segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Mussolini temia efeitos da ganância nazi na Grécia


Um olhar pelo diário pessoal de Galeazzo Ciano, ministro dos Negócios Estrangeiros da Itália fascista e genro de Benito Mussolini, mostra-nos os pontos de contacto entre a Grécia da Segunda Guerra Mundial e a crise que o país vive actualmente. Patrick Cockburn destaca no jornal britânico The Independent as frases retiradas dos diários de Ciano, que datam dos anos da Segunda Guerra Mundial.

No artigo de opinião, o especialista britânico critica duramente a atuação do FMI e da União Europeia e as políticas de austeridade, argumentando que a situação atual da Grécia e a tensão vivida entre os responsáveis gregos e os credores internacionais apresenta curiosas semelhanças com o país ocupado pelas forças do Eixo.

Os avisos e a pressão sobre o ‘Duce’


Em outubro de 1940, Mussolini já ocupava a Albânia desde 1939 e vinha a pressionar constantemente a fronteira do país com a Grécia. Aliada às pretensões imperialistas e a vontade de afirmação no Mediterrâneo do regime fascista italiano estava a constante pressão de Adolf Hitler sobre o duce.

Mussolini, por sua vez, lidava com grandes perdas nos territórios do norte de África e precisava de se reafirmar enquanto potência do Eixo e sair da sombra do Führer.

Apesar dos avisos e ultimatos deixados, a invasão acabou mesmo por acontecer, a 28 de outubro de 1940. As tropas gregas ainda impuseram importantes perdas aos homens de Mussolini, mas o exército helénico acabaria por cair a 6 de abril de 1941 frente às forças italianas e alemãs.

No sucessivo, a Wehrmacht defrontou-se na Grécia com os problemas habituais de qualquer ocupação em larga escala e por um período considerável, tendo tentado resolvê-los por meio de uma expropriação sistemática da população que passara a encontrar-se sob o seu controlo.

Mussolini receava, no entanto, que essa expropriação sistemática acabasse por tornar-se contraproducente e manifestou mesmo o temor de que a "estupidez política dos alemães" na Grécia pudesse tornar-se o princípio do fim e o prenúncio da derrota de ambas, Alemanha e Itália, na Segunda Guerra Mundial.

As frases são retiradas do livro “The Ciano Diaries, 1937-1943”, publicado em 1945 (sem edição em Portugal), e alertam para o desastre económico e social do país ao fim de dois anos de ocupação.

6 de Outubro de 1942:

«Clodius (director ministerial no III Reich) encontra-se em Roma para discutir a questão financeira da Grécia, que é muito má. Se continuar a este ritmo, resultará numa inflação sensacional e inevitável, com todas as suas consequências.»

8 de Outubro de 1942: (Ciano reescreve uma das respostas de Mussolini após ter exposto as suas preocupações quanto à questão grega)

«“Se perdermos esta guerra, será devido à estupidez política dos alemães, que nem sequer tentaram usar o senso comum, e transformaram a Europa num quente e traiçoeiro vulcão”.

Ele (Mussolini) pretende falar com Himmler sobre esta questão, mas não vai chegar a lado algum.»
 
 Fonte: http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=801504&tm=4&layout=121&visual=49

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Auschwitz sintetiza horror do Holocausto em uma palavra


Uma Alemanha onde não haja a lembrança do Holocausto é hoje inconcebível. Mas nem sempre foi assim: décadas se passaram até que as imagens das atrocidades nazistas entrassem na memória coletiva da nação.

Soldados soviéticos retiram um jovem de 15 anos do campo de concentração de Auschwitz, em 1945

Às vezes basta uma palavra e tudo está dito. Auschwitz incorpora todo o Holocausto, os 6 milhões de judeus mortos, os milhões de seres humanos brutalmente assassinados pelos nazistas entre 1933 e 1945.

Também se poderia dizer: basta uma imagem, e o horror está de novo presente: o portão do campo de extermínio Auschwitz-Birkenau, diante dele, os trilhos ferroviários. A memória coletiva completa o quadro: os trens – sim, vagões de gado – cheios de gente, de crianças, de mulheres, de homens jovens e anciãos, chegando após dias, por vezes semanas de viagem, sem comida nem água. Nos olhos, ainda um vislumbre de esperança.

Esquerda ou direita


A maioria dessas pessoas sabia que a morte as esperava em Auschwitz. Não raramente, ela já se anunciava na plataforma entre os trilhos duplos, a assim chamada "rampa", na figura do médico do campo, Josef Mengele – mais um nome que desencadeia associações imediatas.

A sobrevivente Esther Bejarano, de 90 anos, recorda: "O Dr. Mengele ficava na nossa frente e aí fazia um gesto de mão, apontando com o polegar para um lado ou para o outro. Para a esquerda, a pessoa ainda tinha um prazo antes da execução; para a direita, queria dizer: 'Você vai para a câmara de gás.'"

Mais de 1 milhão de pessoas foram mortas nesse campo de concentração, hoje em território polonês. Cerca de 90% eram judeus, empurrados para as câmaras de gás logo após a chegada. Mas também poloneses, nômades das etnias sinto e rom, homens, mulheres e crianças de toda a Europa.

Memória mantida viva

Mas não se assassinava apenas em Auschwitz: também Majdanek, Treblinka, Belzec e Sobibor eram campos de extermínio, onde se matava com a eficiência e simplicidade de uma linha de montagem numa fábrica.

E, também em Ravensbrück, Dachau, Buchenwald, Mauthausen e muitos outros campos, os detidos morriam sistematicamente, quer em decorrência do trabalho excessivo ou das torturas, quer por fome ou fuzilamento. Isso sem falar nas execuções em massa, como na ravina Babi Yar, em Kiev, ou no bosque de Paneriai, próximo a Vilnius.

Ainda assim, Auschwitz simboliza todos esses lugares, pois lá o homicídio industrializado dos nazistas atingiu o seu ápice. Em nenhum outro lugar tantos foram assassinados em tão pouco tempo e de forma tão pérfida. Dos crematórios, a fumaça subia dia e noite: depois de uma morte horrenda, por sufocamento com o gás tóxico Zyklon B, os corpos eram incinerados.

Também essa é uma das imagens que nunca sairão da mente de Esther Bejarano, testemunha ocular das atrocidades de Auschwitz. E que ela não deixará que se extingam: assim como muitos outros sobreviventes do Holocausto, ela não se cansa de relatar os crimes que presenciou, em escolas e talk-shows. No início de 2015, um grupo deles foi recebido pelo papa Francisco no Vaticano.

Judeus húngaros aguardam transporte para campo de concentração em 1944
Anos de "esquecimento"

Mas nem sempre os sobreviventes do Holocausto mereceram tanta atenção. Em seguida à Segunda Guerra Mundial, ninguém na Alemanha queria admitir ter escutado ou visto qualquer coisa, nem ter sentido algum cheiro fora do comum.

Nem mesmo os que moravam a apenas poucos minutos a pé do campo de Bergen-Belsen, na região de Hannover. Mas o Exército do Reino Unido os fez visitarem o campo de concentração, após a libertação, para que vissem com os próprios olhos os montes de cadáveres e os prisioneiros subnutridos, antes esqueletos do que seres vivos.

Os britânicos filmaram o local, com a intenção de produzir um grande documentário, que também incluiria imagens feitas pelos militares russos depois de libertar Auschwitz. O famoso cineasta Alfred Hitchcock foi encarregado de examinar o material e começou a trabalhar com ele.

Mas, naquele início de Guerra Fria, os aliados britânicos e americanos preferiram não confrontar excessivamente os alemães com sua culpa, e o projeto foi engavetado. E passaram-se décadas até que os horrores de Auschwitz fossem publicamente expostos e discutidos na Alemanha.

Processos de Frankfurt

Os processos de Auschwitz, realizados em Frankfurt entre 1963 e 1965, acarretaram uma virada na confrontação dos alemães com os crimes dos nazismo – e com a própria culpa. Pela primeira vez ouvia-se os sobreviventes relatarem detalhadamente sobre as atrocidades e o sistema do campo de extermínio.

Lá não se visava apenas o homicídio em escala industrial, mas também a exploração total da mão de obra e dos recursos das vítimas. Conectado a Auschwitz I (onde se mantinham sobretudo presos políticos) e a Auschwitz-Birkenau (uma gigantesca área onde se concentravam tanto as barracas dos prisioneiros quanto as câmaras de gás e os crematórios), estava Auschwitz III ou Monowitz, terreno industrial em que firmas como a I.G. Farben faturavam.

Além do ouro dental e das roupas dos executados, até seus cabelos eram transformados em dinheiro para os cofres alemães. As montanhas de cabelos, sapatos e óculos em Auschwitz são outra imagem gravada na memória coletiva da nação.

Ao lado das reportagens diárias da imprensa, em 1965 o dramaturgo Peter Weiss, autor de Marat-Sade, cuidou para que a discussão sobre os processos de Frankfurt se mantivesse, mesmo após seu fim. A peça teatral O interrogatório, Oratório em 11 cantos desencadeou indignação, ao confrontar os depoimentos das testemunhas anônimas com os dos acusados que elas citavam nominalmente.
 
Cena de "Shoah", de Claude Lanzmann
  Força da realidade e da ficção

No fim da década de 70, o horror dos crimes nazistas chegou às salas de estar alemãs na forma de uma minissérie americana de TV. Dirigida por Marvin J. Chomsky, Holocausto traçava o destino da família judaico-alemã Weiss, tendo a atriz Meryl Streep no papel principal da esposa não semita.

A transmissão de seus quatro episódios suscitou entre muitos jovens alemães a discussão sobre até que ponto seus pais sabiam do "desaparecimento" de seus vizinhos judeus.

Com mais de nove horas de duração, o documentário de Claude Lanzmann Shoah, de 1985, foi outro choque para a consciência alemã. Pela primeira vez, um diretor de cinema ia com os sobreviventes dos campos de concentração até o palco de seus horrores, encorajando-os a relatar o que haviam vivenciado.

"Clava de Auschwitz"

Em seu discurso ao receber o Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão, em 11 de outubro de 1989, para a surpresa de muitos o autor Martin Walser denunciou o que percebia como instrumentalização do Holocausto.
Martin Walser: contra "clava moral"

"Mas quando sou confrontado todos os dias com esse passado na mídia, noto que algo dentro de mim se revolta contra essa exibição incessante de nossa vergonha. Em vez de ficar grato [...], eu começo a olhar para o outro lado." E prosseguiu: "Auschwitz não se presta a se tornar rotina de ameaça, meio de intimidação sempre a postos, ou clava moral, ou até mero exercício de dever."

Assim cunhou-se a expressão "clava de Auschwitz", gerando clamor crítico. O Conselho Central dos Judeus da Alemanha acusou Walser de "incêndio intelectual culposo". Na realidade, a intenção do autor não fora, em absoluto, relativizar. Mas ele colocara uma questão difícil: como não esquecer o horror – e também a culpa – de Auschwitz, e ao mesmo tempo não minimizar o poder simbólico dessa palavra, ao evocá-la de forma leviana, rotineira demais?

Auschwitz está arraigado na memória cultural dos alemães, as imagens são presentes. Literatura, arte e cinema podem continuar cuidando para que elas persistam para a próxima geração, quando não houver mais testemunhas diretas. Só é preciso olhar.

O filme que os britânicos iniciaram por ocasião da libertação de Bergen-Belsen e que Hitchcock começou a montar foi agora concluído. Ele se chama Night will fall (a noite vai cair). Não é sempre fácil assisti-lo. E, no entanto, é preciso.

Fonte: http://www.dw.de/auschwitz-sintetiza-horror-do-holocausto-em-uma-palavra/a-18217169


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

"Marchas da morte", o início do fim de Auschwitz, completam 70 anos

 
Prisioneiros marcham rumo ao sul em uma Marcha da Morte iniciada no
campo de concentração de Dachau. Gruenwald, Alemanha, 29 de abril de 1945.
 Varsóvia, 17 jan (EFE).- Neste sábado completa 70 anos que os alemães começaram a evacuar o campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau diante do avanço as tropas aliadas, e entre 17 e 21 de janeiro de 1945 transferiram para outros campos cerca de 56 mil prisioneiros em exaustivas marchas em que pelo menos 9 mil pessoas morreram.

 No próximo dia 27 representantes de 28 países, com vários chefes de Estado e de governo à frente junto de 300 sobreviventes dos campos, se reunirão no museu estadual de Auschwitz-Birkenau para comemorar o 70º aniversário da libertação do campo pelas tropas soviéticas.

A evacuação de Auschwitz começou a ser preparada no final de 1944, pouco depois de as forças soviéticas liberarem o primeiro campo de concentração grande da Polônia: o de Majdanek, perto de Província de Lublin, onde se estima que 200 mil pessoas podem ter sido assassinadas.

Em janeiro de 1945 as autoridades nazistas deram a ordem de transferir a maioria dos prisioneiros de Auschwitz diante da proximidade do exército soviético, e em 17 de janeiro partiram as primeiras colunas formadas unicamente por pessoas saudáveis capazes de resistir aos penosos deslocamentos, em alguns casos a pé, que hoje são conhecidos como "marchas da morte".

Sob o frio, com neve e sem alimentos nem abrigo essas colunas chegaram a percorrer até 250 quilômetros.

Embora os números oficiais falem de nove mil vítimas nestas caminhadas, alguns historiadores elevam esse número para 15 mil presos, mortos de frio, fome, esgotamento ou fuzilados pelos guardas alemães.

Um dos piores massacres aconteceu na noite de 21 de janeiro na estação ferroviária de Leszczyn, perto de Rybnik, no sudoeste da Polônia, onde ordenaram descer dos vagões 2.500 prisioneiros que eram transportados em um comboio.

Extenuados, alguns não foram capazes de sair do trem, o que fez os soldados nazistas decidissem metralhar os vagões, matando 300 pessoas antes de transferir o resto para o oeste.

Ao longo da rota destas marchas foram enterrados centenas de presos, e poucos sortudos conseguiram escapar e foram escondidos por aldeães poloneses ou tchecos até a chegada dos aliados.

Em Auschwitz ficaram apenas sete mil prisioneiros famintos e extremamente exaustos, que dias depois da partida de seus companheiros deram as boas-vindas às tropas soviéticas que libertaram o campo em 27 de janeiro de 1945.

Quando os soldados soviéticos entraram no campo encontraram muitos dos pertences das vítimas, centenas de milhares de roupas, cerca de 800 mil vestidos e mais de seis toneladas de cabelo humano.

Fonte:
https://br.noticias.yahoo.com/marchas-morte-in%C3%ADcio-fim-auschwitz-completam-70-anos-110847259.html

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

MESTRADO

 
Amigos, hoje dei mais um passo importantíssimo na minha vida. Isso foi um dos motivos para meu afastamento do blog durante meses.
Enfim, mestrando em Arquitetura e Urbanismo  pela UFJF na área de Técnicas (Patrimônio).
Agora o blog deverá voltar a ativa em breve.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Alois Brunner é retirado da lista de oficiais nazistas mais procurados


Brunner trabalhava como braço-direito de
 Adolf Eichmann, que o elogiava e lhe chamava
 "o meu melhor homem" /  AFP/Getty Images
Jerusalém, 30 nov (EFE).- O Centro Simon Wiesenthal retirou de sua lista de nazistas mais procurados o ex-hierarca Alois Brunner, dado como morto por velhice há pelo menos quatro anos, divulgou a instituição neste domingo.

Brunner, que teria hoje 102 anos e que foi condenado em vários processos judiciais por crimes de guerra, morreu entre 2009 e 2010, segundo informações do Centro Wiesenthal divulgadas pela edição eletrônica do jornal "Yedioth Ahronoth".

"O tiramos das lista de nazistas mais procurados. Não podemos confirmar sua morte pela situação (de guerra civil) na Síria, mas pelo visto morreu de velho", confirmou Efraim Zuroff, diretor da filial israelense do centro que se dedica à busca e identificação de criminosos de guerra nazistas.

Segundo o executivo, há algum tempo o centro, que tem sede principal em Los Angeles, recebeu informação de uma fonte dos serviços secretos alemães sobre a morte de Brunner, que "foi enterrado em Damasco".

Nascido em 1912 em Rohrbrunn, no Império Austro-Húngaro, o oficial nazista chegou a ser braço direito de Adolf Eichmann, que esteve a cargo da execução da chamada "Solução Final" para exterminar os judeus europeus.

Responsável pela delimitação de guetos e deportações aos campos de extermínio, Brunner é diretamente responsabilizado pelo assassinato de 128.500 judeus, e nas últimas décadas era o nazista mais procurado por causa dessas mortes.

Refugiado na Síria desde o início da década de 50, os serviços secretos ocidentais e israelenses perderam sua pista em 1992, após dar alguns anos antes entrevistas à revista austríaca "Bunte" e ao "Chicago Sun Times".

Nas duas ele reiterou não ter remorsos e afirmou que faria o mesmo outra vez se tivesse a oportunidade.

Fonte: Noticias Uol
Mais: BBC

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Escavações revelam câmara de gás em campo de concentração na Polônia

Foto divulgada pelo instituto Yad Vashem mostra o local onde ficava a
câmara de gás no campo de concentração de Sobibor, na Polônia

Foi encontrada a localização exata da câmaras de gás do campo de extermínio de Sobibor, na Polônia. 

Informação foi divulgada por representantes do Yad Vashem, o memorial oficial de Israel para lembrar as vítimas judaicas do Holocausto, em Jerusalém. 

O local foi encontrado durante escavações arqueológicas que tiveram início em 2007. 

No local foram achados milhares de anéis, brincos e frascos de perfume, que provavelmente pertenceram a pessoas mortas no campo de concentração. 

Em 1943, após uma fuga de prisioneiros, a SS fechou o campo, onde calcula-se que foram assassinadas ao menos 250 mil pessoas. 

A construção foi destruída em uma tentativa de ocultar sua existência.


Fonte: Uol
Mais sobre a descoberta, com mais informação: Archaeologists unearth Sobibor's gas chambers

Obs: O blog voltará em breve, estou com alguns problemas. 
Daniel

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Morre último tripulante de avião que bombardeou Hiroshima

No dia 6 de agosto de 1945, Van Kirk, aos 24 anos, participou da missão
 que, segundo os historiadores, foi decisiva para forçar a rendição do Japão
 e pôr fim à Segunda Guerra Mundial
Van Kirk era o último homem com vida dos 12 tripulantes do bombardeiro B-29 "Enola Gay", o primeiro avião a lançar uma bomba atômica: o ataque sobre a cidade de Hiroshima que deixou mais de 100 mil mortos

O ultimo tripulante vivo do avião que lançou a bomba atômica sobre Hiroshima, o oficial de navegação Theodore "Dutch" Van Kirk, morreu na segunda-feira, aos 93 anos, de morte natural em Stone Mountain, no Estado americano da Geórgia, informou nesta terça-feira a imprensa local.

Van Kirk era o último homem com vida dos 12 tripulantes do bombardeiro B-29 "Enola Gay", o primeiro avião a lançar uma bomba atômica: o ataque sobre a cidade japonesa de Hiroshima que deixou mais de 100 mil mortos.

No dia 6 de agosto de 1945, Van Kirk, aos 24 anos, participou como navegador daquela missão que, segundo os historiadores, foi decisiva para forçar a rendição do Japão e pôr fim à Segunda Guerra Mundial.

Três dias após o primeiro ataque nuclear da história, os Estados Unidos lançaram outra bomba atômica, matando 80 mil pessoas em Nagasaki. No dia 15 de agosto de 1945, o Japão se rendeu e a guerra teve fim.

No 50º aniversário dos bombardeios, Van Kirk comentou em entrevista que, durante a missão, se sentiu "aliviado" no instante após o lançamento. "Apesar de estarmos lá em cima, no ar, e que ninguém no mundo sabia o que tinha acabado de acontecer, sentimos que a guerra tinha acabado ali, que era apenas questão de tempo", disse.

Além disso, defendeu em vários comparecimentos públicos que "é muito difícil falar de moralidade e guerra na mesma frase". "Acho que quando você está em uma guerra, um país deve ter a coragem de fazer o que for necessário para ganhar a guerra com o menor número de vítimas possível", acrescentou.

Fonte: Portal Terra

sábado, 2 de agosto de 2014

Exposição sobre Revolta de Varsóvia resgata capítulo da Segunda Guerra

Outros episódios do conflito fazem ação da resistência polonesa contra os nazistas em 1944 ser às vezes deixada de lado. No entanto, ela é essencial para compreender o país e agora é tema de mostra em Berlim.

Ao lado de um veterano da rebelião de 1944, presidentes
 Joachim Gauck (c) e Bronisław Komorowski (d)

Juntamente com veteranos da rebelião, os presidentes da Alemanha, Joachim Gauck, e da Polônia, Bronisław Komorowski, abriram nesta quarta-feira (30/07), em Berlim, uma exposição dedicada à Revolta de Varsóvia de 1944. A mostra, no museu histórico Topografia do Terror, revela numerosos fatos inéditos sobre um capítulo da Segunda Guerra Mundial insuficientemente conhecido.

O exército de resistência polonês começou o levante contra os ocupadores alemães em 1º de agosto de 1944, visando libertar sua capital, símbolo da independência nacional. Até a capitulação dos revoltosos, três semanas mais tarde, 15 mil deles haviam morrido nos combates, assim como pelo menos 150 mil civis.

Logo após o início do movimento, Adolf Hitler decretara em Berlim "sentença de morte para Varsóvia": todos os seus habitantes deveriam ser mortos, e a cidade, arrasada.

Na Polônia, critica-se que a rebelião teria sido irresponsável e pouco inteligente, um suicídio coletivo. Porém, como observou o presidente alemão na inauguração da mostra, para muitos poloneses ter vencido a impotência foi mais significativo do que a derrota militar.

Deste modo, também depois de 1945, durante o regime soviético – ou o "tempo da não liberdade", como o denominou Gauck – a Revolta de Varsóvia teria sido um "importante ponto de referência para os poloneses oposicionistas" e, por fim, para a vitória do movimento Solidarność (Solidariedade), em 1989.

Gauck afirmou que é "uma virtude lutar, mesmo quando o sucesso é altamente incerto". Pois, em suas palavras, a liberdade é preciosa ao ponto de, se necessário, ser defendida com a própria vida. E essa é a mensagem da Polônia para seus vizinhos europeus, comentou.

O chefe de Estado recordou, ainda, suas próprias vivências: como oposicionista do regime comunista da antiga Alemanha Oriental (RDA), o exemplo polonês de 1989 ajudou-lhe a "encarar um risco, embora o desfecho pacífico do nosso movimento não fosse previsível".

Armia Krajowa(AK) 
Resgate de fatos esquecidos

O polonês Museu da Revolta de Varsóvia organizou a exposição em conjunto com a fundação Topografia do Terror. A pouca distância da Praça de Potsdam, onde ficavam as sedes da Gestapo e da organização paramilitar SS, mais de 60 murais e meia dúzia de cabines multimídia contam a sofrida história recente de Varsóvia.

A história vai de uma metrópole pulsante no começo do século 20, uma cidade sitiada na Segunda Guerra, passando pelos 63 dias do levante e a subsequente destruição, até a reconstrução depois de 1989, quando se tornou uma cidade moderna, com impressionante perfil arquitetônico.

Na opinião de Gauck, "estava mais do que na hora" de uma mostra assim. Pois, primeiramente, na Alemanha o registro dos mais de cinco anos de ocupação da Polônia pelos nazistas costuma ser suplantado por outros eventos.

Em segundo lugar, vê-se em Berlim é uma perspectiva especificamente polonesa, ajudando a entender o papel especial que a rebelião representa naquela sociedade, e por que, para muitos poloneses, liberdade e independência são "tão essenciais, até hoje".

Ânsia de liberdade como herança

Em seu discurso, Joachim Gauck também mencionou o fato de quase não ter havido ajuda de fora, durante a Revolta de Varsóvia. Seu homólogo polonês foi ainda mais explícito: o Exército Vermelho da Rússia e os nazistas alemães foram "aliados em destruir o sonho polonês".

Bronisław Komorowski classificou a mostra em Berlim como "um sinal de honra para os revoltosos". Pois se tratou de uma rebelião de homens livres, e não de um movimento espontâneo, disse. Apesar do terror quotidiano, agia um exército clandestino, o mais forte da Europa, na época, que contava com "a legitimação do povo".

Os sonhos de liberdade da revolta de Varsóvia contra o autoritarismo marcaram as próximas gerações, e esses sonhos foram transmitidos dentro das famílias, afirmou o chefe de Estado, que é parente de um dos líderes do levante, o general Bór-Komorowski. Uma lição tirada desses acontecimentos, prosseguiu, foi a renúncia total à violência pelo movimento Solidarność, em sua luta pela liberdade.

Reconciliação quase milagrosa

Joachim Gauck não deixou de enfatizar que "a persecução penal dos principais responsáveis foi hesitante ou totalmente ausente, na jovem República Federal Alemã". Assim, para ele, é quase um milagre que os dois povos agora sejam "não apenas vizinhos, mas amigos que se gostam".

O político alemão revelou-se comovido por os poloneses terem conseguido perdoar os alemães quando estes mostraram penitência, e que tenham superado o "ódio, ira e desconfiança", quando eles reconheceram sua "culpa e vergonha".

Segundo Komorowski, a Alemanha e a Polônia escrevem, hoje, um novo capítulo de uma "comunidade de destino" positiva. Ele acentuou as relações muito especiais existentes – por exemplo, entre as duas capitais, Varsóvia e Berlim, que "ressuscitaram, ambas, das cinzas, como a Fênix". O presidente polonês disse desejar que o rastro deixado pela atual exposição se eternize.

Fonte: DW

OBS: Esse é um dos assunto que mais me interessa no contexto da 2ªGM, tanto referente ao levante do Gueto, como o levante da cidade propriamente dita.
Sugiro a todos a lerem o livros inicialmente:

O Levante de Varsovia - o Aniquilamento de uma Nação -  Gunther Deschner -
O levante de 44 - A batalha por Varsóvia - Norman Davies

Sendo que o segundo é bem mais denso, com mais informações - é claro, não tirando o mérito do primeiro,  que é ótimo.

No mais,só procurarem nas Tag's sobre Varsóvia,que vão achar bastante informações aqui no blog.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Ofensiva israelense sobre Gaza

Israel mais uma vez mostrando que é um estado militarista, expansionista e criminoso.
Esse tipo de massacre que comete - que por sinal com alto nível de crianças mortas -,só alimenta mais o ódio que uma pessoa palestina que recebe misseis em sua cabeça, pode ter sobre cidadãos israelenses, sejam eles a favor ou não da ofensiva.
Esse tipo de paz que buscam com misseis e tanques é surreal. Esse discurso pífio de Hamas não cola mais -  aqueles foguetinhos sem vergonha - não demora haver uma anexação de Gaza acontecer, simples, já que Israel faz o que quer. É a mesma coisa que matar uma mosca com um canhão.




Ficam essas imagens para a e reflexão. O ser humano não presta, seja ele qual religião, povo e cultura. No final é tudo a mesma coisa, um sempre quer mais que o outro.


sexta-feira, 20 de junho de 2014

Antigo guarda de Auschwitz preso nos EUA aos 89 anos


Alemanha pede a extradição de Johann Breyer, um ex-SS que emigrou para os Estados Unidos em 1952.

Procurado pela Alemanha por crimes de guerra, um antigo guarda do campo de concentração de Auschwitz foi detido em Filadélfia e vai aguardar na prisão o desfecho do processo de extradição. Aos 89 anos, Johann Breyer é a pessoa mais velha acusada nos Estados Unidos por crimes nazis.

Nascido na antiga Checoslováquia de mãe americana, Breyer emigrou em 1952 para os EUA, onde foi serralheiro mecânico, casou, teve filhos e netos. Mas o passado começou a persegui-lo quando entrou na reforma. Na década de 1990, as autoridades norte-americanas tentaram retirar-lhe a nacionalidade e deportá-lo para a Alemanha, mas o processo terminou quando um juiz decidiu que, por causa da mãe, Breyer era americano de nascimento.

Mas a Alemanha decidiu reabrir o processo em 2012 com base em novas provas, incluindo registos que mostram que ele entrou ao serviço em Auschwitz antes do que ele tinha anteriormente admitido e que chegou a estar colocado no campo anexo de Birkenau, dedicado exclusivamente ao extermínio. O pedido de extradição alega que foi cúmplice na morte de centenas de milhares de judeus durante a II Guerra Mundial – a justiça americana manteve 158 acusações, ordenando a sua detenção, na terça-feira.

Breyer admitiu ter pertencido às Waffen SS, a unidade de elite de Hitler que foi responsável pelos campos de concentração, mas insiste que foi colocado numa unidade de artilharia estacionada fora de Auschwitz, não tendo tido qualquer ligação directa ao que acontecia dentro do campo, onde centenas de milhares de judeus foram mortos, muitos nas câmaras de gás para onde eram levados logo à chegada, outros quando já não tinham forças para aguentar os trabalhos forçados.

Johann Breyer 
“Ele nunca esteve envolvido em crimes de guerra nem nunca foi um nazi”, afirmou quarta-feira em tribunal o seu advogado, Dennis Boyle, alegando que Breyer desertou semanas depois de ter sido colocado em Auschwitz, acabando por ser capturado por soldados russos no final da II Guerra. “Ele foi tanto uma vítima dos nazis como os outros. Nunca se voluntariou para as SS, não queria estar nas SS e desertou”, garantiu.

Boyle adianta ainda que o seu cliente tem problemas cardíacos e “sofre de demência”. Na primeira audição em tribunal, houve momentos em que aparentou estar confuso e sem perceber o que se passava à sua volta, escreveu um jornalista no local. Mas o juiz recusou fixar uma caução para a sua libertação, assegurando que a unidade onde vai ficar em prisão preventiva tem condições para lhe assegurar os devidos cuidados médicos.

Efraim Zurroff, responsável pela identificação e localização de criminosos nazis do centro Simon Wiesenthal em Jerusalém, disse à BBC não ver razões para travar a extradição. “Há um país que o quer julgar e tem bases para o pedido, os EUA estão ansiosos por se ver livres de todos os nazis que emigraram para lá, não haverá obstáculos”, afirmou. O responsável elogiou ainda as autoridades alemãs por este “último esforço para acusar os criminosos nazis”.

Durante quase 60 anos, os tribunais alemães julgaram apenas elementos do regime nazi sobre os quais existem provas de envolvimento directo nas atrocidades cometidas antes e durante a II Guerra. A prática foi alterada depois de, em 2011, um tribunal de Munique ter condenado a cinco anos de prisão um antigo guarda de Auschwitz que emigrara para os EUA, abrindo um precedente que desde então foi usado para acusar outros soldados com as mesmas responsabilidades.

Fonte:
http://www.publico.pt/mundo/noticia/antigo-guarda-de-auschwitz-preso-nos-eua-aos-89-anos-1659620

quarta-feira, 14 de maio de 2014

França: soldados rivais na 2ª Guerra viraram melhores amigos

Fotos do ex-paraquedista do exército alemão
 Johannes Borner e do ex-comandante de elite
francês Leon Gautier. Foto: Reuters

Leon Gautier e Johannes Boerner são vizinhios na comuna francesa de Ouistreham; história de amizade pós-guerra se transformou livro

Um soldado alemão e um militar francês que lutaram entre si na batalha da Normadia, em 6 de junho de 1944, jamais poderiam imaginar que, 70 anos mais tarde, se tornariam melhores amigos.

Hoje, Leon Gautier, de 91 anos, e Johannes Boerner, de 88, são vizinhos na mesma cidade onde forças do comando francês ancoraram no dia da invasão da Normandia, também conhecido como Dia D, de acordo com o Daily Mail.

Eles são dois dos poucos veteranos da Segunda Guerra Mundial que desembarcaram na cidade francesa e forçaram as tropas nazistas a se entregar, que ainda estão vivos.

O tempo e a compreensão criaram um forte laço entre o ex-comandante de elite francês e o paraquedista de Leipzig, que são vizinhos na comuna francesa de Ouistreham.

Em 2012, eles passaram o Natal juntos e em junho deste ano participarão das cerimônias que marcam o 70º aniversário do Dia D. "Somos como irmãos agora", disse Boerner, que obteve a cidadania francesa em 1956.

Gautier e o colega nunca estiveram no mesmo lugar e no mesmo momento na Normandia, porém dividem as mesmas lembranças: os franco-atiradores que se escondiam dos tanques, a voz do inimigo a metros de distância, os mosquitos que infestavam os vales inundados, o cheiro de cadáveres humanos apodrecendo no calor, e outras.

Após se aposentar, Gautier decidiu se mudar para Ouistreham, e, durante uma ida ao restaurante local, conheceu o proprietário: Boerner. 

Um livro sobre a história e a amizade dos dois amigos - "Inimigos e Irmãos" - foi publicado em 2010.

Fonte:  Terra

terça-feira, 13 de maio de 2014

Amos Oz chama extremistas judeus de 'neonazistas hebreus'



O mais famoso escritor israelense, Amos Oz, chamou os extremistas judeus autores de uma onda de atos racistas contra cristãos e muçulmanos de "neonazistas hebreus", informa o site do jornal Haaretz.

Citado pelo jornal, Oz considerou que o termo "preço a pagar", amplamente utilizado para descrever ataques contra palestinos e árabes israelenses por extremistas judeus, era um eufemismo.

"Há nomes gentis ​​para um monstro que deve ser chamado pelo que é: grupos neonazistas hebreus", afirmou na sexta-feira a convidados da festa de seu 75º aniversário, de acordo com o Haaretz.

"Nossos grupos neonazistas se beneficiam do apoio de muitos nacionalistas e até legisladores racistas, assim como de rabinos que lhes fornecem, do meu ponto de vista, uma justificativa pseudo-religiosa", acrescentou Oz.

Novas pichações anti-cristãs e racistas foram encontradas na sexta-feira em Jerusalém, onde a polícia aumentou a vigilância dos locais religiosos sensíveis a possíveis ataques com a aproximação da visita do Papa à Terra Santa no final de maio.

"O preço a pagar, o Rei David para os judeus, Jesus é um lixo", estava escrito na parede da Igreja Romana de São Jorge, perto de um bairro judeu ortodoxo de Jerusalém.

As palavras "Morte aos árabes" também foram pintadas em uma casa na Cidade Velha de Jerusalém e suásticas nazistas foram desenhadas nos muros de um apartamento em Jerusalém Ocidental, o lado israelense da Cidade Santa.

Com o nome de "preço a pagar", colonos extremistas e ativistas de extrema-direita têm intensificado nos últimos meses os ataques contra palestinos, árabes israelenses ou o exército de Israel, em resposta às decisões do governo que eles consideram hostis a seus interesses ou atos atribuídos aos palestinos.

Lugares de culto cristão e muçulmano também são alvos quase diários. Embora a polícia tenha feito várias prisões, elas ainda não resultaram em nenhum processo.

Fonte:
 https://br.noticias.yahoo.com/amos-oz-chama-extremistas-judeus-neonazistas-hebreus-152514892.html

Original: http://www.haaretz.com/news/national/1.589849

Obs: Postando só para relembrar que o convívio entre cristão e judeus, na historia não é muito de amizade, devido ao extremismo.Qualquer livro de historia mostra isso. Não concordo com o termo dito por Amos.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Nazista acusado de cumplicidade na morte de mais de 10 mil pessoas poderá ser indenizado

Hans Lispchis, um antigo guarda do campo de concentração de Auschwitz, deverá receber uma indemnização de cerca de cinco mil euros pelos meses que esteve detido. Isto porque, o tribunal alemão de Ellwangen considerou que o arguido é incapaz de responder à Justiça por sofrer de demência.

O homem, de 94 anos, é acusado de ter sido cúmplice na morte de mais de dez mil prisioneiros.

Hans, natural da Lituânia, ficou em prisão preventiva em maio de 2013, tendo sido depois libertado em dezembro.

O nazi poderá agora pedir cerca de 25 euros por cada dia que passou na prisão, ou seja, um total de 5350 euros.

No final da II Grande Guerra Mundial, Hans Lispchis emigrou para Chicago, nos Estados Unidos, onde viveu até aos anos 80, altura em que foi descoberto pelas autoridades daquele país.

O campo de Auschwitz é um dos maiores símbolos do Holocausto, estimando-se que 1,3 milhões de vítimas - entre os quais judeus, prisioneiros de guerra, ciganos – tenham perdido aí a vida.


A II Guerra prolongou-se entre 1939 e 1945, terminando com a derrota da Alemanha. O Fuhrer, Adolf Hilter, nunca chegou a responder perante os seus atos, uma vez que suicidou antes que caísse nas mãos dos inimigos.

Fonte: http://www.abola.pt/mundos/ver.aspx?id=471295

sábado, 26 de abril de 2014

Jornal faz campanha para tirar tanques soviéticos de monumento em Berlim

"Bild" defende que veículos soviéticos da Segunda Guerra sejam removidos de memorial e afirma que se trata de iniciativa de repúdio à ação da Rússia na Crimeia e na Ucrânia.


Em protesto contra as ações da Rússia na Crimeia e na Ucrânia, a Alemanha deve remover dois tanques soviéticos da época da Segunda Guerra Mundial situados em pedestais próximos ao Portão de Brandemburgo, em Berlim. Essa inusitada proposta foi publicada nesta terça-feira (15/04) pelo jornal sensacionalista Bild, jornal alemão de maior vendagem na Europa.

O periódico lançou uma petição pela retirada do par de tanques verdes modelo T-34, que adornam um memorial de guerra soviético desde a construção do monumento, em 1945. Os jornais Bild e B.Z. (ambos do grupo editorial Axel Springer) convocaram seus leitores a enviar cartas de protesto ao Parlamento alemão contra os dois símbolos da guerra.

"Não queremos tanques russos perto do Portão de Brandemburgo!" é o título do modelo de carta que os jornais publicaram, pedindo a seus leitores para recortarem, assinarem e enviarem a mensagem ao Bundestag (câmara baixa do Parlamento) por correio ou pela internet.

Atração turística

"O Bundestag deve determinar: os tanques russos no memorial no parque berlinense Tiergarten devem ser removidos", prossegue o texto, argumentando que "numa época em que tanques russos ameaçam a Europa livre e democrática, não queremos mais tanques russos perto do Portão de Brandemburgo".

Memorial fica no centro da capital alemã
No memorial estão enterrados cerca de 2,5 mil dos 80 mil soldados do Exército Vermelho tombados em Berlim, na batalha final da Segunda Guerra Mundial. Ele fica a 200 metros do edifício do Parlamento, o Reichstag. Atração turística da capital alemã, ele é um dos três memoriais soviéticos da cidade.

Segundo a lei alemã, uma petição é considerada passível de ser analisada por uma comissão interna do Bundestag caso ela alcance 50 mil assinaturas dentro de quatro semanas, a partir da data do encaminhamento do documento à casa. O Bild informa que deu entrada, oficialmente, ao abaixo-assinado no Parlamento alemão nesta segunda-feira.

Fonte: DW

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Documentos do FBI dizem que Hitler fugiu para a Argentina

Documentos revelados pelo FBI revelam que Adolf Hitler terá fugido para a Argentina de submarino no fim da Segunda Guerra Mundial. E que o ditador sofria de asma e úlceras.

De acordo com o jornal Express, os dados foram fornecidos em 1945 ao FBI por um informador argentino, que em troca pretendia asilo.

Este informador disse ainda que o líder nazi tinha cortado o seu bigode e vivia num rancho fortemente vigiado. "Se forem a um hotel em San Antonio, Argentina, consigo arranjar um homem que se encontre lá com vocês e vos diga onde é o rancho onde está Hitler", disse o informador.

A informação chegou ao líder do FBI, J. Edgar Hoover, que a reencaminhou para o Departamento de Guerra.

No entanto, num documento de 21 de setembro de 1945, os agentes do FBI concluiram que devido à pouca informação seria impossível continuar a seguir esta pista.

Os documentos do FBI estão disponíveis aqui.
Fonte: DN
Mais: Link

OBS: Essa matéria saiu em 2011 e já foi rebatida, em breve sai uma atualização sobre ela.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Livro: Vitória no Pacífico - Do Ataque a Pearl Harbor à Vitória em Okinawa

Vitória no Pacífico -  Do Ataque a Pearl Harbor à Vitória em Okinawa -  Karen Farrington 

O lançamento da M.books deste mês(abril) conta como a tentativa de conquista japonesa foi frustrada e como os Aliados lutaram por toda a Birmânia, ilha por ilha, rumo à vitória final no Oriente.

Em 7 de dezembro de 1941, a marinha japonesa atacou Pearl Harbor. Simultaneamente, o exército japonês lançou ataques maciços na Malásia, Hong Kong e nas Filipinas. A esfera de influência dos japoneses se espalhou num ritmo fenomenal.

À medida que as nações da Ásia caíam uma a uma e as tropas britânicas e americanas na região eram rapidamente subjugadas, parecia que o sonho do império japonês estava para se tornar realidade.

Da luta selvagem pelas ilhas do Pacífico à reconquista da Birmânia, contra todas as chances, pelo “esquecido” 14º Exército, Vitória no Pacífico conta toda a história de como a guerra contra os japoneses no Extremo Oriente foi finalmente vencida.

Sobre a autora: Karen Farrington - é escritora e ex-jornalista do Fleet Street, que se especializou no estudo de confl itos ao longo do século XX. Ela marcou o 50º aniversário do final da Segunda Guerra Mundial com a publicação de Eyewitness to World War II, compilado de várias entrevistas com veteranos ao redor do mundo, sendo que muitos deles contribuíram para a Vitória no Pacífico.

Contato da editora:
M. Books do Brasil Editora Ltda. 
Atendimento ao Cliente: 11 3645-0409 / 0410 - Fax: 11 3832-0335
Visite nosso site: http://www.mbooks.com.br / Twitter: @mbooks_ / Facebook: facebook/mbookseditora

Por sinal, a editora está com um livro sobre Nuremberg:
Os Julgamentos de Nuremberg - Paul Roland
Tem alguns comentários sobre o livro na Amazon:

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Eva Braun, esposa de Hitler, pode ter tido origem judaica

Eva Braun e Hitler.

Eva Braun, a esposa de Adolf Hitler, pode ter tido origens judaicas, segundo novas análises de DNA realizadas para um documentário que será transmitido na quarta-feira pelo canal britânico Channel 4.

Esta tese se apoia na análise de cabelos provenientes de uma escova encontrada em Berghof, a residência de Hitler na Baviera, onde Eva Braun passou a maior parte do tempo durante a Segunda Guerra Mundial. Nos cabelos, os pesquisadores encontraram uma sequência específica de DNA "fortemente associada" aos judeus asquenazes, que representam aproximadamente 80% da população judaica.

Na Alemanha, muitos judeus asquenazes se converteram ao catolicismo no século XIX. "É uma descoberta impressionante. Jamais teria imaginado ver um resultado potencialmente tão extraordinário", comentou Mark Evans, o apresentador do programa "The Dead Famous DNA" no Channel 4.

Segundo os produtores do documentário, tudo indica que os cabelos analisados são provenientes de Eva Braun, mas o único meio de garantir formalmente seria compará-los com o DNA de um de seus dois descendentes vivos, mas eles se negaram a se submeter à análise. Eva Braun foi amante durante longos anos de Hitler. Eles se casaram no dia 29 de abril de 1945, na véspera do suicídio de ambos no bunker do ditador nazista em Berlim.

Fonte: http://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2014/04/05/interna_internacional,515786/eva-braun-esposa-de-hitler-pode-ter-tido-origem-judaica.shtml

sábado, 5 de abril de 2014

Cavalaria Polaca: Um mito militar dissipado

Cavalaria polaca
Às 02:00 em 1 º de setembro de 1939, o coronel Kazimierz Mastelarz, comandante do 18 º Regimento da Brigada de Cavalaria Pomorska , avistou um batalhão de infantaria alemã exposto na floresta perto da aldeia polonesa de Krojanty. Ele rapidamente reuniu seus soldados para uma carga de sabre e caiu sobre o inimigo desprevenido, facilmente a ultrapassagem deles. Para o coronel, a ação curta, mas breve, deve ter parecido um começo casual para a guerra para ele e seus homens. Seu primeiro encontro com a tão anunciada Wehrmacht de Hitler tinha provado um sucesso tático a um custo insignificante. No entanto, a vitória teria uma curta duração. Antes dos poloneses poderem se reorganizar, uma coluna de tanques alemães e tropas motorizadas apareceu em torno de uma curva e desencadeou uma saraivada de fogo devastador. Cerca de vinte soldados, incluindo o próprio coronel foram mortos antes de os poloneses pudessem girar seus cavalos e retirar-se, abandonando o campo ganhado recentemente dos alemães, que avançavam. No dia seguinte, correspondentes de guerra italianos foram trazidos para o local e disseram que os cavalarianos poloneses se lançaram em carga contra os tanques alemães.

Foi desta forma que um dos mitos mais duradouros da Segunda Guerra Mundial, e a imagem definidora da campanha de setembro, nasceu. O general alemão Heinz Guderian escreveu em suas memórias que "A Brigada de Cavalaria Polonesa Pomorska, na ignorância da natureza de nossos tanques, tinham dado carga com espadas e lanças e sofreram perdas enormes". [1] Winston Churchill escreveu que os poloneses "deram carga bravamente contra os tanques pululantes e carros blindados, mas não poderiam prejudicá-los com as suas espadas e lanças ".[2] Ainda hoje, cerca de setenta anos depois, o mito permanece amplamente acreditado mesmo nos círculos militares. Na apresentação de 2005, o jornal do Exército canadense, escrito por um major do exército canadense, conta como as tropas polacas "com pouco mais de coragem e lanças" foram "abatidos" quando em carga contra carros blindados e tanques alemães. [3] Como é que uma imprecisão histórica tão flagrante pode perpetuar até hoje? A resposta está nos diversos contextos, através do qual o mito tem sido interpretados e divulgados. Isso quer dizer que, enquanto a imagem de um cavaleiro polaco em carga contra um tanque tem sido usado para denegrir os poloneses e o Estado polonês na guerras, também serviu como um símbolo nacional importante de auto-sacrifício e da tradição romântica. No entanto, antes de se aprofundar em diferentes interpretações do mito, é importante esclarecer o papel da cavalaria do Exército Polonês de antes da guerra e seu uso na Campanha de Setembro.

 A cavalaria polonesa foi a última a constituir um braço militar na estratégica autônoma. Os 70.000 homens que compunham o Exército polonês em onze brigadas de cavalaria representavam não apenas cerca de dez por cento a sua força total, mas também sua elite. Distinguidos por suas botas elegantes e uniformes bem adaptados, cavaleiros eram normalmente recrutados entre latifundiários e classes educadas e compartilhavam um profundo senso de lealdade para com os seus regimentos e tradição. Durante a década de 1930, táticas e a organização foram atualizados em resposta à nova face da guerra moderna. A lança foi abandonada como arma em 1934 e, apesar dos cavalarianos tivessem sabres, cargas montadas  foram desencorajados a favor de ataques em pé. Na verdade, noventa por cento dos engajamentos de cavalaria poloneses durante a campanha 1939 foram travadas desmontados. [4] A principal vantagem do cavaleiro foi pensada para não residir em cargas, mas em sua mobilidade e capacidade de resposta de acordo com qualquer situação. Nem eram ilusões mantidas como às realidades sobre combate entre cavalaria e tanques. Em 1937, o exército polonês emitiu uma "diretiva relativa a combate entre unidades de cavalaria e blindados." Ele afirma que: "Em vista do enorme desenvolvimento das forças blindadas, a cavalaria vai enfrentá-los continuamente e tem que aprender a lidar com eles, se quiserem cumprir suas tarefas ". [5] Cavaleiros são instruídos sobre tanques de combate, atraindo-os em terrenos acidentados e atacá-los com armas anti-tanques, artilharia cavalo e munições anti-tanque para rifles e metralhadoras.Em nenhum lugar diz que cavaleiros  montados devem atacar tanques, e muito menos com o sabre ou lanças.

A capa de uma revista Juventude Hitlerista 
de 1939, explorando o mito do "ataque 
contra tanques."
Entretanto, nenhuma quantidade de capacidade e moral por parte de seus oficiais e soldados poderia alterar o fato de que a cavalaria polonesa era essencialmente uma relíquia de uma época passada de guerra. Como um observador britânico escreveu: "Lembro-me de passar um dia com um regimento de cavalaria polonesa em sua sede fora de Varsóvia, e ninguém viu as manifestações mais maravilhosas de equitação. Mas de alguma forma eu sabia o suficiente sobre assuntos militares a perceber o quão triste que estava. Este foi um exército à moda antiga ".[6] O importante papel desempenhado pela cavalaria durante a Guerra Russo-Polonesa de 1920 levou a uma confiança equivocada entre os líderes militares quanto ao valor da cavalaria na batalha. Muitos sentiram que o tanque foi superestimado como uma arma, difícil de manobrar e passíveis de quebras em terrenos acidentados. Além disso, forragem para um cavalo era mais fácil de obter do que as enormes quantidades de gasolina necessárias para a força dos tanques. Embora houvesse pessoas como Władysław Sikorski, que reconheceu a importância da mecanização rápida, havia outras considerações. O ditador da Polônia, o marechal Józef Pilsudski, foi amplamente reconhecido como o "fundador e pai do exército polonês" e insistiu em manter a palavra final sobre todos os assuntos militares. Como o marechal cresceu velho e doente, tornou-se impossível chamar a sua atenção para os problemas fundamentais da doutrina e armamento.[7] Havia também a questão dos recursos financeiros limitados da Polônia e da capacidade produtiva industrial. Em 1939, o custo de equipar toda uma divisão blindada excedeu o orçamento anual total para o Exército polonês inteiro. Apesar do fato de a Polônia passar uma parte considerável de seu produto interno para os militares, nas despesas de defesa entre 1935 e 1939, infelizmente, foi de apenas um trigésimo da Alemanha. [8]

Nota-se no entanto, que a Polônia não era de forma alguma o único país combatente em 1939 em manter um lugar para cavalaria em suas doutrinas militares. Ao longo da década de 1930, o exército britânico, incentivado pelo Ministro da Guerra Duff Cooper, ao que um escritor descreveu, manteve o cavalo como um acessório "místico". [9]Tais sentimentos foram ecoados nos Estados Unidos pelo general John Knowles Herr, que, até 1939 pedia o fortalecimento da cavalaria e sua importância tática na próxima guerra. Em junho de 1941, o Exército Vermelho tinha trinta divisões de cavalaria em campo e os cavalarianos soviéticos tiveram um papel importante durante a guerra, não menos de que estavam liderando o cerco do Sexto Exército alemão em Stalingrado. Tais sentimentos foram ecoados nos Estados Unidos pelo general John Knowles Herr, que, até 1939 pedia o fortalecimento da cavalaria e sua importância tática na próxima guerra. Em junho de 1941, o Exército Vermelho tinha trinta divisões de cavalaria em campo e os cavalarianos soviéticos tiveram um papel importante durante a guerra, não menos de que estavam liderando o cerco do Sexto Exército alemão em Stalingrado. Mesmo a Wehrmacht alemã, líder na guerra mecanizada, dependia de cavalos para oitenta por cento de sua mobilidade durante a invasão da Polônia. [10] Cinco divisões de cavalaria acompanhou o exército alemão na União Soviética em junho de 1941 e como a guerra avançava e as realidades logísticas e geográficas de lutar uma guerra na Rússia tornou-se evidente, tanto o exército alemão como as Waffen SS expandiram significativamente suas unidades de cavalaria.

Um exame detalhado do desempenho da cavalaria polonesa em setembro de 1939 revela um registro de combate muito diferente do que os cavaleiros suicidas em carga contra tanques. Ao longo da campanha a cavalaria repetidamente provou ser a elite do exército polonês, mantendo sua disciplina e determinação em face de uma situação que era insustentável desde o início. De fato, na manhã do encontro em Krojanty, o comandante da 20 ª Divisão Motorizada alemã pediu permissão para retirar-se em face da "pressão intensa da cavalaria".[11] Naquele mesmo dia, na aldeia de Mokra, a Brigada de Cavalaria Wołyńska, entrincheirada em excelentes posições, repeliu repetidos ataques da 4ª Divisão Panzer alemã. A Brigada de Cavalaria Podolska conseguiu escapar atrás das linhas alemãs e brevemente invadir a Prússia Oriental, onde causou confusão e consternação considerável. [12] O louvor relutante da cavalaria polonesa ainda pode ser encontrado entre as lembranças dos alemães invasores. Guderian escreve:
 Durante a noite, o nervosismo no primeiro dia da batalha se fez sentir mais do que uma vez. Pouco depois da meia-noite a 2ª Divisão(motorizada) me informou que eles estavam sendo obrigados a se retirar pela cavalaria polonesa. Eu fiquei sem palavras por um momento; Quando recuperei o uso da minha voz eu perguntei ao comandante divisional se ele nunca tinha ouvido falar de granadeiros da Pomerânia sendo quebrados pela cavalaria hostil. Ele respondeu que não, e já tinha me garantido que ele poderia manter suas posições. Eu decidi tudo e que tinha que visitar essa divisão na manhã seguinte.[13] 
Nota-se que as unidades de cavalaria que lutavam em torno de Kock, no centro da Polônia não se renderam até 6 de outubro, enquanto alguns elementos da Brigada Podolska ainda conseguiram evitar a rendição por completo e fugir para a Hungria. A vitória alemã sobre a Polônia, em 1939, foi o primeiro grande sucesso militar da Wehrmacht desde a Primeira Guerra Mundial. Enquanto os poloneses lutaram bravamente, infligindo mais de 50.000 mortes em quatro semanas, a vitória alemã nunca esteve em dúvida. A invasão em 17 de setembro pela União Soviética, junto com a falta de ação flagrante por parte dos britânicos e franceses, assegurou o colapso rápido da Polônia. Para a propaganda alemã, a imagem de cavaleiros poloneses ingenuamente dando carga contra tanques serviu para destacar a superioridade tecnológica e intelectual das novas Forças Armadas alemãs e foi amplamente divulgado. Hans J. Massaquoi, morador de treze anos de Hamburgo, no momento da invasão alemã, conta em suas memórias como os noticiários apresentaram a imagem de cavaleiros em carga contra tanques como "uma grande piada polonesa".[14] Entre as representações mais famosas foi em 1941 o filme de propaganda "Kampfgeschwader Lützow" (esquadrão de combate Lützow). Para aumentar o realismo do filme, os cineastas pediram a ajuda do exército alemão em filmar no que dizia ser genuíno com filmagens do campo de batalha na Campanha de Setembro.[15] Em uma seqüência uma coluna de veículos blindados alemães é subitamente atacada por cavaleiros poloneses que carregam  para cima deles com sabres em punho. Os veículos alemães prontamente viram o rosto para seus atacantes, que são rapidamente postos em fuga deixando atrás de si um campo coberto de corpos mortos e cavalos sem cavaleiros.

Após a Segunda Guerra Mundial, a Polónia se encaixou desajeitadamente em historiografias ocidentais e soviéticas oficiais. Como resultado, a Campanha de setembro manteve praticamente inexplorada e várias imprecisões foram deixadas sem correção. O filme encenado encontrado em Kampfgeschwader Lützow até apareceu em documentários como autêntica filmagem de campo de batalha.[16] Como o historiador Norman Davies afirma, para muitos russos e ocidentais, a imagem de cavaleiros poloneses imprudentes em carga contra tanques foi mais fácil de aceitar que os "indignos papéis desempenhados pelos seus próprios governos, em 1939".[17] Apologistas nazistas e simpatizantes também têm aproveitado o mito como uma forma de difamar o Estado polonês entre guerras e seu povo. Em sua obra best-seller A Guerra de Hitler, o historiador desonrado e negador do Holocausto condenado, David Irving, usa o mito para fazer exatamente isso. Irving retrata guerras na Polónia como um país atrasado e agressivo que incitou a Alemanha à guerra. Ele descreve os poloneses como sendo um povo bárbaro que cruelmente perseguiam minorias alemãs e planejavam sua própria invasão da Alemanha. Ele escreve o polonês do campo  em 1939, "emaranhado e despenteado, como desde os tempos pré-históricos." Diante desses fatos, não é surpresa que os cavaleiros poloneses estavam "convencidos que os tanques alemães eram apenas manequins de folha de flandres" e iria atacá-los com suas lanças.[18]

Cavalaria polaca em ação,1939.
Seria incorreto no entanto, afirmar que as interpretações do mito tem sido universalmente negativas. Uma das razões inegáveis ​​que persiste até hoje é o seu valor como um símbolo de coragem altruísta e sacrifício. Certamente não se pode deixar de lembrar das famosas palavras do  General francês Pierre Bosquet ao testemunhar uma carga da Brigada Ligeira, “C’est magnifique mais ce n’est pas la guerre.” Em seu romance de 1959 The Tin Drum, a primeira parcela em seu épico " "Danzig Trilogy", Gunther Grama retrata o cavaleiro como o Don Quixote (Pan Kichot) da Polônia. Montando para a morte certa, o cavaleiro é visto como um belo anacronismo típico de uma era perdida do romantismo polonês. "Oh, tão brilhantemente a galope!", escreve ele, "vocês nobres poloneses a cavalo, estes não são tanques de aço , eles são meros moinhos de vento ou ovelhas, eu chamo você para beijar a mão da senhora."[19] Outra tal representação é encontrado no filme polonês de 1959 "Lotna" . Devido a razões políticas, os filmes sobre a campanha de 1939 não foram favorecidos durante a era comunista e "Lotna" é uma das poucas exceções importantes. Dirigido pelo lendário cineasta Andrzej Wajda, o filme acumulou considerável controvérsia devido à sua descrição surreal da cavalaria polonesa atacando tanques alemães. Em um ponto, um Uhlan polonês ainda ataca em vão pelo cano de um tanque com seu sabre. Embora muitos críticos poloneses e público sentiram que o filme seja irrisório das tradições militares do país, Wajda estava completamente ciente dos fatos históricos. Seu pai tinha sido um oficial da cavalaria durante a guerra, e ele fez questão de usar veteranos da Campanha de setembro como consultores.[20] A carga temerária da cavalaria contra tanques alemães não se destina a ser tomada como um fato histórico, mas sim como emblemática de uma era e tradição na história polonesa que depois de 1939 se foi para sempre, destruída pelas novas tecnologia de guerras.

A noção de que a cavalaria polonesa em carga contra tanques alemães em setembro de 1939, enquanto completamente falsa, encontrou um lugar aparentemente permanente nos anais da história militar. Enquanto alguns vão sempre usar o mito para ilustrar imprudência e imperícia na batalha, os outros vão vê-lo como um ato intemporal de valor marcial. Uma coisa que é certa, porém, é que o mito não será colocado para descansar em qualquer momento no futuro próximo. A Campanha de setembro, enquanto em grande parte esquecida no Ocidente, continua a ser na Europa Oriental um dos capítulos mais controversos da guerra. Este verão passado, antes do septuagésimo aniversário da invasão alemã da Polônia, o Ministério da Defesa russo acusou oficialmente a Polónia de ser responsável pela Segunda Guerra Mundial, recusando-se a ceder às exigências alemãs. A acusação foi feita na sequência da criação do "Comitê para a Oposição contra as tentativas de falsificar a história em detrimento da Rússia." Fundada pelo Presidente da Federação da Rússia , Dmitry Medvedev , o Comitê procura minar tais "distorções do registro histórico" como a do Massacre de Katyn 1939, em que 22 mil oficiais poloneses foram executados sumariamente. Enquanto grandes eventos históricos estão sendo deliberadamente negados em vez de re-examinados, é altamente improvável que tais questões aparentemente insignificantes como se deve ter ou não cavaleiros poloneses dado carga contra tanques alemães jamais vai ser respondida inequivocamente.

Tradução: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)

Notas e bibliografia 
Notas de Rodapé

[1]. Heinz Guderian, Panzer Leader (London: Michael Joseph Ltd., 1952), 72. 
[2]. Winston S. Churchill, The Second World War and Epilogue on the Years 1945-1957 (London: Cassell, 1959), 168. 
[3]. Tod Strickland, “Cavalry Charging Panzers: An Evaluation of Leadership Doctrine in the Canadian Army,” The Canadian Army Journal 8, no. 1 (Spring 2005): 39. 
[4]. Steven Zaloga, The Polish Army 1939-45 (London: Osprey Publishing, 1982), 9. 
[5]. Steven Zaloga, The Polish Campaign, 1939 (New York: Hippocrene Books, 1985), 38. 
[6]. Nicholas Bethell, The War Hitler Won: September 1939 (London: The Penguin Press, 1972, 99. 
[7]. Richard M. Watt, Bitter Glory: Poland and its Fate, 1918-1939 (New York: Hippocrene Books, 1998, 44. 
[8]. Steven Zaloga, Poland 1939: The Birth of Blitzkrieg (New York: Osprey Publishing, 2002), 22. 
[9]. Piers Brendon, The Dark Valley: A Panorama of the 1930's (New York: Alfred A. Knopf, 2000), 420. 
[10]. Christopher Ailsby, Waffen-S.S.: Hitler's Black Guard at War (London: Brown Books Limited, 1997), 23. 
[11]. Zaloga, Poland 1939: The Birth of Blitzkrieg, 42 
[12]. Bethell, 30. 
[13]. Heinz Guderian, Panzer Leader (New York: Da Capo Press, 2001), 71. 
[14]. Hans J. Massaquoi, Destined to Witness (New York: Perennial, 1999), 141. 
[15]. Jo Fox, Film Propaganda in Britain and Nazi Germany: World War II Cinema (New York: Berg, 2007), 100. 
[16]. Zaloga, Poland 1939: The Birth of Blitzkrieg, 92. 
[17]. Norman Davies, God's Playground Volume II: 1795 to the Present (New York: Oxford University Press, 2005), 325. 
[18]. David Irving, Hitler's War: 1939-1942 (London: Paperman, 1977), 6, 9-11. 
[19]. Günter Grass, The Danzig Trilogy: The Tin Drum, Cat and Mouse, Dog Years (New York: Random House, 1987), 195. 
[20]. Tadeusz Lubelski, Wajda (Wrocław: Wydawn. Dolnośląskie, 2006), 79. 

Tradução: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)
Escrito por Alexander Zakrzewski. Se você tiver dúvidas ou comentários sobre este artigo, por favor, entre em contato com Alexander Zakrzewski pelo email: alex.p.zed@gmail.com