quarta-feira, 27 de abril de 2011

Otto Rasch


Otto Rasch nasceu 7 de dezembro de 1891 na Friedrichsruh e se formou em Direito. Ele também estudou economia e filosofia, e recebeu seu doutorado em direito e economia política. Ele trabalhava como advogado, em Leipzig. Lutou na Primeira Guerra Mundial na Marinha e foi premiado com a Cruz de Ferro de 2 ª Classe.

Ele se juntou ao Partido Nazista em outubro de 1933 e ingressou na SS 10 de março de 1933. 

Foi utilizado no Serviço Central de Segurança do Reich e era o chefe do Serviço de Segurança em agosto de 1939 em Königsberg (hoje Kaliningrado).

Participou da campanha polonesa em um Einsatzgruppe mas, mais importante, desempenhou um papel fundamental na organização do falso ataque polonês, que deu aos alemães uma desculpa para atacar a Polónia.

Entre 1942 e 1945 foi diretor do Öl Kontinental (Continental Oil).

Entre junho e outubro de 1941, ele foi o comandante do "Einsatzgruppen C"  e dos massacre dessa unidade móvel na Ucrânia.

Rasch, nesta qualidade, foi responsável pela morte de 40.669 pessoas documentadas por relatórios enviados para Berlim.

Após a guerra ele foi preso e foi incluído no processo de Nuremberg contra os membros dos Einsatzgruppen. No entanto, logo vitimado com a doença de Parkinson e impediu o julgamento. Ele morreu pouco depois de 1 de novembro de 1948.

Tradução: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)

domingo, 24 de abril de 2011

A decisão de Kurt Gerstein de entrar para as Waffen-SS

Kurt Gerstein


A DECISÂO

Ouvindo falar dos massacres dos débeis e alienados em Grafeneck, Hadamar, etc., chocado e ferido no meu intimo, tendo um caso desses na minha familia, só tinha um desejo: ver, ver claro todo esse maquinismo e então gritá-lo ao povo inteiro! Mesmo que a minha vida estivesse em perigo, não tinha escrúpulos: por duas vezes, agentes do S. D. que se tinham infiltrado nos meios mais privados da Igreja protestante e rezavam ao meu lado tinham-me enganado. Pensava eu: O que vocês são capazes de fazer, saberei eu fazê-lo melhor do que vocês, e apresentei-me como voluntário nas S.S. Era um estimulo o facto de a minha cunhada, Bertha Ebeling, ter sido assassinada em Hadamar. Fui apresentado por dois agentes da Gestapo que se tinham ocupado do meu caso, e aceite facilmente pelas S.S. Uma vez, um S.S. disse-me: Um idealista como você devia ser um membro fanático do nosso partido.(1)


Interrogatório de 26 de Junho de 1945:
G:Em 1940 soube por intermédio do bispo de Estugarda da execução de alienados em Hadamar e Grafeneck. A minha cunhada Bertha Ebellng figurava entre as vitimas. Decidi então entrar para as Waffen-S. S. 
P: Entrou para a. Waffen-S. S. para espiar e assim servir os seus ideais religiosos? 
G:Sim, para poder travar um combate ativo e conhecer melhor os objetivos dos nazis e os segredos deles.
P: Como pode entrar para a organização depois de ter sido preso pela Gestapo por várias vezes?G: —Aceitei simplesmente as propostas que a Gestapo me fez quando da minha segunda prisão.(2)


Nos pontos principais‚ o relatório Gerstein e o interrogatório coincidem: o que o leva a tomar a decisão com mais consequências de toda a sua vida são os rumores quanto a eutanásia, e mais especificamente a morte de Bertha Ebeling em Hadamar.

 A execução dos doentes e dos débeis mentais tinha sido secretamente decidida por Hitler em Setembro de 1939. A aplicação da eutanásia está submetida ao controle direto da chancelaria do Fuhrer e camuflada com os maiores cuidados. Nos fins de 1939 e estabelecido o primeiro centro de execução em Brandeburgo; em 1940 começam a funcionar mais cinco‚ entre os quais os de Grafeneck e Hadamar. 0 comissário da polícia criminal de Estugarda, Christian Wirth, é o encarregado das execuções. 

A principio, Wirth executa os doentes a revólver, mas depressa se aperfeiçoa uma técnica: fazem-se as primeiras câmaras de gás que trabalham com óxido de carbono:
A sua instalação era, simples, escreve Léon Poliakov, e facilitada  pelo débitos relativamente pouco importante das estações de eutanásia. Em cada estabelecimento foi hermeticamente isolada uma sala, disfarçada em sala de chuveiros. Tinha uma canalização à qual estavam adaptados cilindros que continham óxido de carbono. Antes de serem conduzidos em grupos de dez ou quinze para essas câmaras de gás, os doentes eram adormecidos com injeções de morfina ou escopolamina, ou drogados com soporíferos. As estações de eutanásia tinham também um crematório pequeno onde os cadáveres eram incinerados. As famílias eram avisadas por cartas estereotipadas do falecimento do doente por debilidade cardíaca ou pneumonia. (3)
Entre Janeiro de 1940 e Agosto de 1941, foram mortos 70.273 doentes mentais. 

É importante a utilização das primeiras câmaras de gás: porque é uma das bases de ordem técnica do extermínio em massa dos judeus, que começa já nos fins de 1941. 

Mas se o programa de eutanásia era ultra-secreto, como é que Kurt Gerstein ou o Bispo de Estugarda (Stuttgart), que o teria informado, poderiam conhecer os seus pormenores? De fato, propagaram-se por toda a Alemanha rumores sobre isto. A freqüência de falecimentos nas clinicas psiquiatras a partir de 1940, as circunstâncias sempre misteriosas dessas mortes, levantam suspeitas. As indiscrições fazem o resto. A acreditar num protesto enviado em Maio de 1941 pelo tribunal de Francforte(Frankfurt) ao Ministério da Justiça do Reich, Gürtner, a eutanásia é do domínio publico: as crianças de Hadamar dizem quando vêem os autocarros que transportam os doentes: Outros que vão para as câmaras de gás. O fumo dos crematórios era visível muitas léguas ao redor (4). Pouco depois, os prelados católicos e protestantes tomam uma posição cada vez mais aberta:
Aonde se chegará no extermínio das vidas indignas?, escreve o pastor Braune num memorando à chancelaria do Reich. As ações maciças em curso demonstraram que foram incluídas muitas pessoas intelectualmente lúcidas e conscientes (...) Visar-se-ão exclusivamente os casos completamente desesperados, como os idiotas e imbecis? (...) Parar-se-á perante os tuberculosos? O programa de eutanásia é já aplicado aos presos. Passar-se-á depois aos outros anormais e associais? Onde está o limite? Quem é anormal, quem é associal, quais são os casos desesperados? Qual será o destino dos soldados que na luta pela paria podem contrair doenças incuráveis? Alguns já põem a sí próprios estas perguntas (...)? (5)
 O pastor Braune é preso pelas Gestapo. É posto em liberdade três meses depois. A agitação continua. É então que, a 3 de Agosto de 1941, o bispo de Münster, Mons, von Galen, toma publicamente partido contra a eutanásia num sermão pronunciado na igreja de Saint-Lambert:

Há obrigações de consciência a que ninguém nos pode subtrair e que temos de respeitar, mesmo à custa, da própria vida. Não há pretexto que justifique um homem matar um inocente, exceto em caso de guerra ou de legitima defesa. Já no dia 6 de Julho acrescentei às palavras da carta pastoral comum os seguintes esclarecimentos: Sabemos que já há uns meses, por ordem de Berlim, os doentes mentais há muito tempo em tratamento e que parecem ser casos incuráveis são levados  à força para clínicas psiquiátricas. Regularmente a família recebe pouco tempo depois um aviso dizendo que o doente morreu, que o corpo foi queimado e que as cinzas podem ser retiradas. De uma, maneira geral, há quase a certeza de que todas essas mortes inesperadas dos doentes mentais não são naturais, mas provocadas artificialmente de acordo com a doutrina que permite a supressão de vidas indignas e consequentemente a morte de inocentes, cuja existência se considera que nada pode trazer ao povo nem ao Estado. É uma concepção assustadora que pretende justificar o assassínio de inocentes e consente a execução de inválidos incapazes de trabalhar, de aleijados, de doentes incuráveis, de velhos atingidos pela senilidade. Perante esta doutrina, os bispos alemães declaram: O homem não tem o direito de matar um inocente sob nenhum pretexto, exceto em caso de guerra ou de legitima defesa (...) (6)
Pouco tempo depois do sermão de von Galen, deixa de praticar-se a eutanásia. Ao bispo de Münster, nada lhe acontece. 
No dia 21 de fevereiro de 1941, irá contar Karl Gerstein, foi enterrada em Sarrebruck a urna contendo as cinzas da minha cunhada. O meu irmão Kurt estava também presente na cerimônia. As circunstanciais desta morte súbita eram estranhas. Tinham escrito à mãe uma carta dizendo que a filha tinha levada repentinamente da clínica de Sarre para a de Hadamar onde morrera em conseqüência de uma epidemia. Devido á luta contra as epidemias, tinham tido de queimar o corpo imediatamente, mesmo antes de consultar os pais; as cinzas tinham sido enviadas para a administração da cidade de Sarrebruck e podiam ser retiradas. Por mais espantados que tivéssemos ficado, suspeitávamos de nada. Foi o meu irmão Kurt que, no regresso, depois do enterro, nos explicou, à minha mulher e a mim. A nossa confusão aumentou quando Kurt nos revelou que pretendia entrar para as Waffen-S. S. (...) Podia assim tirar a limpo o que havia de verdade nos diversos rumores e o que realmente se passava entre as S. S. Confesso que não tomamos a sério as palavras de Kurt (...) (7) 
O pastor Wehr, que celebrou o oficio dos defuntos, fala também com Gerstein: 
(...) Comunicou-me então a sua decisão de verificar fosse por que preço fosse a verdade dos rumores que circulavam sobre esse gênero de crimes. Desaconselhei-o a penetrar no campo das forças demoníacas, mas opôs minhas objeções uma resolução apaixonada e irrevogável. (8) 
Helmut Franz diz: 
Fiquei evidentemente horrorizado quando me informou da sua decisão. Disse-lhe que era uma louca tentação a Deus, uma provocação do destino que para ele podia acabar numa catástrofe.(9) 
O testemunho do pastor Rehling é do mesmo teor. Gerstein tornou a vê-lo em 1941 e ter-lhe-ia dito: 
Se ouvir coisas estranhas a meu respeito, não pense que mudei. Pode dizê-lo também ao presidente Koch. Não quero que tenham uma má opinião sobre mim. Estou nas SS e presentemente acontece-me falar a linguagem deles. Faço-o por duas razões: haverá a derrocada. De certeza, Deus julgará. Esses desesperados sem consciência tentarão matar todos os que consideram inimigos.  Não é do exterior que se poderá tentar impedi-los; a ajuda só poderá vir de alguém que faça desaparecer as ordens ou que as transmita truncadas. É essa a minha função! A outra razão é a seguinte: estou no rasto de muitos crimes! A minha tia foi morta em Hadamar. Quero saber quem ordena esses assassínios.
Não podia ocultar-lhe o receio e a preocupação que me causavam essa entrada na boca do lobo, acrescenta, Rehling, mas ele estava seguro do seu caminho. (10)
Se nos limitarmos aos documentos citados, o motivo da decisão de Kurt Gerstein parece simples e inequívoco. No entanto, o que sabemos sobre a sua atitude hesitante em relação ao regime durante os anos precedentes leva a crer que os motivos da sua entrada para as Waffen-SS são mais complexos do que as declarações que acabamos de ler permitem supor. É provável que a morte de Bertha Ebeling tenha sido um elemento para a decisão; mas não foi com certeza o único. De resto, há outras declarações menos concordantes do que as precedentes.

Segundo o pastor Heinz Schmidt, Gerstein e ele teriam tido a idéia de entrar para as Waffen-S. S. em 1939, depois da campanha da Polônia, para ver as coisas de dentro. Nesta época, acrescenta o pastor, não levamos avante o projeto porque nos parecia ilusório(11). Se este testemunho foi exato, a eutanásia não pode ter sido a causa de tal decisão (as primeiras execuções se verificaram no inicio de 1940) e não se percebe o que é que Schmidt e Gerstein pretendiam descobrir nas Waffen-SS no Outono de 1939. Mas sabe-se que nessa época Gerstein pretendeu entrar para a Wehrmacht.

Em 1955, no caso Gerhard Peters (12), o tribunal de Francforte(Frankfut) põe também a claro algumas contradições no que diz respeito aos motivos da entrada da Gerstein para as Waffen-SS:

Segundo declarações da mulher, nota do tribunal, ele não lhe teria dado uma explicação e teria simplesmente dito:  Eles não me querem, mas no entanto tem de me aceitar, sem concretizar o sentido das palavras tem de. Não pode ser verdade que ele tenha entrado para as SS como contou à testemunha Nebelthau, depois de o ter combinado com o pastor Niemöller; este estava com efeito num campo de concentração desde 1937, e não estava em contato direto com Gerstein. à testemunha Eckhardt disse também que tinha entrado para as SS depois de consultar os seus diretores espirituais; porém, nenhuma testemunha confirmou este ponto. A sua declaração ao velho amigo Scharkowski contradiz em certa medida as explicações precedentes: disse-lhes que era constantemente vigiado pelos serviços de segurança; este ter-lhe-ia sugerido entrar para as SS. Gerstein teria interpretado isto como um sinal de Deus apontando-lhe a entrada no campo do inimigo (...) (13).
 Em 1940, Gerstein fazia ainda esforços para ser reintegrado no partido: numa carta para a Casa Castanha de Munique teria declarado sentir-se de novo um partidário integral do Führer e ter-se tornado um adversário resoluto da Igreja confessionista (14).

Não pomos em dúvida que tais declarações não tenham correspondido ao real estado de espírito de Gerstein. Mas continuava a preocupar-se com a sua reintegração  no partido e pode ser que uma entrada voluntária para as Waffen-S. S. lhe tenha parecido um meio de conseguir esse objetivo. A estas imprecisões vem acrescentar-se um elemento enigmático na declaração de Gerstein, quando interrogado em Junho de 1945. Recordemos os termos:
P: — Como pode entrar para a organização depois de ter sido preso pela Gestapo por várias vezes?
G: —Aceitei simplesmente as propostas que a Gestapo me fez quando da minha segunda prisão.(2)

De que propostas se trata? Nada nos permite explicar esta frase que aliás muito incompreensivelmente não provocou qualquer reação da parte do investigador.

De qualquer forma, quaisquer que tenham sido os motivos exatos de Gerstein e a data em que concebeu a ideia de entrar para as Waffen-SS, o seu pedido de admissão na organização  é anterior, e não posterior ao enterro de Bertha Ebeling. Com efeito, declarou no interrogatório de 10 de Julho de 1945:
 (...) Até 5 de Março de (1941), fiquei como civil nessa sociedade (de Limon Fluhme & Ca). Antes, isto é, em Dezembro (1940) tinha apresentado um pedido de admissão ao serviço nas Waffen-S. S, (...)
 De fato, segundo uma carta da inspeção do trabalho dirigida à empresa Wintershall onde Gerstein trabalhava nessa época, este teria feito o pedido de admissão em Setembro de 1940 (15).

 Os motivos da decisão de Gerstein e até a data em que ela foi tomada não são portanto completamente claros.

Mas, retomando as palavras do tribunal de Francforte(Frankurt), uma coisa é certa: Não foi por convicção nacional-socialista nem para dar o seu contributo ao nacional-socialismo que Gerstein entrou para as SS (...) (16)
 Alista-se a 10 de Margo de 1941.

 Até agora nada parece destinar Gerstein ao papel que vai desempenhar. É um alemão como muitos outros‚ que não se subtraiu completamente às influências que marcam a evolução da sociedade alemã durante os anos trinta. As origens, o meio e a educação não o prepararam de modo nenhum para o destino que haveria de ser o seu. Aquilo que virá a ser, milhões de alemães o poderiam ter sido também. Mas ele será o único.

Transcrição: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)
Obs: Mantive certas partes como nome de cidades e localização de documentação como no original do livro, exemplo "Arquivos da R. D. A.".

Notas:
- Relatório Gerstein.
2 - Interrogatório de Kurt Gerstein feito pelo major Beckhardt do 0. R. C. G., Paris. 26 de Junho de 1945. DOC.WC-90, CDJC, Paris
3 -  Léon Poliakov, Le Bréviaire de la haine, Calmann-Lévy, Paris, 1951, p.212.
4 - Gerald Reitlinger, The Final Solution, Barnes, Nova Iorque (1961). p. 131.
5 - Léon Poliakov, op. cit., p.217.
6 -  Sermão de von Galen, em 3 de Agosto de 1941, citado por H. A. Jacobsen e W. Jochmann, Ausgewählte Dokumente zur Geschichte dest National-Sozialismus, Bielefeld, 1961.
7 - Karl Gerstein, loc. cit.
8 - Testemunho de O. Wehr, Augenzeugenbericht zu den Massenvergasungen, Vierteljahrshefte für Zeitgeschichte, 1953, Nr. 2, nota 34.
9 - Helmut Franz, op. cit., p. 24.
10 -  Kurt Rohling, art. cit. 
11 - Testemunho de Heinz Schmidt. KGH. 
12 - Cf. infra, p. 141.
13 - Veredito do Tribunal de Francforte (Frankurt) no caso Gerhard Peters, 27 de Maio de 1955, p. 13, KGH. 
14 -  Relatório da. Gestapo, 4 de Janeiro de 1940, Arquivos da R. D. A.
15  - Carta do Arbeitsamt Eisenach, de 18 de Setembro de 1940, Arquivos da R. D. A. 
16 - Tribunal de Francforte (Frankurt), loc. cit., p. 14.

Transcrição: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)
Fonte: FRIEDLÄNDER, Saul - Kurt Gerstein: Entre e o homem e a Gestapo, Rio de Janeiro: Moraes Editora, 1968, p 67-74.

Postagens relacionadas:
Cartas sobre o programa de eutanásia (Holocausto Doc.)
Uma explicação sobre o ZYKLON-B
Kurt Gerstein - Parte 1 - Um alemão como tanto outros: O peso de uma tradição

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Ordem sobre a conduta de tropas em territórios orientais

Walter von Reichenau
O documento abaixo é, com pequenas alterações para a questão de clareza, a versão em português traduzida do documento alemão original, apresentado como evidência nos tribunais militares de Nuremberg locado para tentar criminosos de guerra. O documento alemão original também está disponível. (Fonte: John Mendelsohn, ed., The Holocaust: Selected Documents in Eighteen Volumes . Vol. 10: The Einsatzgruppen or Murder Commandos [New York: Garland, 1982], pp. 11-12])

Neste documento, o Generalfeldmarschall (Marechal de Campo) Walter von Reichenau (1884-1942) do Sexto Exército alemão, no setor sul do ataque alemão à União Soviética, reage aos relatórios da suavidade de suas tropas por incutir-lhes particularmente fortes declarações sobre seu papel na repressão do comunismo soviético e do povo judeu. Reichenau era conhecido como um dos mais fortes lideres nazistas e comandantes alemão na Wehrmacht (Exército). Ele morreu de derrame apenas alguns meses depois que ele emitiu este documento para suas tropas. Outros comandantes alemães na União Soviética, também usaram neste documento para instruir suas tropas. Para mais informações, consulte Omer Bartov, Hitler's Army: Soldiers, Nazis, and War in the Third Reich (New York: Oxford University Press, 1991), pp. 129-30.

 


Tradução do documento n º NOKW-309 Continuação da copia 6 AOK
Sect. Ia-File No. 7
Army H.Qu., 10 Outubro 1941

Assunto : Conduta de tropas em territórios orientais.

Em relação ao comportamento de tropas para o sistema bolchevista, idéias vagas ainda são prevalecem em muitos casos. O objetivo mais essencial da guerra contra o sistema judaico-bolchevista é uma destruição total de seus meios de poder e à eliminação da influência asiática da cultura europeia. Neste contexto, as tropas estão a enfrentar as tarefas que excedem a rotina unilateral do soldado. O soldado nos territórios do Leste não é apenas um lutador de acordo com as regras da arte da guerra, mas também um portador da ideologia nacional cruel e vingadora das bestialidades que foram infligidas a Alemanha e as nações racialmente relacionadas.

Assim, o soldado deve ter plena consciência da necessidade de uma severa mas justa vingança contra os subumanos judeus. O Exército tem por objetivo atingir uma outra finalidade, ou seja, a aniquilação das revoltas no interior, que, como a experiência demonstra, sempre foram causadas por judeus.

A luta contra o inimigo atrás da linha da frente ainda não está sendo levada suficientemente a sério. Traiçoeiro, partisans cruéis e mulheres degeneradas ainda estão sendo feitos prisioneiros de guerra, e guerrilheiros vestidos parcialmente em uniformes ou a paisana e vagabundos ainda estão sendo tratados como soldados, e enviados para campos de prisioneiros de guerra. Na verdade, oficiais russos capturado falam até zombando sobre agentes soviéticos em movimento aberto sobre as estradas e muitas vezes comendo em cozinhas de campanha alemãs. Tal atitude das tropas só pode ser explicado por descuido completo, por isso agora é tempo dos comandantes para esclarecer o significado urgente da luta.

A alimentação dos nativos e dos prisioneiros de guerra que não trabalham para as Forças Armadas provenientes das cozinhas do Exército é um ato humanitário tão incompreendido como é a doação de cigarro e pão. Coisas que as pessoas em casa podem poupar com grandes sacrifícios e coisas que estão sendo comprados pelo comando para a frente com grandes dificuldades, não deve ser dado ao soldado inimigo, mesmo se forem originários de saque. É uma parte importante da nossa fonte.

Quando os soviéticos recuam muitas vezes deixam conjunto de edifícios em chamas. As tropas devem estar interessadas na extinção de incêndios apenas na medida em que é necessário para garantir um número suficiente de tarugos. Caso contrário, o desaparecimento dos símbolos da antiga norma bolchevista, mesmo sob a forma de edifícios é parte do esforço de destruição. Nem considerações históricas, nem artística, são de alguma importância nos territórios orientais. O comando emite as diretrizes necessárias para a obtenção de matérias-primas e plantas, essencial para a economia de guerra. O completo desarmamento da população civil na retaguarda das tropas de combate é imperativo considerando as longas linhas vulneráveis ​​das comunicações. Sempre que possível, as armas capturadas e munições deve ser armazenadas e protegidas. Caso isso seja impossível por causa da situação da batalha, as armas e munições serão inutilizados. Se os partisans isolados são encontrados com armas de fogo na retaguarda do exército, medidas drásticas serão tomadas. Estas medidas irão ser estendidas para a parte da população masculina que se encontravam em posição de impedir ou denunciar o ataque. A indiferença de numerosos elementos aparentemente anti-soviético, que se origina de uma atitude de "esperar e ver", deve dar lugar a uma decisão clara de colaboração ativa. Se não, ninguém pode se queixar de ser julgado e tratado como um membro do sistema soviético. O medo de contra-medidas alemãs devem ser mais fortes do que as ameaças dos restos errantes bolchevista.


Independentemente de quaisquer considerações do futuro político o soldado tem de cumprir duas tarefas:

1) Completa aniquilação da falsa doutrina bolchevista do Estado soviético e suas forças armadas.

2) O extermínio impiedoso da traição e crueldade estrangeiros e, portanto, a proteção das vidas dos militares na Rússia.

Esta é a unica forma de cumprir nossa tarefa histórica de libertar o povo alemão uma vez por todas dos perigos asiáticos e judeus.

Comandante-em-Chefe

(Assinado) von Reichenau

Field Marshal

Tradução: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)

Fonte do Fac-simile do documento: 

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