sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Alemã revela que provava comida de Hitler antes de ele comer


Aos 95 anos, Margot Woelk posa em seu apartamento
 em Berlim (Foto: Markus Schreiber/AP)
Margot Woelk comia antes para saber se prato estava envenenado.
Aos 95 anos, alemã lembra os dois anos e meio ao lado de Hitler.

Por mais de meio século, Margot Woelk guardou um segredo escondido do mundo, até mesmo do marido. Alguns meses antes de completar 95 anos, ela revelou a verdade sobre o seu papel durante a Segunda Guerra Mundial: provadora de comida de Adolf Hitler.

Woelk, então com seus vinte e poucos anos, passou dois anos e meio como uma das 15 jovens que "testavam" a comida de Hitler para ter certeza que não estava envenenada antes de ser servida ao líder nazista em sua "Toca do Lobo", um centro de comando localizado onde hoje é a Polônia, no qual ele passou a maior parte de seu tempo nos últimos anos da Segunda Guerra Mundial.

"Ele era vegetariano. Ele não comeu carne durante todo o tempo que eu estava lá", disse Woelk sobre as preferências do líder nazista. "E Hitler era tão paranóico que os britânicos pudessem envenená-lo, é por isso que ele tinha 15 meninas para provar a comida antes de ele comer."

Enquanto muitos alemães lutavam contra a escassez de alimentos e tinham uma dieta branda enquanto a guerra se arrastava, a prova de alimentos de Hitler tinha suas vantagens.

"A comida era deliciosa, apenas os melhores legumes, aspargos, pimentão, tudo o que você pode imaginar. E sempre acompanhados de arroz ou macarrão", lembra. "Mas este medo constante - nós sabiamos de todos esses rumores de envenenamento e nunca podíamos desfrutar da comida. Cada dia nós temíamos que fosse ser a nossa última refeição".

Só agora, no final da sua vida ela se dispôs a relatar suas experiências, que tinha enterrado por causa da vergonha e do medo de perseguição por ter trabalhado com os nazistas. Mas ela insiste que ela nunca foi um membro do partido. Ela contou sua história enquanto folheava um álbum de fotos no mesmo apartamento onde nasceu em 1917, em Berlim.

Woelk diz que sua associação com Hitler começou depois que ela fugiu de Berlim para escapar de ataques aéreos aliados. Com o marido servindo o exército alemão, ela foi morar com parentes cerca de 700 quilômetros ao leste em Rastenburg, então parte da Alemanha e hoje Ketrzyn, no que se tornou Polônia após a guerra. Lá, foi convocada para o serviço civil e trabalhou dois anos e meio como provadora de alimentos e guarda-livros na cozinha no complexo "Toca do Lobo".

Temores quanto à segurança de Hitler não eram infundados. Em 20 de julho de 1944, um coronel de confiança detonou uma bomba na "Toca do Lobo", em uma tentativa de matar Hitler. Ele sobreviveu, mas cerca de 5 mil pessoas foram executadas após a tentativa de assassinato, incluindo o homem-bomba.
Margot Woel mostra um velho álbum de fotos e aponta para uma
foto tirada do caminho para a 'Toca do Lobo' (Foto: Markus Schreiber/AP)
"Nós estávamos sentados em bancos de madeira, quando ouvimos um barulho muito forte", disse ela sobre o bombardeio 1944. "Nós caímos do banco, e eu ouvi alguém gritando 'Hitler está morto!' Mas ele não estava".

Após a explosão, a tensão cresceu ao redor do quartel-general. Woelk disse que os nazistas ordenaram que ela saísse da casa de seus parentes e se mudasse para uma escola abandonada perto do composto.

Com o exército soviético na ofensiva e a guerra indo mal para a Alemanha, um de seus amigos da SS aconselhou-a a deixar a "Toca do Lobo". Ela disse que voltou de trem para Berlim e passou a se esconder.

Woelk lembra ainda que as outras mulheres na equipe de degustação de alimentos decidiram permanecer em Rastenburg, "Mais tarde descobri que os russos mataram todas as 14 outras meninas, quando as tropas soviéticas invadiram o quartel-general em janeiro de 1945".

Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/04/alema-revela-que-provava-comida-de-hitler-antes-de-ele-comer.html

domingo, 3 de novembro de 2013

O Trem da Morte - O transporte dos deportados de Compiègne com destino a Dachau.





Estou há um tempo enrolando para falar sobre o transporte de Compiègne com destino a Dachau, que ficou conhecido como o "Trem da Morte", por causa do alto número de mortes durante a viagem. Os 2152 homens que compõem este transporte pertenciam a dezoito países diferentes, mas a participação do francesa permanece esmagadora (2.018 indivíduos, aproximadamente 94% do total).

Depois do estudo das vítimas que está logo abaixo, haverá a tabela que contém no site de "Memória à deportação", o qual cito mais detalhadamente no final da matéria. A tabela traz algumas diferenças frente a contagem de mortos de Christian Bernadac, pois o mesmo faz o cálculo durante a viagem, e na tabela a contagem vêm também com os mortos após a viagem; mas já da pra ter uma base da mortalidade na viagem e após ela. Nesses anexos, dá para se notar o trabalho que deu para organizar os depoimentos, e calcular o número de vítimas nesse transporte.

Há uma diferença de 6 embarcados em Compiègne, de 2166 e 2152. 

No mais, irei postando futuramente alguns relatos sobre  os sobreviventes do trem.  Esse é um dos vários tipos de modo de assassinatos que os nazistas prepertaram aos seus opositores.




Detalhes sobre o Trem da Morte - O transporte dos deportados de Compiègne com destino a Dachau.

Anexo I


COMBOIOS SAÍDOS DA FRANÇA

Não existe um estudo geral sobre os comboios de deportados com destino à Alemanha. O relatório do governo francês (documento F274, pagina 124 do volume 37 do Tribunal Militar de Nuremberg) não "fornece uma descrição completa dos comboios,e sim, um número suficiente para indicar a sua progressão, não levando em conta saídos diretamente da Alsácia e da Lorena".

1940............ 3 comboios
1941 ......... 19 comboios
1942........ 104 comboios
1943........ 257 comboios
1944....... 326 comboios¹

1 - de 1º de janeiro de 44 até agosto, isto é, uma média de 10 comboios semanais.


Anexo II

COMBOIO DE 2 DE JULHO DE 1944 - TREM DA MORTE

Embarcados em Compiègne: 2.166
Mortos durante a viagem: 536
Matriculados à chegada: 1.630


Na noite de 5 de julho de 1944, os sobreviventes do Trem da Morte compararam suas "estimativas" das perdas da viagem... Isto não era nada fácil porque a maioria dos deportados ignorava a identidade dos outros "viajantes" do seu vagão. Corria o boato, alimentado pelo rumor, pelos responsáveis de blocks, pelas personalidades do campo, de que havia "mais de mil mortos".

No dia seguinte, esse número caía para 870 (éramos 2.500 na partida, somos 1.630 vivos durante a chamada: portanto 870 morreram durante a viagem). Mas ninguém havia tocado na lista de partida, exceto o abade Fabing, e o abade Fabing (ele me confirmou) não teve tempo de contar porque o Comandante de Dachau tinha pressa em recuperar esta lista (única e preciosa; todos se lembram do guarda-chuva que um SS manteve, durante uma parte da chamada, por cima da cabeça do abade Fabing).

Nos dias que se seguiram, o número de mortos subiu para 984, sem que se saiba, exatamente, por que processos ou verificações alguns deportados, chegavam a este total. Além disso, Eugen Pfeiffer que havia participado do descarregamento dos cadáveres (mas não os havia contado) confirmou "984" e depois um deportado, Auguste Thillot, afirmou: "Eu era o primeiro a' esquerda da coluna, no momento em que esta atravessava a por-ta do campo, eu falo alemão e escutei nosso chefe de comboio dizer: "Eu lhes trago 1630 franceses imundos que fedem como a peste, felizmente 984 morreram durante o trajeto". Acreditaram nele. Aliás, ele devia repetir esta frase durante o processo de Metz e ninguém (nem mesmo a defesa de Dietrich) o contra-disse... o que, no entanto, era fácil: Dietrich havia ficado na plataforma e foram os SS de Dachau que se "encarregaram" dos que chegavam; quanto à chamada que devia determinar o número dos presentes e não o dos ausentes, iniciada no dia 5, foi interrompida e só terminou no dia 6. No entanto, em Metz como em Dachau, acreditaram em Thillot.

O campo de Dachau aceitou esta "verdade de 984" (ainda que alguns deportados, como Michelet, Roche ou Lassus julguem este total muito elevado).

No processo de Nuremberg, em 1945-46, o Ministério francês dos Deportados e Prisioneiros, em seu documento F 274, limitava-se a: "Mais de 600 mortos" (Volume XXXVII do Tribunal Militar Internacional, páginas 126 e 127). Para estabelecer este total, o Ministério fundamentava-se numa primeira compilação dos Arquivos do campo de Compiègne, comparada com o Registro de matrículas de Dachau que acabava de ser encontrado (os 1630 deportados registrados no dia 6 de julho de 1944 receberam números indo de 76.418 até 78.047). Os "Encarregados de Missão" que preparavam os documentos franceses de acusação, na realidade, haviam constatado em suas listas de Compiègne que "em nenhuma hipótese o trem de 2 de julho poderia ter transportado mais de 2200 deportados". Para obter este resultado bastava uma única subtração entre uma chamada de 3 de julho (dia seguinte à partida, e urna chamada dos dois últimos dias de junho. Isto é: 2200 menos 1630 é igual a 570. Este resultado aproximado, porém lógico, conforme veremos, não estava muito longe da verdade. O "mais de 600 mortos" do Auto de acusação oficial era apenas um pequeno exagero, para cobrir a margem de erro que sempre ocorre neste gênero de probfemas.

Em 1950, o processo de Metz ignorou estas primeiras pesquisas, apesar de constarem dos Autos Oficiais, e aceitou a "verdade" de 984 mortos. Entretanto, durante este processo, dois balancos foram citados: 450 mortos em Novéant, quando Dietfich assumiu o comando do trem; 483 na chegada em Sarrebourg. Estes números foram confirmados por várias testemunhas e, constam nos relatórios do inquérito dos inspetores encarregados de interrogar os ferroviários das estações. Ainda que revelado por Dietrich, o "total" de Novéant parece verossímil. O que o é menos, é que, sempre segundo Dietrich, no resto do percurso houve apenas um morto suplementar. Em Sarrebourg, conforme vimos no capítulo relativo aos incidentes desta estação, o comissário Franz Mulherr é categórico: 481 mortos I mais as dois mortos do "vagão enfermaria" Ia Perraudière-Segelle) ou seja, 483 mortos. Este balanço, confirmado por Rocert Mangín que somou os números escritos a giz nos vagões, também é confirmado pelas "boutades" dos chefes de comboios que (pelo menos por três vezes) gritarM para os representante da Cruz Vermelha: "Vocês terão quinhentas rações mais". E, de fato, depois da partida do trem restaram a "grosso modo" quinhentas rações (Processo de Metz). Portanto, esse lanço de 483 mortos em Sarregourg, parece "razoável". Mas, como depois de Sarrebourg, não consta que tenha havido muitas mortes, o total destas, na chegada, deveria estar porvolta de 483 (minimo).

Evidentemente que o ideal teria sido encontrar a lista original da partida de Compiégne. Este documento(num único exemplar, datilografado ou manuscrito, conforme as páginas e repleto de emendas) foi entregue, somente por poucos dias, à Seção política da Administração de Dachau, e em seguida remetido para a Sicherheitspolizei (Polícia de Segurança SIPO) de Paris concentrada em Würtemberg. A remessa do documento original ocorreu no dia 9 de outubro de 1944 (o envio pode ser a prova de que um inquérito estava em curso). No final da guerra os arquivos queimaram e a lista de partida ficou perdida para sempre.

De que maneira, nessas condições, determinar a lista dos mortos de 2 de julho...? Talvez apenas consultando o livro dos mortos de Dachau. Examinei cuidadosamente o registro original. Nele, com a data de 5 de julho, consta apenas um nome de morto: Franz Ryz (ele estava no campo há mais de um ano). Portanto, os corpos retirados do Trem da Morte foram diretamente para o crematório, sem terem sido registrados.

Desde 1945 que no Ministério francês dos Antigos Combatentes, Pierre Garban e uma equipe de inquérito reconstituíam os arquivos dos campos de concentração e, em particular, as listas de nomes. Esta equipe conseguiu 99% de sucessos nessa pesquisa considerada "impossível". O Trem da Morte apresentou inúmeros problemas e, foi objeto de um estudo especial. Estudo incompleto, porém interessante.

Retomando o livro de matrículas das entradas em Compiègne e completando-o com os diferentes documentos do campo (listas de chamada, de cabeleireiro, de enfermaria, de corvéias, de transferências, de partidas parciais, etc.) esta equipe praticamente reconstituiu o conjunto dos nomes dos internados de Royallieu. No livro de matrículas, bem ou mal organizados, conforme o período em que dele se ocupava os secretários-prisioneiros, figuram em geral: o sobrenome do internado, seu nome, o block para o qual havia sido designado seguido da inicial do campo A, B ou C, a data do nascimento e data de sua partida no comboio. Nestas colunas de informações, várias centenas de prisioneiros tinham espaços em branco. Estes vazios foram parcialmente preenchidos pelas outras listas do campo, especial-mente pela de chamadas. Após muitos meses de compilação metódica, de verificações, de leitura com a lupa, M. Garban organizava uma lista alfabética (que nunca foi publicada) de 464 mortos.

Em 1969, M. Garban aconselhou-me a continuar o seu trabalho: "certamente incompleto, mas que não devia estar muito longe da verdade". Eu não sabia, ao aceitá-lo, que esta tentativa de reconstituição ia demorar um ano e mobilizar, em torno do dossiê, quatro pessoas. Entretanto, antes de começar essa "tentativa" eu tinha em meu poder um "balanço" que me parecia o mais próximo possível da realidade. O inquérito aberto para encontrar testemunhas e depoimentos havia permitido que eu recolhesse mais de cento e sessenta manuscritos inéditos redigidos por "viajantes" do Trem da Morte. Isto era uma fonte de informações insubstituível, que antes de mim, nenhum pesquisador havia possuído. Estes sobreviventes forneciam, pelo menos, mil nomes de vivos na chegada, ou de mortos durante o percurso. Os 161 "viajantes" pertenciam ao conjunto do comboio e dessa forma eu tinha uma "amostragem" suficiente para cada vagão. Esses 161 deportados forneciam-me o número exato de mortos em seus vagões (em todos os vagões os mortos foram contados, várias vezes, durante a viagem). Bastava somar todos os vagões.

1) Vagão metálico de André Gonzales: um único sobrevivente na chegada; 99 mortos.

2) Vagão R ohmer (segundo sete depoimentos): 76 mortos. 3) Vagão Fully-Thomas (quatro depoimentos): 75 mortos.

4) Vagão Mamon-Garnal (nove depoimentos): 75 mortos. 5) Vagão Sirvent-Dhenain (onze depoimentos): 64 mortos.

6) Vagão Canac (nove depoimentos): 46 mortos.

7) Vagão Habermacher (onze depoimentos): 44 mortos.

8) Vagão Líotier (oito depoimentos). Este vagão comportava ao partir 120 deportados: 36 mortos.

9) Vagão Puyo (doze depoimentos): 17 mortos.

10 e 11) Foi-me impossível separar exatamente as dezessete testemunhas, encontradas, desses dois vagões e reconstituir a ocupação dos mesmos. Mas é certo que nesses dois vagões foram contados:

10) 8 mortos. 11) 3 mortos.

12) Vagão "enfermaria" la Perraudière-Segelle: 2 mortos.

13) Vagão "inválidos" (segundo o abade Goutaudier): 1 morto.

14) Vagão Helluy-Aubert-Villiers (nove depoimentos): não houve mortos.

15) Vagão Lambert (dez depoimentos): não houve mortos.

16) Vagão de 80 (Chapalin e quinze depoimentos): não houve mortos.

17) Vagão Bernard-Verchuren (nove depoimentos): não houve mortos.

18) Vagão Lutz-Hamburger (dez depoimentos): não houve mortos.

19) Vagão Weil-Fuchs-Kienzler (sete depoimentos): não houve mortos.

20) Vagão Bent-Solladié (doze depoimentos): não houve mortos.

21 e 22) Vagões "duvidosos" (umas vinte testemunhas que não rude situar, mas que não estavam nos outros vagões).

Em geral não utilizei estes depoimentos no livro. Estes dois vagões não têm importância para o nosso "balanço" porque não tiveram mortos.

É evidente que muitos deportados não ocupam seus lugares nos vagões que lhes foram destinados... mas esse não é o caso dos treze vagões que tiveram mortos.

Antes de totalizar, são necessárias duas observações:

1) Os sobreviventes pensavam, desde Dachau, que somente dois vagões haviam tido 72 mortos, quando, com toda a certeza, está demonstrado que os vagões foram três.

2) Os sobreviventes estavam persuadidos de que um único vagão, ou quando muito dois, não continham mortos. Na realidade, encontramos 8 e possivelmente 9.

Total de mortos: 546.

Este total deveria ser o "maior possível" porque em certos casos eliminei os algarismos menores (Liotier, por exemplo, diz que houve 32 mortos no seu vagão, porém baseando-me em outros depoimentos desse mesmo vagão, achei que devia "alterar" este balanço para 36, a fim de não ficar "abaixo" ainda que o depoimento Líotier me parecesse perfeitamente completo e objetivo).

Ao iniciar a tentativa de reconstituição da lista de partida de Compiègne, parecia-me que o "intervalo" ideal apresentava-se assim: 483 mínimo... 546 máximo... (mínimo pela verificação de Sarrebourg, máximo pelos depoimentos.) 483..., 546, estávamos longe dos 984 de Dachau ou do processo de Metz.

Precisávamos, agora, organizar um fichário duplo.

1) Fichário de partida (2 de julho em Compiègne).

2) Fichário de chegada (5 de julho em Dachau).

Retirando o número de fichas 2 do fichário 1, obtinha-se o resultado.

Trabalhando quase sempre com os documentos originais, vá-rios problemas surgiram:

A. Leitura. O registro de Compiègne e as listas (chamadas, cabeleireiro, enfermaria, etc.), são manuscritas, inúmeros nomes estão ilisíveis ou parcialmente apagados. A fotografia em diferentes diafragmas e a ampliação permitiram reconstituir a maioria dos nomes.

O registro das matrículas de Dachau (original) está datilografado, e uma única matrícula, a 88.006, desapareceu, mas os secretários-deportados, alemães ou poloneses, germanizaram ou polonizaram as ortografias, inverteram os nomes e cometeram numerosos erros de datilografia. Para conseguir uma justaposição das fichas Compiegne, Dachau, era necessário uma comparação das datas de nascimento.

B. Homonímias. Em mais de de 10 casos, os mesmos nomes.

C. Nomes falsos. Varios deportados da resistencia foram presos usando seus "codinomes", e os conservaram em Compiegne (Rival quer dizer Rykner, etc.).

D. Partículas. Onde encontrar o Padre Bernard Letourneux de la Perraudiere, em L? T? D? L? P?. Conforme as listas, ele está catalogado obedecendo a qualquer uma dessas iniciais.

E. Depoimentos. Depois das fichas organizadas e comparadas, era preciso verificar na pilha de depoimentos reunidos, se o deportado estava citado, como ausente ou presente, no momento da chegada e, finalmente retomar o estudo de Pierre Garban e do Ministério dos Antigos Combatentes para saber se, pelo menos quanto aos 464 nomes já indexados, as nossas conclusões coincidiam.

A lista de mortos publicada, talvez não esteja "totalmente" exata. Possivelmente algumas ortografias continuam erradas, mas ela está dentro do "intervalo" ideal, e se aproxima da "verdade"com uma margem de erro de cerca de dez nomes.

Transcrição: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)
Fonte: O Trem da Morte -  Christian Bernadac - pg 323-332




Obs: O livro em português faltou alguns anexos,como a lista de deportados no trem e a de mortos, que por sinal eu não sabia que existia na edição original. Descobri quando olhei o site do USHMM, quando diz:

"Paginas 303-306 incluem uma lista alfabética de 536 pessoas que morreram quando foram deportados de Compiegne para Dachau em 2 de julho de 1944.  Paginas 306-315 inclui uma lista alfabética de 1.630 sobreviventes deste transporte."²

As referências bibliográficas e registros que cita no site, fico na duvida se são as que estão em nota de rodapé (que abundam o livro) ou se existe mais algumas no final do livro original, mas só mesmo conseguindo um pdf ou o original, que podemos confirmar. 

Para quem quiser saber mais sobre o Trem da morte, sugiro ler mais no site Memoria a Deportação:

Também esse site é muito bom, mostra alguns depoimentos e  mostra comemoração dos sobreviventes:


Abaixo segue a tabela do site Memoria a Deportação:




Créditos as fotos: 

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Chefe de polícia secreta nazista está enterrado em cemitério judeu

Heinrich Müller

O ex-chefe da Gestapo, Heinrich Müller, está enterrado em um cemitério judeu, informa em sua edição desta quinta-feira o jornal Bild, que remete suas informações aos arquivos da resistência contra o nazismo.

Contrariamente ao que se achava, o responsável da temida polícia política de Hitler não sobreviveu à Capitulação do Terceiro Reich e morreu naquele mesmo ano de 1945. Seu corpo foi enterrado em uma vala comum do cemitério judeu do bairro berlinense de Mitte, disse ao Bild o diretor do centro de Documentação da Resistência, Johannes Tuchel, tomando como fonte textos achados em diversos arquivos.

Esta informação contradiz a versão que persistia nos serviços secretos da Alemanha ocidental, segundo os quais Müller sobreviveu ao fim da Segunda Guerra Mundial e foi viver na cidade tcheca de Karlovy Vary.

Segundo Tuchel, o corpo do oficial nazista foi encontrado e identificado, em agosto de 1945, em um túmulo provisório próximo ao que foi o Ministério de Aviação do Reich. Müller foi identificado porque ainda usava seu uniforme de general e sua folha de serviços no bolso, após o qual foi levado para uma vala comum do citado cemitério judeu.

O presidente do Conselho Central dos Judeus da Alemanha, Dieter Graumann, qualificou a esse meio como de "mau gosto monstruoso" o fato de que tenha se decidido enterrar a "um dos mais sádicos nazistas" justamente em um cemitério judeu, questão que considera um insulto à memória das vítimas.

domingo, 27 de outubro de 2013

Levante de Varsóvia - Execuções nos salões do mercado (Hale Mirowskie)


Levante de Varsóvia: Soldados alemães próximos a Hala Mirowskia.
O mais provável é uma visão do cruzamento da rua Zimna
e rua Plac Mirowskiego  na parede norte do edifício leste.


Registro n º 23 / ​​II

Durante o Levante, ao sair da casa onde eu morava, na rua Ogrodowa, nº30 , encontrei-me em um abrigo do Ministério da Indústria e Comércio, nº2, rua Elektoralnamn. Isso foi em 7 de agosto de 1944. No abrigo, havia várias centenas de pessoas, a maioria mulheres e crianças. Na tarde de hoje, após os insurgentes terem recuado da rua Elektoralna, um posto avançado alemão foi colocado em frente à porta de entrada do Ministério. Cerca de 9 horas da noite dois gendarmes(policia) entraram no abrigo e ordenaram que todos os homens para saírem. O soldado que estava de guarda nos assegurou para nós que estávamos apenas indo para o trabalho. Fomos levados a três por três (éramos cerca de 150 homens) para praça Mirowski, entre os edifícios das duas salas do Mercado. Aqui, fomos obrigados a retirar os cadáveres, dezenas de que estavam deitados no chão, e depois disso, os entulhos das sarjetas e a estrada. Havia cerca de uma centena de poloneses na praça quando chegamos, todos ocupados a limpar, e algumas centenas de gendarmes (policiais) alemães, que se comportavam muito brutalmente: batendo nos poloneses, chutando-os e chamando-os de poloneses bandidos. Em um certo momento em que nosso trabalho parou, ordenaram que aqueles que não eram poloneses que avançassem. Um homem que tinha documentos bielo-russos o fez, e foi imediatamente liberado. Depois de uma hora e meia de trabalho, os policiais mandaram-nos formar grupos de três. Eu me encontrei no segundo posto. Todos estávamos com as mãos para cima. Um velho na linha de frente, que não conseguiu segurar as mãos para cima por mais tempo, foi cruelmente golpeado no rosto por um gendarme. Depois de 10 minutos, cinco fileiras de três marcharam sob a escolta de cinco policiais armados com submetralhadoras para o Mercado Municipal na rua Chlodnat. Por acaso ouvi os nomes de dois dos gendarmes que gritavam uns com os outros, Lipinski e Walter. Quando entramos no prédio, depois de passar dois portões eu vi, quase no centro do salão, um buraco profundo em que o fogo estava ardendo, mas deve ter sido polvilhado com gasolina por causa da fumaça negra e densa. Fomos colocados em um muro do lado esquerdo da entrada perto de um banheiro. Ficamos separadamente com os rostos voltados para a parede e as mãos para cima.

Depois de alguns minutos, ouvi uma série de tiros e eu caí. Deitado no chão, ouvi os gemidos e suspiros de pessoas deitadas perto de mim e também mais tiros. Quando o tiroteio cessou, ouvi os gendarmes contando aqueles que jazia no chão, pois eles só contou até treze. Em seguida, eles começaram a procurar mais dois que estavam faltando. Eles descobriram que um pai e filho se escondendo no banheiro adjacente. Trouxeram-nos, e eu ouvi a voz do menino gritando "Viva a Polônia", e, em seguida, tiros e gemidos. Algum tempo depois, ouvi as vozes de poloneses que se aproximam; cautelosamente eu levantei minha cabeça e vi os guardas de pé ao lado do buraco cheio de fogo e poloneses que transportam os corpos e os jogavam nele. Seu trabalho os trouxe mais perto de mim. Eu, então, me arrastei para o banheiro e me escondi atrás de uma divisória que formava o teto do banheiro. Sentado lá, ouvi disparos nas proximidades e os gritos dos alemães da direção do buraco. Em um determinado momento, um outro polonês que tinha escapado por baixo, através do banheiro encontrou-se ao meu lado. Ele era médico Jerzy Lakota, que trabalhava no Hospital Menino Jesus.

Sentamos lá por muitas horas. O tempo todo ouvimos o crepitar dos cadáveres ardentes no buraco e do próprio fogo. Além disso, ouvimos uma série de disparos vindos do outro lado (mais perto da rua Zimna). Dr. Lakota contou-me que, depois de uma saraivada ele tinha caído junto com os outros. Os policiais se aproximou para ver se ele ainda estava vivo, e o espancaram brutalmente, mas ele fingiu estar morto. Devo acrescentar que quando eu caí após o vôlei, eu vi um gendarme examinando aqueles deitados no chão, e aqueles que ainda estavam vivos, ele atirou com seu revólver. Eu tinha conseguido escapar antes. Por volta das duas horas na noite que desceram e saímos para a rua através da Câmara já vazia, em que o fogo ainda estava ardendo, e conseguimos chegar a rua Krochmalna.


Hale Mirowski

Registro n º 33 / II

Em 7 de agosto de 1944, eu estava no porão de uma casa na Rua Elektoralna em Varsóvia. Neste dia, ao entardecer, alguns soldados alemães chegaram no local e ordenaram que todos os homens saíssem da adega, e para desmantelar as barricadas dentro de duas horas. Eu obedeci e sai da adega com cerca de cinqüenta outros homens. Os soldados levaram-nos sob escolta para a Praça Zelazna Brama, e depois para o lugar perto da rua Mirowska, que fica em frente à pequena praça entre os dois halls do mercado.Na calçada da rua Mirowska estava cerca de 20 mortos.

Fomos obrigados a transportar os corpos desde o pavimento da rua Mirowska para o pequeno quadrado entre os salões. Com outros homens que carregavam os cadáveres eu notei que ao fazê-lo, em seguida, que todos eram de homens mais ou menos de meia-idade. Após a remoção desses corpos, fomos obrigados a remover a barricada que estava do outro lado da linha do bonde da praça Zelazna Brama para a rua Zelazna. Depois de ter removido parte desta barricada e tanques, assim, habilitado a passar, fomos levados na direção da rua Zelazna, onde fomos interrompidos, e ordenaram a levantar nossas mãos. Perguntaram várias vezes se não havia alemães entre nós. Em seguida, fomos revistados, tudo de valor, como anéis, relógios e cigarros, foi tirado de nós. Depois de sermos revistados ficamos em pé no mesmo lugar por cerca de uma hora e meia. Não muito longe de nós havia grupos de soldados, ao todo cerca de 200 homens, e nossas orações para a liberação foram respondidas pelos soldados com risos e escárnio. Eles falavam alemão, russo e ucraniano. Um deles nos disse repetidas vezes que deveríamos ser morto a qualquer momento. Então (estávamos em fileiras de três) as três primeiras linhas foram levadas para o Mercado Municipal, que está mais próximo da rua Zelazna. Pouco tempo depois, ouvi uma série de tiros. Depois, seguiu as próximas três fileiras. Eu estava na segunda, ou talvez no centro da terceira. No momento em que estávamos em frente da entrada, um dos soldados que nos escoltava nos atirou, e imediatamente o meu vizinho do lado esquerdo caiu no chão diante de mim, bloqueando meu caminho, eu tropecei e caiu, mas levantei imediatamente e voltei aos meus companheiros. Eu não percebi o que aconteceu com o corpo sobre o qual eu tinha tropeçado. Depois de subir, quando cheguei aos meus companheiros, que estavam entrando no salão do segundo portão, vi uma porta que dava para a direita e imediatamente corri através dela. Eu vi um hall, entrei, e notei as escadas que levam para cima. Já estava escuro, mas a escuridão era iluminada pelo reflexo do fogo em volta de mim. Eu pensei que a minha fuga havia sido observada, como ouvi um grito atrás de mim, mas não foram disparados tiros. Corri para uma galeria onde parte da estrutura de madeira estava queimando e lá fiquei.

Durante esse tempo eu ouvi tiros separados do interior do salão. Depois de algum tempo, eu olhei para baixo a partir da galeria para o corredor e vi um buraco redondo grande, cerca de 6-7 metros (22 pés) de largura, no andar do hall. Neste buraco um grande fogo ardia; suas chamas subiram vários metros acima do nível do chão. Notei também que os soldados estavam levando um homem à beira do buraco. Eu vi esse homem fazendo o sinal da cruz, e então ouvi um tiro, e o viu cair no fogo. Devo acrescentar que este tiro foi disparado de tal forma que o soldado colocou a arma no pescoço do homem e atirou. Depois eu vi muitas dessas cenas. Eu percebi que quando o tiro foi disparado o homem não caiu de uma vez, mas só depois de alguns segundos.Depois de ter visto vários assassinatos desse tipo eu não podia olhar para mais nada, mas ouvi muitos mais tiros e gemidos, que cresceram mais e mais fracos, ou mesmo gritos humanos. Eu supunha que eles vieram daqueles que haviam caído no fogo e ainda estavam vivos. Pelo número de tiros eu tomei a impressão de que todos aqueles que tinham sido trazidos comigo desde o porão do nº 2, da rua Elektoralna foram baleados. Eu fiquei na galeria por mais algum tempo (pelo menos uma hora), até o momento em que o tiroteio e as vozes pararam. Então, despercebido, eu corri através do pequeno gueto na direção da rua Grzybowska, e depois fui a rua Zlota, onde fiquei por um mês.

Tradução: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)
Fonte: http://www.warsawuprising.com/witness/atrocities9.htm
Foto 1: Bundesarchiv: Bild 101I-695-0425-09

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Banco de Inglaterra ajudou a vender ouro roubado pelos Nazis

Durante a Segunda Guerra Mundial, o banco central de Inglaterra guardou nos seus cofres ouro roubado pelo regime nazi ao banco central da Checoslováquia, avaliado na altura em 5,6 milhões de libras.

Apesar de o Reino Unido ser um dos Estados que integrou as forças aliadas durante a Segunda Grande Guerra, o Banco de Inglaterra protagonizou um dos papéis mais obscuros na história dos bancos centrais.

De acordo com documentos, nunca antes publicados, sobre a atividade do banco na altura, que foi apenas revelada esta terça-feira no site da entidade, o Banco de Inglaterra guardou em 1939 ouro que o regime nazi roubou durante a invasão da Checoslováquia em 1938, assim como terá facilitado a sua venda posterior.

Durante a invasão à antiga Checoslováquia, o regime liderado por Adolf Hitler saqueou ouro do banco central daquele país. Um ano mais tarde, o ouro, avaliado na altura em 5,6 milhões de libras, foi transferido da conta do Banco Nacional da Checoslováquia no Banco Internacional de Pagamentos (BIS, na sigla inglesa), na altura o principal banco central, para uma conta do Reichsbank, o banco central da Alemanha.

Na altura, o episódio denegriu a imagem do BIS. Porém, o papel que o Banco de Inglaterra desempenhou neste episódio é menos conhecido. Segundo a informação disponibilizada pela própria entidade, que é referida num artigo do “Financial Times” (FT), o Banco de Inglaterra deu prioridade ao apaziguamento do BIS sobre os desejos do Governo britânico em congelar a venda de ativos checos.

A entidade, que então tinha Otto Niemeyer como director executivo, que também era presidente do BIS, guardou nos cofres de Threadneedle Street grande parte do ouro saqueado pelos nazis. A história, escrita por funcionários da entidade monetária britânica, revela ainda que o banco britânico vendeu ouro em nome do regime de Hitler, sem esperar pelo consentimento do Governo britânico.

“Houve uma outra transacção de ouro no dia 1 de Junho [de 1939] quando se registou vendas (440 mil libras) e carregamentos (420 mil libras) para Nova Iorque a partir da conta número 19 do BIS. Esta representava o ouro que tinha sido enviado para Londres pelo Reichsbank”, refere o documento.

Os documentos referem ainda que Montagu Norman, então governador do Banco de Inglaterra, não era transparente no diálogo que mantinha com John Simon, primeiro-ministro na altura.

“A 26 de Maio, o chanceler escreveu ao governador inquirindo se o Banco de Inglaterra ainda detinha o ouro checo, uma vez que o esclarecimento poderia ajudá-lo a responder perguntas na Câmara. O governador, na sua resposta [a 30 de Maio], não respondeu à pergunta, referindo apenas que o banco detinha ocasionalmente ouro em nome do BIS e que não tinha conhecimento se esse ouro era propriedade do BIS ou dos seus clientes. Assim, não poderia responder se o ouro detido era propriedade do Banco Nacional da Chescoslováquia”, lê-se no documento, que é citado pelo FT.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Como punir criminosos nazistas que ainda vivem sem julgamento?

Centenas, talvez milhares de criminosos de guerra nazistas ainda vivem impunes, salvos por causa da impossibilidade de identificar todos eles, sobretudo quando a maioria está mais próxima da 'solução biológica' para acabar com essa página negra da história europeia.

"Ninguém, absolutamente ninguém, pode determinar quantos criminosos nazistas ainda seguem vivos", disse o historiador Efraim Zuroff, diretor do escritório de Jerusalém do Centro Simon Wiesenthal.

Por causa da morte este mês do húngaro Laszlo Csatary, um dos criminosos de guerra mais procurados dos últimos anos, Zuroff lembrou que a idade média desta geração está perto dos 90 e advertiu que as recentes campanhas para encontrá-los e puni-los chegaram tarde.

Para tentar impedir que morram sem ser julgados, o Centro Wiesenthal publicou há algumas semanas mais de 20 mil cartazes em três cidades alemãs oferecendo recompensa de 25 mil euros por informação fidedigna.

"Recebemos dezenas de nomes, agora é preciso investigar", destacou sobre o trabalho que tem ocupado esta instituição desde sua fundação em 1993 e que nada tem a ver com o de Documentação Judia em Viena fundado e dirigido pelo austríaco Simon Wiesenthal, sobrevivente do Holocausto.

Morto aos 96 anos, em 2005, Wiesenthal foi a primeira pessoa que se propôs a buscar os criminosos nazistas responsáveis pela morte de seis milhões de judeus europeus no Holocausto, trabalho que foi assumido por Zuroff e que o tornou conhecido como o "último caçador de nazistas".

Último porque já faz tanto tempo da Segunda Guerra que todos os que a viveram já estarão mortos na próxima década. Nascido nos Estados Unidos pouco depois da barbárie nazista, Zuroff afirma que quer lutar "até o final" porque a condenação formal é importante, mesmo que nenhum deles passe só um dia na prisão.

Caso de Csatary, que Zuroff descobriu em Budapeste, e morreu enquanto aguardava julgamento na Eslováquia pela deportação a Auschwitz de 15.700 judeus. Pelos crimes cometidos na Segunda Guerra Mundial no campo de concentração húngaro de Kosice, Csatary chegou a ser condenado à revelia à pena de morte em 1948, mas fugiu e só foi descoberto mais de 60 anos depois, em 2011.

Até então Csatary liderava o "Top Ten" do Centro Wiesenthal, lista da qual saem e entram nomes de acordo com as investigações ou morte de criminosos de guerra. Costumam estar no topo dois altos oficiais nazistas cuja morte não está confirmada cientificamente, Alois Brunner, figura chave na aplicação da "solução final" e o médico de vários campos de extermínio Aribert Heim.

Os líderes do nazismo foram julgados pelos aliados em Nuremberg (1945-6), embora muitos tenham fugido para América Latina e Espanha.

O Israel chegou a capturar um, Adolf Eichmann, em uma operação do Mossad (serviço de inteligência de israel) na Argentina, que foi julgado e executado em 1962.

Além disso, Israel matou no Uruguai o letão Herbert Cukurs, também conhecido como o "carrasco de Riga", em 1964, e os tribunais acusaram em 1993 John Demjanjuk de ter sido "Ivan o Terrível" do campo de Treblinka.

Hoje, segundo Zuroff, os que vivem são oficiais que serviram nos campos sendo relativamente jovens, mas adverte que não por isso eram menos sanguinários e desumanos.

"Por criminoso de guerra nazista entendemos qualquer pessoa que serviu ao III Reich, ou a seus governos satélite (Croácia, Hungria, Bulgária...), e que participaram das perseguições de inocentes, judeus e não judeus", explicou o caçador de nazistas.

Após a perseguição de figuras líderes do nazismo nas décadas de 50 e 60, a busca enfraqueceu conforme avançava a Guerra Fria, e embora nos últimos 20 anos tenha ganhado fôlego com processos e condenações de mais de cem nomes, muitos deles na Alemanha.

Segundo Zuroff, estão abertas pelo menos três mil investigações e pelo menos outros 90 foram processados na Europa. Após a morte de Csatary sem julgamento, Zuroff garante que "não faltam candidatos para encher a lista dos dez mais procurados".

Mas reconhece que nesta luta contra o relógio, a morte - que Wiesenthal descreveu como "solução biológica" - ganhará inevitavelmente da Justiça na maior parte dos casos.

Fonte: Terra

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

"Muitas meninas cometiam suicídio", relata ex-escrava sexual na 2ª Guerra

Lee Ok-Seon tinha 14 anos quando foi jogada
 dentro de um carro e acabou indo parar em um
 bordel para militares japoneses na China.
 Foto: Reprodução
Lee Ok-Seon passou três anos em um bordel militar japonês na China durante a 2ª Guerra Mundial, onde foi forçada à prostituição. Quase 70 anos após a rendição japonesa, ela visitou a Alemanha para divulgar seu segredo.

Ela fala com coragem sobre o dia em que foi capturada nas ruas da cidade de Busan, no sudeste da Coreia do Sul, por um grupo de homens. Lee Ok-Seon, então com 14 anos de idade, foi jogada dentro de um carro e acabou indo parar em um bordel para militares japoneses na China, chamado de "posto de consolo". Ali, sofreu estupros diários até o fim da guerra.

Lee Ok-Seon não tinha ideia de que jamais veria sua família novamente ou que sequer iria pisar em seu próprio país nos 60 anos seguintes. Ela também ignorava as torturas que teria de aguentar.

A senhora de 86 anos não fornece detalhes específicos de suas experiências. Apenas resume tudo em poucas palavras: "Não era um lugar para seres humanos; era um matadouro". Sua voz fica mais exaltada quando diz a frase. Aqueles três anos a marcaram pelo resto de sua vida. "Quando a guerra acabou, outros foram libertados, mas eu não."

Um outro nome para escravas sexuais

O caso de Lee Ok-Seon não é isolado, porém não se sabe exatamente quantas outras mulheres tiveram o mesmo destino. "De acordo com estimativas, devem ter sido em torno de 200 mil mulheres, mas esse total nunca foi confirmado", explica Bernd Stöver, um historiador da Universidade de Potsdam, na Alemanha. Elas eram chamadas de "mulheres de alívio" ou de "conforto", o que o pesquisador considera "um absurdo". Trata-se de um eufemismo para o que elas realmente eram: escravas sexuais, diz Stöver.

Não eram apenas as mulheres da península coreana – sob domínio colonial japonês entre 1910 e 1945 – que eram forçadas a se prostituir. Elas também vinham, entre outras regiões, da China, Malásia e das Filipinas.

Os bordéis, que se espalhavam por toda a área de ocupação japonesa, tinham como objetivo manter elevado o ânimo dos soldados e de evitar que as mulheres locais fossem estupradas.

Muitas das escravas sexuais, em sua maioria menores de idade, não sobreviveram aos tormentos. Estima-se que dois terços dessas mulheres morreram antes do fim da guerra.

Vergonha avassaladora

"Nós éramos frequentemente agredidas, ameaçadas e atacadas com facas", relembra Lee Ok-Seon. "Tínhamos 11, 12, 13 ou 14 anos de idade e não acreditávamos que ninguém nos salvaria daquele inferno." Ela explica que estava completamente isolada do mundo exterior e que não confiava em ninguém. Era um constante estado de desespero.

"Muitas meninas se suicidavam. Elas se afogavam ou se enforcavam", conta. Lee afirma que também chegou a pensar que essa seria sua única saída. Mas não teve coragem. "É fácil dizer 'eu preferia estar morta'. Mas é muito difícil fazê-lo", explicou.

Lee Ok-Seon optou pela vida e acabou sobrevivendo à guerra. Após a capitulação japonesa em 1945, o dono do bordel desapareceu. As mulheres, de repente, estavam livres, porém confusas e desorientadas. "Não sabia para onde ir. Não tinha dinheiro. Estava sem casa, tive que dormir nas ruas."

Ela sequer sabia como voltar para a Coreia, também não tinha certeza se de fato queria. O sentimento de vergonha era grande demais. "Decidi que preferia passar o resto dos meus dias na China. Como podia ir para casa? Estava escrito no meu rosto que eu era uma mulher de alívio. Jamais poderia olhar minha mãe nos olhos novamente."

Vida nova na China

Lee Ok-Seon acabou conhecendo um homem de descendência coreana, com quem se casou e passou a cuidar de suas crianças. "Senti que era meu dever tomar conta daquelas crianças, cuja mãe tinha morrido. Eu não podia ter meus próprios filhos."

Enquanto estava no bordel, ela quase morreu em decorrência de doenças sexualmente transmissíveis como a sífilis. Para aumentar suas chances de sobrevivência, os médicos retiraram seu útero.

Na China, ela viveu na cidade de Yanji. Manteve seu passado em segredo e tentou se recuperar, sempre por conta própria. Ela permaneceu assim durante décadas. Seu marido a tratava bem. "Se não, não teria ficado tanto tempo com ele", comenta Lee, bem-humorada.

Muitas "mulheres de alívio" tiveram vida semelhantes às do cativeiro após o tempo em que viveram nos bordéis, sempre mantendo o silêncio sobre os horrores que tiveram que passar – na maioria dos casos, por medo de sofrer recriminações.

Segundo o historiador Stöver, o tema da prostituição forçada é um tabu absoluto. "Não havia apoio algum na sociedade a essas mulheres", explica. Apenas décadas após o fim da guerra, começaram a surgir as histórias sobre as "mulheres de conforto" na Ásia.

O historiador Stöver conta que apenas em 1991 a primeira "mulher de alívio" divulgou sua história. Ela acabou por encorajar 250 outras mulheres, que finalmente falaram sobre suas experiências como escravas sexuais dos soldados japoneses, e exigiram o reconhecimento e as desculpas do governo do Japão.

Desde então, as mulheres e seus apoiadores se reúnem todas as quartas-feiras em frente à embaixada japonesa em Seul. Elas levam cartazes e gritam slogans, mas ainda não tiveram suas exigências atendidas.

Dificuldade em reconhecer os erros

O Japão tem dificuldades em lidar com seu passado, afirma Stöver. Em 1993, o governo finalmente publicou um estudo reconhecendo oficialmente a existência das "mulheres consoladoras" e o papel dos soldados japoneses. "O governo se desculpou inúmeras vezes, mas sem que houvesse qualquer consequência maior", lamenta o historiador.

Ele explica que os pedidos de desculpas foram ocorrências isoladas. Jamais houve qualquer admissão completa de culpa, tampouco um programa de compensação financeira.

Além do pagamento feito por algumas centenas de pessoas em um fundo criado pelo governo, as mulheres não receberam qualquer valor, e não há indicações que isso venha a ocorrer no futuro. A corte japonesa decidiu em 2007 que as mulheres não têm direito a receber indenizações.

A decisão deixou um gosto de frustração nas vítimas. Mesmo hoje em dia, muitos políticos japoneses negam a existência das "mulheres de alívio", ou diminuem os seus dramas. O primeiro-ministro Shinzo Abe chegou a declarar que "não há prova de que elas foram realmente forçadas" a trabalhar nos bordéis. Mais tarde, ele se desculpou por essa declaração.

No começo de 2013, o governador de Osaka, Toru Hashimoto, chegou a afirmar a jornalistas que durante a guerra a escravidão sexual era "necessária" para manter a disciplina entre as tropas. Lee Ok-Seon considera essa declaração grosseira e ultrajante. "Não posso aceitar que alguém diga uma coisa dessas. Quem se recusa a aceitar o que os japoneses fizeram não é um ser humano de verdade", defende Lee.

De volta para casa, mas solitária

Lee Ok-Seon vive hoje na Coreia do Sul. Em 2000, após a morte de seu marido, ela sentiu que tinha que voltar para o seu país de origem e tornar pública a sua história. Ela mora próximo a Seul, nas chamadas "casas compartilhadas", que dão assistência a ex-escravas sexuais. Foi lá que recebeu pela primeira vez cuidados psicológicos, e finalmente, um novo passaporte.

Ao pesquisar seu passado, ela soube que seus pais haviam morrido, mas que seu irmão mais novo ainda vivia. Ele inicialmente a ajudou, mas com o tempo o relacionamento se deteriorou. Foi exatamente o que ela temia: ele tinha vergonha de ser irmão de uma "mulher de alívio", e não queria ter nenhuma ligação com ela.


Fonte: Portal Terra

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Promotores recomendam julgamento de 30 antigos guardas de Auschwitz

Chefe da Procuradoria de Ludwigsburg, Kurt Schrimm, em foto de arquivo
Idade avançada dos suspeitos pode dificultar julgamento; 'Maior inimigo é o tempo', diz chefe de procuradoria

A entidade alemã que investiga crimes de guerra nazistas afirmou nesta terça-feira (3) que recomendou a abertura de processos contra dezenas de supostos ex-guardas de Auschwitz, levantando a possibilidade de uma nova onda de julgamentos quase 70 anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Kurt Schrimm, o chefe da Promotoria de Ludwigsburg, disse que uma investigação de 49 suspeitos colheu evidências suficientes para recomendar aos procuradores de Estados que julguem 30 deles por serem cúmplices de homicídios na Alemanha.

Outros sete suspeitos que vivem fora do país ainda estão sob investigação, dois não conseguiram ser encontrados, e um outro já tinha seu caso sendo tratado pela promotoria, segundo Schrimm. Aqueles que vivem fora da Alemanha estão na Áustria, Brasil, Croácia, EUA, Polônia e até Israel, disse Schrimm sem dar mais detalhes.

Os nomes e as cidades natais dos suspeitos não foram divulgados. Schrimm disse que o suspeito mais velho nasceu em 1916 e o mais novo, em 1926.

Os casos estão sendo enviados às promotorias responsáveis em 11 dos 16 Estados da Alemanha. Caberá a eles determinar se os suspeitos mais velhos - primeiramente homens, mas também mulheres - estão em condições de comparecer à corte e enfrentar indiciamentos. "O maior inimigo é o tempo", disse Schrimm aos repórteres.

Acusações de cumplicidade em homicídios podem ser apresentadas a partir da jurisprudência que o Ministério Público de Munique usou para julgar o ex-mecânico de Ohio John Demjanjuk, que morreu em uma enfermaria da Bavária no ano passado, enquanto aguardava um recurso por sua condenação em 2011 por ter trabalhado em um campo de extermínio em Sobibor, segundo Schrimm.

Demjanjuk, que nasceu na Ucrânia, foi o primeiro condenado na Alemanha apenas por ter trabalhado como guarda em um campo de concentração, sem nenhuma evidência de envolvimento específico em mortes.

Sob a nova jurisprudência, qualquer um envolvido na operação de um campo de concentração pode ser considerado um cúmplice. Demjanjuk afirmava que havia sido confundido com outra pessoa e que nunca havia trabalhado como guarda em um campo de extermínio.

Schrimm afirmou que até os guardas que trabalharam nas cozinhas dos campos de concentração desempenharam uma função em um local que existia com o propósito de matar pessoas em massa.

Ele afirmou que as condições de saúde dos suspeitos - e de possíveis testemunhas - podem dificultar que os julgamentos de fato ocorram. "Eu não quero criar expectativas excessivas", disse.

Os nazistas construiram seis campos de concentração principais, todos eles na Polônia ocupada: Auschwitz, Belzec, Chelmno, Majdanek, Sobibor e Treblinka. Cerca de 1,5 milhão de pessoas, a maioria judeus, foram mortas somente em Auschwitz entre 1940 e 1945.

O escritório de Schrimm agora está focado em outros campos de concentração, começando com investigações de toda a equipe que trabalhava em Majdanek. Ele afirmou que especialistas divulgariam resultados das investigações sobre este campo de concentração em seis meses.

Fonte: Ultimo segundo IG

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Ex-ministro croata acusado por crimes no final da II Guerra Mundial

Josip Boljkovac
Um antigo ministro do Interior da Croácia que exerceu o cargo no primeiro governo pós-independência, em 1991, foi hoje indiciado pela morte de civis no final da Segunda Guerra Mundial, na primeira acusação do género no país.

  Josip Boljkovac, 93 anos, é suspeito de ter ordenado a detenção e morte de 21 civis quando exercia funções de responsabilidade na OZNA, os serviços secretos dos resistentes comunistas, referem os procuradores.

Os civis, naturais da região Duga Resa (sudoeste de Zagreb), foram acusados de colaboração com o regime do movimento Ustasha de Ante Pavelic, aliado da Alemanha nazi durante a Segunda Guerra Mundial, e terão sido detidos e mortos em maio e junho de 1945, ainda de acordo com os procuradores.

Boljkovac foi preso durante um mês em 2011 no âmbito desta investigação, mas na ocasião negou as alegações.

O suspeito foi ministro do Interior da Croácia após a declaração de independência da ex-república da Jugoslávia em junho de 1991, e é membro da União Democrática Croata (HDZ, fundado pelo falecido presidente nacionalista Franjo Tudjman), hoje a principal força da oposição.

Fonte: http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=656487

domingo, 20 de outubro de 2013

Museu chinês tem documentos de trabalhos forçados no Japão

Policiais erguem a bandeira nacional chinesa durante uma cerimônia
 memorial no 82 º aniversário da invasão japonesa da China nesta 
quarta-feira (18) Foto: Stringer/ Reuters

Arquivos são datados da Segunda Guerra Mundial. Cerca de 400 documentos mostram como 40 mil chineses trabalharam

Um museu chinês apresentou nesta quarta-feira (18) documentos sobre casos de trabalho forçado de cidadãos chineses no Japão durante a Segunda Guerra Mundial, no dia do aniversário do incidente que provocou a invasão japonesa da Manchúria em 1931.

O Museu da Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Ocupação Japonesa de Pequim apresentou mais de 400 documentos que, segundo a instituição, mostram como 40 mil chineses foram obrigados a trabalhar no Japão durante a guerra.

"Com base nestes documentos, vamos iniciar ações judiciais contra o governo japonês para que admita o que seu país fez, peça desculpas e ofereça uma compensação às famílias das vítimas", declarou à AFP o diretor adjunto do museu, Li Zongyuan.

Os documentos foram apresentados por ocasião do 82º aniversário do incidente de Mukden, também conhecido como o incidente da Manchúria, onde em 1931 um trecho da Ferrovia do Sul da Manchúria, uma empresa de propriedade japonesa, foi dinamitado.

O exército japonês responsabilizou os dissidentes chineses pelo ataque, o que proporcionou um "casus belli" que justificou assim a anexação da região chinesa da Manchúria por Tóquio.

Os abusos cometidos pelo exército japonês durante a ocupação dos territórios chineses continuam sendo uma fonte de divergência entre Pequim e Tóquio.

sábado, 19 de outubro de 2013

Responsável por massacre de Cefalónia em 1943 condenado à revelia na Itália

Alfred Stork, no centro.
Roma, 18 out (Lusa) - Um tribunal italiano condenou a prisão perpétua, na ausência do arguido, um antigo cabo do exército alemão pelo massacre de 117 oficiais italianos na ilha grega de Cefalónia durante a II Guerra Mundial, episódio que inspirou um famoso romance.

Alfred Stork, de 90 anos e residente na Alemanha, foi condenado pelo tribunal militar pelo seu papel na execução, que ocorreu a 24 de setembro de 1943 após os oficiais se renderem às tropas alemãs.

Stork confessara o seu papel, mas o procurador militar Marco De Paolis disse que "ele não teve a coragem de manter a sua confissão e ficou confortavelmente na sua casa na Alemanha".

Fonte: Expresso

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Cidade alemã retira título de cidadão honorário a Hitler

Goslar - Cidade alemã retira título de cidadão honorário a Hitler

Adolf Hitler vai perder o título de cidadão honorário da cidade de Goslar, na Alemanha, a mais recente cidade a distanciar-se da figura do antigo líder nazi, foi hoje anunciado.

Segundo o porta-voz deste município do norte da Alemanha, Christian Burgart, o conselho da cidade adotou na terça-feira uma resolução para retirar a Hitler o título de cidadão honorário, que lhe tinha sido atribuído em 1934.

Os conselheiros do partido de extrema-esquerda Die Linke foram os precursores da iniciativa, que deverá ainda ser oficialmente confirmada pelo conselho administrativo de Goslar a 29 de outubro, disse Burgart.

Goslar, cidade da Baixa Saxónia onde residem 42 mil habitantes, é a terra de Sigmar Gabriel, o líder da oposição social-democrata que, depois de ter feito campanha para a retirada deste título a Hitler, veio agora dizer que lhe parece "quase errado".

"É como tentar branquear algo que não pode ser branqueado", disse.

Burgart garantiu, por seu lado, que não se pretende apagar o passado.

"Estes anos [em que Hitler foi cidadão honorário] existiram e não poderemos mudar isso", disse.

Cerca de 4 mil cidades alemãs concederam a Adolf Hitler títulos de cidadão honorário. Muitas retiraram a distinção logo a seguir ao fim da II Guerra Mundial, mas outras só apenas recentemente o fizeram, como a cidade de Trier, em 2010.

Fonte: Noticias ao minuto

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Países aprovam moção que contesta negação do Holocausto



A Aliança Internacional de Memória do Holocausto (IHRA), uma organização intergovernamental que junta 31 países, aprovou por unanimidade uma moção, rejeitando formalmente qualquer tipo de negação do extermínio de seis milhões de judeus na II Guerra Mundial.


"Após quatro anos de discussão, finalmente foi aprovado o texto de negação do holocausto", disse Mário Silva, o luso-canadiano que preside à comissão em representação do Canadá, que lidera a aliança até março de 2014.

No encontro, que terminou já na madrugada de hoje, os representantes da aliança consideraram que a "comunidade internacional tem o papel de "combater o genocídio, as limpezas étnicas, o racismo, a xenofobia ou o antissemitismo".

Em 2000, a aliança havia aprovado uma moção para "preservar a verdade e a memória sobre aqueles que negam o Holocausto", mas perante várias notícias de grupos sociais que rejeitam a existência do holocausto, os países subscritores decidiram aprovar este novo texto.

Com este acordo, os 31 países subscritores -- e cinco observadores (entre os quais cinco observadores, incluindo Portugal) - comprometeram-se a fortalecer os esforços para promover a educação, memória e pesquisa sobre o tema.

Esta moção pode ser uma "referência para tomarem medidas, fazendo-lhes pressão para continuarem a respeitar as suas obrigações", explicou o presidente da aliança.

O Reino Unido assume a presidência da comissão em 2014, ficando também já definido nesta reunião que em 2015, será a vez da Hungria presidir à organização.

Calcula-se que seis milhões de judeus foram mortos durante a Segunda Grande Guerra pelo regime nazi.

Fonte: Noticias ao minuto

OBS: Eu, Daniel, no meu modo de ver as coisas,como já disse centenas de vezes, sou contra a lei de negação do Holocausto, sou a favor do livre debate . Já existe lei de racismo e contra o ódio, e se as mesmas fossem aplicadas, isso resolveria, não precisando ficar inventando outras leis.

Muitos amigos que caminham lado a lado contra o "revisionismo" do Holocausto tem opiniões divergentes sobre o assunto, alguns que apoiam a lei e outros que também acham que ela não é necessária. Respeito a todos, mas creio que o direito de se expressar é uma condição humana, um direito de liberdade.

Proibir o discurso do ódio seria uma forma superficial de enfrentar o problema sobre a Negação do Holocausto, pois se analisarmos mais friamente, isso seria apenas uma camuflagem do problema, "tampando o sol com a peneira", pois continuaria existindo esse ódio aos judeus, mudando apenas o foco do "Revisionismo" para "pró"-Palestino para continuar os ataque, como é facilmente visto hoje.

Não me implica em nenhum momento a raiz de revisão histórica, ela é muito bem vinda, por sinal. Mas ela deve fazer o trabalho correto ,não a porcaria que os "revisionistas" fazem, mentindo nas "investigações", em seus próprios nomes e títulos, destilando ódio em duas publicações, com teorias de conspirações e toda loucura que conseguem imaginar no mundinho paralelo deles.

Para mim, toda publicação que faça um contraponto histórico não comprovado deveria vir com um texto inicial pré-estudado no começo do livro onde fosse explicado que o teor da publicação vai contra dados estudados e comprovados por dezenas de historiadores conhecidos, que o conteúdo não é aceito pela comunidade acadêmica e cientifica, sendo do leitor a responsabilidade a leitura de tal obra.

Mas o combate ao negacionismo do Holocausto deveria ser feito por meio de estudos e difusão de conhecimento,  de grupos de combate por meio desse conhecimento ao extremistas na internet que espalham essa bobeirada, pois como sabemos, meia duzia de argumentos deixam qualquer "revisionista" perdido, sem nada pra falar. Tem tanta entidade grande como o USHMM, o Yad Vashem e outros que deveriam combater essa raiz, mas não o fazem. Mas também existe o caso de certas pessoas e entidades fazerem mais palhaçadas do que ajudarem, com uns ideais que já colocam Israel, assunto do Oriente Medio, atual no meio e estragam tudo, fazendo o estrago na rede.

Negação de conhecimento geral de fatos históricos acontecidos não devem ser punidos, POIS A PRÓPRIA ESTUPIDEZ É PUNIÇÃO SUFICIENTE.

Depois continuo o texto.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Roma promete impedir funeral de criminoso de guerra nazista

Erich Priebke (Gerard Julien/AFP )
Nazista condenado por massacre de 335 italianos morreu aos 100 anos ao cumprir prisão domiciliar em Roma


Autoridades civis e religiosas vêm se manifestando para impedir um funeral em Roma para Erich Priebke, um criminoso de guerra nazista condenado por um dos piores massacres ocorridos na Itália, que morreu na semana passada, aos 100 anos.

Priebke, que nunca pediu desculpas por seu papel na morte de 335 civis nas Fossas Ardeatinas, perto de Roma em 1944, e que negou a ocorrência do Holocausto, estava cumprindo sentença de prisão perpétua em prisão domiciliar quando morreu na capital italiana.

Sua morte, assim como seu centésimo aniversário em julho, trouxe à tona algumas das profundas tensões que permanecem no rescaldo da Segunda Guerra Mundial na Itália, depois do país ter chegado perto de uma guerra civil após a ditadura fascista de Benito Mussolini ter entrado em colapso em 1943.

O jornal Il Messaggero mostrou uma pichação do lado de fora da residência de Priebke em Roma com os dizeres "Honra a Priebke" em italiano, com uma suástica nazista.

O advogado de Priebke, Paolo Giachini, disse à Reuters neste domingo que a família iria pedir para que Priebke fosse enterrado em Roma assim que os procedimentos formais de registro de óbito fossem concluídos, mas houve oposição imediata.

Ignazio Marino, o prefeito de centro-esquerda de Roma, disse que seria um insulto ter Priebke enterrado na cidade.

"Eu farei tudo em meu poder para evitar o enterro de Erich Priebke em Roma", disse ele em um comunicado.

As autoridades da igreja também disseram que não iriam receber um enterro religioso em Roma.

"Não há planos para qualquer funeral religioso em Roma para Erich Priebke", disse o porta-voz da igreja Walter Insero ao jornal católico Avvenire.

Fonte: Portal Terra

Mais:
 Ex-oficial de guerra nazista Erich Priebke será enterrado na Argentina
Morre em Roma o ex-comandante nazista Erich Priebke(Holocausto Doc)

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Ex-oficial de guerra nazista Erich Priebke morre em Roma, aos 100 anos

Erich Priebke em foto feita durante julgamento em 1996 (Foto: Giulio Broglio/AP)

Priebke foi condenado em 1998 à prisão perpétua pelo massacre das Fossas Ardeatinas de Roma, em 1944

Roma - O ex-oficial das SS Erich Priebke, condenado em 1998 à prisão perpétua na Itália pelo massacre das Fossas Ardeatinas em Roma em 1944 e um dos últimos criminosos nazistas em vida, morreu nesta sexta-feira aos 100 anos em sua residência na capital italiana, onde permanecia em prisão domiciliar.

Priebke, que completou um século de vida no dia 29 de junho, foi um dos oficiais que organizou o massacre em cavernas nos arredores de Roma de 335 civis, entre eles 75 judeus, executados com um tiro na nuca no dia 24 de março de 1944, em represália por um ataque da resistência contra uma unidade das SS.

Detido na Argentina em 1994 depois de ter vivido tranquilamente neste país por mais de 40 anos, extraditado e julgado na Itália, onde cumpriu prisão domiciliar por razões de saúde, Priebke jamais pediu desculpas, nem manifestou arrependimento algum.

"Não choraremos por ele. Morreu um assassino que matou mais gente que um 'serial killer'. Alguém que não se arrependeu e que viveu uma vida longa, em parte feliz", lamentou Francesco Polcaro, presidente da Associação Nacional de Partisanos Italianos (ANPI).

O ex-capitão nazista gozou do apoio de vários movimentos pró-nazistas da Itália e da Europa, que garantiram a ele assistência legal e médica até o fim de sua vida "Suportou com dignidade anos de perseguição, convertendo-se em exemplo de coragem e coerência", comentou seu advogado e procurador, Paolo Giachini, depois de anunciar sua morte.
Segundo Giachini, Priebke será enterrado em Bariloche, no sul da Argentina, onde passou mais de 40 anos de sua vida.

Priebke será colocado numa câmara ardente e, posteriormente, seu corpo será trasladado para a Argentina, para ser enterrado ao lado de sua esposa, declarou o advogado. Segundo contou ao jornal Il Corriere della Sera um de seus amigos, Mario Merlino - conhecido como o "professor negro" por sua militância fascista - o ex-capitão alemão teria se convertido nos últimos anos ao cristianismo, lia textos sagrados e costumava se recolher para meditar depois de ter perdido quase completamente a memória.

Há 10 anos, uma festa organizada por seus 90 anos, assim como a saída pública a um restaurante provocaram protestos na Itália. Sua presença em um restaurante romano em 2011 acompanhado por amigos, fotografada pela popular revista Oggi, provocou indignação, em particular pela comunidade judaica, que pediu que seu caso fosse revisado.

Priebke foi autorizado em 1999 a deixar seu domicílio "durante o tempo estritamente necessário para a satisfação de necessidades indispensáveis", como as visitas médicas. Os familiares das vítimas do maior massacre cometido pelas tropas nazistas na Itália esperaram por anos que pedisse desculpas pelo papel que teve como responsável pela operação. Durante o processo realizado em Roma, Priebke, que compareceu em várias audiências, afirmou que se limitou a cumprir ordens.

Sebastiano di Lascio, advogado da associação de familiares de vítimas do massacre, chamou de chocante a negativa do ex-oficial nazista de pedir desculpas. O fato de Priebke ter vivido até os 100 anos, enquanto suas vítimas, algumas das quais tinham 17 ou 18 anos, nunca terem conseguido envelhecer, era inaceitável para os sobreviventes e familiares.

O massacre das Fossas Ardeatinas, em março de 1944, foi ordenado em vingança por uma bomba detonada pela resistência nas ruas de Roma, que matou 33 soldados alemães. Acredita-se que foi o próprio Adolf Hitler quem ordenou que 10 pessoas fossem mortas por cada alemão morto.

As vítimas foram reunidas no bairro judeu e outras, sobretudo detidos políticos, foram transferidas das prisões a uma rede de cavernas nos arredores da cidade, onde foram executadas.

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