domingo, 27 de fevereiro de 2011

Restos humanos nos esgotos de Buchenwald


Buchenwald - 1945
Cheguei ao campo de concentração de Buchenwald em 26 de setembro de 1939 e fui lotado na turma de trabalho dos alojamentos dos prisioneiros, na seção de jardinagem, designado para o nivelamento de terrenos. Em l6 de setembro de 1941, vários oficiais russos capturados foram trazidos para o campo como prisioneiros de guerra, chegando após a chamada da noite. 

Por volta dessa hora, alguns caminhões seguiram em direção ao crematório. Em 18 de setembro, isto é, dois dias depois, um cano do sistema de esgotos ficou entupido sob o terreno em que estávamos trabalhando. Embora eu nada tivesse a ver com o sistema de esgoto, o sargento da SS Döring censurou-me pelo fato de o sistema não estar funcionando. Com um camarada holandês, fui tentar desobstruir o cano. Descobrimos que a causa do bloqueio cera um monte de ossos humanos, alguns ainda cobertos com pedaços de carne não queimada. 

O Sargento da SS Döríng mandou-nos espalhar as cinzas e os restos da carne pelo chão e queimá-los durante nosso trabalho de aplainamento. Eu disse aos meus camaradas: “Vamos cavar um buraco e enterrar tudo de maneira correta.” Contra as ordens do sargento Döring, cumprimos esse plano e enterramos os ossos da maneira mais conveniente possível. O ponto exato ainda está claro na minha memória. De outra fonte, sei que os especialistas em sistemas de esgoto de Bremen descobriram igualmente que a causa do entupimento eram partes semiqueimadas de corpos humanos e ossos.

Anton Janacek

HACKETT, David A. - O Relatório Buchenwald, Rio de Janeiro:Editora Record,1998. Pag. 229

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Extrato do diário de Iohannes Gerder, sobre a estadia e crueldade na Bielorrússia

Soldados alemães desfilam com três jovens por meio de Minsk, antes
 da sua execução. O cartaz diz: Somos partisans que disparamos contra 
os soldados alemães. Minsk, 26-10-941
O Ober-Gefreite Iohannes Gerder da Wehrmacht usou seu diário para escrever os primeiros meses de estadia na Bielorrússia: 

"Agosto de 25. Nós lançamos granadas contra casas onde as pessoas vivem. As casas pegam fogo facilmente e queimam rapidamente. O fogo pula para outras cabanas. Que vista espetacular! Pessoas choram e nós rimos de suas lágrimas. Temos queimado 10 aldeias desta forma.
Agosto, 29. Nós pegamos 12 pessoas que nós deparamos em uma aldeia e os levamos para um cemitério. Fizemos-los cavarem uma sepultura profunda e ampla para si próprios.
Não há e não haverá misericórdia para os eslavos. Condenados da humanidade são estranhos para nós."

Traduzido por: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Livro homenageia os pracinhas da cidade de Socorro-SP

Através de um trabalho de pesquisa, com duração de dois anos, os heróis da Força Expedicionária Brasileira, FEB, serão carinhosamente homenageados. A iniciativa é do pesquisador Derek Destito Vertino, 22 anos, licenciado em História e pós-graduando em História Militar. Em visita a redação do Jornal da Cidade, Derek conta que a idéia de pesquisar sobre os Veteranos da Segunda Guerra Mundial surgiu através de um estágio realizado no Museu Municipal. Neste período encontrou um trabalho escolar de um colégio municipal, sobre o veterano Thomas Borim.

A partir desse material começou a pesquisar, e levantou outros nomes, como: Benedito Vaz de Lima, Luiz Granconato, Manfredo Lugli e Ramiro Zucato. Na seqüência surgiu a necessidade de elaborar um projeto para a construção de um monumento em homenagem aos veteranos. Derek conta que em outras cidades, da região, existem monumentos e o Dia da Vitória é comemorado através de sessões solenes.

Participou de reuniões com a Prefeita e alguns vereadores, que mostraram-se entusiasmados com o projeto. Não tendo obtido nenhuma resposta sobre a possível construção do monumento, decidiu continuar as pesquisas e organizar um livro para contar sobre a Segunda Guerra e os Veteranos de Socorro. O objetivo é promover a participação dos socorrenses, pois ficaram 65 anos no esquecimento.

O livro é dividido em dois capítulos. No primeiro capítulo é abordada sobre a Segunda Guerra, de uma maneira Geral. O segundo fala sobre a biografia de cada Veterano; a cobertura da imprensa local sobre o assunto e finalizando, uma reflexão do autor sobre o Nazismo na região das Águas Paulista.

A previsão de lançamento é para a segunda quinzena de março. Nesta primeira edição serão publicados 500 exemplares, com aproximadamente 120 páginas. A edição é do próprio autor, com impressão da Gráfica “A Moreninha”.

Contato com o autor do livro:

019 – 8126 9182
019 – 8170 9858
Colaborador: Franks Prado – Diretor Responsável pelo Jornal da Cidade
Referência: Jornal da Cidade. Ano I. Número: 11, p. 03
Fonte: Portal FEB

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Tanque T34/76A que lutou pelos dois lados na II Guerra Mundial encontrado em um lago



Um Komatsu D375A-2 puxou um tanque abandonado do fundo do lago perto de Johvi, Estonia. O tanque soviético mod. T34/76A ficou estacionado no fundo do lago por 56 anos. De acordo com as especificações, é uma máquina de 27 toneladas que pode chegar à velocidade máxima de 53km/h.

De fevereiro a setembro de 1944, pesadas batalhas foram travadas na estreita faixa de 50 km de largura, na frente de Narva na parte noroeste da Estônia. Mais de 100.000 homens morreram e 300.000 feridos. Durante batalhas no verão de 1944,o tanque foi capturado do exército soviético e usado pelo exército alemão.(Este é o motivo de estar pintado com as cores alemãs na parte externa do tanque) Em 19 de Setembro de 1944, tropas alemãs iniciaram uma retirada organizada ao longo da frente de Narva. Suspeita-se que deliberadamente jogaram o tanque dentro do lago, sendo abandonado quando os seus captores abandonaram a área.

Nessa época, um menino local caminhado à beira do Lago Kurtna Matasjarv notou rastros de tanque em direção ao lago, mas sem sinais de saída. Por dois meses ele viu bolhas de ar saírem do lago. Isso lhe deu motivos de acreditar que deveria haver um veículo blindado no fundo do lago. Alguns anos atrás, ele contou a história para o chefe local do clube de história da guerra 'Otsing'. Juntos com outros membros do clube, o Sr. Igor Shedunov iniciou pesquisas de mergulhos no fundo do lago aproximadamente um ano atrás. Na profundidade de 7 metros eles descobriram o tanque enterrado debaixo de 3 metros de camada de turfa.

Entusiastas do clube, com a liderança do Sr. Shedunov, decidiram puxar o tanque para fora. Em setembro de 2000, foram procurar o Sr.Mr Aleksander Borovkovthe, gerente da firma AS Eesti Polevkivi, para alugar a escavadeira Komatsu D375A-2. Presentemente em atividade, a escavadeira foi fabricada em 1995, e conta com 19.000 horas de operação sem grandes reparos. 

A operação resgate começou às 09:00 e foi concluída às 15:00, com diversas paradas técnicas. O peso do tanque em conjunto com a declividade dificultou o trabalho exigindo muito esforço. O D375A-2 trabalhou com força e estilo. O peso do tanque, todo equipado com armamentos, chega a 30 toneladas, exigindo esforço similar. A preocupação era da escavadeira de 68 toneladas ter peso suficiente para não deslizar enquanto tracionava o tanque monte acima.

Depois que o tanque aflorou à superfície, viram que era um troféu de guerra, que tinha sido capturado pelos alemães durante a batalha de Sinimaed (Blue Hills) seis meses antes de ser afundado no lago. Juntas, 116 conchas foram encontradas a bordo. Surpreendentemente, o tanque estava em boas condições, sem NENHUMA FERRUGEM,e TODOS OS SISTEMAS (COM EXCEÇÃO DO MOTOR) estavam em condições de uso. Essa é uma máquina muito rara ainda mais considerando que lutou em ambos os lados com russos e alemães. Existem planos de fazer uma restauração total do tanque. Ele será exposto no museu de história de Guerra que sera fundado na vila de Gorodenko na margem esquerda do Rio Narv.

CLIQUE NAS IMAGENS PARA AUMENTAR:















                                                        









Quem quiser ver o motor funcionando, o T34 andando e outros videos, entre nesse site:
http://www.diving.ee/articles/art035.html
Como não achei a fonte primaria, não posso dizer com  certeza a data do achado e nem referenciar.
Obrigado ao Roberto (Holocaust-doc) por ter me lembrado desse achado.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Extrato de uma intervenção do Reichsleiter Rosenberg sobre os objetivos políticos da Alemanha na guerra futura contra a URSS e sobre os planos de desmembramento desta ultima

Reichsleiter Alfred Rosenberg.


 20 de Junho de 1941

...Existem duas concepções opostas sobre a politica alemã a Leste: a política tradicional, e a outra, que, na minha opinião, devemos representar; uma decisão afirmativa ou negativa a respeito desta concepção determinará a marcha dos acontecimentos nos séculos futuros.

Segundo um dos pontos de vista, a Alemanha iniciou o último combate contra o bolchevismo, e este combate, militar e político, deve ser travado até ao fim. Depois, será a época de uma nova organização de toda a economia russa com a com a Rússia nacional renovada.

Esta união formará no futuro um bloco continental invencível.

Será uma união integral porque a Rússia é um país agrícola e a Alemanha um pais industrial, podendo por essa razão opor-se ao mundo capitalista. Era a opinião de numerosos meios. Há vinte anos que sou adversário declarado desta ideologia...

...Presentemente não pretendemos uma «cruzada» contra o bolchevismo unicamente para libertar para sempre «os pobres Russos» do bolchevismo, mas para realizar uma política alemã mundial, para conquistar a segurança do Reich alemão. Queremos resolver não só o problema momentâneo do bolchevismo, mas também os problemas que ultrapassam este fenômeno temporário e que são a essência primeira das forças históricas européias. Deste modo, devemos criar hoje, sistematicamente, a nossa situação futura. A guerra com o fim de formar uma Rússia indivisa está fora de causa. A substituição de Stalin por um novo czar ou o aparecimento neste território de outro chefe nacional mobilizaria ainda mais todas as forças contra nós. Em vez desta idéia até hoje generalizada de uma Rússia unida surge uma concepção totalmente nova do problema do Leste...

Parece-me que a nossa política deve ser orientada de maneira a aproveitar inteligentemente o desejo de liberdade de todos estes povos e dar-lhes estruturas estatais determinadas, quer dizer, separar do enorme território soviético as formações estatais e voltá-las contra Moscou libertando assim durante séculos o Império alemão da ameaça do Leste.

Quatro grandes blocos nos devem proteger e fazer avançar a Europa pelo Leste dentro:

1 -A grande Finlândia
2 -Os países bálticos
3 - A Ucrânia
4 - O Cáucaso...

Não há razão para que esta submissão seja uma lei divina eterna. A política alemã para com os russos consiste em fazer regressar a Moscóvia primitiva às suas velhas tradições e de a voltar para o Leste. Os espaços da Sibéria são enormes e férteis na parte central. Numerosos revolucionários deportados para a Sibéria pelo governo czarista eram homens corajosos. Os regimentos siberianos eram considerados os melhores do Estado russo. Mesmo se expulsarmos os russos destes espaços que não lhes pertencem, ainda lhes restará uma superfície muito maior que a de qualquer povo europeu.

O fornecimento de víveres ao povo alemão durante estes anos será a mais importante exigência alemã ao Leste. As regiões meridionais e o Cáucaso do Norte deverão constituir reservas de víveres para o povo alemão. Não tomamos nenhum compromisso de alimentar o povo russo com os produtos provenientes destas regiões. Sabemos que é uma dura necessidade que ultrapassa a medida de todos os sentimentos. É certo que será necessário proceder a uma grande evacuação, e anos muito duros esperam os Russos. Mais tarde será decidido se se devera manter a indústria (fábricas de construção de material ferroviário, etc.). Para o Estado alemão e para o seu futuro a realização desta política em território russo é uma enorme tarefa política que, ao contrário do que à primeira vista pode parecer, só é negativa se nela se vir somente a dura necessidade da evacuação. A orientação do dinamismo russo para Leste é uma tarefa que exige homens de carácter decidido. É possível que a futura Rússia aprove estas decisões, não nos próximos 30 anos, é claro, mas 100 anos mais tarde, pois a luta no curso destes dois últimos seculos dilacerou a alma russa... Se os russos estão agora isolados do Ocidente, recordar-se-ão talvez da sua força inicial e da terra a que pertencem. É possível que daqui a alguns séculos algum historiador veja esta decisão de uma diferente da de um russo atual.

Em breve vos mostrarei os limites destes quatro comissariados do Reich, sob a reserva que o führer os aprove. Tomou-se em consideração os objetivos políticos, as nacionalidades e os limites administrativos atuais da Uniäo Soviética, que não podem ser imediatamente modificados. 

O comissariado do Reich dos países bálticos será cornposto de quatro comissariados gerais (três deles chamar-se-ão Landeshauptmannschaften), que por sua vez seräo sub-divididos. Os seus limites passarão a oeste de Petersburgo, ao sul de Gatchina, perto do lago Ilmen, e depois para o sul, 250 quilômetros a oeste de Moscou ate ao limite da população ucraniana. A fronteira passará muito para leste, por um lado, pois estas regiões são habitadas pelos restos dos velhos povos estónio e letão, e, por outro lado, será mais racional pois estamos a encarar uma séria germanizaçäo da parte ocidental dos países bálticos e a regeneração do sangue. Entre a Estónia própriamente dita e a Rússia será criada uma zona povoada por Estónios e Letões que executam conscienciosamente as suas obrígações e cujos interesses vitais estão ligados à Alemanha, pois um ataque qualquer vindo da Rússia significaria a sua perda. (O traçado definitivo das fronteiras será evidentemente feito pelo Estado-­Maior geral das forças armadas de acordo com as exigências estratégicas). Junto à fronteira ficará a Bielorússia como lugar de concentração de todos os elementos perigosos do ponto de vista social e que será considerada como uma reserva. Com o tempo esta região obterá uma certa autonomia. À diferença da Estónia, da Lituânia e da Letónia, que serâo Landeshauptmannschaften, a Bielorússía chamar-se-á Comissariado geral.

Este Comissariado do Reich ocupará uma superficie de 550.000 km² com uma população de 19,3 milhões de habitantes.

As fronteiras da Ucrânia rodearão a Ucrânia pròpriamente dita, incluindo as regiões de Kursk, Voroneje, Tambox, Saratov. Há já varíos anos encarreguei os meus serviços de preparar cartas etnográficas de todo o Leste. Estabelecemos aproximadamente os limites etnográficos. A região das terras negras que é a mais fértil da Rússia pode ficar ligada ao governo ucraniano, mas não é essa a solução definitiva do problema.

A Ucrânia será dividida em oito comissariados gerais com vinte e quatro comissariados principais. Ocupará urna superfície de 1,1 milhão de quilómetros quadrados com uma população de 59,5 milhões de habitantes.

No Cáucaso, as fronteiras passam a leste do Volga, e depois ao sul de Rostov. As outras fronteiras de Estado que outrora existiam seguem ainda ao longo da Turquia e do Irã.

Este território tem uma superfície que ultrapassa os 500.000 quilometros quadrados e 18 milhões de habitantes. Será dividido em seis comissariados gerais.

O restante território formará a Rússia pròpriamente dita. Tem uma superficie de 2,9 milhöes de quilômetros quadrados com uma populaçäo de 50 a 60 milhöes de habitantes.

As regiões assinaladas ao alto a branco, säo pouco povoadas. Aquilo que é necessário fazer para dirigir e conservar certas regiões constitui uma tarefa que a nossa geração provavelmente não poderá resolver definitivamente, pois será assunto para vários séculos...

A vinte de Abril do ano corrente, o führer nomeou -me seu delegado direto para a resoluçäo dos problemas do espaço de Leste. É possível que em vez do cargo de delegado seja criada uma administração com missões jurídicas e estatais determinadas.

De momento, não é possível determinar e enumerar os postos de serviço, mas podem ser considerados como resolvidos os elementos seguintes:

1. Eu sou delegado para impor a ordem no Leste.
2. Os quatro comissários do Reich receberão diretrizes da minha parte.
3. Todo o comando na região é assegurado pelo comissário do Reich.

É evidente que isto não colide com as prerrogativas do marechal do Reich, delegado do plano quadrienal. Os comissários do Reich serão os representantes da soberania do Reich alernão e, como adjuntos, terão quatro chefes militares nomeados pelo führer. Os outros problemas gerais e particulares serão resolvidos pelo führer.

Eu nomearei representantes no Estado-Maior geral das forças armadas e no estado-maior do exército, assirn como nos grupos de exércitos, para participar no exame da futura situação politica. Peço que me transmitam as pretensões das outras administrações relativas asquestões que acabo de abordar...

Temos pois diante de nós dois objetivos gigantescos:

1. Assegurar o abastecimento de víveres e a economia de guerra da Alemanha. É esta a grande missão do marechal de Reich.

2. Libertar para sempre a Alemanha de qualquer pressão política proveniente do Leste. É este o objetivo político da luta. Este objetivo será atingido graças a uma política inteligente que analise com exatidão o passado e o presente. A realização de tal politica exige ideias e ações claras e firmes, Toda a ação deve orientar-se para a realização dos dois objetivos. A colaboração benévola de todos os que querem seguir a Alemanha é a garantia de que serão facilmente conseguidos sucessos economicos para o bem estar das duas partes...

Não nos deixemos embalar por ilusões. Trata­-se de um país primitivo e os nossos soldados encontrarão condições muito diferentes daquelas a que estão habituados na Europa. Não encontrarão bancos, nem bons hotéis, nem camas, mas habitações parcialmente destruídas e casas sem conforto. Terão que arranjar tudo o que é necessário a homens cultivados. Todos os homens que forem para este pais devem saber que servem uma missão gigantesca e que aceitaram anos de trabalho colonizador muito duros.

É evidente que a lei considera 1 ano de trabalho no Leste equivalente a 4 ou 5 de trabalho no Reich. Este trabalho difícil deve ser apoiado por todos os meios. Mas pensamos que uma vez realizado terá reflexos durante muito tempo e que, praticamente, a Europa avançará cada vez mais para Leste.Gostaria uma vez mais de vos exprimir o meu reconhecimento pelo apoio que me foi dado durante estas semanas.

Todos os que partem para esta tarefa encarregam-se de um pesado fardo, que aceitam porque que estão a servir a idéia politica do nacional-socialismo, a reorganizaçäo definitiva do nosso velho continente. Se todos nós servirmos esta missão comum, ajudaremos o führer a realiza a grande obra da sua vida.


(O original alemão encontra-se nos Arquivos Centrais da U. R. S. S. sobre a Revolução de Outubro, fundo 7445, registro 2, dossier 144, folhas 330 a 352.)


Notas:
1 - Alfred Rosenberg, um dos chefes e ideólogos do fascismo, tinha a seu cargo desde julho de 1941 o ministério para as regiões ocupadas do Leste, criado com a missão de submeter os povos da URSS.

Transcrição: Daniel Moratori ( avidanofront.blogspot.com)

Fonte: COELHO, Zeferino - O crime metódico. Ed. Inova Limitada - pg.15-22

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Regimento Brandenburger - As Forças Especiais do III Reich



Numa época em que a expressão Forças Especiais ganha cada vez mais espaço, não só entre os militares, mas também na mídia, é interessante examinarmos os feitos de uma das primeiras unidades militares a agirem como tal.
Dentro da mística que envolve as Forças Armadas Alemãs durante a II Guerra Mundial, conhecemos os nomes de unidades famosas como o Afrika-Korps, as temidas Waffen SS, as unidades Panzer ( blindadas ) e os Fallschirmjaeger ( Pára-quedistas). Porem fora do âmbito militar, quase ninguém ouviu falar de uma das mais espetaculares unidades militares da II Guerra, não ficando a dever nada a seus companheiros mais famosos.

Trata-se do Regimento Brandenburg, criado como braço armado da Abwehr, o Serviço de Inteligência Militar alemão, e com a finalidade especifica de operar atrás das linhas inimigas, numa mistura de comandos e unidades de sabotagem. Seus sucessos tornaram-se lendas dentro do Exercito Alemão e de outros que estudaram seus feitos.


Fundação do Brandenburger Regiment Abwehr II 25 de Outubro de 1939.
Desmobilização Oficial 11 de Setembro de 1944
Quartel/General Berlin ( Generalfeldzeugmeister/Kaserne)
Unidades em Rathenow/Havel ( aerotransportados)
Admont/Stelemark (Montanha)
Swinemunde( raids fluviais e costeiros).
Pessoal 320 em Outubro de 1939 
Divisão completa com várias unidades independentes em 1944.


A expressão Brandenburger (homens de Brandenburgo) é usada aqui para designar uma unidade de forças especiais do Exercito Alemão, que foi continuadamente alterada em sua composição durante sua curta historia.

Esta unidade tem suas origens em diversas pequenas formações secretas que operaram nos estágios iniciais da guerra, notadamente nas invasões da Tchecoeslováquia e da Polônia. Consistiam principalmente de homens nascidos e criados em minorias raciais alemãs nestes paises, e operavam atrás das linhas inimigas, antes da chegada das forças regulares.

Diferente das Waffen SS, que buscavam a aparência superior ariana, altos, louros e de olhos azuis, os Brandenburger eram escolhidos justamente por características físicas que não os fizessem chamar a atenção em território inimigo.

A essência de seu sucesso era principalmente a capacidade de misturarem-se com a população local, tornando-se invisíveis aos olhos das forcas inimigas, o que permitia seu deslocamento e o cumprimento de suas missões.

A forca impulsionadora por trás da criação dos Brandenburger foi o Almirante Wilhelm Canaris, chefe da Abwehr (Serviço de Inteligência Militar) que operava sob as ordens da Wehrmacht. O Abwehr Abteilung II/Ausland, departamento responsável por operações, inteligência e sabotagem alem das fronteiras alemãs, criou a Verwendung 800, (companhia de construção e treinamento para missões especiais 800), pouco antes do inicio das hostilidades, incorporando homens de outras unidades e voluntários. A unidade logo tornou-se uma valiosa ferramenta para a Abwehr. O comando operacional continuava nas mãos da Wehrmacht, embora muitos oficiais transferidos para lá não tivessem a mínima idéia do que era e o que fazia a Verwendung 800.

Von Canaris (centro) e Von Hippel (a direta, com o capacete), inspecionam uma unidade Brandenburger.

No inicio, cada membro deveria ser fluente em pelo menos uma língua estrangeira, e treinado em operações militares especiais.O treinamento era feito numa área pertencente a Abwehr, perto de Berlim, onde também eram treinados espiões e sabotadores. O currículo concentrava-se em línguas estrangeiras, demolições, comunicações, penetração em território inimigo em segredo, incluindo por pára-quedas, e táticas de combate de pequenas unidades. Mais tarde, surgiram cursos de equitação, direção e pilotagem. Familiarização com armas incluía todas as armas não-alemãs, desde pistolas a tanques Sherman e T-34. Alguns homens eram pilotos, e numa ocasião na África do Norte, usaram um Spitfire inglês capturado para vôos de observação. Outros receberam instrução especializada nos laboratórios da Abwehr em Berlim-Tegel, onde aprenderam a lidar com equipamentos secretos, como detonadores de tempo, explosivos plásticos, documentos falsificados, disfarces, etc.



Unidades Básicas


1.zbV Deutsche Kompanie - Formada por alemães raciais, notadamente gente do Leste da Europa, Sudetos e Silesia. Alem do alemão, deveriam ser fluentes nos idiomas e dialetos falados nestas regiões. Foram usados com sucesso na defesa dos poços petrolíferos de Ploesti, na Romênia, contra sabotagens aliadas.


2. zbV 800 Brandenburg - Alemães raciais, possuía quatro companhias, um pelotão de motociclistas, um pelotão de pára-quedistas, e outras unidades especializadas, como a Cia. Afegã, fluente em farsi, pushtu e urdu.


3. BaltenKompanie - Alemães étnicos da Estônia, Finlândia, Letônia, Ucrânia e Rússia. Todos deviam falar fluentemente o russo.

4. Cia formada por homens que tinham vivido fora da Alemanha, especialmente na Península Ibérica ou na África. Todos falavam Inglês, Francês, Português ou dialetos africanos, especialmente swahili.


5. Sudetendeutsche - Fluentes em tcheco.


6. Oberschlesier Kompanie- Fluentes em polonês.

Mais tarde, foram agregadas novas unidades, formadas por voluntários ucranianos, alem de voluntários fluentes em árabe e romeno.

Uma companhia (a 15a) foi formada por 127 dos melhores esquiadores da Alemanha, inclusive um Medalha de Ouro das Olimpíadas de 1936, e recebeu treinamento especializado para operar na extensa região do Circulo Ártico, que forma a área de fronteira russo-finlandesa, especialmente nas cercanias do porto russo de Murmansk. Esta unidade foi a responsável por um dos mais espetaculares raids do Front Leste. Guiados por finlandeses, os Brandenburger atravessaram os piores pântanos da Europa, durante duas semanas, assolados por milhões de mosquitos e outros insetos, pesadamente carregados com armas, explosivos, barcos e mantimentos, para atingirem a famosa ferrovia de Murmansk, por onde escoava todo o material de guerra enviado pelos Aliados aos russos.

Alemães do Comando  Brandenburger vestidos como soldados soviéticos durante a operação Barbarossa
Brandenburger - Barcos de assalto em uso


Minaram a linha numa dúzia de lugares, preparados para explodirem aleatoriamente, durante uma semana, o que forçou os russos a despenderem enormes esforços em homens e material para manterem a linha aberta. Quando os russos se deram conta de que as explosões eram sabotagem, e não acidentes, mandaram tropas da NKVD (antiga KGB) para a região, e numa ocasião estes abriram fogo indiscriminado contra uma multidão de soldados russos e civis que tinham vindo ver o que acontecia, por medo de sabotadores, causando um verdadeiro massacre.

No verão de 1942 foi criada uma companhia de raiders, para operações fluviais e ribeirinhas, formada por voluntários do Cáucaso. Sua área de atuação eram os inúmeros rios, lagos e córregos do Front Leste. A Brigada Árabe lutou a partir de 1940 no Líbano, Síria, Iraque e Irã, e mais tarde no Cáucaso, contra os russos, com aliados curdos.

A Legião Árabe operava basicamente na Tunísia, contra os franceses. A partir de Maio de 1943, surgiram a Legião Montenegrina e a Legião Muçulmana, ambas formadas por Albaneses, Bósnios, Macedônios e Montenegrinos de fé islâmica. Combateu principalmente nos Bálcãs, caçando guerrilheiros.

A Asad Índia (Índia Livre) era uma unidade de tamanho regimento, formada por voluntários indianos e prisioneiros de guerra. Treinada na Alemanha, uma parte foi atuar na Índia contra os ingleses, enquanto a outra serviu na Alemanha em unidades antiaéreas.


1-Insígnia divisional do batalhão

2-Insígnia da Compania Tropical Koenen

3-Insígnia Divisional de Veículos - combinando a águia de Branderburg com o capacete da Grossdeutschland Panzer Corps.

4-Insígnia do batalhão de paraquedistas.


Equipamento 

No inicio, os Brandenburger foram equipados com armamento já não mais utilizado pela Wehrmacht. Usaram submetralhadoras Schmeisser MP28/II e Steyr MP16, armas obsoletas para os padrões da Wehrmacht. Mais adiante, quando seu desempenho passou a ser notado, passaram a receber armas e equipamentos conforme pedidos especiais, como submetralhadoras MP40 e pistolas equipadas com silenciadores. Preferiam as pistolas Luger P.08 em lugar das mais modernas Walther P.38, pois a precisão das P.08 era superior, porém na prática usavam muito mais equipamento inimigo do que propriamente alemão.

Especialmente no front russo, onde as PPSh M41 russas e as Suomi M.1931 finlandesas estavam sempre presentes, unidades inteiras de Brandenburger eram armadas com equipamentos inimigos.

Usaram também submetralhadoras inglesas Sten Mk.IIS silenciadas, capturadas dos estoques lançados pela RAF para a resistência. Em missões de longa penetração em território inimigo, os homens recebiam uma pílula de veneno, para evitarem a captura.

Operações típicas incluíam reconhecimento de longo alcance, destruição de objetivos e proteção de centros de comunicação, pontes e suprimentos, como refinarias e depósitos. Eram também usados para criar cabeças-de-ponte pela inserção via terrestre, pára-quedas, lanchas rápidas ou submarinos, além de outras missões especificas, a critério do comando. O homens normalmente operavam disfarçados, usando roupas, armas e veículos do inimigo.

Os Brandenburger foram usados todas as frentes onde os alemães lutaram. Operaram na Dinamarca e Noruega, durante a invasão destes paises; Finlândia, em conjunto com tropas finlandesas, em alguns dos mais espetaculares raids da guerra; na Espanha (Plano Félix, a projetada tomada de Gibraltar); Franca, Bélgica, Holanda, Inglaterra (na preparação da abortada Operação Seelowe); Itália, Grécia (especialmente no ataque aerotransportado a Creta); Romênia (onde defenderam os poços e refinarias de petróleo de Ploesti de sabotagem), Bulgária, Iugoslávia e Bálcãs, Rússia, Líbia (como parte do Afrika-Korps), Tunísia, Egito, Jordânia, Síria, Irã (fomentando um levante contra a ocupação inglesa), Iraque e outros paises do Oriente Médio, Afeganistão, Índia e África do Sul.

O tamanho das unidades variava de acordo com a missão, de grupos de 2 homens ate unidades de mais de 300 homens. Uma esquadra tinha doze homens. Métodos de inserção variavam, alguns de forma bizarra - o vôo da Cia. Afegã (cerca de 20 homens) via avião comercial neutro da Áustria ao Afeganistão, levando cerca de duas toneladas de equipamento, incluindo um canhão AA Flak 30 desmontado, dentro de trinta malas diplomáticas!

Outra jogada interessante foi a inserção em 1940 de cinco homens via submarino na África do Sul, para provocar um levante das tribos contra o domínio branco.

Embora o Almirante Canaris e outros lideres da Abwehr acreditassem haver criado uma espécie de exercito privado, logo se desiludiram - muitos membros desta unidade, embora não necessariamente fanáticos e leais a Hitler e sua ideologia nazista, eram extremamente patrióticos e nacionalistas. Inúmeros viviam no exterior quando a guerra começou, e partiram para a Alemanha em perigosas e aventurescas viagens, rompendo o bloqueio marítimo inglês, apenas para servirem seu Pais. Estes homens não eram leais ao chefe da Abwehr, mas apenas a seu Pais e seus comandantes de unidade. Lutaram pela Alemanha, e não pelo Partido Nazista em geral ou os desejos do Almirante Canaris, em particular. Em 1943, quando a unidade foi elevada ao status de divisão, sua missão foi mudada para a de serem uma força sempre disponível, pronta a resolver problemas urgentes e de difícil sucesso, sob as ordens diretas do Alto Comando do Exército (OKH).

Homens de Batalhão Ebbinghaus posa para uma foto. De uniforme, o Oberleutnant Dr.Herzner. Polónia, Setembro de 1939
No verão de 1941, a imagem mostra uma ponte sobre um rio no setor norte da frente oriental, que é tomada intacta e protegida por uma flak 2cm e um tanque.
Após o fracassado atentado contra Hitler em 1944, as operações da Abwehr foram delegadas ao SD, pois rapidamente foi provado que o Almirante Canaris estava envolvido. Em tempo, foi preso, condenado e executado. Em setembro de 1944, decidiu-se que a Divisão Brandenburger não era mais necessária, sendo então transformada numa simples divisão motorizada da Wehrmacht, embora cerca de 1800 homens tivessem se juntado a Otto Skorzeny e seu Jagdverbande, unidade com missões similares aquelas da Divisão Brandenburger. Alguns destes homens estavam entre os da Brigada 150, que na ofensiva das Ardenas foram enviados para missões atrás das linhas aliadas, causando verdadeiro caos, e criando a idéia, até hoje não provada, de que tinham como missão assassinar o General Eisenhower, Comandante-em-Chefe Aliado na Europa. Eventualmente, foram capturados e executados como espiões e sabotadores, pois usavam uniforme aliado, o que lhes negava o direito de apelarem para a Convenção de Varsóvia sobre o tratamento de prisioneiros de guerra.

Quando a guerra terminou, alguns dos sobreviventes com bom domínio de inglês foram absorvidos pelos Comandos Britânicos, e receberam mais tarde documentos britânicos. Muitos emigraram para a África, a serviço dos ingleses, enquanto outros juntaram-se à Legião Estrangeira Francesa. Lutaram com bravura ao lado de seus ex-inimigos, especialmente na Indochina e na Argélia.

A história de seus feitos merece ser melhor contada, pois suas teorias e experiências práticas forneceram a base da formação de modernas unidades de Forças Especiais, como os SEALs da US Navy e muitos outros ao redor do mundo.

Os russos, sempre atentos às novidades, usaram muito do conhecimento aprendido dos Brandenburger em missões de "imersão" entre populações estrangeiras, para criarem técnicas aplicadas por suas famosas unidades Spetznaz.

Literatura recomendada:
Twilight Warrios - 22Book, England
Corpos de Elite - Editora Abril


Materia: Fernando Diniz - Especialista em Armas e Tropas Especiais
Fonte: http://www.defesanet.com.br/sof/brandenburgo/ (Fonte original)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Simo Häyhä - O Morte Branca

Simo Häyhä em 17 de fev. de 1940 recebendo seu rifle
 honorário modelo 28, durante a Guerra de Inverno.
Simo Häyhä (17 de dezembro de 1905 – 1 de abril de 2002) apelidado de "Morte Branca" ou "Provocador" pelo exército soviético, foi um soldado finlandês e o mais eficiente franco-atirador da história.


Biografia - Juventude e serviço na guerra

Häyhä nasceu na cidade de Rautjärvi, próxima à atual fronteira entre a Finlândia e a Rússia. Fazendeiro de profissão, cumpriu o serviço militarobrigatório de um ano em 1925, sendo convocado em 1939 após a eclosão da Guerra de Inverno entre a Finlândia e a União Soviética. Estacionado na área norte do Lago Ladoga, passou a servir como franco-atirador.

Trabalhando em temperaturas que iam dos −20 aos −40 graus e usando uma camuflagem totalmente branca, Häyhä é creditado por mais de 500 mortes confirmadas de soldados soviéticos. Uma contagem diária de baixas era feita no campo de batalha de Kollaa, e os relatórios não-oficiais finlandeses estimam em 542 o número de mortes atribuído a ele.

Häyhä usou uma variante do rifle soviético Mosin-Nagant, pois se adequava a sua baixa estatura. Para não se expor em seus esconderijos, ele preferia usar miras comuns ao invés das telescópicas, pois com esta última o atirador deve erguer um pouco a cabeça, além de haver o risco dalente refletir a luz do sol. Outra tática usada por Häyhä era compactar a neve à sua frente para que o tiro não a soprasse, revelando sua posição. Ele também colocava neve na boca, escondendo assim quaisquer sinais que sua respiração pudesse provocar.

Novamente, Simo Häyhä em 17 de fev. de 1940 

Além das mortes como franco atirador, Simo Häyhä foi creditado também por abater mais de duzentos soldados inimigos com uma metralhadora Suomi M-31 SMG, elevando assim sua marca para 705 mortes. Este fato, no entanto, nunca foi comprovado. A marca de mais de 500 mortes foi alcançada num período de 100 dias, com Häyhä atingindo o número recorde de 5 por dia, praticamente uma morte a cada hora do curto dia de inverno.

O exército soviético tentou executar vários planos para se livrar dele, incluindo contra-ataques com franco atiradores e assaltos de artilharia, até que em 6 de março de 1940 Häyhä foi atingido por um tiro na mandíbula durante combate corpo-a-corpo. Com o impacto, o projétil girou e atravessou-lhe o crânio. Ele foi resgatado por soldados aliados, que disseram "faltar metade de sua cabeça". Ficou inconsciente até 13 de março, um dia após a assinatura do tratado de paz que pôs fim ao conflito. Pouco depois, Häyhä foi promovido de cabo a primeiro-tenente pelomarechal-de-campo Carl Gustaf Emil Mannerheim. Nenhum outro soldado jamais conseguiu uma escalada de posto tão rápida na história militar da Finlândia.


Simo promovido em 28/08/1940
Velhice

Häyhä levou vários anos para se recuperar do ferimento. A bala, provavelmente explosiva, havia quebrado sua mandíbula e arrebentado suabochecha esquerda. Apesar de tudo, ele se recuperou totalmente, tornando-se caçador de alce e criador de cachorros após a Segunda Guerra Mundial.


Em 1998, ao ser perguntado sobre como conseguiu se tornar uma atirador tão bom, ele respondeu, "prática". Questionado se tinha remorsos por ter matado tantas pessoas, ele disse, "fiz o que me mandaram fazer, da melhor forma possível".

Simo Häyhä passou seus últimos anos em uma pequena vila chamada Ruokolahti, localizada no sudoeste da Finlândia, próxima à fronteira com a Rússia.


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Batalhão Nachtigall

O Batalhão Nachtigall , oficialmente conhecido como Grupo Especial Nachtigall, era uma subunidade sob o comando do Abwehr da unidade especial Lehr Regiment "Brandenburg" z.b.V. 800. Juntamente com o Batalhão Roland foi uma das duas formações militares formadas em 25 de Fevereiro de 1941 pelo chefe do Abwehr Wilhelm Franz Canaris, que autorizou a criação da "Legião Ucraniana" sob o comando alemão. A maioria dos seus membros eram os cidadãos da Polónia de origem ucraniana, leais à Organização dos Nacionalistas Ucranianos liderada pelo Stepan Bandera.

Em Novembro de 1941 na Alemanha o pessoal ucraniano da Legião foi reorganizado em 201° Batalhão Schutzmannschaft. O batalhão contava com 650 pessoas, que serviram um ano em Belarus, antes do desmembramento da sua unidade.

Muitos dos seus membros, especialmente os oficiais se juntaram ao Exército Insurreto Ucraniano, outros 14 membros se juntaram à SS-Freiwilligen-Schützen-Division «Galizien» na primavera de 1943.


Formação e treino


Na Primavera de 1941 a Legião Ucraniana foi reorganizada em duas unidades. Uma das unidades foi conhecida como Batalhão Nachtigall, a segunda unidade recebeu o nome de Batalhão Roland.

O Batalhão Nachtigall recebeu o seu treino na cidade de Neuhammer nos arredores de Schlessig. O seu comandante ucraniano era Roman Shukhevych e o comandante alemão Theodor Oberländer. Mais tarde, Oberländer tornou-se o Ministro de Imigração da República Federal da Alemanha. O Batalhão Nachtigall usava a uniforme padrão do Wehrmacht. Antes da sua entrada em Lviv, os soldados e oficiais colocaram a faixa azul – amarela em um dos braços.

Guerra contra a URSS

Quatro dias antes de ataque contra a URSS, o Batalhão aproximou-se à fronteira entre a Alemanha e URSS. Na noite de 23–24 de Junho de 1941, o Batalhão atravessou a fronteira nas arredores de cidade de Przemyśl e marchou até Lviv.

O Batalhão Nachtigall viajou na companhia da Divisão Panzer-Jaeger e alguns tanques do Batalhão seguiram em direção à Radymno-Lviv-Ternopil-Proskuriv-Vinnytsia.

Lviv

Como parte do 1° Batalhão Brandenburg, os primeiros soldados do Batalhão Nachtigall entraram em Lviv no dia 29 de Junho.

O Batalhão se encarregou de assegurar a guarnição de objetos estratégicos, como a estação de rádio na colina de Vysoky Zamok no centro de Lviv. À partir desta estação de rádio, foi proclamado o Acto de Independência da Ucrânia.

Os soldados e oficiais do Batalhão Nachtigall participaram e organizaram a Declaração da Independência da Ucrânia de 1941 proclamada pelo Dr. Yaroslav Stetsko no dia 30 de Junho de 1941. O capelão de Batalhão Ivan Hrynokh discursou no fim da proclamação da Independência. A administração alemã não apoiou a iniciativa, mas não desencadeou a repressão contra os ucranianos até os meados de Setembro de 1941.

A primeira companhia do Batalhão Nachtigall deixou Lviv juntamente com o Batalhão Brandenburg no dia 7 de Julho em direção de Zolochiv. Os restantes camaradas se juntaram a unidade durante a sua marcha até Zolochiv, Ternopil e Vinnytsia. A unidade participou nos combates na Linha de Stalin, onde alguns membros do Batalhão foram condecorados pelas medalhas alemãs.

Os alemães se recusaram a aceitar a proclamação da independência da Ucrânia do dia 30 de Junho de 1941, sob os auspícios de OUN(B). Como resultado, o Batalhão foi conduzido até Cracow e desarmado no dia 15 de Agosto de 1941. Mais tarde, juntamente com Batalhão Roland foi transformado em 201° Batalhão Schutzmannschaft.



Avaliação



O historiador russo Sergey Chuyev defende que OUN conseguiu o seu objectivo principal – os 600 pessoas receberem o treino e a experiência militar, tornando-se mais tarde os instrutores e comandantes do recém-formado Exército Insurreto Ucraniano.

Durante a sua história, o Batalhão Nachtigall teve 39 baixas e 40 soldados foram feridos.

Crontovérsia

Investigação Canadiana: Envolvimento do qualquer membro do Batalhão Nachtigall nos crimes de guerra não foi estabelecido. A Comissão Canadiana de Criminosos de Guerra em Canadá (Deschênes Commission) estudou as alegações contra os cidadãos residentes em Canadá e não pronunciou nenhum ex-membro do Batalhão Nachtigall. Além disso, concluiu, que as unidades que colaboraram com os nazis não deveriam ser indiciados como um grupo e mera participação em tais unidades não é suficiente para justificar o procedimento criminal.
Os documentos falsos daKGB na ação contra
Theodor Oberländer e Nachtigall ucraniano (1959)
Opinião Mundial: Uma Comissão Internacional sediada em Haia na Holanda em 1959 conduziu uma investigação independente. Os seus membros eram quatro ativistas anti-nazi, o advogado norueguês Hans Cappelen, ex – Ministro dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca e chefe do Parlamento dinamarquês Ole Bjørn Kraft, socialista holandês Karel van Staal, professor do Direito da Bélgica Flor Peeters e jurista e membro do parlamento suíço Kurt Scoch. Após as entrevistas com várias testemunhas ucranianas entre Novembro de 1959 e Março de 1960, a Comissão concluiu: "Após quatro meses de investigações e da avaliação de 232 declarações de testemunhas em todos os círculos envolvidos, pode ser estabelecido que as acusações contra o Batalhão Nachtigall e contra o Tenente e actual Ministro Federal Oberländer não estão baseados nos fatos."

Opinião Ucraniana: A prioridade principal do Batalhão foi a segurança de estação da rádio, jornais e a proclamação da Independência da Ucrânia.

O selo postal ucraniano (2007) em honra do Roman Shukhevych no seu 100° aniversário

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalh%C3%A3o_Nachtigall

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Relatório das operações de assassinatos e apreensões do chefe do Grupo Operacional B

Membros Einsatzkommando atirando em judeus em um campo em Dubossary, Moldavia. As armas são pistolas Mauser. 14 de setembro de 1941. Dubossary, a Moldávia, a URSS.
Extrato de um relatório do chefe do Grupo Operacional B, da Policia de Segurança e do SD sobre operações do grupo de 15 de novembro a 15 de dezembro de 1942¹

29 de dezembro de 1942

...IV. Operações de confiscação

Durante o período referido, o comando especial 7a, além de fardamentos militares russos, apreendeu 51 rublos, um posto de T.S.F. russo e varias caixas com munições russas. O comando especial 7c confiscou 2015 rublos e 71,10 marcos.

O comando operacional 8 apreendeu 99 rublos, dois anéis de ouro, 12 anéis (provavelmente de prata) e quatro pares de brincos de prata.

O comando operacional 9 confiscou quatro moedas de ouro de 1 rublo, dois anéis, 4000 rublos e 635,50 marcos. 

O destacamento da cidade de Smolensk apreendeu 416,21 marcos, 8395 rublos, 5 dolares, 11 zlotis e uma moeda de 50 kopecks.

Em todo território controlado pelo grupo operacional foram lançados por avião panfletos já conhecidos: Noticias da pátria soviética, um apelo à formação de guerrilhas, 10 mandamentos que todo soldado alemão deve saber, Noticias da frente, informações destinadas aos policiais e soldados do exército russo-alemão e varios jornais ilustrados em lingua alemã sobre a vida dos prisioneitos de guerra alemães. Informaram de Sitchovka a aparição de novos panfletos que contem extratos do livro do fuhrer Mein Kampf e do jornal Völkischer Beobachter assim como propaganda contra o recrutamento para o trabalho na Alemanha.

V. Tratamento especial²

Comando especial 7a - 160 pessoas, das quais:
14 judeus,
97 bandidos,
5 alienados,
44 outros inimigos do Reich.

Comando especial 7b - 86 pessoas, das quais:
15 judeus,
2 bandidos,
10 alienados,
59 outros inimigos do Reich.

Comando especial 7c - 530 pessoas, das quais:
17 judeus,
458 bandidos,
33 alienados,
22 outros inimigos do Reich.

Comando especial 8 - 376 pessoas, das quais:
51 judeus,
290 bandidos,
7 alienados,
28 outros inimigos do Reich.

Comando especial 9 - 1167 pessoas, das quais:
38 judeus,
1083 bandidos,
2 alienados,
44 outros inimigos do Reich.

Destacamentos de Smolensk - 108 pessoas, das quais:
19 judeus,
12 bandidos,
16 criminosos de direito comum,
61 outros inimigos do Reich.


Número total de pessoas submetidas a tratamento especial
Comando especial 7a                                        6.788
Comando especial 7b                                        3.816
Comando especial 7c                                        4.660
Comando especial 8                                        74.740R
Comando especial 9                                        41.340
Destacamento de Smolensk                               2.954
Total                                                             134.298

Notas:
1 - O grupo operacional B agia na retaguarda do grupo de exercitos Centro.
2 - Na linguagem dos ocupantes fascistas, as palavras "tratamento especial" designavam a execução.

(O original alemão encontra-se nos Arquivos Centrais da R.S.S. da Bielorussia sobre a Revolução de Outrubro, fundo 655, registro 1, dossier 3, folha 203.)

Transcrição: Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com

Fonte: COELHO, Zeferino - O crime metódico. Ed. Inova Limitada - pg.88-91

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Documento que teria apressado fim da 2ª Guerra é divulgado

Da BBC Brasil

Um documento mostrando que os nazistas tinham sido enganados por um espião duplo em um momento decisivo da Segunda Guerra Mundial foi divulgado no Reino Unido.

O memorando em alemão, interceptado e decodificado por agentes britânicos, confirmou que os alemães tinham acreditado em informações falsas recebidas de um espião espanhol e haviam concentrado suas tropas na região de Pas de Calais, na França, na expectativa de uma invasão britânica.

Isso permitiu que os britânicos seguissem em frente com a planejada invasão da Normandia, em junho de 1944, confiantes de que milhares de tropas alemãs estariam de prontidão em outro local, incapazes de reagir.

Segundo historiadores, a informação contida no memorando salvou vidas e teria apressado o final da Segunda Guerra.


'NENHUM JAMES BOND'

O documento, publicado em primeira mão pela BBC, revela a importância do papel desempenhado pelos especialistas britânicos que trabalhavam para decodificar mensagens secretas alemãs no famoso centro de Bletchley Park, no condado de Buckinghamshire.

Outra figura de destaque no incrível plano armado pelos britânicos para enganar Hitler nos dramáticos momentos que antecederam a invasão da Normandia foi um espanhol, Juan Pujol Garcia.

Pujol, conhecido pela inteligência britânica como Garbo, um homem de negócios de aparência comum, foi um dos mais eficientes espiões duplos da Segunda Guerra.

"Ele não era nenhum James Bond", disse Amyas Godfrey, especialista do Royal United Services Institute, envolvido em um projeto para disponibilizar digitalmente documentos históricos do arquivo de Bletchley Park.

"Era um baixinho calvo, tedioso e soturno, mas enganou completamente os alemães. Eles achavam que as informações que ele enviava eram absolutamente precisas."

Para nazistas, mensagens criptografadas

 pela Enigma não poderiam ser decodificadas

Os nazistas consideravam Pujol --a quem deram o codinome Alaric Arabel-- um dos seus mais importantes informantes. Eles acreditavam que o agente comandava uma rede de espiões e enviava informações cruciais para Berlim através de seu homem de confiança em Madri.

Na verdade, o espanhol trabalhava para os britânicos e quase toda a sua suposta rede de informantes era fictícia.

Para não ser desmascarado, Pujol enviava aos alemães várias informações genuínas. Mas no que se refere à aguardada invasão da França pelos aliados, a coisa era diferente.

Quando se preparavam para o crucial Dia D, o dia em que ocorreria a invasão, os britânicos puseram em ação a Operação Fortitude, um complô para confundir os nazistas sobre o local exato da invasão. Pujol era parte integral dessa operação.


PISTAS FALSAS

A partir desse momento, o espanhol passou a enviar informações fictícias, levando os alemães a acreditar que ataques críticos ocorreriam, com grande probabilidade, na região costeira de Pas de Calais.

Ele disse também que 75 divisões haviam sido reunidas na Inglaterra antes do Dia D, dando a entender que muitas tropas adicionais deveriam ainda desembarcar na França.

Os alemães acreditaram nas informações. O documento reproduzido pela BBC mostra que os relatos foram transmitidos ao alto comando nazista pelo contato alemão de Pujol.

Como resultado, tropas alemãs foram mantidas na região de Calais à espera dos ataques, impedidas de oferecer suporte na defesa da Normandia.

Tão importante quanto o fato de que tropas alemãs estavam concentradas longe do local da invasão foi o fato de que os britânicos sabiam que os alemães haviam sido enganados.


ENIGMA

Berlim não sabia que o código de sua máquina Enigma, usada para criptografar comunicados secretos enviadas pelos alemães, havia sido decifrado por especialistas poloneses.

Em Bletchley Park, cerca de dez mil pessoas trabalhavam decifrando as mensagens.

Quando o documento divulgado agora foi decifrado, os aliados tiveram a certeza de que podiam prosseguir com o plano de invasão, já que milhares de tropas alemãs estariam fazendo guarda em Calais.

"O século 20 poderia ter sido muito diferente se não fosse por isto", disse Kelsey Griffin, diretor de operações do museu de Bletchley Park.

"Nós tínhamos um exército de intelectuais desarmados aqui. "

Vários documentos estão arquivados no centro, intocados, há muitos anos.

O museu espera que, ao serem publicados na internet, os arquivos ajudem historiadores e público em geral a conhecer outros episódios empolgantes da Segunda Guerra Mundial.

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