sexta-feira, 31 de julho de 2009

Os Homens-Rãs


O ataque aos couraçados «Valiant» e Queen Elisabeth», fundeados no porto de Alexandria, realizado por seis homens-rãs italianos, transportados até ao próprio local do ataque pelo submarino «Sciré», deixou estupefacto o Almirantado Britânico J. D. Ratcliff faz aqui o seu relato desta proeza.


« Querida mãezinha:
Quando receberes esta carta, já terei deixado de existir. Ofereci-me como voluntário para realizar uma perigosa missão que fracassou...»
«Quinze dias antes do Natal de 1941, o tenente de marinha Luigi Durand de La Penne escrevera três cartas destinadas a sua mãe. Esta era a primeira; noutra anunciava-lhe que havia triunfado; e, na terceira, que caíra prisioneiro. Terminada a sua missão, enviariam a sua mãe a carta que correspondesse á realidade.




Luigi DURAND DE LA PENNE
La Penne, um belo rapaz de 27 anos, alto e de aparência desportiva, estava prestes a empreender uma empresa digna de figurar em lugar de relevo no livro de oiro da História: com o seu grupo - seis homens, na totalidade, e sem armas - devia atacar a Armada Britânica concentrada no porto de Alexandria. Nesse corpo a corpo, tremendamente desproporcionado, que oporia homens de 70 quilos a couraçados de 32000 toneladas, iria conseguir, além de uma brilhante vitória naval, a admiração do seu principal adversário. Winston Churchill afirmou que esta façanha representava «um notável exemplo de coragem e habilidade».
A guerra encontrava-se num momento crítico quando La Penne recebeu a missão de afundar as principais unidades da frota britânica do Mediterrâneo. Por causa da acção dos submarinos, os Britânicos acabavam de perder um couraçado e um porta-aviões.
Os dois couraçados que restavam á Inglaterra no Mediterrâneo tinham-se refugiado mo porto de Alexandria. La Penne e os seus voluntários deviam ir atacá-los, montados em três minúsculos submarinos que os homens-rãs denominavam «porcos» (Maiale).
Um «porco» media 6,50 m de comprimento; a sua propulsão, eléctrica, era silenciosa; a velocidade de 3 a 5 quilómetros por hora e o raio de acção de 16 quilómetros. O aparelho estava provido na «cabeça», de uma carga explosiva, desmontável, com o peso de 300 quilos. Uma vez no porto, cada um dos três grupos de dois homens devia aplicar a sua carga explosiva no casco do objectivo que lhe fora confiado e depois fugir - se pudesse.
As probabilidades de voltar são e salvo de semelhante missão eram mínimas. Por esse motivo, aconselhara-se a La Penne e aos seus homens que fizessem testamento e fizera-se um embrulho com os seus objectos pessoais, para serem enviados ás famílias no caso de que...





A 18 de Dezembro, os três grupos estão já a bordo de um submarino, o «Sciré», que repousa no fundo do mar, á entrada de Alexandria. Dentro do porto encontram-se, segundo confirmam os últimos boletins de informação, os couraçados «Valiant» e «Quenn Elizabeth».
La Penne e o seu companheiro de grupo, o contramestre Emílio Bianchi, terão o Valiant como objectivo; o tenente de marinha António Marceglia e Spartaco Schergart o «Queen Elizabeth». Quanto aos tenentes Vicenzo Martellotta e Mário Marino, deverão atacar um barco-cisterna de 16000 toneladas e semear em seguida bombas incendiárias flutuantes, confiando em que o petróleo derramado pelo barco-cisterna incendeie todo o porto. Terminado o seu trabalho, os três grupos dirigir-se-ão a nado para a margem e, dali, em algum barco de pesca roubado, seguirão para um lugar designado de antemão, onde irá recolhê-lhos, em 24 de Dezembro, um submarino Italiano.


Pouco antes das 21 horas, os tripulantes dos «porcos» envolvem-se, mal ou bem, nos seus apertados fatos de borracha. Depois os pequenos aparelhos são lançados á água e metem proa, lentamente até ao farol de Ras-el-Tin, que se destaca a 1500 metros de distância. Quando os seis homens montaram nos seus «porcos» apenas as cabeças emergem da água. As explosões hão-de ser provocadas por foguetes de efeito retardado. O barco-cisterna, segundo os cálculos irá pelos ares ás 5 horas e 55 minutos; o «Valiant» ás 6 horas e 5 minutos e o «Queen Elizabeth» ás 6 horas e 15 minutos. Os homens dispõem, portanto, de algum tempo para saborear o que será, talvez, a sua ultima refeição. Tiram frango frio e umas garrafinhas com champanhe, de uma caixa impermeável - e comem e bebem.


Chegou finalmente, o momento de se aproximarem das redes de aço que protegem a entrada do porto. Os «porcos» estão apetrechados com tesouras apropriadas, mas estas fazem demasiado ruído e as redes estão frequentemente carregadas de electricidade... La Penne hesita, reflectindo sobre o que lhe convém fazer. De repente, o farol e o porto iluminam-se: alguns barcos dispõem-se a entrar!
As redes afastam-se pra lhes dar passagem.
- Vamos! - ordena La Penne.
Três contratorpedeiros surgem da sombra; na sua esteira, saltando desordenadamente, vão os três pequenos «porcos».


Já no porto, os homens-rãs ocupam-se a localizar os seus alvos. La Penne e Bianchi aproximam-se do «Valiant», mas esbarram com uma rede protectora. Tentam levantá-la; pesa excessivamente. Para franquear o obstáculo, apenas há uma solução: passar-lhe por cima, sem despertar as atenções. A manobra resulta bem, com grande alívio deles. Voltam imediatamente a submergir.
O sítio melhor para a colocação da carga explosiva é debaixo da torre de comando. La Penne sobe á superfície para comprovar pela última vez a posição exacta e desenrola uma delgada corda que lhe servirá para regressar ao seu «porco». Mas, quando de novo submerge, o aparelhe nega-se a avançar: a corda - pensa - deve ter-se enrolado na hélice. Volta-se para Bianchi, para lhe indicar por sinais que a desenrede. Mas Bianchi desapareceu!
Agora tem de terminar o seu trabalho sozinho.
A carga explosiva encontra-se ainda a 30 metros da sua posição definitiva. Com as suas mãos nuas, que o fio entorpece, La Penne começa a arrastar pelo lodo, centímetro a centímetro, aquele fardo de 300 quilos. Depois de quase uma hora de trabalho esgotante, a carga fica no sitio desejado; mas La Penne está demesiadamente cansado para fixá-la ao casco. Tem a certeza, entretanto, de que fará o efeito pretendido, já que repousa no fundo a 1,50 m somente da quilha do navio. São 3 horas: faltam ainda mais 3 horas para a explosão.
La Penne está prestes a perder os sentidos.
Ao subir á superfície, produz um «clac» quase imperceptível, suficiente, contudo, para alertar o marinheiro de guarda na ponde do «Valiant». Projectores, saraivada de balas. La Penne descobre uma bóia de ancoragem e nada até lá. Por detrás dela estará protegido. Mas alguém ali se encontra também: Bianchi! Tendo-se-lhe avariado a máscara respiratória, desmaiou enquanto subia á superfície; logo que voltou a si, nadou até á bóia.
Não tarda a chegar uma lancha onde os dois homens são embarcados. No «Valiant», o oficial de guarda procede ao seu interrogatório: são 3 horas e 30 minutos. Os dois prisioneiros negam-se a dar qualquer informação. Separam-nos.
La Penne é encerrado num armazém da coberta inferior, por cima da carga explosiva, pouco mais ao menos. Um marinheiro compassivo dá-lhe um copo de aguardente e um maço de cigarros, para o reanimar. Já só lhe resta como andam depressa os ponteiros do seu relógio: 5 horas e 30, 5 horas e 40 minutos...

Ouve-se um estrondo longínquo. O grupo de Martellotta acaba de fazer saltar o navio-cisterna. A popa ficou completamente destruída e um contratorpedeiro que estava fundeado perto sofreu avarias; mas as bombas incendiárias não explodiram. São 5 horas e 54 minutos; só faltam 11 minutos. La Penne golpeia insistentemente com os punhos a porta da sua prisão; pede para ser levado á presença do capitão. É o comandante Charles Morgan.
- O barco vai pelos ares dentro de dez minutos - diz La Penne. - Não quero ser culpado de mortes inúteis. No seu lugar, capitão, eu faria subir toda a tripulação para a coberta.
- Diga-me - exige Morgan - o lugar exacto em que foi colocada a carga. Se se nega a responder, o meu dever á mandá-lo outra vez para baixo.
La Penne recusa-se; se Morgan soubesse que a carga repousa no fundo do mar, bastar-lhe-ia fazer o navio mudar de posição para o afastar do perigo. Enquanto é outra vez conduzido ao seu cárcere ocasional, o prisioneiro ouve os altifalantes de bordo difundirem a ordem: «Toda a gente para a coberta!»




Os olhos, agora, cravam-se no relógio, cujo ponteiro de segundos está a marcar, sem dúvida, os últimos instantes da sua vida. Terá, pelo menos, ajustado com exactidão o foguete de explosão retardada? É impossível fazê-lo com uma precisão de segundos. De súbito - são 6 horas e 6 minutos - a explosão produz-se.
O «Valiant» é agitado por sacudidelas convulsivas e enche-se de fumo. La Penne é atirado até ao outro extremo da sua cela e perde por momentos os sentidos. Ao recuperar o conhecimento, a onda explosiva abrira a porta. Sem que nínguem repare nele, sobe á coberta e fixa o olhar no «Queen Elizabeth», muito próximo do «Valiant»! Breve chegará a sua vez... São exactamente 6 horas e 15 minutos quando se dá a terrível explosão. Marceglia colocara a carga destinada ao couraçado precisamente por baixo da casa das máquinas; o óleo pesado sai pelas chaminés e derrama-se como um aguaceiro sobre o «Valiant» e sobre todo o porto. Os três barcos alcançados vão a pique mas ficam quase direitos, em virtude de não serem muito profundas as águas do porto.

As fotografias tiradas no dia seguinte á explosão, pelos aviões de reconhecimento, foram interpretadas correctamente pelos oficiais italianos: o «Valiant» estava escorado a bombordo; o «Queen Elizabeth» tinha a proa afundada; tornava-se evidente que os dois navios se encontravam seriamente avariados.
Mas Mussolini não ligou importância á informação dos especialistas. Como ninguém podia contradizê-lo, a frota italiana permaneceu nos portos e desperdiçou a sua melhor oportunidade, mas também é verdade que os Ingleses fizeram o impossível para manter Mussolini no seu tresloucado erro, mas isso já sãos outras histórias.

Quanto aos seis homens-rãs, foram feitos prisioneiros. Levaram La Penne para o Cairo e, depois, para a Palestina; daí consegui fugir para a Síria. De novo preso e embarcado para a Índia, voltou a escapar, mas uma vez mais foi aprisionado.
Foi posto em liberdade em 1943, pouco depois da assinatura do armistício com a Itália, e prestou serviços aos Aliados; foi em grande parte graças a ele que se descobriu um plano alemão que consistia, no momento de evacuar La Spezia, em obstruir a entrada do porto. Na entrada da barra deviam ser destruídos vários navios.
Mas os homens-rãs mergulharam oportunamente, tudo fazendo para os afundar antes que chegassem á barra; entre esses homens estava La Penne.



Em 1945 realizou-se uma cerimónia pouco vulgar. O príncipe herdeiro de Itália, Humberto, ia condecorar La Penne com a mais alta distinção nacional, a «Medaglia d'Ouro», quando um dos convidados se adiantou; era o contra-almirante Charles Morgan, comandante das forças navais britânicas com base em Itália, o antigo capitão do «Valiant». Não se esquecera de que, graças ao aviso dado por La Penne, a sua tripulação, composta por 1700 homens, não sofrera uma baixa sequer.
E o almirante britânico pediu ao príncipe que concedesse a honra de condecorar, com aquela insígnia da coragem, o homem-rã italiano».


Percurso das equipes

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Albert Battel, o oficial do Exército alemão que salvou varios judeus



Albert Battel (21 de Janeiro de 1891 - 1952) foi um ( Wehrmacht) oficial alemão, advogado, e humanitário.

Battel nasceu em Klein-Pramsen, na Silésia prussiana. Após servir na I Guerra Mundial, estudou Economia e Jurisprudência em Munique e em Breslau (Wrocław).
Com cinquenta e um anos de idade era oficial de reserva. Battel estava estacionado em Przemyśl no sul da Polónia, onde era ajudante do comandante militar local, o Major Max Liedtke. Quando as SS se preparavam para lançar a primeira "reinstalação" (liquidação) de judeus em Przemyśl a 26 de Julho de 1942, Battel, em consorcio com o seu superior hierárquico, ordenou o bloqueio da ponte sobre o Rio San, o único acesso para a gueto judeu.
O comando local das SS tentou atravessar a ponte bloqueada, no entanto sargento-ajudante de guarda da ponte ameaçou abrir fogo a menos que se retirassem. Tudo isso aconteceu em plena luz do dia, para o espanto dos habitantes locais.
Pouco tempo depois, nessa mesma tarde, um destacamento do exército sob o comando de Albert Battel invadiu a área do gueto e utilizando camiões do exército, evacuou mais de 100 famílias judias para o quartel do comando militar local. Estes judeus foram colocados sob a protecção da Wehrmacht e foram, portanto, protegidos da deportação para o acampamento-extermínio de Belzec.
Após este incidente, as autoridades SS começaram uma investigação em segredo para averiguar a conduta do oficial do exército que ousou desafia-los sob as referidas circunstâncias. Ele viu que Battel, embora fosse membro do Partido Nazi desde Maio de 1933, já havia sido noticia no passado pelo seu comportamento amigável para com os judeus. Antes da guerra havia sido indiciado por ter feito um empréstimo a um colega judeu. Mais tarde, no decurso do seu serviço em Przemyśl, ele foi cordialmente advertido por "apertar" a mão do presidente do Conselho Judaico. Toda a questão chegou a atenção do mais alto nível da hierarquia Nazi. Nada menos do que Heinrich Himmler (Reichsführer-SS, chefe das SS), que teve um interesse nos resultados do inquérito e enviou uma cópia da documentação incriminatória para Martin Bormann, chefe da Chancelaria do Partido e braço direito de Adolf Hitler. Na carta de acompanhamento, Himmler jurou que o advogado fosse preso imediatamente após o fim da guerra.
Toda esta investigação permaneceu desconhecida para Battel. Em 1944, teve alta do serviço militar por causa de doença cardíaca. Quando voltava para sua cidade natal (Breslau), caiu em cativeiro pelos Soviéticos. Após a sua libertação, regressou Republica Federal Alemã, mas foi impedido de voltar a exercer a advocacia por decisão de tribunal. Morreu em 1952 em Frankfurt.
A sua posição contra as SS (bloqueando a ponte), só ficou reconhecida muito tempo depois da sua morte, especialmente, através do esforço tenaz do investigador israelita e advogado Dr. Zeev Goshen.
Em 22 de Janeiro de 1981, quase 30 anos após sua morte, Yad Vashem decidiu reconhecer Albert Battel como: "Justos entre as Nações", tendo uma árvore com o seu nome em Israel.


Fontes:
en.wikipedia.org
Righteous Among the Nations
Auschwitz - Os Nazis e a Solução Final, BBC, 3º episódio

Florence Farmborough, uma enfermeira no exército russo.


Florence Farmborough (Britânica) era professora em Moscovo em 1914. Com o inicio da guerra, voluntariou-se na Cruz-Vermelha Russa, onde teve formação, e foi enviada para a linha da frente.
Na "qualidade" da sua tão nobre profissão, onde "serviu" na Polónia, Áustria e Roménia, presenciou o caos da retirada do Exercito Russo. Esta terrível retirada entre outras passagens ficou registada no seu Diário.
Florence Farmborough deixou a Rússia logo após a revolução Bolchevique de 1917.



Relatos do Diário de Florence Farmborough:

«Uma enfermeira britânica, Florence Farmborough, que estava a servir numa unidade medica com as forças russas, foi testemunha do sofrimento dos russos. Ao chegarem a um mosteiro na aldeia de Molodicz, os médicos e enfermeiras em retirada organizaram uma sala de cirurgia de emergência.«Tentar saber como e quando tinham sido infligidas as feridas era impossível; no meio de tal vaga de sofrimento, cuja gravidade era perfeitamente visível e audível, mais não podíamos fazer do que cerrar os dentes e trabalhar.» Uma dúzia de ambulâncias transportava os homens feridos com menos gravidade para a retaguarda. Mas por mais que se transportassem mais eram trazidos. As feridas que ela presenciou eram tais « que faziam o nosso coração bater com o espanto de ver como um homem podia ter um corpo tão mutilado e continuar a viver, a falar, a compreender». Um homem para que ela se voltou tinha a perna esquerda e o lado inundados de sangue. « Puxei a roupa para o lado e vi uma massa polposa, um corpo esmagado das costelas para baixo; o estômago e o abdómen estavam totalmente esmagados e a perna esquerda pendia do corpo presa por apenas alguns pedaços de carne». Um padre, que passava por ali naquele momento, fechou os olhos, horrorizado, e voltou as costas. «Os olhos vazios do soldado continuavam a olhar para mim e os seus lábios moveram-se, mas não saiu qualquer palavra. O que me custou afastar-me sem o poder ajudar, não consigo descrever, mas não podíamos desperdiçar tempo e material com casos perdidos, e havia muitos mais á espera.»
Dois dias depois, Florence Farmborough ficou totalmente atormentada quando foram recebidas ordens para recuar ainda mais, e para abandonar os feridos mais graves.
«Os que ainda conseguiam andar ergueram-se e seguiram-nos; a correr, a mancar, a coxear, ao nosso lado. Os gravemente aleijados arrastavam-se atrás de nos; pediam, imploravam que não os abandonássemos em tal situação. E na estrada havia mais, muitos mais; alguns, jaziam na poeira do caminho, exaustos. Também eles imploravam. Agarravam-se a nós; imploravam-nos que ficássemos junto deles. Tínhamos de rasgar as saias, de tal modo eles as agarravam. Depois os seus lamentos começaram a ser entrecortados por insultos; e muito atrás deles, podíamos ouvir os repetidos insultos dos nossos irmãos que tínhamos abandonado ao seu destino. A escuridão acentuou o pânico e a desgraça. Com um acompanhamento do ruído dos projecteis que explodiam, e dos insultos e pedidos dos homens feridos, á nossa volta e atrás de nos, entramos rapidamente na noite»».

sábado, 25 de julho de 2009

Perdeu-se um bravo - A morte do Sgt. da FEB Max Wolf Filho


Sargento Max Wolf Filho à frente de seus homens FEB

"Vi perfeitamente quando a rajada de metralhadora rasgou o peito do Sargento Max Wolff Filho. Instintivamente ele juntos as mãos sobre o ventre e caiu de bruços. Não se mexeu mais. O Tenente Otávio Costa, que estava ao meu lado no Posto de Observação, apertou os dentes com força, mas não disse uma palavra. Quando lhe perguntei se o homem que havia tombado era o Sargento Wolff, ele balançou afirmativamente a cabeça."
Joel Silveira (Correspondente de Guerra)

Menos de uma hora antes, falara de uma menina de 10 anos de idade e de sua condição de viuvo.
Wolf havia partido com seus homens por sebes e ravinas, percorrendo a chamada " TERRA DE NINGUEM" . O primeiro objetivo a patrulha eram três casas, a menos de um quilômetro, que foram atingidas as duas horas da tarde. O grupo cercou as três construções em ruínas e o sargento empurrou com o pé a porta de uma delas nada encontrando.
A duas e meia, patrulha estava a cem metros do ultimo objetivo a ser atingido: um novo grupo de casas sobre uma lombada macia. Quando o sargento deu alguns passos a frente, uma rajada curta e nervosa, feriu-o mortalmente, fazendo com que caísse de bruços sobre a grama . Os outros homens se agacharam, rápidos , e os alemães começaram a atirar, bloqueando a progressão dos brasileiros com uma chuva de granadas de mão e tiros de metralhadoras. Os alemães em seguida lançaram foguetes luminosos, pedindo apoio de artilharia, que minutos depois começaram assobiar no ar e explodiam no caminho percorrido pela patrulha de Wolf.
Por volta das dezenove horas, os homens da patrulha do sargento retornaram ao PC do 11 RI. Mas o corpo ficara lá. Quando os padioleiros foram a terra de ninguém, recolher o mortos e feridos foram recebidos com rajadas impiedosas.
Muitos dos homens que voltavam tinham os olhos rasos de água. O sargento estava morto. No estreito compartimento onde Wolff guardava seus pertences, estavam a condecoração que o General Truscott colocara em seu peito, poucos dias antes, a citação elogiosa do General Mascarenhas e o retrato da filhinha, de olhos vivos e brilhantes como os do pai. Tudo, agora, muito vago. Este foi um dos dias mais tristes para o Batalhão. Perdeu-se um Bravo.
(13/04/1945)
Fonte:Associação Nacional dos Ex-Combatentes

A morte do 1º Ten José Maria Pinto Duarte - FEB

Relato extraído das recordações do livro do "Com a FEB na Itália" feito pelo Capitão Atratino Côrtes Coutinho ao General Aguinaldo José de Senna Campos, sobre de como se dera a morte do 1º Ten José Maria Pinto Du.
"Já havia deixado o comando da companhia, mas fora visitar meus ex-comandados, depois da conquista das posições, na região de Castelnuovo. Estava em casa de sobrado, construção muito comum na Itália, encostada ao barranco, de modo que deste pode-se passar facilmente para os andares mais altos, quando pressenti passos em andar superior da casa; percebi que a situação não era boa, ordenando aos companheiros que pulassem, do primeiro andar, onde estávamos, para fora, no lado oposto ao que havia visto dois alemães. Um terceiro alemão descia do barranco, do lado escolhido para a fuga; não tive outra alternativa se não alveja-lo com a minha carabina; o tedesco deu um grito e rolou morro abaixo.
Os pulos começaram pelos menos graduados; ao chegar a vez do Ten. Pinto Duarte, uma rajada de metralhadora atingiu-o na perna, ficando estendido no chão. Chegou a vez de eu também saltar, arrastando o companheiro para lugar mais protegido.
Para me tornar mais leve e melhor poder carregar o ferido desfiz-me do meu equipamento. Ao atingir o local escolhido, coloquei sobre as pernas o ferido que pedia insistentemente que eu o sacrificasse pois não suportava as terríveis dores que estava sofrendo. Permanecemos nessa luta, tendo o inimigo nas proximidades. O Tenente esvaia-se em sangue, torturado pelas dores e eu vivendo aquele quadro doloroso, arriscando-nos a sermos encontrados pelos alemães em situação difícil. Nada impediu que predominasse o sentimento de camaradagem de e humana assistência ao companheiro que morria, aos poucos, sem possibilidade de socorro urgente; conservei-me a seu lado até o derradeiro instante.
Ficou o Ten Pinto Duarte estendido no chão, ao cair da noite chuvosa e triste.
Procurei reunir-me a tropa que mais tarde, foi contra-atacada e perdeu as posições pouco antes conquistada.
Reuni uma patrulha e fui a procura do companheiro morto, mas a escuridão não permitiu a recuperação do corpo do infeliz companheiro.
Todo o destacamento foi rocado para o Vale do Reno, mas a lembrança daquele quadro e o desejo de resgatar o corpo de meu ex-comandado não me abandonaram. Durante todo o inverno o corpo fora conservado sobre a neve. Nos primeiros dias de maio, findas as ações de guerra , com outros companheiros do 6º RI, rumamos de tão longe, para ao local em que havia deixado o Ten Pinto Duarte. Não me traiu a memória e, coberto por um galho, lá estava o corpo que procurávamos, sacrificado naquele fim de jornada de 31 de outubro de 1944.
Em caixão improvisado dirigimo-nos ao Cemitério Brasileiro, em Pistóia, onde esperaria a sua transladação para o Brasil. "
Fonte:Ass.Nacional dos Ex-Combatentes

Bilhete encontado no bolso da farda de um soldado desconhecido, morto no primeiro ataque a Monte Castelo.


Cemitério dos soldados brasileiros mortos em serviço, localizado em Pistoia, na Itália


"Escuta Deus,
Jamais falei contigo.
Hoje quero saudar-te-: Bom dia! Como vais?
Sabes? Disseram que tu não existe e eu, tolo, acreditei que era verdade.
Nunca havia reparado tua obra.
Ontem à noite da trincheira rasgada por granadas, vi teu céu estrelado e compreendi então que me enganaram.
Não sei se apertarás minha mão .Vou te explicar e hás de compreender.
É engraçado: neste inferno hediondo achei a luz para enxergar teu rosto.
Dito isto já não tenho muita coisa a te contar.
Só que... que... tenho muito prazer em conhecer-te.
Fazemos um ataque à meia noite.
Não tenho medo.
Deus, sei que tu velas...
Ah! É o clarim! Bom Deus, devo ir-me embora.
Gostei de ti, vou ter saudade.
Quero dizer, será cruenta a luta, bem o sabes, e esta noite pode ser que eu vá bater a tua porta!
Muito amigos não fomos é verdade.
Mas sim... estou chorando!
Vê Deus, penso que já não sou tão mau.
Bom Deus, tenho que ir. Sorte é coisa bem rara.
Juro porém que já não receio a morte... "

Fonte: Ass.Nacional dos Ex-Combatentes

A misericórdia de Saburo Sakai sobre a selva de Java.



Saburo Sakai, um piloto de caça que serviu do Serviço de Aviação da Marinha Naval Japonesa de 1934 a 1945, foi o ás com mais vitórias no Pacifico durante a Segunda Guerra Mundial, com um registro de 64 aeronaves destruídas, entre Chinesas e de outros aliados. Lutou a maior parte da guerra no pacifico com o caça A6M2 "Zero", segundo a opinião de alguns a máquina de combate aéreo mais ágil ha ver ação em qualquer lado do conflito.
Esta pequena historia encantadora da carreira de Sakai surgiu na imprensa japonesa vários anos atrás. Eu tentei localizar de novo alguns dos artigos relacionados a isto desde então, mas não tive nenhuma sorte. Porém, eu me lembro da maioria dos detalhes, assim eu tentarei relatar o melhor quanto que minha memória permitir:
Vários anos atrás, uma enfermeira de exército holandês -- agora uma mulher aposentada na faixa de 70 anos -- contatou a Cruz Vermelha japonesa (ou alguma organização caridosa semelhante), tentando localizar um piloto de caça japonês que poupou a vida dela em algum lugar em cima de Java (Nova Guiné?) em um dia em 1942. De acordo com o relato dela do evento, ela estava voando em um avião-ambulância DC-3 (C-47) do exército holandês a baixa altitude em cima de selva densa. A bordo estavam soldados feridos e várias crianças que estavam sendo evacuadas de uma área de combate. De repente, um caça "Zero" japonês apareceu ao lado do avião. A enfermeira pode ver as características faciais do piloto japonês claramente. Ela e algumas das crianças (!) se levantaram na cabine minúscula e pelas janelas de cabina do piloto dos DC-3 e começaram a acenar freneticamente para que ele se afastasse. Não é difícil imaginar o pânico que eles devem ter experimentado enquanto gesticulavam como se as vidas deles dependessem disto (e dependiam!).





Depois de alguns momentos eternos do que deve ter sido um terror completo para os passageiros que desesperadamente gesticulavam, o "Zero" um rápido sinal com a asa, antes de se afastar e desaparecer do campo de visão. A cabina do piloto e o cubículo do DC-3 estavam cheios de alegria e suspiros de alívio.

Durante cinqüenta anos, a enfermeira holandesa tinha vontade de encontrar o piloto japonês que poupou a vida dela, como também as vidas dos soldados feridos e crianças, naquele dia. Com um golpe de sorte, a Cruz Vermelha japonesa pôde localizar o piloto do Zero, e era não menos que Saburo Sakai que estava voando uma espécie de patrulha de combate no dia em questão. Quando perguntou se ele se lembrava do incidente, Sakai respondeu que sim, e que ele tinha pensado em derrubar o avião por um breve momento, como alto comando tinha instruído o caça de patrulha para derrubar qualquer e toda a aeronave inimiga que encontrasse, estando ela armada ou não. Quando ele viu as mãos ondulantes e faces cheias de horror nas janelas dos DC-3, porém, ele foi movido a clemência e pensa que qualquer um escolheu viver aquele inferno mereceu sobreviver. Aparentemente, ele não experimentou sentimentos tenros semelhantemente para muitos aviadores militares aliados que passaram pela mira de suas armas nos três anos subseqüentes de combate aéreo, mas naquele dia em cima das selvas de Java, ele mostrou clemência. É uma história de um tipo que é tristemente raro nos anais da história militar japonesa na Segunda Guerra Mundial, mas uma que, todavia, mostra que até mesmo os mais ferozes dos guerreiros podem ser capazes de compaixão humana.


A6M2 "Zero"

Logo apos a guerra, não só intimidado com a perda de vidas que os seus compatriotas tinham sofrido, mas buscando compensação para a perda de vidas que ele tinha provocado através de sua mira e seu gatilho, Sakai se tornou assistente budista secular, uma devoção que ele continua até hoje. De acordo com Sakai, ele não matou qualquer criatura, "nem mesmo um mosquito", desde a última vez que ele pisou da cabine de seu A6M5 "Zero", em um dia quente de agosto em 1945.

Escrito por: Bucky Sheftall

sexta-feira, 24 de julho de 2009

PzKpfw IV Ausf. D

PzKpfw IV Ausf. D

PzKpfw IV D (Panzer IV)
Carro de combate leve (Krupp)


Fabricante: Krupp - Alemanha
Tripulação: 5
Comprimento: 5.91 - Largura: 2.86M - Altura: 2.68M
Peso vazio: 18100Kg. - Peso preparado para combate: 20000Kg.
Motor/potência/capacidades
Sistema de tracção:Lagartas
Motor: Maybach HL 120TRM Potência: 300 cv
Velocidade máxima: : 42 Km/h - Velocidade em terreno irregular: 20 Km/h
Tanque de combustível: 470 Litros Autonomia máxima: 200Km


Armamento básico
- 1 x 75mm KwK Mod.37 L/24 (Calibre: 75mm - Alcance estimado de 1Km a 1Km)
- 2 x 7,92 Dreyse L/57 MG-34 (Calibre: 7.92mm - Alcance estimado de 1.2Km a 1.2Km)

Sistema de radar auxiliar:
Embora produzidos em pequenas quantidades, os primeiros PzKpfw-IV viram acção de combate na Polónia em 1939 e na França em 1940.
No inicio da guerra, os alemães consideravam o Pz.III superior ao Pz.IV, mas mesmo sendo apenas carros de combate de apoio, eles foram muitas vezes utilizados contra os tanques franceses, especialmente a distâncias curtas, onde o seu canhão era mais eficiente. Os carros 4 também participaram na campanha da Jugoslávia, na invasão da Grécia e estiveram também no deserto.
Como aconteceu com outros veículos alemães, eles foram vistos como pouco eficientes perante os carros russos que começaram a aparecer em 1941 onde em algumas batalhas de tanques, os alemães não conseguiram vencer os tanques russos KV-1, mesmo disparando os seus projecteis a curta distância, e tinham que se apróximar demasiado dos T-34 para os destruirem.
Os alemães ainda fizeram entrar aos erviço a versão E e F, com uma torre com mais blindada, antes de alterarem o canhão principal do carro.

Embora fosse o mais pesado carro de combate alemão até 1941, a série «Ausf.D» do Panzer-IV que representa as várias séries iniciais armadas com canhão curto de 75mm, não tinha a função de lutar contra outros tanques inimigos, mas sim a função de apoio.
É um erro comum quando se fazem comparações na fase inicial da guerra e se compara este veículo blindado, com os veículos blindados de outros países belingerantes, pois o Panzer-IV série-A a série-D não tinha como função principal o ataque contra outras formações blindadas.
Como prova disto, está a organização das unidades blindadas alemãs, que apenas possuiam uma companhia equipada com este tanque em cada batalhão Panzer, enquanto que dispunham de duas ou três companhias equipadas com o Panzer -III, esse sim dedicado à função anti-tanque e destinado a atacar os veículos blindados inimigos.
Apenas 35 unidades do Panzer IV modelo A (18 toneladas) foram produzidas pela Krupp, que ganhou o concurso para o fornecimento deste carro de combate. Novas versões se seguiram com inovações e modernizações essencialmente relacionadas com o aumento da blindagem, dado que o veículo na essência não foi alterado.
O «Panzer IV» ou blindado 4, como lhe chamavam os alemães foi sendo alterado, ainda antes da guerra, surgindo as versões B, C, que foram versões de desenvolvimento. As versões D, E e F foram produzidas em em maior número.
Todas estas versões, mantiveram a mesma função de apoio e por isso estavam armadas com o canhão de 75mm de baixa pressão, o qual era eficiente contra veículos pouco blindados e contra infantaria, mas que tinha dificuldade em perfurar a blindagem dos tanques pesados dos franceses e dos britânicos e mais tarde dos soviéticos.
As séries iniciais do Panzer-IV com canhão curto, foram produzidas nos seguintes numeros:

Versão A: 35 unidades (a partir de Out/1937)
Versão B: 42 unidades (a partir de Abr/1938)
Versão C: 134 unidades (a partir de Set/1938)
Versão D: 231 unidades (a partir de Out/1939)
Versão E: 200 unidades (a partir de Set/1940)
Versão F1: 470 unidades (a partir de Abr/1941)

Versão F2: 175 unidades (canhão L/43) (a partir de Mar/1942)
a versão F 2 é uma versão de transição, pois embora mantenha as características dos restantes veículos, é o primeiro carro a receber o novo canhão longo de 75mm

Total das versões iniciais: 1287 veículos

De tanque de apoio a tanque principal
Quando se verificou em 1940 que o Panzer-III com o seu pequeno canhão de 37mm não era eficiente para destruir os tanques franceses mais pesados ou os tanques britânicos, pensou-se no Panzer-IV como opção para a colocação de um canhão mais potente, o que já tinha sido considerado desde a concepção inicial do tanque, mas embora os estudos para um carro de combate mais pesado tivessem sido recomeçados, eles não receberam especial prioridade.
A opção que se tomou, foi em vez disso a de trocar o canhão de 37mm do Panzer-III por um canhão de 50mm.
No entanto, quando a Alemanha invadiu a URSS em 22 de Junho de 1941, o Panzer-IV com o seu canhão de cano curto, continuava a ser o carro mais pesado que os alemães tinham no terreno, embora a sua função continuasse a ser a de carro de combate de apoio.
Os Panzer-III com canhão de 50mm que os alemães tinham colocado ao serviço, embora superior aos modelos armados com o canhão de 37mm, mostrou ser inutil contra os tanques soviéticos T-34 e KV-1.
Esta evidência leva a que soluções de emegência sejam adoptadas, e mesmo com o seu canhão curto de 75mm, o Panzer-IV vai passar a ser utilizado como tanque principal.
Embora não preparado para o efeito, uma solução de emergência consistiu em distribuir uma nova munição que podia ser utilizada no canhão de cano curto, tendo alguma eficácia cointra carros de combate. A solução era mais cara, e só com as versões seguintes (O F2 é o primeiro Panzer IV a receber um canhão adequado para combater contra blindados).
A solução demora vários meses a aparecer e os primeiros carros armados com o novo canhão (capaz de disparar um projectil ao dobro da velocidade) só começa a ser entregue às unidades Panzer a partir de Março de 1942, nove meses após o inicio da invasão da União Soviética.



PzKpfw IV Ausf. D

Informação genérica:
Numericamente, trata-se do mais importante carro de combate alemão durante a II Guerra Mundial. O Panzer.IV foi o unico tanque alemão produzido durante toda a guerra, e provavelmente durante mais tempo que qualquer outro carro de combate durante o conflito.
Inicialmente o Panzer-IV era um tanque de apoio, com um canhão de 75mm destinado não a perfurar a blindagem dos tanques inimigos, mas sim a atacar a infantaria inimiga em pontos fortificados, onde uma peça de alta velocidade não tinha grande utilidade. A função de atacar os blindados inimigos estava aliás destinada ao Panzer-III (mais pequeno).
Mas a partir de 1941, com a invasão da União Soviética, os alemães entenderam que o armamento de 37mm e de 50mm dos seus tanques Panzer-III não era suficiente para derrotar a blindagem dos tanques russos T-34 e KV-1, que embora estivessem operacionais apenas em pequenas quantidades, foram considerados como uma ameaça temível.
Tendo chegado à conclusão de que o Panzer III (por definição o veículo destinado à função anti-tanque) era muito pequeno para colocar canhões maiores, foi decidido que o Panzer-IV (como também era conhecido o PzKpfw-IV) seria o principal tanque alemão na luta contra a Rússia.
A partir de 1941, e como resultado da invasão da URSS o Panzer IV, que era o maior tanque alemão, mas não tinha sido concebido para atacar blindados, começa a ser modificado com o objectivo de alterar completamente a sua função. .
Logo no inicio da Operação Barbarosa (e de emergência), a industria alemã produziu uma munição especial, que podia ser disparada do canhão KwK-37-L/24 e ser eficiente contra os tanques russos, mas mesmo assim as suas prestações não eram vistas como suficientes.
Pouco mais tarde os Panzer IV passaram receber um canhão de 75mm de alta velocidade (Ver PzKpfw IV/F), o qual foi posteriormente modificado para um cano do mesmo calibre mas ainda mais longo.
O Panzer IV não era claramente o mais eficiente carro de combate alemão, mas ele foi mantido em produção durante muito tempo nas linhas de montagem alemãs por absoluta falta de opções. Mesmo quando Hitler decidiu fechar as linhas de produção do Panzer IV os generais alemães opuseram-se porque a industria não conseguia produzir suficientes números de tanques Panther (PzKpfw-VI) e Tiger (PzKpfw-V).
O Panzer-IV esteve ao serviço durante toda a guerra e mesmo em 1945 ainda havia várias unidades ao serviço
Notar que o chassis do Panzer IV foi utilizado para várias versões adicionais que são descritas separadamente, como por exemplo o canhão de assalto «Sturmgeschutz-IV», ou o caça-tanques «Panzerjager-IV», entre outros.

terça-feira, 21 de julho de 2009

PzKpfw IV F2 / G


PzKpfw IV Ausf. F2 com um canhão de 75mm L43


PzKpfw-IV F2 / G (Panzer IV)
Carro de combate leve (Krupp)


Fabricante: Krupp - Alemanha
Tripulação: 5
Comprimento: 5.91 - Largura: 2.86M - Altura: 2.68M
Peso vazio: 22000Kg. - Peso preparado para combate: 23500Kg.
Motor/potência/capacidades
Sistema de tracção:Lagartas
Motor: Maybach HL 120TRM 12V Potência: 300 cv
Velocidade máxima: : 40 Km/h - Velocidade em terreno irregular: 16 Km/h
Tanque de combustível: N/disponível Autonomia máxima: 210Km


Armamento básico
- 1 x 75mm KwK / StuK-40 L/43 (Calibre: 75mm - Alcance estimado de 1.3Km a 1.3Km)
- 2 x 7,92 Dreyse L/57 MG-34 (Calibre: 7.92mm - Alcance estimado de 1.2Km a 1.2Km)

Sistema de radar auxiliar:
A versão «G» foi uma versão intermédia do tanque IV. A principal característica deste modelo é a utilização de um canhão de cano longo (43 calibres) em substituição do canhão de cano curto que caracterizava este carro de combate alemão, inicalmente concebido para a função de apoio e não para a função de combater directamente os tanques inimigos.
Na verdade o primeiro modelo a receber este novo canhão foi o modelo F, que ficou conhecido como modelo «F2».
A produção da série «F2» foi o resultado da urgente necessidade de um carro de combate com um canhão de 75mm de alta velocidade de disparo e que pudesse perfurar a blindagem dos tanques russos como o T-34 e o mais pesado KV-1.

Um novo tanque e uma nova utilização táctica
Quando o Panzer IV modelo «F2» em Março e o modelo «G» em Maio aparecem na frente de batalha[1], eles aparecem como carros de combate completamente novos, pois a sua função principal deixou de ser a de tanque de apoio, para passar a ser o carro de combate principal da Alemanha, que tinha sido inicialmente desenhado para ser um tanque dedicado a dar apoio aos blindados contra posições de infantaria, passou de um momento ao outro a ser o principal tanque alemão.

Um tanque para enfrentar o T-34
A introdução do Panzer IV G, deu às unidades blindadas da Wermacht uma sensação de segurança e invulnerabilidade que está documentada. Depois dos reveses do Inferno de 1941, em que os alemães tinham recuado na frente de Moscovo, as tropas blindadas estavam convencidas de que dispunham agora de um carro de combate capaz de combater com o T-34 de igual para igual. Essa vantagem teórica está expressa no sentimento das unidades alemães que em 1942 avançaram pela Ucrânia até Estalinegrado.

Mas na realidade embora com uma qualidade de construção elevada, tipica das fábricas alemãs, o projecto não permitia aumentar muito mais a potência da sua arma principal, embora o projecto tivesse sido levado ao limite com as versões seguintes com a introdução do canhão de 75mm e 48 calibres.
Além do armamento, o modelo «G» do Panzer IV também se caracterizou por mais um aumento e reforço na blindagem, nomeadamente frontal, e os últimos modelos «G», além do canhão L/48 também receberam saias adicionais de protecção.
Embora armados com o novo canhão longo, estes carros de combate continuavam a ter capacidade para utilizar a munição mais antiga, adequada para lutar contra posições de infantaria ou para disparar contra viaturas não blindadas. Esta capacidade foi explorada durante os combates do final de 1942 em Estalinegrado, em que várias unidades blindadas estavam equipadas com estes modelos e foram utilizadas nos combates de rua contra ninhos de metralhadoras e posições fortificadas pelos soviéticos.
Inicialmente foram produzidos 1275 (modelo SdKfz 161/1) veículos equipados com o canhão L/43, introduzidos a partir de Maio de 1942 e numa sub-série mais pequena, foi posteriormente introduzido o canhão L/48 (mais longo e com maior alcance) numa série que totalizou 412 unidades, introduzida a partir de Março de 1943 (modelo SdKfz 161/2).


PzKpfw IV Ausf G com o canhão L/43, menor em comprimento e de menor alcance.

PzKpfw IV Ausf G com o canhão L/48, mais longo e de maior alcance.


Informação genérica:

Numericamente, trata-se do mais importante carro de combate alemão durante a II Guerra Mundial. O Panzer.IV foi o unico tanque alemão produzido durante toda a guerra, e provavelmente durante mais tempo que qualquer outro carro de combate durante o conflito.
Inicialmente o Panzer-IV era um tanque de apoio, com um canhão de 75mm destinado não a perfurar a blindagem dos tanques inimigos, mas sim a atacar a infantaria inimiga em pontos fortificados, onde uma peça de alta velocidade não tinha grande utilidade. A função de atacar os blindados inimigos estava aliás destinada ao Panzer-III (mais pequeno).
Mas a partir de 1941, com a invasão da União Soviética, os alemães entenderam que o armamento de 37mm e de 50mm dos seus tanques Panzer-III não era suficiente para derrotar a blindagem dos tanques russos T-34 e KV-1, que embora estivessem operacionais apenas em pequenas quantidades, foram considerados como uma ameaça temível.
Tendo chegado à conclusão de que o Panzer III (por definição o veículo destinado à função anti-tanque) era muito pequeno para colocar canhões maiores, foi decidido que o Panzer-IV (como também era conhecido o PzKpfw-IV) seria o principal tanque alemão na luta contra a Rússia.
A partir de 1941, e como resultado da invasão da URSS o Panzer IV, que era o maior tanque alemão, mas não tinha sido concebido para atacar blindados, começa a ser modificado com o objectivo de alterar completamente a sua função. .
Logo no inicio da Operação Barbarosa (e de emergência), a industria alemã produziu uma munição especial, que podia ser disparada do canhão KwK-37-L/24 e ser eficiente contra os tanques russos, mas mesmo assim as suas prestações não eram vistas como suficientes.
Pouco mais tarde os Panzer IV passaram receber um canhão de 75mm de alta velocidade (Ver PzKpfw IV/F), o qual foi posteriormente modificado para um cano do mesmo calibre mas ainda mais longo.
O Panzer IV não era claramente o mais eficiente carro de combate alemão, mas ele foi mantido em produção durante muito tempo nas linhas de montagem alemãs por absoluta falta de opções. Mesmo quando Hitler decidiu fechar as linhas de produção do Panzer IV os generais alemães opuseram-se porque a industria não conseguia produzir suficientes números de tanques Panther (PzKpfw-VI) e Tiger (PzKpfw-V).
O Panzer-IV esteve ao serviço durante toda a guerra e mesmo em 1945 ainda havia várias unidades ao serviço
Notar que o chassis do Panzer IV foi utilizado para várias versões adicionais que são descritas separadamente, como por exemplo o canhão de assalto «Sturmgeschutz-IV», ou o caça-tanques «Panzerjager-IV», entre outros.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Elisabeth Volkenrath (Guarda feminina dos campos)


Elisabeth Volkenrath (1919 — Hameln, 13 de dezembro de 1945) foi uma integrante da SS, que trabalhou como supervisora em diversos campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial.
Elizabeth treinou para a função em Ravensbruck e em 1943 foi para Auschwitz-Birkenau como guarda feminina, onde tomou parte em abusos físicos a prisioneiros, enforcamento e torturas.

Transferida para Bergen-Belsen no final da guerra, lá foi presa pelos britânicos, sendo levada a julgamento por crimes de guerra, junto a outras guardas femininas dos campos da morte, entre elas, "A Besta de Bergen-Belsen", Irma Grese. Foi condenada à morte e enforcada na prisão de Hameln em 13 de dezembro de 1945, aos 26 anos de idade.

Fonte: pt.wikipedia.org/wiki/Elisabeth_Volkenrath‎

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Chindits

Os Chindits (Oficialmente em 1943 chamados de 77ª Brigada de Infantaria Indiana e em 1944 de 3ª Divisão de Infantaria Indiana) era uma unidade de "Special Service" do Exército britânico na Índia que serviu na Birmânia e na Índia nos anos de 1943 e 1944durante a Campanha da Birmânia na Segunda Guerra Mundial. Seus soldados foram treinados para para operarem como grupos de penetração de longo alcance na selva, operando profundamente atrás das linhas japonesas. A maioria dos membros dos Chindits vinham de unidades do Exército britânico e unidades GURKHAS do Exército britânico na Índia. O pessoal recrutado na Birmânia serviu como tropas de reconhecimento. Pilotos americanos foram anexados aos Chindits, ou serviram especificamente em uma unidade da USAAF formada para apoiar os Chindits em campo.
5 de março de 1944. Nos aeródromos da Índia se encontram alinhados dezenas de planadores americanos. Junto a eles, os chindits de Wingate aguardam o momento de subir a bordo. Formados em colunas, levam equipamento de campanha: uniforme verde, fuzis e pistolas-metralhadoras, morteiros, granadas e punhais Muitos usam barba. Um chapéu de abas largas, de feltro, os protege do sol. A empresa na qual estão todos empenhados tem a denominação de "Operação Assombração" e envolve o vôo noturno em planadores e aviões de transporte de 10.000 soldados e 1.000 animais de carga.
Os aparelhos em vôo sobrevoarão as montanhas da fronteira para, posteriormente, lançar os homens no coração da floresta birmânica. Até aquele momento, com exceção do ataque alemão à ilha de Creta, nunca se presenciara uma operação aerotransportada semelhante. Promotor de tal façanha é o chefe dos chindits, Orde Wingate.
Executando a estratégia de luta na retaguarda defendida pelo chefe inglês, definida por este com a frase "meter-se nas tripas do inimigo", os chindits (nome de um estranho ser mitológico, guardião dos templos, metade leão, metade águia) combateriam internados profundamente no território inimigo, abastecidos permanentemente pelo ar, pelas unidades da aviação americana.


Estoque de suprimento aereo

Os chindits gozavam de uma merecida fama nesse tipo de luta. Em 1943 haviam realizado, com Wingate à frente, uma audaciosa campanha na floresta da Birmânia. Contudo, havia agora uma diferença na operação que acabavam de iniciar. Em 1943, as tropas penetraram na Birmânia, a pé, e foram abastecidas pelo ar. Agora as mesmas tropas seriam transportadas por via aérea. A expedição anterior consistira numa série de incursões levadas a cabo contra vias de comunicação, cumpridas por grupos reduzidos. Agora tratava-se de uma verdadeira invasão pelo ar. Os "fantasmas verdes", como eram chamados pelos japoneses, contariam desta vez com material pesado, transportado pelos aviões. Seus sacrifícios, contudo, seriam os mesmos. Assim são eles descritos por um escritor e militar britânico: "Os soldados dessas colunas errantes necessitavam de resistência mais que nenhuma outra qualidade. Tinham que carregar todo o seu equipamento nas costas: comidas, cobertores, utensílios, equipamentos individuais de primeiros socorros e, além disso, suas armas e munições. Possuíam animais de carga, porém havia pesados aparelhamentos de rádio, morteiros e feridos que deviam ser transportados sobre eles, atados com cordoame especial. Há um limite para o número de mulas que uma coluna pode empregar com rendimento útil. Não restavam, portanto, animais disponíveis para aliviar a carga que os soldados transportavam sobre seus ombros. As enfermidades e os ferimentos eram o problema mais árduo. Era impossível evitar a malária. Não se podiam utilizar mosquiteiros durante a marcha, pois os mesmos não tardavam a virar simples trapos pela vegetação densa da mata. Por outro lado, se os soldados utilizassem cremes contra os mosquitos, ficavam com os poros da pele tapados, enlouquecendo de calor. Outras maldições da selva eram a icterícia, a disenteria, o tifo, e as chagas de Naga (doença própria da região) que se alastravam rapidamente, infeccionando-se e tornando insuportáveis os padecimentos. As costas de alguns soldados estavam cobertas com tiras adesivas para cobrir as feridas. Eram pragas inseparáveis da guerra na selva. As tropas, em todas as zonas, sofreram com elas. As colunas a pé que se encontravam em território inimigo tinham que esperar a chegada de aviões para evacuar suas baixas. A evacuação pelo ar foi o maior serviço que Mountbatten assegurou às suas tropas. Milhares de chindits foram levados aos hospitais da Índia por esse meio. Quando os chindits saíram da mata, depois de cinco meses de combate, estavam exauridos e a maior parte deles havia perdido muitos quilos de peso. Contudo, apesar dos padecimentos sofridos, os homens sentiam plenamente as palavras que seu chefe Wingate lhes dirigiu, um dia antes de morrer: "Algum dia vocês se orgulharão de poder dizer: eu estive ali".
De fato, ali, nas selvas da Birmânia, os chindits escreveram uma das páginas mais brilhantes da história do Exército britânico.



Coluna Chindit


Chindits - O Início
O criador dos Chindits era o Brigadeiro Orde Wingate. Ele tinha um brilhante currículo em ações irregulares atrás da linhas inimigas. Na Campanha da África Oriental de 1940–41, Wingate tinha começado a explorar as idéias que ele usou depois com os Chindits, quando ele criou e comandou um grupo misto de tropas regulares sudanesas e etíopes e partisan abissínios. Conhecida como Gideon Force, eles romperam as linhas de provisão italianas e coletavam inteligência para as forças britânicas. Como Comandante Supremo do Oriente Médio em 1940, o General Wavell tinha dado permissão para a operação da Gideon Force. Wingate obteve sua primeira vitória expressiva ao levar à rendição, com 400 homens, na maioria guerrilheiros sudaneses e etíopes treinados por ele, doze mil italianos. Ele então entrara em triunfo, à frente dos seus etíopes, acompanhado do Imperador Haile Selassié, na capital da Abissínia, Adis Abeba.



Soldado Chindt do 2nd Bn. The Black Watch na Birmânia em 1944. Sua arma é uma carabina de selva Nº 5 Lee-Enfield, que é uma versão curta do rifle padrão Nº4 do Exército britânico. A Nº 5 era usada pelos pára-quedistas na Europa. Infelizmente, o novo modelo deu à arma um recuo violento, tornando difícil dispará-la por períodos prolongados.

Ele usa um uniforme verde, que substitui o caqui nas unidades do Exército britânico que lutaram na selva e tem na cabeça o famosa chapéu de mateiro abas moles, muito como com os australianos e neo-zelandeses e que se tornou um símbolo dos Chindits. Ao fundo um C-47, lançando os tão importantes suprimentos que mantiveram esta força operando atrás das linhas inimigas japonesas.

Depois que a Gideon Force foi desmobilizada, Wavell pediu para que Wingate fosse para a Birmânia em 1942, para que ele planejasse o uso de forças irregulares para operarem atrás das linhas japonesas semelhante a maneira na qual Gideon Force tinha operado na Etiópia. Em lugar de organiza forças irregulares na Birmânia, Wingate passou o tempo dele visitando o país e desenvolvendo a teoria dele grupos de penetração de longo alcance.

Depois de realizar um longo estudo sobre a campanha da Birmânia, o moral do exército inglês, a capacidade do japoneses e a hostilidade aos britânicos pelos habitantes das planícies da Birmânia, Wingate chegou a conclusão que era inviável se montar uma campanha de guerrilha que viessem a dar bons resultados a causa aliada. Mas Wingate acreditada que operações de penetração profunda, realizadas com forças regulares, extremamente móveis, apoiadas e abastecidas pelo ar, operando na retaguarda das linhas inimigas poderiam sim ser extremamente úteis na frente birmanesa. Durante as fases finais da retirada britânica da Birmânia, Wingate teve que voar de volta a Índia. Uma vez em Delhi, ele apresentou as suas propostas a Wavell. O General aprovou os seus argumentos e Wingate pode forma a 77ª Brigada de Infantaria Indiana.


A RAF lança suprimento aéreo para os Chindits

A 77ª foi formada gradualmente na área ao redor de Jhansi durante os meses do verão de 1942. Wingate se encarregou do treinamento das tropas em selvas na região central da Índia durante a estação chuvosa. A metade dos Chindits era de soldados de infantaria britânicos oriundos do 13º Batalhão do King's Liverpool Regiment (nominalmente um batalhão de segunda-linha que tinha um número grande de homens mais velhos), e homens formados na Bush Warfare School na Birmânia que formaram a 142ª Companhia de Comando. A outra porção da força era composta do 3º Batalhão do 2nd Gurkha Rifles e 2º Batalhão do Burma Rifles, uma unidade composta formada de vários batalhões esvaziados de tropas birmanesas que tinham se retirado para a Índia em 1942.

Esta nova unidade recebeu o nome de Chindits. O nome foi sugerido pelo Capitão Aung Thin (DSO) do Exército da Birmânia. Chindit é uma forma corrompida do nome sugerido da besta mítica Birmane (metade leão e metade águia) Chinthé ou Chinthay, que são as estátuas que guardam os templos budistas.



Soldado Chindt do 2nd Bn. The Black Watch na Birmânia em 1944. Sua arma é uma carabina de selva Nº 5 Lee-Enfield, que é uma versão curta do rifle padrão Nº4 do Exército britânico. A Nº 5 era usada pelos pára-quedistas na Europa. Infelizmente, o novo modelo deu à arma um recuo violento, tornando difícil dispará-la por períodos prolongados.

Ele usa um uniforme verde, que substitui o caqui nas unidades do Exército britânico que lutaram na selva e tem na cabeça o famosa chapéu de mateiro abas moles, muito como com os australianos e neo-zelandeses e que se tornou um símbolo dos Chindits. Ao fundo um C-47, lançando os tão importantes suprimentos que mantiveram esta força operando atrás das linhas inimigas japonesas.


Os Chindits não eram uma elite; eles eram soldados perfeitamente ordinários de batalhões perfeitamente ordinários treinados por Wingate para realizarem uma extraordinária tarefas. Só 5% desta Força Especial eram de voluntários. Wingate, talvez o mais não-ortodoxo dos oficiais britânicos, não acreditava que um tipo especial de soldado era requerido para participar das missões de penetração de longo alcance. Wingate acreditava sim que soldados bem treinados e liderados poderiam realizar estas missões.

Wingate treinou esta força como unidades de penetração de longo alcance que seriam abastecidas pelo ar, por aviões de transporte aliados, e apoiadas por caças-bombardeiros e bombardeiros, que iriam substituir a artilharia pesada, no novo conceito de Wingate. Eles penetrariam na selva a pé, confiando essencialmente na surpresa da sua mobilidade, tendo como alvos as linhas inimigas de comunicação (uma tática que o japonês previamente tinha usado com grande efeito em Cingapura e na Birmânia em 1942 contra as forças britânicas).
Debaixo dos olhos de Wingate e dos comandantes sobreviventes da primeira expedição Chindit, a Galahad e a Força Especial (Shindits) sofreram o mesmo tipo de regime de treinamento. Havia dois temas primários no treinamento de Chindit. O primeiro era a resistência física. Um Chindit descreveu o programa de treinamento como uma tentativa de provação. O ritmo, duração, e a intensidade do treinamento foram projetados para criar e manter um nível extremo de realismo e de tensão e que exigiam muito resistência física.
A intenção de Wingate era cortar os desqualificados para as operações na selva o cedo, e fazer com que os oficiais e os homens provassem a sua habilidade de suportar e resistir aquele ambiente inóspito. Um do mais célebre comandante Chindit, Brigadeiro Michael Calvert, notou que três ou quatro de seus os comandantes saíram logo do treinamento, pois não tinham resistência para o mesmo. (Eles mais calmos, no entanto, deram uma mão útil no treinamento.) Outra comandante de brigada, John Masters, declarou que ninguém acima de 35 anos deveria ter permissão de permanecer na organização; a tensão física simplesmente estava além da capacidade dessas pessoas.

Os Chindits carregavam cerca de setenta libras por terreno de selva, sob forte calor, chuva, doença e tensão. Submetidos a rações leves e pouco água, os homens foram empurrados para além dos limites que eles pensaram que poderiam suportar. Mas diante dos desafios futuros isto era absolutamente necessário. Sem isto, as baixas dos Chindits teriam sido indubitavelmente mais altas e a sua efetividade baixa. No final do seu treinamento os Chindits tiveram tempo para recuperar suas forças antes de iniciar as operações. Regenerados, os Chindits foram para a Birmânia com moral alto e confiança suprema.

O segundo tema do treinamento era um "jungle craft" - um programa de treinamento no qual a Galahad e a Força Especial Chindit receberam treinamento a nível de expert dentro de todas as habilidades vitais necessárias para se operar atrás das linhas do inimigo sem deixar rastros na selva. Este treinamento incluiu leitura de mapa, navegação na selva, reconhecimento, patrulhando, marcação de alvos, cruzamento de rio, manuseio de botes e barcaças, marcha em coluna, infiltração, operações noturnas, avaliação de terreno, táticas de esquadra, pelotão e companhia, encobrimento de de rastos, fuga e evasão, e operações defensivas.




Tropas Chindits e mulas avançam pela selva.

Em particular, os homens desenvolveram habilidades a nível de perito em leitura de mapa e navegação por terra. Os soldados também treinaram combate corpo-a-corpo e combate de baioneta. Além disso Wingate e o Coronel americano Charles N. Hunter (responsável pelo treinamento da Galahad) insistiram em treinamento cruzado: dentro da Galahad, todo soldado deveria saber usar todas as armas da unidade; líderes de pelotão e NCOs treinaram observação de artilharia e morteiro e o uso de rádios. Caso um operador de rádio, observador avançado de artilharia ou de morteiro se ferisse, ficasse doente ou morresse algum outro soldado estava pronto para substituí-lo. Hunter colocou a ênfase dele em táticas de pelotão, pois acreditava que na selva, todo contato ou operação seriam decididos eventualmente na base da efetividade do pelotão. Os Chindits também focalizaram seu treinamento na iniciativa e na decisão individual.
Durante o período de treinamento, os Chindits desenvolveu também diligentemente procedimentos operacionais padrões para operações que seriam freqüentemente executadas. Assim, esses procedimentos padrões cobriram as atividades como cruzamentos de rio, preparação de zonas de aterrissagem, estabelecimento de portos temporários, iniciativa imediata de conato com o inimigo, e estabelecimento de bloqueios. As unidades deviam ser capazes de executar estes procedimentos com precisão de um relógio e com o mínimo de ordens. Alguns palavras bem escolhidas eram suficientes para iniciar toda uma série de ações integradas baseadas em tarefas individuais e trabalho em equipe.

Além disso, unidades que iriam realizar tipos específicos de operações receberam treinamento extra em habilidades necessárias. Assim, os dois batalhões da 77ª Brigada designados para estabelecer um bloqueio semipermanente em White City passaram quatorze dias aprendendo a montar bunkers na terra, colocar cobertura reforçada e camuflado sobre eles, estabelecer linhas de comunicação por telégrafo e montar campos minados, entre outras tarefas.

Os pelotões de reconhecimento também receberam muito ênfase. Ambos as forças, Galahad e Chindits, usaram os seus melhores homens nestas unidades para prover inteligência e alerta. Os pelotões de reconhecimento eram as elites dos Chindits, e eles precisaram ser. Cada Coluna da Força Especial incluiu um pelotão dos Burma Rifles em seus pelotões de reconhecimento. Calvert acreditava que os Burma Rifles foram os melhores guerreiros do Império. Composto de homens que residiam na Birmânia antes da guerra, os Burma Rifles conheciam o terreno, as pessoas, e sabiam como sobreviver na selva
melhor que qualquer outro batalhão regular no teatro. Valentes e dedicados, os Burma Rifles possuíram habilidades de selva que só foram excedidas pelos Kachin que operaram como guerrilhas no norte distante. Outra área que requereu treinamento especial era o trato com os animais. Pois os Chindits dependiam completamente das suas mulas e cavalos para levar os rádios pesados, munição, rações, e outros materiais vitais.

A estrutura da brigada padrão do Exército britânico foi abandonada. A força era formada ao invés disto em sete colunas, cada uma com três pelotões de infantaria e um pelotão de apoio. Eram anexadas equipes da RAF equipadas com rádios a cada coluna para solicitar apoio aéreo. Duas ou mais coluna eram comandadas por um grupo de QG, que em turnos era comandado pelo QG da brigada.

As armas individuais dos soldados Chindits era o rifle SMLE e a submetralhadora Thompson, cada coluna levava seu próprio complemento de armas de apoio: três morteiros de 2 polegadas, quatro rifles anti-tank Boys, duas metralhadoras médias Vickers, dois armas antiaérea leves e nove metralhadoras leves Bren. Além destas armas, cada coluna levava junto rádios, rações e outros equipamentos, que eram transportados por até mil mulas que também proviam uma uma fonte de comida emergencial, quando a carga que era transportada se acabava.
Cada homem carregava mais de setenta-duas libras de equipamentos que era proporcionalmente mais do as mulas levavam. Este equipamento pessoal incluía rações para sete dias, um machado ou faca kukri dos Gurkhas, sua arma pessoal, munição, granadas, uniforme extra e outros artigos sortido que eram levados em uma mochila Evereste que era essencialmente uma armação de mochila de metal sem qualquer pacote.

Operação Longcloth

Em 1943, Wingate teve a chance de provar em combate o seu conceito. No dia 8 fevereiro de 1943 foi lançada a Operação Longcloth, com 3.000 Chindits liderados por Wingate iniciaram uma marcha em direção a Birmânia. A intenção original tinha sido a de usar os Chindits como parte de uma ofensiva maior, mas esta idéia foi cancelada. Mas Wingate convenceu Wavell de enviar os Chindits para a Birmânia apesar do cancelamento da grande ofensiva.

Ordem de batalha 1ª expedição Chindit - 77th Indian Infantry Brigade:
Brigade HQ
Commander Brig. O.C.Wingate,DSO (late R.A.)
Brigade Major Maj. R.B.G.Bromhead (R.Berkshire Reg)
later Maj. G.M.Anderson (Highland Light Infantry)
Staff Captain Cap. H.J.Lord (Border Regiment)

13 Bn King's Regiment (Liverpool)
3/2nd Gurkha Rifles
142nd Commando Company
2 Bn Burma Rifles
8 RAF Sections
Brigade Signal Section (Royal Corps of Signals)
Mule Transport Company

Dividida em 2 grupos
No 1 (Southern) Group
Commander Lt-Col. Alexander (3/2 Gurkha Rifles)
Adjutant Cap. Birtwhistle (3/2 Gurkha Rifles)
No 1 Column Maj. G.Dunlop,M.C. (Royal Scots)
No 2 Column Maj. A.Emmett (3/2 Gurkha Rifles)

No 2 (Northern) Group
Commander Lt.Col. S.A.Cooke (Lincs Reg,att King's Reg)
Adjutant Cap. D.Hastings (King's Reg)
No 3 Column Maj. J.M.Calvert (R.E.)
No 4 Column Maj. Conron (3/2 Gurkha Rifles)
later Maj. R.B.G.Bromhead (R.Berkshire Reg)
No 5 Column Maj. B.E.Fergusson (Black Watch)
No 7 Column Maj. K.D.Gilkes (King's Reg)
No 8 Column Maj. W.P.Scott (King's Reg)

2 Bn Burma Rifles
Commander Lt.Col L.G.Wheeler (Burma Rifles)
Adjutant Cap. P.C.Buchanan (Burma Rifles)

A força foi dividida em sete colunas, cada uma formava uma força independente (comandada por um major) de trezentos homens, com seu próprio trem de mulas, armas pesadas e um destacamento de sinalização da RAF. Sua missão era testar o conceito de operações de penetração de longo alcance de Wingate — e foram empregadas em ataques do tipo hit-and-mu (atacar e correr) ao longo da ferrovia que ligava Mandalai a Myitkyina. Os Chindits cruzaram o Rio Chindwin no dia 13 de fevereiro de 1943 e enfrentaram as primeiras tropas japonesas dois dias depois. Duas colunas marcharam para o sul e receberam provisões pelo ar em plena luz do dia, para criar uma impressão de que eram o ataque principal. Eles até tinham um homem que personificava um general britânico junto deles, para tornar o ardil mais factível. A RAF montou vários ataques contra objetivos japoneses para apoiar a ação diversiva. Estas colunas viraram para o leste no começo da marcha e atacaram no sentido norte-sul. Uma coluna levou a cabo demolições ao longo da estrada de ferro mas a outra coluna foi emboscada. A metade da coluna emboscada voltou à Índia

Cinco outras colunas se dirigiram para o leste. Duas, sob o comando de Michael Calvert e Bernard Fergusson, atacaram a principal estrada de ferro no sentido norte-sul. No dia 4 de março, a coluna de Calvert chegou ao vale e demoliu a estrada de ferro em 70 lugares. Fergusson chegou dois dias depois para fazer o mesmo. Apesar destes sucessos, porém, a estrada de ferro só ficou incapacitada temporariamente, e retomou operação logo após.
Em muitas ocasiões, os Chindits não puderam retornar com seus feridos; alguns foram deixados para trás em aldeias aliadas. Wingate tinha emitido ordens específicas para deixar para trás todos os feridos, mas estas ordens não foram seguidas estritamente. Freqüentemente não havia nenhum caminho estabelecido na selva ao longo das suas rotas, e muitas vezes eles tiveram que criar a sua própria rota com machados e kukris (e em uma ocasião, usaram até um elefante). Um único esquadrão de 6 aviões da RAF supriu a força de ataque.
Uma vez na Birmânia, Wingate mudava as vezes repentinamente os seus planos, às vezes sem informar todos os comandantes da coluna. As duas colunas marcharam de volta para a Índia depois que foram emboscadas pelos japoneses em ações separadas. Depois dos ataques a estrada de ferro, Wingate decidiu cruzar o Rio de Irrawaddy. Porém, a área no outro lado do rio não se mostrava adequada para operações. A água era difícil obter e a combinação de rios com um bom sistema de estradas na área permitiu ao inimigo forçar os Chindits a operarem um espaços cada vez menores.


Coluna Chindit passa pela vila de Burmese



Colunas Chindits atravessam curso d'agua

Em fins de março, Wingate tomou a decisão de retirar a maioria da força, mas enviou ordens a uma das colunas de continuar para o leste. As operações tinham alcançado o limite de gama da provisão por ar e a possibilidade de ações bem-sucedidas contra o inimiga se esgotavam rapidamente. As colunas foram divididas para a sua volta à Índia. Na viagem de volta as ações mais difíceis envolveram o cruzamento do Rio Irrawaddy. Os japoneses tinham observadores e patrulhas desde o início do banco do rio e podiam concentrar forças rapidamente no ponto certo assim que descobrissem uma tentativa de cruzamento. Gradualmente, todas as colunas divididas em grupos pequenos começaram a travessia. O QG de Wingate voltou à Índia à frente da maioria das colunas. Pela primavera e até mesmo no outono de 1943 grupos individuais de Chindits retornaram para a Índia. O exército fez o que pode para trazer esses homens de volta. Em um caso, um avião pousou em uma clareira aberta e os feridos foram evacuados por via aérea. Parte de uma coluna chegou na China. Outra porção dos homens escapou para distante norte da Birmânia. Outros foram capturados ou morreram.

Ao final de abril, depois de três meses de missão, a maioria dos Chindits sobreviventes tinha cruzado o rio Chindwin, depois de terem marchado entre 750-1000 milhas. Dos 3,000 homens que tinham começado a operação, um terço (818 homens) tinha morrido em combate, feito prisioneiro ou morrido de doenças (malária, beribéri, etc.) e dos 2.182 homens que voltaram, estavam tão debilitados que aproximadamente 600 deles também feridas ou infectados tiveram que dá baixa do serviço ativo. Dos homens restantes, Wingate praticamente escolheu a mão os que queria, enquanto o resto voltou para exército regular como parte dos seus batalhões originais. Apesar de resultados questionáveis e até certo ponto difíceis de se avaliar, a missão foi considerada um sucesso, pois provou a viabilidade de operações de penetração de longo alcance na selva, em que as unidades operavam de forma extremamente móvel, na formação de colunas, e eram abastecidas pela força aérea. A operação foi considerada um sucesso porque levantou a moral do povo britânico, mostrando que os japoneses podiam ser combatidos e vencidos na selva, derrubando assim um mito.

Interlúdio

Após a sua incursão Wingate escreveu um relatório da operação que era controverso por muitas razões inclusive por conter ataques a oficiais que serviram sob seu comando. O relatório tinha uma tendência de desculpar qualquer engano feito por seu autor (Wingate) enquanto fazia ataques viciosos a outros oficiais, freqüentemente baseado em informação limitada. Eventualmente, através de seus aliados políticos em Londres, uma cópia do relatório de Wingate foi dada a Winston Churchill que ficou impressionado com o conteúdo do mesmo e levou Wingate a Conferência de Quebec em agosto de 1943. Esta era uma conferência de auto nível realizada no Canadá, por Winston Churchill e Roosevelt.

Neste encontro foi decidido dar uma nova organização às forças que enfrentavam os japoneses na frente da Birmânia. Foi criado então o chamado Comando Aliado do Sudeste da Ásia, que ficou sob as ordens do Almirante Lorde Louis Mountbatten. Este exercera, até aquele momento, o direção das forças de comandos. Era considerado um ótimo estrategista, um excelente coordenador de equipes interaliadas e um especialista na guerra anfíbia.
A decisão de dar maior importância às operações na Birmânia fora determinada, em grande parte, pelos entusiastas argumentos do Brigadeiro Orde Wingate. Wingate nas reuniões mantidas com Churchill, em Quebec, conseguira convencer o líder britânico, inclinando-o a favor dos seus planos da necessidade de se usar Grupos de Penetração de Longo Alcance (GPLA) no teatro de operações CBI (China-Birmânia-Índia). Wingate declarou a Churchill que a chave da luta na selva estava no céu, isto é, que era necessária uma poderosa força aérea para alcançar o triunfo. Essa força aérea abasteceria e daria apoio de fogo aos GPLA. Mountbatten aceitou com entusiasmo as idéias de Wingate e obteve, por parte do General Arnold, chefe da Força Aérea norte-americana, a cessão de importantes efetivos aéreos de transporte.O Exército dos EUA também começou seus próprios planos para forma seu Grupos de Penetração de Longo Alcance que se tornaria os Merrill's Marauders.
Enquanto os membros da primeira expedição de Wingate estava retornando para a Índia, uma segunda Brigada de Penetração de Longo Alcance, a 111ª Brigada de Infantaria Indiana estava sendo formada. Popularmente conhecida como Os Leopardos, a brigada foi criada por Wavell sem o conhecimento de Wingate que ainda estava na Birmânia e que era conhecido por ter uma antipatia forte em particular para com Exército indiano, suas formações de tropa diversas, e seus oficiais britânicos. O General Wavell selecionou pessoalmente o comandante da 111ª Brigada, o Brigadeiro Walter Lentaigne.



Suprimento aereo

Wavell pretendia usar duas brigadas Chindits alternadamente durante o ano de 1944. Enquanto uma brigada estava operando atrás de linhas japonesas durante de dois a três meses, a outra estaria descansando na Índia, treinando e se planejando para a próxima operação. Porém, quando Wingate voltou de Quebec com autoridade para implementar seus planos mais ambiciosos para a segunda expedição, ele requereu uma força maior, que seria ampliada para seis brigadas. Wingate recusou usar formações do Exército indiano nesta força, porque ele afirmava que o seu treinamento em técnicas de penetração de longo alcance levaria mais muito tempo e a sua manutenção por via aérea seria difícil devido às exigências dietéticas variadas dos Gurkha e das diferentes castas religiosas indianas, embora ele teve pouca escolha senão de aceitar a 111ª Brigada, e dois batalhões Gurkha da 77ª Brigada.
Desde então foram requeridos grandes números de infantaria britânica treinada, três Brigadas (14º, 16º, 23º) foram acrescentadas aos Chindits oriundas da 70ª Divisão de Infantaria britânica experiente, muito contra a vontade do Tenente General William Slim e de outros comandantes que desejaram usar a divisão em um papel convencional. Uma sexta brigada foi acrescentada à força levando trazendo uma brigada da 81ª Divisão britânica (África Ocidental).

Cada brigada era dividida em colunas e um QG. Uma coluna tinha aproximadamente 400 homens e tipicamente consistiu de:

- Companhia de infantaria com quatro pelotões armados com rifles e submetralhadoras (Sten ou Thompson);
- Pelotão de armas pesada, armado com 2 metralhadoras Vickers, 2 morteiros de 3 polegadas, 1 lança-chamas e 2 armas antitanque PIAT.
- Pelotão de comando para demolições e fixação de armadilhas.
- Pelotão de reconhecimento com um oficial britânico e soldados birmaneses Burma Rifles (das tribos Karen e Kachin)
- A coluna também incluiu destacamentos da RAF, sapadores, sinaleiros e serviço médico. O destacamento da RAF incluía um piloto ativo e era responsável para dirigir todo o apoio aéreo e a evacuação aérea de feridos



Relação das armas usadas pela infantaria Chindits. De cima para baixo:

1-Rifle No. 4 Mark 1.
2-Rifle No. 5 with bayonet.
3-Bren gun Mark 1.

4-M1928 Thompson submachine gun

5-No. 36 hand grenade or mills bomb
6-Sten gun Mark 2.
7-Enfield .38 Mark 1 pistol.

8-PIAT (Projector, infantry, anti-tank)
9-Boys anti-tank rifle.

Cada coluna tinha aproximadamente 56 mulas, muito menos que na primeira expedição, pois havia mais confiança no suprimento aéreo. As mulas proviam o transporte para a coluna. Foram requeridas dez mulas para levar o equipamento de rádio, inclusive as baterias, geradores e diesel. As mulas restantes levavam outros equipamentos pesados, armas e materiais.

Em Quebec, Wingate tinha tido sucesso também obtendo uma " força aérea privada " para os Chindits, o 1º Comando Aéreo, era também denominado pelas tropas como "O circo de Cochran", em homenagem ao seu chefe, o Coronel americano Philip Cochran, um jovem e audaz aviador de 33 anos. Este seria um digno auxiliar de Wingate na luta que se avizinhava. Sob a condução de ambos os chefes, os Aliados levariam a cabo, na Birmânia, uma dos operações aerotransportadas mais brilhantes de toda a guerra. Outra ajuda americana bem-vinda era o pacote de Ração "K" que, embora provesse calorias insuficientes para operações ativas prolongadas, era de longe melhor que o pacote de ração britânico equivalente.

As forças da segunda operação Chindits, foram chamadas oficialmente 3ª Divisão de Infantaria índia, ou Grupos de Penetração de Longo Alcance, mas o apelido, Chindits, já tinha pegado. A nova força Chindit começou seu treinamento em Gwalior. Os homens foram treinados cruzamento de rios, demolições, emboscadas, sobrevivência na selva, etc. Calvert e Fergusson, ambos promovidos recentemente a brigadeiros, assumiram o comando de dois das brigadas, e eram responsáveis por muito do programa de treinamento e o desenvolvimento do planejamento tático. Wingate estave ausente por um longo período do treinamento, pois esteve na Conferência de Quebec e então ficou doente com febre tifóide por ter bebido água contaminada na África do Norte no seu retorno.

Planos

Os planos para a segunda operação Chindit passaram por muitas revisões. Os métodos da nova Força de Penetração de Longo Alcance em 1944 eram diferentes de 1943. Wingate tinha decidido em sua estratégia criar bases fortificadas atrás das linhas japonesas que enviariam colunas para realizarem ataques a distâncias curtas. Esta mudança acontece em parte devido a presença de patrulhas japonesas fortificadas ao longo da fronteira birmanesa, fazendo com uma repetição bem sucedida da infiltração de 1943 fosse improvável. Em um movimento imaginativo incitado pela garantia do Coronel Philip Cochran, comandante do 1º Comando Aéreo, de que ele poderia transportar tropas e materiais através de planadores, Wingate organizou o tamanho da sua força para entrar na Birmânia por via aérea, enquanto grandemente apressando a habilidade da força para alcançar seus objetivos designados. As unidades se antemão pousariam em planadores em campos abertos pre-selecionados na Birmânia, e os preparariam para receberem o pouso de aeronaves de transporte. O apoio aéreo pródigo provido por pelos coronéis Cochran e Alison se mostrou de extrema importância ao sucesso da próxima operação Chindit.
Wingate também teve planos para uma insurreição geral da população Kachin no norte da Birmânia. Ele lutou em cima destes planos com a liderança da Força 136, do SOE. A Força 136 era responsável pela coordenação de todo movimento de resistência aos japoneses no Extremo Oriente. O pessoal do SOE estava preocupado que uma insurreição prematura dos Kachins sem a presença de uma força permanente do Exército britânico conduziria à matança dos Kachins pelos japoneses ao término das operações. A Força 136 também tinha os seus próprios planos para um levante a ser coordenado com a chegada do Exército regular na Birmânia. Wingate foi convencido a mudar os seus planos. Para complicar ainda mais as coisas o comandante da Força Dah (uma força britânica que liderava irregulares Kachin anexada aos Chindits) não coordenar as suas ações com a Força 136 por razões de segurança.
Em novembro de 1943, o plano global para a campanha de estação seca de 1944 determinada pelo Comando Aliado do Sudeste da Ásia focalizou no uso dos Chindits na reconquista do norte da Birmânia. Estes planos foram aprovados pelos Chefes de Estado Maior Combinados na Conferência do Cairo e embora foram planejadas outras ofensivas na Birmânia que depois foram canceladas, a ofensiva na Frente Norte comandada pelo General americano Joe Stilwell com a participação de Chindits sobreviveu aos cortes.

O Chindits receberam a missão de ajudar as forças chinesas de Joseph Stilwell a ligarem a estrada de Lêdo no norte da Birmânia a Estrada de Birmânia e restabelecer por terra uma ligação com a China, montando uma operação de penetração de longa distância atrás das linhas japonesas que se opunham as forças de Stilwell que vinham do norte. Tinha sido originalmente planejado que o IV Corpo de Exército atacaria na Frente Central e cruzaria o Chindwin para segurar forças japonesas que poderiam ser usadas para ajudar a Frente Norte de caso contrário. Como os japoneses lançaram o seu próprio ataque na Frente Central, este avanço não foi necessário, mas ainda significou que a maioria das forças japonesas estava comprometida com a Frente Central e não estariam disponíveis para reforçar a 18ª Divisão japonesa na Frente Norte. A ofensiva japonesa na Frente Central resultou em propostas adicionais e refinamentos nos planos feitos para os Chindits.
No dia 4 fevereiro de 1944, Tenente General Slim, comandante do XIV Exército britânico, e o General George E. Stratemeyer da USAAF, Comandante do Comando Aéreo Oriental, emitiram uma diretiva conjunta para Wingate e o Coróneis Cochran e Alison do 1º Grupo de Comando Aéreo, para marchar e voar para a área do vale Indaw e de lá sob as ordens do XIV Exército britânico atingir os seguintes objetivos:
1- ) Ajudando no o avanço das forças de Stiwell vindas de Lêdo de Stiwell para Myitkyina cortando as comunicações da 18ª Divisão japonesa, atacando a sua retaguarda, e prevenindo seu reforço.
2-) Criando uma situação favorável para que as forças chinesas vindas de Yunnan pudessem cruzar o Salween e entrar na Birmânia.
3-) Infligindo o maior dano e confusão possível ao inimigo no Norte da Birmânia.


Operação THURSDAY

Em 5 de março de 1944 os aeródromos da Índia se encontram alinhados de dezenas de planadores americanos. Junto a eles, a força Chindits reorganizada de Wingate aguardam o momento de subir a bordo. Formados em colunas, levavam equipamento de campanha: uniforme verde, fuzis e sub-metralhadoras, morteiros, granadas e punhais. Muitos usavam barba. Um chapéu de abas largas, de feltro, que se tornou característico, os protegia do sol.

Eles participariam da operação que recebeu o nome de Operação THURSDAY e envolvia o vôos noturnos em planadores americanos Waco CG-4 Hadria e aviões de transporte C-47 Dakota, que levariam cerca de 10.000 soldados e 1.000 animais de carga para a retaguarda das forças japonesas na Birmânia, onde seriam desembarcados em três pontos de ataque, denominados em código: Picadilly, Broadway e Chowringhee. Os homens da 77ª Brigada (Brig. Calvert) iriam para Picadilly e Broadway e a 111ª Brigada (Brig. Lentaigne) iria descer em Chowringhee.

Ordem de batalha 2ª expedição Chindit - 3rd Indian Infantry Division:

Commander Maj-Gen O.C.Wingate,DSO
later Maj-Gen W.D.A.Lentaigne
Deputy Commander Maj-Gen G.W.Symes
later Brig. D.Tulloch
Brigadier General Staff Brig. D.Tulloch
later Brig. H.T.Alexander

3rd West African Brigade
Commander Brig. A.H.Gillmore later Brig. A.H.G.Ricketts,DSO
HQ Column,7 West African Field Company (10 column)
6 Bn Nigeria Regiment (66 and 39 columns)
7 Bn Nigeria Regiment (29 and 35 columns)
12 Bn Nigeria Regiment (12 and 43 columns)
3rd West African Field Ambulance

14th British Infantry Brigade
Commander Brig. T.Brodie
HQ Column (59 column)
2 Bn Black Watch (42 and 73 columns)
1 Bn Bedfordshire and Hertfordshire Regiment (16 and 61 columns)
2 Bn York and Lancaster Regiment (65 and 84 columns)
7 Bn Leicestershire Regiment (47 and 74 columns)
54 Field Company,Royal Engineers (support)
Medical Detachment

16th British Infantry Brigade
Commander Brig. B.E.Fergusson,DSO
HQ Column (99 column)
2 Bn Queen's Royal Regiment (21 and 22 columns)
2 Bn Leicestershire Regiment (17 and 71 columns)
51/69 Field Regiments,Royal Artillery (51 and 69 columns)(served as infantry)
45th Reconnaissance Regiment,R.A.C. (45 and 54 columns)(served as infantry)
2 Field Company,Royal Engineers (support)
Medical Detachment

23rd British Infantry Brigade (removed to support 4th Corps)
Commander Brig. Lance E.C.M.Perowne,CBE
HQ (column 32)
1 Bn Essex Regiment (44 and 56 columns)
2 Bn Duke of Wellington's Regiment (33 and 76 columns)
4 Bn Border Regiment (34 and 55 columns)
60th Field Regiment,Royal Artillery (60 and 68 columns)(served as infantry)
12 Field Company,Royal Engineers (support)
Medical Detachment

77th Indian Infantry Brigade
Commander Brig. J.M.Calvert,DSO
HQ (column 25) + Mixed Field Company,Royal/Royal Indian Engineers
3 Bn 6th Gurkha Rifles (36 and 63 columns)
1 Bn King's Regiment (Liverpool) (81 and 82 columns) to 111 Bde May 1944
1 Bn Lancashire Fusiliers (20 and 50 columns)
1 Bn South Staffordshire Regiment (38 and 80 columns)
3 Bn 9th Gurkha Rifles (57 and 93 columns) to 111 Bde May 1944
Hong Kong Volunteer Company (support)
Medical and Veterinary Detachments

111th Infantry Brigade
Commander Brig. W.D.A.Lentaigne
later Brig.J.R.Morris,CBE,DSO
HQ (48 column)
1 Bn Cameronians (26 and 90 columns)
2 Bn King's Own Royal Regiment (41 and 46 columns)
3 Bn 4th Gurkha Rifles (30 column)
Mixed Field Company, Royal/Royal Indian Engineers (support)
Medical and Veterinary Detachments

Morris Force
Commander Lt-Col (later Brig.) J.R.Morris
4 Bn 9th Gurkha Rifles (49 and 94 columns)
3 Bn 4th Gurkha Rifles (40 column)

Dah Force
commander Lt-Col. D.C.Herring
Kachin Levies

Bladet Force
Commander Maj. Blain
Gliderborne demolition engineers

2 Bn Burma Rifles

Royal Artillery
"R","S" and "U" Troops, 160th Field Regiment
"W","X","Y" and "Z" Troops, 69th Light Anti-Aircraft Regiment

Divisional Troops
219 Field Park Company, Royal Engineers
Detachment 2 Bn Burma Rifles
145 Brigade Company, R.A.S.C.
61 Air Supply Company, R.A.S.C.
2 Indian Air Supply Company, R.I.A.S.C.

Antes disso no dia 5 fevereiro de 1944, a 16ª Brigada de Fergusson partiu de Lêdo para a Indaw, na Birmânia, numa dura marcha de 600 milhas. Em 5 de março eles tinham coberto 100 milhas e tinham chegado ao Rio Chindwin. Aqui planadores trazendo barcos infláveis e motores externos foram lançados para auxiliarem no cruzamento do rio. A marcha da 16ª Brigada era por terreno de selva muito difícil e isto os atrasou. A demora foi pior quando foram ordenados de se desviar e atacar Lonkin que era um ponto forte das forças japonesas que enfrentavam Stilwell.
Os pontos de ataque tratavam-se de clareiras na selva, situadas nas proximidades do centro ferroviário e do aeródromo japonês de Myitkyina. Sobre este último ponto já avançavam, pelo norte, as forças chinesas e americanas, comandadas pelo General Stilwell. A missão do assalto britânico sob o comando de Wingate, consistia, portanto, em golpear com seus Chindits as costas das forças japonesas que se oporiam à penetração de Stilwell.

Os aparelhos em vôo sobrevoaram as montanhas da fronteira para, posteriormente, lançarem os homens no coração da selva birmanesa. Até aquele momento, com exceção do ataque alemão à ilha de Creta, nunca se presenciara uma operação aerotransportada semelhante.
O plano estava ordenado assim: uma primeira leva de planadores aterrissaria nas clareiras; as tropas dessa primeira força ocupariam as posições, as limpariam e as protegeriam contra um possível contra-ataque japonês. Uma segunda leva traria mais tropas e unidades de sapadores. Estes tratariam de abrir uma pista com rapidez, para que, na noite seguinte, os bimotores Dakota estivessem em condições de transportar para lá canhões, veículos, animais e suprimentos.

Poucas horas antes do ataque, o chefe das unidades de transporte aéreo, Coronel Cochran, determinou que um avião realizasse um reconhecimento fotográfico das três clareiras. Ao serem reveladas as fotografias, os oficiais aliados constataram, desalentados, que o solo de Piccadilly estava coberto por grandes troncos derrubados, o que impossibilitava a descida de planadores.

Surgiu então a suspeita de que os japoneses estivessem à par do plano aliado. As restantes fotografias evidenciavam, no entanto, que as outras clareiras estavam limpas. Realizou-se, então, uma reunião entre Wingate e os demais altos oficiais. Nela, o General Slim, sobrepondo-se à indecisão dos presentes, opôs-se terminantemente ao adiamento do ataque. Declarou que os obstáculos colocados pelos japoneses em Piccadilly podiam constituir uma simples precaução de rotina. Tomou-se então a decisão de realizar, tal como havia sido prevista, a Operação THURSDAY. Estava planejado realizar o primeiro lançamento em Piccadilly. Portanto, essas forças deviam ser agora desviadas para Broadway, Ali aterrissaria a primeira leva, integrada por oitenta planadores. Conduziriam aproximadamente 1.200 combatentes.





Planador americano Waco CG-4 Hadrian com as marcas da invasão do Dia-D. Este tipo de planador também foi usado pelos Chindits durante a Operação THURSDAY.

O Waco CG-4A foi o mais produzido planador de assalto da Segunda Guerra Mundial. Desenvolvido em 1942, um total de 14.000 unidades foi produzido durante a guerra, em 16 fábricas diferentes. Transportava um total de 15 homens, inclusos piloto e co-piloto. Cargas alternativas incluíam um jipe e motorista, radio-operador e um soldado; jipe com dois soldados e um trailer de provisões; um obuseiro de 75 mm com 25 tiros e dois artilheiros; um pequeno trator e seu operador; um caminhão ¼ de tonelada ou qualquer outra configuração até o peso-limite de decolagem de 4.080kg. Toda a seção do nariz (incluindo a cabine do piloto) pivotava para cima, permitindo a descarga e o desembarque de veículos diretamente. Normalmente rebocado por um cargueiro Dakota C-47, o CG-4 atingia a velocidade máxima de 240 km/h, sendo sua velocidade normal de planeio de cerca de 190 km/h. Com 25,5m de envergadura, 14,8m de comprimento e 3,8m de largura, foi usado pelos britânicos com o nome de Hadrian, e embora estes preferissem seus planadores Horsa, com praticamente o dobro de capacidade de carga, a capacidade de “pouso curto” em locais íngremes fez do Waco o preferido para muitas missões, como as que abasteceram a Resistência Iugoslava á partir da Itália de 1944 em diante. Foi justamente na invasão da Sicília que o CG-4 fez sua estréia em combate, porém foi nas operações na Birmânia contra os japoneses em março de 1944 que o Waco viveu suas maiores glórias.

Tripulação: Piloto e Co-piloto.
Dimensões: Wing-span: 25.48 m; Wing Area: 79.15 m
Fuselagem: Comprimento: 48 ft (14.63 m); Altura: 7.3 ft. (2.22 m)
Compartimento de carga: Comprimento: 13.2 ft. (4.02 m); Largura: 5.8 ft. (1.76m); Altura: 7.2 ft. (2.19 m)
Peso: Total com carga: 7.500 lbs. (3,402 kg); Vazio: 3,440 lbs. (1,560 kg); Carga: 4,060 lbs. (1,841 kg)
Carga: 1 - Jeep com radio, radio-operator; e outro soldado; ou 1 obuseiro M3A1 de 75mm mais guarnição de três homens; ou 13 soldados equipados.
Rebocador: C-47 Dakota.

Surgiu, porém, uma última dificuldade. Durante semanas, as tripulações haviam sido treinadas com mapas e modelos de Piccadilly. Agora se tornava necessário fazê-las descer em uma zona que lhes era totalmente desconhecida. Ante a necessidade de dar a conhecer aos soldados o novo ponto de aterrissagem, o Coronel Cochran expressou-se: "Direi aos rapazes que encontramos algo melhor...".

Às 18h 12m do dia 5 de março, foi dada aos Chindits da 77ª Brigada, sob o comando do Brigadeiro Calvert, a ordem de embarcar. Os primeiros planadores, atados aos pares aos aviões-reboque, se elevaram minutos mais tarde, rumando, então, para o território birmanes.

Chegou o noite e os planadores continuavam partindo ininterruptamente com intervalos de cinco minutos. A força de invasão não levava escolta alguma e voava às escuras sem luzes de posição. Sua maior arma era conseguir surpresa absoluta. Sessenta e sete planadores conseguiram subir. Deles, no entanto, apenas trinta e dois conseguiriam aterrissar no objetivo.

Balouçando no ar, em meio às sombras, onze desceram em território da Índia, nove aterrissaram dentro das posições japonesas e outros quinze não chegaram a desligar-se dos seus aviões-reboque. Em conseqüência do congestionamento que reinava na pista Broadway, os últimos planadores receberam ordem de regressar às suas bases. A maior parte das aterrissagens realizadas fora da zona assinalada se deveram ao rompimento dos cabos de reboque. As descidas acidentais realizadas em território controlado pelos japoneses, tiveram, no entanto, resultados favoráveis, pois contribuíram para aumentar a confusão. Houve casos de planadores que tocaram a terra perto dos quartéis-generais japoneses, a mais de cem quilômetros de distância de Broadway.

A descida em Broadway se realizou de forma acidentada. O planador que transportava a equipe encarregada de coordenar as aterrissagens não alcançou o objetivo, pois efetuou uma aterrissagem forçada, nas margens do rio Chindwin. Assim, não existindo um controle terrestre, muitos planadores da primeira leva de assalto ultrapassaram o local assinalado e caíram em meio à mata, destroçando-se. As baixas, contudo, foram menores que as esperadas, dadas as difíceis condições do terreno: 23 soldados mortos e outra cifra igual de feridos. Entretanto, a maioria da equipe mecânica, destinada a abrir uma pista, se perdeu. O Brigadeiro Calvert ordenou, então, a interrupção das descidas até a manhã seguinte. Ao fazer a chamada naquela noite Calvert só podia contar com 350 homens de todas as patentes para lutar. Foi revelado depois que madeireiros birmaneses tinham sido colocado os troncos em Piccadilly para secar. Como não era possível um constante reconhecimento dessas áreas de pouso, deu-se a confusão.

Ao despontar o sol, os sapadores iniciaram o nivelamento com pás, de uma franja, à guisa de pista precária. Poucas horas depois, aterrissou o primeiro Dakota, trazendo reforços. Nessa noite, em Broadway, aterrissaram outros 55 Dakotas. Entrementes, a 111ª Brigada de Chindits desembarcava seus planadores em Chowringhee. A surpresa fora total.

A 7 de março, Wingate aterrissou em Broadway. No dia seguinte, transportou-se de avião a Chowringhee, supervisionando pessoalmente os operações. Na manhã do dia 11 a invasão estava concretizada. Os Dakotas, em 660 vôos, haviam transportado ao coração da selva 9.052 soldados, 1.360 animais de carga e 250 toneladas de material. Na extraordinária operação não se perdera um só avião. Em 24 horas os engenheiros americanos tinham construído uma pista na qual transportes puderam pousar aviões e planadores com tropas, suprimentos e animais. Poucos dias depois da sua aterrissagem, as colunas de Chindits se puseram em marcha. Através da selva, deram começo à sua campanha contra os comunicações japonesas.

Da Índia chegou, a pé, outra brigada Chindits, a 16ª, somando-se ao ataque, fazendo com que as forças britânicas que operavam na retaguarda do inimigo totalizassem a cifra de 12.000 homens.

Os japoneses reagiram finalmente. Atacaram a base de Chowringhee, porém a brigada ali destacada, a 111ª, já havia abandonado suas posições, por ordem de Wingate, instalando uma nova pista de aterrissagem mais para o oeste, que foi denominada Aberdeen. Ali, a 23 de março, aterrissou a 14ª Brigada.

A brigada de Calvert ainda estabeleceu outra base, chamada White City em Mawlu, montada entre a estrada de ferro principal e estrada que conduz à frente norte japonesa. A 111ª Brigada montou emboscadas e obstáculos na estrada sul de Indaw (embora parte da brigada que pousou em Chowringhee estava atrasada em cruzar o Rio Irrawaddy), antes de se mover para o oeste para Pinlebu.

Soldado Chindit com equipamento essencial para eles, o rifle e a pá.

Duros combates de selva acontecem em torno de Broadway e White City. Às vezes, as tropas britânicas e japonesas lutaram corpo-a-corpo, usando baionetas e kukris contra katanas. Depois de dias de ataque aéreos, os japoneses atacaram Broadway durante várias noites antes do ataque do dia 27 de março de 1944, que foi repelido com artilharia e a ajuda dos irregulares Kachin localmente recrutados. O problema de defesa de um aeródromo situado numa clareira de selva foi muito bem estudado, antes do inicio das operações, e se baseava na premissa de que deveria ser de tamanho tal, que sua guarnição pudesse facilmente defendê-lo. Portanto, teria que ser de dimensões reduzidas. A premissa transformou-se em axioma, defendido firmemente por Calvert na “Cidade Branca”, apesar das pressões para que estendesse seu perímetro “até a elevação mais próxima”. Deveria, ademais, ser localizado de tal forma, que suas pistas ficassem protegidas contra o fogo de qualquer tipo de arma e, por certo, dispor de suprimento de água independente e, se possível, não ser facilmente percebido tanto do ar como de terra. Mais importante: deveria ser possível a manutenção de uma reserva exterior, nas vizinhanças uma companhia ou coluna “flutuante”. Concebida por Wingate, essa unidade se revelou utilíssima.
Os princípios gerais foram extraídos do estudo da História Militar. Wingate, Calvert e Rome estudaram a fundo as operações militares do Duque de Mariborough e discutiram suas aplicações. Dessa maneira, muitos dos métodos utilizados e bem sucedidos, tais como "pontos fortificados", “progressão em colunas, mas ataque com brigadas”, “reservas externas”, “escaramuças”, a fim de dar proteção aos flancos da brigada, a instalação de uma base o mais próximo possível do território escolhido para a luta, a atenção a ser dispensada à população local tudo isto e muito mais saiu das campanhas de Mariborough e da campanha de Weilington contra Napoleão na Espanha. Os Carabineiros Birmaneses e o Corpo de Comunicações da Birmânia foram empregados intensivamente durante a campanha, com o objetivo de recrutar elementos locais e de obter informações. Os alimentos eram comprados e Calvert chegou ao extremo de compensar financeiramente os aldeãos cujas casas foram destruídas no curso da ação, como aconteceu em Henu. Vale a pena fazer breve relato de materiais que foram entregues á Brigada e intitulados “de propaganda”, que incluíam tecido colorido para “Loongyis”, 50 metros; tecido para “loongyis” preto, 5.000 metros; pentes, 150 e assim por diante (“Loongyis” é um tipo de fralda longa utilizada pêlos hindus birmaneses). O tecido dos pára-quedas era, também, trocado por alimentos frescos, pois Wingate insistia que as rações deveriam incluir, tanto quanto possíveis alimentos frescos, a fim de melhorar as condições de saúde da tropa.

Porém, um retrocesso aconteceu quando a Brigada de Fergusson tentou capturar Indaw no dia 24 março. A intenção original tinha sido agarrar a cidade e seus aeródromos em 15 março mas Fergusson teve que informar que isto era impossível. Wingate se mostrou pronto para mudar a missão da brigada, mas no dia 20 março, ele restabeleceu Indaw como o objetivo. A brigada já estava exausta de sua longa marcha, e não poderia chegar ao objetivo a tempo. As unidades estava desanimadas por acharem que os japoneses controlavam as únicas fontes de água. Fergusson esperou que 14ª Brigada cooperasse no ataque, mas eles se moveram para oeste ao invés disso. Também, reforços japoneses tinham chegado a Indaw que tinha uma estrada principal e um grande centro. Os batalhões de Fergusson, atacando separadamente, foram repelidos. Depois disto, a maioria da 16ª Brigada cansada foi retirada.

Mudança de comando


No dia 24 março, Wingate voou para Imphal para uma reunião com comandantes da força aérea. Acreditasse que a aeronave dele tenha voado em um temporal na viagem de regresso, e por isso chocou nas montanhas em plena selva. Todos a bordo morreram. Slim que tinha o controle operacional dos Chindits escolheu o Brigadeiro Lentaigne para substituir Wingate. A escolha foi feita na visão de que Lentaigne era o comandante mais equilibrado e experiente na força; ele tinha sido um instrutor na Staff College em Quetta, tinha conduzido um batalhão Gurkha com distinção durante a retirada da Birmânia em 1942, e tinha comandado uma Brigada Chindit em campo (embora durante só alguns semanas mas nenhum dos outros comandante de Brigada tinha mais experiência). Como oficial de tropas Gurkha, ele tinha uma perspectiva semelhante a de Slim. Os outros comandantes de Brigada eram menos experientes, principalmente sem qualificações de comando com alguns nunca tendo comandado até mesmo uma unidade de valor de batalhão em combate antes de 1944, e os oficiais do staff de Wingate não tinham a experiência de combate necessária. Wingate morreu, como muitos outros, a serviço de sua pátria e de seus companheiros de luta. Sua morte constituiu rude golpe para os Chindits e para o Exército da Birmânia. Foi Wingate que introduziu na campanha da Birmânia métodos totalmente inéditos de se opor às concepções japonesas de conduta de guerra e em condições de terreno que exigiam o abandono completo de doutrinas obsoletas. Em virtude de sua morte precoce, não lhe foi permitido aproveitar-se de todas as oportunidades criadas por sua extraordinária inventiva e enorme energia. Até sua morte, as baixas entre os Chindits eram relativamente baixas em comparação com as infligidas no inimigo. Após suas doutrinas serem postas de lado, retornando a técnicas estereotipadas e obsoletas de guerra, foi que os Chindits passaram a sobre baixas em número crescente.
O General Slim ignorou as reclamações dentro dos Chindits de que Lentaigne era um estranho na força de Wingate e tinha sido crítico dos métodos e técnicas de Wingate. Wingate o tinha repugnado porque ele foi selecionado por Wavell sem a sua aprovação.
Após a morte de wingate a pressão pela liberação do norte da Birmânia aumentou consideravelmente. Como o General Slim, nunca compreendeu completamente a missão dos Chindits, ele não objetou pela transferência dos mesmo para o comando do General Stiwell, que já tinha sob o seu comando os Incursores de Merrill e as divisões chinesas, no esforço de conquistar Myitkyina, único aeródromo "todo tempo" do norte da Birmânia.. Nessa transferência de comando e de área de operação os Chindits foram forçados a abandonar as suas posições fortificadas e se dirigir mais para o norte. Assim sendo os Chindits se viram enfrentando posições japonesas pesadamente armadas, enquanto eles dispunha de armamento leve.
O movimento para o norte
No dia 6 de abril de 1944 o Exército japonês lançou um forte ataque contra White City. O ataque começou com artilharia pesada seguido por um ataque aéreo levado a cabo por 27 bombardeiros (12 foram abatidos). Nos próximos 10 dias a infantaria japonesa realizou vários ataques. Os Chindits contra-atacaram usando colunas fora do perímetro com apoio aéreo do 1º Comandos Aéreo. Foram infligidas grandes perdas ao inimigo que eventualmente fugiu. A White City não foi atacada novamente.
Em abril, Lentaigne ordenou o corpo principal da 111ª Brigada fosse para o oeste do Irrawaddy, agora comandada por John Masters, e se mover para o norte e construir um lugar seguro novo, de condinome Blackpool que bloquearia a estrada de ferro e estrada principal em Hopin, a 48 km a sul de Mogaung. A Calvert foi ordenado abandonar White City e Broadway e rumar para o Norte para apoiar Masters. Calvert era contrario a isto, pois a brigada dele tinha assegurado prosperamente por meses estes dois lugares. Stilwell também temeu que o abandono de White City permitissem aos japoneses enviarem reforços para o norte. Porém, Lentaigne insistiu que as brigadas Chindits estavam muito separadas e o apoio mutuo era mais difícil assim, e que seria difícil operar aeronaves na White City e Broadway durante a monção.
A força de Masters estabeleceu Blackpool no dia 8 maio de 1944 e quase foi ocupada imediatamente devido um ataque feroz do inimigo. Considerando que White City foi estabelecida bem fundo na retaguarda japonesa, seus defensores tinham tido bastante tempo para preparar as suas defesas e seus atacantes eram uma mistura de destacamentos de várias formações, mas Blackpool estava perto da frente norte japonesa, e foi atacado imediatamente por tropas japonesas com apoio pesado de artilharia. Como Calvert e Stilwell tinha temido, o abandono de White City tinha permitido a 53ª Divisão japonesa se mover para o norte de Indaw. Um ataque pesado contra Blackpool foi repelido no dia 17 maio de 1944, mas um segundo ataque no dia 24 maio capturou posições vitais dentro das defesas. A chuvas das monções estavam muito fortes e isto tornava difícil o movimento na selva, por isso nem Calvert e nem a 14ª Brigada de Infantaria britânica de Brodie puderam ajudar Masters. Os japoneses também posicionaram peças de artilharia antiaérea o que impedia o apoio aéreo, além da chuvas fortes. Finalmente, Masters e seus homens tiveram que abandonar Blackpool no dia 24 maio, porque estavam todos exaustos depois de 17 dias de combate ininterrupto. Dezenove soldados Aliados que estavam muito doentes para poderem ser retirados foram mortos a tiros pelos ordenanças médicos, para que não caíssem nas mãos dos japoneses e tivessem um fim pior.
A cada dia os Chindits dependiam mais do poder aéreo para compensar a sua inferioridade diante do inimigo. Porém com o passar do tempo e o enrijecimento dos combates, a capacidade de combate dos Chindits diminui de forma considerável, resultante tanto das baixas em combate, quanto das doenças.

Operações finais

No dia 17 maio de 1944, Slim tinha dado o controle dos Chindits formalmente a Stilwell. Stilwell insistiu que os Chindits capturassem várias posições japonesas bem-defendidas. Os Chindits não tinham nenhum apoio de tanques ou artilharia pesada e isto resultou num elevado número de baixas, como não tinham sofrido antes. Alguns consideraram estas operações um abuso de poder.
Após três meses de batalhas constantes os homens estavam esgotados e os oficias começaram a solicitar a retirada das brigadas Chindits, pois três meses era o tempo limite de permanência de uma brigada Chindits em operação na selva, segundo a concepção de Wingate. Porém Stiwell, que agora comandava as brigadas Chindits não autorizou a sua retirada, pois estava extremamente envolvido com a conquista de Myitkyina, e não queria nenhuma retirada de tropas para que os chineses, sempre vagarosos em seu deslocamento para o sul, não parassem de vez e ele viesse a perder a chance de tomar Myitkyina antes das monções.
No período de 6 de junho a 27 de junho, a 77ª Brigada de Calvert tomou Mogaung e sofreu 800 vítimas, cerca de 50% dos homens da brigada que se envolveram na operação. Eram 2.00 Chindits contra 4.000 japoneses posicionados em fortificações. Dois Chindits, Capitão Michael Allmand e o soldado Gurkha Tulbahadur Pur, ganharam a Victory Cross - VC em Mogaung. Temendo que lhe seria ordenado se unir as forças que iriam iniciar o cerco a Myitkyina, Calvert, que agora só tinha 300 homens dos 3.000 originais, entregou Mogaung as tropas chinesas, desligou os rádios e se retirou para Kamaing onde Stilwell tinha o seu QG instalado. Por causa disto Calvert era passível de uma corte marcial, mas ele e Stilwell se encontraram pessoalmente, e Stilwell apreciou as condições sob as quais Calvert tomou a sua decisão diante do estado físico e moral das suas tropas Chindits.



Brigadeiro Mike Calvert, Ten. Coronel Shaw e Major Lumley em Mogaung



A 111ª Brigada, depois de descansar, recebeu ordens de capturar uma colina conhecida como Ponto 2171. Eles cumpriram a missão após duas semanas, mas no final estavam completamente esgotados. Neste combates o Major Blaker ganhou a sua VC. A maioria dos soldados estava sofrendo de malária, disenteria e desnutrição. No dia 8 de julho de 1944, diante da insistência do Comandante Supremo, Almirante Louis Mountbatten, uma junta médica examinou a brigada. Dos 2.200 homens, formando 4,5 batalhões, somente 119 soldados foram declarados aptos para combate. A Brigada foi evacuada, embora Masters tenha mantido os homens aptos para combate no que ele sarcasticamente chamou de "111ª Companhia " em campo até 1 de agosto de 1944.
A parte da 111ª Brigada a leste do Irrawaddy era conhecida como Força Morris, pois foi comandada pelo Tenente-Coronel "Jumbo" Morris. Eles tinham gasto vários meses acossando o trafego japonês de Bhamo para Myitkyina. Receberam então a missão de completar o cerco a Myitkyina. Stilwell ficou enfurecido quando eles não puderam fazê-lo, mas Slim salientou a Stilwell que as tropas chinesas (cerca de 5.500) também tinha falhado nessa missão. Em 14 de Julho de 1944, a Força Morris estava reduzida para três pelotões. Uma semana depois, eles eram apenas 25 homens aptos para o serviço. A Força Morris foi evacuada na mesma época de 77ª Brigada.
Com o caminho aberto à implantação dos oleodutos, a partir de Myitkyina, Stilwell havia atingido todos os objetivos que se propusera alcançar. Aquela cidade poderia, a partir de então, ser utilizada como escala para vôos de abastecimento para a China. Não demoraria muito, também, e a estrada entre Ledo e Kunming, uma distância de cerca de 2.500 quilômetros, seria aberta ao tráfego, com os oleodutos correndo em toda a sua extensão. Em apóio as operações de Stiwell, como vimos os Chindits conquistaram Indaw e Mogaung.
A 14ª Brigada e 3ª Brigada da África Ocidental permaneceu em ação, apoiando a recém-chegada 36ª Divisão Infantaria britânica em seu avanço sobre o "Valley Railway" ao sul de Mogaung. Finalmente, eles foram substituídos e retirados em 17 de agosto de 1944. O último Chindit saiu da Birmânia em 27 de agosto de 1944.
Kohima

A 23ª Brigada que tinha sido desviada da campanha principal dos Chindits agiu não obstante como uma unidade de penetração de longo alcance atrás das linhas japonesas na luta em Kohima. De abril a junho de 1944, eles marcharam distâncias longas pelas colinas de Naga, principalmente no tempo da monção, o que fez com que o movimento fosse muito difícil. Eles deram uma grande contribuição manter as tropas japonesas famintas em Kohima, que foi um fator decisivo naquela batalha. Embora não tenham se envolvido nas batalhas principais, eles causaram muitas baixas ao inimigo, enquanto sofreram 158 baixas de batalha.


Chindits feridos recebem tratamento médico em plena selva

Os soldados saudáveis foram enviados para acampamento para treinarem e esperarem por novas operações. Porém, quando o Comando do Exército avaliou a quantidade de homens e de equipamentos que eram necessários para se montar uma nova força Chindits, decidiu que o melhor era investir na formação de uma Divisão Aerotransportada indiana. Além das substituições diretas, foi visto que o elemento britânico dos Chindits acabaria em 1945 pela necessidade de se repatriar o pessoal que tinha servido mais de quatro anos no ultramar. Durante os meses iniciais de 1945, vários oficiais de QGs das brigada e muitos veteranos das operações Chindits tinham se reformado e se unido a 44ª Divisão Aerotransportada (a Índia), enquanto a força do QG e as unidades de sinaleiros foram formar a base do XXXIV Corpo de Exército indiano. O Chindits foram licenciados finalmente em 26 de fevereiro de 1945.



Chindits mortos em ação

A área onde a Galahad e os Chindits operaram era um mosaico de colinas ásperas, serra de cumes dentados, montanhas altas, e vales nocivos, atravessados por muitos rios pequenos e grandes limitados por selva tropical fechada. Poucos caminhos e trilhas existiam, e os mapas se provaram freqüentemente incertos. A selva possuía grandes bambuzais, as vezes tão grossos que um túnel, em vez de um caminho, teve que ser cortado para que as colunas atravessarem. Devido aos numerosos rios, os Chindits fizeram centenas de cruzamentos de rio, e quando emergiam da água invariavelmente estavam cheios de sanguessugas. Durante a estação da monção, a área se tornava quase intransitável. O chão ficava completamente coberto de água e lama e as montanhas cobertas de barro onde os homens tinham que rastejar para cima. A umidade alta, a chuva constante, e temperaturas altas nutriram muitas doenças. Além disso, os mosquitos infestavam a área levavam muitas doenças como a malária e tifo. Operar neste ambiente requereria os níveis mais altos de resistência física e mental diariamente.

Um dos mais significativos tributos que receberam partiu de Mountbatten, que a seu respeito escreveu: "Foi a mais dura tarefa de minha vida concordar em expedir a ordem de dissolução das Brigadas Chindits. Todavia, agora que todo o exército absorveu a concepção Chindit, não há mais necessidade de os manter, pois somos todos Chindits, agora"!




Fonte:http://tropasdeelite.5gbfree.com/UK_CHINDTS.htm

OBS: Aconselho a comprarem o livro Chindits - Comandos da Selva,  da editora Rennes:
http://www.editorarenes.com.br/Renes/CAPAS%20GUERRA%20e%20SV/T-10.jpg
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