sábado, 25 de julho de 2009

A morte do 1º Ten José Maria Pinto Duarte - FEB

Relato extraído das recordações do livro do "Com a FEB na Itália" feito pelo Capitão Atratino Côrtes Coutinho ao General Aguinaldo José de Senna Campos, sobre de como se dera a morte do 1º Ten José Maria Pinto Du.
"Já havia deixado o comando da companhia, mas fora visitar meus ex-comandados, depois da conquista das posições, na região de Castelnuovo. Estava em casa de sobrado, construção muito comum na Itália, encostada ao barranco, de modo que deste pode-se passar facilmente para os andares mais altos, quando pressenti passos em andar superior da casa; percebi que a situação não era boa, ordenando aos companheiros que pulassem, do primeiro andar, onde estávamos, para fora, no lado oposto ao que havia visto dois alemães. Um terceiro alemão descia do barranco, do lado escolhido para a fuga; não tive outra alternativa se não alveja-lo com a minha carabina; o tedesco deu um grito e rolou morro abaixo.
Os pulos começaram pelos menos graduados; ao chegar a vez do Ten. Pinto Duarte, uma rajada de metralhadora atingiu-o na perna, ficando estendido no chão. Chegou a vez de eu também saltar, arrastando o companheiro para lugar mais protegido.
Para me tornar mais leve e melhor poder carregar o ferido desfiz-me do meu equipamento. Ao atingir o local escolhido, coloquei sobre as pernas o ferido que pedia insistentemente que eu o sacrificasse pois não suportava as terríveis dores que estava sofrendo. Permanecemos nessa luta, tendo o inimigo nas proximidades. O Tenente esvaia-se em sangue, torturado pelas dores e eu vivendo aquele quadro doloroso, arriscando-nos a sermos encontrados pelos alemães em situação difícil. Nada impediu que predominasse o sentimento de camaradagem de e humana assistência ao companheiro que morria, aos poucos, sem possibilidade de socorro urgente; conservei-me a seu lado até o derradeiro instante.
Ficou o Ten Pinto Duarte estendido no chão, ao cair da noite chuvosa e triste.
Procurei reunir-me a tropa que mais tarde, foi contra-atacada e perdeu as posições pouco antes conquistada.
Reuni uma patrulha e fui a procura do companheiro morto, mas a escuridão não permitiu a recuperação do corpo do infeliz companheiro.
Todo o destacamento foi rocado para o Vale do Reno, mas a lembrança daquele quadro e o desejo de resgatar o corpo de meu ex-comandado não me abandonaram. Durante todo o inverno o corpo fora conservado sobre a neve. Nos primeiros dias de maio, findas as ações de guerra , com outros companheiros do 6º RI, rumamos de tão longe, para ao local em que havia deixado o Ten Pinto Duarte. Não me traiu a memória e, coberto por um galho, lá estava o corpo que procurávamos, sacrificado naquele fim de jornada de 31 de outubro de 1944.
Em caixão improvisado dirigimo-nos ao Cemitério Brasileiro, em Pistóia, onde esperaria a sua transladação para o Brasil. "
Fonte:Ass.Nacional dos Ex-Combatentes

2 comentários:

  1. Obrigado pela história. Estudei cinco anos na EMPG Tenente J.M. Pinto Duarte e não conhecia esses detalhes.

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  2. O tenente JMPD era irmão da minha mãe de criação.

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