sábado, 26 de maio de 2012

Morre Klaas Faber, um dos criminosos nazistas mais procurados

Klaas Faber
BERLIM, 26 Mai 2012 (AFP) -O criminoso de guerra nazista de origem holandesa Klaas Faber, segundo da lista de criminosos mais procurados pelo Centro Simon Wiesenthal, morreu aos 90 anos em Ingolstadt, no sul da Alemanha, informaram neste sábado fontes médicas.

A morte de Klaas Faber ocorreu na quinta-feira, segundo estas fontes.

Klaas Faber era procurado pela justiça holandesa há anos. Ex-membro do comando da SS Silbertanne, foi condenado à morte em seu país em 1947 por matar 22 judeus.

Sua pena foi comutada para prisão perpétua, mas conseguiu fugir da prisão em 1952, refugiando-se na Alemanha.

Em 1957, um segundo julgamento despronunciou o caso e Faber vivia desde então tranquilamente na pequena cidade bávara de Ingolstadt.

Em 2004, a Holanda tentou fazer com que Faber cumprisse na Alemanha a condenação imposta pela justiça holandesa, mas este pedido foi rejeitado por um tribunal alemão com base na decisão de 1957.

Em novembro de 2010, Haia emitiu uma ordem de prisão europeia contra Faber, mas a justiça alemã voltou a rejeitar a extradição, já que a Alemanha não extradita seus cidadãos, e o nonagenário adquiriu a nacionalidade alemã ao entrar na SS, em virtude da promulgação de uma lei nazista.

No entanto, a legislação prevê que um país europeu que rejeita uma extradição seja obrigado a cumprir a condenação pela qual foi solicitada sua extradição.
Klaas Carel Faber

Decreto da Eutanásia - Aktion T4



Fac simile do documento


[Águia Imperial] Adolf Hitler


Berlim, 1 de setembro de 1939

Reichsleiter Bouhler e
Sr. Doutor Brandt 

Ficam encarregados da responsabilidade de ampliar a autorização dos médicos que serão nomeados, de tal modo que uma morte misericordiosa pode ser concedida, depois de uma avaliação crítica da condição da sua doença, às pessoas com uma doença incurável segundo julgamento humano.

Adolf Hitler


Recebido de Bouhler
em 27/8/40
Dr. Gärtner 



Tradução: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Ordem de von Rundstedt - As ações da Wehrmacht e dos Einsatzgruppen: A luta contra elementos hostis ao Reich

URSS, 1941, uma execução pelo Einsatzgruppen, durante a Operação Barbarosa
As ações da Wehrmacht e dos Einsatzgruppen

Setembro de 1941


Alto comando
Corpo do Exercito Sul
Ic/AO (Abw, III)

Quartel General, 24 de setembro de 1941

Assunto: A luta contra elementos hostis ao Reich

na medida em que não está dirigida contra uma força militar inimiga, a investigação e luta contra as tendencias e os elementos hostis ao Reich (comunistas, judeus, etc.) dentro das zonas ocupadas, constituem a tarefa exclusiva dos Sonderkommandos (Unidades especiais), da Policia de Segurança e do SD, os quais, sob sua própria responsabilidade, tomaram as medidas necessárias e as levaram a cabo.

São proibidas as ações individuais de membros  da Werhmacht, ou a participação destes nos excessos cometidos pela população ucraniana contra judeus; também é proibido observar ou tirar fotografias enquanto   atuam os Sonderkommandos.

Esta proibição será levada a conhecimento dos membros de todas unidades. Os [Comandantes] encarregados da disciplina nos distintos intervalos, são responsabilizados da execução desta proibição. Em caso de infração, deverá se investigar cada circunstância para determinar se existiram falhas por parte do Comandante em sua obrigação de controle, e quando  for necessário, será castigado com severidade.

Assinado: von Rundstedt

Distribuição:
A.O.K. (Comando de inteligencia), Pz. Gr. (Divisão de blindados)
Bef rückw H (Comando da retaguarda)
Befehlsstelle Süd (Comando Sul)
Abt. des Stabes u. Wach-Kp. (Departamento do Estado Maior e das Companhias de Guarda)
Nachr.: Luftflotte (Força aerea) 

NOKW - 541

Tradução: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)

Fonte: El  Holocausto en documentos -  Selección de documentos sobre la destrucción de los judiós de Alemania y Austria, Polonia y la Unión Sociéticas;  p.426-427

Ver também: Ordem sobre a conduta de tropas em territórios orientais

terça-feira, 15 de maio de 2012

Ladrões roubam covas na Rússia para lucrar com peças da Segunda Guerra Mundial



"Você vai encontrar três rifles. Basta juntar as peças e montar um novo, que até funciona", conta um homem que pede para ser identificado como Alex, enquanto nós passamos pelo matagal. Nós estamos a caminho de uma área que foi palco de algumas semanas de ferozes combates durante a Segunda Guerra Mundial. 

Alex pediu para ser descrito como um "escavador". Ele nasceu e cresceu em Leningrado (atual São Petersburgo), na Rússia. Desde que ele tinha 15 anos, começou a buscar por "ferro" nos bosques. "Todos os moradores daqui fazem algum tipo de escavação. Alguns por interesse pessoal, outros para encontrar coisas para vender", afirma.

Um pequeno detalhe: todas as coisas encontradas estão enterradas em meio a ossos. Para encontrar pertences e conseguir dinheiro vendendo-os em mercados de produtos de segunda mão, é preciso procurar em meio aos restos de um soldado morto.

Os mais intensos combates da Segunda Guerra Mundial ocorreram no território que atualmente pertence a Rússia, Ucrânia, Belarus e países do Leste Europeu.

Trincheiras intactas
Os campos e florestas que serviram como campos de batalha foram muitas vezes deixados para trás intactos, sem que fossem retirados destroços, bombas não-detonadas e corpos, já que não houve tempo para que isso ocorresse.

Aqueles que realizaram escavações nestes locais são normalmente classificados como "brancos" ou "negros". "A primeira categoria se refere a pessoas registradas oficialmente junto a organizações não-governamentais como realizadores de buscas. Elas recebem um visto de trabalho das autoridades regionais onde as escavações estão sendo realizadas.

O propósito principal dos "brancos" é encontrar e enterrar os restos mortais de soldados do Exército Vermelho e confirmar sua identidade. Eles compram seus próprios equipamentos e não recebem remuneração.

Existem diversos grupos de voluntários na Lituânia, Letônia e Polônia. Alguns desses grupos montaram um batalhão formado por soldados, que vistoriam as escavações.

Um batalhão especial de buscas também foi montado na Rússia, mas o número de soldados que ganharam enterros oficiais após as operações de buscas ocorreram, na maioria dos casos, graças aos esforços de grupos de voluntários. Existem mais de 600 deles, ao todo.

Os escavadores classificados como "negros" atuam ilegalmente. Eles encontram corpos de soldados nortos nos campos e às vezes agem até em cemitérios militares, para ganhar dinheiro ou para aumentar suas coleções de memorabília.`

"Esta era uma única trincheira e veja, eles tiraram tudo que podiam daqui. E jogaram fora os restos de soldados. São saqueadores Como é que alguém pode lidar dessa maneira com os restos mortais de pessoas que deram suas vidas por nós?", afirma o voluntário Anatoly Skoryukov, ao me dar um exemplo do que os coveiros "negros" são capazes de fazer.


Venda em mercados
Skoryukov gentilmente começa a juntar os pedaços de um crânio que havia sido rompido com uma pá e outros ossos espalhados em um raio de diversos quilômetros. Alex, um "coveiro negro" que aceitou me levar à floresta com ele, admite abertamente que busca o lucro ao escavar os restos de soldados.

"Se todas essas coisas ainda estão nas florestas, significa que somos os únicos interessados. Se os governos acham isso importante, eles poderiam ter desenterrado tudo isso há muito tempo", afirmou.

Os frutos do trabalho dos "coveiros negros" pode ser visto todos os finais de semana nos principais mercados de segunda mão da maior parte das cidades da Rússia, Ucrânia e alguns países do Leste Europeu. É possível comprar também artigos militares na Internet. Eles são oferecidos por centenas de sites e redes sociais.

E não faltam compradores, colecionadores particulares e seguidores de movimentos neo-nazistas. Poucos deles estão interessados no verdadeiro valor histórico das peças. O mais imporante para eles é encontrar uma suástica.

Um capacete de um soldado do Exército Vermelho pode ser comprado em um mercadinho de São Petersburgo por até US$ 25 (cerca de R$ 50). O mesmo artefato de um soldado nazista custa dez vezes mais. Medalhas militares alemãs, como a Cruz de Ferro, chegam a custar US$ 600 (cerca de R$ 1.184).

Nos anos 90, surgiu um mercado para armamentos "revividos". "Explosivos, rifles e pistolas foram vendidos aos montes. Ainda há muitos deles nos campos, mas eles agora têm sido compradores somente por colecionadores. Para atirar, é mais fácil comprar um rifle Kalashnikov novo ou alguma outra coisa em oferta. É mais barato e confiável.

Mas "coveiros negros" ainda são capazes de fazer dinheiro com munições da Segunda Guerra Mundial. Eles retiram os explosivos de minas e de cápsulas e as vendem para caçadores e pescadores. Estes "explosivos amadores" chegam a ferir e matar pessoas todos os anos. O mínimo erro, durante a excavação pode causar uma explosão.

Esse tipo de venda sem regulamentação de armas e munições é ilegal na Rússia e ao desecrar covas, os "coveiros negros" podem pegar uma pena de prisão de até oito anos. Mas na prática, até mesmo multas são uma raridade.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Mensagem do comandante do AK a uma solicitação judia pedindo armas

Soldados das Waffen SS com um judeu que foi capturado durante a revolta.
Yad Vashem Foto Arquivo 2807/111
Depois de tudo, judeus procedentes de toda classe de grupos incluindo comunistas, se diregem a nós para pedir armas, como se nossos depositos estivessem completos. A modo de experimento, dei-lhes algumas pistolas. Não estou  de todo seguro que utilizaram essas armas. Já não lhes entrego mais armas, porque como já sabeis, nós mesmos não as temo; estamos esperando uma nova expedição. Informamos  aos nossos contatos judeus que temos em Londres.

Kalina

Arquivos do Yad Vashem, 025/93
 
Obs: O General Rowecki, Comandante do Ak, envio sua mensagem ao Governo Polaco de Londres, em 04 de janeiro de 1943. AK -  Armia Krajowa -  Exercito da Patria: O braço militar do movimento clandestino polaco  sob as ordens do governo em exilio em Londres.

Tradução: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)

Fonte: El  Holocausto en documentos -  Selección de documentos sobre la destrucción de los judiós de Alemania y Austria, Polonia y la Unión Sociéticas;  p.336


Pesquisador encontra relatório de deportação nazista em arquivo

Um pesquisador alemão anunciou nesta quarta-feira que encontrou em um arquivo londrino um estremecedor relatório policial sobre a deportação de judeus na Alemanha nazista que constitui um valioso documento histórico.

O relatório, que é assinado pelo capitão da Polícia e membro das tropas de assalto das SS Wilhelm Meurin e data de novembro de 1941, descreve a deportação de Düsseldorf e Wuppertal (oeste da Alemanha) com destino a Minsk (Belarus, URSS) de um total de 992 judeus, dos quais apenas cinco conseguiram sobreviver ao Holocausto.

O funcionário nazista, responsável pela supervisão da deportação, documenta de forma burocrática ao longo de sete páginas todas as paradas do trem da morte, enquanto não há praticamente nenhuma frase sobre o estado no qual se encontravam os judeus deportados Bastian Fleermann, o diretor do memorial das vítimas do regime nacional-socialista em Düsseldorf, explicou que encontrou o documento por acaso ao consultar no catálogo virtual da Biblioteca Wiener de Londres as palavras-chave "Düsseldorf" e "Minsk".

"Não sabemos como (o documento) chegou a este arquivo londrino", declarou Fleermann em Düsseldorf ao apresentar pela primeira vez o relatório policial.

Ao mesmo tempo, ele ressaltou a importância deste documento, já que por enquanto é conhecido apenas um semelhante sobre a deportação de judeus - o "relatório Salitter", encontrado nos anos 60 -, pois os nazistas tentaram eliminar no final da Segunda Guerra Mundial todo o rastro de sua maquinaria assassina.

Este documento, assinado pelo funcionário da Polícia Paul Salitter, descreve com detalhes a deportação no início de 1941 desde a estação para trens de carga de Derendorf, em Düsseldorf, de um total de 1.007 judeus com destino a Riga (Letônia).

terça-feira, 8 de maio de 2012

Cruz Vermelha Internacional e os prisioneiros de guerra alemães em mãos dos Aliados

Prisioneiros alemães, Sinzig, Alemanha, 12  de maio de 1945
Na primeira parte da guerra, havia relativamente poucos prisioneiros de guerra alemães. Isso mudou após o desembarque na Normandia.

Durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, o exército alemão foi vitorioso e houve, conseqüentemente poucos prisioneiros de guerra alemães em mãos dos Aliados. 

Após o desembarque na Normandia dos Aliados, e seu avanço para o interior da Alemanha, o número de soldados alemães feitos prisioneiros cresceu consideravelmente.

A rendição da Alemanha, em 08 de maio de 1945 levou à captura de milhões de soldados alemães que já não podiam contar com o apoio de seu governo, nem de suas famílias, eles mesmos em situação de extrema pobreza. Do lado vitorioso, a opinião pública considerou que os alemães estavam apenas recebendo o que mereciam, e o ICRC ( International Committee of the Red Cross ou CICV - Comitê Internacional da Cruz Vermelha) encontrou-se praticamente sozinho no intervindo em seu nome.

O CICV fez abordagens para as autoridades dos quatro zonas de ocupação e, no outono de 1945, recebeu autorização para enviar tanto ajuda e como delegados para as zonas de franceses e britânicos. Em 4 de fevereiro de 1946, o CICV foi autorizado a enviar ajuda para a zona americana, e em 13 de Abril 1946, obteve permissão para extender essa atividade para a zona soviética.

As quantidades recebidas pelo CICV para esses cativos permaneceu muito pequeno, no entanto. Durante suas visitas, os delegados observaram que os prisioneiros de guerra alemães foram frequentemente detidos em condições desumanas. Eles chamaram a atenção das autoridades para esse fato e, gradualmente, conseguiu fazer com que algumas melhorias fossem feitas.


Tradução: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)

quinta-feira, 3 de maio de 2012

A invenção do povo judeu (A "equivoco" do livro de Shlomo Sand)

Shlomo Sand, autor do livro  "A invenção do povo judeu"


Está em discussão a muito tempo em algumas comunidades e fóruns o assunto sobre bem vendido e polemico livro de Shlomo Sand, " A Invenção do Povo Judeu", onde ele  retrata sobre o passado do povo judeu e sua relação do Estado de Israel. Como anda um pessoal enviando comentários absurdos aqui no blog  esses dias embasado nesse livro, vou dar uma rápida explicação e eventual indicação de leitura. Não vou entrar em detalhes sobre criticas sobre documentação infundas e afirmações feitas por ele, mas vou indicar a resposta da ciência sobre a analise de DNA.

Antes de tudo (porque não quero bajuladores), não estou defendendo o Estado de Israel e seu direito de posse da terra judaico devido a DNA's (que por sinal tenho uma posição extremamente diferente da relacionada aos acontecimentos no Holocausto e seu atual governo e atitudes -que muitos já sabem no qual apoio um estado em que inclua judeus, cristão, árabes sem nenhum tipo de exclusão que está acontecendo de forma hedionda desde sua criação, mas isso é outro papo que não cabe aqui), mas ouvir esse pessoal "revisionista", negacionistas e antissemitas sustentarem essas teses malucas em cima desse tipo de livro é sem sentido e usadas com mal intenção, e pretendo deixar claro para aqueles que antes de comprarem o livro despercebido, pelo "assunto polemico", tenham uma base antes de sair acreditando em qualquer coisa que pega para ler, tanta na internet como em paginas impressas.

Não vou traduzir os textos, deixo isso a cargo dos interessados, que podem facilmente faze-lo usando o Google Tradutor ou mesmo o Google Chrome, que traduz automaticamente, mas vou deixar alguns links que já servem para abrirem os olhos de certas pessoas, links esses de reportagem de publicações cientificas serias e mundialmente conceituadas (como a Science), que explicam pela ciência que a tese de Sand não anda bem no caminho certo.


Science:

Materia no The Daily Beast:

A Sociedade Americana de Genética Humana, no Jornal Americano de Genética Humana (qualquer coisa, procurem pelo nome do artigo que encontra em outros meios científicos). Por sinal, fala ate dos Ashkenazi :

Texto bastante interessante também no The New York Times:
http://www.nytimes.com/2009/11/24/books/24jews.html?_r=1&scp=1&sq=shlomo%20sand&st=cse


Shlomo Sand: A invenção do povo judeu (livro) (Holocausto-doc)

Leiam essa materia sobre os Khazares e os Askhenazi e relacionem ao assunto:
Os khazares e o revisionismo (Holocausto-doc)

Boa leitura e bom conhecimento aos interessados e que permaneçam na agnosia os desinteressados.





terça-feira, 1 de maio de 2012

Destruição de monumentos a soldados mortos.



Tornou-se já tradição, por altura dos aniversários da Vitória sobre o Nazismo, destruir-se monumentos de homenagem aos soldados soviéticos mortos durante a guerra contra o regime de Hitler.


Sintomaticamente, esta tradição nasceu nas ex-repúblicas soviéticas, atualmente Estados independentes cujos habitantes resistiram ao invasor sendo cidadãos da URSS.

Em 19 de abril de 2012 a assembleia municipal de Turka (Ucrânia Ocidental) decretou a demolição do memorial aos soldados soviéticos. Em fevereiro de 2012, apesar de um forte movimento de protesto da população local, em Batumi (Geórgia) foi derrubado o monumento aos soldados soviéticos. Em 19 de dezembro de 2009, as autoridades de Kutaissi (Geórgia) fizeram explodir o Memorial de Glória Militar erigido em homenagem aos georgianos que deram suas vidas pela vitória sobre o nazismo.

Tudo isto não pode deixar de evocar a maneira como os rebeldes líbios destruíram monumentos em túmulos de soldados britânicos mortos na África do Norte durante a Segunda Guerra Mundial.

Idêntico tratamento sem-cerimônia é reservado aos monumentos aos soldados soviéticos e a seus túmulos na Letônia e Estônia. Nestes países atualmente integrantes da União Europeia se tornaram rotineiros desfiles de ex-homens das Waffen-SS de que participam deputados parlamentares. Sobre a quantidade de tinta derramada sobre os monumentos aos soldados soviéticos e o número de pedras funerárias profanadas nas repúblicas do Báltico não existem sequer dados estatísticos exatos.

Neste sentido, importa referir um pormenor importante que muitos políticos nas ex-repúblicas soviéticas fingem ignorar: para lutarem, contra os comunistas, pela independência do país, os ex-defensores da liberdade podiam ter escolhido outra forma de luta que não fosse aliarem-se aos nazis, a não ser que partilhassem as ideias e os métodos de Adolf Hitler.

Durante a ocupação nazista da França onde vivia exilado, Anton Denikin, general do exército imperial russo que combateu contra os bolcheviques durante a guerra civil que se seguiu à revolução de 1917, teve a dignidade e a coragem de rejeitar decididamente todas as propostas de colaboração por parte dos nazistas, apesar de ter sobejos motivos para odiar os bolcheviques.

As atuais gerações do povo alemão julgam por bem pedir desculpas pela barbariedade do regime nazista, responsável pela morte de milhões de pessoas, embora tivessem crescido na nova Alemanha em que a propaganda dessa ideologia totalitária e desumana é perseguida pela lei.

Além de ser impossível imaginar ex-homens das SS desfilarem pelas ruas de Berlim, é bem sabido como os alemães contemporâneos cuidam – por vezes, melhor mesmo do que na própria Rússia - dos túmulos de soldados soviéticos.

Será que subsiste na Rússia o sentimento de ódio aos alemães, atualmente, passadas décadas desde a guerra mais violenta que ceifou cerca de 30 milhões de vidas na ex-União Soviética.

Os primeiros a responder a esta pergunta já durante a guerra, em pleno bloqueio a Leningrado, foram músicos russos que interpretaram peças de Beethoven em salas frias de uma cidade morrando de fome ou por aqueles que conservaram obras de Schiller e Goethe preferindo morrer de frio do que queimá-las para se aquecer durante um inverno particularmente rigoroso.

Uma velha senhora, que perdeu toda sua família debaixo das bombas da Luftwaffe, me contou que, durante a guerra, no meio das ruínas de sua cidade, partilhava com prisioneiros de guerra alemães comida que lhe custa a arranjar para si própria.

Uma história curiosa me foi contada por um conhecido ucraniano que durante a guerra, ainda criança, foi deportado para a Alemanha para trabalhar numa usina subterrânea. As sentinelas alemãs se voltavam nas suas torres de vigia, findingo não repararem nas crianças que passavam do outro lado das cercas de arame farpado para pedirem aos soldados americanos e britânicos chocolate em troca das maçãs colhidas no pomar que disfarçava a usina militar.

Uma senhora habitante da Bielorrússia ocupada se lembrava como soldados alemães, às escondidas, traziam medicamentos a seu filho gravemente doente, o que finalemente lhe salvou a vida, enquanto homens de um destacamento punitivo das SS mataram outros membros de sua família.

A guerra não destruiu o essencial – o humanitarismo -, e os dois povos foram suficientemente inteligentes para separarem as noções de “nazismo” e de “alemães”, de “bolchevismo” e de “russos”, coisa essa de que certos políticos contemporâneos das ex-repúblicas soviéticas parecem incapazes.

Hoje ninguém estranha que o Festival de Cinema de Veneza tenha atribuído o “Leão de Ouro” ao realizador russo Alexander Sokurov por sua adaptação cinematográfica do “Faust”, e ainda por cima em alemão.

Nos anos 80 e 90 do século passado, os cantores alemães Thomas Anders e Dieter Bolen ultrapassaram em popularidade Lênin e os músicos do grupo alemão Scorpions, tal como do lendário Accept, são considerados na Rússia como “nossos”.

A coisa que me mais impressionou em minha infância, passada em Volgogrado (ex-Stalingrado) não foi a gigantesca estátua da Pátria-Mãe, de espada em punho, dominando as margens do Volga, e sim o pequeno memorial que existe à entrada da cidade e que tem o nome de “Campo de Batalha”.

Durante muitos anos depois da guerra, as pessoas recolheram no campo estilhaços de bombas e projéteis, armas russas e alemãs para, mais tarde, juntar todo esse arsenal numa composição escultural – o Monumento. É possívelmente assim que pode se imaginar a Morte, representada em metal deformado, que não poupou nem os Russos, nem os Alemães, naquela batalha que acabou por ser determinante do resultado da guerra.

Stalingrado foi um verdadeiro purgatório que consubstancia, de maneira concentrada, todas as ideias existentes sobre a guerra. No auge do frio, habitantes de Stalingrado cavaram túmulos par soldados russos e alemães. Os mortos jazem em paz ao lado.

A canção Stalingrad, publicada recentemente pelo grupo alemão Accept tem as seguintes linhas:

Dois soldados morrem, a luz se apaga e os corpos abatem.

Mais não são soldados, mais não têm ordens para matar o inimigo.

Juntos, na dor comum, ficaram irmãos de sangue...

“Perdoar” não é, de modo algum, “esquecer”, mas sim não semear o mal.

Stalingrado é o destino que, mais cedo ou mais tarde, merece qualquer agressor, por mais plausíveis que sejam as definições que utilize para disfarçar seus atos, cujas expressões reais são a guerra, o sangue e a destruição. É bom não esquecê-lo. As lições de Stalingrado mantêm plenamente sua atualidade.

Travar guerras contra os mortos é uma atitude profundamente indigna, tanto mais quando travadas pelos descendentes daqueles cuja terra foi liberada dos nazistas, à custa de sua vida, por soldados soviéticos. Eles também amavam a vida, mas esta lhes foi tirada.

Divulgação do livro Torpedo, o terror no Atlântico

Vou abrir espaço para a divulgação de um livro de cunho nacional sobre a atuação marítima em relação ao Brasil na 2ª Guerra Mundial, livro esse feito pelo Oficial Mercante Marcus Vinícius de Lima Arantes. O livro aborda o torpedeamento de navios mercantes brasileiros por submarinos alemães e o eventual patrulhamento pela Marinha do Brasil e pela FAB do Atlântico Sul.

Não posso fazer uma critica mais seria do livro pois ainda não o li o mesmo, mas parece ser bem interessante, e pelo fato de ser algo nacional eque aborda um assunto que é pouco falado, merece ser olhado com outros olhos.

Quem quiser (e deveria) comprar, entre em contato com o autor:
mv.arantes@hotmail.com

Aproveitem e deem uma olhada na  festa de lançamento do livro.


sexta-feira, 13 de abril de 2012

A Croácia e o conhecimento do Vaticano - Parte 2



   Em 30 de agosto de 1941, o núncio papal na Itália, monsenhor Francesco Borgongini Duca, escreveu para Maglione, retratando uma curiosa conversa com o adido cultural croata no Quirinal e dois franciscanos croatas. Eles falavam sobre os 100.000 ortodoxos convertidos ao catolicismo. O núncio indagou sobre os protestos que ouvira a respeito de "perseguições infligidas pelos católicos aos ortodoxos". O adido, "com muitos acenos de cabeça dos padres", tentou desmentir essas histórias, insistindo em que, "como o papa continua a dizer ao clero e aos fiéis, os católicos devem seguir os ensinamentos de Nosso Senhor e pro- pagar a fé por meio da persuasão, não da violência"(30).

   No mês seguinte, o embaixador especial de Pavelic, padre Cherubino Seguic, foi a Roma para descobrir o que se dizia sobre o regime e acabar com os "rumores" desfavoráveis. Em suas memórias defensivas, ele se queixa da "insinuação de calúnia" que se ouvia em Roma sobre a Croácia e garante que "tudo é distorcido ou inventado. Somos apresentados como um bando de bárbaros e canibais". Ele conversou com Giovanni Montini (o futuro Paulo VI), que "pediu informações detalhadas sobre os acontecimentos na Croácia. Falei tudo. Ele ouviu com muito interesse e atenção. As calúnias haviam chegado ao Vaticano e deviam ser denunciadas de uma maneira convincente" (31) . Portanto, as atrocidades — ou "calúnias" — eram do conhecimento comum em Roma no verão de 1941. A Santa Sé tinha canais pelos quais Pacelli podia verificar tudo e influenciar os acontecimentos.

   O delegado apostólico Ramiro Marcone, escolhido por Pacelli como seu representante pessoal na Croácia, era um amador que deu a impressão de passar corno um sonâmbulo por toda essa cena sangrenta. Um monge beneditino de 60 anos, ele não tinha qualquer experiência de diplomacia e passara grande parte de sua ida adulta dando aulas de Filosofia no Colégio de Santo Anselmo, em Roma. Sua área de atuação era o claustro e a sala de aula. Seu tempo na Croácia foi consumido em grande parte no comparecimento a cerimônias, jantares e desfiles públicos, sendo fotografado sempre ao lado de Pavelic. Era evidente que fora escolhido para apaziguar e encorajar.

Pavelic com ol arcebispo Stepinac
   Os equivalentes diplomáticos de Marcone, do lado croata, eram Nicola Rusinovic, um médico que praticava num hospital romano, e seu planejado substituto, um camarista papal no Vaticano, príncipe Erwin Lobkowicz (de origem boêmia). Esses arranjos eram semi-secretos, já que a Santa Sé ainda mantinha oficialmente relações diplomáticas com o governo real iugoslavo no exílio. Em março de 1942, apesar da abundância de provas apontando para os massacres, a Santa Sé prometia relações oficiais aos representantes croatas. Montini disse a Rusinovic: "Recomende gentileza a seu governo e aos círculos governamentais, pois assim nossas relações vão se consolidar. Desde que vocês se comportem de maneira apropriada, a forma das relações vai se definir espontaneamente" (32) . Em 22 de outubro de 1942, Pacelli encontrou o príncipe Lobkowicz em audiência. Segundo o príncipe, Pacelli, "em sua atitude habitual de extrema benevolência", disse que "esperava poder em breve me receber em circunstâncias diferentes"(33).

   Enquanto isso, um pedido de socorro aos judeus perseguidos na Croácia foi enviado à Santa Sé pelo Congresso Mundial Judaico e a comunidade israelita suíça, por meio do monsenhor Filippe Bernadini, o núncio apostólico em Berna. Num memorando substancial, datado de 17 de março de 1942, menos de dois meses depois da Conferência de Wannsee, em que foi delineada a Solução Final, Os representantes das duas organizações documentaram Perseguições aos judeus na Alemanha, França, Romênia, Eslováquia, Hungria e Croácia. Queriam em particular que o papa usa-se sua influência nos três últimos países, ligados à Santa Sé por fortes vínculos diplomáticos e eclesiásticos - na Eslováquia, por exemplo, um padre católico ocupava no momento a presidência. A parte sobre a Croácia dizia o seguinte: "Milhares de famílias foram deportadas para ilhas desertas ou encarceradas em campos de concentração todos os homens judeus foram enviados para campos de trabalho forçado. tendo de escavar esgotos, o que acarretou a morte de muitos. (...) Ao mesmo tempo, suas posas e filhos foram enviados para outro campo, onde também estão sofrendo terríveis privações'''(34).

   O memorando, cujo manuscrito está nos Arquivos Sionista em Jerusalém, foi publicado por Saul Friedlãnder, em sua coletânea de documentos sobre Pacelli e o Terceiro Reich. Em °ui: de 1998, Gerhard Riegner, um signatário sobrevivente do memorando, revelou em suas memórias publicadas, Ne jamais désesesperer(35)", que o Vaticano o excluíra dos onze volumes de documentos do tempo de guerra liberados - indicando que, mais de meio século depois da guerra, o Vaticano ainda não se mostrava disposto a confessar o que sabia sobre as atrocidades croatas e os primeiros estágios da Solução Final, e quando soube.

    Os três chefes da secretaria de Estado do Vaticano — Maglione, Montini e Tardini — indicaram várias vezes que tinham conhecimento dos protestos e pedidos de socorro, mas suas entrevistas com Rusinovic e Lobkowicz seguiam, como Falconi observou pela documentação disponível, um padrão invariável de "ataque simulado, escuta paciente e generosa rendição". Como não podia deixar de ser, os diplomatas croatas secretos no Vaticano estavam mais do que satisfeitos com a maneira pela qual os interrogatórios eram realizados: "Esclareci tudo, desmascarando a propaganda inimiga", escreveu Rusinovic, depois de uma reunião com Mondni. "Sobre os campos de concentração, expliquei que seria melhor se ele pedisse informações à delegação apostólica em Zagreb. (... ) Jornalistas estrangeiros foram convidados a visitar os campos de concentração e... ao irem embora, declararam que os campos tinham perfeitas condições de habitação e satisfaziam os requisitos de higiene." No final da entrevista, quando Rusinovic comentou que havia agora cinco milhões de católicos no vais, Montini disse: "O Santo Padre vai ajudá-los, pode ter certeza" (36).

 Sacerdote croata no trabalho de conversão forçada dos sérvios ortodoxos ao catolicismo.  


   Além disso, pode-se constatar que o Vaticano sabia da verdadeira situação na Croácia, no início de 1942, por uma conversa que Rusinovic teve com o cardeal francês Eugène TiSSCralt, um especialista em assuntos eslavos e agora confidente de Pacelli, apesar das restrições que lhe fizera no conclave. Ele disse ao representante croata, em 6 de março de 1942: "Sei com certeza que os próprios franciscanos, como o padre Simic, de Knin, têm participado dos ataques contra as populações ortodoxas, a fim de destruir a Igreja ortodoxa. Assim como vocês destruíram a Igreia ortodoxa em Bania Luka. Sei com certeza que os franciscanos na Bósnia e Herzegovina tem se comportado de maneira abominável o que muito me aflige. Esses atos não devem ser cometidos por pessoas educadas, cultas e civilizadas, muito menos por padres" (37). Durante uma reunião subseqüente, em 27 de maio, Tisserant disse a Rusinovic que, segundo os dados alemães, "350.000 sérvios desapareceram" e "em apenas um campo de concentração há 20.000 sérvios" (38).

    Pacelli, no entanto, nunca deixou de se mostrar benevolente com os líderes e representantes do regime de Pavelic. Uma lista de suas audiências, além das que já foram mencionadas, é significativa. Em julho de 1941, ele recebeu uma centena de membros da força policial croata, tendo à frente o chefe de polícia de Zagreb. Em 6 de fevereiro de 1942, ele concedeu uma audiência a um grupo de jovens do Ustashe em visita a Roma. Recebeu outra delegação de jovens do Ustashe em dezembro do mesmo ano.

    E, em 1943, quando conversava com Lobkowicz, Pacelli "expressou seu prazer pela carta pessoal do nosso Poglavnik [Pavelic]". Depois, na conversa, Pacelli disse que estava "desapontado porque, apesar de tudo, ninguém quer reconhecer o principal inimigo da Europa; nenhuma cruzada militar comum foi iniciada até agora contra o bo1chevismo"(39).

   Mas Hitler não lançara essa cruzada no verão de 1941? Nos tortuosos raciocínios de Pacelli sobre o comunismo, o nazismo, a Croácia e a evangelização católica do Leste, começamos a compreender - embora sem justificar - sua reticência em relação aos massacres croatas.


Notas (enumeradas conforme no livro):
30 - Ibid., p.259
31 - Ibid., p.307
32 - Citado em  Falconi, Silence, p. 333.
33 -  Ibid., p.334.
34 - S. Friedländer, Pius XII and the Third Reich: A Documentation, trad. ingl. (Londres, 1966), p.109.
35 - G. Riegner, Ne jamais désespérer (Paris, 1988), pp. 164-165.
36 - Citado em Falconi, Silence, p. 355.
37 - Ibid., p. 382
38 - Ibid., p. 388
39 - Ibid., pp. 344-346

Transcrição: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)
Fonte: CORNWELL, John - O Papa de Hitler - A historia secreta de Pio XII, Rio de Janeiro: Imago Ed., 2000, p. 290 - 293.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Letônia: homenagem a soldados que lutaram com Hitler gera protestos



Idoso participa das homenagens aos soldados letões que lutaram com a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial
Foto: AP

Centenas de moradores de Riga, a capital da Letônia, homenagearam nesta sexta-feira os soldados nascidos no país que lutaram ao lado da Alemanha nazista em tropas da Waffen SS, uma das forças do Terceiro Reich, durante a Segunda Guerra Mundial. A cerimônia provocou revolta entre os russos que vivem na cidade - cerca de um terço da população letã é de russos.

Chamando as homenagens de blasfêmia, os russos organizaram um protesto a algumas quadras do local da cerimônia. Segundo a agência AP, mais de 1 mil policiais foram mobilizados para manter a ordem e prevenir possíveis conflitos.

Multidão toma uma rua de Riga para lembrar os militares que lutaram em tropas da Waffen SS, uma das forças do Terceiro Reich
Chamando as homenagens de blasfêmia, os russos organizaram um protesto a algumas quadras do local da cerimônia

sábado, 17 de março de 2012

Morre aos 91 anos na Alemanha o criminoso nazista John Demjanjuk

John Demjanjuk chega em cadeira de rodas
para ouvir veredito em tribunal de Munique,
em 12 de maio de 2011
(Foto: Matthias Schrader / AP)


Ucraniano foi condenado por crimes no campo de concentração de Sobibor.

Ele negou envolvimento em 27.900 mortes e apelou da sentença.


O criminoso de guerra nazista John Demjanjuk morreu aos 91 anos, na região de Rosenheim, Baviera, informou a polícia alemã neste sábado (17).

O apátrida de origem ucraniana Demjanjuk foi condenado por crimes cometidos durante os seis meses em que ele foi guarda no campo de concentração de Sobibor, na Polônia ocupada, em 1943.

Ele foi condenado a cinco anos de prisão em maio de 2011, por um tribunal de Munique, após um julgamento de 18 meses.

O tribunal considerou que ele teve envolvimento na morte de cerca de 27.900 pessoas, em sua maioria judeus alemãos.

No entanto, acabou ficando solto, por conta de sua saúde precária e por não significar mais uma ameaça.

Além disso, seu status de apátrida impedia que ele fugisse da Alemanha.

Demjanjuk negou todas as acusações e apelou da sentença.

O ucraniano foi viver nos EUA após o fim da Segunda Guerra, mas em 1986 foi julgado em Jerusalém, acusado de ser "Ivan, o Terrível", famoso guarda ucraniano que serviu no campo de Treblinka.

Considerado culpado e sentenciado à morte em 1988, ele foi libertado cinco anos depois, quando surgiram provas de que não era a pessoa procurada por Israel.

Após anos de disputa jurídica, ele foi deportado dos EUA para a Alemanha em 2009, onde foi novamente julgado.

O criminoso de guerra John Demjanjuk, em 12 de maio de 2011, após receber sua sentença em tribunal de Munique, na Alemanha (Foto: Reuters)

O julgamento de Demjanjuk foi um dos últimos de criminosos nazistas, ao lado do processo do húngaro Sandor Kepiro, que foi absolvido por um tribunal de Budapeste por falta de provas e que faleceu em setembro do ano passado aos 97 anos

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Luta pela liberdade sob a bandeira da SS na Estônia


O reconhecimento dos legionários da SS nazista como combatentes pela liberdade do país irá dividir a sociedade da Estônia, diz Vladimir Metelitsa, presidente da Sociedade de Veteranos da Segunda Guerra Mundial, com sede em Tallinn. Tais manipulações da História são perigosas e podem levar a consequências imprevisíveis. O projeto é votado hoje, 24 de fevereiro, dia da independência da Estônia, no parlamento do país. 

Segundo as autoridades estonianas, o projeto-de-lei abrange todos os que lutaram pela restauração da independência da Estônia e não discrimina entre formas e pertença a qualquer ramo militar. Assim, podem ser considerados combatentes pela Estônia democrática tanto os veteranos da 20ª divisão estoniana da SS como os cidadãos que serviram na Wehrmacht, disse em entrevista à Voz da Rússia Vladimir Metelitsa:

"Isso nos indigna. Nos indigna essa tentativa de rever, de dar a volta à história da Segunda Guerra Mundial. Essa decisão é quase um crime, ela nega os resultados dos julgamentos de Nuremberga. A 20ª divisão era composta por assassinos, por pessoas que têm as mãos manchadas de sangue. Seu objetivo era a destruição de pessoas inocentes. Agora o parlamento está tentando declará-los heróis-libertadores da Estônia. Então, Hitler também pode ser declarado libertador da Estônia."

O reconhecimento dos “combatentes pela liberdade” era uma condição do acordo de coligação concluído pelo Partido Reformista da Estônia e a União pela Pátria e Res Pública. Hoje, esses partidos de direita formam a coalizão governista.

30 de julho, na localidade de Sinimäe no nordeste da Estónia, realizou-se o encontro anual dos veteranos da 20ª Divisão das SS. Foi lá é que se travaram durante vários meses os combates encarniçados, em 1944: os exércitos de Hitler, incluindo a 20ª Divisão das SS da Estónia, resistiram à ofensiva soviética. Ambos os lados perderam cerca de 200 mil pessoas.
É de realçar que o projeto-de-lei foi reanimado quando na sociedade se formou uma tendência para um consenso sobre a história do período soviético. Esta é uma tentativa de dividir a sociedade. Tudo isso vem da ignorância da história. A Divisão SS nazista é uma coisa, as pessoas que serviram no exército alemão por alistamento obrigatório já é outra. Nós estabelecemos contatos com essas pessoas aqui na Estônia. Há uma Sociedade da Segunda Guerra Mundial . Quando surgiu a questão de remoção do monumento do Soldado de Bronze, os membros dessa sociedade em uma mesa redonda tomaram o nosso lado. O Soldado de Bronze é um símbolo da vitória sobre o fascismo, acredita Vladimir Metelitsa.

“Já existe no país uma União de Combatentes pela Liberdade da Estônia, e seus membros são – intencionalmente ou não – veteranos da dita 20ª divisão da SS (a chamada “Legião Estoniana”). Nas vésperas da votação no parlamento, a 22 de fevereiro, a organização assinou um acordo com um membro da coalizão governista – o partido Reformista da Estônia. Além da questão do reconhecimento legal dos “libertadores”, o acordo diz que a organização pode receber ajuda do orçamento de Estado."

A embaixada russa na Estônia criticou duramente o projeto-de-lei. Historiadores, incluindo historiadores europeus, argumentam que tais tentativas de reescrever a História levarão ao esquecimento do Holocausto (a destruição em massa de civis pelos fascistas). Enquanto isso, a União Europeia, quase não reage às ações das autoridades estonianas. A Comissão Europeia disse apenas que iria verificar a conformidade do documento com o direito europeu.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A Croácia e o conhecimento do Vaticano - Parte 1


Alojzije Stepinac, Arcebispo de Zagreb com Ante Pavelic 
     Desde o início, o arcebispo de Zagreb, Alojzije Stepinac (beatificado por João Paulo II na Croácia, em 3 de outubro de 1998), estava de pleno acordo com os objetivos gerais do novo Estado croata. Empenhou-se em fazer com que fosse reconhecido pelo papa. Visitou Pavelic em 16 de abril de 1941. Ouviu o novo líder declarar que "não teria tolerância com a Igreja ortodoxa sérvia", registrou Stepinac em seu diário, "porque em sua opinião não era urna Igreja, mas unia organização política". Isto proporcionou a Stepinac a impressão de que "Poglavnik era um católico sincero(19). Nessa mesma noite, Stepinac ofereceu um jantar a Pavelic e aos principais líderes do Ustashe, a fim de celebrar a volta de todos do exílio. Em 28 de abril, no próprio dia em que 250 sérvios foram massacrados em Bjelovar, uma carta pastoral de Stepinac foi lida em todos os púlpitos católicos, conclamando o clero e os fiéis a colaborarem no trabalho do líder.

     Por que esforço de ingenuidade Stepinac deixou de compreender o que a colaboração podia envolver? No início de junho de 1941, o general alemão plenipotenciário para a Croácia, Edmund Glaise von Horstenau, declarou que, segundo relatórios confiáveis de observadores militares e civis alemães, "o Ustashe, num processo de loucura desvairada"(20). No mês seguinte, Glaise relatou o embaraço dos alemães, que "com seis batalhões de infantaria" observavam impotentes "a fúria cega e sangrenta do Ustashe”.

   Padres, invariavelmente franciscanos, assumiram um papel de destaque nos massacres (21). Muitos costumavam andar armados e executavam seus atos assassinos com o maior zelo. Um certo padre Bozidar Bralow, conhecido pela metralhadora que era sua constante companheira, foi acusado de realizar uma dança em tomo dos cadáveres de 180 sérvios massacrados em Alipasin-Most. Muitos padres franciscanos mataram, atearam fogo a casas, saquearam aldeias e devastaram os campos à frente de bandos do Ustashe. Em setembro de 1941, um repórter italiano escreveu sobre um franciscano que vira ao sul de Banja Luka exortando um bando do Ustashe com seu crucifixo. 

    No arquivo do Ministério do Exterior em Roma há um registro fotográfico de atrocidades: mulheres com seios cortados, olhos arrancados, genitálias mutiladas; e os instrumentos da carnificina, facões, machados e ganchos de açougueiro(22)

    E qual foi a atitude e reação das forças italianas na região? Sob alguns aspectos, foi similar à reação das tropas da Organização das Nações Unidas na Iugoslávia na história mais recente (embora com diferenças óbvias) de impotência e consternação. Constrangido por sua aliança com a Alemanha nazista e as circunstâncias da guerra mundial, o Exército italiano tinha um raio de ação limitado. Mesmo assim, calcula-se que em 1º de julho de 1943 os italianos já haviam oferecido proteção a 33.464 civis em sua esfera influência iugoslava, dos quais 2.118 eram judeus(23). Falconi especulou a humanidade dos italianos sob esse aspecto pode ter sido em parte uma decorrência de pressão do Vaticano, embora os indícios são “superficiais e vagos". A pesquisa e avaliação de Jonathan Steinberg sobre a relutância italiana em participar da deportação e extermínio descartariam essa possibilidade. Num comovente sumário do complexo fenômeno italiano de humanitarismo na Iugoslávia, entre 1941 e 1943, Steinberg assevera: “Um longo processo, iniciado com a reação espontânea de jovens oficiais isolados, na primavera de 1941, que não suportaram ficar de braços cruzados observando os carniceiros croatas retalharem sérvios e judeus, homens, mulheres e crianças, culminou em julho de 1943 com uma espécie de conspiração nacional para frustrar a brutalidade muito maior e mais sistemática do Estado nazista. (...) Baseava-se em certas suposições sobre o que significava ser italiano"(25).

    Muito se falou nos anos do pós-guerra sobre a i soai do arcebispo Stepinac, o primaz católico romano da Croácia e seus eventuais protestos contra as perseguições e massacres. Contudo, mesmo que seja considerado inocente de qualquer tolerância com o ódio racial assassino, é evidente que ele e o episcopado endossaram um desprezo pela liberdade religiosa equivaler; à cumplicidade com a violência. Stepinac enviou uma longa carta a Pavelic sobre as questões dos massacres e conversões. O escritor Hubert Butler traduziu o texto para o inglês de uma cópia datilografada que obteve em Zagreb, em 1946. Cita as opiniões de outros bispos, todos a favor, inclusive uma carta do bispo católico de Mostar, um certo dr. Miscic, expressando o anseio histórico de que o episcopado croata aceitasse as conversões em massa ao catolicismo.

    O bispo começa com a declaração de que "nunca houve urna ocasião tão boa quanto agora para ajudarmos a Croácia a salvar incontáveis almas". Fala com entusiasmo sobre as conversões em massa. Mas acrescenta que deplora "a visão restrita" das autoridades, que perseguem até os convertidos e os "tratam corno escravos". Relaciona massacres conhecidos de mães, moças e crianças com menos de oito anos, levadas para as montanhas e "jogadas vivas — nas ravinas mais profundas". Em seguida, ele faz uma espantosa declaração: "Na paróquia de Klepca, 700 cismáticos das aldeias vizinhas foram chacinados. O subprefeito de Mostar, sr. Baile, um muçulmano, disse publicamente (como um servidor público, deveria ter se calado) que só em Ljubina 700 cismáticos foram jogados numa fossa"(26).


    A carta revela a confusão moral implícita no comportamento dos bispos, que aproveitaram a derrota da Iugoslávia diante dos nazistas para aumentar o poder e influência do catolicismo nos Bálcãs. Um bispo depois de outro endossa a promoção de conversões, ao mesmo tempo em que admite que não faz sentido cismáticos em ravinas. Os bispos não queriam se dissociar do regime, hesitavam em condenar e excomungar Pavelic e seus companheiros, por causa da relutância em perder as oportunidades proporcionadas pela "boa ocasião" de consolidar uma base de poder católico nos Bálcas. A mesma relutância em perder a oportunidade para uma predominância católica no Leste contagiou o Vaticano e, em última análise, o próprio Pacelli. Na verdade, fora essa mesma relutância em perder uma única oportunidade de "evangelização" que levara Pacelli, em 1913-14, a pressionar  pela Concordata Sérvia, na esperança de criar uma base de ritual latino na cristandade do Leste, apesar das repercussões e perigos inevitáveis.

    Pacelli estava melhor informado sobre a situação na Croácia do que em qualquer outra parte da Europa, fora da Itália, durante a segunda Guerra Mundial. Seu delegado apostólico, Marcone, circulava entre Zagreb e Roma à vontade. Havia sempre aviões militares à sua disposição para voar até o novo Estado da Croácia. Os bispos, alguns dos quais integravam o parlamento da Croácia, comunicavam-se livremente com o Vaticano. Podiam sempre fazer visitas ad limina ao papa em Roma(27). Durante estas visitas, o pontífice e outros membros da Cúria tinham toda a liberdade para fazer perguntas sobre as condições na Croácia, e sem dúvida não deixavam de indagar.

   Pacelli tinha meios pessoais alternativos de informação, inclusive as transmissões diárias da BBC, que eram sempre monitoradas e traduzidas para ele por Osborne, o representante de Londres no Vaticano. Havia um noticiário freqüente da BBC sobre a Croácia. A notícia seguinte, transmitida em 16 de fevereiro de 1942 era típica: "As piores atrocidades estão sendo cometidas na jurisdição do arcebispo [Stepinac]. O sangue de irmãos corre em abundância. “Os ortodoxos estão sendo convertidos à força ao catolicismo, mas não ouvimos a voz do arcebispo pregando a revoltas disso, informa-se que ele está participando de desfiles nazistas e fascistas(28).

    Um fluxo de diretivas aos bispos croatas, partindo da congregação para as igrejas orientais da Santa Sé, que cuidava em particular dos católicos de ritual oriental na região, indica que o Vaticano sabia das conversões forçadas a partir de julho de 1941. Os documentos focalizam a insistência do Vaticano para que os convertidos em potencial ao catolicismo fossem rejeitados quando ficar patente que procuram o batismo pelas razões erradas (...) estas razões erradas (os documentos insinuavam, sem chegar a dizer expressamente) sendo o terror e a tentativa de evitar a morte.

    Em 14 de agosto, o presidente da União para a comunidade israelita de Alatri escreveu para o secretário de Estado mi pedindo ajuda em nome de milhares de judeus croatas, "residentes em Zagreb e em outros centros da Croácia, que foram presos sem razão, privados dos seus bens e deportados". Descrevia como seis mil judeus foram despejados numa ilha árida e montanhosa, sem meios de proteção contra o tempo, sem ali nem água. Todas as tentativas de socorrê-los foram "proibidas pelas autoridades croatas"(29). A carta suplicava uma intervenção da Santa Sé junto aos governos italiano e croata. Não há qualquer resposta ou ação da Santa Sé.


Notas(enumeradas conforme no livro):
19 - Falconi, Silence, p. 273
20 - Citado em J. Steinberg, All or Nothing, p.181.
21 - Ver Falconi, Silence, p.298.
22 - J. Steinberg, All or Nothing, p.30.
23 - Ibid., p.132.
24 - Falconi, Silence, p.318. 
25 -  J. Steinberg, All or Nothing, p.133. 
26 - Citado em H. Butler, The Sub-Prefect Should Have Held His Tongue, ed. R.F. Foster(Londres, 1966), p. 175.
27 - Falconi, Silence, p.303.
28 - Ibid., p.304.
29 - ADSS, viii, 250ff.

Transcrição: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)
Fonte: CORNWELL, John - O Papa de Hitler - A historia secreta de Pio XII, Rio de Janeiro: Imago Ed., 2000, p. 286-290.

OBS: O livro tende a acusar o Papa PIO XII, e recebeu duras criticas sobre isso,  é imparcial  segundo alguns criticos, em algumas partes em relação a Pacelli (se pode-se dizer isso). Mas a parte da ligação da ICAR e o regime de extrema direita do NHD na Croácia e Ustasha é inegável, tanto que os livros que as opiniões que contra Cornwell fica na esfera da relação com Hitler, acusações de anti-semitismo de Pacelli e etc...
Só filtrar a informação. Um texto ótimo é esse, do Holocaust Reserch Project:


Assuntos relacionados: (depois completo)

O regime brutal da Croácia Católica



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Missa em memória do líder croata Pavelic causa polêmica

Pavelic e Hitler em 1941

ZAGREB, 2 Jan 2012 (AFP) -O centro Simon Wiesenthal, organização que se dedicou a procurar ex-nazistas, denunciou nesta segunda-feira uma missa celebrada recentemente em Zagreb, em memória de Ante Pavelic, líder croata pró-nazismo entre 1941 e 1945, e pediu à Igreja para reduzir à condição de laicos os dois sacerdotes que a presidiram.

A missa, celebrada dia 28 de dezembro, no 51º aniversário da morte de Ante Pavelic, é uma "vergonha para a Igreja croata e incompreensível em um país que está prestes a integrar a União Europeia" (em 2013), condenou o centro Simon Wiesenthal em um comunicado.

O chefe do centro, Efraim Zuroff, qualificou este ato religioso de "grave insulto à memória das numerosas vítimas de Pavelic".

Zuroff pediu às autoridades croatas que proíbam no futuro cerimônias similares e pediu às autoridades religiosas para rebaixar à condição de laicos os dois sacerdotes que chefiaram a missa "por ter celebrado uma cerimônia que ridiculariza totalmente os valores cristãos".

No passado eram celebradas regularmente missas em memória de Pavelic na basílica do centro de Zagreb, assim como em Split, na costa Adriática. Quase 90% da população croata é católica.

Entre 1941 e 1945, Ante Pavelic, fundador do movimento 'utasha', esteve à frente do Estado Independente da Croácia (NDH), um Estado fantoche, aliado da Alemanha nazista e do regime fascista italiano.

Ele morreu em 28 de dezembro de 1959, em Madri, dois anos depois de ser ferido em um atentado contra sua vida em Buenos Aires, onde estava refugiado desde 1945.

O regime croata de Pavelic matou milhares de sérvios, judeus e ciganos em campos de concentração.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O homem que não saudou os nazistas

No destaque, August Landmesser de braços cruzados durante saudação nazista
 Uma antiga foto se espalhou pelo Facebook nos últimos dias. Nela, dezenas de pessoas fazem o cumprimento nazista enquanto um homem permanece de braços cruzados, com o olhar voltado para alguns companheiros.
O registro foi feito no porto de Hamburgo em 1936, em plena era nazista. Dezenas de pessoas estavam reunidas para assistir ao lançamento de um navio militar. Mas somente em 1991 o desafiador homem foi identificado.
Após ver a foto em um jornal alemão, uma de suas filhas o reconheceu. Só então August Landmesser, que trabalhava no estaleiro de Hamburgo, teve sua história revelada. Apesar de ter ingressado no Partido Nazista em 1931, ele foi expulso em 1935, por se casar com uma judia chamada Irma Eckler. Com ela, teve duas filhas e por isso foi preso, acusado de “desonrar a raça” ariana. Em 1941, foi libertado e enviado à guerra. Porém, logo depois de partir para a batalha, foi dado como desaparecido em combate e declarado morto.
Acredita-se que Irma foi presa pela Gestapo, a polícia secreta nazista, e levada para a prisão de Hamburgo. Ingrid, uma de suas filhas, foi morar com a avó materna, enquanto sua irmã Irene foi enviada a um orfanato e posteriormente adotada.
Em 1996, Irene escreveu um livro contando a história de sua família. Agora, a foto se tornou um hit após ser publicada na página do Facebook Senri No Michi, um blog criado após o terremoto e o tsunami de 2011 do Japão para divulgar iniciativas de caridade. A imagem foi postada no dia 4 de fevereiro, com o título “Gente comum. A coragem de dizer não” e uma pequena explicação sobre sua história. Já foi curtida mais de 83 mil vezes e compartilhada por 30 mil pessoas.

Fonte: http://oglobo.globo.com/mundo/o-homem-que-nao-saudou-os-nazistas-3923145#ixzz1mNkrbQD5

OBS: Reação comum feita tambem por Estudantes da Biblia(hoje chamados de Testemunhas de Jeová). Realmente, demonstração de coragem e desafio ao regime nazista.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O regime brutal da Croácia Católica


O Emissário do Vaticano Ramiro Marcone, terceiro da direita,Alojzije Stepinac, primeiro à direita,e Ante Pavelic, parcialmente obscurecido, extrema esquerda,no funeral em 1944 de Marko Dosen, o Presidente do Parlamento Ustasha. 

 O regime brutal da Croácia Católica 

   Pacelli e os dirigentes da secretaria de Estado estavam convencidos, assim como os governos por toda a Europa, de que uma guerra entre a Alemanha e a União Soviética era apenas uma questão de tempo. Diante da possibilidade de a Europa cair sob o poder de Stalin, com provas abundantes da intenção soviética de suprimir as igrejas cristãs, a campanha balcânica de Mussolini, ela outubro de 1940, foi encarada por alguns membros da Cúria com um certo otimismo. Afinal, nesse contexto, a Iugoslávia era considerada o último baluarte antes da Itália e o Mediterrâneo. O fracasso de Mussolini em derrotar os gregos, no entanto, significava que Hitler devia partir em seu socorro; e para que ele tivesse acesso à Grécia, era preciso persuadir a Iugoslávia a aderir ao Eixo. O pacto entre Alemanha, Itália e Iugoslávia foi assinado em Viena, em 25 de março de 1941. Dois dias depois, um grupo de nacionalistas sérvios tomou o poder em Belgrado, aboliu a regência e anunciou que a Iugoslávia seria aliada das democracias ocidentais. Churchill declarou em Londres que os iugoslavos haviam recuperado sua "alma". Em represália, Hitler invadiu a Iugoslávia em 6 de abril, em conjunto com a ofensiva na Grécia. Bombardeou a cidade aberta de Belgrado, matando cinco mil pessoas. Quando a Wehrmacht entrou em Zagreb, em 10 de abril, os fascistas croatas tiveram permissão para proclamar a independência da Croácia. No dia seguinte, a Itália e a Hungria (outro Estado fascista) juntaram forças a Hitler para a divisão do "bolo" iugoslavo. Em 12 de abril, Hitler apresentou seu plano para a divisão da Iugoslávia, concedendo a Posição de "ariana" a uma Croácia independente, com a liderança de Ante Pavelic, que aguardava os acontecimentos, sob o patrocínio de Mussolini. O grupo de Pavelic, o Ustashe (do verbo ustati, significando "rebelar-se"), opusera-se à formação do reino eslavo meridional da Iugoslávia, depois da Primeira Guerra Mundial. Sempre planejara atos de sabotagem do refúgio seguro da Itália; fora Pavelic quem tramara o assassinato do rei Alexandre, em 1934. Mussolini concedera a Pavelic o uso de centros de treinamento numa remota ilha eólia, além de acesso à Rádio Bati, para transmissões de propaganda através do Adriático. 

       Foi esse o panorama da campanha de terror e extermínio realizada pelo Ustashe da Croácia contra dois milhões de cristãos ortodoxos sérvios e uma quantidade menor de judeus, ciganos e comunistas, entre 1941 e 1945. O processo de "limpeza étnica", antes que esse tempo hediondo entrasse em voga, foi urna tentativa de criar urna Croácia católica "pura", por meio de conversões forçadas, deportações e extermínio em massa. Os atos de tortura e assassinato foram tão terríveis que até mesmo os calejados soldados alemães manifestaram seu horror. Mesmo em comparação com o recente derramamento de sangue na Iugoslávia, na ocasião em que este livro foi escrito, a agressão de Pavelic contra os sérvios ortodoxos continua a ser um dos mais terríveis massacres civis da História. 

   A importância desses acontecimentos para esta narrativa baseia-se em três considerações: o conhecimento das atrocidades pelo Vaticano, a omissão de Pacelli em usar sua influência para interferir e a cumplicidade que representou na Solução Final sendo planejada no Norte da Europa. 

     O legado histórico que sustentou a formação do NDH (Nezaviss na Drzava Hrvatska), ou Estado Independente da Croácia, foi uma combinação de lealdade antiga ao papado, com mais de 1.300 anos, e um senso de profundo ressentimento contra os sérvios por injustiças passadas e presentes. Os nacionalistas croatas acalentavam muito rancor contra a ascendência sérvia, que os excluíra de várias profissões e da igualdade de oportunidades na educação. Os sérvios eram culpados, os croatas assim percebiam, de favorecer a fé ortodoxa, encorajar o cisma entre católicos e sistematicamente colonizar áreas católicas com sérvios ortodoxos. Tanto sérvios quanto croatas encontravam uma equivalência entre identidade étnica e religiosa — sérvio ortodoxo contra croata católico. Ao mesmo tempo, os judeus na região foram condenados por causa da raça, além de suas ligações com o comunismo e a maçonaria, e um suposto estímulo à prática do aborto.

     Pacelli endossara com entusiasmo o nacionalismo croata e confirmara a percepção da História pelo Ustashe, em novembro de 1939, quando unia peregrinação nacional foi a Roma para promover a causa de um mártir franciscano croata, Nicola Tavelic. O primaz croata, arcebispo. Alojzije Stepinac, representou os Peregrinos e fez um discurso para o papa. Na resposta, Pacelli um epíteto que fora aplicado aos croatas pelo papa Leão X: "Posto avançado do cristianismo" — era como se os sérvios, religiosos ortodoxos de um antigo cisma de Roma, não tivessem o direito de se intitular cristãos. "A esperança de um futuro melhor parece sorrir para vocês", declarou Pacelli„ com unia terrível ironia, "um futuro em que as relações entre a Igreja e o Estado em seu país serão reguladas em ação harmoniosa em benefício de ambos(12)

      As fronteiras do novo Estado abrangiam a Croácia, a Eslovênia, a Bósnia Herzegovina e uma grande parte da Dalmácia. De uma população de cerca de 6.700.000 habitantes, 3.300.000 eram croatas (e, portanto, católicos), 2.200.000 sérvios ortodoxos 750 mil muçulmanos, 70 mil protestantes e cerca de 45 mil judeus. A existência da minoria germânica protestante não representava qualquer problema para a liderança do Ustashe; também não, o que parece estranho, o grande enclave de muçulmanos. Mas os sérvios ortodoxos se defrontaram com "soluções radicais", assim como os judeus, que foram de imediato marcados para a eliminação. 

      Em 25 de abril de 1941, Pavelic determinou a proibição de todas as publicações, particulares e públicas, em alfabeto cirílico (usado pelos sérvios ortodoxos). Em maio, a legislação anti-semita foi promulgada, definindo os judeus em termos racistas. Eles foram inclusive proibidos de casar com arianos. Foi iniciado o movimento para a "arianização" da burocracia governamental, as profissões liberais e o capital judeu. No mesmo mês, os primeiros judeus foram deportados de Zagreb para um campo de concentração em Danica(13). Em junho, as escolas primárias sérvias ortodoxas foram fechadas. 

        Nessa situação nova e perigosa para os sérvios, surgiu uma questão: se a vida se tornava insuportável por causa da fé ortodoxa, por que não procurar a conversão ao catolicismo? Semanas depois da fundação do Estado croata, os sacerdotes católicos estavam acolhendo os sérvios ortodoxos na Igreja católica. Em 14 de julho de 1941, no entanto, antecipando sua política de conversão seletiva e o objetivo eventual de genocídio, o ministro da Justiça da Croácia determinou aos bispos da nação que "o governo croata não tenciona aceitar dentro da Igreja católica padres ou professores, em suma, os intelectuais — inclusive os ricos comerciantes e artesãos ortodoxos, porque normas específicas para eles serão promulgada mais tarde. Também não podemos permitir que eles prejudiquem o prestígio do catolicismo"(14). O destino tácito desses sérvios ortodoxos, excluídos de antemão do iminente programa de conversão compulsória, era a deportação e extermínio. Mas, na chacina enlouquecida que se seguiu, nem mesmo o mo católico podia garantir imunidade. 

        Desde o início, os atos e declarações públicas envolvendo a limpeza étnica e os programas anti-semitas foram bem conhecidos do episcopado católico e da Ação Católica, a associação Lie1 que Pacelli promoveu com tanto vigor, como núncio papal 11.11 Alemanha e cardeal-secretário de Estado. Essas medidas racistas e anti-semitas, portanto, eram também conhecidas pela Santa Sé __ e por Pacelli, quando recebeu Pavelic no Vaticano. Além disso, esses atos eram conhecidos na própria ocasião em que laços diplomáticos clandestinos estavam sendo forjados entre a Croácia e a Santa Sé. Um aspecto fundamental dessa guerra essencialmente religiosa foi à apropriação pelos croatas católicos de igrejas desocupadas ou requisitadas aos ortodoxos: a questão foi discutida pela Cúria e normas de conduta foram elaboradas.

      Mas desde o início houve outras atrocidades, as notícias a respeito se espalhando de boca em boca(15). Pavelic, logo ficou patente, não era exatamente um equivalente de Himmler e Heydrich, pois não partilhava a aptidão fria dos dois para a burocracia da matança sistemática. Em vez disso, a liderança do Ustashe lançou-se a massacres com um barbarismo cruel e casual, que tem poucos paralelos na História. 

         O escritor italiano Cano Falconi foi incumbido, no início da década de 1960, de escrever a história do massacre dos sérvios, judeus e outros pelos croatas. Suas pesquisas em arquivos iugoslavos e nas fontes disponíveis do Vaticano na ocasião foram meticulosas"(16). Ele descobriu os exemplos seguintes de atrocidades disseminadas, cometidas na Croácia a partir da primavera de 1941.

         Em 28 de abril, um bando do Ustasha atacou seis aldeias no distrito de Bjelovar e levou 250 homens, inclusive um professor e um padre Ortodoxo. As vítimas foram obrigadas a escavar uma vala, depois foram amarradas com arame e enterradas vivas. Poucos dias depois, num lugar chamado Otocac, o Ustashe prendeu 331 sérvios, inclusive o padre ortodoxo local e seu filho. Mais uma vez, as vítimas foram obrigadas a escavar as próprias sepulturas, antes de serem retalhadas até a morte com machados. Os criminosos deixaram o padre e seu filho para o final. O padre foi forçado a recital: oração para os agonizantes, enquanto o filho era retalhado. Depois o padre foi torturado, os cabelos e a barba arrancados, os olhos tirados das órbitas. No final, foi esfolado vivo.

Conversão forçada dos sérvios ortodoxos à fé católica romana
Civis sérvios forçados a se converter ao catolicismo pela Ustaše em Glina
      Em 14 de maio, num lugar chamado Glina, centenas de sérvios foram levados a urna igreja para assistirem a uma missa obrigatória de ação de graças pela criação do NDH. Depois que os sérvios estavam lá dentro, um bando do Ustashe entrou, com facões e machados. Pediram a todos os presentes que apresentassem o certificado de conversão ao catolicismo. Apenas dois tinham os documentos exigidos. Foram soltos. As portas foram trancadas e os outros foram massacrados. 

        Quatro dias depois do massacre de Glina, Pavelic, que se intitulava Poglavnik ou Führer foi a Roma para assinar (por pressão de Hitler) um tratado com Mussolini, concedendo à Itália distritos e cidades croatas na costa da Dalmácia. Nessa mesma visita, Pavelic teve uma audiência "devocionista" com Pio XII, no Vaticano. O Estado Independente da Croácia recebeu assim o reconhecimento de fato da Santa Sé. O abade Ramiro Marcone, do mosteiro beneditino de Montevergine, foi designado para legado apostólico em Zagreh. Não há provas de que Pacelli e a secretaria de Estado tivessem conhecimento das atrocidades que já haviam começado na Croácia na primavera de 1941. Parece evidente que o rápido reconhecimento do fato (o Vaticano evitava o reconhecimento de novos Estados em tempo de guerra) devia-se mais à posição da Croácia como um bastião contra o comunismo do que urna aceitação à sua política brutal. De qualquer forma, sabia-se desde o início que Pavelic era um ditador totalitário, fantoche de Hitler e Mussolini, que promulgara urna série de leis racistas e anti-semitas, e que se empenhava na conversão compulsória de ortodoxos ao cristianismo católico. Acima de tudo, Pacelli tinha noção de que o novo Estado era como disse Jonathan Steinberg, "não o resultado de um heroico levante do povo de Deus, mas uma decorrência da intervenção externa". O Estado Independente da Croácia, como o mundo inteiro sabia resultara da violenta e ilegítima invasão e anexação do reino da Iugoslávia (que mantinha relações diplomáticas ri agora diplomáticas com o Vaticano) por Hitler e Mussolini; e agora Pacelli apertava a mão de Pavelic, concedia-lhe a bênção papal.

          Demoraria algum tempo para que a Santa Sé soubesse das atrocidades. Mas os detalhes do massacre dos sérvios e da virtual eliminação dos judeus e dos ciganos eram conhecidos desde o inicio pelo clero e pelo episcopado católico croata. Na verdade, o Clero muitas vezes teve uma participação destacada(17)

       A contagem final quase desafia a credibilidade. Pelos cálculos confiáveis mais recentes, 487.000 sérvios ortodoxos e 27.000 ciganos foram massacrados entre 1941 e 1945 no Estado Independente da Croácia. Além disso, cerca de 30.000 de uma população de 45.000 judeus foram mortos: de 20 000 a 25.000 nos campos de extermínio do Ustashe e outros 7.000 deportados para as câmaras de gás(18). Como foi possível que, apesar do relacionamento de poder autoritário entre o papado e a Igreja local — um relacionamento de poder que Pacelli se empenhara em consolidar —, não houvesse nenhuma tentativa do Vaticano para impedir às matanças, as conversões forçadas, a apropriação de bens ortodoxos? Como foi possível, quando as atrocidades se tornaram do conhecimento de todos no Vaticano. Como vamos demonstrar que Pacelli não dissociasse no mesmo instante a Santa Sé das ações do Ustashe, condenando os criminosos? 

Notas(enumeradas conforme no livro):
13 - Diário de Osborne citado em Chadwick, Britain and the vatican...,p.206.
14 - Tittmann's papers citado em Chadwick, Britain and the vatican...,p.207.
15 - Chadwik, Britain and the vatican...,p.208-209.
16 - Carta de Osborne a McEwan, 31 de julho de 1942.
17 - Carta de Osborne a McEwan, 25 de agosto de 1942.
18 - Carta de Osborne a McEwan, 18 de setembro de 1942.

Transcrição: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)
Fonte:  CORNWELL, John - O Papa de Hitler - A historia secreta de Pio XII, Rio de Janeiro: Imago Ed., 2000, p. 281-286.

Related Posts with Thumbnails