sábado, 26 de maio de 2012

Morre Klaas Faber, um dos criminosos nazistas mais procurados

Klaas Faber
BERLIM, 26 Mai 2012 (AFP) -O criminoso de guerra nazista de origem holandesa Klaas Faber, segundo da lista de criminosos mais procurados pelo Centro Simon Wiesenthal, morreu aos 90 anos em Ingolstadt, no sul da Alemanha, informaram neste sábado fontes médicas.

A morte de Klaas Faber ocorreu na quinta-feira, segundo estas fontes.

Klaas Faber era procurado pela justiça holandesa há anos. Ex-membro do comando da SS Silbertanne, foi condenado à morte em seu país em 1947 por matar 22 judeus.

Sua pena foi comutada para prisão perpétua, mas conseguiu fugir da prisão em 1952, refugiando-se na Alemanha.

Em 1957, um segundo julgamento despronunciou o caso e Faber vivia desde então tranquilamente na pequena cidade bávara de Ingolstadt.

Em 2004, a Holanda tentou fazer com que Faber cumprisse na Alemanha a condenação imposta pela justiça holandesa, mas este pedido foi rejeitado por um tribunal alemão com base na decisão de 1957.

Em novembro de 2010, Haia emitiu uma ordem de prisão europeia contra Faber, mas a justiça alemã voltou a rejeitar a extradição, já que a Alemanha não extradita seus cidadãos, e o nonagenário adquiriu a nacionalidade alemã ao entrar na SS, em virtude da promulgação de uma lei nazista.

No entanto, a legislação prevê que um país europeu que rejeita uma extradição seja obrigado a cumprir a condenação pela qual foi solicitada sua extradição.
Klaas Carel Faber

Decreto da Eutanásia - Aktion T4



Fac simile do documento

[Águia Imperial] Adolf Hitler


Berlim, 1 de setembro de 1939

Reichsleiter Bouhler e
Sr. Doutor Brandt 

Ficam encarregados da responsabilidade de ampliar a autorização dos médicos que serão nomeados, de tal modo que uma morte misericordiosa pode ser concedida, depois de uma avaliação crítica da condição da sua doença, às pessoas com uma doença incurável segundo julgamento humano.

Adolf Hitler


Recebido de Bouhler
em 27/8/40
Dr. Gärtner 



Tradução: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Ordem de von Rundstedt - As ações da Wehrmacht e dos Einsatzgruppen: A luta contra elementos hostis ao Reich

URSS, 1941, uma execução pelo Einsatzgruppen, durante a Operação Barbarosa
As ações da Wehrmacht e dos Einsatzgruppen

Setembro de 1941


Alto comando
Corpo do Exercito Sul
Ic/AO (Abw, III)

Quartel General, 24 de setembro de 1941

Assunto: A luta contra elementos hostis ao Reich

na medida em que não está dirigida contra uma força militar inimiga, a investigação e luta contra as tendencias e os elementos hostis ao Reich (comunistas, judeus, etc.) dentro das zonas ocupadas, constituem a tarefa exclusiva dos Sonderkommandos (Unidades especiais), da Policia de Segurança e do SD, os quais, sob sua própria responsabilidade, tomaram as medidas necessárias e as levaram a cabo.

São proibidas as ações individuais de membros  da Werhmacht, ou a participação destes nos excessos cometidos pela população ucraniana contra judeus; também é proibido observar ou tirar fotografias enquanto   atuam os Sonderkommandos.

Esta proibição será levada a conhecimento dos membros de todas unidades. Os [Comandantes] encarregados da disciplina nos distintos intervalos, são responsabilizados da execução desta proibição. Em caso de infração, deverá se investigar cada circunstância para determinar se existiram falhas por parte do Comandante em sua obrigação de controle, e quando  for necessário, será castigado com severidade.

Assinado: von Rundstedt

Distribuição:
A.O.K. (Comando de inteligencia), Pz. Gr. (Divisão de blindados)
Bef rückw H (Comando da retaguarda)
Befehlsstelle Süd (Comando Sul)
Abt. des Stabes u. Wach-Kp. (Departamento do Estado Maior e das Companhias de Guarda)
Nachr.: Luftflotte (Força aerea) 

NOKW - 541

Tradução: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)

Fonte: El  Holocausto en documentos -  Selección de documentos sobre la destrucción de los judiós de Alemania y Austria, Polonia y la Unión Sociéticas;  p.426-427

Ver também: Ordem sobre a conduta de tropas em territórios orientais

terça-feira, 15 de maio de 2012

Ladrões roubam covas na Rússia para lucrar com peças da Segunda Guerra Mundial



"Você vai encontrar três rifles. Basta juntar as peças e montar um novo, que até funciona", conta um homem que pede para ser identificado como Alex, enquanto nós passamos pelo matagal. Nós estamos a caminho de uma área que foi palco de algumas semanas de ferozes combates durante a Segunda Guerra Mundial. 

Alex pediu para ser descrito como um "escavador". Ele nasceu e cresceu em Leningrado (atual São Petersburgo), na Rússia. Desde que ele tinha 15 anos, começou a buscar por "ferro" nos bosques. "Todos os moradores daqui fazem algum tipo de escavação. Alguns por interesse pessoal, outros para encontrar coisas para vender", afirma.

Um pequeno detalhe: todas as coisas encontradas estão enterradas em meio a ossos. Para encontrar pertences e conseguir dinheiro vendendo-os em mercados de produtos de segunda mão, é preciso procurar em meio aos restos de um soldado morto.

Os mais intensos combates da Segunda Guerra Mundial ocorreram no território que atualmente pertence a Rússia, Ucrânia, Belarus e países do Leste Europeu.


Trincheiras intactas

Os campos e florestas que serviram como campos de batalha foram muitas vezes deixados para trás intactos, sem que fossem retirados destroços, bombas não-detonadas e corpos, já que não houve tempo para que isso ocorresse.

Aqueles que realizaram escavações nestes locais são normalmente classificados como "brancos" ou "negros". "A primeira categoria se refere a pessoas registradas oficialmente junto a organizações não-governamentais como realizadores de buscas. Elas recebem um visto de trabalho das autoridades regionais onde as escavações estão sendo realizadas.

O propósito principal dos "brancos" é encontrar e enterrar os restos mortais de soldados do Exército Vermelho e confirmar sua identidade. Eles compram seus próprios equipamentos e não recebem remuneração.

Existem diversos grupos de voluntários na Lituânia, Letônia e Polônia. Alguns desses grupos montaram um batalhão formado por soldados, que vistoriam as escavações.

Um batalhão especial de buscas também foi montado na Rússia, mas o número de soldados que ganharam enterros oficiais após as operações de buscas ocorreram, na maioria dos casos, graças aos esforços de grupos de voluntários. Existem mais de 600 deles, ao todo.

Os escavadores classificados como "negros" atuam ilegalmente. Eles encontram corpos de soldados nortos nos campos e às vezes agem até em cemitérios militares, para ganhar dinheiro ou para aumentar suas coleções de memorabília.`

"Esta era uma única trincheira e veja, eles tiraram tudo que podiam daqui. E jogaram fora os restos de soldados. São saqueadores Como é que alguém pode lidar dessa maneira com os restos mortais de pessoas que deram suas vidas por nós?", afirma o voluntário Anatoly Skoryukov, ao me dar um exemplo do que os coveiros "negros" são capazes de fazer.



Venda em mercados

Skoryukov gentilmente começa a juntar os pedaços de um crânio que havia sido rompido com uma pá e outros ossos espalhados em um raio de diversos quilômetros. Alex, um "coveiro negro" que aceitou me levar à floresta com ele, admite abertamente que busca o lucro ao escavar os restos de soldados.

"Se todas essas coisas ainda estão nas florestas, significa que somos os únicos interessados. Se os governos acham isso importante, eles poderiam ter desenterrado tudo isso há muito tempo", afirmou.

Os frutos do trabalho dos "coveiros negros" pode ser visto todos os finais de semana nos principais mercados de segunda mão da maior parte das cidades da Rússia, Ucrânia e alguns países do Leste Europeu. É possível comprar também artigos militares na Internet. Eles são oferecidos por centenas de sites e redes sociais.

E não faltam compradores, colecionadores particulares e seguidores de movimentos neo-nazistas. Poucos deles estão interessados no verdadeiro valor histórico das peças. O mais imporante para eles é encontrar uma suástica.

Um capacete de um soldado do Exército Vermelho pode ser comprado em um mercadinho de São Petersburgo por até US$ 25 (cerca de R$ 50). O mesmo artefato de um soldado nazista custa dez vezes mais. Medalhas militares alemãs, como a Cruz de Ferro, chegam a custar US$ 600 (cerca de R$ 1.184).

Nos anos 90, surgiu um mercado para armamentos "revividos". "Explosivos, rifles e pistolas foram vendidos aos montes. Ainda há muitos deles nos campos, mas eles agora têm sido compradores somente por colecionadores. Para atirar, é mais fácil comprar um rifle Kalashnikov novo ou alguma outra coisa em oferta. É mais barato e confiável.

Mas "coveiros negros" ainda são capazes de fazer dinheiro com munições da Segunda Guerra Mundial. Eles retiram os explosivos de minas e de cápsulas e as vendem para caçadores e pescadores. Estes "explosivos amadores" chegam a ferir e matar pessoas todos os anos. O mínimo erro, durante a excavação pode causar uma explosão.

Esse tipo de venda sem regulamentação de armas e munições é ilegal na Rússia e ao desecrar covas, os "coveiros negros" podem pegar uma pena de prisão de até oito anos. Mas na prática, até mesmo multas são uma raridade.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Mensagem do comandante do AK a uma solicitação judia pedindo armas

Soldados das Waffen SS com um judeu que foi capturado durante a revolta.
Yad Vashem Foto Arquivo 2807/111
Depois de tudo, judeus procedentes de toda classe de grupos incluindo comunistas, se diregem a nós para pedir armas, como se nossos depositos estivessem completos. A modo de experimento, dei-lhes algumas pistolas. Não estou  de todo seguro que utilizaram essas armas. Já não lhes entrego mais armas, porque como já sabeis, nós mesmos não as temo; estamos esperando uma nova expedição. Informamos  aos nossos contatos judeus que temos em Londres.

Kalina

Arquivos do Yad Vashem, 025/93
 
Obs: O General Rowecki, Comandante do Ak, envio sua mensagem ao Governo Polaco de Londres, em 04 de janeiro de 1943. AK -  Armia Krajowa -  Exercito da Patria: O braço militar do movimento clandestino polaco  sob as ordens do governo em exilio em Londres.

Tradução: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)

Fonte: El  Holocausto en documentos -  Selección de documentos sobre la destrucción de los judiós de Alemania y Austria, Polonia y la Unión Sociéticas;  p.336


Pesquisador encontra relatório de deportação nazista em arquivo

Um pesquisador alemão anunciou nesta quarta-feira que encontrou em um arquivo londrino um estremecedor relatório policial sobre a deportação de judeus na Alemanha nazista que constitui um valioso documento histórico.

O relatório, que é assinado pelo capitão da Polícia e membro das tropas de assalto das SS Wilhelm Meurin e data de novembro de 1941, descreve a deportação de Düsseldorf e Wuppertal (oeste da Alemanha) com destino a Minsk (Belarus, URSS) de um total de 992 judeus, dos quais apenas cinco conseguiram sobreviver ao Holocausto.

O funcionário nazista, responsável pela supervisão da deportação, documenta de forma burocrática ao longo de sete páginas todas as paradas do trem da morte, enquanto não há praticamente nenhuma frase sobre o estado no qual se encontravam os judeus deportados Bastian Fleermann, o diretor do memorial das vítimas do regime nacional-socialista em Düsseldorf, explicou que encontrou o documento por acaso ao consultar no catálogo virtual da Biblioteca Wiener de Londres as palavras-chave "Düsseldorf" e "Minsk".

"Não sabemos como (o documento) chegou a este arquivo londrino", declarou Fleermann em Düsseldorf ao apresentar pela primeira vez o relatório policial.

Ao mesmo tempo, ele ressaltou a importância deste documento, já que por enquanto é conhecido apenas um semelhante sobre a deportação de judeus - o "relatório Salitter", encontrado nos anos 60 -, pois os nazistas tentaram eliminar no final da Segunda Guerra Mundial todo o rastro de sua maquinaria assassina.

Este documento, assinado pelo funcionário da Polícia Paul Salitter, descreve com detalhes a deportação no início de 1941 desde a estação para trens de carga de Derendorf, em Düsseldorf, de um total de 1.007 judeus com destino a Riga (Letônia).

terça-feira, 8 de maio de 2012

Cruz Vermelha Internacional e os prisioneiros de guerra alemães em mãos dos Aliados

Prisioneiros alemães, Sinzig, Alemanha, 12  de maio de 1945
Na primeira parte da guerra, havia relativamente poucos prisioneiros de guerra alemães. Isso mudou após o desembarque na Normandia.

Durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, o exército alemão foi vitorioso e houve, conseqüentemente poucos prisioneiros de guerra alemães em mãos dos Aliados. 

Após o desembarque na Normandia dos Aliados, e seu avanço para o interior da Alemanha, o número de soldados alemães feitos prisioneiros cresceu consideravelmente.

A rendição da Alemanha, em 08 de maio de 1945 levou à captura de milhões de soldados alemães que já não podiam contar com o apoio de seu governo, nem de suas famílias, eles mesmos em situação de extrema pobreza. Do lado vitorioso, a opinião pública considerou que os alemães estavam apenas recebendo o que mereciam, e o ICRC ( International Committee of the Red Cross ou CICV - Comitê Internacional da Cruz Vermelha) encontrou-se praticamente sozinho no intervindo em seu nome.

O CICV fez abordagens para as autoridades dos quatro zonas de ocupação e, no outono de 1945, recebeu autorização para enviar tanto ajuda e como delegados para as zonas de franceses e britânicos. Em 4 de fevereiro de 1946, o CICV foi autorizado a enviar ajuda para a zona americana, e em 13 de Abril 1946, obteve permissão para extender essa atividade para a zona soviética.

As quantidades recebidas pelo CICV para esses cativos permaneceu muito pequeno, no entanto. Durante suas visitas, os delegados observaram que os prisioneiros de guerra alemães foram frequentemente detidos em condições desumanas. Eles chamaram a atenção das autoridades para esse fato e, gradualmente, conseguiu fazer com que algumas melhorias fossem feitas.


Tradução: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)

quinta-feira, 3 de maio de 2012

A invenção do povo judeu (A "equivoco" do livro de Shlomo Sand)

Shlomo Sand, autor do livro  "A invenção do povo judeu"


Está em discussão a muito tempo em algumas comunidades e fóruns o assunto sobre bem vendido e polemico livro de Shlomo Sand, " A Invenção do Povo Judeu", onde ele  retrata sobre o passado do povo judeu e sua relação do Estado de Israel. Como anda um pessoal enviando comentários absurdos aqui no blog  esses dias embasado nesse livro, vou dar uma rápida explicação e eventual indicação de leitura. Não vou entrar em detalhes sobre criticas sobre documentação infundas e afirmações feitas por ele, mas vou indicar a resposta da ciência sobre a analise de DNA.

Antes de tudo (porque não quero bajuladores), não estou defendendo o Estado de Israel e seu direito de posse da terra judaico devido a DNA's (que por sinal tenho uma posição extremamente diferente da relacionada aos acontecimentos no Holocausto e seu atual governo e atitudes -que muitos já sabem no qual apoio um estado em que inclua judeus, cristão, árabes sem nenhum tipo de exclusão que está acontecendo de forma hedionda desde sua criação, mas isso é outro papo que não cabe aqui), mas ouvir esse pessoal "revisionista", negacionistas e antissemitas sustentarem essas teses malucas em cima desse tipo de livro é sem sentido e usadas com mal intenção, e pretendo deixar claro para aqueles que antes de comprarem o livro despercebido, pelo "assunto polemico", tenham uma base antes de sair acreditando em qualquer coisa que pega para ler, tanta na internet como em paginas impressas.

Não vou traduzir os textos, deixo isso a cargo dos interessados, que podem facilmente faze-lo usando o Google Tradutor ou mesmo o Google Chrome, que traduz automaticamente, mas vou deixar alguns links que já servem para abrirem os olhos de certas pessoas, links esses de reportagem de publicações cientificas serias e mundialmente conceituadas (como a Science), que explicam pela ciência que a tese de Sand não anda bem no caminho certo.


Science:

Materia no The Daily Beast:

A Sociedade Americana de Genética Humana, no Jornal Americano de Genética Humana (qualquer coisa, procurem pelo nome do artigo que encontra em outros meios científicos). Por sinal, fala ate dos Ashkenazi :

Texto bastante interessante também no The New York Times:
http://www.nytimes.com/2009/11/24/books/24jews.html?_r=1&scp=1&sq=shlomo%20sand&st=cse


Shlomo Sand: A invenção do povo judeu (livro) (Holocausto-doc)

Leiam essa materia sobre os Khazares e os Askhenazi e relacionem ao assunto:
Os khazares e o revisionismo (Holocausto-doc)

Boa leitura e bom conhecimento aos interessados e que permaneçam na agnosia os desinteressados.





terça-feira, 1 de maio de 2012

Destruição de monumentos a soldados mortos.



Tornou-se já tradição, por altura dos aniversários da Vitória sobre o Nazismo, destruir-se monumentos de homenagem aos soldados soviéticos mortos durante a guerra contra o regime de Hitler.


Sintomaticamente, esta tradição nasceu nas ex-repúblicas soviéticas, atualmente Estados independentes cujos habitantes resistiram ao invasor sendo cidadãos da URSS.

Em 19 de abril de 2012 a assembleia municipal de Turka (Ucrânia Ocidental) decretou a demolição do memorial aos soldados soviéticos. Em fevereiro de 2012, apesar de um forte movimento de protesto da população local, em Batumi (Geórgia) foi derrubado o monumento aos soldados soviéticos. Em 19 de dezembro de 2009, as autoridades de Kutaissi (Geórgia) fizeram explodir o Memorial de Glória Militar erigido em homenagem aos georgianos que deram suas vidas pela vitória sobre o nazismo.

Tudo isto não pode deixar de evocar a maneira como os rebeldes líbios destruíram monumentos em túmulos de soldados britânicos mortos na África do Norte durante a Segunda Guerra Mundial.

Idêntico tratamento sem-cerimônia é reservado aos monumentos aos soldados soviéticos e a seus túmulos na Letônia e Estônia. Nestes países atualmente integrantes da União Europeia se tornaram rotineiros desfiles de ex-homens das Waffen-SS de que participam deputados parlamentares. Sobre a quantidade de tinta derramada sobre os monumentos aos soldados soviéticos e o número de pedras funerárias profanadas nas repúblicas do Báltico não existem sequer dados estatísticos exatos.

Neste sentido, importa referir um pormenor importante que muitos políticos nas ex-repúblicas soviéticas fingem ignorar: para lutarem, contra os comunistas, pela independência do país, os ex-defensores da liberdade podiam ter escolhido outra forma de luta que não fosse aliarem-se aos nazis, a não ser que partilhassem as ideias e os métodos de Adolf Hitler.

Durante a ocupação nazista da França onde vivia exilado, Anton Denikin, general do exército imperial russo que combateu contra os bolcheviques durante a guerra civil que se seguiu à revolução de 1917, teve a dignidade e a coragem de rejeitar decididamente todas as propostas de colaboração por parte dos nazistas, apesar de ter sobejos motivos para odiar os bolcheviques.

As atuais gerações do povo alemão julgam por bem pedir desculpas pela barbariedade do regime nazista, responsável pela morte de milhões de pessoas, embora tivessem crescido na nova Alemanha em que a propaganda dessa ideologia totalitária e desumana é perseguida pela lei.

Além de ser impossível imaginar ex-homens das SS desfilarem pelas ruas de Berlim, é bem sabido como os alemães contemporâneos cuidam – por vezes, melhor mesmo do que na própria Rússia - dos túmulos de soldados soviéticos.

Será que subsiste na Rússia o sentimento de ódio aos alemães, atualmente, passadas décadas desde a guerra mais violenta que ceifou cerca de 30 milhões de vidas na ex-União Soviética.

Os primeiros a responder a esta pergunta já durante a guerra, em pleno bloqueio a Leningrado, foram músicos russos que interpretaram peças de Beethoven em salas frias de uma cidade morrando de fome ou por aqueles que conservaram obras de Schiller e Goethe preferindo morrer de frio do que queimá-las para se aquecer durante um inverno particularmente rigoroso.

Uma velha senhora, que perdeu toda sua família debaixo das bombas da Luftwaffe, me contou que, durante a guerra, no meio das ruínas de sua cidade, partilhava com prisioneiros de guerra alemães comida que lhe custa a arranjar para si própria.

Uma história curiosa me foi contada por um conhecido ucraniano que durante a guerra, ainda criança, foi deportado para a Alemanha para trabalhar numa usina subterrânea. As sentinelas alemãs se voltavam nas suas torres de vigia, findingo não repararem nas crianças que passavam do outro lado das cercas de arame farpado para pedirem aos soldados americanos e britânicos chocolate em troca das maçãs colhidas no pomar que disfarçava a usina militar.

Uma senhora habitante da Bielorrússia ocupada se lembrava como soldados alemães, às escondidas, traziam medicamentos a seu filho gravemente doente, o que finalemente lhe salvou a vida, enquanto homens de um destacamento punitivo das SS mataram outros membros de sua família.

A guerra não destruiu o essencial – o humanitarismo -, e os dois povos foram suficientemente inteligentes para separarem as noções de “nazismo” e de “alemães”, de “bolchevismo” e de “russos”, coisa essa de que certos políticos contemporâneos das ex-repúblicas soviéticas parecem incapazes.

Hoje ninguém estranha que o Festival de Cinema de Veneza tenha atribuído o “Leão de Ouro” ao realizador russo Alexander Sokurov por sua adaptação cinematográfica do “Faust”, e ainda por cima em alemão.

Nos anos 80 e 90 do século passado, os cantores alemães Thomas Anders e Dieter Bolen ultrapassaram em popularidade Lênin e os músicos do grupo alemão Scorpions, tal como do lendário Accept, são considerados na Rússia como “nossos”.

A coisa que me mais impressionou em minha infância, passada em Volgogrado (ex-Stalingrado) não foi a gigantesca estátua da Pátria-Mãe, de espada em punho, dominando as margens do Volga, e sim o pequeno memorial que existe à entrada da cidade e que tem o nome de “Campo de Batalha”.

Durante muitos anos depois da guerra, as pessoas recolheram no campo estilhaços de bombas e projéteis, armas russas e alemãs para, mais tarde, juntar todo esse arsenal numa composição escultural – o Monumento. É possívelmente assim que pode se imaginar a Morte, representada em metal deformado, que não poupou nem os Russos, nem os Alemães, naquela batalha que acabou por ser determinante do resultado da guerra.

Stalingrado foi um verdadeiro purgatório que consubstancia, de maneira concentrada, todas as ideias existentes sobre a guerra. No auge do frio, habitantes de Stalingrado cavaram túmulos par soldados russos e alemães. Os mortos jazem em paz ao lado.

A canção Stalingrad, publicada recentemente pelo grupo alemão Accept tem as seguintes linhas:

Dois soldados morrem, a luz se apaga e os corpos abatem.

Mais não são soldados, mais não têm ordens para matar o inimigo.

Juntos, na dor comum, ficaram irmãos de sangue...

“Perdoar” não é, de modo algum, “esquecer”, mas sim não semear o mal.

Stalingrado é o destino que, mais cedo ou mais tarde, merece qualquer agressor, por mais plausíveis que sejam as definições que utilize para disfarçar seus atos, cujas expressões reais são a guerra, o sangue e a destruição. É bom não esquecê-lo. As lições de Stalingrado mantêm plenamente sua atualidade.

Travar guerras contra os mortos é uma atitude profundamente indigna, tanto mais quando travadas pelos descendentes daqueles cuja terra foi liberada dos nazistas, à custa de sua vida, por soldados soviéticos. Eles também amavam a vida, mas esta lhes foi tirada.

Divulgação do livro Torpedo, o terror no Atlântico

Vou abrir espaço para a divulgação de um livro de cunho nacional sobre a atuação marítima em relação ao Brasil na 2ª Guerra Mundial, livro esse feito pelo Oficial Mercante Marcus Vinícius de Lima Arantes. O livro aborda o torpedeamento de navios mercantes brasileiros por submarinos alemães e o eventual patrulhamento pela Marinha do Brasil e pela FAB do Atlântico Sul.

Não posso fazer uma critica mais seria do livro pois ainda não o li o mesmo, mas parece ser bem interessante, e pelo fato de ser algo nacional eque aborda um assunto que é pouco falado, merece ser olhado com outros olhos.

Quem quiser (e deveria) comprar, entre em contato com o autor:
mv.arantes@hotmail.com

Aproveitem e deem uma olhada na  festa de lançamento do livro.


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