segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Relato da execução em massa de judeus de Dubno

Sobreviventes do Holocausto se reúnem em uma vala comum, Dubno de 1945

Sir Hartley Shawcross, o Promotor-Geral inglês em Nuremberg, leu outro documentado que reproduzirmos textualmente.
Trata-se da declaração juramentada do engenheiro alemão Hermann Friedrich Gräbe, que trabalhou de janeiro de 1941 a janeiro de 1944 como gerente de uma sucursal da construtora Josef Jung Solinger, em Zdolbunow, na Ucrania polonesa. Uma das suas obrigações era visitar as obras que a empresa construía, entre elas  um conjunto de silos no antigo campo de aviação da aldeia de Dubno.

Quando a 5 de outubro de 1942 visitei nosso escritorio em Dubno - leu Sir Hartley Shawcross -  contou-me um dos empregados, Hubert Mönnikes ( de Hamburg-Haburg, Aussenmühlenweg 21), que perto do local onde estávamos construindo os silos tinham sido executados, em três grandes valas de uns trinta metros de comprimento e três de profundidade, os judeus de Dubno. Em média, foram executados 1500 pessoas por dia. Ao fim de tudo cerca de 5000 judeus residentes na aldeia tinham sido eliminados por este processo.

Inspecionei em seguida as obras, em companhia de Mönnikes, e por perto vi alguns montes de terra de uns trinta metros de comprimento por dois de largura. Defronte, vi caminhões dos quais uma milícia ucraniana, sob ordens de um SS, obrigava a descer homens e mulheres. Estes homens e mulheres levavam nas suas roupas um distintivo amarelo, o que imediatamente me fez reconhecer que eram judeus.

Mönnikes e eu nos aproximamos. Ninguém nos disse nada. Ouvimos várias descargas de fuzil soarem atrás de um dos montes. Os homens, mulheres e crianças que tinham chegado nos caminhões era obrigados a se despir e colocar à parte os seus ternos ou vestidos, peças intimas e sapatos. As ordens eram dadas por um oficial das SS que tinha na mão direita um chicote. Pelo que pude notar, devia haver entre oitocentos a mil pares de sapatos amontoados ao lado de grandes pilhas de roupas.

Sem gritos nem choros, aqueles seres humanos despiam-se, formavam grupos familiares, beijavam-se em despedida e esperavam o sinal de outro oficial  das SS que também tinha um chicote na mão. Durante o quarto de hora que permaneci ali não ouvi lamentações nem protestos. Observei uma familia de oito pessoas, constituída por um homem e uma mulher, ambos com seus cinquenta anos de idade, três crianças, que deviam ter um, oito e dez anos, e duas filhas entre vinte a vinte e quatro anos. Uma velha levava a criança de colo nos braços e cantava-lhe uma canção de ninar em voz baixa. O casal tinha os olhos cheios de lágrimas. O pai pegava a mão do menino mais velho e falava-lhe ao ouvido. O menino lutava para não chorar. O pai apontou para o céu, acariciou seu cabelo e pareceu explicar-lhe algo.

O oficial das SS gritou qualquer coisa para seus homens. Formou-se um pelotão e ordenou-se a um grupo de judeus que passassem para o outro lado do monte. A familia de que falei fazia parte do grupo. Lembro-me ainda que uma das moças, ao passar por mim, apontou para seu corpo e disse: Vinte e três anos.

Dei a volta ao monte e vi uma imensa vala comum. Só distinguiam as cabeças dos que já tinham caido nela. Calculei que havia uns mil cadáveres. Um dos oficiais das SS, com um metralhadora nas mãos, disparava de quando em quando uma rajada e fumava tranquilamente.

Aqueles homens e mulheres completamente nus desciam para a vala por degraus cavados na terra, e para ocupar o lugar que lhes era indicado deviam passar por cima dos cadáveres.  O pelotão se colocou na beira e começou a disparar contra os infelizes. Admirei-me de que não me dissessem nada, mas ao voltar-me vi que não éramos os únicos espectadores: dois ou três funcionários dos correios, de uniformes, também estavam por perto.

Dei de novo a volta ao monte e vi chegarem novos grupos de vitimas. Entre elas havia uma mulher de pernas extremamente delgadas, que devia ser paralitica, pois seus companheiros ajudavam-na a despir-se. Pouco depois, com Mönnikes, peguei o carro e voltei para o centro de Dubno.


Transição por: Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com
Fonte: HEYDECKER, J. Joe; LEEB, Johannes. O processo de Nuremberg. Rio de Janeiro: Bruguera,1968, pg. 375-377

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Carta entre irmãos relata que civis pagavam com a vida pelos parentes guerrilheiros

Exemplo de enforcamento praticado pelos nazista no leste europeu:  Quinze civis polacos enforcados em Radom


Cartas de A. Ponomarev, soldado do Exército Vermelho, e de sua irmã, Marussia Ponomareva


7 de setembro d 1942

Recebi uma carta da minha pobre irmã e tenho o coração oprimido de angústia. Esmagarei os vermes malditos enquanto o coraão me bater no peito.
A. Ponomarev

8 de agosto de 1942

Bom dia, me querido irmão Chura,
Informo-te que estou agora na cidade de Gorki. Eis as razões: quando tomaram a nossa cidade, os alemães instalaram-se em casa dos habistantes.

Em nossa casa estava alojado um alemão muito alto. Examinou as fotografias e perguntou: De quem são estas fotografias? Fala, velha. A mãe respondeu: São do meu filho. - Onde está ele agora? - Na frente.  Pegou na fotografia e perguntou: Onde está de serviço? É guerrilheiro? Depressa, interprete. Saiu a correr e voltou logo a seguir. O interprete explicou-lhe tudo. Pegou nas tuas fotografias e nas do nosso pai e disse: Éh! velhota, vamos embora! Ela perguntou: Para onde?- Já se sabe, pagar com a tua alma pelo teu filho que é guerrilheiro. Depois me disse: E tú, rapariga, não chores. Amanha a tua mãe será enforcada. Mas não vai sozinha.

Passei a noite na cave, e depois, de manha, fui onde ele me tinha dito e sentei-me no cemiterio. Oh, que eu vejo?! Levam quarenta e cinco mulheres, a mãe também lá ia. Ia do lado direito. Amarraram-nas em grupos de dez para que não pudessem fugir. havia muita gente. Começaram a enforca-las.  Mas antes disso, uma voz disse em russo: Pagam com a sua alma pelos guerrilheiros. Ficaram enforcadas dois dias: as que caiam, levantavam-nas  e voltavam a pendura-las. Eu me salvei. Abandonei tudo. Da nossa Vorochilovgrad fui até a cidade de Gorku, para casa de sua mulher. Eis pois, querido irmão, quantas pessoas os alemães fizeram prisioneiras. Ora martirizam e degolam, ora fuzilam ou enforcam. Mata-a, essa canalha. A tua irmã conseguiu se salvar.
Marussia Ponomareva


Fonte: COELHO, Zeferino - O crime metódico. Ed. Inova Limitada - pg.87-88



segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Massacre em Palikrowy

Monumento no cemitério aos
 polonês vítimas em Palikrowy.
Massacre em Palikrowy foi um crime de guerra cometidos pelo 4º Regimento de Polícia SS formado por soldados ucranianos que foram retirados da 14º Divisão SS de granadeiros Galizien na época do massacre, do SVW Ucraniano("Auto-defesa da ucraniano": Samoobronni Kuszczowi Widdiły) e das forças do Exército Insurgente Ucraniano (Ukrayins'ka Povstans'ka Armiya ou UPA) aos poloneses no povoado de Palikrowy Palykorovy na Ucrania, que foi em 12 de março de 1944.

385 poloneses foram executados. Palikrowy era uma aldeia etnicamente mista, com 70% da população polaca, e na aldeia havia várias famílias de refugiados dos massacres Volhynia. Em 1944, a população foi de cerca de 1884, com cerca de 360 casas. Ação foi coordenada com o ataque nas proximidades de Pidkamin, incluindo o monastério em Pidkamin, onde alguns habitantes de Palikrowy estavam escondidos durante as ações de limpeza étnica no oeste da Ucrânia . 


Todos os habitantes de Palikrowy foram reunidos em um campo perto da vila. Os habitantes ucranianos da aldeia foram liberados. Em seguida, os poloneses foram executados por duas metralhadoras pesadas. Apenas poucas pessoas feridas sobreviveram. Casas polacas foram queimadas e civis poloneses escondidos  foram assassinados, e seus bens roubados. Verificou-se os nomes de 265 vítimas de um total de 365 mortes.
No local da vala comum há um memorial para as vítimas.

Tradução: avidanofront.blogspot.com

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Execuções em Palmiry

Palmiry é uma vila no distrito administrativo de Gmina Czosnów, no Condado de Nowy Dwór Mazowiecki , da Mazóvia , no centro-leste da Polônia. Ela está localizada na borda da floresta Kampinos, cerca de 4 km a sudeste de Czosnów , 11 km a sudeste de Nowy Dwór Mazowiecki , e 23 km, noroeste de Varsóvia . Em 2000, a vila tinha uma população aproximada de 220.


Polonesas sendo levadas para a execução em massa na floresta. Palmiry 1940.

Pessoal da SS lidera um grupo de prisioneiros poloneses vendados para um local de execução na floresta Palmiry perto de Varsóvia. Estes civis foram detidos nas prisões Palmiry e Mokotow em Varsóvia. (Outubro-Dezembro 1939)
Reféns poloneses preparados pelo nazi-alemães para a execução em massa. Palmiry, perto de Varsóvia de 1940. Foto feita em segredo pelo serviço de inteligência da resistência polonesa (resistência).

Durante a Segunda Guerra Mundial, entre 1939 e 1943, a vila e para a floresta circundante era um dos locais de execuções em massa dos alemão para polonês intelectuais, políticos e atletas, morto durante a Ação AB (AB-Aktion - Außerordentliche Befriedungsaktion - Operação Extraordinária de Pacificação ). A maioria das vítimas foram o primeiro presos e torturados na prisão Pawiak em Varsóvia, e em seguida transferidos para o local da execução. No total, os restos de pelo menos 2.115 homens e mulheres foram exumados, mas é provável que nem todos os corpos foram encontrados. Listada entre as vítimas mais conhecidas são:

Juliusz Dąbrowski, jornalista e um dos líderes do Movimento Escoteiro Polaco
Witold Hulewicz, radialista e poeta
Stefan Kopeć, biólogo e fisiologista, professor da Universidade de Varsóvia
Janusz Kusociński, atleta, vencedor de 10 000 m na Olimpíada de 1932.
Mieczysław Niedziałkowski, político do Partido Socialista Polonês
Estanislau Piasecki  jornalista político e crítico de arte
Jan Pohoski, político, ex-vice-presidente de Varsóvia
Dawid Przepiórka, mestre de xadrez
Maciej Rataj, político, presidente do Sejm
Kazimierz Zakrzewski , cientista, professor da Universidade de Varsóvia
Cemitério em Palmiry


Túmulo de Janusz Kusociński em Palmiry, perto de Varsóvia

Depois da guerra, em 1946, os corpos das vítimas das atrocidades alemães foram exumados e enterrados em um cemitério novo, situado aproximadamente 5 km da vila em si. O local de enterro foi um mausoléu nacional polaco desde 1948.

Traduzido por: avidanofront.blogspot.com
http://en.wikipedia.org/wiki/Palmiry

domingo, 9 de janeiro de 2011

Serviço secreto alemão sabia que Eichmann vivia na Argentina desde 1952

Documento divulgado em 2007 mostra foto de Ricardo Klement, nome utilizado pelo oficial da SS Adolf Eichmann


AFP 08/01/2011

BERLIM — O serviço secreto alemão sabia desde 1952 que Adolf Eichmann, oficial da SS nazista procurado por participar do Holocausto de judeus na Segunda Guerra Mundial, havia se refugiado na Argentina após o fim do conflito, revelou neste sábado o jornal alemão Bild.
Eichmann, tenente coronel da SS, responsável pela logística para a deportação dos judeus, foi preso pelos Estados Unidos em 1945, mas conseguiu fugir.
Depois de viver clandestinamente na Alemanha durante vários anos, Eichmann viajou para a Argentina sob identidade falsa, mas foi encontrado pelo serviço secreto israelense e sequestrado em 1960. Julgado e condenado em Israel, o ex-oficial da SS foi enforcado em 1962.
"Eichmann não está no Egito, vive com um nome falso de Clemens na Argentina", diz uma ficha do serviço de inteligência alemão datada de 1952, reproduzida parcialmente pelo Bild.
Na época, Eichmann utilizaba o nome de "Ricardo Klement", segundo o Bild, destacando que os serviços alemães nada fizeram para prender o criminoso de guerra.
De acordo com documentos da CIA revelados em 2006, as autoridades alemãs aparentemente esperaram até 1958 para informar seus pares americanos sobre a localização de Eichmann.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Assassinatos em massa: Relatório de um comandante de regimento ao Comandante-Chefe do 9º Exército


9º Batalhão de Policia
O Comandante Rösler, do 528º Regimento de Infantaria, mandou, a 3 de janeiro de 1942, um relatório ao Comandante-Chefe do 9º Exército, General Schierwind, que foi encontrado depois da guerra e apresentado ante os juízes no Processo de Nuremberg. Este relatório dizia:

Em fins de julho de 1941, o regimento sob minhas ordens marchava para Schitomir, onde teríamos ins dias de descanso. Quando, acompanhado pelo meu Estado-Maior, na tarde do dia da chegada, ocupei a casa que nos fora destinada, ouvi, bastante próximo, uns tiros de espingarda e pouco depois disparos isolados de pistola. Decidi perguntar sobre que se tratava. Na companhia do meu ajudante e do oficial de serviço, os tenentes von Bassewitz e Müller-Brodmann, dirigi-me para o local de onde procediam os disparos. Logo constatamos que eramos testemunhas de um horrendo espetáculo. Vimos nu,erosos soldados e civis indo para um pequeno declive onde conforme nos disseram, cumpria-se cada dia um sem fim de execuções.

Subimos num monte e então vimos o espetáculo em toda a sua amplitude. No declive tinham cavado uma vala de uns sete ou oito metros de comprimento e quatro  de largura de largura e a  terra fora amontoada a uma lado. Esta terra estava manchada de sangue. A mesma  vala estava cheia de cadaveres de ambos os sexos e era dificil calcular o seu numero, pois não se podia ver a sua profundidade.

Distinguimos  um pelotão de execução constituido por agentes de policia sob as ordens de um oficial também da policia. Os uniformes dos agentes estavam manchados de sangue. Vimos muitos soldados dos regimentos designados para aquele setor, alguns apenas em traje de banho, que assistiam as execuções . Além  deles, camponeses, mulheres e crianças,. Aproximei-me da vala e deparei um quadro dque não esquecerei enquanto viver. Um ancião, a barba completametne branca, ainda dava sinais de vida. Supliquei a um dos agentes que lhe desse o tiro de misericordia. Ele me respondeu: Já enfiei sete balas no corpo dele. Morrerá sozinho.


Os cadáveres ficavam estendidos na vala, na mesma posição em que tinham caido. Muitos ainda viviam e os oficiais disparavam-lhes o tiro de misericórdia na nuca.


Pela minha participação na Grande Guerra e nas campanhas da França e Russia, fora testemunha de muitos fatos deploráveis, mas não me lembro de ter testemunhado coisa parecida.

Esta exposição de um comandante alemão poderia ser completada por centenas de outras testemunhas. Em todo o Leste, nas proximidades de todas as grandes povoações, tinham ocorrido fuzilamentos em massa.


Transição por: avidanofront.blogspot.com
Fonte: HEYDECKER, J. Joe; LEEB, Johannes. O processo de Nuremberg. Rio de Janeiro: Bruguera,1968, pg. 353-354

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Atrocidades cometidas pelos russos e pelo Leibstandarte SS

"Como um monstro pré-histórico preso numa rede, o Exercito Vermelho esforçava-se desesperadamente e com efeito cada vez maior à medida que os reflexos ativavam as partes mais distantes do seu corpo".

Soldados do Kampfgruppe Hansen
(1st SS-Panzer-Division LSSAH)
Parte desse efeito cada vez maior foi demonstrada pelo abandono das convenções de guerra -  pratica particularmente observável em qualquer frente onde o "Leibstandarte" estava empenhado em combate. Talvez os informes sobre a ferocidade dos homens das SS (pois todos os regimentos SS tinham recebido algo da reputação do "Leibstandarte") tivessem determinado isso. Fosse qual fosse a razão, a verdade é que os russos procediam como se tivessem também o seu Himmler ideológico que lhes dissera, tal como aquele disse às SS, que ali estava um inimigo que, de tão desprezível, podia ser "fuzilado sem piedade e compaixão". Prisioneiros alemães eram levados para prédios que em seguida eram incendiados, ou metralhados contra as paredes de um galpão, como os Norfolks massacrados em Le Paradis, ou esquartejados como os lendários judeus de Bzura. A bandeira branca de rendição não era passaporte para a segurança. Em Goryk, uma cidade fortificada como parte da "Linha Stalin", um dos comandantes de companhia de Meyer, Gottlob Zipfel, recebeu ordens de fazer represálias contra os que a defendiam. Pouco antes, num ponto mais abaixo, no mesmo setor, em Slucz, havia-se verificado uma batalha rápida e uma tropa de cavalaria alemã fora isolada do seu regimento. Seus homens adotaram atitude mais realista do que os soldados da Pomorska polonesa, e não fizeram ataques quixotescos aos blindados que os combatiam. Eles sabiam quando estavam derrotados. O líder da tropa tomou de um lençol branco que utilizava para forrar sua cama de campanha e o exibiu como bandeira de rendição. Depois de terem sido tratados com enganadora civilidade, foram decapitados quando o conflito chegou a Goryk, e suas cabeças empaladas nas pontas de ferro da cidadela, à verdadeira moda medieval. Os cavalos que montavam foram esquartejados vivos, sendo suas entranhas, embrulhadas na bandeira de rendição, jogadas no caminho dos alemães. "Nada poderia ter testemunhado de maneira mais forte  a sua qualidade subumana (Untermensch)", disse Meyer. A represália de Zipfel foi expulsar 200 civis dos aposentos da guarnição com bombas de fumaça e depois leva-los a um pequeno chalé ensopado de gasolina. ("O chalé era diminuto e tivemos de empurra-los para dentro como pés em sapatos apertados. Dava para ouvir os ossos estalando."). As janelas e a porta foram barricadas e uma granada de mão foi lançada pela chaminé. A explosão e o fogaréu "foram espetaculares e o fedor de carne russa assando era muito satisfatório", informou Zipfel.

 Houve muitas dessas atrocidades, como todos os Aliados relataram com veemencia nos julgamentos em Nuremberg, nos quais a organização SS foi acusada de assassinato, como o "Leibstandarte" sendo direta ou indiretamente  envolvido em nada menos que 31 acusações especificas. Mas os acusados alegavam "represália" como explicação e, alias, como justificativa. Naturalmente, nunca se pode decidir sobre quem desfechou o primeiro golpe. Dietrich ordenou sem hesitação o fuzilamento de 4000 prisioneiros russos durante a batalha de Tagarong, quando os cadáveres de seis membros de "Leibstandarte" que, segundos civis soviéticos, tinham sido surrados e esquartejados até morrer sob machados e pás pela policia secreta russa, foram encontrados num pátio.  Dietrich tambem não hesitou em fuzilar um pelotãode infantaria SS que havia mostrado sinais de covardia quando participava da grande batalha da curva do Dnieper. Eles não eram homens do "Leibstandarte": faziam parte de uma batalhão SS recrutado com base na ordem de Himmler permitindo o influxo de sangue estrangeiro para que o fornecimento de homens à Wermacht não fosse prejudicado. "Eles eram letões, romenos e ralé semelhante, e tinham recuado da frente aos berros de 'Os tanques russos estão chegando!'. Que valor tinham tais homens? A gente os fuzilava instantaneamente e jogava seus corpos no rio." Piedade e compaixão estavam fora dos termos de referencia de Dietrich. Assim é que ele também não demonstrou qualquer remorso ao mandar um bando de Schrecklichkeit (terror) do "Leibstandarte" espancar até a morte 200 feridos num hospital de Kharkov, antes de incendiar o prédio. Nesse hediondo, os atacantes usaram os cintos do "Leibstandarte", cujas fivelas exibiam o lema "Minha honra chama-se fidelidade" (Meine Ehre heisst Treue). Um deles disse em Nuremberg que "Não pareceu ignominioso. Era uma ordem e era pelo Fuhrer e pelo Reich. Não nos teriam mandado fazer aquilo se não fosse necessário".

Não é de se espantar que a "temida e terrível arma do "Leibstandarte", sua reputação(frase de Himmler), o precedesse em cada batalha.

Transcrição por: Daniel Moratori  - avidanofront.blogspot.com
Fonte: WIKES, Alan - A guarda de Hitler - SS Leibstandarte - Ed. Renes; pg.125-128

domingo, 2 de janeiro de 2011

Carta de Grigori Daineka, primeiro tenente na URSS

Soldados alemães no rio Bug na Bielorrússia, 22 jun 1941


4 de setembro de 1942

Sou bielorusso da região de Polessie, circulo de Outubro. Li na Pravda o artigo intitulado: Na terra da Bielorrussia.

Fez-me sangrar o coração. Os alemães chegaram a Rudobielka. Encerraram no clube duzentos e dez habitantes e queimaram-nos a todos. Torturaram Nadia Mikhailovskaia: cortaram-lhe os seios, furaram-lhe os olhos. Lançaram ao fogo a mulher de Samutina

E, na minha aldeia natal de Karpilovka, queimaram num barraco setecentas mulheres e crianças. Assim morreu o doutor Tchernnettski, tão querido do povo. Queimado pelos alemães. E, como é horrivel dize-lo, tambem morreu queimada a minha namorada.

...Quero afirmar bem alto que o nosso povo bielorusso vive. Eis o meu juramento: Nos vingaremos. Dizei aos combatentes: se não matarmos os alemães eles tambem  queimarão as vossas namoradas. Dizei-lhes: se sentirem dificuldades durante a ofensiva, pensem em Helena Grapanovitch, e se sentirão melhor. A mesma dor e o mesmo destino para todos. Hoje a minha dor é grande, mas não perdi a coragem. Sei que avançamos para oeste.

Grigori Daineka

Transcrito por: Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com
Fonte: COELHO, Zeferino - O crime metódico. Ed. Inova Limitada - pg.86-87

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Unidades militares punitivas russas





Unidades militares punitivas - unidades do Exército, no qual em tempo de guerra,  são enviados como castigo soldados que cometem crimes (exceto crimes graves para os quais se baseia a pena de morte ).

Unidades militares punitiva existiam sob a forma de batalhões punição e companhia penal. Na força aérea por um curto período de tempo, houve esquadrão punitivo.

Além do Exército Vermelho, unidades punitivas estavam nas forças armadas de outros estados.


Unidades militares penais na URSS


As unidades penais existiram no Exército Vermelho a partir de 25 julho de 1942 à 06 de junho de 1945; foram dirigidas para as partes mais difíceis da frente, para dar a possibilidade dos batalhões penais "de pagar com sangue à Pátria"; ao mesmo tempo, foram inevitáveis perdas de pessoal.

A primeiro unidade penal empregada foi durante a Segunda Guerra Mundial, onde foi formado no Exército um batalhão penal independente, no 42º Exército da Frente de Leningrado - foi em 25 de julho de 1942, três dias antes da famosa Ordem № 227 . Como parte do 42 º Exército, lutou até 10 de Outubro 1942, e foi dissolvido. A unidade penal mais recente, o 32 º batalhão penal independente do 1º Exército de Choque, se desfez à 06 de junho 1945.

Durante todos os anos da Segunda Guerra Mundial, através de unidades penais teve ter passado, de acordo com algumas fontes, 427.910 pessoas. Se considerarmos que por toda a guerra passou pelo exército 34.476.700 pessoas, a percentagem de soldados e oficiais do Exército Vermelho que passaram por unidades penais para todo o período da Grande Guerra Patriótica, era cerca de 1,24%.

Por exemplo, em 1944, a perda total do Exército Vermelho (mortos, feridos, presos, doentes) - 6.503.204 pessoas, das quais o penais - 170 298. Total em 1944, o Exército Vermelho tinha 11 batalhões penal de 226 pessoas cada um, e a 243 companhias penais de 102 pessoas cada. O número médio mensal no Exército de companhia penais, em 1944, em todas as frentes variou 204-295. O ponto mais alto o número diário no Exército de companhia penais (335 boca) foi alcançada por 20 de julho de 1943.

Batalhão penal avança em reconhecimento sobre fogo inimigo
Batalhão penal

Batalhão penal (Batalhão de Processo Penal) -  Unidade penal com a categoria de batalhão .

De soldados do Exército Vermelho foi até oficiais de todas as armas, militares ou condenados por crimes comuns. Estas unidades foram formadas sobre as ordens do Comissário de Defesa do Povo da URSS № 227 de 28 de julho de 1942 na gama de frentes em uma quantidade de 1-3 (dependendo da situação). Eles somavam  800 pessoas. O batalhão penal  era comandado por oficiais regulares.


Companhia penal

Companhia penal - Unidade penal com na categoria de companhia .
Dentro do Exército em quantidades 5-10 (dependendo da situação). Eram 150-200 pessoas. Comandado por oficial regular.

Esquadrão aéreo penal


Esquadrões penais foram criados em todas as frentes, sendo 3 esquadrões, para os pilotos que tenham manifestado, covardia, sabotagem e egoismo. Existiu desde o verão de 1942 até o final de 1942. Com duração de cerca de 1,5 meses. "O segredo" dos documentos sobre assuntos penais e esquadrões penais foi retirada em 2004.


Estado das unidades  punitivas militares

O pessoal do batalhão penal eram divididos em composição variáveis e constante. Composição variável representou diretamente nos batalhões penais os que estavam na unidade temporariamente, até o término da sua pena (até 3 meses), transferidos para uma unidade comum, pela sua bravura, quer por lesão. A composição constante eram os comandantes do pelotão e, sobretudo, os nomeados de entre oficiais de carreira, os trabalhadores políticos e trabalhadores efetivos (comunicadores, funcionários, etc) e pessoal médico.

Pessoas, dentre os membro permanentes de uma unidade de punição eram compensados por uma série de benefícios - para a reforma do serviço, um mês é contado como seis meses de serviço, e os funcionários recebem um maior subsídio (comandante do pelotão para receber rublos, mais 100 do que suas contrapartes no lado normal) e um aumento da oferta de certificado de alimentos e era comum receber aumento da oferta de alimentos.

O tamanho do batalhão penal em numeros era de 800 homens, e companhia penal  200.


Motivos para envio para as unidades militares punitivas

A base para o envio de um técnico a uma unidade militar penal era a ordem do comando, em conexão com violação da disciplina militar ou ao veredicto do tribunal para a mobilização de forças militares ou  crime comum (exceto para o crime pelo qual a punição era a pena de morte).

Como pena alternativa foi permitido na área da companhia penal,  civis que tenham sido condenados por um tribunal e com uma sentença judicial por prática de pequenos crimes e crimes moderadamente comuns. Pessoas condenadas por crimes graves e de crimes contra o Estado, cumprindo pena na prisão. 

Há uma percepção de que, em batalhões penais eram enviados as pessoas que cumpriam penas por crimes graves e de crimes contra o Estado (os chamados "políticos"). Esta declaração tem uma certa razão, pois houve casos da direção na unidade dar sanção "política" a prisioneiros (em especial, em 1942, quando na 45ª   companhia penal foi enviado um condenado em 1941 por 5 anos nos campos, de acordo com 58ª artigo, Vladimir Karpov, que mais tarde se tornou o herói da União Soviética e um escritor famoso). Ao mesmo tempo, nos termos em vigor na época, normas que regulam o procedimento para o envio de uma parte punitiva na aquisição de partes de uma determinada categoria específica de pessoas não foi prestada . Uma pessoa que já está cumprindo pena na prisão, de acordo com a operação no momento do "Código de Processo Penal"  e do "Campo de Trabalho Forçado"  foram obrigados a servir o seu tempo apenas em instituições penais. Como exceção, a pedido pessoal do Comissário do Povo dos Assuntos Internos L. Beria, uma pessoa entre os condenados que cumprem penas em campos de trabalho, colônias de povoamento, independentemente do tipo (exceto os condenados por crimes graves e hediondos e de governo), pode ser perdoado ou ter liberdade condicional por comportamento exemplar, e cumprindo um plano, em seguida recrutados para o exército regular. Da mesma forma, não poderiam ser enviados para os batalhões penais cumprindo uma sentença de " ladrões" .

Motivos para a liberação dos militares de unidades penais

Os motivos para a libertação de pessoas que cumprem penas em unidades militares penais, foram:

- Pena cumprida (não mais de três meses).
- Obtidos pelos militares, servindo na sua sentença de lesões, moderada ou grave que requer hospitalização.
- Resolução do Conselho Militar, a pedido do comandante da unidades militares punitiva sob a forma de promoção para os militares, que têm demonstrado coragem e bravura.



Traduzido por: avidanofront.blogspot.com

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A impressionante historia do piloto desaparecido



30 de abril de 1942. Nada fundamental parecia ter acontecido na frente naquele dia. As forças soviéticas destruíram 38 aviões de caça alemães e perdeu 9 dos seus.



Entre as perdas do dia era lendário ataque de aviões IL-2. Na coluna de controle de um desses aviões monolugares foi feita a última batalha tenente Michail Gavrilov .Ele desapareceu.

Em 1944, o tenente Gavrilov já era um piloto experiente. De acordo com o cinto que ele tinha, no mínimo 27 operações voos, dos quais 20 pareciam ser ataques a baixa altitude há mão de obra do inimigo, tanques, artilharia e aeródromos.




01 de abril de 1945. Onze aviões voaram em uma missão de ataque. Só Gavrilov retornou ao aeroporto de origem. Ele relatou que o grupo foi recebido pelo fogo antiaéreo, mas manobrou com sucesso ao atacar o inimigo. Após a segunda tentativa, o grupo correu para o inimigo, quebrando a parede de fogo antiaéreo de defesa, e com sucesso começou a sair do ataque.
Gavrilov iniciou uma manobra para o terceiro ataque, mas logo percebeu vestígios de fogo acima de sua cabeça. Eles foram atacados por "Messerschmidts", e a luta durou cerca de 15 minutos. No longo prazo, o "Messers" dividiram a formação Soviética e fez-los a lutar sozinhos. Alguns aviões soviéticos foram derrubados nesta batalha.

Em 03 de abril um grupo de quatro IL-2 aviões de ataque, no qual Gavrilov ficou no lugar do líder, foi atacado por três aviões de combate. Os aviões alemães derrubaram o líder de uma vez e Gavrilov assumiu o comando sobre o grupo. Na luta de 20 minutos, em que Gavrilov confrontrado com sucesso e atacado por aviões alemães em seu IL-2, estava sendo observado desde o início pelo coronel Ivanov e um grupo de pilotos. Foram eles, que enviaram uma carta "cheio de admiração com coragem e bravura do tenente Gavrilov" para o comandante. Para essa luta Gavrilov foi condecorado por bravura na batalha com a ordem da "Bandeira Vermelha" e foi a primeira condecoração soviética. Ela foi instituída para o altruísmo de notável coragem e bravura manifestado em defesa da Pátria Socialista.












Quem era o bravo piloto de caça Gavrilov? Nascido em 1916, trabalhador da Rússia, membro do Partido Comunista da União Soviética. Participou na campanha polonesa de 1993. De acordo com os dados do Arquivo Central do Ministério da Defesa da Rússia estava faltando desde 30 de abril de 1942. Não retornou da última missão da operação Lyuban. O tragico Demyansk Pocket estava chegando ao seu fim (Demyansk Pocket foi o nome dado para o cerco das tropas alemãs pelo Exército Vermelho em torno Demyansk (Demjansk), ao sul de Leningrado , durante a Segunda Guerra Mundial sobre o Leste Frente. O bolsão existiu principalmente a partir de 08 de fevereiro até 21 de abril de 1942. Um pequeno bolsão foi cercado simultaneamente em Kholm, cerca de 100 km a sudoeste. Estes foram os resultados da retirada alemã, depois da derrota durante a Batalha de Moscou .)

Nas regiões de Demyansk, muitas batalhas duras aconteciam. Várias divisões inimigas ficaram cercadas pelo exército soviético. Há razões para supor que o tenente Gavrilov com os pilotos de caças atacavam aeródromos inimigos. Ele deve ter sido abatido por aviões inimigos luta ou por arma anti-aérea. Ele não retornou a base e ficou no meio do caminho. Onde exatamente - ninguém sabia.

68 anos depois, o tenente e seu Gavrilov IL-2 foi encontradao em um pântano. Duas semanas atrás ( 10/11/2010). Anatoliy Pavlov, comandante da brigada de busca "Demyansk", e seus companheiros passaram vários dias de extração da lama que deixou exposto um único avião de ataque IL-2. Embora não muito tenha sido deixado: casco blindados, motor e fragmentos do plano de construção. E o principal - restos de um piloto foram encontrados dentro. Essa dádiva de Deus valeu a pena os vários dias de trabalho duro e do trabalho de dezenas de voluntários desgastados com rodas e equipamentos de pista e uma bomba, que tinha sido constantemente bombeados de água do pântano do sítio das escavações.













O piloto estava com macacão, capacete e botas de algodão/lã. Não havia nenhuma arma, paraquedas, e relógio do piloto. Eles devem ter sido roubados logo após a guerra. E então o avião afundou no atoleiro e ali ficou até abril de 2010, guardando segredo o nome do piloto .

 Após a descoberta dos restos mortais do piloto e da função em extrair fragmentos do avião, a equipe procedeu-se à tarefa, de forma menos cansativa da identificação do piloto. Os documentos encontrados estavam ilegíveis. Não havia nenhuma decoração e uma arma pessoal. Mas levando em consideração o número do motor, deu bons motivos para supor que o piloto foi Michail Gavrilov. 

Traduzido por: avidanofront.blogspot.com
Fonte: http://englishrussia.com/index.php/2010/11/10/amazing-story-of-the-missing-pilot/#more-23657
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