18 de outubro de 1942
Budionovka, minha terra natal... diante dos meus olhos surgem imagens familiares: casas brancas escondidas na verdura dos cerejais, ruas retilíneas que descem para o mar. Foi lá que eu nasci, foi lá onde passei a infancia e adolescencia. E eis que os jornais me informam sobre os meus compatriotas. Fiéis às tradições sagradas dos meus avós, os cossacos do Don lutaram corajosamente contra o inimigo. Os alemães martirizavam os cidadãos soviéticos. As bestas sanguinárias mataram uma criança de quatro anos; fuzilaram rapazes e raparigas às dezenas, cujas roupas vendiam ou mandavam para a Alemanha. Os fascistas fuzilaram Catarina Skoroiedova, o velho Saveli Petrovitch Stepanenko, o jovem sapateiro Alexandre Iakubenko, Ludmila Tchukanova, de dezessete anos. Todos são meus conhecidos amigos.
O meu coração está cheio de ódio pelos bárbaros fascistas. O meu único desejo é vingar a morte dos meus amigos de infância o sangue dos cidadãos russos que imundou as ruas da minha aldeia natal. Basta-me fechar os olhos para ouvir a voz da minha amada, - para ver estender-me os braços, implorando-me socorro.
Evgueni Stchurov
Fonte: COELHO, Zeferino - O crime metódico. Ed. Inova Limitada - pg.80
Para entender melhor essa carta, leiam esse artigo que postei:
Extrato do diário de Friedrich Schmidt, o torturador de Budionovka
Extrato do diário de Friedrich Schmidt, o torturador de Budionovka
