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| Salvando o camarada |
22 de julho de 1942
Antes da guerra nunca tinha matado ninguem. Horrorizava-me só de pensar nisso. Tenho vinte e quatro anos. A guerra começou. Quando abati o primeiro alemão disse para mim mesmo: Porque fiz isso? A culpa não é del, mas de seus governantes. Pensava que muitos alemães vieram para nossa terra sem saber o que faziam.
Depois, fui ferido e feito prisioneiro. E só então compreendi por que tinha matado aquele maldito alemão.
Hospital era como os alemães chamavam ao local onde lançavam os feridos e os combatentes soviéticos supliciados.
Era como uma casa da morte; aí torturavam e moíam os prisioneiros de pancada. Os medicos alemães enraiveciam-se conosco: amputavam pernas e braços validos, cortavam-nos a sangue frio. Deliravam quando um russo morria. Riam-se quando a vitima martirizada desmaiava. Aquele canalha selvagem juntava-se na sala e, atirando sobre um homem desarmado, ria a bandeiras despregadas.
Falta-me a força para descrever tudo aquilo. Levaram-se- a tres feridos - para uma sala para nos interrogarem. Primeiro, bateram-me porque minha ferida cheirava mal; recusaram-se a por-me pensos (curativos). Depois torturaram-me para me obrigar a entregar os meus camaradas. Estes por sua vez tambem foram torurados. Calávamo-nos.
Esmagavam-nos os dedos nas portas, enterravam-nos agulhas debaixo das unhas, batiam-nos violentamente com um pau nos calcanhares, mas tinhamos jurados não falar e aguentamos.
Eu e mais quatro camaradas conseguimos fugir do cativeiro facista. Eis-me de novo na primeira linha, a destruir os vrmes alemães. Já não pergunto porque se matam os alemães. Agora já sei.
Transcrição por : Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com/
Fonte: COELHO, Zeferino - O crime metódico. Ed. Inova Limitada - pg74
