quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Extrato de uma intervenção do Reichsleiter Rosenberg sobre os objetivos políticos da Alemanha na guerra futura contra a URSS e sobre os planos de desmembramento desta ultima

Reichsleiter Alfred Rosenberg.


 20 de Junho de 1941

...Existem duas concepções opostas sobre a politica alemã a Leste: a política tradicional, e a outra, que, na minha opinião, devemos representar; uma decisão afirmativa ou negativa a respeito desta concepção determinará a marcha dos acontecimentos nos séculos futuros.

Segundo um dos pontos de vista, a Alemanha iniciou o último combate contra o bolchevismo, e este combate, militar e político, deve ser travado até ao fim. Depois, será a época de uma nova organização de toda a economia russa com a com a Rússia nacional renovada.

Esta união formará no futuro um bloco continental invencível.

Será uma união integral porque a Rússia é um país agrícola e a Alemanha um pais industrial, podendo por essa razão opor-se ao mundo capitalista. Era a opinião de numerosos meios. Há vinte anos que sou adversário declarado desta ideologia...

...Presentemente não pretendemos uma «cruzada» contra o bolchevismo unicamente para libertar para sempre «os pobres Russos» do bolchevismo, mas para realizar uma política alemã mundial, para conquistar a segurança do Reich alemão. Queremos resolver não só o problema momentâneo do bolchevismo, mas também os problemas que ultrapassam este fenômeno temporário e que são a essência primeira das forças históricas européias. Deste modo, devemos criar hoje, sistematicamente, a nossa situação futura. A guerra com o fim de formar uma Rússia indivisa está fora de causa. A substituição de Stalin por um novo czar ou o aparecimento neste território de outro chefe nacional mobilizaria ainda mais todas as forças contra nós. Em vez desta idéia até hoje generalizada de uma Rússia unida surge uma concepção totalmente nova do problema do Leste...

Parece-me que a nossa política deve ser orientada de maneira a aproveitar inteligentemente o desejo de liberdade de todos estes povos e dar-lhes estruturas estatais determinadas, quer dizer, separar do enorme território soviético as formações estatais e voltá-las contra Moscou libertando assim durante séculos o Império alemão da ameaça do Leste.

Quatro grandes blocos nos devem proteger e fazer avançar a Europa pelo Leste dentro:

1 -A grande Finlândia
2 -Os países bálticos
3 - A Ucrânia
4 - O Cáucaso...

Não há razão para que esta submissão seja uma lei divina eterna. A política alemã para com os russos consiste em fazer regressar a Moscóvia primitiva às suas velhas tradições e de a voltar para o Leste. Os espaços da Sibéria são enormes e férteis na parte central. Numerosos revolucionários deportados para a Sibéria pelo governo czarista eram homens corajosos. Os regimentos siberianos eram considerados os melhores do Estado russo. Mesmo se expulsarmos os russos destes espaços que não lhes pertencem, ainda lhes restará uma superfície muito maior que a de qualquer povo europeu.

O fornecimento de víveres ao povo alemão durante estes anos será a mais importante exigência alemã ao Leste. As regiões meridionais e o Cáucaso do Norte deverão constituir reservas de víveres para o povo alemão. Não tomamos nenhum compromisso de alimentar o povo russo com os produtos provenientes destas regiões. Sabemos que é uma dura necessidade que ultrapassa a medida de todos os sentimentos. É certo que será necessário proceder a uma grande evacuação, e anos muito duros esperam os Russos. Mais tarde será decidido se se devera manter a indústria (fábricas de construção de material ferroviário, etc.). Para o Estado alemão e para o seu futuro a realização desta política em território russo é uma enorme tarefa política que, ao contrário do que à primeira vista pode parecer, só é negativa se nela se vir somente a dura necessidade da evacuação. A orientação do dinamismo russo para Leste é uma tarefa que exige homens de carácter decidido. É possível que a futura Rússia aprove estas decisões, não nos próximos 30 anos, é claro, mas 100 anos mais tarde, pois a luta no curso destes dois últimos seculos dilacerou a alma russa... Se os russos estão agora isolados do Ocidente, recordar-se-ão talvez da sua força inicial e da terra a que pertencem. É possível que daqui a alguns séculos algum historiador veja esta decisão de uma diferente da de um russo atual.

Em breve vos mostrarei os limites destes quatro comissariados do Reich, sob a reserva que o führer os aprove. Tomou-se em consideração os objetivos políticos, as nacionalidades e os limites administrativos atuais da Uniäo Soviética, que não podem ser imediatamente modificados. 

O comissariado do Reich dos países bálticos será cornposto de quatro comissariados gerais (três deles chamar-se-ão Landeshauptmannschaften), que por sua vez seräo sub-divididos. Os seus limites passarão a oeste de Petersburgo, ao sul de Gatchina, perto do lago Ilmen, e depois para o sul, 250 quilômetros a oeste de Moscou ate ao limite da população ucraniana. A fronteira passará muito para leste, por um lado, pois estas regiões são habitadas pelos restos dos velhos povos estónio e letão, e, por outro lado, será mais racional pois estamos a encarar uma séria germanizaçäo da parte ocidental dos países bálticos e a regeneração do sangue. Entre a Estónia própriamente dita e a Rússia será criada uma zona povoada por Estónios e Letões que executam conscienciosamente as suas obrígações e cujos interesses vitais estão ligados à Alemanha, pois um ataque qualquer vindo da Rússia significaria a sua perda. (O traçado definitivo das fronteiras será evidentemente feito pelo Estado-­Maior geral das forças armadas de acordo com as exigências estratégicas). Junto à fronteira ficará a Bielorússia como lugar de concentração de todos os elementos perigosos do ponto de vista social e que será considerada como uma reserva. Com o tempo esta região obterá uma certa autonomia. À diferença da Estónia, da Lituânia e da Letónia, que serâo Landeshauptmannschaften, a Bielorússía chamar-se-á Comissariado geral.

Este Comissariado do Reich ocupará uma superficie de 550.000 km² com uma população de 19,3 milhões de habitantes.

As fronteiras da Ucrânia rodearão a Ucrânia pròpriamente dita, incluindo as regiões de Kursk, Voroneje, Tambox, Saratov. Há já varíos anos encarreguei os meus serviços de preparar cartas etnográficas de todo o Leste. Estabelecemos aproximadamente os limites etnográficos. A região das terras negras que é a mais fértil da Rússia pode ficar ligada ao governo ucraniano, mas não é essa a solução definitiva do problema.

A Ucrânia será dividida em oito comissariados gerais com vinte e quatro comissariados principais. Ocupará urna superfície de 1,1 milhão de quilómetros quadrados com uma população de 59,5 milhões de habitantes.

No Cáucaso, as fronteiras passam a leste do Volga, e depois ao sul de Rostov. As outras fronteiras de Estado que outrora existiam seguem ainda ao longo da Turquia e do Irã.

Este território tem uma superfície que ultrapassa os 500.000 quilometros quadrados e 18 milhões de habitantes. Será dividido em seis comissariados gerais.

O restante território formará a Rússia pròpriamente dita. Tem uma superficie de 2,9 milhöes de quilômetros quadrados com uma populaçäo de 50 a 60 milhöes de habitantes.

As regiões assinaladas ao alto a branco, säo pouco povoadas. Aquilo que é necessário fazer para dirigir e conservar certas regiões constitui uma tarefa que a nossa geração provavelmente não poderá resolver definitivamente, pois será assunto para vários séculos...

A vinte de Abril do ano corrente, o führer nomeou -me seu delegado direto para a resoluçäo dos problemas do espaço de Leste. É possível que em vez do cargo de delegado seja criada uma administração com missões jurídicas e estatais determinadas.

De momento, não é possível determinar e enumerar os postos de serviço, mas podem ser considerados como resolvidos os elementos seguintes:

1. Eu sou delegado para impor a ordem no Leste.
2. Os quatro comissários do Reich receberão diretrizes da minha parte.
3. Todo o comando na região é assegurado pelo comissário do Reich.

É evidente que isto não colide com as prerrogativas do marechal do Reich, delegado do plano quadrienal. Os comissários do Reich serão os representantes da soberania do Reich alernão e, como adjuntos, terão quatro chefes militares nomeados pelo führer. Os outros problemas gerais e particulares serão resolvidos pelo führer.

Eu nomearei representantes no Estado-Maior geral das forças armadas e no estado-maior do exército, assirn como nos grupos de exércitos, para participar no exame da futura situação politica. Peço que me transmitam as pretensões das outras administrações relativas asquestões que acabo de abordar...

Temos pois diante de nós dois objetivos gigantescos:

1. Assegurar o abastecimento de víveres e a economia de guerra da Alemanha. É esta a grande missão do marechal de Reich.

2. Libertar para sempre a Alemanha de qualquer pressão política proveniente do Leste. É este o objetivo político da luta. Este objetivo será atingido graças a uma política inteligente que analise com exatidão o passado e o presente. A realização de tal politica exige ideias e ações claras e firmes, Toda a ação deve orientar-se para a realização dos dois objetivos. A colaboração benévola de todos os que querem seguir a Alemanha é a garantia de que serão facilmente conseguidos sucessos economicos para o bem estar das duas partes...

Não nos deixemos embalar por ilusões. Trata­-se de um país primitivo e os nossos soldados encontrarão condições muito diferentes daquelas a que estão habituados na Europa. Não encontrarão bancos, nem bons hotéis, nem camas, mas habitações parcialmente destruídas e casas sem conforto. Terão que arranjar tudo o que é necessário a homens cultivados. Todos os homens que forem para este pais devem saber que servem uma missão gigantesca e que aceitaram anos de trabalho colonizador muito duros.

É evidente que a lei considera 1 ano de trabalho no Leste equivalente a 4 ou 5 de trabalho no Reich. Este trabalho difícil deve ser apoiado por todos os meios. Mas pensamos que uma vez realizado terá reflexos durante muito tempo e que, praticamente, a Europa avançará cada vez mais para Leste.Gostaria uma vez mais de vos exprimir o meu reconhecimento pelo apoio que me foi dado durante estas semanas.

Todos os que partem para esta tarefa encarregam-se de um pesado fardo, que aceitam porque que estão a servir a idéia politica do nacional-socialismo, a reorganizaçäo definitiva do nosso velho continente. Se todos nós servirmos esta missão comum, ajudaremos o führer a realiza a grande obra da sua vida.


(O original alemão encontra-se nos Arquivos Centrais da U. R. S. S. sobre a Revolução de Outubro, fundo 7445, registro 2, dossier 144, folhas 330 a 352.)


Notas:
1 - Alfred Rosenberg, um dos chefes e ideólogos do fascismo, tinha a seu cargo desde julho de 1941 o ministério para as regiões ocupadas do Leste, criado com a missão de submeter os povos da URSS.

Transcrição: Daniel Moratori ( avidanofront.blogspot.com)

Fonte: COELHO, Zeferino - O crime metódico. Ed. Inova Limitada - pg.15-22

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Regimento Brandenburger - As Forças Especiais do III Reich



Numa época em que a expressão Forças Especiais ganha cada vez mais espaço, não só entre os militares, mas também na mídia, é interessante examinarmos os feitos de uma das primeiras unidades militares a agirem como tal.
Dentro da mística que envolve as Forças Armadas Alemãs durante a II Guerra Mundial, conhecemos os nomes de unidades famosas como o Afrika-Korps, as temidas Waffen SS, as unidades Panzer ( blindadas ) e os Fallschirmjaeger ( Pára-quedistas). Porem fora do âmbito militar, quase ninguém ouviu falar de uma das mais espetaculares unidades militares da II Guerra, não ficando a dever nada a seus companheiros mais famosos.

Trata-se do Regimento Brandenburg, criado como braço armado da Abwehr, o Serviço de Inteligência Militar alemão, e com a finalidade especifica de operar atrás das linhas inimigas, numa mistura de comandos e unidades de sabotagem. Seus sucessos tornaram-se lendas dentro do Exercito Alemão e de outros que estudaram seus feitos.


Fundação do Brandenburger Regiment Abwehr II 25 de Outubro de 1939.
Desmobilização Oficial 11 de Setembro de 1944
Quartel/General Berlin ( Generalfeldzeugmeister/Kaserne)
Unidades em Rathenow/Havel ( aerotransportados)
Admont/Stelemark (Montanha)
Swinemunde( raids fluviais e costeiros).
Pessoal 320 em Outubro de 1939 
Divisão completa com várias unidades independentes em 1944.


A expressão Brandenburger (homens de Brandenburgo) é usada aqui para designar uma unidade de forças especiais do Exercito Alemão, que foi continuadamente alterada em sua composição durante sua curta historia.

Esta unidade tem suas origens em diversas pequenas formações secretas que operaram nos estágios iniciais da guerra, notadamente nas invasões da Tchecoeslováquia e da Polônia. Consistiam principalmente de homens nascidos e criados em minorias raciais alemãs nestes paises, e operavam atrás das linhas inimigas, antes da chegada das forças regulares.

Diferente das Waffen SS, que buscavam a aparência superior ariana, altos, louros e de olhos azuis, os Brandenburger eram escolhidos justamente por características físicas que não os fizessem chamar a atenção em território inimigo.

A essência de seu sucesso era principalmente a capacidade de misturarem-se com a população local, tornando-se invisíveis aos olhos das forcas inimigas, o que permitia seu deslocamento e o cumprimento de suas missões.

A forca impulsionadora por trás da criação dos Brandenburger foi o Almirante Wilhelm Canaris, chefe da Abwehr (Serviço de Inteligência Militar) que operava sob as ordens da Wehrmacht. O Abwehr Abteilung II/Ausland, departamento responsável por operações, inteligência e sabotagem alem das fronteiras alemãs, criou a Verwendung 800, (companhia de construção e treinamento para missões especiais 800), pouco antes do inicio das hostilidades, incorporando homens de outras unidades e voluntários. A unidade logo tornou-se uma valiosa ferramenta para a Abwehr. O comando operacional continuava nas mãos da Wehrmacht, embora muitos oficiais transferidos para lá não tivessem a mínima idéia do que era e o que fazia a Verwendung 800.

Von Canaris (centro) e Von Hippel (a direta, com o capacete), inspecionam uma unidade Brandenburger.

No inicio, cada membro deveria ser fluente em pelo menos uma língua estrangeira, e treinado em operações militares especiais.O treinamento era feito numa área pertencente a Abwehr, perto de Berlim, onde também eram treinados espiões e sabotadores. O currículo concentrava-se em línguas estrangeiras, demolições, comunicações, penetração em território inimigo em segredo, incluindo por pára-quedas, e táticas de combate de pequenas unidades. Mais tarde, surgiram cursos de equitação, direção e pilotagem. Familiarização com armas incluía todas as armas não-alemãs, desde pistolas a tanques Sherman e T-34. Alguns homens eram pilotos, e numa ocasião na África do Norte, usaram um Spitfire inglês capturado para vôos de observação. Outros receberam instrução especializada nos laboratórios da Abwehr em Berlim-Tegel, onde aprenderam a lidar com equipamentos secretos, como detonadores de tempo, explosivos plásticos, documentos falsificados, disfarces, etc.



Unidades Básicas


1.zbV Deutsche Kompanie - Formada por alemães raciais, notadamente gente do Leste da Europa, Sudetos e Silesia. Alem do alemão, deveriam ser fluentes nos idiomas e dialetos falados nestas regiões. Foram usados com sucesso na defesa dos poços petrolíferos de Ploesti, na Romênia, contra sabotagens aliadas.


2. zbV 800 Brandenburg - Alemães raciais, possuía quatro companhias, um pelotão de motociclistas, um pelotão de pára-quedistas, e outras unidades especializadas, como a Cia. Afegã, fluente em farsi, pushtu e urdu.


3. BaltenKompanie - Alemães étnicos da Estônia, Finlândia, Letônia, Ucrânia e Rússia. Todos deviam falar fluentemente o russo.

4. Cia formada por homens que tinham vivido fora da Alemanha, especialmente na Península Ibérica ou na África. Todos falavam Inglês, Francês, Português ou dialetos africanos, especialmente swahili.


5. Sudetendeutsche - Fluentes em tcheco.


6. Oberschlesier Kompanie- Fluentes em polonês.

Mais tarde, foram agregadas novas unidades, formadas por voluntários ucranianos, alem de voluntários fluentes em árabe e romeno.

Uma companhia (a 15a) foi formada por 127 dos melhores esquiadores da Alemanha, inclusive um Medalha de Ouro das Olimpíadas de 1936, e recebeu treinamento especializado para operar na extensa região do Circulo Ártico, que forma a área de fronteira russo-finlandesa, especialmente nas cercanias do porto russo de Murmansk. Esta unidade foi a responsável por um dos mais espetaculares raids do Front Leste. Guiados por finlandeses, os Brandenburger atravessaram os piores pântanos da Europa, durante duas semanas, assolados por milhões de mosquitos e outros insetos, pesadamente carregados com armas, explosivos, barcos e mantimentos, para atingirem a famosa ferrovia de Murmansk, por onde escoava todo o material de guerra enviado pelos Aliados aos russos.

Alemães do Comando  Brandenburger vestidos como soldados soviéticos durante a operação Barbarossa
Brandenburger - Barcos de assalto em uso


Minaram a linha numa dúzia de lugares, preparados para explodirem aleatoriamente, durante uma semana, o que forçou os russos a despenderem enormes esforços em homens e material para manterem a linha aberta. Quando os russos se deram conta de que as explosões eram sabotagem, e não acidentes, mandaram tropas da NKVD (antiga KGB) para a região, e numa ocasião estes abriram fogo indiscriminado contra uma multidão de soldados russos e civis que tinham vindo ver o que acontecia, por medo de sabotadores, causando um verdadeiro massacre.

No verão de 1942 foi criada uma companhia de raiders, para operações fluviais e ribeirinhas, formada por voluntários do Cáucaso. Sua área de atuação eram os inúmeros rios, lagos e córregos do Front Leste. A Brigada Árabe lutou a partir de 1940 no Líbano, Síria, Iraque e Irã, e mais tarde no Cáucaso, contra os russos, com aliados curdos.

A Legião Árabe operava basicamente na Tunísia, contra os franceses. A partir de Maio de 1943, surgiram a Legião Montenegrina e a Legião Muçulmana, ambas formadas por Albaneses, Bósnios, Macedônios e Montenegrinos de fé islâmica. Combateu principalmente nos Bálcãs, caçando guerrilheiros.

A Asad Índia (Índia Livre) era uma unidade de tamanho regimento, formada por voluntários indianos e prisioneiros de guerra. Treinada na Alemanha, uma parte foi atuar na Índia contra os ingleses, enquanto a outra serviu na Alemanha em unidades antiaéreas.


1-Insígnia divisional do batalhão

2-Insígnia da Compania Tropical Koenen

3-Insígnia Divisional de Veículos - combinando a águia de Branderburg com o capacete da Grossdeutschland Panzer Corps.

4-Insígnia do batalhão de paraquedistas.


Equipamento 

No inicio, os Brandenburger foram equipados com armamento já não mais utilizado pela Wehrmacht. Usaram submetralhadoras Schmeisser MP28/II e Steyr MP16, armas obsoletas para os padrões da Wehrmacht. Mais adiante, quando seu desempenho passou a ser notado, passaram a receber armas e equipamentos conforme pedidos especiais, como submetralhadoras MP40 e pistolas equipadas com silenciadores. Preferiam as pistolas Luger P.08 em lugar das mais modernas Walther P.38, pois a precisão das P.08 era superior, porém na prática usavam muito mais equipamento inimigo do que propriamente alemão.

Especialmente no front russo, onde as PPSh M41 russas e as Suomi M.1931 finlandesas estavam sempre presentes, unidades inteiras de Brandenburger eram armadas com equipamentos inimigos.

Usaram também submetralhadoras inglesas Sten Mk.IIS silenciadas, capturadas dos estoques lançados pela RAF para a resistência. Em missões de longa penetração em território inimigo, os homens recebiam uma pílula de veneno, para evitarem a captura.

Operações típicas incluíam reconhecimento de longo alcance, destruição de objetivos e proteção de centros de comunicação, pontes e suprimentos, como refinarias e depósitos. Eram também usados para criar cabeças-de-ponte pela inserção via terrestre, pára-quedas, lanchas rápidas ou submarinos, além de outras missões especificas, a critério do comando. O homens normalmente operavam disfarçados, usando roupas, armas e veículos do inimigo.

Os Brandenburger foram usados todas as frentes onde os alemães lutaram. Operaram na Dinamarca e Noruega, durante a invasão destes paises; Finlândia, em conjunto com tropas finlandesas, em alguns dos mais espetaculares raids da guerra; na Espanha (Plano Félix, a projetada tomada de Gibraltar); Franca, Bélgica, Holanda, Inglaterra (na preparação da abortada Operação Seelowe); Itália, Grécia (especialmente no ataque aerotransportado a Creta); Romênia (onde defenderam os poços e refinarias de petróleo de Ploesti de sabotagem), Bulgária, Iugoslávia e Bálcãs, Rússia, Líbia (como parte do Afrika-Korps), Tunísia, Egito, Jordânia, Síria, Irã (fomentando um levante contra a ocupação inglesa), Iraque e outros paises do Oriente Médio, Afeganistão, Índia e África do Sul.

O tamanho das unidades variava de acordo com a missão, de grupos de 2 homens ate unidades de mais de 300 homens. Uma esquadra tinha doze homens. Métodos de inserção variavam, alguns de forma bizarra - o vôo da Cia. Afegã (cerca de 20 homens) via avião comercial neutro da Áustria ao Afeganistão, levando cerca de duas toneladas de equipamento, incluindo um canhão AA Flak 30 desmontado, dentro de trinta malas diplomáticas!

Outra jogada interessante foi a inserção em 1940 de cinco homens via submarino na África do Sul, para provocar um levante das tribos contra o domínio branco.

Embora o Almirante Canaris e outros lideres da Abwehr acreditassem haver criado uma espécie de exercito privado, logo se desiludiram - muitos membros desta unidade, embora não necessariamente fanáticos e leais a Hitler e sua ideologia nazista, eram extremamente patrióticos e nacionalistas. Inúmeros viviam no exterior quando a guerra começou, e partiram para a Alemanha em perigosas e aventurescas viagens, rompendo o bloqueio marítimo inglês, apenas para servirem seu Pais. Estes homens não eram leais ao chefe da Abwehr, mas apenas a seu Pais e seus comandantes de unidade. Lutaram pela Alemanha, e não pelo Partido Nazista em geral ou os desejos do Almirante Canaris, em particular. Em 1943, quando a unidade foi elevada ao status de divisão, sua missão foi mudada para a de serem uma força sempre disponível, pronta a resolver problemas urgentes e de difícil sucesso, sob as ordens diretas do Alto Comando do Exército (OKH).

Homens de Batalhão Ebbinghaus posa para uma foto. De uniforme, o Oberleutnant Dr.Herzner. Polónia, Setembro de 1939
No verão de 1941, a imagem mostra uma ponte sobre um rio no setor norte da frente oriental, que é tomada intacta e protegida por uma flak 2cm e um tanque.
Após o fracassado atentado contra Hitler em 1944, as operações da Abwehr foram delegadas ao SD, pois rapidamente foi provado que o Almirante Canaris estava envolvido. Em tempo, foi preso, condenado e executado. Em setembro de 1944, decidiu-se que a Divisão Brandenburger não era mais necessária, sendo então transformada numa simples divisão motorizada da Wehrmacht, embora cerca de 1800 homens tivessem se juntado a Otto Skorzeny e seu Jagdverbande, unidade com missões similares aquelas da Divisão Brandenburger. Alguns destes homens estavam entre os da Brigada 150, que na ofensiva das Ardenas foram enviados para missões atrás das linhas aliadas, causando verdadeiro caos, e criando a idéia, até hoje não provada, de que tinham como missão assassinar o General Eisenhower, Comandante-em-Chefe Aliado na Europa. Eventualmente, foram capturados e executados como espiões e sabotadores, pois usavam uniforme aliado, o que lhes negava o direito de apelarem para a Convenção de Varsóvia sobre o tratamento de prisioneiros de guerra.

Quando a guerra terminou, alguns dos sobreviventes com bom domínio de inglês foram absorvidos pelos Comandos Britânicos, e receberam mais tarde documentos britânicos. Muitos emigraram para a África, a serviço dos ingleses, enquanto outros juntaram-se à Legião Estrangeira Francesa. Lutaram com bravura ao lado de seus ex-inimigos, especialmente na Indochina e na Argélia.

A história de seus feitos merece ser melhor contada, pois suas teorias e experiências práticas forneceram a base da formação de modernas unidades de Forças Especiais, como os SEALs da US Navy e muitos outros ao redor do mundo.

Os russos, sempre atentos às novidades, usaram muito do conhecimento aprendido dos Brandenburger em missões de "imersão" entre populações estrangeiras, para criarem técnicas aplicadas por suas famosas unidades Spetznaz.

Literatura recomendada:
Twilight Warrios - 22Book, England
Corpos de Elite - Editora Abril


Materia: Fernando Diniz - Especialista em Armas e Tropas Especiais
Fonte: http://www.defesanet.com.br/sof/brandenburgo/ (Fonte original)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Simo Häyhä - O Morte Branca

Simo Häyhä em 17 de fev. de 1940 recebendo seu rifle
 honorário modelo 28, durante a Guerra de Inverno.
Simo Häyhä (17 de dezembro de 1905 – 1 de abril de 2002) apelidado de "Morte Branca" ou "Provocador" pelo exército soviético, foi um soldado finlandês e o mais eficiente franco-atirador da história.


Biografia - Juventude e serviço na guerra

Häyhä nasceu na cidade de Rautjärvi, próxima à atual fronteira entre a Finlândia e a Rússia. Fazendeiro de profissão, cumpriu o serviço militarobrigatório de um ano em 1925, sendo convocado em 1939 após a eclosão da Guerra de Inverno entre a Finlândia e a União Soviética. Estacionado na área norte do Lago Ladoga, passou a servir como franco-atirador.

Trabalhando em temperaturas que iam dos −20 aos −40 graus e usando uma camuflagem totalmente branca, Häyhä é creditado por mais de 500 mortes confirmadas de soldados soviéticos. Uma contagem diária de baixas era feita no campo de batalha de Kollaa, e os relatórios não-oficiais finlandeses estimam em 542 o número de mortes atribuído a ele.

Häyhä usou uma variante do rifle soviético Mosin-Nagant, pois se adequava a sua baixa estatura. Para não se expor em seus esconderijos, ele preferia usar miras comuns ao invés das telescópicas, pois com esta última o atirador deve erguer um pouco a cabeça, além de haver o risco dalente refletir a luz do sol. Outra tática usada por Häyhä era compactar a neve à sua frente para que o tiro não a soprasse, revelando sua posição. Ele também colocava neve na boca, escondendo assim quaisquer sinais que sua respiração pudesse provocar.

Novamente, Simo Häyhä em 17 de fev. de 1940 

Além das mortes como franco atirador, Simo Häyhä foi creditado também por abater mais de duzentos soldados inimigos com uma metralhadora Suomi M-31 SMG, elevando assim sua marca para 705 mortes. Este fato, no entanto, nunca foi comprovado. A marca de mais de 500 mortes foi alcançada num período de 100 dias, com Häyhä atingindo o número recorde de 5 por dia, praticamente uma morte a cada hora do curto dia de inverno.

O exército soviético tentou executar vários planos para se livrar dele, incluindo contra-ataques com franco atiradores e assaltos de artilharia, até que em 6 de março de 1940 Häyhä foi atingido por um tiro na mandíbula durante combate corpo-a-corpo. Com o impacto, o projétil girou e atravessou-lhe o crânio. Ele foi resgatado por soldados aliados, que disseram "faltar metade de sua cabeça". Ficou inconsciente até 13 de março, um dia após a assinatura do tratado de paz que pôs fim ao conflito. Pouco depois, Häyhä foi promovido de cabo a primeiro-tenente pelomarechal-de-campo Carl Gustaf Emil Mannerheim. Nenhum outro soldado jamais conseguiu uma escalada de posto tão rápida na história militar da Finlândia.


Simo promovido em 28/08/1940
Velhice

Häyhä levou vários anos para se recuperar do ferimento. A bala, provavelmente explosiva, havia quebrado sua mandíbula e arrebentado suabochecha esquerda. Apesar de tudo, ele se recuperou totalmente, tornando-se caçador de alce e criador de cachorros após a Segunda Guerra Mundial.


Em 1998, ao ser perguntado sobre como conseguiu se tornar uma atirador tão bom, ele respondeu, "prática". Questionado se tinha remorsos por ter matado tantas pessoas, ele disse, "fiz o que me mandaram fazer, da melhor forma possível".

Simo Häyhä passou seus últimos anos em uma pequena vila chamada Ruokolahti, localizada no sudoeste da Finlândia, próxima à fronteira com a Rússia.


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Batalhão Nachtigall

O Batalhão Nachtigall , oficialmente conhecido como Grupo Especial Nachtigall, era uma subunidade sob o comando do Abwehr da unidade especial Lehr Regiment "Brandenburg" z.b.V. 800. Juntamente com o Batalhão Roland foi uma das duas formações militares formadas em 25 de Fevereiro de 1941 pelo chefe do Abwehr Wilhelm Franz Canaris, que autorizou a criação da "Legião Ucraniana" sob o comando alemão. A maioria dos seus membros eram os cidadãos da Polónia de origem ucraniana, leais à Organização dos Nacionalistas Ucranianos liderada pelo Stepan Bandera.

Em Novembro de 1941 na Alemanha o pessoal ucraniano da Legião foi reorganizado em 201° Batalhão Schutzmannschaft. O batalhão contava com 650 pessoas, que serviram um ano em Belarus, antes do desmembramento da sua unidade.

Muitos dos seus membros, especialmente os oficiais se juntaram ao Exército Insurreto Ucraniano, outros 14 membros se juntaram à SS-Freiwilligen-Schützen-Division «Galizien» na primavera de 1943.


Formação e treino


Na Primavera de 1941 a Legião Ucraniana foi reorganizada em duas unidades. Uma das unidades foi conhecida como Batalhão Nachtigall, a segunda unidade recebeu o nome de Batalhão Roland.

O Batalhão Nachtigall recebeu o seu treino na cidade de Neuhammer nos arredores de Schlessig. O seu comandante ucraniano era Roman Shukhevych e o comandante alemão Theodor Oberländer. Mais tarde, Oberländer tornou-se o Ministro de Imigração da República Federal da Alemanha. O Batalhão Nachtigall usava a uniforme padrão do Wehrmacht. Antes da sua entrada em Lviv, os soldados e oficiais colocaram a faixa azul – amarela em um dos braços.

Guerra contra a URSS

Quatro dias antes de ataque contra a URSS, o Batalhão aproximou-se à fronteira entre a Alemanha e URSS. Na noite de 23–24 de Junho de 1941, o Batalhão atravessou a fronteira nas arredores de cidade de Przemyśl e marchou até Lviv.

O Batalhão Nachtigall viajou na companhia da Divisão Panzer-Jaeger e alguns tanques do Batalhão seguiram em direção à Radymno-Lviv-Ternopil-Proskuriv-Vinnytsia.

Lviv

Como parte do 1° Batalhão Brandenburg, os primeiros soldados do Batalhão Nachtigall entraram em Lviv no dia 29 de Junho.

O Batalhão se encarregou de assegurar a guarnição de objetos estratégicos, como a estação de rádio na colina de Vysoky Zamok no centro de Lviv. À partir desta estação de rádio, foi proclamado o Acto de Independência da Ucrânia.

Os soldados e oficiais do Batalhão Nachtigall participaram e organizaram a Declaração da Independência da Ucrânia de 1941 proclamada pelo Dr. Yaroslav Stetsko no dia 30 de Junho de 1941. O capelão de Batalhão Ivan Hrynokh discursou no fim da proclamação da Independência. A administração alemã não apoiou a iniciativa, mas não desencadeou a repressão contra os ucranianos até os meados de Setembro de 1941.

A primeira companhia do Batalhão Nachtigall deixou Lviv juntamente com o Batalhão Brandenburg no dia 7 de Julho em direção de Zolochiv. Os restantes camaradas se juntaram a unidade durante a sua marcha até Zolochiv, Ternopil e Vinnytsia. A unidade participou nos combates na Linha de Stalin, onde alguns membros do Batalhão foram condecorados pelas medalhas alemãs.

Os alemães se recusaram a aceitar a proclamação da independência da Ucrânia do dia 30 de Junho de 1941, sob os auspícios de OUN(B). Como resultado, o Batalhão foi conduzido até Cracow e desarmado no dia 15 de Agosto de 1941. Mais tarde, juntamente com Batalhão Roland foi transformado em 201° Batalhão Schutzmannschaft.



Avaliação



O historiador russo Sergey Chuyev defende que OUN conseguiu o seu objectivo principal – os 600 pessoas receberem o treino e a experiência militar, tornando-se mais tarde os instrutores e comandantes do recém-formado Exército Insurreto Ucraniano.

Durante a sua história, o Batalhão Nachtigall teve 39 baixas e 40 soldados foram feridos.

Crontovérsia

Investigação Canadiana: Envolvimento do qualquer membro do Batalhão Nachtigall nos crimes de guerra não foi estabelecido. A Comissão Canadiana de Criminosos de Guerra em Canadá (Deschênes Commission) estudou as alegações contra os cidadãos residentes em Canadá e não pronunciou nenhum ex-membro do Batalhão Nachtigall. Além disso, concluiu, que as unidades que colaboraram com os nazis não deveriam ser indiciados como um grupo e mera participação em tais unidades não é suficiente para justificar o procedimento criminal.
Os documentos falsos daKGB na ação contra
Theodor Oberländer e Nachtigall ucraniano (1959)
Opinião Mundial: Uma Comissão Internacional sediada em Haia na Holanda em 1959 conduziu uma investigação independente. Os seus membros eram quatro ativistas anti-nazi, o advogado norueguês Hans Cappelen, ex – Ministro dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca e chefe do Parlamento dinamarquês Ole Bjørn Kraft, socialista holandês Karel van Staal, professor do Direito da Bélgica Flor Peeters e jurista e membro do parlamento suíço Kurt Scoch. Após as entrevistas com várias testemunhas ucranianas entre Novembro de 1959 e Março de 1960, a Comissão concluiu: "Após quatro meses de investigações e da avaliação de 232 declarações de testemunhas em todos os círculos envolvidos, pode ser estabelecido que as acusações contra o Batalhão Nachtigall e contra o Tenente e actual Ministro Federal Oberländer não estão baseados nos fatos."

Opinião Ucraniana: A prioridade principal do Batalhão foi a segurança de estação da rádio, jornais e a proclamação da Independência da Ucrânia.

O selo postal ucraniano (2007) em honra do Roman Shukhevych no seu 100° aniversário

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalh%C3%A3o_Nachtigall

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Relatório das operações de assassinatos e apreensões do chefe do Grupo Operacional B

Membros Einsatzkommando atirando em judeus em um campo em Dubossary, Moldavia. As armas são pistolas Mauser. 14 de setembro de 1941. Dubossary, a Moldávia, a URSS.
Extrato de um relatório do chefe do Grupo Operacional B, da Policia de Segurança e do SD sobre operações do grupo de 15 de novembro a 15 de dezembro de 1942¹

29 de dezembro de 1942

...IV. Operações de confiscação

Durante o período referido, o comando especial 7a, além de fardamentos militares russos, apreendeu 51 rublos, um posto de T.S.F. russo e varias caixas com munições russas. O comando especial 7c confiscou 2015 rublos e 71,10 marcos.

O comando operacional 8 apreendeu 99 rublos, dois anéis de ouro, 12 anéis (provavelmente de prata) e quatro pares de brincos de prata.

O comando operacional 9 confiscou quatro moedas de ouro de 1 rublo, dois anéis, 4000 rublos e 635,50 marcos. 

O destacamento da cidade de Smolensk apreendeu 416,21 marcos, 8395 rublos, 5 dolares, 11 zlotis e uma moeda de 50 kopecks.

Em todo território controlado pelo grupo operacional foram lançados por avião panfletos já conhecidos: Noticias da pátria soviética, um apelo à formação de guerrilhas, 10 mandamentos que todo soldado alemão deve saber, Noticias da frente, informações destinadas aos policiais e soldados do exército russo-alemão e varios jornais ilustrados em lingua alemã sobre a vida dos prisioneitos de guerra alemães. Informaram de Sitchovka a aparição de novos panfletos que contem extratos do livro do fuhrer Mein Kampf e do jornal Völkischer Beobachter assim como propaganda contra o recrutamento para o trabalho na Alemanha.

V. Tratamento especial²

Comando especial 7a - 160 pessoas, das quais:
14 judeus,
97 bandidos,
5 alienados,
44 outros inimigos do Reich.

Comando especial 7b - 86 pessoas, das quais:
15 judeus,
2 bandidos,
10 alienados,
59 outros inimigos do Reich.

Comando especial 7c - 530 pessoas, das quais:
17 judeus,
458 bandidos,
33 alienados,
22 outros inimigos do Reich.

Comando especial 8 - 376 pessoas, das quais:
51 judeus,
290 bandidos,
7 alienados,
28 outros inimigos do Reich.

Comando especial 9 - 1167 pessoas, das quais:
38 judeus,
1083 bandidos,
2 alienados,
44 outros inimigos do Reich.

Destacamentos de Smolensk - 108 pessoas, das quais:
19 judeus,
12 bandidos,
16 criminosos de direito comum,
61 outros inimigos do Reich.


Número total de pessoas submetidas a tratamento especial
Comando especial 7a                                        6.788
Comando especial 7b                                        3.816
Comando especial 7c                                        4.660
Comando especial 8                                        74.740R
Comando especial 9                                        41.340
Destacamento de Smolensk                               2.954
Total                                                             134.298

Notas:
1 - O grupo operacional B agia na retaguarda do grupo de exercitos Centro.
2 - Na linguagem dos ocupantes fascistas, as palavras "tratamento especial" designavam a execução.

(O original alemão encontra-se nos Arquivos Centrais da R.S.S. da Bielorussia sobre a Revolução de Outrubro, fundo 655, registro 1, dossier 3, folha 203.)

Transcrição: Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com

Fonte: COELHO, Zeferino - O crime metódico. Ed. Inova Limitada - pg.88-91

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Documento que teria apressado fim da 2ª Guerra é divulgado

Da BBC Brasil

Um documento mostrando que os nazistas tinham sido enganados por um espião duplo em um momento decisivo da Segunda Guerra Mundial foi divulgado no Reino Unido.

O memorando em alemão, interceptado e decodificado por agentes britânicos, confirmou que os alemães tinham acreditado em informações falsas recebidas de um espião espanhol e haviam concentrado suas tropas na região de Pas de Calais, na França, na expectativa de uma invasão britânica.

Isso permitiu que os britânicos seguissem em frente com a planejada invasão da Normandia, em junho de 1944, confiantes de que milhares de tropas alemãs estariam de prontidão em outro local, incapazes de reagir.

Segundo historiadores, a informação contida no memorando salvou vidas e teria apressado o final da Segunda Guerra.


'NENHUM JAMES BOND'

O documento, publicado em primeira mão pela BBC, revela a importância do papel desempenhado pelos especialistas britânicos que trabalhavam para decodificar mensagens secretas alemãs no famoso centro de Bletchley Park, no condado de Buckinghamshire.

Outra figura de destaque no incrível plano armado pelos britânicos para enganar Hitler nos dramáticos momentos que antecederam a invasão da Normandia foi um espanhol, Juan Pujol Garcia.

Pujol, conhecido pela inteligência britânica como Garbo, um homem de negócios de aparência comum, foi um dos mais eficientes espiões duplos da Segunda Guerra.

"Ele não era nenhum James Bond", disse Amyas Godfrey, especialista do Royal United Services Institute, envolvido em um projeto para disponibilizar digitalmente documentos históricos do arquivo de Bletchley Park.

"Era um baixinho calvo, tedioso e soturno, mas enganou completamente os alemães. Eles achavam que as informações que ele enviava eram absolutamente precisas."

Para nazistas, mensagens criptografadas

 pela Enigma não poderiam ser decodificadas

Os nazistas consideravam Pujol --a quem deram o codinome Alaric Arabel-- um dos seus mais importantes informantes. Eles acreditavam que o agente comandava uma rede de espiões e enviava informações cruciais para Berlim através de seu homem de confiança em Madri.

Na verdade, o espanhol trabalhava para os britânicos e quase toda a sua suposta rede de informantes era fictícia.

Para não ser desmascarado, Pujol enviava aos alemães várias informações genuínas. Mas no que se refere à aguardada invasão da França pelos aliados, a coisa era diferente.

Quando se preparavam para o crucial Dia D, o dia em que ocorreria a invasão, os britânicos puseram em ação a Operação Fortitude, um complô para confundir os nazistas sobre o local exato da invasão. Pujol era parte integral dessa operação.


PISTAS FALSAS

A partir desse momento, o espanhol passou a enviar informações fictícias, levando os alemães a acreditar que ataques críticos ocorreriam, com grande probabilidade, na região costeira de Pas de Calais.

Ele disse também que 75 divisões haviam sido reunidas na Inglaterra antes do Dia D, dando a entender que muitas tropas adicionais deveriam ainda desembarcar na França.

Os alemães acreditaram nas informações. O documento reproduzido pela BBC mostra que os relatos foram transmitidos ao alto comando nazista pelo contato alemão de Pujol.

Como resultado, tropas alemãs foram mantidas na região de Calais à espera dos ataques, impedidas de oferecer suporte na defesa da Normandia.

Tão importante quanto o fato de que tropas alemãs estavam concentradas longe do local da invasão foi o fato de que os britânicos sabiam que os alemães haviam sido enganados.


ENIGMA

Berlim não sabia que o código de sua máquina Enigma, usada para criptografar comunicados secretos enviadas pelos alemães, havia sido decifrado por especialistas poloneses.

Em Bletchley Park, cerca de dez mil pessoas trabalhavam decifrando as mensagens.

Quando o documento divulgado agora foi decifrado, os aliados tiveram a certeza de que podiam prosseguir com o plano de invasão, já que milhares de tropas alemãs estariam fazendo guarda em Calais.

"O século 20 poderia ter sido muito diferente se não fosse por isto", disse Kelsey Griffin, diretor de operações do museu de Bletchley Park.

"Nós tínhamos um exército de intelectuais desarmados aqui. "

Vários documentos estão arquivados no centro, intocados, há muitos anos.

O museu espera que, ao serem publicados na internet, os arquivos ajudem historiadores e público em geral a conhecer outros episódios empolgantes da Segunda Guerra Mundial.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Relato da execução em massa de judeus de Dubno

Sobreviventes do Holocausto se reúnem em uma vala comum, Dubno de 1945

Sir Hartley Shawcross, o Promotor-Geral inglês em Nuremberg, leu outro documentado que reproduzirmos textualmente.
Trata-se da declaração juramentada do engenheiro alemão Hermann Friedrich Gräbe, que trabalhou de janeiro de 1941 a janeiro de 1944 como gerente de uma sucursal da construtora Josef Jung Solinger, em Zdolbunow, na Ucrania polonesa. Uma das suas obrigações era visitar as obras que a empresa construía, entre elas  um conjunto de silos no antigo campo de aviação da aldeia de Dubno.

Quando a 5 de outubro de 1942 visitei nosso escritorio em Dubno - leu Sir Hartley Shawcross -  contou-me um dos empregados, Hubert Mönnikes ( de Hamburg-Haburg, Aussenmühlenweg 21), que perto do local onde estávamos construindo os silos tinham sido executados, em três grandes valas de uns trinta metros de comprimento e três de profundidade, os judeus de Dubno. Em média, foram executados 1500 pessoas por dia. Ao fim de tudo cerca de 5000 judeus residentes na aldeia tinham sido eliminados por este processo.

Inspecionei em seguida as obras, em companhia de Mönnikes, e por perto vi alguns montes de terra de uns trinta metros de comprimento por dois de largura. Defronte, vi caminhões dos quais uma milícia ucraniana, sob ordens de um SS, obrigava a descer homens e mulheres. Estes homens e mulheres levavam nas suas roupas um distintivo amarelo, o que imediatamente me fez reconhecer que eram judeus.

Mönnikes e eu nos aproximamos. Ninguém nos disse nada. Ouvimos várias descargas de fuzil soarem atrás de um dos montes. Os homens, mulheres e crianças que tinham chegado nos caminhões era obrigados a se despir e colocar à parte os seus ternos ou vestidos, peças intimas e sapatos. As ordens eram dadas por um oficial das SS que tinha na mão direita um chicote. Pelo que pude notar, devia haver entre oitocentos a mil pares de sapatos amontoados ao lado de grandes pilhas de roupas.

Sem gritos nem choros, aqueles seres humanos despiam-se, formavam grupos familiares, beijavam-se em despedida e esperavam o sinal de outro oficial  das SS que também tinha um chicote na mão. Durante o quarto de hora que permaneci ali não ouvi lamentações nem protestos. Observei uma familia de oito pessoas, constituída por um homem e uma mulher, ambos com seus cinquenta anos de idade, três crianças, que deviam ter um, oito e dez anos, e duas filhas entre vinte a vinte e quatro anos. Uma velha levava a criança de colo nos braços e cantava-lhe uma canção de ninar em voz baixa. O casal tinha os olhos cheios de lágrimas. O pai pegava a mão do menino mais velho e falava-lhe ao ouvido. O menino lutava para não chorar. O pai apontou para o céu, acariciou seu cabelo e pareceu explicar-lhe algo.

O oficial das SS gritou qualquer coisa para seus homens. Formou-se um pelotão e ordenou-se a um grupo de judeus que passassem para o outro lado do monte. A familia de que falei fazia parte do grupo. Lembro-me ainda que uma das moças, ao passar por mim, apontou para seu corpo e disse: Vinte e três anos.

Dei a volta ao monte e vi uma imensa vala comum. Só distinguiam as cabeças dos que já tinham caido nela. Calculei que havia uns mil cadáveres. Um dos oficiais das SS, com um metralhadora nas mãos, disparava de quando em quando uma rajada e fumava tranquilamente.

Aqueles homens e mulheres completamente nus desciam para a vala por degraus cavados na terra, e para ocupar o lugar que lhes era indicado deviam passar por cima dos cadáveres.  O pelotão se colocou na beira e começou a disparar contra os infelizes. Admirei-me de que não me dissessem nada, mas ao voltar-me vi que não éramos os únicos espectadores: dois ou três funcionários dos correios, de uniformes, também estavam por perto.

Dei de novo a volta ao monte e vi chegarem novos grupos de vitimas. Entre elas havia uma mulher de pernas extremamente delgadas, que devia ser paralitica, pois seus companheiros ajudavam-na a despir-se. Pouco depois, com Mönnikes, peguei o carro e voltei para o centro de Dubno.


Transição por: Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com
Fonte: HEYDECKER, J. Joe; LEEB, Johannes. O processo de Nuremberg. Rio de Janeiro: Bruguera,1968, pg. 375-377

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Carta entre irmãos relata que civis pagavam com a vida pelos parentes guerrilheiros

Exemplo de enforcamento praticado pelos nazista no leste europeu:  Quinze civis polacos enforcados em Radom


Cartas de A. Ponomarev, soldado do Exército Vermelho, e de sua irmã, Marussia Ponomareva


7 de setembro d 1942

Recebi uma carta da minha pobre irmã e tenho o coração oprimido de angústia. Esmagarei os vermes malditos enquanto o coraão me bater no peito.
A. Ponomarev

8 de agosto de 1942

Bom dia, me querido irmão Chura,
Informo-te que estou agora na cidade de Gorki. Eis as razões: quando tomaram a nossa cidade, os alemães instalaram-se em casa dos habistantes.

Em nossa casa estava alojado um alemão muito alto. Examinou as fotografias e perguntou: De quem são estas fotografias? Fala, velha. A mãe respondeu: São do meu filho. - Onde está ele agora? - Na frente.  Pegou na fotografia e perguntou: Onde está de serviço? É guerrilheiro? Depressa, interprete. Saiu a correr e voltou logo a seguir. O interprete explicou-lhe tudo. Pegou nas tuas fotografias e nas do nosso pai e disse: Éh! velhota, vamos embora! Ela perguntou: Para onde?- Já se sabe, pagar com a tua alma pelo teu filho que é guerrilheiro. Depois me disse: E tú, rapariga, não chores. Amanha a tua mãe será enforcada. Mas não vai sozinha.

Passei a noite na cave, e depois, de manha, fui onde ele me tinha dito e sentei-me no cemiterio. Oh, que eu vejo?! Levam quarenta e cinco mulheres, a mãe também lá ia. Ia do lado direito. Amarraram-nas em grupos de dez para que não pudessem fugir. havia muita gente. Começaram a enforca-las.  Mas antes disso, uma voz disse em russo: Pagam com a sua alma pelos guerrilheiros. Ficaram enforcadas dois dias: as que caiam, levantavam-nas  e voltavam a pendura-las. Eu me salvei. Abandonei tudo. Da nossa Vorochilovgrad fui até a cidade de Gorku, para casa de sua mulher. Eis pois, querido irmão, quantas pessoas os alemães fizeram prisioneiras. Ora martirizam e degolam, ora fuzilam ou enforcam. Mata-a, essa canalha. A tua irmã conseguiu se salvar.
Marussia Ponomareva


Fonte: COELHO, Zeferino - O crime metódico. Ed. Inova Limitada - pg.87-88



segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Massacre em Palikrowy

Monumento no cemitério aos
 polonês vítimas em Palikrowy.
Massacre em Palikrowy foi um crime de guerra cometidos pelo 4º Regimento de Polícia SS formado por soldados ucranianos que foram retirados da 14º Divisão SS de granadeiros Galizien na época do massacre, do SVW Ucraniano("Auto-defesa da ucraniano": Samoobronni Kuszczowi Widdiły) e das forças do Exército Insurgente Ucraniano (Ukrayins'ka Povstans'ka Armiya ou UPA) aos poloneses no povoado de Palikrowy Palykorovy na Ucrania, que foi em 12 de março de 1944.

385 poloneses foram executados. Palikrowy era uma aldeia etnicamente mista, com 70% da população polaca, e na aldeia havia várias famílias de refugiados dos massacres Volhynia. Em 1944, a população foi de cerca de 1884, com cerca de 360 casas. Ação foi coordenada com o ataque nas proximidades de Pidkamin, incluindo o monastério em Pidkamin, onde alguns habitantes de Palikrowy estavam escondidos durante as ações de limpeza étnica no oeste da Ucrânia . 


Todos os habitantes de Palikrowy foram reunidos em um campo perto da vila. Os habitantes ucranianos da aldeia foram liberados. Em seguida, os poloneses foram executados por duas metralhadoras pesadas. Apenas poucas pessoas feridas sobreviveram. Casas polacas foram queimadas e civis poloneses escondidos  foram assassinados, e seus bens roubados. Verificou-se os nomes de 265 vítimas de um total de 365 mortes.
No local da vala comum há um memorial para as vítimas.

Tradução: avidanofront.blogspot.com

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Execuções em Palmiry

Palmiry é uma vila no distrito administrativo de Gmina Czosnów, no Condado de Nowy Dwór Mazowiecki , da Mazóvia , no centro-leste da Polônia. Ela está localizada na borda da floresta Kampinos, cerca de 4 km a sudeste de Czosnów , 11 km a sudeste de Nowy Dwór Mazowiecki , e 23 km, noroeste de Varsóvia . Em 2000, a vila tinha uma população aproximada de 220.


Polonesas sendo levadas para a execução em massa na floresta. Palmiry 1940.

Pessoal da SS lidera um grupo de prisioneiros poloneses vendados para um local de execução na floresta Palmiry perto de Varsóvia. Estes civis foram detidos nas prisões Palmiry e Mokotow em Varsóvia. (Outubro-Dezembro 1939)
Reféns poloneses preparados pelo nazi-alemães para a execução em massa. Palmiry, perto de Varsóvia de 1940. Foto feita em segredo pelo serviço de inteligência da resistência polonesa (resistência).

Durante a Segunda Guerra Mundial, entre 1939 e 1943, a vila e para a floresta circundante era um dos locais de execuções em massa dos alemão para polonês intelectuais, políticos e atletas, morto durante a Ação AB (AB-Aktion - Außerordentliche Befriedungsaktion - Operação Extraordinária de Pacificação ). A maioria das vítimas foram o primeiro presos e torturados na prisão Pawiak em Varsóvia, e em seguida transferidos para o local da execução. No total, os restos de pelo menos 2.115 homens e mulheres foram exumados, mas é provável que nem todos os corpos foram encontrados. Listada entre as vítimas mais conhecidas são:

Juliusz Dąbrowski, jornalista e um dos líderes do Movimento Escoteiro Polaco
Witold Hulewicz, radialista e poeta
Stefan Kopeć, biólogo e fisiologista, professor da Universidade de Varsóvia
Janusz Kusociński, atleta, vencedor de 10 000 m na Olimpíada de 1932.
Mieczysław Niedziałkowski, político do Partido Socialista Polonês
Estanislau Piasecki  jornalista político e crítico de arte
Jan Pohoski, político, ex-vice-presidente de Varsóvia
Dawid Przepiórka, mestre de xadrez
Maciej Rataj, político, presidente do Sejm
Kazimierz Zakrzewski , cientista, professor da Universidade de Varsóvia
Cemitério em Palmiry


Túmulo de Janusz Kusociński em Palmiry, perto de Varsóvia

Depois da guerra, em 1946, os corpos das vítimas das atrocidades alemães foram exumados e enterrados em um cemitério novo, situado aproximadamente 5 km da vila em si. O local de enterro foi um mausoléu nacional polaco desde 1948.

Traduzido por: avidanofront.blogspot.com
http://en.wikipedia.org/wiki/Palmiry
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