesta sua "profunda compaixão com todas as vítimas desta repressão injustificável, com suas famílias e amigos", prossegue a nota.

Moscou e Varsóvia iniciaram este ano uma aproximação sem precedentes desde a época soviética.

Após a invasão pela URSS em setembro de 1939 das regiões do leste da Polônia em consequência do pacto germânico-soviético, 22 mil oficiais poloneses prisioneiros do Exército Vermelho foram mortos nos bosques de Katyn e em Mednoia (Rússia), assim como em Jarkiv (Ucrânia).

Durante décadas, a União Soviética acusou a Alemanha nazista de ter cometido os assassinatos. Apenas em abril de 1990 o líder soviético Mikhail Gorbachov reconheceu a responsabilidade do país no massacre.



As imagens dos documentos que foram liberados pelo governo russo vocês podem ver aqui:  

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O frustrado ataque da Brigada de Cavalaria Pomorska (mito)



"A bravura dos defensores é indubitável", disse Dietrich num espaço enviado ao QG de combate. E era verdade, como prova o exemplo abaixo:

Do outro lado das ruínas fumegantes de Krzepice, com seus habitantes procurando fugir apressadamente, mas sendo assassinados às centenas, enquanto os atacantes avançavam implacavelmente, veio um contra-ataque inesperado. Era ridículo em seu conceito e desesperado na maneira de fazer. Uma tropa da famosa Brigada de Cavalaria Pomorska ocultara-se nos bosques existentes além de Krzepice e, de acordo com ordens do seu comandante, saiu para atacarem campo aberto na direção dos tanques do "Leibstandarte". Os cavaleiros portavam lanças e espadas; seus uniformes azuis eram enfeitados de borlas douradas e de seus capacetes pontiagudos pendiam plumas; e em suas frágeis couraças de parada viam-se bordados os símbolos de antigos reis  poloneses. Montavam veloses cavalos negros e seus "Hurrah", o tradicional brado de guerra polones, que é hoje conhecido em todo o mundo, foram momentaneamente ouvidos em meio às intermináveis levas de aviões que rugiam pelos céus da região.

Mais tarde, Dietrich disse que por instantes ninguém quis acreditar naquela horrível carga de opereta.  "Quase todos nós achavamos que era uma espécie de miragem". Os cavalos continuaram galopando na direção do tanque e, depois de breve momento de espanto e antes que os canhões abrissem fogo, começou a atacar o veiculo com sua espada e lança. Os artilheiros do "Leibstandarte" - escotilhas abertas e rindo às gargalhadas diante de espetaculo tão inusitado - pegaram de suas suas metralhadoras e varreram os que se aventuravam a luta tão desigual. Cavalos empinavam, caíam, davam saltos, confundindo-se tudo em dolorosa desordem, homens e animais. O espetaculo resultou numa amálgama de carne, osso, sangue e uniformes desfeitos em trapos que o gelo tradizadas pelo inverno deu aparencia de "uma colagem na qual os elementos de cor, estupidez, bravura, crueldade e agonia haviam sido conservados".

Transcrito por: Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com
Fonte: WIKES, Alan -  A guarda de Hitler -  SS Leibstandarte - Ed. Renes; pg.75


OBS: Conforme estudos recentes, foi diagnosticado que essa carga da cavalaria contra tanques foi merito da propaganda alemã, pois não há provas algum que comprovem o fato, e foi repassado em centenas de publicações até os dias atuais. Colocarei um texto referente sobre o assunto logo abaixo:

Cavalaria Polaca: Um mito militar dissipado

Nazista acusado de 430 mil mortes morre aos 89 anos na Alemanha

Guardas do campo de extermínio de Belzec. Samuel Kunz é o terceiro da direita, com o bandolim nas mãos.


Agência de Notícias

Ex-guarda de um campo de concentração nazista, Samuel Kunz morreu na quinta-feira passada (18) aos 89 anos, antes de enfrentar julgamento pela morte de 430 mil judeus.

"Samuel Kunz morreu em 18 de novembro, aparentemente em sua residência. Temos o atestado de óbito", afirmou o promotor Andreas Brendel, diretor do Escritório Central para a Elucidação de Crimes Nazistas de Dortmund (oeste).

Kunz era o terceiro na lista de nazistas mais procurados do centro e devia ser julgado por crime contra a humanidade pelo assassinato de judeus aprisionados no campo de concentração de Belzec, então parte da Polônia ocupada pelos nazistas, entre janeiro de 1942 e julho de 1943.

Ele era acusado de ter matado dez dos prisioneiros pessoalmente, além de participar da morte de outros 430 mil. O julgamento de Kunz deveria começar somente em 2011, depois de vários atrasos --o último resultado de uma petição do próprio juiz para novas investigações sobre o réu no registro de criminosos de guerra de Dortmund.

Depois da guerra, Kunz trabalhou como funcionário do Ministério Federal da Construção.

Brendel lamentou ao jornal "Bild" a suspensão do caso do julgamento que "teria sido uma boa oportunidade para esclarecer o massacre dos judeus, em especial no campo de morte de Belzec".

Na lista de criminosos nazistas mais procurados permanecem, entre outros, o húngaro Sandor Kepiro, ex-oficial de polícia que teria participado de uma matança de 1.200 civis em Novi Sad (Sérvia), o ex-chefe de polícia croata Milivoj Asner, que colaborou na deportação de sérvios e judeus. Entre os alemães mais buscados por crimes de guerra, está Adolf Storms, sub-oficial das forças nazistas que teria matado 58 prisioneiros judeus.




Morre 3º criminoso nazista alemão mais procurado

Site Terra

O terceiro criminoso nazista alemão mais procurado, Samuel Kunz, de 89 anos, morreu na quinta-feira passada sem chegar a ser processado por crimes contra a humanidade, informou nesta segunda-feira o Escritório Central para a Elucidação de Crimes Nazistas de Dortmund.

Kunz, que foi guarda do campo de concentração nazista de Belzec (Polônia) de janeiro de 1942 até julho de 1943, era acusado de ter matado pessoalmente dez pessoas e de participar do assassinato de outros 430 mil prisioneiros.

O julgamento contra Kunz estava previsto para o próximo ano após vários atrasos, o último a pedido do próprio juiz, que solicitou novas investigações sobre o acusado no registro de criminosos de guerra de Dortmund.

Após a guerra, o ex-guarda viveu perto de Bonn até sua aposentadoria como funcionário do Ministério de Construção.

As investigações contra Kunz tiveram início durante o processo atualmente em tramitação em Munique contra o suposto criminoso nazista John Demjaniuk pela morte de 27.900 judeus no campo de concentração de Sobibor.

Segundo o jornal "Bild", o promotor Andreas Brendel lamentou a suspensão do julgamento e afirmou que "teria sido uma boa oportunidade para esclarecer o massacre judeu, especialmente o do campo da morte de Belzec".

O diretor do Centro Wiesenthal de Jerusalém, Efraim Zuroff, expressou nesta segunda-feira sua frustração pelo fato de que Kunz não poderá ser julgado.

"O fato de que Kunz tenha vivido durante décadas na Alemanha sem ser julgado é o resultado de uma falha na estratégia de investigação: a de que quem não foi oficial desconhecia o Holocausto", disse Zuroff.

O diretor do Centro Wiesenthal desafiou as autoridades alemãs a "solucionarem rapidamente outros casos similares dada a elevada idade de muitos dos acusados".

Na lista dos criminosos nazistas mais procurados permanecem, entre outros, o húngaro Sandor Kepiro, ex-oficial de Polícia que teria participado de um massacre de 1.200 civis em Novi Sad (Sérvia), e o então chefe de Polícia croata Milivoj Asner, que colaborou na deportação de sérvios e judeus.

Entre os alemães mais procurados por crimes de guerra está Adolf Storms, suboficial das SS que teria assassinado 58 trabalhadores forçados judeus.

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