quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Simo Häyhä - O Morte Branca

Simo Häyhä em 17 de fev. de 1940 recebendo seu rifle
 honorário modelo 28, durante a Guerra de Inverno.
Simo Häyhä (17 de dezembro de 1905 – 1 de abril de 2002) apelidado de "Morte Branca" ou "Provocador" pelo exército soviético, foi um soldado finlandês e o mais eficiente franco-atirador da história.


Biografia - Juventude e serviço na guerra

Häyhä nasceu na cidade de Rautjärvi, próxima à atual fronteira entre a Finlândia e a Rússia. Fazendeiro de profissão, cumpriu o serviço militarobrigatório de um ano em 1925, sendo convocado em 1939 após a eclosão da Guerra de Inverno entre a Finlândia e a União Soviética. Estacionado na área norte do Lago Ladoga, passou a servir como franco-atirador.

Trabalhando em temperaturas que iam dos −20 aos −40 graus e usando uma camuflagem totalmente branca, Häyhä é creditado por mais de 500 mortes confirmadas de soldados soviéticos. Uma contagem diária de baixas era feita no campo de batalha de Kollaa, e os relatórios não-oficiais finlandeses estimam em 542 o número de mortes atribuído a ele.

Häyhä usou uma variante do rifle soviético Mosin-Nagant, pois se adequava a sua baixa estatura. Para não se expor em seus esconderijos, ele preferia usar miras comuns ao invés das telescópicas, pois com esta última o atirador deve erguer um pouco a cabeça, além de haver o risco dalente refletir a luz do sol. Outra tática usada por Häyhä era compactar a neve à sua frente para que o tiro não a soprasse, revelando sua posição. Ele também colocava neve na boca, escondendo assim quaisquer sinais que sua respiração pudesse provocar.

Novamente, Simo Häyhä em 17 de fev. de 1940 

Além das mortes como franco atirador, Simo Häyhä foi creditado também por abater mais de duzentos soldados inimigos com uma metralhadora Suomi M-31 SMG, elevando assim sua marca para 705 mortes. Este fato, no entanto, nunca foi comprovado. A marca de mais de 500 mortes foi alcançada num período de 100 dias, com Häyhä atingindo o número recorde de 5 por dia, praticamente uma morte a cada hora do curto dia de inverno.

O exército soviético tentou executar vários planos para se livrar dele, incluindo contra-ataques com franco atiradores e assaltos de artilharia, até que em 6 de março de 1940 Häyhä foi atingido por um tiro na mandíbula durante combate corpo-a-corpo. Com o impacto, o projétil girou e atravessou-lhe o crânio. Ele foi resgatado por soldados aliados, que disseram "faltar metade de sua cabeça". Ficou inconsciente até 13 de março, um dia após a assinatura do tratado de paz que pôs fim ao conflito. Pouco depois, Häyhä foi promovido de cabo a primeiro-tenente pelomarechal-de-campo Carl Gustaf Emil Mannerheim. Nenhum outro soldado jamais conseguiu uma escalada de posto tão rápida na história militar da Finlândia.


Simo promovido em 28/08/1940
Velhice

Häyhä levou vários anos para se recuperar do ferimento. A bala, provavelmente explosiva, havia quebrado sua mandíbula e arrebentado suabochecha esquerda. Apesar de tudo, ele se recuperou totalmente, tornando-se caçador de alce e criador de cachorros após a Segunda Guerra Mundial.


Em 1998, ao ser perguntado sobre como conseguiu se tornar uma atirador tão bom, ele respondeu, "prática". Questionado se tinha remorsos por ter matado tantas pessoas, ele disse, "fiz o que me mandaram fazer, da melhor forma possível".

Simo Häyhä passou seus últimos anos em uma pequena vila chamada Ruokolahti, localizada no sudoeste da Finlândia, próxima à fronteira com a Rússia.


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Batalhão Nachtigall

O Batalhão Nachtigall , oficialmente conhecido como Grupo Especial Nachtigall, era uma subunidade sob o comando do Abwehr da unidade especial Lehr Regiment "Brandenburg" z.b.V. 800. Juntamente com o Batalhão Roland foi uma das duas formações militares formadas em 25 de Fevereiro de 1941 pelo chefe do Abwehr Wilhelm Franz Canaris, que autorizou a criação da "Legião Ucraniana" sob o comando alemão. A maioria dos seus membros eram os cidadãos da Polónia de origem ucraniana, leais à Organização dos Nacionalistas Ucranianos liderada pelo Stepan Bandera.

Em Novembro de 1941 na Alemanha o pessoal ucraniano da Legião foi reorganizado em 201° Batalhão Schutzmannschaft. O batalhão contava com 650 pessoas, que serviram um ano em Belarus, antes do desmembramento da sua unidade.

Muitos dos seus membros, especialmente os oficiais se juntaram ao Exército Insurreto Ucraniano, outros 14 membros se juntaram à SS-Freiwilligen-Schützen-Division «Galizien» na primavera de 1943.


Formação e treino


Na Primavera de 1941 a Legião Ucraniana foi reorganizada em duas unidades. Uma das unidades foi conhecida como Batalhão Nachtigall, a segunda unidade recebeu o nome de Batalhão Roland.

O Batalhão Nachtigall recebeu o seu treino na cidade de Neuhammer nos arredores de Schlessig. O seu comandante ucraniano era Roman Shukhevych e o comandante alemão Theodor Oberländer. Mais tarde, Oberländer tornou-se o Ministro de Imigração da República Federal da Alemanha. O Batalhão Nachtigall usava a uniforme padrão do Wehrmacht. Antes da sua entrada em Lviv, os soldados e oficiais colocaram a faixa azul – amarela em um dos braços.

Guerra contra a URSS

Quatro dias antes de ataque contra a URSS, o Batalhão aproximou-se à fronteira entre a Alemanha e URSS. Na noite de 23–24 de Junho de 1941, o Batalhão atravessou a fronteira nas arredores de cidade de Przemyśl e marchou até Lviv.

O Batalhão Nachtigall viajou na companhia da Divisão Panzer-Jaeger e alguns tanques do Batalhão seguiram em direção à Radymno-Lviv-Ternopil-Proskuriv-Vinnytsia.

Lviv

Como parte do 1° Batalhão Brandenburg, os primeiros soldados do Batalhão Nachtigall entraram em Lviv no dia 29 de Junho.

O Batalhão se encarregou de assegurar a guarnição de objetos estratégicos, como a estação de rádio na colina de Vysoky Zamok no centro de Lviv. À partir desta estação de rádio, foi proclamado o Acto de Independência da Ucrânia.

Os soldados e oficiais do Batalhão Nachtigall participaram e organizaram a Declaração da Independência da Ucrânia de 1941 proclamada pelo Dr. Yaroslav Stetsko no dia 30 de Junho de 1941. O capelão de Batalhão Ivan Hrynokh discursou no fim da proclamação da Independência. A administração alemã não apoiou a iniciativa, mas não desencadeou a repressão contra os ucranianos até os meados de Setembro de 1941.

A primeira companhia do Batalhão Nachtigall deixou Lviv juntamente com o Batalhão Brandenburg no dia 7 de Julho em direção de Zolochiv. Os restantes camaradas se juntaram a unidade durante a sua marcha até Zolochiv, Ternopil e Vinnytsia. A unidade participou nos combates na Linha de Stalin, onde alguns membros do Batalhão foram condecorados pelas medalhas alemãs.

Os alemães se recusaram a aceitar a proclamação da independência da Ucrânia do dia 30 de Junho de 1941, sob os auspícios de OUN(B). Como resultado, o Batalhão foi conduzido até Cracow e desarmado no dia 15 de Agosto de 1941. Mais tarde, juntamente com Batalhão Roland foi transformado em 201° Batalhão Schutzmannschaft.



Avaliação



O historiador russo Sergey Chuyev defende que OUN conseguiu o seu objectivo principal – os 600 pessoas receberem o treino e a experiência militar, tornando-se mais tarde os instrutores e comandantes do recém-formado Exército Insurreto Ucraniano.

Durante a sua história, o Batalhão Nachtigall teve 39 baixas e 40 soldados foram feridos.

Crontovérsia

Investigação Canadiana: Envolvimento do qualquer membro do Batalhão Nachtigall nos crimes de guerra não foi estabelecido. A Comissão Canadiana de Criminosos de Guerra em Canadá (Deschênes Commission) estudou as alegações contra os cidadãos residentes em Canadá e não pronunciou nenhum ex-membro do Batalhão Nachtigall. Além disso, concluiu, que as unidades que colaboraram com os nazis não deveriam ser indiciados como um grupo e mera participação em tais unidades não é suficiente para justificar o procedimento criminal.
Os documentos falsos daKGB na ação contra
Theodor Oberländer e Nachtigall ucraniano (1959)
Opinião Mundial: Uma Comissão Internacional sediada em Haia na Holanda em 1959 conduziu uma investigação independente. Os seus membros eram quatro ativistas anti-nazi, o advogado norueguês Hans Cappelen, ex – Ministro dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca e chefe do Parlamento dinamarquês Ole Bjørn Kraft, socialista holandês Karel van Staal, professor do Direito da Bélgica Flor Peeters e jurista e membro do parlamento suíço Kurt Scoch. Após as entrevistas com várias testemunhas ucranianas entre Novembro de 1959 e Março de 1960, a Comissão concluiu: "Após quatro meses de investigações e da avaliação de 232 declarações de testemunhas em todos os círculos envolvidos, pode ser estabelecido que as acusações contra o Batalhão Nachtigall e contra o Tenente e actual Ministro Federal Oberländer não estão baseados nos fatos."

Opinião Ucraniana: A prioridade principal do Batalhão foi a segurança de estação da rádio, jornais e a proclamação da Independência da Ucrânia.

O selo postal ucraniano (2007) em honra do Roman Shukhevych no seu 100° aniversário

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalh%C3%A3o_Nachtigall

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Relatório das operações de assassinatos e apreensões do chefe do Grupo Operacional B

Membros Einsatzkommando atirando em judeus em um campo em Dubossary, Moldavia. As armas são pistolas Mauser. 14 de setembro de 1941. Dubossary, a Moldávia, a URSS.
Extrato de um relatório do chefe do Grupo Operacional B, da Policia de Segurança e do SD sobre operações do grupo de 15 de novembro a 15 de dezembro de 1942¹

29 de dezembro de 1942

...IV. Operações de confiscação

Durante o período referido, o comando especial 7a, além de fardamentos militares russos, apreendeu 51 rublos, um posto de T.S.F. russo e varias caixas com munições russas. O comando especial 7c confiscou 2015 rublos e 71,10 marcos.

O comando operacional 8 apreendeu 99 rublos, dois anéis de ouro, 12 anéis (provavelmente de prata) e quatro pares de brincos de prata.

O comando operacional 9 confiscou quatro moedas de ouro de 1 rublo, dois anéis, 4000 rublos e 635,50 marcos. 

O destacamento da cidade de Smolensk apreendeu 416,21 marcos, 8395 rublos, 5 dolares, 11 zlotis e uma moeda de 50 kopecks.

Em todo território controlado pelo grupo operacional foram lançados por avião panfletos já conhecidos: Noticias da pátria soviética, um apelo à formação de guerrilhas, 10 mandamentos que todo soldado alemão deve saber, Noticias da frente, informações destinadas aos policiais e soldados do exército russo-alemão e varios jornais ilustrados em lingua alemã sobre a vida dos prisioneitos de guerra alemães. Informaram de Sitchovka a aparição de novos panfletos que contem extratos do livro do fuhrer Mein Kampf e do jornal Völkischer Beobachter assim como propaganda contra o recrutamento para o trabalho na Alemanha.

V. Tratamento especial²

Comando especial 7a - 160 pessoas, das quais:
14 judeus,
97 bandidos,
5 alienados,
44 outros inimigos do Reich.

Comando especial 7b - 86 pessoas, das quais:
15 judeus,
2 bandidos,
10 alienados,
59 outros inimigos do Reich.

Comando especial 7c - 530 pessoas, das quais:
17 judeus,
458 bandidos,
33 alienados,
22 outros inimigos do Reich.

Comando especial 8 - 376 pessoas, das quais:
51 judeus,
290 bandidos,
7 alienados,
28 outros inimigos do Reich.

Comando especial 9 - 1167 pessoas, das quais:
38 judeus,
1083 bandidos,
2 alienados,
44 outros inimigos do Reich.

Destacamentos de Smolensk - 108 pessoas, das quais:
19 judeus,
12 bandidos,
16 criminosos de direito comum,
61 outros inimigos do Reich.


Número total de pessoas submetidas a tratamento especial
Comando especial 7a                                        6.788
Comando especial 7b                                        3.816
Comando especial 7c                                        4.660
Comando especial 8                                        74.740R
Comando especial 9                                        41.340
Destacamento de Smolensk                               2.954
Total                                                             134.298

Notas:
1 - O grupo operacional B agia na retaguarda do grupo de exercitos Centro.
2 - Na linguagem dos ocupantes fascistas, as palavras "tratamento especial" designavam a execução.

(O original alemão encontra-se nos Arquivos Centrais da R.S.S. da Bielorussia sobre a Revolução de Outrubro, fundo 655, registro 1, dossier 3, folha 203.)

Transcrição: Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com

Fonte: COELHO, Zeferino - O crime metódico. Ed. Inova Limitada - pg.88-91

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Documento que teria apressado fim da 2ª Guerra é divulgado

Da BBC Brasil

Um documento mostrando que os nazistas tinham sido enganados por um espião duplo em um momento decisivo da Segunda Guerra Mundial foi divulgado no Reino Unido.

O memorando em alemão, interceptado e decodificado por agentes britânicos, confirmou que os alemães tinham acreditado em informações falsas recebidas de um espião espanhol e haviam concentrado suas tropas na região de Pas de Calais, na França, na expectativa de uma invasão britânica.

Isso permitiu que os britânicos seguissem em frente com a planejada invasão da Normandia, em junho de 1944, confiantes de que milhares de tropas alemãs estariam de prontidão em outro local, incapazes de reagir.

Segundo historiadores, a informação contida no memorando salvou vidas e teria apressado o final da Segunda Guerra.


'NENHUM JAMES BOND'

O documento, publicado em primeira mão pela BBC, revela a importância do papel desempenhado pelos especialistas britânicos que trabalhavam para decodificar mensagens secretas alemãs no famoso centro de Bletchley Park, no condado de Buckinghamshire.

Outra figura de destaque no incrível plano armado pelos britânicos para enganar Hitler nos dramáticos momentos que antecederam a invasão da Normandia foi um espanhol, Juan Pujol Garcia.

Pujol, conhecido pela inteligência britânica como Garbo, um homem de negócios de aparência comum, foi um dos mais eficientes espiões duplos da Segunda Guerra.

"Ele não era nenhum James Bond", disse Amyas Godfrey, especialista do Royal United Services Institute, envolvido em um projeto para disponibilizar digitalmente documentos históricos do arquivo de Bletchley Park.

"Era um baixinho calvo, tedioso e soturno, mas enganou completamente os alemães. Eles achavam que as informações que ele enviava eram absolutamente precisas."

Para nazistas, mensagens criptografadas

 pela Enigma não poderiam ser decodificadas

Os nazistas consideravam Pujol --a quem deram o codinome Alaric Arabel-- um dos seus mais importantes informantes. Eles acreditavam que o agente comandava uma rede de espiões e enviava informações cruciais para Berlim através de seu homem de confiança em Madri.

Na verdade, o espanhol trabalhava para os britânicos e quase toda a sua suposta rede de informantes era fictícia.

Para não ser desmascarado, Pujol enviava aos alemães várias informações genuínas. Mas no que se refere à aguardada invasão da França pelos aliados, a coisa era diferente.

Quando se preparavam para o crucial Dia D, o dia em que ocorreria a invasão, os britânicos puseram em ação a Operação Fortitude, um complô para confundir os nazistas sobre o local exato da invasão. Pujol era parte integral dessa operação.


PISTAS FALSAS

A partir desse momento, o espanhol passou a enviar informações fictícias, levando os alemães a acreditar que ataques críticos ocorreriam, com grande probabilidade, na região costeira de Pas de Calais.

Ele disse também que 75 divisões haviam sido reunidas na Inglaterra antes do Dia D, dando a entender que muitas tropas adicionais deveriam ainda desembarcar na França.

Os alemães acreditaram nas informações. O documento reproduzido pela BBC mostra que os relatos foram transmitidos ao alto comando nazista pelo contato alemão de Pujol.

Como resultado, tropas alemãs foram mantidas na região de Calais à espera dos ataques, impedidas de oferecer suporte na defesa da Normandia.

Tão importante quanto o fato de que tropas alemãs estavam concentradas longe do local da invasão foi o fato de que os britânicos sabiam que os alemães haviam sido enganados.


ENIGMA

Berlim não sabia que o código de sua máquina Enigma, usada para criptografar comunicados secretos enviadas pelos alemães, havia sido decifrado por especialistas poloneses.

Em Bletchley Park, cerca de dez mil pessoas trabalhavam decifrando as mensagens.

Quando o documento divulgado agora foi decifrado, os aliados tiveram a certeza de que podiam prosseguir com o plano de invasão, já que milhares de tropas alemãs estariam fazendo guarda em Calais.

"O século 20 poderia ter sido muito diferente se não fosse por isto", disse Kelsey Griffin, diretor de operações do museu de Bletchley Park.

"Nós tínhamos um exército de intelectuais desarmados aqui. "

Vários documentos estão arquivados no centro, intocados, há muitos anos.

O museu espera que, ao serem publicados na internet, os arquivos ajudem historiadores e público em geral a conhecer outros episódios empolgantes da Segunda Guerra Mundial.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Relato da execução em massa de judeus de Dubno

Sobreviventes do Holocausto se reúnem em uma vala comum, Dubno de 1945

Sir Hartley Shawcross, o Promotor-Geral inglês em Nuremberg, leu outro documentado que reproduzirmos textualmente.
Trata-se da declaração juramentada do engenheiro alemão Hermann Friedrich Gräbe, que trabalhou de janeiro de 1941 a janeiro de 1944 como gerente de uma sucursal da construtora Josef Jung Solinger, em Zdolbunow, na Ucrania polonesa. Uma das suas obrigações era visitar as obras que a empresa construía, entre elas  um conjunto de silos no antigo campo de aviação da aldeia de Dubno.

Quando a 5 de outubro de 1942 visitei nosso escritorio em Dubno - leu Sir Hartley Shawcross -  contou-me um dos empregados, Hubert Mönnikes ( de Hamburg-Haburg, Aussenmühlenweg 21), que perto do local onde estávamos construindo os silos tinham sido executados, em três grandes valas de uns trinta metros de comprimento e três de profundidade, os judeus de Dubno. Em média, foram executados 1500 pessoas por dia. Ao fim de tudo cerca de 5000 judeus residentes na aldeia tinham sido eliminados por este processo.

Inspecionei em seguida as obras, em companhia de Mönnikes, e por perto vi alguns montes de terra de uns trinta metros de comprimento por dois de largura. Defronte, vi caminhões dos quais uma milícia ucraniana, sob ordens de um SS, obrigava a descer homens e mulheres. Estes homens e mulheres levavam nas suas roupas um distintivo amarelo, o que imediatamente me fez reconhecer que eram judeus.

Mönnikes e eu nos aproximamos. Ninguém nos disse nada. Ouvimos várias descargas de fuzil soarem atrás de um dos montes. Os homens, mulheres e crianças que tinham chegado nos caminhões era obrigados a se despir e colocar à parte os seus ternos ou vestidos, peças intimas e sapatos. As ordens eram dadas por um oficial das SS que tinha na mão direita um chicote. Pelo que pude notar, devia haver entre oitocentos a mil pares de sapatos amontoados ao lado de grandes pilhas de roupas.

Sem gritos nem choros, aqueles seres humanos despiam-se, formavam grupos familiares, beijavam-se em despedida e esperavam o sinal de outro oficial  das SS que também tinha um chicote na mão. Durante o quarto de hora que permaneci ali não ouvi lamentações nem protestos. Observei uma familia de oito pessoas, constituída por um homem e uma mulher, ambos com seus cinquenta anos de idade, três crianças, que deviam ter um, oito e dez anos, e duas filhas entre vinte a vinte e quatro anos. Uma velha levava a criança de colo nos braços e cantava-lhe uma canção de ninar em voz baixa. O casal tinha os olhos cheios de lágrimas. O pai pegava a mão do menino mais velho e falava-lhe ao ouvido. O menino lutava para não chorar. O pai apontou para o céu, acariciou seu cabelo e pareceu explicar-lhe algo.

O oficial das SS gritou qualquer coisa para seus homens. Formou-se um pelotão e ordenou-se a um grupo de judeus que passassem para o outro lado do monte. A familia de que falei fazia parte do grupo. Lembro-me ainda que uma das moças, ao passar por mim, apontou para seu corpo e disse: Vinte e três anos.

Dei a volta ao monte e vi uma imensa vala comum. Só distinguiam as cabeças dos que já tinham caido nela. Calculei que havia uns mil cadáveres. Um dos oficiais das SS, com um metralhadora nas mãos, disparava de quando em quando uma rajada e fumava tranquilamente.

Aqueles homens e mulheres completamente nus desciam para a vala por degraus cavados na terra, e para ocupar o lugar que lhes era indicado deviam passar por cima dos cadáveres.  O pelotão se colocou na beira e começou a disparar contra os infelizes. Admirei-me de que não me dissessem nada, mas ao voltar-me vi que não éramos os únicos espectadores: dois ou três funcionários dos correios, de uniformes, também estavam por perto.

Dei de novo a volta ao monte e vi chegarem novos grupos de vitimas. Entre elas havia uma mulher de pernas extremamente delgadas, que devia ser paralitica, pois seus companheiros ajudavam-na a despir-se. Pouco depois, com Mönnikes, peguei o carro e voltei para o centro de Dubno.


Transição por: Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com
Fonte: HEYDECKER, J. Joe; LEEB, Johannes. O processo de Nuremberg. Rio de Janeiro: Bruguera,1968, pg. 375-377

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Carta entre irmãos relata que civis pagavam com a vida pelos parentes guerrilheiros

Exemplo de enforcamento praticado pelos nazista no leste europeu:  Quinze civis polacos enforcados em Radom


Cartas de A. Ponomarev, soldado do Exército Vermelho, e de sua irmã, Marussia Ponomareva


7 de setembro d 1942

Recebi uma carta da minha pobre irmã e tenho o coração oprimido de angústia. Esmagarei os vermes malditos enquanto o coraão me bater no peito.
A. Ponomarev

8 de agosto de 1942

Bom dia, me querido irmão Chura,
Informo-te que estou agora na cidade de Gorki. Eis as razões: quando tomaram a nossa cidade, os alemães instalaram-se em casa dos habistantes.

Em nossa casa estava alojado um alemão muito alto. Examinou as fotografias e perguntou: De quem são estas fotografias? Fala, velha. A mãe respondeu: São do meu filho. - Onde está ele agora? - Na frente.  Pegou na fotografia e perguntou: Onde está de serviço? É guerrilheiro? Depressa, interprete. Saiu a correr e voltou logo a seguir. O interprete explicou-lhe tudo. Pegou nas tuas fotografias e nas do nosso pai e disse: Éh! velhota, vamos embora! Ela perguntou: Para onde?- Já se sabe, pagar com a tua alma pelo teu filho que é guerrilheiro. Depois me disse: E tú, rapariga, não chores. Amanha a tua mãe será enforcada. Mas não vai sozinha.

Passei a noite na cave, e depois, de manha, fui onde ele me tinha dito e sentei-me no cemiterio. Oh, que eu vejo?! Levam quarenta e cinco mulheres, a mãe também lá ia. Ia do lado direito. Amarraram-nas em grupos de dez para que não pudessem fugir. havia muita gente. Começaram a enforca-las.  Mas antes disso, uma voz disse em russo: Pagam com a sua alma pelos guerrilheiros. Ficaram enforcadas dois dias: as que caiam, levantavam-nas  e voltavam a pendura-las. Eu me salvei. Abandonei tudo. Da nossa Vorochilovgrad fui até a cidade de Gorku, para casa de sua mulher. Eis pois, querido irmão, quantas pessoas os alemães fizeram prisioneiras. Ora martirizam e degolam, ora fuzilam ou enforcam. Mata-a, essa canalha. A tua irmã conseguiu se salvar.
Marussia Ponomareva


Fonte: COELHO, Zeferino - O crime metódico. Ed. Inova Limitada - pg.87-88



segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Massacre em Palikrowy

Monumento no cemitério aos
 polonês vítimas em Palikrowy.
Massacre em Palikrowy foi um crime de guerra cometidos pelo 4º Regimento de Polícia SS formado por soldados ucranianos que foram retirados da 14º Divisão SS de granadeiros Galizien na época do massacre, do SVW Ucraniano("Auto-defesa da ucraniano": Samoobronni Kuszczowi Widdiły) e das forças do Exército Insurgente Ucraniano (Ukrayins'ka Povstans'ka Armiya ou UPA) aos poloneses no povoado de Palikrowy Palykorovy na Ucrania, que foi em 12 de março de 1944.

385 poloneses foram executados. Palikrowy era uma aldeia etnicamente mista, com 70% da população polaca, e na aldeia havia várias famílias de refugiados dos massacres Volhynia. Em 1944, a população foi de cerca de 1884, com cerca de 360 casas. Ação foi coordenada com o ataque nas proximidades de Pidkamin, incluindo o monastério em Pidkamin, onde alguns habitantes de Palikrowy estavam escondidos durante as ações de limpeza étnica no oeste da Ucrânia . 


Todos os habitantes de Palikrowy foram reunidos em um campo perto da vila. Os habitantes ucranianos da aldeia foram liberados. Em seguida, os poloneses foram executados por duas metralhadoras pesadas. Apenas poucas pessoas feridas sobreviveram. Casas polacas foram queimadas e civis poloneses escondidos  foram assassinados, e seus bens roubados. Verificou-se os nomes de 265 vítimas de um total de 365 mortes.
No local da vala comum há um memorial para as vítimas.

Tradução: avidanofront.blogspot.com

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Execuções em Palmiry

Palmiry é uma vila no distrito administrativo de Gmina Czosnów, no Condado de Nowy Dwór Mazowiecki , da Mazóvia , no centro-leste da Polônia. Ela está localizada na borda da floresta Kampinos, cerca de 4 km a sudeste de Czosnów , 11 km a sudeste de Nowy Dwór Mazowiecki , e 23 km, noroeste de Varsóvia . Em 2000, a vila tinha uma população aproximada de 220.


Polonesas sendo levadas para a execução em massa na floresta. Palmiry 1940.

Pessoal da SS lidera um grupo de prisioneiros poloneses vendados para um local de execução na floresta Palmiry perto de Varsóvia. Estes civis foram detidos nas prisões Palmiry e Mokotow em Varsóvia. (Outubro-Dezembro 1939)
Reféns poloneses preparados pelo nazi-alemães para a execução em massa. Palmiry, perto de Varsóvia de 1940. Foto feita em segredo pelo serviço de inteligência da resistência polonesa (resistência).

Durante a Segunda Guerra Mundial, entre 1939 e 1943, a vila e para a floresta circundante era um dos locais de execuções em massa dos alemão para polonês intelectuais, políticos e atletas, morto durante a Ação AB (AB-Aktion - Außerordentliche Befriedungsaktion - Operação Extraordinária de Pacificação ). A maioria das vítimas foram o primeiro presos e torturados na prisão Pawiak em Varsóvia, e em seguida transferidos para o local da execução. No total, os restos de pelo menos 2.115 homens e mulheres foram exumados, mas é provável que nem todos os corpos foram encontrados. Listada entre as vítimas mais conhecidas são:

Juliusz Dąbrowski, jornalista e um dos líderes do Movimento Escoteiro Polaco
Witold Hulewicz, radialista e poeta
Stefan Kopeć, biólogo e fisiologista, professor da Universidade de Varsóvia
Janusz Kusociński, atleta, vencedor de 10 000 m na Olimpíada de 1932.
Mieczysław Niedziałkowski, político do Partido Socialista Polonês
Estanislau Piasecki  jornalista político e crítico de arte
Jan Pohoski, político, ex-vice-presidente de Varsóvia
Dawid Przepiórka, mestre de xadrez
Maciej Rataj, político, presidente do Sejm
Kazimierz Zakrzewski , cientista, professor da Universidade de Varsóvia
Cemitério em Palmiry


Túmulo de Janusz Kusociński em Palmiry, perto de Varsóvia

Depois da guerra, em 1946, os corpos das vítimas das atrocidades alemães foram exumados e enterrados em um cemitério novo, situado aproximadamente 5 km da vila em si. O local de enterro foi um mausoléu nacional polaco desde 1948.

Traduzido por: avidanofront.blogspot.com
http://en.wikipedia.org/wiki/Palmiry

domingo, 9 de janeiro de 2011

Serviço secreto alemão sabia que Eichmann vivia na Argentina desde 1952

Documento divulgado em 2007 mostra foto de Ricardo Klement, nome utilizado pelo oficial da SS Adolf Eichmann


AFP 08/01/2011

BERLIM — O serviço secreto alemão sabia desde 1952 que Adolf Eichmann, oficial da SS nazista procurado por participar do Holocausto de judeus na Segunda Guerra Mundial, havia se refugiado na Argentina após o fim do conflito, revelou neste sábado o jornal alemão Bild.
Eichmann, tenente coronel da SS, responsável pela logística para a deportação dos judeus, foi preso pelos Estados Unidos em 1945, mas conseguiu fugir.
Depois de viver clandestinamente na Alemanha durante vários anos, Eichmann viajou para a Argentina sob identidade falsa, mas foi encontrado pelo serviço secreto israelense e sequestrado em 1960. Julgado e condenado em Israel, o ex-oficial da SS foi enforcado em 1962.
"Eichmann não está no Egito, vive com um nome falso de Clemens na Argentina", diz uma ficha do serviço de inteligência alemão datada de 1952, reproduzida parcialmente pelo Bild.
Na época, Eichmann utilizaba o nome de "Ricardo Klement", segundo o Bild, destacando que os serviços alemães nada fizeram para prender o criminoso de guerra.
De acordo com documentos da CIA revelados em 2006, as autoridades alemãs aparentemente esperaram até 1958 para informar seus pares americanos sobre a localização de Eichmann.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Assassinatos em massa: Relatório de um comandante de regimento ao Comandante-Chefe do 9º Exército


9º Batalhão de Policia
O Comandante Rösler, do 528º Regimento de Infantaria, mandou, a 3 de janeiro de 1942, um relatório ao Comandante-Chefe do 9º Exército, General Schierwind, que foi encontrado depois da guerra e apresentado ante os juízes no Processo de Nuremberg. Este relatório dizia:

Em fins de julho de 1941, o regimento sob minhas ordens marchava para Schitomir, onde teríamos ins dias de descanso. Quando, acompanhado pelo meu Estado-Maior, na tarde do dia da chegada, ocupei a casa que nos fora destinada, ouvi, bastante próximo, uns tiros de espingarda e pouco depois disparos isolados de pistola. Decidi perguntar sobre que se tratava. Na companhia do meu ajudante e do oficial de serviço, os tenentes von Bassewitz e Müller-Brodmann, dirigi-me para o local de onde procediam os disparos. Logo constatamos que eramos testemunhas de um horrendo espetáculo. Vimos nu,erosos soldados e civis indo para um pequeno declive onde conforme nos disseram, cumpria-se cada dia um sem fim de execuções.

Subimos num monte e então vimos o espetáculo em toda a sua amplitude. No declive tinham cavado uma vala de uns sete ou oito metros de comprimento e quatro  de largura de largura e a  terra fora amontoada a uma lado. Esta terra estava manchada de sangue. A mesma  vala estava cheia de cadaveres de ambos os sexos e era dificil calcular o seu numero, pois não se podia ver a sua profundidade.

Distinguimos  um pelotão de execução constituido por agentes de policia sob as ordens de um oficial também da policia. Os uniformes dos agentes estavam manchados de sangue. Vimos muitos soldados dos regimentos designados para aquele setor, alguns apenas em traje de banho, que assistiam as execuções . Além  deles, camponeses, mulheres e crianças,. Aproximei-me da vala e deparei um quadro dque não esquecerei enquanto viver. Um ancião, a barba completametne branca, ainda dava sinais de vida. Supliquei a um dos agentes que lhe desse o tiro de misericordia. Ele me respondeu: Já enfiei sete balas no corpo dele. Morrerá sozinho.


Os cadáveres ficavam estendidos na vala, na mesma posição em que tinham caido. Muitos ainda viviam e os oficiais disparavam-lhes o tiro de misericórdia na nuca.


Pela minha participação na Grande Guerra e nas campanhas da França e Russia, fora testemunha de muitos fatos deploráveis, mas não me lembro de ter testemunhado coisa parecida.

Esta exposição de um comandante alemão poderia ser completada por centenas de outras testemunhas. Em todo o Leste, nas proximidades de todas as grandes povoações, tinham ocorrido fuzilamentos em massa.


Transição por: avidanofront.blogspot.com
Fonte: HEYDECKER, J. Joe; LEEB, Johannes. O processo de Nuremberg. Rio de Janeiro: Bruguera,1968, pg. 353-354

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Atrocidades cometidas pelos russos e pelo Leibstandarte SS

"Como um monstro pré-histórico preso numa rede, o Exercito Vermelho esforçava-se desesperadamente e com efeito cada vez maior à medida que os reflexos ativavam as partes mais distantes do seu corpo".

Soldados do Kampfgruppe Hansen
(1st SS-Panzer-Division LSSAH)
Parte desse efeito cada vez maior foi demonstrada pelo abandono das convenções de guerra -  pratica particularmente observável em qualquer frente onde o "Leibstandarte" estava empenhado em combate. Talvez os informes sobre a ferocidade dos homens das SS (pois todos os regimentos SS tinham recebido algo da reputação do "Leibstandarte") tivessem determinado isso. Fosse qual fosse a razão, a verdade é que os russos procediam como se tivessem também o seu Himmler ideológico que lhes dissera, tal como aquele disse às SS, que ali estava um inimigo que, de tão desprezível, podia ser "fuzilado sem piedade e compaixão". Prisioneiros alemães eram levados para prédios que em seguida eram incendiados, ou metralhados contra as paredes de um galpão, como os Norfolks massacrados em Le Paradis, ou esquartejados como os lendários judeus de Bzura. A bandeira branca de rendição não era passaporte para a segurança. Em Goryk, uma cidade fortificada como parte da "Linha Stalin", um dos comandantes de companhia de Meyer, Gottlob Zipfel, recebeu ordens de fazer represálias contra os que a defendiam. Pouco antes, num ponto mais abaixo, no mesmo setor, em Slucz, havia-se verificado uma batalha rápida e uma tropa de cavalaria alemã fora isolada do seu regimento. Seus homens adotaram atitude mais realista do que os soldados da Pomorska polonesa, e não fizeram ataques quixotescos aos blindados que os combatiam. Eles sabiam quando estavam derrotados. O líder da tropa tomou de um lençol branco que utilizava para forrar sua cama de campanha e o exibiu como bandeira de rendição. Depois de terem sido tratados com enganadora civilidade, foram decapitados quando o conflito chegou a Goryk, e suas cabeças empaladas nas pontas de ferro da cidadela, à verdadeira moda medieval. Os cavalos que montavam foram esquartejados vivos, sendo suas entranhas, embrulhadas na bandeira de rendição, jogadas no caminho dos alemães. "Nada poderia ter testemunhado de maneira mais forte  a sua qualidade subumana (Untermensch)", disse Meyer. A represália de Zipfel foi expulsar 200 civis dos aposentos da guarnição com bombas de fumaça e depois leva-los a um pequeno chalé ensopado de gasolina. ("O chalé era diminuto e tivemos de empurra-los para dentro como pés em sapatos apertados. Dava para ouvir os ossos estalando."). As janelas e a porta foram barricadas e uma granada de mão foi lançada pela chaminé. A explosão e o fogaréu "foram espetaculares e o fedor de carne russa assando era muito satisfatório", informou Zipfel.

 Houve muitas dessas atrocidades, como todos os Aliados relataram com veemencia nos julgamentos em Nuremberg, nos quais a organização SS foi acusada de assassinato, como o "Leibstandarte" sendo direta ou indiretamente  envolvido em nada menos que 31 acusações especificas. Mas os acusados alegavam "represália" como explicação e, alias, como justificativa. Naturalmente, nunca se pode decidir sobre quem desfechou o primeiro golpe. Dietrich ordenou sem hesitação o fuzilamento de 4000 prisioneiros russos durante a batalha de Tagarong, quando os cadáveres de seis membros de "Leibstandarte" que, segundos civis soviéticos, tinham sido surrados e esquartejados até morrer sob machados e pás pela policia secreta russa, foram encontrados num pátio.  Dietrich tambem não hesitou em fuzilar um pelotãode infantaria SS que havia mostrado sinais de covardia quando participava da grande batalha da curva do Dnieper. Eles não eram homens do "Leibstandarte": faziam parte de uma batalhão SS recrutado com base na ordem de Himmler permitindo o influxo de sangue estrangeiro para que o fornecimento de homens à Wermacht não fosse prejudicado. "Eles eram letões, romenos e ralé semelhante, e tinham recuado da frente aos berros de 'Os tanques russos estão chegando!'. Que valor tinham tais homens? A gente os fuzilava instantaneamente e jogava seus corpos no rio." Piedade e compaixão estavam fora dos termos de referencia de Dietrich. Assim é que ele também não demonstrou qualquer remorso ao mandar um bando de Schrecklichkeit (terror) do "Leibstandarte" espancar até a morte 200 feridos num hospital de Kharkov, antes de incendiar o prédio. Nesse hediondo, os atacantes usaram os cintos do "Leibstandarte", cujas fivelas exibiam o lema "Minha honra chama-se fidelidade" (Meine Ehre heisst Treue). Um deles disse em Nuremberg que "Não pareceu ignominioso. Era uma ordem e era pelo Fuhrer e pelo Reich. Não nos teriam mandado fazer aquilo se não fosse necessário".

Não é de se espantar que a "temida e terrível arma do "Leibstandarte", sua reputação(frase de Himmler), o precedesse em cada batalha.

Transcrição por: Daniel Moratori  - avidanofront.blogspot.com
Fonte: WIKES, Alan - A guarda de Hitler - SS Leibstandarte - Ed. Renes; pg.125-128

domingo, 2 de janeiro de 2011

Carta de Grigori Daineka, primeiro tenente na URSS

Soldados alemães no rio Bug na Bielorrússia, 22 jun 1941


4 de setembro de 1942

Sou bielorusso da região de Polessie, circulo de Outubro. Li na Pravda o artigo intitulado: Na terra da Bielorrussia.

Fez-me sangrar o coração. Os alemães chegaram a Rudobielka. Encerraram no clube duzentos e dez habitantes e queimaram-nos a todos. Torturaram Nadia Mikhailovskaia: cortaram-lhe os seios, furaram-lhe os olhos. Lançaram ao fogo a mulher de Samutina

E, na minha aldeia natal de Karpilovka, queimaram num barraco setecentas mulheres e crianças. Assim morreu o doutor Tchernnettski, tão querido do povo. Queimado pelos alemães. E, como é horrivel dize-lo, tambem morreu queimada a minha namorada.

...Quero afirmar bem alto que o nosso povo bielorusso vive. Eis o meu juramento: Nos vingaremos. Dizei aos combatentes: se não matarmos os alemães eles tambem  queimarão as vossas namoradas. Dizei-lhes: se sentirem dificuldades durante a ofensiva, pensem em Helena Grapanovitch, e se sentirão melhor. A mesma dor e o mesmo destino para todos. Hoje a minha dor é grande, mas não perdi a coragem. Sei que avançamos para oeste.

Grigori Daineka

Transcrito por: Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com
Fonte: COELHO, Zeferino - O crime metódico. Ed. Inova Limitada - pg.86-87

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Unidades militares punitivas russas





Unidades militares punitivas - unidades do Exército, no qual em tempo de guerra,  são enviados como castigo soldados que cometem crimes (exceto crimes graves para os quais se baseia a pena de morte ).

Unidades militares punitiva existiam sob a forma de batalhões punição e companhia penal. Na força aérea por um curto período de tempo, houve esquadrão punitivo.

Além do Exército Vermelho, unidades punitivas estavam nas forças armadas de outros estados.


Unidades militares penais na URSS


As unidades penais existiram no Exército Vermelho a partir de 25 julho de 1942 à 06 de junho de 1945; foram dirigidas para as partes mais difíceis da frente, para dar a possibilidade dos batalhões penais "de pagar com sangue à Pátria"; ao mesmo tempo, foram inevitáveis perdas de pessoal.

A primeiro unidade penal empregada foi durante a Segunda Guerra Mundial, onde foi formado no Exército um batalhão penal independente, no 42º Exército da Frente de Leningrado - foi em 25 de julho de 1942, três dias antes da famosa Ordem № 227 . Como parte do 42 º Exército, lutou até 10 de Outubro 1942, e foi dissolvido. A unidade penal mais recente, o 32 º batalhão penal independente do 1º Exército de Choque, se desfez à 06 de junho 1945.

Durante todos os anos da Segunda Guerra Mundial, através de unidades penais teve ter passado, de acordo com algumas fontes, 427.910 pessoas. Se considerarmos que por toda a guerra passou pelo exército 34.476.700 pessoas, a percentagem de soldados e oficiais do Exército Vermelho que passaram por unidades penais para todo o período da Grande Guerra Patriótica, era cerca de 1,24%.

Por exemplo, em 1944, a perda total do Exército Vermelho (mortos, feridos, presos, doentes) - 6.503.204 pessoas, das quais o penais - 170 298. Total em 1944, o Exército Vermelho tinha 11 batalhões penal de 226 pessoas cada um, e a 243 companhias penais de 102 pessoas cada. O número médio mensal no Exército de companhia penais, em 1944, em todas as frentes variou 204-295. O ponto mais alto o número diário no Exército de companhia penais (335 boca) foi alcançada por 20 de julho de 1943.

Batalhão penal avança em reconhecimento sobre fogo inimigo
Batalhão penal

Batalhão penal (Batalhão de Processo Penal) -  Unidade penal com a categoria de batalhão .

De soldados do Exército Vermelho foi até oficiais de todas as armas, militares ou condenados por crimes comuns. Estas unidades foram formadas sobre as ordens do Comissário de Defesa do Povo da URSS № 227 de 28 de julho de 1942 na gama de frentes em uma quantidade de 1-3 (dependendo da situação). Eles somavam  800 pessoas. O batalhão penal  era comandado por oficiais regulares.


Companhia penal

Companhia penal - Unidade penal com na categoria de companhia .
Dentro do Exército em quantidades 5-10 (dependendo da situação). Eram 150-200 pessoas. Comandado por oficial regular.

Esquadrão aéreo penal


Esquadrões penais foram criados em todas as frentes, sendo 3 esquadrões, para os pilotos que tenham manifestado, covardia, sabotagem e egoismo. Existiu desde o verão de 1942 até o final de 1942. Com duração de cerca de 1,5 meses. "O segredo" dos documentos sobre assuntos penais e esquadrões penais foi retirada em 2004.


Estado das unidades  punitivas militares

O pessoal do batalhão penal eram divididos em composição variáveis e constante. Composição variável representou diretamente nos batalhões penais os que estavam na unidade temporariamente, até o término da sua pena (até 3 meses), transferidos para uma unidade comum, pela sua bravura, quer por lesão. A composição constante eram os comandantes do pelotão e, sobretudo, os nomeados de entre oficiais de carreira, os trabalhadores políticos e trabalhadores efetivos (comunicadores, funcionários, etc) e pessoal médico.

Pessoas, dentre os membro permanentes de uma unidade de punição eram compensados por uma série de benefícios - para a reforma do serviço, um mês é contado como seis meses de serviço, e os funcionários recebem um maior subsídio (comandante do pelotão para receber rublos, mais 100 do que suas contrapartes no lado normal) e um aumento da oferta de certificado de alimentos e era comum receber aumento da oferta de alimentos.

O tamanho do batalhão penal em numeros era de 800 homens, e companhia penal  200.


Motivos para envio para as unidades militares punitivas

A base para o envio de um técnico a uma unidade militar penal era a ordem do comando, em conexão com violação da disciplina militar ou ao veredicto do tribunal para a mobilização de forças militares ou  crime comum (exceto para o crime pelo qual a punição era a pena de morte).

Como pena alternativa foi permitido na área da companhia penal,  civis que tenham sido condenados por um tribunal e com uma sentença judicial por prática de pequenos crimes e crimes moderadamente comuns. Pessoas condenadas por crimes graves e de crimes contra o Estado, cumprindo pena na prisão. 

Há uma percepção de que, em batalhões penais eram enviados as pessoas que cumpriam penas por crimes graves e de crimes contra o Estado (os chamados "políticos"). Esta declaração tem uma certa razão, pois houve casos da direção na unidade dar sanção "política" a prisioneiros (em especial, em 1942, quando na 45ª   companhia penal foi enviado um condenado em 1941 por 5 anos nos campos, de acordo com 58ª artigo, Vladimir Karpov, que mais tarde se tornou o herói da União Soviética e um escritor famoso). Ao mesmo tempo, nos termos em vigor na época, normas que regulam o procedimento para o envio de uma parte punitiva na aquisição de partes de uma determinada categoria específica de pessoas não foi prestada . Uma pessoa que já está cumprindo pena na prisão, de acordo com a operação no momento do "Código de Processo Penal"  e do "Campo de Trabalho Forçado"  foram obrigados a servir o seu tempo apenas em instituições penais. Como exceção, a pedido pessoal do Comissário do Povo dos Assuntos Internos L. Beria, uma pessoa entre os condenados que cumprem penas em campos de trabalho, colônias de povoamento, independentemente do tipo (exceto os condenados por crimes graves e hediondos e de governo), pode ser perdoado ou ter liberdade condicional por comportamento exemplar, e cumprindo um plano, em seguida recrutados para o exército regular. Da mesma forma, não poderiam ser enviados para os batalhões penais cumprindo uma sentença de " ladrões" .

Motivos para a liberação dos militares de unidades penais

Os motivos para a libertação de pessoas que cumprem penas em unidades militares penais, foram:

- Pena cumprida (não mais de três meses).
- Obtidos pelos militares, servindo na sua sentença de lesões, moderada ou grave que requer hospitalização.
- Resolução do Conselho Militar, a pedido do comandante da unidades militares punitiva sob a forma de promoção para os militares, que têm demonstrado coragem e bravura.



Traduzido por: avidanofront.blogspot.com
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