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terça-feira, 14 de março de 2017

Carpinteiro idoso dos EUA é identificado como nazista que comandou massacres


O carpinteiro aposentado Michael Karkoc, de 98 anos, foi um oficial das SS que devastou povoados.Sua identidade foi revelada após uma investigação da AP, mas a família dele nega.

Michael Karkoc em seu jardim em Minneapolis. RICHARD SENNOTT (AP)
Portava a caveira e as runas com orgulho. Matou homens, mulheres e crianças. Arrasou povoados inteiros. Era a fera de Chlaniów (Polônia). Durante décadas, se ocultou nos Estados Unidos, procurou um lar e teve família. Agora, depois de uma longa peripécia jornalística e judicial, sua identidade foi confirmada. O carpinteiro Michael Karkoc, um pacato ancião de Minneapolis, foi o comandante da Legião de Autodefesa Ucrânia, subordinada às letais SS de Hitler.

Aos 98 anos, o passado se voltou contra ele. A promotoria polonesa se diz “100% convencida” de quem é o antigo nazista e anunciou que vai pedir a sua extradição devido aos massacres cometidos durante a Segunda Guerra Mundial na região de Lublin.

Não será a primeira vez que ele enfrentará a Justiça. Há quatro anos, depois que uma investigação realizada pela agência AP trouxe seu caso à tona, o ministério público alemão quis levá-lo a julgamento. A família de Karkoc conseguiu barrar a iniciativa apresentando documentação médica que supostamente demonstrava sua incapacidade de ser processado. “Não existe nenhuma prova que mostre que meu pai tenha tido alguma coisa a ver com atividades criminosas”, diz o filho de Karkoc.

Esses argumentos não detiveram os promotores poloneses. Como seu país não permite julgamentos em ausência do réu, querem reexaminar o caso em seu território. Ao mesmo tempo, o “caça-nazistas” Efraim Zuroff, do Centro Simon Wiesenthal, adiantou que solicitará uma análise por médicos independentes.

A reconstituição da AP, baseada em testemunhos oculares e documentos, defende que Karkoc ingressou no Exército alemão em 1941. Brutal e determinado, logo recebeu uma Cruz de Ferro e pediu sua entrada na Legião de Autodefesa Ucrânia. Quando esse corpo de exterminadores foi absorvido pelas SS, as unidades de elite hitlerianas, Karkoc brilhou com luz própria e alcançou o posto de comandante.

As atrocidades cometidas por essa brutal manada de nazistas foram inúmeras, mas o acusado é perseguido por ter dirigido uma operação de castigo contra o povoado de Chlaniów – a única para a qual há testemunhas oculares.

Ocorreu em 23 de julho de 1944. Após a morte do comandante oficial, a corpo decidiu fazer uma represália à população civil. Com a ordem de “liquidar Chlanów”, os homens de Karkoc se lançaram à barbárie: queimaram casas e mataram a tiros 44 homens, mulheres e crianças. Outras localidades menores também foram arrasadas.

Depois da matança, a pista de Karkoc começa a se dissipar, como muitas outras coisas nos dias finais da guerra. Suspeita-se que ele esteve em outras unidades das SS e que, como parte de uma delas, pode se dedicar à repressão de membros da resistência eslovena. Não há certezas. Acabado o conflito, seu rastro desaparece até que, em 1949, solicita entrada nos Estados Unidos. Nos documentos, ele alega que não fez o serviço militar e que durante a guerra trabalhou com seu pai. Dez anos depois, recebeu a nacionalidade norte-americana. Meio século mais tarde, foi descoberto. O passado o espera.

Fonte: http://brasil.elpais.com/brasil/2017/03/14/internacional/1489456727_514061.html

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Rússia revela primeiras fotos dos novos mísseis 'Super nucleares' capazes de quase "aniquilar o estado de Nova York"



Os mísseis RS-28 Sarmat substitui os SS-18 Satan em uso desde a Guerra Fria.

A Rússia revelou o seu maior míssil nuclear que é dito ser poderoso o suficiente para quase destruir uma área do tamanho do estado de Nova York com uma única explosão.

O presidente Vladimir Putin quer substituir o envelhecido arsenal de armas SS-18 Satan, que foram originalmente encomendados pela URSS em 1974 do país, com uma nova geração de super-mísseis RS-28 Sarmat.

As novas armas virá com até 16 ogivas nucleares de acordo com imagens divulgadas pelo Makeyev Rocket Design Bureau.

Os mísseis, que vão entrar em serviço em 2018, fará com que as bombas que mataram pelo menos 129.000 pessoas em Hiroshima e Nagasaki no fim da Segunda Guerra Mundial pareçam "armas de brinquedo", de acordo com um especialista.

Dr. Paul Craig Roberts, ex-secretário assistente do Tesouro para Política Econômica, disse em um post de blog que a nova classe de mísseis seria poderoso o suficiente para "apagar três quartos do estado de Nova York durante milhares de anos".

Em uma declaração ao lado das fotos, a Makeyev Rocket Design Bureau disse à agência de noticias estatal Sputnik Internacional: "De acordo com o decreto do Governo russo" na ordem de Defesa do Estado para 2010 e o período de planejamento 2012-2013 ", o Makeyev Rocket Design Bureau foi instruído a começar a concepção e desenvolvimento de trabalho no Sarmat.

"Em junho de 2011, o Ministério da Defesa russo assinou um contrato de estado para o desenvolvimento do Sarmat.

"O sistema de mísseis estratégicos em potencial está a ser desenvolvido, a fim de criar uma dissuasão nuclear segura e eficaz para as forças estratégicas da Rússia."

Ele vem como quando as tensões entre a Rússia e o Ocidente quando estão no seu pior desde o fim da Guerra Fria sobre o comportamento da Rússia na Síria e na Ucrânia.


Zvezda TV, um canal de notícias executado pelo Ministério da Defesa do país, advertiu: "Esquizofrênicos da América estão afiando as armas nucleares para Moscou."

Ao longo de três dias, o exercício executado pelo Ministério da Defesa Civil, Emergências e Eliminação de Consequências de Catástrofes Naturais (EMERCOM) envolveu a participação de 200.000 pessoas de emergência e 40m de civis russos.

Fonte: 
http://www.independent.co.uk/news/world/politics/russia-nuclear-missiles-sarmat-satan-nuclear-war-cold-war-putin-us-a7378876.html

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Diário de chefe da SS encontrado na Rússia revela atrocidades de dia a dia nazista



Vieram a público recentemente detalhes arrepiantes da vida diária de Heinrich Himmler, o chefe da SS nazista que mandou milhares de judeus para a morte no Holocausto.

O tabloide alemão Bild está publicando uma série de trechos do diário de guerra de Himmler, recentemente descobertos na Rússia.

Um dia, escreveu Himmler, ele recebeu uma massagem antes de ordenar a execução de dez poloneses. Ele também relata ter curtido um lanche no campo de concentração de Buchenwald.

Ele ainda conta no diário ter ordenado que cães fossem treinados para "despedaçar pessoas" no campo de concentração de Auschwitz.

Historiadores devem publicar os diários em um livro no ano que vem, com notas explicativas.

Himmler estava no círculo mais próximo de Adolf Hitler e tinha o título e de "Reichsfuehrer SS". Ele comandou os esquadrões que assassinaram judeus, poloneses, soviéticos, ciganos e outros grupos classificados como "racialmente inferiores".

Os diários estão sendo estudados pelo Instituto Histórico Germânico de Moscou. Eles cobrem os anos de 1938, 1943 e 1944 e foram achados em um arquivo do Ministério da Defesa da Rússia em Podolsk, uma cidade ao sul de Moscou.

Historiadores já haviam examinado os diários de Himmler referentes aos anos de 1941, 1942 e 1945 - mas eles não sabiam da existência dos outros até recentemente.

A descoberta é considerada muito importante e os diários têm sido comparados aos do chefe de propaganda nazista Joseph Goebbels.

O pesquisador alemão Matthias Uhl disse que ficou impressionado ao constatar que Himmler dedicava grande preocupação com o bem estar de seus colegas da SS, familiares e amigos - enquanto implementava meticulosamente assassinatos em massa.

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/geral-36961171



Diários de Himmler: massagens, visitas à amante e execuções


Cadernos com rotina do líder das SS estiveram esquecidos durante mais de sete décadas num arquivo militar russo.

Para Heinrich Himmler, um dia de trabalho normal começava sempre com uma massagem do seu médico, Felix Kersten. O líder das SS, encarregue por Adolf Hitler de gerir o extermínio dos judeus durante a II Guerra Mundial sofria de dores de estômago crónicas e esta era a forma que encontrara de as aliviar. A rotina do oficial nazi foi agora revelada pelo jornal alemão Bild depois de analisar os seus diários de 1938, 1943 e 1944, nos quais ficamos a saber que depois das massagens matinais, Himmler se dividia entre chamadas para a mulher e filha, visitas à amante, encontros com oficiais SS ou idas a campos de concentração.

Esquecidos durante mais de sete décadas nos arquivos militares russos de Podolsk, a sul de Moscovo, os diário levados pelos soviéticos no fim da guerra constituem uma espécie de relato da "banalidade do mal", usando a frase de Hannah Arendt escreveu no seu livro sobre o julgamento de Adolf Eichmann, o homem que Himmler escolheu para organizar o dia-a-dia da Solução Final.

Casado com Margaret, a quem chamava Mami, Himmler quase todos os dias ligava à família que apenas visitava algumas vezes por ano no sul da Alemanha. E nunca esquecia Püppi (Boneca), a alcunha que dava à filha Gudrun. Mas os dias do homem que antes de se juntar às SS foi vendedor de fertilizante também passavam pelas visitas à amante e mãe de dois filhos, a antiga secretária Hedwig Potthast, que nunca é no entanto referida pelo nome nos diários, limitando-se Himmler a escrever que estava "em trânsito", quando viajava até à sua casa em Berchtesgaden.

Arquivadas na Rússia como Dnevnik (ou "Diário", em russo), as mais de mil páginas escritas por Himmler revelam a sua crescente influência na estrutura do regime nazi. Quando assumiu a chefia das SS em 1929, estas tinham menos de 300 homens, mas depressa o filho de um professor bávaro fez delas uma força paramilitar com mais de um milhão de homens. Meticuloso e organizado, Hitler nomeou-o ministro do Interior, entregou-lhe a gestão da Gestapo, a polícia política do regime nazi, e a supervisão dos campos de concentração.

No dia-a-dia, Himmler alinhava reuniões com oficiais das SS e entre um telefonema à família e um jogo de cartas ao fim do dia, Himmler assinava ordens de execução e ordenava o envio de milhões de pessoas para os campos de concentração. Uma das entradas do diário termina com a decisão do oficial de mandar executar dez polícias polacos por não terem ripostado quando a sua esquadra foi atacada, numa Polónia sob ocupação nazi.

As idas as campos de concentração eram muitas vezes apenas identificadas como "inspeções", mesmo quando, como a 2 de fevereiro de 1943, se referiam à ida de Himmler a Sobibor onde assistiu à morte de 400 mulheres e raparigas numa câmara de gás, cuja eficácia estava a testar. Já numa ida a Buchenwald, Himmler escreveu que tomara "um snack no café SS-Casino".

De um homem tão cruel já se sabia, no entanto, que não gostava muito de ver sangue. Após a análise deste diários ficamos ainda saber que Himmler esteve à beira de desmaiar durante a execução de um grupo de judeus em Minsk, na atual Bielorrússia, quando o cérebro de uma das vítimas lhe sujou o casaco.

Nos últimos meses, o Instituto de História Alemão, em Moscovo, analisou os diários, cuja autenticidade veio a comprovar. "A importância destes documentos é darem-nos uma melhor compreensão estrutural da última fase da guerra", explicou ao The Times Nikolaus Katzer, o diretor do instituto.

A descoberta destes diários surge dois anos depois de um conjunto de cartas de Himmler enviadas à mulher e à filha, bem como fotografias e até um livro de receitas pertencentes ao oficial nazi, terem sido descobertos em Israel. O tom leve e até divertido com que se dirigia à família - assinando as cartas com "beijos, Heini!"- contrastam com a imagem de carniceiro que ficou para a história.

Muitas vezes fotografado ao lado de Hitler, Himmler, facilmente reconhecível graças aos óculos redondos, foi capturado pelas forças britânicas no fim da guerra quando tentava fugir da Alemanha com documentos falsos. Levado para interrogatório, acabou por se suicidar mordendo uma cápsula de cianeto que tinha num dente. A sua filha Gudrun, hoje com 86 anos, continua a viver em Munique, onde dá apoio a criminosos de guerra nazis.

Fonte:http://www.dn.pt/mundo/interior/diarios-de-himmler-massagens-visitas-a-amante-e-execucoes-5318656.html

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Grupo extremista no Brasil declara apoio ao Estado Islâmico


Informação foi dada pelo SITE, de Rita Katz, nesta segunda-feira.

Um grupo extremista no Brasil declarou lealdade ao Estado Islâmico (EI, ex-Isis) e criou um canal chamado "Ansar al-Khilafah Brazil" na rede social Telegram, que se assemelha ao popular WhatsApp. A informação foi divulgada pela especialista norte-americana em monitoramento de atividades terroristas na web Rita Katz, do SITE, nesta segunda-feira.

De acordo com Katz, esta é a primeira vez que uma organização anuncia aliança com o Estado Islâmico na América do Sul e declara submissão ao líder do califado, Abu Bakr al-Baghdadi.

Dentro do canal no Telegram, o "Ansar al-Khilafah Brazil" comentou que, "se a polícia francesa não consegue deter ataques dentro do seu território, o treinamento dado à polícia brasileira não servirá em nada", referindo-se ao apoio que agências internacionais de inteligência têm oferecido ao governo brasileiro na prevenção de ataques terroristas durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Em um post no Twitter, Katz ressaltou que o grupo está aproveitando o momento para espalhar a ideologia extremista antes da competição esportiva. No fim de maio, o Estado Islâmico criou o primeiro canal em português da organização, também dentro do Telegram. A página, para propaganda do califado, é uma versão em português do já existente "Nashir Channel".

Fonte: reprodução.
Procurada pela ANSA , a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) ainda não retornou ao contato sobre a suposta aliança de um grupo no Brasil ao Estado Islâmico. 

O cientista político Heni Ozi Cukier, professor de Relações Internacionais da ESPM, disse em entrevista à ANSA que qualquer ameaça precisa ser verificada para se constatar se é falsa ou real. "Pode ser só uma oportunidade de aterrorizar antes dos Jogos", afirmou, destacando, porém, que, caso seja verdadeira, o Brasil precisa aumentar sua vigilância.

Na semana passada, a Assembleia Nacional da França publicou o relatório de uma audição com o chefe da Direção de Inteligência Militar (DRM), general Christophe Gomart, no qual o especialista admitia ter informações de que o Estado Islâmico planejara um atentado contra a delegação francesa durante os Jogos. As Olimpíadas do Rio de Janeiro ocorrerão entre os dias 5 e 21 de agosto.

Devido ao massacre em Nice há quatro dias, quando Mohamed Bouhlel atropelou uma multidão e matou 84 pessoas, o governo brasileiro adotou medidas extras de segurança para os Jogos. Ontem (17) foi realizado o terceiro treinamento de forças conjuntas para simular a cerimônia de abertura, que ocorrerá no Maracanã.

A estimativa é de que cinco mil homens da Força Nacional de Segurança Pública e 21 mil oficiais das Forças Armadas, além do contingente fixo do Rio de Janeiro, façam a segurança durante os Jogos Olímpicos.

FONTE:
https://noticias.terra.com.br/brasil/policia/grupo-no-brasil-declara-apoio-ao-estado-islamico,e92750d714e4a43bd8ae86299d5c84e19zhp0lxx.html

Noticia no "SITE":
https://news.siteintelgroup.com/Jihadist-News/ansar-al-khilafah-brazil-pledges-to-is-leader-baghdadi-promotes-is.html

OBSERVAÇÂO: Agora é só esperar e ver se isso não será um Hoax, já que não apareceu nenhum vídeo do suposto grupo.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Tentativa de golpe de Estado na Turquia

Homem se deixa diante de tanque em Istambul. (STRINGER REUTERS)
Hoje, dia 15 de julho de 2016, está em curso uma tentativa de golpe de Estado por uma parcela do Exército turco. Vários setores das forças armadas se levantaram contra o atual governo e estão na tentativa de assegurar a tomada de poder. Os soldados controlaram os aeroportos internacionais de Ancara e Istambul, que estão encerrados e os voos foram todos cancelados.
O governo de Erdogan assegura que os rebeldes pagarão um alto preço pelo levante, e acusa entre varias pessoas e grupos, o clérigo muçulmano Fethullah Gülen, uma das principais vozes da oposição.
O presidente pediu aos seus partidários que saíssem as ruas para tentar frear o levante. Os apoiadores de Erdogan e os contra o golpe saíram as ruas, fazendo grande resistência ao golpe, mas ouve repressão por parte dos soldados, como tiroteio, atropelamentos e helicópteros atirando na multidão. Num ataque de helicóptero em Ancara, ao menos 17 policiais foram mortos, segundo o New York Times.

Seguem algumas noticias e videos mostrando o que está acontecendo hoje:

http://www.liveleak.com/view?i=da3_1468636610 (blindado passando por cima de civis)
http://www.liveleak.com/view?i=7db_1468629548 (mortos na rua por blindados e tiros)
http://www.liveleak.com/view?i=cc3_1468619901
https://twitter.com/MuradoRT/status/754126814692438016
https://www.facebook.com/RTnews/videos/10154499376829411/
http://www.liveleak.com/view?i=dc4_1468623724 (Helicóptero atirando em civis)
http://www.liveleak.com/view?i=08a_1468625165 (Tiroteio sobre a multidão de civis)
http://brasil.elpais.com/brasil/2016/07/15/internacional/1468612953_710585.html
http://www.dn.pt/mundo/ao-vivo/interior/turquia-movimentos-militares-em-ancara-e-istambul-pm-fala-de-golpe-de-estado-5287811.html
http://www.jn.pt/mundo/interior/provavel-golpe-de-estado-na-turquia-5287812.html
http://www.dn.pt/mundo/ao-vivo/interior/turquia-movimentos-militares-em-ancara-e-istambul-pm-fala-de-golpe-de-estado-5287811.html

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Morreu Elie Wiesel, sobrevivente do Holocausto e Nobel da Paz

Elie Wiesel sobreviveu aos campos de concentração nazis da II Guerra Mundial e tornou-se um influente ativista e autor.

Eliezer “Elie” Wiesel, sobrevivente dos campos nazis do Holocausto, vencedor do Prémio Nobel da Paz em 1986 e activista pelos direitos humanos, morreu este sábado aos 87 anos, de acordo com o Museu Memorial do Holocausto Yad Vashem, em Israel.

Nascido em 1928 na Roménia, Wiesel ficou conhecido por manter vivas as suas memórias do Holocausto com o livro Noite, baseado nas suas experiências enquanto adolescente nos campos de concentração de Auschwitz, Buna, e Buchenwald, e pelo papel determinante que teve em promover a educação sobre o Holocausto.

Wiesel “deu expressão à vitória do espírito humano sobre a crueldade e o mal, através da sua extraordinária personalidade e dos seus livros fascinantes”, reagiu o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que diz ter sido “abençoado” por ter conhecido o Nobel da Paz e ter podido aprender “pessoalmente” com ele.

“Na escuridão do Holocausto, na qual os nossos irmãos e irmãs foram mortos — seis milhões —, Elie Wiesel foi um raio de luz e um exemplo de humanidade que acreditava na bondade das pessoas”, acrescentou Netanyahu, num comunicado divulgado pela imprensa israelita.

Foto REUTERS/Jason Reed/File Photo
Quando lhe atribuiu o Nobel da Paz, o Comité Norueguês explicou que o Prémio lhe era devido pelo “trabalho em defesa da paz, da redenção e da dignidade humana”.

O ex-Presidente de Israel Shimon Peres lembrou alguém que “sobreviveu aos maiores horrores da humanidade e escolheu dedicar a sua vida a espalhar a mensagem – ‘nunca mais’”.

Wiesel fez parte do Conselho de Memorial do Holocausto dos Estados Unidos entre 1980 e 1986 e teve um grande papel na criação do Museu do Memorial do Holocausto dos Estados Unidos, em Washington. À entrada do museu, figuram as suas palavras: “Pelos mortos e pelos vivos, temos que passar o testemunho”. Durante a sua vida, usou o seu estatuto de sobrevivente do Holocausto para falar não só sobre este acontecimento, como para chamar a atenção sobre outras situações de genocídio em todo o mundo, como em 2006, quando apareceu ao lado de George Clooney antes de uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, para alertar sobre a crise humanitária no Darfur.

Natural da cidade de Sieghet, a família de Wiesel sofreu as consequências da anexação da cidade por parte da Hungria em 1940, que obrigou todos os judeus a mudarem-se para dois guetos. Em Maio de 1944, os nazis, com a autorização da Hungria, deportaram a comunidade judaica de Sieghet para o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Então adolescente, Wiesel foi enviado para o campo de trabalhos de Buna Werke com o seu pai, Shlomo Wiesel, onde foram forçados a trabalhar durante oito meses antes de ser transferidos para outros campos de concentração perto do final da guerra.

Shlomo Wiesel, subnutrido e com uma inflamação nos intestinos, morreu depois de ser violentamente agredido por um soldado alemão, a 29 de Janeiro de 1945. A mãe Sarah e a irmã mais nova Tzipora também não sobreviveram ao Holocausto, acontecimentos que viria a recordar no livro de memórias, em 1955.

Depois da guerra, Wiesel e outros jovens sobreviventes foram enviados para um orfanato em Écouis, França, pela organização humanitária judaica Oeuvre de Secours aux Enfants, onde viveu durante muitos anos e se reencontrou com a única família directa que lhe restava, as irmãs mais velhas Beatrice e Hilda.

Wiesel prosseguiu depois os estudos em literatura, filosofia e psicologia em Sorbonne, mas nunca chegou a concluí-los, tornando-se depois jornalista em várias publicações francesas e israelitas. Visitou o estado de Israel em 1949 como correspondente para o jornal francês "L’arche". e cobriu, ainda, o julgamento do nazi Adolf Eichmann para o jornal judaico "The Forward".

Apesar do efeito traumático que o Holocausto teve na sua vida, Elie Wiesel só começou a escrever sobre as suas vivências depois de uma conversa em 1954, com o Nobel da Literatura francês, François Mauriac. A primeira versão do seu livro tinha 800 páginas e tinha como título E o mundo ficou silencioso, originalmente escrita em iídiche. Wiesel escreveu em 1958, uma versão mais curta em francês, Nuit, que vendeu até hoje mais de seis milhões de exemplares e está traduzida em 30 línguas.Noite viria a formar parte de uma trilogia de memórias sobre o Holocausto, que incluiria Amanhecer eDia. Foram mais de 40 os livros de ficção e não-ficção escritos por Elie Wiesel.

Fonte:
https://www.publico.pt/mundo/noticia/elie-wiesel-sobrevivente-do-holocausto-e-nobel-da-paz-morre-aos-87-anos-1737093

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Marcha em Auschwitz faz memória a vítimas do Holocausto

"Passeata dos vivos" no antigo campo de extermínio nazista de Auschwitz-Birkenau, na Polônia, lembra seis milhões de vítimas do Holocausto

Milhares de judeus vindos de Israel e de outros países participaram da tradicional "Passeata dos vivos", nesta quinta-feira (5), no antigo campo de extermínio nazista de Auschwitz-Birkenau, na Polônia, para lembrar as seis milhões de vítimas do Holocausto.

Muitos levavam a bandeira israelense sobre os ombros quando cruzaram a porta com a triste e célebre inscrição "Arbeit macht frei" ("O trabalho liberta") do campo de Auschwitz para percorrer depois, em silêncio, os três quilômetros que a separam de Birkenau, o maior dos três campos do complexo de Auschwitz.

Só em Birkenau foram assassinados pelo regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial pelo menos 1,1 milhão de prisioneiros judeus. Auschwitz-Birkenau foi o maior dos campos de extermínio nazista e se transformou no mundo inteiro em símbolo do Holocausto.

As leis de Nuremberg e os julgamentos de Nuremberg foram este ano o tema central desta manifestação, que desde sua primeira edição, em 1988, contou com 220 mil participantes de 52 países, informaram os organizadores.

Ontem, juristas de todo o mundo abordaram em uma conferência na Cracóvia as leis racistas de Nuremberg, que excluíram os cidadãos judeus da sociedade alemã, assim como os processos de Nuremberg que julgaram os oficiais nazistas depois da Segunda Guerra Mundial.

Em uma "Declaração de Nuremberg", os participantes chamaram não só a lutar contra o antissemitismo e a negação do Holocausto, mas denunciaram também a indiferença que deixa a via aberta aos distúrbios, a violência e inclusive ao genocídio.

Foto:Grupo usou bandeiras de Israel para atravessar sob a triste inscrição "Arbeit macht frei" ("O trabalho liberta") do portão do campo de Auschwitz. Foto: Grzegorz Momot / EFE
Fonte:
http://noticias.terra.com.br/mundo/europa/milhares-de-jovens-marcham-em-auschwitz-em-memoria-de-vitimas-do-holocausto,fc5a5db602f81f924a6cd4979f69e873i2n830cb.html

terça-feira, 12 de abril de 2016

Snipers nas Guerras - Da guerra de independência dos Estados Unidos às guerras atuais


M.Books:


Título: Snipers nas Guerras: Da Guerra de Independência dos Estados Unidos às Guerras Atuais.
Autor: Michael E. Haskew
Formato: 17 x 24 cm
Páginas: 216
Área de interesse: 1. Guerra
2. História Geral
3. Táticas de Guerra
ISBN: 978-85-7680-279-2
Preço: R$ 79,00


Michael E. Haskew 

SNIPERS NAS GUERRAS

Da Guerra de Independência dos Estados Unidos às Guerras Atuais. 

Histórias do Tiro Perfeito

Nada gela mais o sangue do soldado no campo de batalha do que o estalo do tiro de fuzil de um sniper. Um atirador habilidoso consegue deter até mesmo grandes unidades com alguns tiros bem dados que eliminem militares importantes, como batedores ou oficiais, e prejudicar gravemente o moral do inimigo.

Snipers nas Guerras examina o impacto e o papel dos atiradores de elite desde a Guerra de Independência dos Estados Unidos até os dias de hoje. 

Embora em épocas anteriores arqueiros especializados conseguissem escolher seu alvo, só no final do século XVIII os avanços da tecnologia possibilitaram o tiro de precisão com arma de fogo. Os caçadores das florestas americanas cobraram seu preço dos soldados britânicos com suas espingardas de caça; nascia a moderna arte do tiro de precisão.

Desde o começo, os snipers precisaram de excelente capacidade de camuflagem e ocultamento, além da boa pontaria, ao arriscar a vida para ter a oportunidade de um tiro perfeito. O livro examina como a arte do tiro de precisão na guerra se tornou mais profissional e especializada, com cursos de instrução e equipamento específico.

Atiradores famosos da história, como o americano Chris Kyle e o russo Vassili Zaitsev, têm seus perfis traçados. Inclui depoimentos de participantes de conflitos atuais como as guerras do Vietnã, do Afeganistão e do Golfo.

SOBRE O AUTOR: MICHAEL E. HASKEW é editor da revista WWII History Magazine. Ele editou e escreveu para publicações históricas militares durante mais de 16 anos. Formou-se em História pela Universidade do Tennessee, campus de Chattanooga, onde mora com a mulher e três filhos. Também foi editor de World War II Desk Reference e do Centro Eisenhower de Estudos Americanos e contribuiu com a International Encyclopedia of Military History.
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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Julgamento de ex-enfermeiro de Auschwitz começa na ausência de acusado

 
Aos 95 anos e com saúde debilitada, Hubert Zafke poderá ser condenado à prisão.

Um tribunal de Novo Brandeburgo, no Leste da Alemanha, começou a julgar nesta segunda-feira à revelia o ex-enfermeiro de Auschwitz Hubert Zafke, de 95 anos, que estava no campo de extermínio quando o comboio de Anne Frank chegou.

A audiência começou na ausência de Zafke. Um especialista médico concluiu no domingo que ele "tinha pensamentos suicidas" e advertiu para possíveis "reações de estresse e hipertensão", razão pela qual não estava em condições de comparecer ao tribunal.

A acusação pediu uma nova avaliação de seu estado de saúde e a audiência foi suspensa pouco depois, após um diálogo tenso com o presidente do tribunal, acusado pela parte civil de parcialidade. A principal incógnita do julgamento é a saúde do acusado. Em um primeiro momento o tribunal considerou que não podia ser julgado, mas a decisão foi anulada em apelação.

Zafke, um antigo membro das SS, é acusado de cumplicidade no extermínio de ao menos 3.681 homens, mulheres e crianças judeus que morreram nas câmaras de gás ao chegar a Auschwitz, em um período de um mês na época da segunda Guerra Mundial. Enfrenta uma pena de entre 3 e 15 anos de prisão, uma condenação principalmente simbólica levando-se em conta sua idade avançada.

A acusação compreende a chegada de 14 comboios de deportados que desembarcaram em Auschwitz procedentes de Lyon, Rodas, Trieste, Mauthausen, Viena e Westerbork, um campo de trânsito na Holanda onde estavam Anne Frank, seus pais Otto e Edith e sua irmã Margot.

A família da adolescente - que passou dois anos trancada em uma casa de Amsterdã para se esconder dos nazistas e cujo diário é famoso em todo o mundo - sobreviveu à "seleção" de Auschwitz entre deportados aptos para trabalhar e os que iam diretamente à câmara de gás.

No entanto, a mãe de Anne, Edith, morreu de cansaço na enfermaria em janeiro de 1945 e suas duas filhas pouco depois, antes da chegada das tropas britânicas.

Saúde precária

O julgamento de Zafke, filho de um agricultor que se alistou nas Waffen SS, um corpo de elite dos nazistas, se focará na questão da saúde do acusado e se está em condições de ser julgado. Ele chegou a Auschwitz em outubro de 1943 depois de ter combatido no front do Leste em 1941. Em 1942 recebeu uma formação para se unir à unidade de saúde das SS.

Em junho de 2015, o tribunal decidiu que não poderia ser julgado devido ao seu estado de saúde, mas a decisão foi rejeitada em apelação após o relatório de um especialista que afirmou que o acusado tem "fracas capacidades físicas e cognitivas", mas não é "totalmente incapaz".

No entanto, nesta segunda-feira o tribunal presidido pelo juiz Klaus Kabisch quer examinar novamente a questão. A acusação civil acusa de parcialidade o juiz e pediu sua suspeição, assim como a promotoria, algo excepcional. Finalmente, a demanda de recusa do juiz e de seus dois assistentes foi rejeitada em 18 de fevereiro.

O caso Zafke forma parte da dezena de julgamentos ainda em andamento contra antigos membros da SS. Há alguns meses Oskar Groning, ex-contador de Auschwitz, foi condenado a quatro anos de prisão. Desde 11 de fevereiro, Reinhold Hanning, um ex-guarda do mesmo campo de 94 anos, está sendo julgado no Oeste da Alemanha.

"Este julgamento demonstra que a justiça às vezes precisa de muito tempo para encontrar seu caminho", disse à agência de notrícias AFP Christoph Heubner, vice-presidente executivo do Comitê Internacional de Auschwitz. "O julgamento chega com décadas de atraso porque durante décadas a justiça alemã não perseguiu o suficiente os crimes de Auschwitz", acrescentou.

Hubert Zafke, defendido por Peter-Michael Diestel, o último ministro do Interior da RDA, que agora se tornou advogado, vive desde 1951 perto de Novo Brandeburgo, onde teve quatro filhos.

FONTE: http://correiodopovo.com.br/Noticias/Internacional/2016/02/580683/Julgamento-de-exenfermeiro-de-Auschwitz-comeca-na-ausencia-de-acusado

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Alemanha julga mais um ex-funcionário de Auschwitz

Reinhold Hanning, ex-guarda do campo de concentração de Auschwitz
 de 94 anos, deixa tribunal na cidade de Detmold, na Alemanha
(Foto: PATRIK STOLLARZ / AF
Após condenação do "contador de Auschwitz", mais um caso vai a tribunal na esteira do precedente aberto pela condenação de John Demjanjuk em 2011. Aposentado de 94 anos é acusado de cumplicidade em 170 mil assassinatos.

Começa nesta quinta-feira (11/02) o julgamento de um ex-guarda do campo de concentração de Auschwitz que é acusado de cumplicidade no assassinato de 170 mil pessoas. Esse é o primeiro de até quatro casos que serão levados a tribunal ainda neste ano.

O aposentado Reinhold Hanning, de 94 anos, é acusado de trabalhar em Auschwitz como membro da SS – tropa de elite dos nazistas – de janeiro de 1943 a junho de 1944. Durante esse período, de acordo com as investigações, centenas de milhares de judeus deportados da Hungria chegaram ao campo de concentração. Quem não tinha capacidade para trabalhar era encaminhado para a execução em câmaras de gás.

O julgamento do aposentado, na cidade de Detmold, no oeste da Alemanha, é um dos mais recentes processos a seguirem o precedente jurídico estabelecido em 2011, quando o ucraniano John Demjanjuk se tornou a primeira pessoa a ser condenada na Alemanha apenas por servir como guarda em um campo de concentração, mesmo sem evidências de envolvimento em um ato criminoso específico.

Veredicto de 1969 impedia julgamentos

Até então, os tribunais seguiam determinação da Corte Federal de Justiça de 1969, segundo a qual a condenação de uma pessoa que trabalhou num campo de extermínio dependia da comprovação da culpa individual do réu, ou seja, do seu envolvimento num crime determinado, o que muitas vezes era impossível de ser comprovado.

O veredicto de Demjanjuk acabou com essa jurisprudência e ampliou sensivelmente o número de possíveis processos contra ex-trabalhadores de campos de extermínio nazistas.


O advogado de Hanning, Johannes Salmen, afirma que seu cliente reconhece que serviu em Auschwitz I, parte do complexo situado na Polônia ocupada, mas nega que tenha servido na seção Auschwitz II-Birkenau, onde a maioria das 1,1 milhão de vítimas foi morta.

O procurador Andreas Brendel argumenta, entretanto, que os guardas no campo principal também eram convocados a ajudar em Birkenau quando chegavam trens trazendo mais judeus. "Acreditamos que esses auxiliares foram utilizados em particular durante a chamada ação húngara, em apoio a Birkenau", disse.

Pelo menos três sobreviventes de Auschwitz são aguardados como participantes do julgamento. Eles devem depor sobre suas experiências durante os dois primeiros dias do processo.

Acusado: Reinhold Hanning foi um membro da  divisão SS Totenkopf em Auschwitz.
Cerca de 30 novos casos

O caso de Hanning é um dos cerca de 30 envolvendo ex-guardas de Auschwitz que são investigados por procuradores federais do Escritório Central para a Investigação de Crimes do Nacional-Socialismo, sediado em Ludwigsburg.

O escritório investigou mais de 7 mil casos após o veredicto contra Demjanjuk, iniciando uma grande revisão em seus arquivos, mas não tem poderes para abrir processos, enviando-os para os ministérios públicos regionais em 2013, com a recomendação de que eles denunciem formalmente os suspeitos.

Embora Demjanjuk sempre tivesse negado ter servido no campo de extermínio e tenha morrido antes de seu recurso judicial poder ser avaliado, promotores conseguiram, no ano passado, usar o mesmo raciocínio jurídico para condenar Oskar Gröning, conhecido como "o contador de Auschwitz", por cumplicidade no assassinato de 300 mil pessoas entre maio e julho de 1944. O recurso de Gröning deve ser julgado ainda este ano, mas promotores não estão esperando pelo resultado para avançar com outros casos.

Hubert Zafke, de 95 anos, também um ex-integrante da SS, deve ir a julgamento no final de fevereiro em Neubrandenburg, ao norte de Berlim, acusado de cumplicidade no assassinato de 3.681 pessoas quando trabalhou como médico em um hospital da SS em Auschwitz em 1944.

"Vergonha para a Alemanha"

O advogado dele, Peter-Michael Diestel, argumenta ser uma "vergonha" para a Alemanha que muitos criminosos de alta patente de Auschwitz e outros criminosos de guerra nazistas tenham conseguido escapar nos primeiros anos após a Segunda Guerra, com sentenças mínimas ou sem serem condenados. Ele questiona se os promotores estão tentando "compensar os erros do passado" com o seu cliente.

Dois outros cujos casos que devem ir a julgamento este ano são o de uma mulher de 93 anos que é acusada de cumplicidade na morte de 260 mil pessoas quando serviu como operadora de rádio para o comandante de Auschwitz em 1944; e de um homem de 94 anos, acusado de cumplicidade em 1.276 assassinatos quando serviu como guarda em Auschwitz. Em todos os quatro casos, a saúde dos réus será fator importante para se saber se os julgamentos poderão ocorrer.

O processo de Hanning será limitado a duas horas por dia, em razão da idade dele. O advogado do réu afirma que a saúde de seu cliente será verificada novamente por um especialista quando o julgamento for iniciado.

Ainda assim, Jens Rommel, chefe do Escritório Central para a Investigação de Crimes do Nacional-Socialismo, garante que é muito cedo para se falar em uma última rodada de processos. Ainda existe agora meia dúzia de investigações abertas por procuradores estaduais, e seu escritório está investigando outros sete suspeitos, tanto de Auschwitz como do campo de extermínio de Majdanek.

MD/ap/afp/dpa
Fonte: http://www.dw.com/pt/alemanha-julga-mais-um-ex-funcion%C3%A1rio-de-auschwitz/a-19038694

domingo, 13 de setembro de 2015

"Ex-Skinhead" é acusado de matar tia e esquartejar o corpo


Guilherme Lozano Oliveira, vulgo Treze.
Fichado na polícia como skinhead e neonazista, o lutador de jiu-jítsu Guilherme Lozano Oliveira, de 22 anos, matou a tia Kely Cristina de Oliveira com um golpe chamado mata-leão - o braço em torno ao pescoço imobiliza e sufoca a vítima. Depois, esquartejou a mulher de 44 anos, retirou as prateleiras da geladeira e lá escondeu o corpo. Tudo isso há dois meses. Só na quarta-feira, 5, seu pai desconfiou do sumiço da irmã e chamou a polícia. Guilherme ainda tentou fugir, mas acabou preso.

Aos policiais militares que o detiveram, o acusado confessou o crime. "Estou arrependido", disse. A Justiça decretou sua prisão por homicídio, por ocultação de cadáver e por desobediência, em razão da fuga.

Não foi a primeira vez que o lutador foi parar na cadeia. Ele passou oito meses atrás das grades em 2011, depois de participar de uma emboscada de skinheads contra punks e de matar a facadas um dos rivais: Johni Raoni Galanciak. O crime aconteceu na frente do Carioca Club, em Pinheiros, zona oeste . Acabou solto pela Justiça. Condenado a 15 anos, apelou da sentença e aguardava o julgamento do recurso em liberdade.

Na quarta-feira, 5, o pai do rapaz, o aposentado Marco Antonio de Oliveira, de 48 anos, foi ao apartamento em que o filho vivia com a tia. Queria notícias da irmã. Como o jovem não soube explicar o sumiço de Kely, o pai decidiu chamar a polícia. Atendendo à denúncia, os homens da 3ª Companhia do 5º Batalhão da Polícia Militar foram ao apartamento do acusado. Ao notar a aproximação dos PMs, o lutador entrou em seu Escort preto, que tem nas portas uma cruz de ferro - símbolo militar alemão - e acelerou. Ele dirigiu o carro em alta velocidade até bater em um poste da esquina das Avenidas Julio Buono e Major Dantas Cortes, na Vila Gustavo, na zona norte. Eram 22 horas.


Nervoso

Preso, foi levado primeiramente para o 73º Distrito Policial e, depois, para o 39º DP. Ao delegado Milton Gomes de Oliveira, assistente do 39º DP, Lozano disse que a tia era "bipolar" e "tinha ataques nervosos". Em um desses episódios, ocorrido havia dois meses, ele afirmou que tentou controlá-la, aplicando um golpe em seu pescoço, que a matou.

O acusado disse ao delegado que usou "força desproporcional" - além de lutador, o rapaz tem 1,90 metro de altura. O lutador contou que, após perceber que a mulher havia morrido, pensou em ligar para a polícia, mas ficou assustado. Disse que saiu de casa, ingeriu bebida alcoólica, até que teve a ideia, no mesmo dia, de ocultar o corpo. Ele afirmou ter usado um facão que tinha em casa para separar a cabeça e os membros do tronco da tia. O objeto, contou, foi descartado mais tarde em uma estrada.

Em seguida, removeu as prateleiras da geladeira para guardar todas as partes. A ideia era levá-las, peça por peça, a um sítio da família em Itapevi, na região metropolitana. Só os braços foram levados e, segundo ele, enterrados em um sítio que pertenceu à família dele.

Tatuagens das runas das SS
Peritos foram ao apartamento na Vila Gustavo e acharam os restos da mulher em sacos plásticos na geladeira. O tronco estava em uma mala. Foi solicitada perícia no local e no Escort. À tarde, os investigadores foram a Itapevi tentar achar os braços no sítio, sem sucesso.

De acordo com o delegado assistente Fábio Martin, que acompanhou a busca, os braços não foram encontrados na mata apontada pelo criminoso, mas a suspeita é de que tenham sido levados por algum animal. "Acreditamos que lá era o local, uma mata fechada. Ele está colaborando com as investigações." O delegado Martin contou que o rapaz confessou ter levado só os braços porque era mais fácil de carregar.

Desemprego

De acordo com a polícia, Guilherme estava desempregado, não tinha renda e morava de favor com a tia. Além disso, afirmou ter deixado de ser skinhead. Ainda segundo a polícia, o jovem admitiu que integrava um grupo neonazista em 2011. Também afirmou ter sido punk. O lutador tem tatuagens alusivas aos dois grupos, bem como a imagem de um fuzil AK-47 desenhada na testa.

Fonte:
http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2015/08/07/ex-skinhead-e-acusado-de-matar-tia-e-esquartejar-o-corpo.htm


Para entender mais sobre Guilherme Lozano Oliveira:

‘Me sinto um lixo’, diz assassino confesso que esquartejou a própria tia
http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/08/me-sinto-um-lixo-diz-assassino-confesso-que-esquartejou-propria-tia.html

Ex-skinhead matou tia com golpe de jiu-jítsu e usou facão para cortar corpo:
http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/08/ex-skinhead-matou-tia-com-golpe-de-jiu-jitsu-e-usou-facao-para-cortar-corpo.html

Jovem é suspeito de matar tia, cortar corpo e congelar partes em geladeira
http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/08/jovem-e-suspeito-de-matar-tia-cortar-corpo-e-congelar-partes-em-geladeira.html

Entenda as tatuagens do skinhead suspeito de matar punk em SP:
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/sp/entenda-as-tatuagens-do-skinhead-suspeito-de-matar-punk-em-sp/n1597204167319.html

Polícia prende suspeito de ter matado jovem punk durante briga
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/sp/policia-prende-suspeito-de-ter-matado-jovem-punk-durante-briga/n1597203285933.html

Três anos depois, skinhead neonazista é condenado por assassinar punk:
http://spressosp.com.br/2014/11/06/tres-anos-depois-skinhead-neo-nazista-e-condenado-por-assassinar-punk/

Tem até o Datena(o que quer dizer que passou para um grande numero de pessoas na TV aberta também) batendo boca com ele numa comitiva a imprensa. Nem ia colocar o link aqui, mas da pra ver o depoimento do Guilherme:
http://televisao.uol.com.br/noticias/redacao/2015/08/07/datena-promove-dialogo-tenso-ao-vivo-com-acusado-de-esquartejar-tia.htm

E por final, pra quem tiver estomago pra ver o que esse pessoal é capaz, ai está o trabalho do Skinhead neonazista:
http://www.tribunadachapada.com.br/2015/08/jovem-e-preso-sob-suspeita-de.html




sexta-feira, 24 de julho de 2015

Morre Aleksander Henryk Laks, sobrevivente do Holocausto


Polonês radicado no Brasil tinha 88 anos e tratava de infecção pulmonar. Funeral será em associação israelita, na Praça da Bandeira.

Alexander Laks durante cerimônia de abertura oficial da mostra
 'Tão somente crianças: infâncias roubadas no Holocausto
Aleksander Henryk Laks, sobrevivente do holocausto, foi enterrado nesta quarta-feira (22), no Rio de Janeiro. Laks, que tinha 88 anos, tratava de uma infecção pulmonar e morreu na terça-feira (21).

“Nosso pai, sogro e avô morreu hoje (terça). Agradecemos todo o carinho de vocês ao longo desses últimos dias. As correntes positivas trouxeram paz para ele e para a família", escreveram os parentes no Facebook. 
Ainda na rede social a família pediu para ninguém levar flores ao sepultamento. 

Em entrevista ao Portal RAC, em julho de 2014, Laks mostrou que por trás dos óculos e do peso da idade, havia uma história impressionante. O polonês ficou cinco anos e meio confinado em campos de concentração em seu país, de 1940 a 19 45, período em que perdeu o pai e a mãe. Dois anos depois de resgatado começou a reconstrução de sua vida no Brasil, único país onde tinha familiares vivos.

No Brasil foi presidente da Associação Brasileira dos Israelitas Sobreviventes da Perseguição Nazista e em 2000, publicou “O Sobrevivente: Memórias de um brasileiro que escapou de Auschwitz”, biografia em que narra suas memórias dos seis anos em que viveu em campos de concentração.

Fonte: http://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/07/capa/nacional/303051-morre-aleksander-henryk-laks-sobrevivente-do-holocausto.html

domingo, 5 de julho de 2015

Filme raro achado no Brasil mostra vida de judeus em campo da Bulgária



Filmagem foi feita em campo de trabalhos forçados durante a 2ª Guerra.
Família descobriu material em SP e doou a museu nos EUA; veja trechos.

Quando migrou da Bulgária para o Brasil, em 1948, Licco Haim trouxe na bagagem um material que, décadas depois, revelou-se um tesouro histórico: filmes que mostram o dia a dia de judeus em um campo de trabalhos forçados na 2ª Guerra Mundial.

Judeu nascido na Áustria, Licco morava na Bulgária, que na época era aliada da Alemanha nazista. Em 1941, foi enviado para o campo de Lakatnik, a 40 km da capital, Sófia. Lá, participou da construção de uma estrada junto com outros judeus, ciganos e minorias discriminadas. Anos depois, migrou com a família para o Brasil, onde morou por 54 anos, até sua morte.

Fã de fotografias e filmes, Licco tinha uma câmera, algo incomum na época, e com ela registrou a sua rotina e a de outros prisioneiros.

As imagens, redescobertas pela família no ano passado, mostram cenas como os presos quebrando pedras, afiando ferramentas, explodindo dinamite, pegando sua ração de comida ou fumando e escalando montanhas nos momentos de folga.

Licco Haim (de óculos) no campo de trabalhos forçados
 (Foto- USHMM / Doação de Salvator Haim)
De acordo com o Museu da Memória do Holocausto dos EUA, que recebeu os filmes como doação, a gravação tem grande valor histórico por ser uma das poucas no mundo feitas sob a ótica de um prisioneiro, e não do regime que controlava o campo.

Não se sabe como Licco conseguiu captar as imagens dentro do local. Uma das hipóteses é que os próprios guardas tenham pedido que ele levasse a câmera para filmar cerimônias oficiais e ele aproveitou a oportunidade para gravar outros momentos do cotidiano.

Após seis meses, ele foi dispensado do campo de trabalhos forçados por suas habilidades com mecânica, necessárias para o país naquela época. Sete anos depois, quando a Bulgária já era comunista, migrou para o Brasil com a família e morou em São Paulo até 2002, quando morreu.

Surpresa
Os filmes perderam qualidade e ficaram incógnitos por muito tempo, já que a família não sabia exatamente do que se tratava. “Ele trouxe para o Brasil, o que significa que dava importância ao material. Mas depois disso nunca mais deu bola e raríssimas vezes tocou no assunto”, conta seu filho, Salvator Haim.

Em 2014, quando o sobrinho dele, Ilko Minev, escreveu um romance baseado na história do tio, a família redescobriu as latas com os filmes. “Não conseguimos ver o conteúdo, porque a lâmpada do projetor queimou. Foi o que preservou, porque esses filmes antigos se desgastam cada vez que são vistos. Eles estavam dentro de uma mala e não sabíamos o que fazer com eles”, conta Ilko.

Por sugestão de um amigo, a família levou os filmes para o museu em Washington, que os recuperou, remasterizou e usou como objeto de pesquisa.

Segundo Ilko, os diretores do museu tiveram uma surpresa quando perceberam do que se tratava o material. “Foi emocionante. Não esperávamos a recepção que tivemos. Aí que nos demos conta de que nossos filmes tinham um valor extraordinário”, afirmou.

Ao G1, Lindsay Zarwell, que trabalha no Arquivo de Filmes Steven Spielberg, pertencente ao museu, afirmou que as gravações de Licco são valiosas para o acervo da instituição e para ajudar a reconstruir a história dos judeus na Bulgária.

“Filmes assim são poderosos não apenas por seu significado histórico, mas também porque chamam a atenção para a vida das pessoas comuns. É importante capturar a história de indivíduos para revelar a verdade sobre os horrores do Holocausto na esperança de um futuro mais justo”, diz.

Os filmes de Licco estão sendo incorporados a um arquivo do museu que inclui entrevistas do diretor Steven Spielberg com sobreviventes de campos de concentração e por isso foi batizado com seu nome (veja três trechos neste link)

Nazismo, comunismo e vinda ao Brasil

Licco Haim mudou-se com o pai da Áustria para a Bulgária aos 18 anos. Entendido de mecânica, prosperou no ramo automobilístico até sua empresa ser confiscada pelo governo antissemita e ele ser enviado para o campo de trabalhos forçados, como quase todos os outros homens judeus.

Graças a uma ponte que aparece nas filmagens, os familiares conseguiram localizar onde ficava o campo. A estrada construída pelos prisioneiros existe até hoje. Na Bulgária, esses campos – inicialmente administrados pelo exército do país e depois pelos alemães – não eram de extermínio, como em outros países.

“Foi um regime duro, mas a intenção não era exterminar. Era explorar, mas não matar. Por isso a Bulgária começou e terminou a guerra com o mesmo número de judeus: cerca de 50 mil”, conta Ilko, que é búlgaro e veio para o Brasil já adulto, em 1970, por perseguições políticas do regime comunista.

Depois de ser liberado do campo, Licco conseguiu recuperar a empresa, mas ela foi tomada novamente em 1948, quando a Bulgária já era comunista. “Aí ele desistiu e resolveu ir embora de lá”, conta Salvator.

Após passar pela Suíça e pela França, Licco, a mulher, a sogra e o filho (que na época tinha dois anos) pediram visto para vários países. Resolveram vir para o Brasil, onde o documento saiu primeiro. Entre sair da Bulgária e chegar ao Brasil a família levou seis meses.

Em São Paulo, Licco trabalhou em companhias de automóveis e depois fundou a própria empresa metalúrgica. Tinha vários hobbies: escalar, velejar e jogar xadrez eram alguns deles.

Ele e a mulher adoravam morar aqui. “Ai de quem falasse mal do Brasil”, afirma Salvator. "Eles se consideravam brasileiros."



Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/07/filme-raro-achado-no-brasil-mostra-vida-de-judeus-em-campo-da-bulgaria.html

terça-feira, 10 de março de 2015

Pesquisa sobre violência sexual na Segunda Guerra só está no começo

Historiadora alemã relata em livro casos de estupros de mulheres alemãs no fim da Segunda Guerra. Não só membros do Exército Vermelho cometiam crimes, como se pensa, mas também soldados aliados.
Alemãs dançam com soldados americanos no pós-guerra
No livro Als die Soldaten kamen (Quando os soldados chegaram), a historiadora alemã Miriam Gebhardt mostra que não só membros do Exército Vermelho soviético estupravam alemãs no final da Segunda Guerra Mundial, mas também soldados americanos, franceses e britânicos.

Em entrevista à Deutsche Welle, a autora conta que a forma de agir dos soviéticos era parecida com a dos militares aliados. Acima de tudo, o tema ainda é pouco pesquisado.

Deutsche Welle: Podemos falar das vítimas alemãs hoje, 70 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial? Ou o estupro das mulheres alemãs ainda é um tema tabu?

Miriam Gebhardt: Gostaria de falar menos sobre uma proibição, do que do fato de as vítimas não receberem nenhuma simpatia, nenhuma compaixão da sociedade. Acho que esse era um tema muito vergonhoso para as próprias vítimas. E, sim, também houve uma fase em que era politicamente impossível se falar de vítimas alemãs.

Em primeiro lugar, porque era importante tratar dos crimes do nacional-socialismo e da Wehrmacht e, por outro lado, devido a uma lealdade política em relação aos respectivos aliados, tanto da RFA, em relação aos aliados ocidentais, como na RDA, em relação à União Soviética.

Até hoje, o seguinte ficou gravado na memória coletiva: em primeira linha, os soldados do Exército Vermelho é que estupravam as mulheres alemãs, os soldados americanos, por sua vez, lhes davam flores e chocolates. O que há de verdade nisso?

Esta é, de fato, a grande imagem distorcida que temos hoje. Ela se baseia no fato de que as mulheres alemãs já tinham sido preparadas pela propaganda de guerra nazista, antes do fim da guerra, para serem estupradas por soldados soviéticos. Uma expectativa que então também se confirmou. Portanto já havia uma linguagem para esses crimes.

O que, no entanto, não se confirmou foi a expectativa de que os soldados aliados ocidentais não fariam uma coisa dessas. Mas também eles estupravam. Encontrei provas nesse sentido, mas só poucos testemunhos das próprias mulheres que relatassem estupros pelos soldados ocidentais.

Então, não é verdade que a maioria dos casos de estupro era cometida na zona de ocupação soviética?

É verdade, sim. Mas também tem algo a ver com o desenrolar da guerra. O que realmente foi surpreendente para mim foi ver que, estruturalmente, os estupros pelos soldados ocidentais obedeciam ao mesmo esquema. Geralmente eram antecedidos por saques: os soldados invadiam as casas e primeiro confiscavam coisas de valor, roubavam bicicletas, tomavam os relógios de civis. E em seguida se atiravam sobre as mulheres, a maioria das vezes em grupos. O procedimento em si e também a violência dos estupros, a meu ver, quase não se distinguiam entre os GIs e os soldados do Exército Vermelho.

Sua estimativa é de que 860 mil alemãs foram estupradas. É muito inferior a algumas estimativas anteriores, que falam em cerca de 2 milhões, só de violentadas pelo Exército Vermelho. Como chegou a esse número?

Havia até agora somente estimativas sobre as vítimas do Exército Vermelho, variando de 1 a 2 milhões. Esses números são baseados numa estimativa de amostragem aleatória dos registros hospitalares de um único hospital em Berlim. Eu tomei um caminho totalmente diferente: descobri quantos assim chamados besatzungskinder (filhos da ocupação) havia, pois temos números bem precisos sobre isso. Sabemos muito bem que 5% deles foram concebidos num ato de violência. Partindo-se do pressuposto um em cada dez estupros leva a uma gravidez e que um décimo delas foi levado até o fim, chegamos à seguinte conclusão: um em cada 100 estupros resultou numa criança.

Um outro preconceito diz que as principais vítimas de violência sexual eram jovens. O que há de verdade nisso?

Eu encontrei casos de meninas muito jovens que antes não eram sexualmente ativas, e para quem essa deve ter sido uma experiência terrível, mas também de mulheres mais velhas e homens e meninos. Há uma história que acho particularmente triste: uma mulher de seus 50 anos foi estuprada por cinco soldados franceses, na área de Freiburg, ficando gravemente ferida. Ela foi levada para o hospital e, mais tarde, transferida para a psiquiatria. Todas as noites ela gritava por ajuda, mas ninguém sabia o que havia com ela. Só anos depois, após uma nova internação, é que ocorreu aos médicos e psiquiatras que pudesse ser uma consequência dos estupros.

Isso quer dizer que até hoje algumas mulheres bastante idosas ainda vivem com os traumas dos estupros na guerra.

Sabemos que, de fato, algumas idosas em asilos revivem esse trauma na hora de serem lavadas pelos cuidadores. Em casos em que são tocadas por cuidadores mais rudes ou que, por exemplo, têm sotaque russo. Até agora, há pouca compreensão para esse tipo de situação nas instituições para idosos.

Havia ordens superiores para se estuprar, seja do lado russo, americano, francês ou britânico?

Não. Houve por muito tempo o boato de que havia uma incitação ao estupro no Exército Vermelho. Mas parece ter sido propaganda de guerra por parte dos alemães. O que pode ter havido foi uma espécie de propaganda de guerra entre os soviéticos, mas também entre os americanos, apresentando a mulher alemã como sexualmente mais permissiva do que as compatriotas.

Os jornais militares do Exército dos EUA gostavam de publicar fotos de mulheres beijando e abraçando os soldados americanos. Com esse troféu sexual criou-se um incentivo para os soldados atravessarem o oceano e se envolverem na guerra. Mas isso não quer dizer que o estupro fosse permitido ou mesmo ordenado.

Estupros eram punidos?

Por parte das autoridades alemãs, não havia como. Um policial alemão não podia, legalmente, prender soldados americanos nem soviéticos. Embora os próprios militares mantivessem um regime disciplinar bem severo diante de seus soldados e alguns tenham até proferido a pena de morte. Tanto no Exército Vermelho como no Exército 

Fonte: D.W.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

'Contador de Auschwitz' será julgado na Alemanha


Oskar Groning,

Oskar Groning, de 93 anos, deve ser um dos últimos nazistas a se sentar no banco dos réus na Alemanha

Um ex-cabo(SS - Rottenführer) do campo de extermínio de Auschwitz, nonagenário, será julgado na Alemanha a partir de 21 de abril por cumplicidade no assassinato de 300 mil pessoas, anunciou nesta segunda-feira (2) um tribunal.

Oskar Groning, de 93 anos, deve ser um dos últimos nazistas a se sentar no banco dos réus na Alemanha. Foi o "contador de Auschwitz" entre 16 de maio de 1944 e 11 de julho de 1944, segundo o comunicado do tribunal.

Durante este período, 425.000 pessoas foram deportadas a este campo nazista situado na atual Polônia, 300.000 das quais morreram nas câmaras de gás.

Cinquenta e cinco pessoas, sobretudo sobreviventes e familiares das vítimas, formarão a acusação popular no julgamento, que será realizado em um tribunal de Luneburgo, ao sul de Hamburgo.

Groning, que era membro das Waffen SS, se encarregava de contar o dinheiro encontrado nas malas dos prisioneiros e transferi-lo às autoridades nazistas de Berlim, segundo o Ministério Público de Hannover (norte).

O acusado também se desfazia dos pertences dos prisioneiros para que não fossem vistos pelos recém chegados, indicou a mesma fonte.

Segundo a acusação, era consciente de que os prisioneiros declarados inaptos para o trabalho "eram assassinados diretamente após sua chegada nas câmaras de gás de Auschwitz".

Em 2005, Oskar Gröning indicou ao jornal Bild que se arrependia de ter trabalhado no campo de extermínio, declarando que ainda ouvia os gritos provenientes das câmaras de gás.

Fonte:http://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/02/capa/mundo/238383-contador-de-auschwitz-sera-julgado-na-alemanha.html

OBSERVAÇÃO:
Oskar Groening era um SS-Unterscharführer, equivalente a 3º Sargento.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Morreu Martin Gilbert, biógrafo de Churchill

Historiador escreveu vários volumes sobre o Holocausto, a I e II guerras mundiais e o século XX.

Martin Gilbert, biógrafo do primeiro-ministro britânico Winston Churchill, historiador do Holocausto e membro da comissão de inquérito sobre a guerra no Iraque, morreu na noite de terça-feira, aos 78 anos, anunciou esta quarta-feira John Chilcot, presidente deste organismo do Parlamento britânico.

Martin Gilbert “morreu tranquilamente”, após “uma longa e grave doença”, precisou John Chilcot, descrevendo-o como “um historiador extraordinariamente importante”, de cuja “sabedoria e perspicácia” o inquérito beneficiou, e transmitindo as suas “condolências pessoais” à família.

John Chilcot informou os membros do Parlamento britânico da morte de Sir Martin Gilbert (nascido em Londres em 1936), ao comparecer perante uma comissão da Câmara dos Comuns, à qual foi chamado para explicar o atraso na divulgação do relatório oficial do inquérito.

O Fundo de Educação sobre o Holocausto também reagiu à morte de Martin Gilbert com uma mensagem inserida na rede social Twitter: “Muito triste por saber da morte de Sir Martin Gilbert, destacado historiador do Holocausto e nosso grande amigo. Os nossos pensamentos estão com a sua família”.

Além de ter sido o biógrafo oficial de Churchill, cuja última versão foi publicada em oito volumes, Martin Gilbert escreveu perto de uma centena de livros de História, com destaque para a primeira e segunda guerras mundiais, o Holocausto, o Judaísmo e a História de Israel – títulos disponíveis em português em sucessivas publicações da Bertrand, Dom Quixote, Alêtheia e Edições 70.

No obituário que dedica ao historiador no jornal The Guardian, Richard Gott, que o conhecia desde o final dos anos 50, diz que ele era “um assumido sionista, embora fosse hoje bastante crítico do poder em Israel e do domínio do partido Likud”.

O interesse de Martin Gilbert pela biografia de Churchill surgiu em 1962, quando, enquanto investigador da Universidade de Oxford, iniciou o seu trabalho sobre a vida do chefe do governo britânico no tempo da guerra.

Este trabalho respondeu a um desafio do filho de Churchill, Randolph, que um ano depois de ter sido nomeado investigador júnior na Merton College, naquela Universidade, convidou Martin Gilbert a juntar-se à sua equipa para a pesquisa da biografia do ex-primeiro ministro britânico.

Após a morte de Churchill, em 1965, e de novo com a aprovação de Randolph, Martin Gilbert escreveu a sua primeira obra sobre o antigo líder: um só volume intitulado Winston Churchill, que foi publicado em 1966.

Dois anos depois, após a morte de Randolph, Gilbert foi convidado para retomar o seu trabalho e completar a biografia de Churchill, incluindo na obra vários documentos, o que o levou a publicá-la em diversos volumes ao longo dos 20 anos seguintes.

Apesar deste aturado trabalho sobre o líder britânico, foi o livro que Martin Gilbert dedicou ao Holocausto, ao longo de oito volumes, que viria a desencadear “de longe a maior correspondência e contacto com pessoas que, de outro modo, nunca teria conhecido”, disse o próprio historiador – agora citado no obituário da agência Associated Press –, acrescentando que tal lhe deu material e ideias que ele integraria em posteriores obras relacionadas com aquele tema.

“A minha preocupação sempre foi escrever História a partir de uma perspectiva humana, nunca esquecendo o chamado cidadão comum”, disse também Martin Gilbert, ainda citado pela AP.

Em 1990 e 1995, Martin Gilbert foi distinguido pela rainha Isabel II sucessivamente com os títulos de Comandante e Cavaleiro da Ordem do Império Britânico.

Fonte: http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/morreu-martin-gilbert-biografo-de-churchill-1685021

Segue uma lista de livros traduzidos para o português:
O Holocausto – Uma História dos Judeus da Europa durante a Segunda Guerra Mundial
A Segunda Guerra Mundial- os 2, 174 Dias Que Mudaram o Mundo
Winston Churchill – Uma Vida
História de Israel
A Primeira Guerra Mundial
História do Século XX
Os 500 anos de História e Fé do Povo Judeu
A Noite de Cristal