quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Historia dos Einsatzgruppen


Execução de poloneses pelo Einsatzgruppe em Leszno, Outubro de 1939

Einsatzgruppen ("força-tarefa" ou "grupos de intervenção" em alemão) eram grupos paramilitares formados por Heinrich Himmler e operacionalizadas pela Schutzstaffel (SS) antes e durante a Segunda Guerra Mundial. Sua principal tarefa, de acordo com o general SS Erich von dem Bach, no Julgamento de Nuremberg, "era a aniquilação dos judeus, ciganos e agentes políticos soviéticos". Foram um componente-chave na implementação da Solução Final da Questão Judaica de Adolf Hitler (em alemão: Die Endlösung der Judenfrage) nos territórios conquistados.

Formados principalmente por homens da Ordnungspolizei, Waffen-SS e voluntários locais, e liderados por oficiais da Gestapo, Kripo e SD, estes esquadrões da morte seguiam a Wehrmacht a medida em que esta avançava para leste através da Europa Oriental rumo à União Soviética. Nos territórios ocupados, os Einsatzgruppen também usavam a população local por razões de segurança e para aumentar seu número, quando necessário. As atividades dos Einsatzgruppen eram disseminadas por um vasto grupo de soldados da SS e do Reich.

Por seus próprios registros, os Einsatzgruppen mataram mais de um milhão de judeus, praticamente todos civis, não utilizando quaisquer procedimentos legais (nenhuma leitura de sentença, seja de lei marcial ou administrativa), principiando pela intelligentsia polonesa, e progredindo rapidamente, por volta de 1941, ao objetivo principal de assassinar todos os judeus da Europa Oriental. O historiador Raul Hilberg calcula que entre 1941 e 1945 os Einsatzgruppen e as SS mataram mais de 1,3 milhão de judeus em assassinatos ao ar livre.

As Einisatzgruppen eram unidades móveis de extermínio, esquadrões compostos principalmente pela polícia alemã e pelas SS. Sob o comando do Serviço de Segurança (Sicherheitsdienst; SD) e das autoridades da Polícia de Segurança alemã (Sicherheitspolizei; Sipo), as unidades móveis de extermínio tinham, entre suas atividades a tarefa de assassinar pessoas suspeitas de serem inimigas raciais ou políticas do nazismo que se encontravam atrás das linhas de combate alemãs, dentro do território soviético ocupado.

As vítimas incluiam judeus, ciganos da subetnia Roma, e autoridades do estado e do Partido Comunista soviético. Os Einsatzgruppen também assassinaram milhares de deficientes físicos e mentais que se encontravam internados em instituições médicas e sociais. Muitos estudiosos acreditam que o assassinato sistemático dos judeus dentro da União Soviética ocupada pelos batalhões dos Einsatzgruppen e da Polícia da Ordem (Ordnungspolizei), foi o primeiro estágio da “Solução Final”, o programa nazista para o extermínio dos judeus europeus.

Durante a invasão da União Soviética, em junho de 1941, as Einsatzgruppen acompanhavam o exército alemão enquanto este avançava rumo o interior do território soviético. As Einsatzgruppen, muitas vezes com o apoio dos cidadãos soviéticos e da polícia local, realizavam operações de extermínio em massa, indo diretamente até locais onde haviam comunidades judaicas e massacrando todos seus habitantes, diferentemente dos métodos posteriormente empregados de deportação dos judeus dos locais onde viviam, cidades ou guetos, para serem assassinados nos campos de extermínio.

O exército alemão provia o apoio logístico para as Einsatzgruppen, incluindo suprimentos, transporte, moradia, e até mesmo recursos humanos, através de unidades militares que vigiavam e transportavam os prisioneiros. No início de suas atividades as Einsatzgruppen atiravam somente em homens, porém, de meados até o final de 1941, passaram a assassinar a todos--homens, mulheres e crianças-- sem distinção de idade, e os enterrava em conjunto em grandes valas. Com a ajuda de informantes e intérpretes, identificavam-se os judeus de uma determinada região, que eram então levados para pontos de coleta, como lixo. Destes locais tinham que marchar, ou eram transportados por caminhões, para os locais onde seriam massacrados e onde grandes valas já haviam sido abertas. Em alguns casos, as vítimas tinham que cavar suas próprias sepulturas: depois de entregarem seus objetos de valor e de serem forçados a se despir, homens, mulheres e crianças eram fuzilados, fosse ao “estilo militar” (de pé, na frente da sepultura aberta) ou deitados dentro das valas, com a face virada para o fundo. Este último tipo de assassinato em massa era designado pelos nazistas e seus cúmplices, em deboche cruel, como “empacotamento de sardinhas”.

O fuzilamentos era o método mais comumente utilizado pelas Einsatzgruppen para assassinar os judeus. Porém, já quase no final de 1941, Heinrich Himmler, observando os efeitos psicológicos e o cansaço que os fuzilamentos em massa causavam em seus perpetradores, solicitou o desenvolvimento de uma forma de assassinato em massa mais rápida, impessoal e conveniente. Assim foram criados os “caminhões de gás”, que eram câmaras de gás móveis montadas sobre o chassis de um caminhão cujos canos de escapamento eram virados para dentro das caixas de transporte onde estavam os prisioneiros, matando-os através do envenenamento por pelo monóxido de carbono. Os caminhões de gás foram utilizados pela primeira vez na frente oriental (países a leste da Alemanha) no final do outono de 1941; e também foram utilizados em conjunto com os fuzilamentos para apressar a matança das vítimas, judeus e não-judeus, que estavam nas áreas onde as Einsatzgruppen operavam.

As Einsatzgruppen que acompanhavam o exército alemão durante a ocupação da União Soviética eram compostas por quatro grandes grupos operacionais: a Einsatzgruppe A espalhou-se pelo leste da Prússia e atravessou a Lituânia, a Letônia, e a Estônia em direção a Leningrado (atualmente São Petersburgo). Elas massacraram os judeus de Kovno, Riga e Vilna; o Einsatzgruppe B saiu de Varsóvia, na Polônia ocupada, e espalhou-se pela Bielorrússia, em direção a Smolensk e Minsk, devastando a população judaica de Grodno, Minsk, Brest-Litvosk, Slonim, Gomel e Moglilev, além de outras regiões; a Einsatzgruppe C começou suas operações em Krakow (Cracóvia) e se espalhou atravessando a região oeste da Ucrânia, em direção a Kharkov e Rostov-on-Don. Os membros daquele grupo assassinaram populações inteiras em Lvov, Tarnopol, Zolochev, Kremenets, Cracóvia, Zhitomir e Kiev. Elas eram tão letais que, na cidade de Kiev, na Ucrânia, as unidades do 4º destacamento dos Einsatzgruppen mataram, em apenas dois dias, 33.771 judeus na ravina de Babi Yar, no final de setembro de 1941. Das quatro unidades, o Einsatzgruppe D era o que operava mais ao sul. Seus membros chacinaram populações judaicas inteiras no sul da Ucrânia e da Criméia, principalmente em Nikolayev, Kherson, Simferopol, Secastopol, Feodosiya, e na região de Krasnodar.

Em sua tarefa macabra, as Einsatzgruppen recebiam ajuda dos soldados alemães e dos demais países do Eixo, bem como de colaboradoracionistas locais e outras unidades das SS. Os membros das Einsatzgruppen eram escolhidos entre unidades das SS, das Waffen SS (formações militares das próprias SS), SD, Sipo, Polícia da Ordem, e outras unidades políciais.

Na primavera de 1943, os batalhões das Einsatzgruppen e da Polícia da Ordem já haviam exterminado mais de um milhão de judeus soviéticos, além de dezenas de milhares de comissários políticos soviéticos, guerrilheiros, ciganos da subetnia Roma, e deficientes físicos e mentais que se encontravam em instituições destinadas a seus cuidados. Os métodos móveis de extermínio, particularmente os fuzilamentos, mostraram-se cansativos, ineficientes, e ainda traumatizanates para muitos dos que atiravam. Mesmo com a continuação das atividades das Einsatzgruppen, as autoridades alemãs planejaram e iniciaram a construção de instalações fixas de gás nos campos de extermínio centralizados com a finalidade de exterminar uma quantidade bem maior de judeus.

Einsatzgruppen: Testemunho do Schutzpolizist Togel


Judeus cavam sua sepultura antes de serem executados.


Depoimento de Schutzpolizist Togel - Einsatzkommando 10a

Um outro incidente do qual me recordo foi uma execução em grande escala pelo esquadrão de fuzilamento que ocorreu em uma vala no caminho para Kachowa. Havia uma cavidade na estepe medindo de seis a sete metros na borda superior. Perto haviam pilhas de grãos em fileiras.

Os grãos deviam ser pilhas de feno ou réstias de cereal secando ao sol ou algo assim. Nós, Schutzpolizisten, fomos conduzidos a esta vala em caminhões de tropa. Não havia uma única vila a vista em muitas milhas. Não havia sequer um silo ou celeiro na vizinhança. As vítimas - várias centenas, ou mesmo um milhar delas, homens e mulheres - foram transportadas em caminhões de carga. Não lembro se
haviam crianças. Estas pessoas foram ordenadas a permanecer a cerca de cem metros da vala em uma depressão que havia sido cavada pela chuva e a deixarem seus vestimentos lá. A seguir elas foram alinhadas, dez de cada vez, ao lado da vala e fuziladas por um pelotão de fuzilamento com dez atiradores, incluindo a mim. Quando alvejadas essas pessoas caiam para dentro da vala. Algumas vezes eles estavam tão apavorados que saltavam dentro dela vivos. O pelotão de fuzilamento foi revezado inúmeras vezes. Por causa das pressões psicológicas as quais eu também era exposto durante os fuzilamentos eu não consigo dizer hoje em dia, por mais que eu tente, quantas vezes eu fiquei naquele pelotão e quantas vezes eu fui substituido daquela função.

Obviamente aquelas execuções não ocorriam na forma calma na qual a discutimos hoje em dia. As mulheres gritavam e choravam e os homens também. As vezes algumas pessoas tentavam escapar. As pessoas cuja função era mante-las na beira da vala tambem gritavam igualmente alto. Se as vítimas não faziam como era ordenado, elas eram
espancadas. E lembro particularmente de um homem ruivo da SD que possuia um pedaço de cabo que usava para bater nas pessoas quando a ação não ocorria como devia. Muitos, entretanto, vinham sem resistência para o local de execução. Era como se eles não tivessem outra alternativa.

O pelotão de fuzilamento na vala era composto por Schutzpolizisten, pessoal da Waffen-SS e membros da SD. Nós, da Schutzpolizisten, usávamos nossas próprias carabinas, os homens da SD usavam sub-metralhadoras e pistolas. De uma forma geral, cada usava sua própria arma. Toda a munição que precisávamos era mantida pronta em caixas. O local de execução proporcionava uma vista terrível. O chão em torno
da vala estava coberto de sangue; haviam também pedaços de cérebro no chão que as vítimas tinham que pisar em cima para alcançar o local de execução. Mas não era nesse ponto que elas se davam conta do que as aguardava. Elas podiam ouvir os tiros e os gritos do local onde ficavam aguardando...

Demorou aproximadamente uma tarde antes que a última vítima jazesse na vala. Uma coisa que eu ainda relembro nitidamente sobre esta execução é que após o pessoal da SD se embebedou, o que significa que eles receberam uma ração especial de bebida. Nós da Schutzpolizisten não recebemos nada e eu lembro que ficamos muito irritados com isso.

Klee, Ernst, Willi Dressen and Volker Riess, editors. The Good Old Days. New York: The Free Press. 1988. pp. 61-62

Fonte: http://www.einsatzgruppenarchives.com/togel.html
[traduzido por Ahmed]
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