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domingo, 11 de abril de 2010

Aribert Heim, o Doutor Morte

Aribert Heim, conhecido como o Doutor Morte (Bad Radkersburg, Áustria, 28 de Junho de 1914 - Egipto, 10 de agosto de 1992) foi um oficial médico nazista, membro da Schutzstaffel. Participou e comandou experiências médicas nos campos de concentração de Buchenwald, Mauthausen e Sachsenhausen.

Desaparecido desde o fim da Segunda Guerra Mundial, foi acusado de tortura em variadas formas, como a vivisecção em prisioneiros dos campos de concentração. É considerado como criminoso nazi em fuga e procurado como tal pelas polícias alemã, austríaca e espanhola, bem como pelo Centro Simon Wiesenthal de Jerusalém.

O seu pai era polícia, e Aribert fez estudos de medicina na Universidade de Viena. Aos 21 anos, adere ao Partido Nacional Socialista Austríaco antes de se juntar em 1938 às SS de Heinrich Himmler (número de membro 367.744). Depois de ter servido no campo de concentração de Buchenwald sob as ordens de outro médico nazi, Hannes Eisel, foi nomeado em 8 de Outubro de 1941 médico-chefe em Mauthausen, onde se estima que 118.000 prisioneiros checos, neerlandeses, soviéticos, judeus, membros de diversos movimentos de resistência antinazis e republicanos espanhóis tenham sido mortos.


Em Mauthausen, onde ficou sete semanas, Heim entrega-se a intervenções sem anestesia e a experiências médicas para as quais utilizou detidos como cobaias. Fez estudos comparativos sobre misturas de venenos, medindo com um cronómetro na mão a velocidade das injecções letais que dava directamente no coração dos prisioneiros. É esta prática que lhe valeu da parte dos deportados espanhóis de Mauthausen a alcunha de El banderillero. No campo, Heim era conhecido por Dr. Tod («Doutor Morte»). Durante a sua permanência, que durou um pouco menos de dois meses, são atribuíveis a Heim as mortes de centenas de prisioneiros, assassinados directamente durante ou após as suas "pesquisas". A polícia judiciária de Estugarda avançou com o total de 300 mortos. Heim deixou Mauthausen para integrar a Waffen-SS em 29 de Novembro de 1941.

Em 15 de Março de 1945, Heim foi preso pelos Aliados mas apenas foi julgado por ter pertencido às Waffen-SS. Uma recolha de impressões digitais foi feita em 1945, documento que figura ainda no dossier de acusação de Heim. Foi enviado para um campo de trabalhos forçados. Libertado em 1947, encontra trabalho como médico em Baden-Baden no sul da Alemanha Ocidental, onde casa com a sua noiva Frieda e abre um gabinete de ginecologia em 1954. O seu nome reaparece em 1961, no decorrer de um processo de um ex-nazi em Wiesbaden, e um testemunho evoca-o como « carniceiro de Mauthausen ». Heim desapareceu em 1962, quando a polícia alemã se preparava para o prender.

Em 1967, pessoas da sua família noticiaram que tinha falecido de câncer na América Latina. Mas envios de dinheiro repetidos e a descoberta pelos agentes da Alemanha e de Israel de uma conta bancária de Berlim em seu nome com o que hoje equivaleria a um milhão de euros, no início da década de 2000, provaram que ainda era vivo, o que é confirmado pelo facto de os seus filhos não terem feito partilha desse dinheiro. O jornal espanhol El Mundo estima que a fortuna considerável de Heim lhe teria permitido beneficiar da assistência da rede de apoio a antigos nazis em fuga ODESSA (Organisation Der Ehemaligen SS-Angehörigen = Organização dos antigos membros das Schutzstaffel).


KZ Mauthausen

No final da década de 1970, o «caçador de nazis» Simon Wiesenthal, ele próprio sobrevivente de Mauthausen, pede ao ministro da Justiça alemão a comparência de Heim em tribunal. A polícia alemã difundiu uma nota de procura e prometeu uma recompensa de 130.000 euros por informações que conduzissem à sua captura. O Centro Simon Wiesenthal, especializado na procura de antigos responsáveis e torcionários nazis, dedicou-se a procurar vestígios do antigo médico. Em 2002, por iniciativa de Efraim Zuroff (sucessor de Simon Wiesenthal no Centro) foi lançada a 'Operação Última Oportunidade na Alemanha e em oito países da Europa: Heim figurava no segundo lugar na lista de criminosos de guerra nazis mais procurados pelo Centro, logo a seguir a Alois Brunner.

No final de 2005 Heim terá alegadamente encontrado refúgio em Espanha, em Palafrugell segundo a polícia. A busca, que não terminou, foi retomada no início de 2006 no Chile onde a irmã de Heim, Waltraud, vivia desde a década de 1970 (segundo o jornal Der Spiegel). Em Julho de 2007, o ministério da Justiça austríaco anunciou no seu site que uma recompensa de 50.000 euros era dada a quem fornecesse informações que pudessem conduzir, localizar ou capturar Aribert Heim e Alois Brunner.

Em 2007, o antigo militar Danny Baz publicou um livro no qual afirma que Heim foi capturado, julgado e executado na Ilha Santa Catalina em 1982 por um grupo chamado La Chouette, constituído por suplementar os serviços secretos israelitas no rasto de criminosos nazis, abandonados pelo estado de Israel depois da prisão e execução de Adolf Eichmann. Num comunicado, o Centro Simon Wiesenthal afirmou que crê que esta informação não está correcta.

Heim morreu em 1992, no Egipto, segundo uma investigação da televisão alemã ZDF e do jornal “The New York Times”.

Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Aribert_Heim

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Mauthausen


Prisioneiros quebram pedras em Mauthsausen

Mauthausen-Gusen foi um complexo de campos de concentração construídos pelos nazistas na Áustria, situado a cerca de 20 kms da cidade de Linz. Inicialmente consistindo apenas de um pequeno campo, transformou-se num dos maiores complexos de trabalho escravo da Europa ocupada pela Alemanha durante a II Guerra Mundial. Os prisioneiros destes campos era usados para o esforço de guerra alemão, trabalhando em pedreiras e fabricando armas, munições, peças de aviões e minas, sob um regime de trabalhos forçados que causou centenas de milhares de mortos.
Em janeiro de 1945, estes campos somados continham um total aproximado de 85 mil prisioneiros, sobreviventes de cerca de 200 a 300 mil mortos, que foram exterminados pela dureza do trabalho escravo ali realizado. Mauthausen, ao contrário de outros campos nazistas que recebiam gente de todas as classes e categorias, era destinado apenas a integrantes da “intelligenzia” dos países ocupados, pessoas da alta sociedade e maior grau de educação e cultura. Foi um dos primeiros complexos de campos de concentração da Alemanha nazista e o último a ser liberado pelos Aliados ao fim da guerra.

Os famosos 186 degraus. A guarda de honra soviética está diante do "Todesstiege" (os degrais da morte) no campo de concentração Mauthausen. Os nazistas forçaram os prisioneiros a transportar blocos de granito repetidamente pesados até as escadas, até que eles morreram ou foram assassinados quando falharam no transporte.

História

Em 8 de agosto de 1938, prisioneiros do campo de concentração de Dachau foram enviados à cidade de Mauthausen, perto de Linz, na Áustria, para começarem a construção de um novo campo. Apesar de controlado inicialmente pelo Estado alemão, ele foi fundado por uma empresa privada como um empreendimento econômico. A empresa, comandada por Oswald Pohl, também um oficial graduado da SS, comprou as pedreiras ao redor da cidade e iniciou a construção do campo, cujo principal objetivo econômico era a extração de granito em pedras, a ser feita através do trabalho escravo de milhares de prisioneiros, de prisioneiros comuns como ladrões, assassinos e prostitutas a prisioneiros políticos do Reich.
A partir de 1939, outros campos menores começaram a ser construídos em volta, abrigando mais prisioneiros trazidos de Dachau e Sachsenhausen, além de prisioneiros de guerra soviéticos após a invasão da Rússia em 1941.
Em 1944, apesar da construção de novos pequenos campos no complexo, o número de prisioneiros superava em muito a capacidade das instalações, chegando a quatro internos por cama. Os prisioneiros do campo também eram “alugados” para trabalho escravo, sendo usados por empresas austríacas para trabalhar em fazendas, construção e reparo de estradas, reparos em barragens do rio Danúbio e até escavação de sítios arqueológicos.
Com o início dos bombardeios estratégicos aliados à indústria de guerra alemã, os planejadores alemães decidiram mover a produção para locais construídos em túneis e sob o solo, impenetráveis às bombas, onde os prisioneiros de Mauthausen construíram fábricas de aviões Messerschmitt Me 262 a jato e de foguetes V-1.

Inspecionando a pedreira de Mauthausen, após a libertação


Extermínio

A função política de exterminação do campo era exercida ao mesmo tempo que a função econômica. Até 1942, Mauthausen foi usado para prisão e assassinato dos inimigos políticos e ideológicos da Alemanha nazista, reais ou imaginários.Este extermínio se dava inicialmente através de trabalhos forçados. Quando os prisioneiros regressavam às barracas e alojamentos após doze horas de trabalho exaustivo nas pedreiras, aqueles sem condições físicas de continuarem a servir às expectativas, por exaustão completa ou doença, eram mortos com injeções intravenosas de veneno, nas “enfermarias” e cremados no crematório local. Milhares deles morreram por exaustão nas próprias pedreiras e fábricas.


A câmara de gás era disfarçada como uma casa de banho com água encanada real e chuveiros no teto. na parede na extrema esquerda é uma placa comemorativa a um dos presos que foi intoxicado nesta sala.

A princípio, o campo não contava com câmaras de gás e prisioneiros sem condição de trabalho eram transferidos para outros campos para execução. A partir de 1940, caminhões itinerantes com boléias transformadas em câmaras viajavam entre os sub-campos do complexo para realizar sua tarefa macabra. A partir de dezembro de 1941, uma câmara de gás permanente com capacidade para 120 pessoas de cada vez foi instalada.
A pedreira de Mauthausen foi o local da infame “Escada da Morte”, onde prisioneiros eram obrigados a subir os 186 degraus da pedreira carregando blocos de pedra de 50 kgs em fila; como resultado disso, alguns prisioneiros exaustos caíam por cima dos outros, derrubando diversos homens na fila escada abaixo, num efeito dominó, para a morte ou graves ferimentos.
Esta brutalidade proposital seguia os métodos dos SS, que forçavam prisioneiros a subirem correndo os degraus da pedreira carregando pedras, após horas de trabalho pesado, sem comida nem água suficientes, e os que caíssem eram executados; os poucos sobreviventes participavam então do chamado Muro do Páraquedas, onde alinhados na crista da pedreira à beira do precipício, tinham a escolha de morrerem fuzilados perfilados na fila ou jogarem o companheiro ao lado pela borda do penhasco.
Outros métodos de extermínio usados em Mauthausen eram:

  • Surra com bastões até a morte

  • Chuveiro de gelo, onde eram obrigados a tomar um banho gelado e depois deixados para secar do lado de fora da barraca sob um frio de -30°C, morrendo de hipotermia (3.000 morreram assim)

  • Fuzilamento em grupo

  • Experimentos médicos, com inoculação de bactérias de tifo e cólera nos prisioneiros para testar vacinas. (2000 mortos)

  • Enforcamento

  • Fome em solitárias

  • Afogamento em barris de água

  • Arremesso de prisioneiros na cerca eletrificada do campo
Libertação
 
 
Sobreviventes derrubam a aguia nazista na entrada do campode Mauthausen
 
Foto recente da entrada do campo
 
 
Mulheres e crianças sobreviventes de Mauthausen falam com um libertador americano através de uma cerca de arame farpado
 
Em 3 de maio de 1945, a guarda SS de Mauthausen deixou os campos junto com seu comandante, o SS-Standartenführer Franz Ziereis, devido ao avanço das tropas aliadas. Foram substituídos no dia seguinte por homens desarmados da Volkssturm, a guarda nacional criada por Hitler nos últimos dias de guerra, formada basicamente por homens de meia idade e inválidos de guerra, policiais aposentados e bombeiros de Viena, que criaram junto com os internos um sistema de controle do campo pelos próprios prisioneiros.
Em 5 de maio, o complexo foi o último a ser libertado pelas tropas norte-americanas do 3º Exército dos Estados Unidos, que desarmaram os policiais e se retiraram. A grande maioria dos SS já havia fugido, mas cerca de 30 restantes do pessoal de apoio que ficaram foram linchados pelos prisioneiros.
Entre os sobreviventes estavam o tenente americano Jack Taylor, que seria uma testemunha chave nos subseqüentes julgamentos de crimes de guerra de Mauthausen e um engenheiro chamado Simon Wiesenthal, que dedicaria o resto de sua vida a caçar criminosos de guerra nazistas.
Após a capitulação alemã, o campo passou a fazer parte da zona de ocupação soviética na Áustria. Inicialmente sua área foi usada para instalações de barracas de acampamento de tropas do Exército Vermelho a medida que as fábricas subterrâneas iam sendo desmanteladas e enviadas para a URSS como butim de guerra; em 1947 os soviéticos explodiram os túneis e devolveram o local ao governo austríaco, que declararam o local memorial nacional.
Em 1975, o chanceler Bruno Kreisky abriu no local o Museu Mauthausen. A área antes ocupada pelos sub-campos do complexo hoje é coberta de edificações residenciais construídas no pós-guerra.


Sobreviventes e libertadores americanos se reuniram em uma rua de campo depois da libertação de Mauthausen.


Libertação do campo pelas tropas norte-americanas. Detalhe para a faixa de saudações escrita em espanhol. Nesse campo, a quantidade de espanhois era grande, que foram feitos prisioneiros depois da derrocada na espanha.

 
Sobreviventes em Mauthausen abrem um dos fornos crematórios para as tropas americanas que estão inspecionando o acampamento.


  Sobreviventes em 6 de maio de 1945.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Mauthausen