sexta-feira, 24 de julho de 2015

Morre Aleksander Henryk Laks, sobrevivente do Holocausto


Polonês radicado no Brasil tinha 88 anos e tratava de infecção pulmonar. Funeral será em associação israelita, na Praça da Bandeira.

Alexander Laks durante cerimônia de abertura oficial da mostra
 'Tão somente crianças: infâncias roubadas no Holocausto
Aleksander Henryk Laks, sobrevivente do holocausto, foi enterrado nesta quarta-feira (22), no Rio de Janeiro. Laks, que tinha 88 anos, tratava de uma infecção pulmonar e morreu na terça-feira (21).

“Nosso pai, sogro e avô morreu hoje (terça). Agradecemos todo o carinho de vocês ao longo desses últimos dias. As correntes positivas trouxeram paz para ele e para a família", escreveram os parentes no Facebook. 
Ainda na rede social a família pediu para ninguém levar flores ao sepultamento. 

Em entrevista ao Portal RAC, em julho de 2014, Laks mostrou que por trás dos óculos e do peso da idade, havia uma história impressionante. O polonês ficou cinco anos e meio confinado em campos de concentração em seu país, de 1940 a 19 45, período em que perdeu o pai e a mãe. Dois anos depois de resgatado começou a reconstrução de sua vida no Brasil, único país onde tinha familiares vivos.

No Brasil foi presidente da Associação Brasileira dos Israelitas Sobreviventes da Perseguição Nazista e em 2000, publicou “O Sobrevivente: Memórias de um brasileiro que escapou de Auschwitz”, biografia em que narra suas memórias dos seis anos em que viveu em campos de concentração.

Fonte: http://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/07/capa/nacional/303051-morre-aleksander-henryk-laks-sobrevivente-do-holocausto.html

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Antigo oficial* nazista é condenado a quatro anos de prisão na Alemanha


"Sinceramente me arrependo", diz Oskar Groening, de 94 anos, após ouvir seu veredito; ele é cúmplice de 300 mil homicídios

Um tribunal alemão condenou hoje um antigo oficial* do regime nazista, conhecido como "guarda-livros de Auschwitz", a quatro anos de cadeia.

Com ajuda de membro da Cruz Vermelha, o ex-guarda da SS Oskar Groening
deixa julgamento após o veredito na Alemanha. Foto:AP

Oskar Groening, de 94 anos, mostrou-se impassível enquanto o juiz, Franz Kompisch, lia o veredito: "o acusado é considerado culpado de ser cúmplice de homicídio em 300 mil casos legalmente ligados de judeus deportados que foram enviados para as câmaras de gás em 1944".

Groening serviu de "guarda-livros" no campo de extermínio da Polônia ocupada pelos nazistas, onde contava dinheiro de diferentes moedas europeias, tirado dos que foram mortos ou usados como escravos. O dinheiro era, posteriormente, enviado para os chefes nazistas, em Berlim.

A sentença foi maior do que os três anos e meio que os promotores exigiram no tribunal no norte da cidade de Luneburgo, Alemanha, que julgava o caso desde abril passado.
Groening teve, na terça-feira, a última oportunidade para declarar que estava "arrependido" e que "lamentava muito" o que houve no campo de concentração, dizendo aos juízes que "ninguém devia ter participado em Auschwitz".

"Eu sei disso. Sinceramente eu me arrependo de não ter tido essa perceção mais cedo e mais consistentemente. Estou muito arrependido", disse, com "voz vacilante".

Um grupo de sobreviventes do Holocausto declarou, em comunicado, que se congratulava "com a condenação de Oskar Groening”, classificando-a como "um passo tardio em direção à justiça".

Groening reconheceu a “culpa moral”, mas disse que só o tribunal poderia se pronunciar sobre a sua culpa legal, sete décadas após o fim do Holocausto.

Fonte:http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2015-07-15/antigo-oficial-nazista-e-condenado-a-quatro-anos-de-prisao-na-alemanha.html

* OBSERVAÇÃO:
Oskar Groening era um SS-Unterscharführer, equivalente a 3ºSargento. Não era um oficial, como diz a materia.



domingo, 5 de julho de 2015

Filme raro achado no Brasil mostra vida de judeus em campo da Bulgária



Filmagem foi feita em campo de trabalhos forçados durante a 2ª Guerra.
Família descobriu material em SP e doou a museu nos EUA; veja trechos.

Quando migrou da Bulgária para o Brasil, em 1948, Licco Haim trouxe na bagagem um material que, décadas depois, revelou-se um tesouro histórico: filmes que mostram o dia a dia de judeus em um campo de trabalhos forçados na 2ª Guerra Mundial.

Judeu nascido na Áustria, Licco morava na Bulgária, que na época era aliada da Alemanha nazista. Em 1941, foi enviado para o campo de Lakatnik, a 40 km da capital, Sófia. Lá, participou da construção de uma estrada junto com outros judeus, ciganos e minorias discriminadas. Anos depois, migrou com a família para o Brasil, onde morou por 54 anos, até sua morte.

Fã de fotografias e filmes, Licco tinha uma câmera, algo incomum na época, e com ela registrou a sua rotina e a de outros prisioneiros.

As imagens, redescobertas pela família no ano passado, mostram cenas como os presos quebrando pedras, afiando ferramentas, explodindo dinamite, pegando sua ração de comida ou fumando e escalando montanhas nos momentos de folga.

Licco Haim (de óculos) no campo de trabalhos forçados
 (Foto- USHMM / Doação de Salvator Haim)
De acordo com o Museu da Memória do Holocausto dos EUA, que recebeu os filmes como doação, a gravação tem grande valor histórico por ser uma das poucas no mundo feitas sob a ótica de um prisioneiro, e não do regime que controlava o campo.

Não se sabe como Licco conseguiu captar as imagens dentro do local. Uma das hipóteses é que os próprios guardas tenham pedido que ele levasse a câmera para filmar cerimônias oficiais e ele aproveitou a oportunidade para gravar outros momentos do cotidiano.

Após seis meses, ele foi dispensado do campo de trabalhos forçados por suas habilidades com mecânica, necessárias para o país naquela época. Sete anos depois, quando a Bulgária já era comunista, migrou para o Brasil com a família e morou em São Paulo até 2002, quando morreu.

Surpresa
Os filmes perderam qualidade e ficaram incógnitos por muito tempo, já que a família não sabia exatamente do que se tratava. “Ele trouxe para o Brasil, o que significa que dava importância ao material. Mas depois disso nunca mais deu bola e raríssimas vezes tocou no assunto”, conta seu filho, Salvator Haim.

Em 2014, quando o sobrinho dele, Ilko Minev, escreveu um romance baseado na história do tio, a família redescobriu as latas com os filmes. “Não conseguimos ver o conteúdo, porque a lâmpada do projetor queimou. Foi o que preservou, porque esses filmes antigos se desgastam cada vez que são vistos. Eles estavam dentro de uma mala e não sabíamos o que fazer com eles”, conta Ilko.

Por sugestão de um amigo, a família levou os filmes para o museu em Washington, que os recuperou, remasterizou e usou como objeto de pesquisa.

Segundo Ilko, os diretores do museu tiveram uma surpresa quando perceberam do que se tratava o material. “Foi emocionante. Não esperávamos a recepção que tivemos. Aí que nos demos conta de que nossos filmes tinham um valor extraordinário”, afirmou.

Ao G1, Lindsay Zarwell, que trabalha no Arquivo de Filmes Steven Spielberg, pertencente ao museu, afirmou que as gravações de Licco são valiosas para o acervo da instituição e para ajudar a reconstruir a história dos judeus na Bulgária.

“Filmes assim são poderosos não apenas por seu significado histórico, mas também porque chamam a atenção para a vida das pessoas comuns. É importante capturar a história de indivíduos para revelar a verdade sobre os horrores do Holocausto na esperança de um futuro mais justo”, diz.

Os filmes de Licco estão sendo incorporados a um arquivo do museu que inclui entrevistas do diretor Steven Spielberg com sobreviventes de campos de concentração e por isso foi batizado com seu nome (veja três trechos neste link)

Nazismo, comunismo e vinda ao Brasil

Licco Haim mudou-se com o pai da Áustria para a Bulgária aos 18 anos. Entendido de mecânica, prosperou no ramo automobilístico até sua empresa ser confiscada pelo governo antissemita e ele ser enviado para o campo de trabalhos forçados, como quase todos os outros homens judeus.

Graças a uma ponte que aparece nas filmagens, os familiares conseguiram localizar onde ficava o campo. A estrada construída pelos prisioneiros existe até hoje. Na Bulgária, esses campos – inicialmente administrados pelo exército do país e depois pelos alemães – não eram de extermínio, como em outros países.

“Foi um regime duro, mas a intenção não era exterminar. Era explorar, mas não matar. Por isso a Bulgária começou e terminou a guerra com o mesmo número de judeus: cerca de 50 mil”, conta Ilko, que é búlgaro e veio para o Brasil já adulto, em 1970, por perseguições políticas do regime comunista.

Depois de ser liberado do campo, Licco conseguiu recuperar a empresa, mas ela foi tomada novamente em 1948, quando a Bulgária já era comunista. “Aí ele desistiu e resolveu ir embora de lá”, conta Salvator.

Após passar pela Suíça e pela França, Licco, a mulher, a sogra e o filho (que na época tinha dois anos) pediram visto para vários países. Resolveram vir para o Brasil, onde o documento saiu primeiro. Entre sair da Bulgária e chegar ao Brasil a família levou seis meses.

Em São Paulo, Licco trabalhou em companhias de automóveis e depois fundou a própria empresa metalúrgica. Tinha vários hobbies: escalar, velejar e jogar xadrez eram alguns deles.

Ele e a mulher adoravam morar aqui. “Ai de quem falasse mal do Brasil”, afirma Salvator. "Eles se consideravam brasileiros."



Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/07/filme-raro-achado-no-brasil-mostra-vida-de-judeus-em-campo-da-bulgaria.html

terça-feira, 10 de março de 2015

Pesquisa sobre violência sexual na Segunda Guerra só está no começo

Historiadora alemã relata em livro casos de estupros de mulheres alemãs no fim da Segunda Guerra. Não só membros do Exército Vermelho cometiam crimes, como se pensa, mas também soldados aliados.
Alemãs dançam com soldados americanos no pós-guerra
No livro Als die Soldaten kamen (Quando os soldados chegaram), a historiadora alemã Miriam Gebhardt mostra que não só membros do Exército Vermelho soviético estupravam alemãs no final da Segunda Guerra Mundial, mas também soldados americanos, franceses e britânicos.

Em entrevista à Deutsche Welle, a autora conta que a forma de agir dos soviéticos era parecida com a dos militares aliados. Acima de tudo, o tema ainda é pouco pesquisado.

Deutsche Welle: Podemos falar das vítimas alemãs hoje, 70 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial? Ou o estupro das mulheres alemãs ainda é um tema tabu?

Miriam Gebhardt: Gostaria de falar menos sobre uma proibição, do que do fato de as vítimas não receberem nenhuma simpatia, nenhuma compaixão da sociedade. Acho que esse era um tema muito vergonhoso para as próprias vítimas. E, sim, também houve uma fase em que era politicamente impossível se falar de vítimas alemãs.

Em primeiro lugar, porque era importante tratar dos crimes do nacional-socialismo e da Wehrmacht e, por outro lado, devido a uma lealdade política em relação aos respectivos aliados, tanto da RFA, em relação aos aliados ocidentais, como na RDA, em relação à União Soviética.

Até hoje, o seguinte ficou gravado na memória coletiva: em primeira linha, os soldados do Exército Vermelho é que estupravam as mulheres alemãs, os soldados americanos, por sua vez, lhes davam flores e chocolates. O que há de verdade nisso?

Esta é, de fato, a grande imagem distorcida que temos hoje. Ela se baseia no fato de que as mulheres alemãs já tinham sido preparadas pela propaganda de guerra nazista, antes do fim da guerra, para serem estupradas por soldados soviéticos. Uma expectativa que então também se confirmou. Portanto já havia uma linguagem para esses crimes.

O que, no entanto, não se confirmou foi a expectativa de que os soldados aliados ocidentais não fariam uma coisa dessas. Mas também eles estupravam. Encontrei provas nesse sentido, mas só poucos testemunhos das próprias mulheres que relatassem estupros pelos soldados ocidentais.

Então, não é verdade que a maioria dos casos de estupro era cometida na zona de ocupação soviética?

É verdade, sim. Mas também tem algo a ver com o desenrolar da guerra. O que realmente foi surpreendente para mim foi ver que, estruturalmente, os estupros pelos soldados ocidentais obedeciam ao mesmo esquema. Geralmente eram antecedidos por saques: os soldados invadiam as casas e primeiro confiscavam coisas de valor, roubavam bicicletas, tomavam os relógios de civis. E em seguida se atiravam sobre as mulheres, a maioria das vezes em grupos. O procedimento em si e também a violência dos estupros, a meu ver, quase não se distinguiam entre os GIs e os soldados do Exército Vermelho.

Sua estimativa é de que 860 mil alemãs foram estupradas. É muito inferior a algumas estimativas anteriores, que falam em cerca de 2 milhões, só de violentadas pelo Exército Vermelho. Como chegou a esse número?

Havia até agora somente estimativas sobre as vítimas do Exército Vermelho, variando de 1 a 2 milhões. Esses números são baseados numa estimativa de amostragem aleatória dos registros hospitalares de um único hospital em Berlim. Eu tomei um caminho totalmente diferente: descobri quantos assim chamados besatzungskinder (filhos da ocupação) havia, pois temos números bem precisos sobre isso. Sabemos muito bem que 5% deles foram concebidos num ato de violência. Partindo-se do pressuposto um em cada dez estupros leva a uma gravidez e que um décimo delas foi levado até o fim, chegamos à seguinte conclusão: um em cada 100 estupros resultou numa criança.

Um outro preconceito diz que as principais vítimas de violência sexual eram jovens. O que há de verdade nisso?

Eu encontrei casos de meninas muito jovens que antes não eram sexualmente ativas, e para quem essa deve ter sido uma experiência terrível, mas também de mulheres mais velhas e homens e meninos. Há uma história que acho particularmente triste: uma mulher de seus 50 anos foi estuprada por cinco soldados franceses, na área de Freiburg, ficando gravemente ferida. Ela foi levada para o hospital e, mais tarde, transferida para a psiquiatria. Todas as noites ela gritava por ajuda, mas ninguém sabia o que havia com ela. Só anos depois, após uma nova internação, é que ocorreu aos médicos e psiquiatras que pudesse ser uma consequência dos estupros.

Isso quer dizer que até hoje algumas mulheres bastante idosas ainda vivem com os traumas dos estupros na guerra.

Sabemos que, de fato, algumas idosas em asilos revivem esse trauma na hora de serem lavadas pelos cuidadores. Em casos em que são tocadas por cuidadores mais rudes ou que, por exemplo, têm sotaque russo. Até agora, há pouca compreensão para esse tipo de situação nas instituições para idosos.

Havia ordens superiores para se estuprar, seja do lado russo, americano, francês ou britânico?

Não. Houve por muito tempo o boato de que havia uma incitação ao estupro no Exército Vermelho. Mas parece ter sido propaganda de guerra por parte dos alemães. O que pode ter havido foi uma espécie de propaganda de guerra entre os soviéticos, mas também entre os americanos, apresentando a mulher alemã como sexualmente mais permissiva do que as compatriotas.

Os jornais militares do Exército dos EUA gostavam de publicar fotos de mulheres beijando e abraçando os soldados americanos. Com esse troféu sexual criou-se um incentivo para os soldados atravessarem o oceano e se envolverem na guerra. Mas isso não quer dizer que o estupro fosse permitido ou mesmo ordenado.

Estupros eram punidos?

Por parte das autoridades alemãs, não havia como. Um policial alemão não podia, legalmente, prender soldados americanos nem soviéticos. Embora os próprios militares mantivessem um regime disciplinar bem severo diante de seus soldados e alguns tenham até proferido a pena de morte. Tanto no Exército Vermelho como no Exército 

Fonte: D.W.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Direitos de publicação de 'Mein Kampf' vencem em 2015: um perigo para o mundo?


"Eles queriam substituir a Bíblia". Sussurrando em uma silenciosa sala da Biblioteca Pública da Baviera, o especialista em livros raros Stephan Kellner descreve como os nazistas transformaram um calhamaço longo e praticamente incompreensível ─ parte memória, parte propaganda ─ em uma peça central da ideologia do Terceiro Reich.

No ano em que Mein Kampf (“Minha Luta”, em português), de Adolf Hitler, passa a ser uma obra de domínio público ─ o que, em tese, significa que qualquer pessoa pode publicar sua própria edição na Alemanha ─ um programa da Rádio 4 da BBC explorou o que as autoridades podem fazer em relação ao livro, que é um dos mais famosos do mundo.

Segundo John Murphy, produtor do programa Publish or Burn ("Publicar ou queimar", em tradução livre), o livro ainda é um texto perigoso. "A história de Hitler é uma história de submestimação; e as pessoas subestimaram este livro", diz Murphy, cujo avô traduziu a primeira versão integral em inglês de Mein Kampf, em 1936.

"Há um bom motivo para se levar a obra a sério porque ela está aberta a erros de interpretação. Apesar de Hitler tê-la escrito nos anos 20, ele colocou em prática muito do que está escrito ali – se as pessoas tivessem prestado um pouco mais de atenção ao livro na época, elas talvez tivessem identificado uma ameaça", afirma Murphy.

Mein Kampf continua a ser impresso em outros países, como o Egito
Folheado a ouro

Hitler começou a escrever Mein Kampf em 1925, quando estava preso por traição à pátria, após ter participado do fracassado 'Putsch' da Cervejaria em Munique, em 1923. Ali ele expressava suas ideias racistas e antissemitas.

Quando chegou ao poder uma década depois, o livro tornou-se um texto fundamental para os nazistas, com 12 milhões de cópias impressas. Era um presente que o governo dava a casais recém-casados, enquanto os principais membros do partido exibiam em suas casas edições folheadas a ouro.

No fim da Segunda Guerra Mundial, quando o Exército americano assumiu o controle da editora nazista Eher Verlag, os direitos autorais de Mein Kampf passaram para as autoridades da Baviera. Elas garantiram que o livro só fosse reimpresso na Alemanha sob circunstâncias especiais.

Mas a proximidade da expiração dos direitos autorais em dezembro de 2015 deu início a um debate acirrado sobre como conter uma possível onda de publicações da obra.

'Auto-ajuda'

Alguns questionam se alguém realmente teria interesse em reeditar a obra. Segundo a revista New Yorker, o livro "é cheio de frases empoladas e de difícil compreensão, com minúcias históricas e linhas ideológicas emaranhadas". "Tanto os neonazistas quanto os historiadores sérios tendem a evitá-lo", diz a revista.

Mesmo assim, a obra se tornou popular na Índia entre políticos hindus de inclinação nacionalista. "Ele é considerado um livro de auto-ajuda bastante significativo", afirmou à Rádio 4 Atrayee Sen, professor de religião contemporânea e conflito na Universidade de Manchester, na Grã-Bretanha.

"Se você remover o elemento do antissemitismo, o que se tem é um texto sobre um homem de baixa estatura que estava na cadeia, que sonhava em conquistar o mundo, e que saiu dali para fazer isso".

Mas a remoção do contexto é uma das preocupações daqueles que se opõem à reimpressão da obra.

Ludwig Unger, porta-voz da secretaria de Educação e Cultura da Baviera, disse à BBC: "O resultado desse livro foi milhões de pessoas mortas, milhões de pessoas sofrendo maus tratos, e áreas inteiras destruídas pela guerra. É importante ter isso sempre em mente. E você pode fazer isso quando lê algumas passagens de Mein Kampf junto com comentários críticos adequados".

Quando a obra se tornar de domínio público, o Instituto de História Contemporânea de Munique planeja publicar uma nova edição de Mein Kampf que combina o texto original com comentários que evidenciam omissões e distorções da verdade.

Algumas vítimas do nazismo são contra essa abordagem, e o governo da Baviera retirou o apoio ao instituto depois de receber críticas de sobreviventes do Holocausto.

Incitação ao racismo

Ainda assim, suprimir o livro pode não ser a melhor tática.

Um editorial no jornal americano The New York Times recentemente argumentou: "A inoculação da geração mais jovem contra o bacilo nazista será mais eficiente com a confrontação aberta às palavras de Hitler do que manter seu panfleto revoltado nas sombras da ilegalidade".

Murphy reconhece que uma proibição mundial ao livro é impossível. "Isso está relacionado com a vontade das autoridades da Baviera de fazer valer sua opinião, mais do que simplesmente ter o controle sobre a obra. Eles têm que tomar uma posição, mesmo se no mundo moderno ela não vai evitar que as pessoas tenham acesso ao texto", afirma o produtor.

Quando a proteção dos direitos autorais expirar, o Estado planeja iniciar processos contra a obra usando a lei contra a incitação ao ódio racial. "Do nosso ponto de vista, a ideologia de Hitler corresponde à definição de incitação", diz Ludwig Unger. "É um livro perigoso se cair em mãos erradas".

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/02/150204_vert_cul_mein_kampf_ml

Tem mais matérias anteriores sobre a reimpressão do livro no Holocausto Doc. :

"Mein Kampf" de Hitler será reeditado na Alemanha
"Mein Kampf", de Hitler, volta às bancas da Alemanha

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

'Contador de Auschwitz' será julgado na Alemanha


Oskar Groning,

Oskar Groning, de 93 anos, deve ser um dos últimos nazistas a se sentar no banco dos réus na Alemanha

Um ex-cabo(SS - Rottenführer) do campo de extermínio de Auschwitz, nonagenário, será julgado na Alemanha a partir de 21 de abril por cumplicidade no assassinato de 300 mil pessoas, anunciou nesta segunda-feira (2) um tribunal.

Oskar Groning, de 93 anos, deve ser um dos últimos nazistas a se sentar no banco dos réus na Alemanha. Foi o "contador de Auschwitz" entre 16 de maio de 1944 e 11 de julho de 1944, segundo o comunicado do tribunal.

Durante este período, 425.000 pessoas foram deportadas a este campo nazista situado na atual Polônia, 300.000 das quais morreram nas câmaras de gás.

Cinquenta e cinco pessoas, sobretudo sobreviventes e familiares das vítimas, formarão a acusação popular no julgamento, que será realizado em um tribunal de Luneburgo, ao sul de Hamburgo.

Groning, que era membro das Waffen SS, se encarregava de contar o dinheiro encontrado nas malas dos prisioneiros e transferi-lo às autoridades nazistas de Berlim, segundo o Ministério Público de Hannover (norte).

O acusado também se desfazia dos pertences dos prisioneiros para que não fossem vistos pelos recém chegados, indicou a mesma fonte.

Segundo a acusação, era consciente de que os prisioneiros declarados inaptos para o trabalho "eram assassinados diretamente após sua chegada nas câmaras de gás de Auschwitz".

Em 2005, Oskar Gröning indicou ao jornal Bild que se arrependia de ter trabalhado no campo de extermínio, declarando que ainda ouvia os gritos provenientes das câmaras de gás.

Fonte:http://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/02/capa/mundo/238383-contador-de-auschwitz-sera-julgado-na-alemanha.html

OBSERVAÇÃO:
Oskar Groening era um SS-Unterscharführer, equivalente a 3º Sargento.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Morreu Martin Gilbert, biógrafo de Churchill

Historiador escreveu vários volumes sobre o Holocausto, a I e II guerras mundiais e o século XX.

Martin Gilbert, biógrafo do primeiro-ministro britânico Winston Churchill, historiador do Holocausto e membro da comissão de inquérito sobre a guerra no Iraque, morreu na noite de terça-feira, aos 78 anos, anunciou esta quarta-feira John Chilcot, presidente deste organismo do Parlamento britânico.

Martin Gilbert “morreu tranquilamente”, após “uma longa e grave doença”, precisou John Chilcot, descrevendo-o como “um historiador extraordinariamente importante”, de cuja “sabedoria e perspicácia” o inquérito beneficiou, e transmitindo as suas “condolências pessoais” à família.

John Chilcot informou os membros do Parlamento britânico da morte de Sir Martin Gilbert (nascido em Londres em 1936), ao comparecer perante uma comissão da Câmara dos Comuns, à qual foi chamado para explicar o atraso na divulgação do relatório oficial do inquérito.

O Fundo de Educação sobre o Holocausto também reagiu à morte de Martin Gilbert com uma mensagem inserida na rede social Twitter: “Muito triste por saber da morte de Sir Martin Gilbert, destacado historiador do Holocausto e nosso grande amigo. Os nossos pensamentos estão com a sua família”.

Além de ter sido o biógrafo oficial de Churchill, cuja última versão foi publicada em oito volumes, Martin Gilbert escreveu perto de uma centena de livros de História, com destaque para a primeira e segunda guerras mundiais, o Holocausto, o Judaísmo e a História de Israel – títulos disponíveis em português em sucessivas publicações da Bertrand, Dom Quixote, Alêtheia e Edições 70.

No obituário que dedica ao historiador no jornal The Guardian, Richard Gott, que o conhecia desde o final dos anos 50, diz que ele era “um assumido sionista, embora fosse hoje bastante crítico do poder em Israel e do domínio do partido Likud”.

O interesse de Martin Gilbert pela biografia de Churchill surgiu em 1962, quando, enquanto investigador da Universidade de Oxford, iniciou o seu trabalho sobre a vida do chefe do governo britânico no tempo da guerra.

Este trabalho respondeu a um desafio do filho de Churchill, Randolph, que um ano depois de ter sido nomeado investigador júnior na Merton College, naquela Universidade, convidou Martin Gilbert a juntar-se à sua equipa para a pesquisa da biografia do ex-primeiro ministro britânico.

Após a morte de Churchill, em 1965, e de novo com a aprovação de Randolph, Martin Gilbert escreveu a sua primeira obra sobre o antigo líder: um só volume intitulado Winston Churchill, que foi publicado em 1966.

Dois anos depois, após a morte de Randolph, Gilbert foi convidado para retomar o seu trabalho e completar a biografia de Churchill, incluindo na obra vários documentos, o que o levou a publicá-la em diversos volumes ao longo dos 20 anos seguintes.

Apesar deste aturado trabalho sobre o líder britânico, foi o livro que Martin Gilbert dedicou ao Holocausto, ao longo de oito volumes, que viria a desencadear “de longe a maior correspondência e contacto com pessoas que, de outro modo, nunca teria conhecido”, disse o próprio historiador – agora citado no obituário da agência Associated Press –, acrescentando que tal lhe deu material e ideias que ele integraria em posteriores obras relacionadas com aquele tema.

“A minha preocupação sempre foi escrever História a partir de uma perspectiva humana, nunca esquecendo o chamado cidadão comum”, disse também Martin Gilbert, ainda citado pela AP.

Em 1990 e 1995, Martin Gilbert foi distinguido pela rainha Isabel II sucessivamente com os títulos de Comandante e Cavaleiro da Ordem do Império Britânico.

Fonte: http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/morreu-martin-gilbert-biografo-de-churchill-1685021

Segue uma lista de livros traduzidos para o português:
O Holocausto – Uma História dos Judeus da Europa durante a Segunda Guerra Mundial
A Segunda Guerra Mundial- os 2, 174 Dias Que Mudaram o Mundo
Winston Churchill – Uma Vida
História de Israel
A Primeira Guerra Mundial
História do Século XX
Os 500 anos de História e Fé do Povo Judeu
A Noite de Cristal

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Mussolini temia efeitos da ganância nazi na Grécia


Um olhar pelo diário pessoal de Galeazzo Ciano, ministro dos Negócios Estrangeiros da Itália fascista e genro de Benito Mussolini, mostra-nos os pontos de contacto entre a Grécia da Segunda Guerra Mundial e a crise que o país vive actualmente. Patrick Cockburn destaca no jornal britânico The Independent as frases retiradas dos diários de Ciano, que datam dos anos da Segunda Guerra Mundial.

No artigo de opinião, o especialista britânico critica duramente a atuação do FMI e da União Europeia e as políticas de austeridade, argumentando que a situação atual da Grécia e a tensão vivida entre os responsáveis gregos e os credores internacionais apresenta curiosas semelhanças com o país ocupado pelas forças do Eixo.

Os avisos e a pressão sobre o ‘Duce’


Em outubro de 1940, Mussolini já ocupava a Albânia desde 1939 e vinha a pressionar constantemente a fronteira do país com a Grécia. Aliada às pretensões imperialistas e a vontade de afirmação no Mediterrâneo do regime fascista italiano estava a constante pressão de Adolf Hitler sobre o duce.

Mussolini, por sua vez, lidava com grandes perdas nos territórios do norte de África e precisava de se reafirmar enquanto potência do Eixo e sair da sombra do Führer.

Apesar dos avisos e ultimatos deixados, a invasão acabou mesmo por acontecer, a 28 de outubro de 1940. As tropas gregas ainda impuseram importantes perdas aos homens de Mussolini, mas o exército helénico acabaria por cair a 6 de abril de 1941 frente às forças italianas e alemãs.

No sucessivo, a Wehrmacht defrontou-se na Grécia com os problemas habituais de qualquer ocupação em larga escala e por um período considerável, tendo tentado resolvê-los por meio de uma expropriação sistemática da população que passara a encontrar-se sob o seu controlo.

Mussolini receava, no entanto, que essa expropriação sistemática acabasse por tornar-se contraproducente e manifestou mesmo o temor de que a "estupidez política dos alemães" na Grécia pudesse tornar-se o princípio do fim e o prenúncio da derrota de ambas, Alemanha e Itália, na Segunda Guerra Mundial.

As frases são retiradas do livro “The Ciano Diaries, 1937-1943”, publicado em 1945 (sem edição em Portugal), e alertam para o desastre económico e social do país ao fim de dois anos de ocupação.

6 de Outubro de 1942:

«Clodius (director ministerial no III Reich) encontra-se em Roma para discutir a questão financeira da Grécia, que é muito má. Se continuar a este ritmo, resultará numa inflação sensacional e inevitável, com todas as suas consequências.»

8 de Outubro de 1942: (Ciano reescreve uma das respostas de Mussolini após ter exposto as suas preocupações quanto à questão grega)

«“Se perdermos esta guerra, será devido à estupidez política dos alemães, que nem sequer tentaram usar o senso comum, e transformaram a Europa num quente e traiçoeiro vulcão”.

Ele (Mussolini) pretende falar com Himmler sobre esta questão, mas não vai chegar a lado algum.»
 
 Fonte: http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=801504&tm=4&layout=121&visual=49

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Auschwitz sintetiza horror do Holocausto em uma palavra


Uma Alemanha onde não haja a lembrança do Holocausto é hoje inconcebível. Mas nem sempre foi assim: décadas se passaram até que as imagens das atrocidades nazistas entrassem na memória coletiva da nação.

Soldados soviéticos retiram um jovem de 15 anos do campo de concentração de Auschwitz, em 1945

Às vezes basta uma palavra e tudo está dito. Auschwitz incorpora todo o Holocausto, os 6 milhões de judeus mortos, os milhões de seres humanos brutalmente assassinados pelos nazistas entre 1933 e 1945.

Também se poderia dizer: basta uma imagem, e o horror está de novo presente: o portão do campo de extermínio Auschwitz-Birkenau, diante dele, os trilhos ferroviários. A memória coletiva completa o quadro: os trens – sim, vagões de gado – cheios de gente, de crianças, de mulheres, de homens jovens e anciãos, chegando após dias, por vezes semanas de viagem, sem comida nem água. Nos olhos, ainda um vislumbre de esperança.

Esquerda ou direita


A maioria dessas pessoas sabia que a morte as esperava em Auschwitz. Não raramente, ela já se anunciava na plataforma entre os trilhos duplos, a assim chamada "rampa", na figura do médico do campo, Josef Mengele – mais um nome que desencadeia associações imediatas.

A sobrevivente Esther Bejarano, de 90 anos, recorda: "O Dr. Mengele ficava na nossa frente e aí fazia um gesto de mão, apontando com o polegar para um lado ou para o outro. Para a esquerda, a pessoa ainda tinha um prazo antes da execução; para a direita, queria dizer: 'Você vai para a câmara de gás.'"

Mais de 1 milhão de pessoas foram mortas nesse campo de concentração, hoje em território polonês. Cerca de 90% eram judeus, empurrados para as câmaras de gás logo após a chegada. Mas também poloneses, nômades das etnias sinto e rom, homens, mulheres e crianças de toda a Europa.

Memória mantida viva

Mas não se assassinava apenas em Auschwitz: também Majdanek, Treblinka, Belzec e Sobibor eram campos de extermínio, onde se matava com a eficiência e simplicidade de uma linha de montagem numa fábrica.

E, também em Ravensbrück, Dachau, Buchenwald, Mauthausen e muitos outros campos, os detidos morriam sistematicamente, quer em decorrência do trabalho excessivo ou das torturas, quer por fome ou fuzilamento. Isso sem falar nas execuções em massa, como na ravina Babi Yar, em Kiev, ou no bosque de Paneriai, próximo a Vilnius.

Ainda assim, Auschwitz simboliza todos esses lugares, pois lá o homicídio industrializado dos nazistas atingiu o seu ápice. Em nenhum outro lugar tantos foram assassinados em tão pouco tempo e de forma tão pérfida. Dos crematórios, a fumaça subia dia e noite: depois de uma morte horrenda, por sufocamento com o gás tóxico Zyklon B, os corpos eram incinerados.

Também essa é uma das imagens que nunca sairão da mente de Esther Bejarano, testemunha ocular das atrocidades de Auschwitz. E que ela não deixará que se extingam: assim como muitos outros sobreviventes do Holocausto, ela não se cansa de relatar os crimes que presenciou, em escolas e talk-shows. No início de 2015, um grupo deles foi recebido pelo papa Francisco no Vaticano.

Judeus húngaros aguardam transporte para campo de concentração em 1944
Anos de "esquecimento"

Mas nem sempre os sobreviventes do Holocausto mereceram tanta atenção. Em seguida à Segunda Guerra Mundial, ninguém na Alemanha queria admitir ter escutado ou visto qualquer coisa, nem ter sentido algum cheiro fora do comum.

Nem mesmo os que moravam a apenas poucos minutos a pé do campo de Bergen-Belsen, na região de Hannover. Mas o Exército do Reino Unido os fez visitarem o campo de concentração, após a libertação, para que vissem com os próprios olhos os montes de cadáveres e os prisioneiros subnutridos, antes esqueletos do que seres vivos.

Os britânicos filmaram o local, com a intenção de produzir um grande documentário, que também incluiria imagens feitas pelos militares russos depois de libertar Auschwitz. O famoso cineasta Alfred Hitchcock foi encarregado de examinar o material e começou a trabalhar com ele.

Mas, naquele início de Guerra Fria, os aliados britânicos e americanos preferiram não confrontar excessivamente os alemães com sua culpa, e o projeto foi engavetado. E passaram-se décadas até que os horrores de Auschwitz fossem publicamente expostos e discutidos na Alemanha.

Processos de Frankfurt

Os processos de Auschwitz, realizados em Frankfurt entre 1963 e 1965, acarretaram uma virada na confrontação dos alemães com os crimes dos nazismo – e com a própria culpa. Pela primeira vez ouvia-se os sobreviventes relatarem detalhadamente sobre as atrocidades e o sistema do campo de extermínio.

Lá não se visava apenas o homicídio em escala industrial, mas também a exploração total da mão de obra e dos recursos das vítimas. Conectado a Auschwitz I (onde se mantinham sobretudo presos políticos) e a Auschwitz-Birkenau (uma gigantesca área onde se concentravam tanto as barracas dos prisioneiros quanto as câmaras de gás e os crematórios), estava Auschwitz III ou Monowitz, terreno industrial em que firmas como a I.G. Farben faturavam.

Além do ouro dental e das roupas dos executados, até seus cabelos eram transformados em dinheiro para os cofres alemães. As montanhas de cabelos, sapatos e óculos em Auschwitz são outra imagem gravada na memória coletiva da nação.

Ao lado das reportagens diárias da imprensa, em 1965 o dramaturgo Peter Weiss, autor de Marat-Sade, cuidou para que a discussão sobre os processos de Frankfurt se mantivesse, mesmo após seu fim. A peça teatral O interrogatório, Oratório em 11 cantos desencadeou indignação, ao confrontar os depoimentos das testemunhas anônimas com os dos acusados que elas citavam nominalmente.
 
Cena de "Shoah", de Claude Lanzmann
  Força da realidade e da ficção

No fim da década de 70, o horror dos crimes nazistas chegou às salas de estar alemãs na forma de uma minissérie americana de TV. Dirigida por Marvin J. Chomsky, Holocausto traçava o destino da família judaico-alemã Weiss, tendo a atriz Meryl Streep no papel principal da esposa não semita.

A transmissão de seus quatro episódios suscitou entre muitos jovens alemães a discussão sobre até que ponto seus pais sabiam do "desaparecimento" de seus vizinhos judeus.

Com mais de nove horas de duração, o documentário de Claude Lanzmann Shoah, de 1985, foi outro choque para a consciência alemã. Pela primeira vez, um diretor de cinema ia com os sobreviventes dos campos de concentração até o palco de seus horrores, encorajando-os a relatar o que haviam vivenciado.

"Clava de Auschwitz"

Em seu discurso ao receber o Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão, em 11 de outubro de 1989, para a surpresa de muitos o autor Martin Walser denunciou o que percebia como instrumentalização do Holocausto.
Martin Walser: contra "clava moral"

"Mas quando sou confrontado todos os dias com esse passado na mídia, noto que algo dentro de mim se revolta contra essa exibição incessante de nossa vergonha. Em vez de ficar grato [...], eu começo a olhar para o outro lado." E prosseguiu: "Auschwitz não se presta a se tornar rotina de ameaça, meio de intimidação sempre a postos, ou clava moral, ou até mero exercício de dever."

Assim cunhou-se a expressão "clava de Auschwitz", gerando clamor crítico. O Conselho Central dos Judeus da Alemanha acusou Walser de "incêndio intelectual culposo". Na realidade, a intenção do autor não fora, em absoluto, relativizar. Mas ele colocara uma questão difícil: como não esquecer o horror – e também a culpa – de Auschwitz, e ao mesmo tempo não minimizar o poder simbólico dessa palavra, ao evocá-la de forma leviana, rotineira demais?

Auschwitz está arraigado na memória cultural dos alemães, as imagens são presentes. Literatura, arte e cinema podem continuar cuidando para que elas persistam para a próxima geração, quando não houver mais testemunhas diretas. Só é preciso olhar.

O filme que os britânicos iniciaram por ocasião da libertação de Bergen-Belsen e que Hitchcock começou a montar foi agora concluído. Ele se chama Night will fall (a noite vai cair). Não é sempre fácil assisti-lo. E, no entanto, é preciso.

Fonte: http://www.dw.de/auschwitz-sintetiza-horror-do-holocausto-em-uma-palavra/a-18217169


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

"Marchas da morte", o início do fim de Auschwitz, completam 70 anos

 
Prisioneiros marcham rumo ao sul em uma Marcha da Morte iniciada no
campo de concentração de Dachau. Gruenwald, Alemanha, 29 de abril de 1945.
 Varsóvia, 17 jan (EFE).- Neste sábado completa 70 anos que os alemães começaram a evacuar o campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau diante do avanço as tropas aliadas, e entre 17 e 21 de janeiro de 1945 transferiram para outros campos cerca de 56 mil prisioneiros em exaustivas marchas em que pelo menos 9 mil pessoas morreram.

 No próximo dia 27 representantes de 28 países, com vários chefes de Estado e de governo à frente junto de 300 sobreviventes dos campos, se reunirão no museu estadual de Auschwitz-Birkenau para comemorar o 70º aniversário da libertação do campo pelas tropas soviéticas.

A evacuação de Auschwitz começou a ser preparada no final de 1944, pouco depois de as forças soviéticas liberarem o primeiro campo de concentração grande da Polônia: o de Majdanek, perto de Província de Lublin, onde se estima que 200 mil pessoas podem ter sido assassinadas.

Em janeiro de 1945 as autoridades nazistas deram a ordem de transferir a maioria dos prisioneiros de Auschwitz diante da proximidade do exército soviético, e em 17 de janeiro partiram as primeiras colunas formadas unicamente por pessoas saudáveis capazes de resistir aos penosos deslocamentos, em alguns casos a pé, que hoje são conhecidos como "marchas da morte".

Sob o frio, com neve e sem alimentos nem abrigo essas colunas chegaram a percorrer até 250 quilômetros.

Embora os números oficiais falem de nove mil vítimas nestas caminhadas, alguns historiadores elevam esse número para 15 mil presos, mortos de frio, fome, esgotamento ou fuzilados pelos guardas alemães.

Um dos piores massacres aconteceu na noite de 21 de janeiro na estação ferroviária de Leszczyn, perto de Rybnik, no sudoeste da Polônia, onde ordenaram descer dos vagões 2.500 prisioneiros que eram transportados em um comboio.

Extenuados, alguns não foram capazes de sair do trem, o que fez os soldados nazistas decidissem metralhar os vagões, matando 300 pessoas antes de transferir o resto para o oeste.

Ao longo da rota destas marchas foram enterrados centenas de presos, e poucos sortudos conseguiram escapar e foram escondidos por aldeães poloneses ou tchecos até a chegada dos aliados.

Em Auschwitz ficaram apenas sete mil prisioneiros famintos e extremamente exaustos, que dias depois da partida de seus companheiros deram as boas-vindas às tropas soviéticas que libertaram o campo em 27 de janeiro de 1945.

Quando os soldados soviéticos entraram no campo encontraram muitos dos pertences das vítimas, centenas de milhares de roupas, cerca de 800 mil vestidos e mais de seis toneladas de cabelo humano.

Fonte:
https://br.noticias.yahoo.com/marchas-morte-in%C3%ADcio-fim-auschwitz-completam-70-anos-110847259.html

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Feliz Natal e prospero Ano Novo



Feliz Natal e Prospero Ano Novo a todos.

Ano complicado, mas fechado com chave de ouro. 

Daniel Moratori

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

MESTRADO

 
Amigos, hoje dei mais um passo importantíssimo na minha vida. Isso foi um dos motivos para meu afastamento do blog durante meses.
Enfim, mestrando em Arquitetura e Urbanismo  pela UFJF na área de Técnicas (Patrimônio).
Agora o blog deverá voltar a ativa em breve.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Alois Brunner é retirado da lista de oficiais nazistas mais procurados


Brunner trabalhava como braço-direito de
 Adolf Eichmann, que o elogiava e lhe chamava
 "o meu melhor homem" /  AFP/Getty Images
Jerusalém, 30 nov (EFE).- O Centro Simon Wiesenthal retirou de sua lista de nazistas mais procurados o ex-hierarca Alois Brunner, dado como morto por velhice há pelo menos quatro anos, divulgou a instituição neste domingo.

Brunner, que teria hoje 102 anos e que foi condenado em vários processos judiciais por crimes de guerra, morreu entre 2009 e 2010, segundo informações do Centro Wiesenthal divulgadas pela edição eletrônica do jornal "Yedioth Ahronoth".

"O tiramos das lista de nazistas mais procurados. Não podemos confirmar sua morte pela situação (de guerra civil) na Síria, mas pelo visto morreu de velho", confirmou Efraim Zuroff, diretor da filial israelense do centro que se dedica à busca e identificação de criminosos de guerra nazistas.

Segundo o executivo, há algum tempo o centro, que tem sede principal em Los Angeles, recebeu informação de uma fonte dos serviços secretos alemães sobre a morte de Brunner, que "foi enterrado em Damasco".

Nascido em 1912 em Rohrbrunn, no Império Austro-Húngaro, o oficial nazista chegou a ser braço direito de Adolf Eichmann, que esteve a cargo da execução da chamada "Solução Final" para exterminar os judeus europeus.

Responsável pela delimitação de guetos e deportações aos campos de extermínio, Brunner é diretamente responsabilizado pelo assassinato de 128.500 judeus, e nas últimas décadas era o nazista mais procurado por causa dessas mortes.

Refugiado na Síria desde o início da década de 50, os serviços secretos ocidentais e israelenses perderam sua pista em 1992, após dar alguns anos antes entrevistas à revista austríaca "Bunte" e ao "Chicago Sun Times".

Nas duas ele reiterou não ter remorsos e afirmou que faria o mesmo outra vez se tivesse a oportunidade.

Fonte: Noticias Uol
Mais: BBC

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Escavações revelam câmara de gás em campo de concentração na Polônia

Foto divulgada pelo instituto Yad Vashem mostra o local onde ficava a
câmara de gás no campo de concentração de Sobibor, na Polônia

Foi encontrada a localização exata da câmaras de gás do campo de extermínio de Sobibor, na Polônia. 

Informação foi divulgada por representantes do Yad Vashem, o memorial oficial de Israel para lembrar as vítimas judaicas do Holocausto, em Jerusalém. 

O local foi encontrado durante escavações arqueológicas que tiveram início em 2007. 

No local foram achados milhares de anéis, brincos e frascos de perfume, que provavelmente pertenceram a pessoas mortas no campo de concentração. 

Em 1943, após uma fuga de prisioneiros, a SS fechou o campo, onde calcula-se que foram assassinadas ao menos 250 mil pessoas. 

A construção foi destruída em uma tentativa de ocultar sua existência.


Fonte: Uol
Mais sobre a descoberta, com mais informação: Archaeologists unearth Sobibor's gas chambers

Obs: O blog voltará em breve, estou com alguns problemas. 
Daniel

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Morre último tripulante de avião que bombardeou Hiroshima

No dia 6 de agosto de 1945, Van Kirk, aos 24 anos, participou da missão
 que, segundo os historiadores, foi decisiva para forçar a rendição do Japão
 e pôr fim à Segunda Guerra Mundial
Van Kirk era o último homem com vida dos 12 tripulantes do bombardeiro B-29 "Enola Gay", o primeiro avião a lançar uma bomba atômica: o ataque sobre a cidade de Hiroshima que deixou mais de 100 mil mortos

O ultimo tripulante vivo do avião que lançou a bomba atômica sobre Hiroshima, o oficial de navegação Theodore "Dutch" Van Kirk, morreu na segunda-feira, aos 93 anos, de morte natural em Stone Mountain, no Estado americano da Geórgia, informou nesta terça-feira a imprensa local.

Van Kirk era o último homem com vida dos 12 tripulantes do bombardeiro B-29 "Enola Gay", o primeiro avião a lançar uma bomba atômica: o ataque sobre a cidade japonesa de Hiroshima que deixou mais de 100 mil mortos.

No dia 6 de agosto de 1945, Van Kirk, aos 24 anos, participou como navegador daquela missão que, segundo os historiadores, foi decisiva para forçar a rendição do Japão e pôr fim à Segunda Guerra Mundial.

Três dias após o primeiro ataque nuclear da história, os Estados Unidos lançaram outra bomba atômica, matando 80 mil pessoas em Nagasaki. No dia 15 de agosto de 1945, o Japão se rendeu e a guerra teve fim.

No 50º aniversário dos bombardeios, Van Kirk comentou em entrevista que, durante a missão, se sentiu "aliviado" no instante após o lançamento. "Apesar de estarmos lá em cima, no ar, e que ninguém no mundo sabia o que tinha acabado de acontecer, sentimos que a guerra tinha acabado ali, que era apenas questão de tempo", disse.

Além disso, defendeu em vários comparecimentos públicos que "é muito difícil falar de moralidade e guerra na mesma frase". "Acho que quando você está em uma guerra, um país deve ter a coragem de fazer o que for necessário para ganhar a guerra com o menor número de vítimas possível", acrescentou.

Fonte: Portal Terra

sábado, 2 de agosto de 2014

Exposição sobre Revolta de Varsóvia resgata capítulo da Segunda Guerra

Outros episódios do conflito fazem ação da resistência polonesa contra os nazistas em 1944 ser às vezes deixada de lado. No entanto, ela é essencial para compreender o país e agora é tema de mostra em Berlim.

Ao lado de um veterano da rebelião de 1944, presidentes
 Joachim Gauck (c) e Bronisław Komorowski (d)

Juntamente com veteranos da rebelião, os presidentes da Alemanha, Joachim Gauck, e da Polônia, Bronisław Komorowski, abriram nesta quarta-feira (30/07), em Berlim, uma exposição dedicada à Revolta de Varsóvia de 1944. A mostra, no museu histórico Topografia do Terror, revela numerosos fatos inéditos sobre um capítulo da Segunda Guerra Mundial insuficientemente conhecido.

O exército de resistência polonês começou o levante contra os ocupadores alemães em 1º de agosto de 1944, visando libertar sua capital, símbolo da independência nacional. Até a capitulação dos revoltosos, três semanas mais tarde, 15 mil deles haviam morrido nos combates, assim como pelo menos 150 mil civis.

Logo após o início do movimento, Adolf Hitler decretara em Berlim "sentença de morte para Varsóvia": todos os seus habitantes deveriam ser mortos, e a cidade, arrasada.

Na Polônia, critica-se que a rebelião teria sido irresponsável e pouco inteligente, um suicídio coletivo. Porém, como observou o presidente alemão na inauguração da mostra, para muitos poloneses ter vencido a impotência foi mais significativo do que a derrota militar.

Deste modo, também depois de 1945, durante o regime soviético – ou o "tempo da não liberdade", como o denominou Gauck – a Revolta de Varsóvia teria sido um "importante ponto de referência para os poloneses oposicionistas" e, por fim, para a vitória do movimento Solidarność (Solidariedade), em 1989.

Gauck afirmou que é "uma virtude lutar, mesmo quando o sucesso é altamente incerto". Pois, em suas palavras, a liberdade é preciosa ao ponto de, se necessário, ser defendida com a própria vida. E essa é a mensagem da Polônia para seus vizinhos europeus, comentou.

O chefe de Estado recordou, ainda, suas próprias vivências: como oposicionista do regime comunista da antiga Alemanha Oriental (RDA), o exemplo polonês de 1989 ajudou-lhe a "encarar um risco, embora o desfecho pacífico do nosso movimento não fosse previsível".

Armia Krajowa(AK) 
Resgate de fatos esquecidos

O polonês Museu da Revolta de Varsóvia organizou a exposição em conjunto com a fundação Topografia do Terror. A pouca distância da Praça de Potsdam, onde ficavam as sedes da Gestapo e da organização paramilitar SS, mais de 60 murais e meia dúzia de cabines multimídia contam a sofrida história recente de Varsóvia.

A história vai de uma metrópole pulsante no começo do século 20, uma cidade sitiada na Segunda Guerra, passando pelos 63 dias do levante e a subsequente destruição, até a reconstrução depois de 1989, quando se tornou uma cidade moderna, com impressionante perfil arquitetônico.

Na opinião de Gauck, "estava mais do que na hora" de uma mostra assim. Pois, primeiramente, na Alemanha o registro dos mais de cinco anos de ocupação da Polônia pelos nazistas costuma ser suplantado por outros eventos.

Em segundo lugar, vê-se em Berlim é uma perspectiva especificamente polonesa, ajudando a entender o papel especial que a rebelião representa naquela sociedade, e por que, para muitos poloneses, liberdade e independência são "tão essenciais, até hoje".

Ânsia de liberdade como herança

Em seu discurso, Joachim Gauck também mencionou o fato de quase não ter havido ajuda de fora, durante a Revolta de Varsóvia. Seu homólogo polonês foi ainda mais explícito: o Exército Vermelho da Rússia e os nazistas alemães foram "aliados em destruir o sonho polonês".

Bronisław Komorowski classificou a mostra em Berlim como "um sinal de honra para os revoltosos". Pois se tratou de uma rebelião de homens livres, e não de um movimento espontâneo, disse. Apesar do terror quotidiano, agia um exército clandestino, o mais forte da Europa, na época, que contava com "a legitimação do povo".

Os sonhos de liberdade da revolta de Varsóvia contra o autoritarismo marcaram as próximas gerações, e esses sonhos foram transmitidos dentro das famílias, afirmou o chefe de Estado, que é parente de um dos líderes do levante, o general Bór-Komorowski. Uma lição tirada desses acontecimentos, prosseguiu, foi a renúncia total à violência pelo movimento Solidarność, em sua luta pela liberdade.

Reconciliação quase milagrosa

Joachim Gauck não deixou de enfatizar que "a persecução penal dos principais responsáveis foi hesitante ou totalmente ausente, na jovem República Federal Alemã". Assim, para ele, é quase um milagre que os dois povos agora sejam "não apenas vizinhos, mas amigos que se gostam".

O político alemão revelou-se comovido por os poloneses terem conseguido perdoar os alemães quando estes mostraram penitência, e que tenham superado o "ódio, ira e desconfiança", quando eles reconheceram sua "culpa e vergonha".

Segundo Komorowski, a Alemanha e a Polônia escrevem, hoje, um novo capítulo de uma "comunidade de destino" positiva. Ele acentuou as relações muito especiais existentes – por exemplo, entre as duas capitais, Varsóvia e Berlim, que "ressuscitaram, ambas, das cinzas, como a Fênix". O presidente polonês disse desejar que o rastro deixado pela atual exposição se eternize.

Fonte: DW

OBS: Esse é um dos assunto que mais me interessa no contexto da 2ªGM, tanto referente ao levante do Gueto, como o levante da cidade propriamente dita.
Sugiro a todos a lerem o livros inicialmente:

O Levante de Varsovia - o Aniquilamento de uma Nação -  Gunther Deschner -
O levante de 44 - A batalha por Varsóvia - Norman Davies

Sendo que o segundo é bem mais denso, com mais informações - é claro, não tirando o mérito do primeiro,  que é ótimo.

No mais,só procurarem nas Tag's sobre Varsóvia,que vão achar bastante informações aqui no blog.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Ofensiva israelense sobre Gaza

Israel mais uma vez mostrando que é um estado militarista, expansionista e criminoso.
Esse tipo de massacre que comete - que por sinal com alto nível de crianças mortas -,só alimenta mais o ódio que uma pessoa palestina que recebe misseis em sua cabeça, pode ter sobre cidadãos israelenses, sejam eles a favor ou não da ofensiva.
Esse tipo de paz que buscam com misseis e tanques é surreal. Esse discurso pífio de Hamas não cola mais -  aqueles foguetinhos sem vergonha - não demora haver uma anexação de Gaza acontecer, simples, já que Israel faz o que quer. É a mesma coisa que matar uma mosca com um canhão.




Ficam essas imagens para a e reflexão. O ser humano não presta, seja ele qual religião, povo e cultura. No final é tudo a mesma coisa, um sempre quer mais que o outro.


sexta-feira, 20 de junho de 2014

Antigo guarda de Auschwitz preso nos EUA aos 89 anos


Alemanha pede a extradição de Johann Breyer, um ex-SS que emigrou para os Estados Unidos em 1952.

Procurado pela Alemanha por crimes de guerra, um antigo guarda do campo de concentração de Auschwitz foi detido em Filadélfia e vai aguardar na prisão o desfecho do processo de extradição. Aos 89 anos, Johann Breyer é a pessoa mais velha acusada nos Estados Unidos por crimes nazis.

Nascido na antiga Checoslováquia de mãe americana, Breyer emigrou em 1952 para os EUA, onde foi serralheiro mecânico, casou, teve filhos e netos. Mas o passado começou a persegui-lo quando entrou na reforma. Na década de 1990, as autoridades norte-americanas tentaram retirar-lhe a nacionalidade e deportá-lo para a Alemanha, mas o processo terminou quando um juiz decidiu que, por causa da mãe, Breyer era americano de nascimento.

Mas a Alemanha decidiu reabrir o processo em 2012 com base em novas provas, incluindo registos que mostram que ele entrou ao serviço em Auschwitz antes do que ele tinha anteriormente admitido e que chegou a estar colocado no campo anexo de Birkenau, dedicado exclusivamente ao extermínio. O pedido de extradição alega que foi cúmplice na morte de centenas de milhares de judeus durante a II Guerra Mundial – a justiça americana manteve 158 acusações, ordenando a sua detenção, na terça-feira.

Breyer admitiu ter pertencido às Waffen SS, a unidade de elite de Hitler que foi responsável pelos campos de concentração, mas insiste que foi colocado numa unidade de artilharia estacionada fora de Auschwitz, não tendo tido qualquer ligação directa ao que acontecia dentro do campo, onde centenas de milhares de judeus foram mortos, muitos nas câmaras de gás para onde eram levados logo à chegada, outros quando já não tinham forças para aguentar os trabalhos forçados.

Johann Breyer 
“Ele nunca esteve envolvido em crimes de guerra nem nunca foi um nazi”, afirmou quarta-feira em tribunal o seu advogado, Dennis Boyle, alegando que Breyer desertou semanas depois de ter sido colocado em Auschwitz, acabando por ser capturado por soldados russos no final da II Guerra. “Ele foi tanto uma vítima dos nazis como os outros. Nunca se voluntariou para as SS, não queria estar nas SS e desertou”, garantiu.

Boyle adianta ainda que o seu cliente tem problemas cardíacos e “sofre de demência”. Na primeira audição em tribunal, houve momentos em que aparentou estar confuso e sem perceber o que se passava à sua volta, escreveu um jornalista no local. Mas o juiz recusou fixar uma caução para a sua libertação, assegurando que a unidade onde vai ficar em prisão preventiva tem condições para lhe assegurar os devidos cuidados médicos.

Efraim Zurroff, responsável pela identificação e localização de criminosos nazis do centro Simon Wiesenthal em Jerusalém, disse à BBC não ver razões para travar a extradição. “Há um país que o quer julgar e tem bases para o pedido, os EUA estão ansiosos por se ver livres de todos os nazis que emigraram para lá, não haverá obstáculos”, afirmou. O responsável elogiou ainda as autoridades alemãs por este “último esforço para acusar os criminosos nazis”.

Durante quase 60 anos, os tribunais alemães julgaram apenas elementos do regime nazi sobre os quais existem provas de envolvimento directo nas atrocidades cometidas antes e durante a II Guerra. A prática foi alterada depois de, em 2011, um tribunal de Munique ter condenado a cinco anos de prisão um antigo guarda de Auschwitz que emigrara para os EUA, abrindo um precedente que desde então foi usado para acusar outros soldados com as mesmas responsabilidades.

Fonte:
http://www.publico.pt/mundo/noticia/antigo-guarda-de-auschwitz-preso-nos-eua-aos-89-anos-1659620

quarta-feira, 14 de maio de 2014

França: soldados rivais na 2ª Guerra viraram melhores amigos

Fotos do ex-paraquedista do exército alemão
 Johannes Borner e do ex-comandante de elite
francês Leon Gautier. Foto: Reuters

Leon Gautier e Johannes Boerner são vizinhios na comuna francesa de Ouistreham; história de amizade pós-guerra se transformou livro

Um soldado alemão e um militar francês que lutaram entre si na batalha da Normadia, em 6 de junho de 1944, jamais poderiam imaginar que, 70 anos mais tarde, se tornariam melhores amigos.

Hoje, Leon Gautier, de 91 anos, e Johannes Boerner, de 88, são vizinhos na mesma cidade onde forças do comando francês ancoraram no dia da invasão da Normandia, também conhecido como Dia D, de acordo com o Daily Mail.

Eles são dois dos poucos veteranos da Segunda Guerra Mundial que desembarcaram na cidade francesa e forçaram as tropas nazistas a se entregar, que ainda estão vivos.

O tempo e a compreensão criaram um forte laço entre o ex-comandante de elite francês e o paraquedista de Leipzig, que são vizinhos na comuna francesa de Ouistreham.

Em 2012, eles passaram o Natal juntos e em junho deste ano participarão das cerimônias que marcam o 70º aniversário do Dia D. "Somos como irmãos agora", disse Boerner, que obteve a cidadania francesa em 1956.

Gautier e o colega nunca estiveram no mesmo lugar e no mesmo momento na Normandia, porém dividem as mesmas lembranças: os franco-atiradores que se escondiam dos tanques, a voz do inimigo a metros de distância, os mosquitos que infestavam os vales inundados, o cheiro de cadáveres humanos apodrecendo no calor, e outras.

Após se aposentar, Gautier decidiu se mudar para Ouistreham, e, durante uma ida ao restaurante local, conheceu o proprietário: Boerner. 

Um livro sobre a história e a amizade dos dois amigos - "Inimigos e Irmãos" - foi publicado em 2010.

Fonte:  Terra

terça-feira, 13 de maio de 2014

Amos Oz chama extremistas judeus de 'neonazistas hebreus'



O mais famoso escritor israelense, Amos Oz, chamou os extremistas judeus autores de uma onda de atos racistas contra cristãos e muçulmanos de "neonazistas hebreus", informa o site do jornal Haaretz.

Citado pelo jornal, Oz considerou que o termo "preço a pagar", amplamente utilizado para descrever ataques contra palestinos e árabes israelenses por extremistas judeus, era um eufemismo.

"Há nomes gentis ​​para um monstro que deve ser chamado pelo que é: grupos neonazistas hebreus", afirmou na sexta-feira a convidados da festa de seu 75º aniversário, de acordo com o Haaretz.

"Nossos grupos neonazistas se beneficiam do apoio de muitos nacionalistas e até legisladores racistas, assim como de rabinos que lhes fornecem, do meu ponto de vista, uma justificativa pseudo-religiosa", acrescentou Oz.

Novas pichações anti-cristãs e racistas foram encontradas na sexta-feira em Jerusalém, onde a polícia aumentou a vigilância dos locais religiosos sensíveis a possíveis ataques com a aproximação da visita do Papa à Terra Santa no final de maio.

"O preço a pagar, o Rei David para os judeus, Jesus é um lixo", estava escrito na parede da Igreja Romana de São Jorge, perto de um bairro judeu ortodoxo de Jerusalém.

As palavras "Morte aos árabes" também foram pintadas em uma casa na Cidade Velha de Jerusalém e suásticas nazistas foram desenhadas nos muros de um apartamento em Jerusalém Ocidental, o lado israelense da Cidade Santa.

Com o nome de "preço a pagar", colonos extremistas e ativistas de extrema-direita têm intensificado nos últimos meses os ataques contra palestinos, árabes israelenses ou o exército de Israel, em resposta às decisões do governo que eles consideram hostis a seus interesses ou atos atribuídos aos palestinos.

Lugares de culto cristão e muçulmano também são alvos quase diários. Embora a polícia tenha feito várias prisões, elas ainda não resultaram em nenhum processo.

Fonte:
 https://br.noticias.yahoo.com/amos-oz-chama-extremistas-judeus-neonazistas-hebreus-152514892.html

Original: http://www.haaretz.com/news/national/1.589849

Obs: Postando só para relembrar que o convívio entre cristão e judeus, na historia não é muito de amizade, devido ao extremismo.Qualquer livro de historia mostra isso. Não concordo com o termo dito por Amos.

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