sábado, 29 de maio de 2010

Aristides de Sousa Mendes, o Schindler portugues




Aristides de Sousa Mendes GCC (Cabanas de Viriato, 19 de julho de 1885 — Lisboa, 3 de abril de 1954) foi um diplomata português. Cônsul de Portugal em Bordéus no ano da invasão da França pela Alemanha Nazi na Segunda Guerra Mundial, Sousa Mendes desafiou ordens expressas do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Antônio de Oliveira Salazar, (cargo ocupado em acumulação com a chefia do Governo) e concedeu 30 mil vistos de entrada em Portugal a refugiados de todas as nacionalidades que desejavam fugir da França em 1940.

Aristides Sousa Mendes salvou dezenas de milhares de pessoas do Holocausto. Chamado de "o Schindler português", Sousa Mendes também teve a sua lista e salvou a vida de milhares de pessoas, das quais cerca de 10 mil judeus.

Antes de 1940

Foi batizado Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches numa pequena aldeia do concelho do Carregal do Sal, no sul do distrito de Viseu. Aristides pertenceu a uma família aristocrática rural, católica, conservadora e monárquica - (ele também católico e monárquico). Seu pai era membro do supremo tribunal. Pelo lado familiar "Sousa", descendente de Madragana Ben-Bekar (de quem houve filhos El-Rei D.Afonso III). Esta Senhora pertencia à Comunidade Judaica de Faro, cuja ascendência provinha do próprio Rei David de Israel.

Aristides instala-se em Lisboa em 1907 após a licenciatura em Direito pela Universidade de Coimbra, tal como o seu irmão gêmeo. Ambos enveredaram pela carreira diplomática. Em 1909 nasceu seu primogênito, tendo ao todo 14 filhos com sua mulher Angelina.

Aristides ocupou diversas delegações consulares portuguesas pelo mundo fora, entre elas: Zanzibar, Brasil, Estados Unidos da América.

Em 1929 é nomeado Cônsul-geral em Antuérpia, cargo que ocupa até 1938. O seu empenho na promoção da imagem de Portugal não passa despercebido. É condecorado por duas vezes por Leopoldo III, rei da Bélgica, tendo-o feito oficial da Ordem de Leopoldo e comendador da Ordem da Coroa, a mais alta condecoração belga. Durante o periodo em que viveu na Bélgica, conviveu com personalidades ilustres, como o escritor Maurice Maeterlinck, Prémio Nobel da Literatura, e o cientista Albert Einstein, Prémio Nobel da Física.

Depois de quase dez anos de serviço na Bélgica, Salazar, presidente do Conselho de Ministros e ministro dos negócios estrangeiros, nomeia Sousa Mendes cônsul em Bordéus, França.

A Segunda Guerra Mundial

Aristides de Sousa Mendes permanece ainda cônsul de Bordéus quando tem início a Segunda Guerra Mundial, e as tropas de Adolf Hitler avançam rapidamente sobre a França. Salazar manteve a neutralidade de Portugal.

Pela Circular 14, Salazar ordena aos cônsules portugueses espalhados pelo mundo que recusem conferir vistos às seguintes categorias de pessoas: "estrangeiros de nacionalidade indefinida, contestada ou em litígio; os apátridas; os judeus, quer tenham sido expulsos do seu país de origem ou do país de onde são cidadãos".

Entretanto, em 1940, o governo francês refugiou-se temporariamente na cidade, fugindo de Paris antes da chegada das tropas alemãs. Milhares de refugiados que fogem do avanço Nazi dirigiram-se a Bordéus. Muitos deles afluem ao consulado português desejando obter um visto de entrada para Portugal ou para os Estados Unidos, onde Sousa Mendes, o cônsul, caso seguisse as instruções do seu governo, distribuiria vistos com parcimónia.

Já no final de 1939, Sousa Mendes tinha desobedecido às instruções do seu governo e emitido alguns vistos. Entre as pessoas que ele tinha então decidido ajudar encontra-se o Rabino de Antuérpia, Jacob Kruger, que lhe faz compreender que há que salvar os refugiados judeus.

A 16 de Junho de 1940, Aristides decide conceder visto a todos os que o pedissem: "A partir de agora, darei vistos a toda a gente, já não há nacionalidades, raça ou religião". Com a ajuda dos seus filhos e sobrinhos e do rabino Kruger, ele carimba passaportes, assina vistos, usando todas as folhas de papel disponíveis.

Confrontado com os primeiros avisos de Lisboa, ele terá dito: "Se há que desobedecer, prefiro que seja a uma ordem dos homens do que a uma ordem de Deus".

Uma vez que Salazar tomara medidas contra o cônsul, Aristides continuou a sua actividade de 20 a 23 de Junho, em Baiona (França), no escritório de um vice-cônsul estupefato, e mesmo na presença de dois outros funcionários de Salazar. A 22 de Junho de 1940, a França pediu um armistício à Alemanha Nazi. Mesmo a caminho de Hendaye, Aristides continua a emitir vistos para os refugiados que cruzam com ele a caminho da fronteira, uma vez que a 23 de Junho, Salazar demitira-o de suas funções de cônsul.

Apesar de terem sido enviados funcionários para trazer Aristides, este lidera, com a sua viatura, uma coluna de veículos de refugiados e guia-os em direcção à fronteira, onde, do lado espanhol, não existem telefones. Por isso mesmo, os guardas fronteiriços não tinham sido ainda avisados da decisão de Madrid de fechar as fronteiras com a França. Sousa Mendes impressiona os guardas aduaneiros, que acabariam por deixar passar todos os refugiados, que, com os seus vistos, puderam continuar viagem até Portugal.

 
O seu castigo no Portugal de Salazar

A 8 de Julho de 1940, Aristides, de volta a Portugal, será punido pelo governo de Salazar, que priva o diplomata de suas funções por um ano, diminuindo em metade o seu salário, antes de o enviar para a reforma. Para além disso, Sousa Mendes perde o direito de exercer a profissão de advogado. A sua licença de condução, emitida no estrangeiro, também lhe é retirada.

O cônsul demitido e sua família, bastante numerosa, sobrevivem graças à solidariedade da comunidade judaica de Lisboa, que facilitou a alguns dos seus filhos os estudos nos Estados Unidos. Dois dos seus filhos participaram no Desembarque da Normandia.

Aristides de Sousa Mendes e o rabino Kruger.

Ele frequentou, juntamente com os seus familiares, a cantina da assistência judaica internacional, onde causou impressão pelas suas ricas vestimentas e sua presença. Certo dia, teve de confirmar: "Nós também, nós somos refugiados".

Em 1945, Salazar felicitou-o por Portugal ter ajudado os refugiados, recusando-se no entanto a reintegrar Sousa Mendes no corpo diplomático.
A sua miséria será ainda maior: venda dos bens, morte de sua esposa em 1948, emigração dos seus filhos, com uma excepção. Após a morte da mulher, Aristides de Sousa Mendes viveu com uma amante francesa que, segundo testemunhos da época, muito contribuiu para a sua miséria.

Aristides de Sousa Mendes faleceu muito pobre, a 3 de Abril de 1954, no hospital dos franciscanos em Lisboa. Não possuindo um fato próprio, foi enterrado com um hábito franciscano.

As pessoas salvas por Aristides
 
Cerca de trinta mil vistos foram emitidos pelo cônsul Sousa Mendes, dos quais dez mil a refugiados de confissão judaica.

Entre aqueles que obtiveram um visto do cônsul português contam-se:
Políticos:

Otto de Habsburgo, filho de Carlos, o último imperador da Áustria-Hungria; o príncipe Otto era detestado por Adolf Hitler. Ele escapou com a sua família desde o exílio belga e dirigiu-se aos Estados Unidos onde participou numa campanha para alertar a opinião pública.

Vários ministros do governo belga no exílio

Artistas:

- Norbert Gingold, pianista.

- Charles Oulmont, escritor francês e professor na Universidade de Sorbonne.

- Ilse Losa, escritora, que residiu no Porto e escreveu obras como por exemplo "o Mundo em que vivi".
 
 
Reconhecimento
 
Em 1966, o Memorial de Yad Vashem (Memorial do Holocausto situado em Jerusalém) em Israel, presta-lhe homenagem atribuindo-lhe o título de "Justo entre as nações". Já em 1961, haviam sido plantadas vinte árvores em sua memória nos terrenos do Museu Yad Vashem.

Em 1987, dezessete anos após a morte de Salazar, a República Portuguesa inicia o processo de reabilitação de Aristides de Sousa Mendes, condecorando-o com a Ordem da Liberdade e a sua família recebe as desculpas públicas.

Em 1994, o presidente português Mário Soares desvela um busto em homenagem a Aristides de Sousa Mendes, bem como uma placa comemorativa na Rua 14 quai Louis-XVIII, o endereço do consulado de Portugal em Bordéus em 1940.

Em 1995, a Associação Sindical dos Diplomatas Portugueses (ASDP) cria um prémio anual com o seu nome.

Em 1996, o grupo de escuteiros de Esgueira (Aveiro) homenageou-o criando o CLÃ 25 ASM (Aristides de Sousa Mendes)

Em 1998, a República Portuguesa, na prossecução do processo de reabilitação oficial da memória de Aristides de Sousa Mendes, condecora-o com a Cruz de Mérito a título póstumo pelas suas acções em Bordéus.

Em 2005, na Grande Sala da Unesco em Paris, o barítono Jorge Chaminé organiza uma Homenagem a Aristides de Sousa Mendes, realizando dois Concertos para a Paz, integrados nas comemorações dos 60 anos da Unesco.

Em 2006 foi realizada uma acção de sensibilização: "Reconstruir a Casa do Cônsul Aristides de Sousa Mendes", na sua antiga casa em Cabanas de Viriato, Carregal do Sal e na Quinta de Crestelo, Seia - São Romão.

Em 2007, um programa televisivo da RTP1, Os Grandes Portugueses, promoveu a escolha dos dez maires portugueses de todos os tempos. Sousa Mendes foi o terceiro mais votado. Ironicamente, o primeiro lugar foi atribuído a Salazar, e o segundo lugar a Álvaro Cunhal .

Em 2007 o barítono Jorge Chaminé realizou dois concertos homenagem a Aristides de Sousa Mendes, em Baiona e em Bordéus.

Em Viena, Áustria, no Vienna International Center, onde estão sediados diversos organismos da ONU, como a Agência Internacional de Energia Atómica, existe um grande passeio pedonal com o nome do ex-diplomata português, denominado Aristides de Sousa-Mendes Promenade.

Aristides de Sousa Mendes não foi o único funcionário a quem o seu país não perdoou a desobediência apesar dos seus actos de justiça e humanidade na Segunda Guerra Mundial. Entre outros casos conhecidos de figuras que se destacaram pela coragem e humanismo incluem-se o cônsul japonês em Kaunas (Lituânia) Chiune Sugihara e Paul Grüninger, chefe da polícia do cantão suíço de São Galo.



Aristides de Sousa Mendes foi homenageado em Bordeus com um busto.


Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Aristides_de_Sousa_Mendes
Site em memoria, muitas informações: http://www.sousamendes.com/zindex.htm

domingo, 23 de maio de 2010

Andrei Vlasov e o Exército de Libertação Russo

A turbulenta história do general soviético Andrei Vlasov e do seu exército constitui, sem dúvida, um dos episódios mais estranhos e absurdos de todo o conflito.

No fim do verão de 1941, durante dois meses, Vlassov tinha defendido corajosamente a cidade de Kiev; depois, como comandante do XX Exército Soviético, tinha rechaçado as forças alemãs que avançavam sobre Moscovo, em Solnetchnogorsk e Volokolamsk. Tinha sido recompensado com condecorações, felicitações e o comando do Grupo de Exércitos do Volkhov.

Na alvorada de 21 de Março, Vlassov aterrou na bolsa do Volkhov e assumiu o comando da 17ª Divisão e oito brigadas (sendo uma blindada) que ocupavam as florestas entre Tchudovo e Liubane.

Com a chegada da primavera a neve fundiu e, tanto nos rios como nos pântanos, o gelo também começou a derreter. Nos blockhaus e nas trincheiras a água chegava até a barriga e nos bosques surgiram biliões de mosquitos. Os mesmos sítios onde alguns dias antes se comprimiam as colunas de trenós e esquiadores tinham-se agora transformado em cursos de água e pântanos cheios de bolhas. No meio deste inferno, estava fechado o general Vlassov com catorze divisões de atiradores, três divisões de cavalaria, sete brigadas de infantaria e uma brigada blindada: um exército enterrado nos pântanos.

Atirador de MG 36 na via florestal Erika


Vlassov era um general cheio de energia. Já no dia 27 de Março tinha atacado do oeste com as suas brigadas de choque siberianas e os seus blindados o ferrolho constituído pela via florestal Erika. É certo que conseguiram abrir uma brecha com 2 Km de largura, mas nada que permitisse a passagem dos reabastecimentos. No princípio de Maio foi coroado de êxito um contra-ataque alemão preparado pela 58ª D. I. Vlassov resolveu abrir uma brecha a todo o custo a fim de sair do inferno pantanoso do Volkhov.

Mas os seus regimentos estavam prisioneiros dos pântanos em degelo. O solo esponjoso das florestas e lamaçais fazia-lhe sentir a obrigação de não se afastar dos caminhos e das veredas. Ora, só havia uma única via possível: o caminho de toros de madeira da via florestal Erika. No decorrer de duros combates nesses meses de primavera, a infantaria alemã manteve o ferrolho que era a via florestal Erika, garantindo no final de Maio de 1942 a vitória alemã no Volkhov.
 
KONR


O certo é que Vlassov é feito prisioneiro e encarcerado com a maioria dos seus homens, durante mais de dois anos, depois da aniquilação das suas tropas. No campo de concentração de Vinnitga pôs-se do lado dos germânicos. Mas só no Outono de 1944, quando Himmler autoriza o uso de tropas orientais nafrente do Leste, é que ele pode colaborar. Já se tinha fundado então o KONR - Comité de Libertação dos Povos da Rússia - e cria-se uma força militar formada por duas divisões sob comando de Vlassov.
 
 
Porém, os problemas não eram apenas burocráticos, mas também políliticos, dentro do próprio KONR. Assim, o contigente só estará pronto para a luta em meados do mês de Janeiro de 1945, já com o fim do Reich à vista.

No mesmo mês, Vlassov assume oficialmente o comando de seu "exército", e em Fevereiro, o OKW mobiliza várias companhias anticarro da 1ª Divisão de Vlassov para a frente do Oder, o que provoca os primeiros problemas. Buniachenko, segundo-comandante de Vlassov, recusa-se: " Eles não querem lutar contra os seus antigos camaradas, mas sim contra os norte-americanos".

A acção é realizada por elementos de um batalhão autónomo de Stettin, sob o comando de um ajudante de Vlassov, o coronel Sackarov.

Em dois de Março, Hitler - contrário à utilização dos "russos renegados" - autoriza oficialmente a utilização da Divisão de Vlassov, e ordena-lhes que se posicionem a Leste de Berlim para suster o avanço soviético, ao que se recusa de novo Buniachenko sem autorização de Vlassov. Finalmente, a 600ª Divisão Panzer de Musingen ocupa a posição.
 

Estacionada na frente do Oder durante a segunda semana de Abril, realizam um contra-ataque que fracassa, e Buniachenko retira-se sem ordens para o fazer. Esta retirada de tropas não autorizada leva a que seja considerado "em situação de rebeldia". Em 23 de Abril alcançam Dresden - completamente arrasada - e continuam a caminho da Checoslováquia, ocupando posições a cinquenta quilómetros de Praga.

Por seu turno, a outra divisão de Vlassov - 605ª Divisão de Panzergrenadier de Heuberg - instala-se na Boémia Meridional. Depois da inssureição de Praga, unidades da 600ª Divisão juntam-se aos rebeldes. A 5 de Maio, com o general Buniachenko na frente, toma contacto com 605ª, e junto com Vlassov rendem-se aos norte-americanos no dia 15 perto de Pilsen. Em 18 de Maio de 1945 são entregues aos russos em Schuslselburg.

No dia 12 de Agosto de 1946, o diário "Pravda" publicou a notícia da execução de Vlassov, Buniachenko e restantes oficiais acusados de "alta traição, espionagem e actividades terroristas". Desta maneira acabou a aventura de Vlassov e de todo um exército que escolheu, já no final, o lado do vencidos.



Fontes:
Paul Carrel " Operação Barbarossa" Bertrand Editora
D.N. "50 Anos Depois"

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Uma pequena história da Rússia

É triste mas verdadeiro.

Meu nome é Anna Streltasova. Em 1942, durante a guerra, eu vivia em Stalingrado. Minha mãe, minha pequena irmã, meu pai e eu morávamos em um edifício de apartamentos. Meu pai trabalhava nas máquinas da vizinha fábrica de tratores. Eu há pouco havia terminado minha instrução secundária e tinha começado minha educação na universidade de medicina. Junto com minha educação médica eu também era membro da unidade médica civil voluntária. Tarde na manhã de 23 de agosto, eu tinha voltado da escola médica para casa e minha mãe me pediu que fosse ao mercado para comprar uma melancia e trazê-la para o almoço. Quando eu estava voltando do mercado eu ouvi sirenes de aviso de ataque aéreo. Como eu então só tinha dezessete anos e nada me amedrontava isto não me alarmou e eu apenas as ignorei. Eu já ouvira muitas sirenes antes e nada jamais tinha acontecido.

Meu único propósito era trazer a melancia para casa para minha mãe e minha pequena irmã desfrutá-la. Minha mãe estava esperando para partir a melancia na tábua de cortar, e ela assimo fez com uma grande e afiada faca. Oh, parecia tão vermelha, madura e deliciosa. Justo quando nós estávamos a ponto de come-la, uma bomba atingiu nosso edifício. Copo quebrado voou por todos os lados. Minha pequena irmã foi atingida por estilhaços de copo e estava sangrando. Minha mãe apanhou um pano rosa e tentou parar o sangramento. O pano estava coberto com sangue vermelho e grossos pedaços de melancia. Minha mãe arrebatou imediatamente minha pequena irmã para levá-la ao hospital. As bombas estavam caindo por toda parte nas vizinhanças e as casas estavam em chamas. Eu quis acompanhá-las mas tive que ficar ajudar com os feridos que estavam sendo despejados na rua. Eu lutei para ajudar os feridos a escaparem embarcados na balsa. Havia uma multidão de pessoas na rua, civis e militares, muitos feridos e muitas crianças. Era impossível eu voltar a minha casa. Não havia como retroceder para mim. Eu me alistei voluntariamente no exército para trabalhar em um hospital de campanha onde meu treinamento e educação ajudaria. Cinco anos depois, em 1947, eu voltei para casa em Stalingrado. Nada havia sido deixado do meu bairro. Minha rua tinha se ido, minha casa tinha se ido, minha mãe e minha pequena irmã tinham desaparecido para sempre. Minha última esperança era ser capaz de achar meu pai. Mas, na realidade, no dia 24 de agosto de 1942, os soldados alemães já estavam se aproximando da fábrica de tratores. Meu pai levou para cima um rifle, outros agarraram metralhadoras e algunstomaram tanques T-34 diretamente do seu trabalho na linha de montagem de tanques, eles correram para fora da fábrica para deterem as tropas alemãs. Não havia nenhuma unidade do exército russo nas vizinhanças, assim estes valentes cidadãos soldados contiveram os alemães por três a quatro dias até que as primeiras tropas russas fossem capaz de auxiliá-los.

Desgraçadamente eu devo dizer, meu pai foi morto durante esta batalha.

Em dois brevíssimos dias de minha jovem vida eu perdi meu lar, minha família e tudo o que eu tinha. Daquele dia em diante a rica cor vermelha da melancia me enche com profunda tristeza. Eu nunca mais pude comprar ou comer uma melancia.

Nunca.
Anna Streltasova

Giovanni Palatucci, um justo das nações


Giovanni Palatucci nasceu no sul da Itália, em 1909, numa família profundamente cristã. Receberá uma grande influência moral e cultural por parte dos seus tios, um bispo e dois franciscanos conventuais.

Após os estudos secundários cumpre o serviço militar perto de Turim, cidade onde se formará em jurisprudência.

É nomeado para Fiume (actualmente na Croácia) como comissário para o gabinete dos estrangeiros. A sua função põe-no em contacto com pessoas em situação delicadas, particularmente com os judeus. “Tenho a possibilidade de fazer algum bem e os que dele beneficiam são-me muito reconhecidos…” É o que escreve aos seus pais em Dezembro de 1941.

Esse “algum bem” de que fala é, na verdade, é a salvação de centenas de judeus (fala-se em mais de 3000) a preço de muito perigo.

Giovanni Palatucci era um católico animado de uma fé profunda. Se desconhecemos a sua primeira reacção às leis raciais promovidas na altura, tornou-se por demais evidente que ao intensificar-se o cerco aos judeus, Giovanni recusou ser cúmplice da perseguição. Recusa mesmo a mudança de posto para se permitir ajudar os perseguidos. Na verdade, desde 1939 que “salva” judeus. Os primeiros 800 foram “encaminhados” por ele sob a protecção do bispo de Fiume.

Emitiu vistos de permanência a judeus fugidos dos países dominados por Hitler, chegando a opor-se aos seus superiores – o que nos recorda o “nosso” Aristides de Sousa Mendes. Mas a sua “simpatia” pelo povo judeu não se limitava à esfera profissional. Na sua vida pública zelava por preferir a sua companhia defendendo-os e recomendando-os ao seu tio bispo que acolhia foragidos enviados pelo seu sobrinho. Bem depressa associou os seus tios franciscanos que abriram os seus conventos para receber os refugiados judeus.



Homem de honra

A entrada da Itália no conflito mundial não impediu Giovanni de exercer toda a sua influência em favor dos perseguidos hebreus. Um deles dirá dele: “Jamais encontrei um cavalheiro tão perfeito e um homem de tanta honra…”

Após a guerra, centenas de testemunhos evocarão a bondade e a delicadeza de Giovanni Palatucci, o seu orgulho em agir de acordo com a sua fé e a sua extraordinária coragem: sabe que corre perigo por estar sob constante vigilância mas nada o detém. Católico praticante professa a sua fé na eucaristia diária e na sua conduta impecável.

Em Julho de 1943 é alvo de inspecção. Cuidadosamente, tinha desaparecido com o rasto de milhares de judeus que ele ajudara a “passar”, alguns embarcados clandestinamente em barco com destino ao sul da Itália. Giovanni prossegue no seu cargo mas sob vigilância mais apertada. Em Novembro do mesmo ano, a situação torna-se crítica. O cônsul da Suíça oferece-lhe asilo, mas Giovanni recusa: “Não tenho direito de abandonar nas mãos dos nazis os italianos e os judeus de Fiume!”



Mártir e Justo das nações

Promovido a um cargo superior não tem mais a mesma liberdade. Porém continua a auxiliar como pode dando dinheiro, socorro e até documentos falsos.

Finalmente é denunciado por espiões. É preso pela Gestapo a 23 de Setembro de 1944. No mês seguinte é transferido para o campo de concentração de Dachau. É aí que morre no dia 10 de Fevereiro de 1945, com 35 anos, esgotado pelos trabalhos aos quais foi submetido, depois de ter sido motivo de admiração dos companheiros de detenção através da sua sernidade, abnegação e caridade para com eles.

Giovanni Palatucci não se considerava um herói nem um santo. Actuou apenas em conformidade com as exigências da sua fé, como cristão convicto. As palavras dirigidas a um amigo, a quem confiava uma refugiada judia, esclarecem a sua única motivação: “Eis a Senhora Schwartz. Trata-a, peço-te, como se fosse a minha irmã. Melhor, como se fosse a tua própria irmã: pois, em Cristo, ela é a tua irmã.”

Anos mais tarde, já estabelecida em Israel, a Senhora Schwartz regressará a Fiume (agora Rijeka) unicamente para depor uma flor à porta do comissariado, em memória do seu daquele que a salvou.

Em 1990, Israel reconheceu Giovanni Palatucci como Justo das nações, título conferido àqueles que se destacaram na defesa de judeus durante o holocausto. Terá salvo cerca de 3000.

A causa da sua beatificação foi já introduzida.



Fonte:  Secretariado Diocesano de Pastoral Vocacional da Diocese da Guarda

terça-feira, 18 de maio de 2010

Uma história de um antigo operário da Outubro Vermelho


Ju 87 Stuka em Stalingrado
Pela orla estavam as pessoas, incluindo muitas crianças. Usando pequenas pás, bem como suas próprias mãos, elas cavavam buracos para protegerem-se das balas e granadas de artilharia. A amanhecer aviões alemães apareceram sobre o Volga. Em um vôo rasante eles passaram por cima de uma balsa, bombardearam e abriram fogo de metralhadoras. De cima, era muito bem visível aos pilotos que na orla os civis estavam esperando. Muitas vezes nós vimos pilotos inimigos agindo como assassinos profissionais. Eles abriam fogo sobre mulheres e crianças desarmadas e selecionavam objetivos para maximizar o número das pessoas assassinadas. Os pilotos lançaram bombas em uma multidão no momento que esta começava a subir a bordo de um barco, metralhavam os conveses dos barcos e bombardeavam as ilhas nas quais centenas de feridos tinham se acumulado. As pessoas não só cruzavam o rio em barcos e barcaças. Elas navegavam em barcos superlotados, até mesmo em troncos, barris e tábuas atadas com arame. E sobre cada ponto flutuante os fascistas abriam fogo do ar. Era uma caçada de pessoas.


----xxx----


Nós retornamos à nossa fábrica no assentamento. Nós chegamos a estação de trem de Archeda e fomos a pé mais adiante. Estava muito frio. Nós viajamos dois dias. Passamos a noite em desolados abrigos externos. Nós chegamos na cidade em 14 de fevereiro. No distrito da fábrica nós encontramos o diretor P.A. Matevosyan e o diretor da garagem V. J. Jukov. Eles chegaram primeiro à fábrica e a retomaram do comando militar. Eles nos avisaram: todas as áreas da fábrica são um sólido campo minado. Só é possível andar através de trilhas feitas pelos sapadores. Nós começamos a procurar um lugar para abrigar a nós mesmos. Nós decidimos assentar moradia temporária diretamente nas propriedades da fábrica. Nós entramos no alto-forno N1 da fábrica. Era necessário examinar a localização de um porão. Nós demos uma olhada silenciosamente e atravessamos um buraco na parede da oficina. De repente nós vimos uma metralhadora posicionada num buraco em uma parede mirando a uma barreira. Nós mesmos não tínhamos nenhuma arma.
O que fazer? Nós deveríamos entrar mais adiante na oficina ou não? Nós estacamos; era necessário olhar mais além ao redor. Nós ouvimos passos vindos da direção do Volga. Dois soldados fascistas com marmitas de estanho chegaram mais próximos à nossa oficina. No caminho eles foram até a metralhadora. Ao nos verem eles ficaram atônitos. Após alguns momentos de confusão eles começaram a tagarelar em um péssimo russo: " Nós trabalhamos cozinha e garagem ". Mas nós sabíamos que não havia nenhuma cozinha ou garagem funcionando no distrito da fábrica a muito tempo. Nós dissemos " ok " e seguimos em frente. Depois de alguns minutos nós encontramos um jovem soldado - submetralhador, e perguntamos-lhe: vocês recolheram todos os prisioneiros de guerra na área da usina? " Sim, claro , ele respondeu. A mais de uma semana atrás. O que aconteceu "? Nós vimos dois fascistas e uma posição de metralhadora, nós respondemos. " Hm... Vamos " ele disse. Ele entrou na oficina com nós atrás dele. Nós descemos em um porão. Seguimos na mais completa escuridão. Nós passamos um porão localizado, e a um outro. No terçeiro era visível uma escrivaninha de madeira, forno, marmitas de estanho, uma luminária de pavio. Sobre catres, alemão deitados. O soldado iluminou o porão com uma lanterna e gritou: " Armas sobre a escrivaninha ".
Os soldados fascistas ergueram-se de seus catres e puseram suas pistolas e outras armas na escrivaninha. O soldado os conduziu para o quartel-general.

Um episódio da batalha de Stalingrado

Do arquivo de Volgogrado.

Informe do comandante da batería de artilharia antiaérea do 1051º Regimento de Fuzileiros da 300ª Divisão de Infantaria.

Nota: Esta batería estava situada na ilha Penkovatyj no Rio Volga. Através da parte do norte da cidade. Próximo da aldeia de Sryedne-Pogromnoje na margem esquerda (leste) do rio.

 
"Ao amanhecer do dia 20 de outubro de 1942, informou o posto de observação: entre a névoa na área de Tomilino, o estrondo de motores de barcos é audível. Estão se aproximando da ilha dois barcos de assalto e 12 barcos a remos, transportando aproximadamente um batalhão de comandos alemães (tropas de assalto). Os artilheiros da batería A.A. elevaram um alarme. Quando os barcos inimigos estavam à distância de 150 metros, a bateria começou um fogo destrutivo. Os fuzis e metralhadoras das companhias de um batalhão do 1049° Regimento de Fuzileiros também começaram atirar. A artilharia alemã começou um poderoso contrafogo. Metralhadoras inimigas da margem direita e dos barcos atiraram sobre nossas defesas. Os canhões da bateria destruíram os barcos de assalto alemães e duplas metralhadoras pesadas, com a ajuda dos fuzileiros, destruíram os barcos a remo. Os "comandos" são completamente destruídos na água. Nenhum soldado alemão pôs os pés na ilha.
Baixas da batalha: 1 morto, 6 feridos.
Munição desperdiçada... ..etc..
Estes soldados mostraram coragem particular:
1. Sargento Kuzmenko - comandante de guarnição antiaérea.
2. Sargento júnior Temirgalyjev - municiador.

Assinatura: Tenente Júnior I. Chenin.

domingo, 16 de maio de 2010

Arapuca de guerra (relato de um oficial alemão)


Panzer V Panther – Rússia
“A aldeia estava muito bem fortificada e muitos tanques haviam sido postados entre as casas, para servir como casamatas. Os carros blindados eram difíceis de descobrir e eliminar. Nosso primeiro ataque havia fracassado ao enfrentar o fogo dos tanques, embora nossas perdas tenham sido reduzidas, pois nossas tropas, veteranas, ante o perigo, haviam sabido retirar-se a tempo.

Para desfechar o segundo ataque, era necessário fazer os tanques saírem - a maioria dos quais estava entrincheirada na parte sul da aldeia - de suas posições protegidas. Com o fim de conseguir isto, o fogo de toda nossa artilharia foi concentrado no setor nordeste da aldeia, e um ataque simulado foi efetuado nesse setor por carros blindados e veículos semilagartas, acobertados por uma cortina de fumaça. Então, inesperadamente, o fogo da artilharia foi orientado sobre o setor sul da aldeia e concentrado, maciçamente, sobre o ponto pelo qual nos propúnhamos irromper. Apenas uma bateria continuava apoiando, com bombas de efeito moral, o ataque simulado. Enquanto os projéteis estavam ainda caindo sobre as posições inimigas, os tanques do 15o Regimento Panzer se lançaram sobre a aldeia e superaram, de sul a norte, a defesa russa. Os tanques russos que haviam deixado os seus abrigos, deslocando-se para o setor norte da aldeia, foram atacados pela retaguarda, pelos nossos Panzer e destruídos depois de encarniçada luta.

A infantaria russa abandonou a localidade e se retirou desordenadamente, seguida pelos nossos atiradores motociclistas. Vinte tanques russos foram destruídos na ação e 600 soldados ficaram mortos os feridos”.


PzKpfw I

Coloquei duas fontes diferentes, pois cada texto contém alguns detalhes que se completam.

Histórico 1

O Veículo de Combate Blindado I ou Panzerkampfwagen I (PzKpfw I) Sdkfz 101 foi desenhado em 1932, como um veículo de ataque leve e de treinamento, permitindo a motorização do Exército Alemão com um veículo barato e rápido de ser construído, enquanto os modelos III e IV não ficavam prontos. O Departamento de Armas do Exército Alemão comprou um tanquete Carden-Loyd Mk IV inglês, secretamente, na Rússia, para testar a possibilidade de se instalar, neste chassi, um canhão de 20 mm em uma torreta de giro de 360°.


Tanquete inglês Carden-Loyd Mk IV

Após extensivos testes de campo, ficou provado que o desempenho era muito melhorado com o uso de um armamento mais leve, sendo proposta a torreta com duas metralhadoras de 7,92 mm. Enquanto isso, o Departamento de Armas emitiu especificações de concorrência para cinco firmas alemãs (Rheinmetall Borsig, Daimler-Benz, MAN, Henschel e Krupp) para a construção de um protótipo de um tanque leve de treinamento de 5 toneladas, com uma torreta de rotação completa, armado com um par de metralhadoras de 7,92mm MG13. Em dezembro de 1933, o Exército alemão selecionou a torreta e a superestrutura da Daimler-Benz e o chassi da Krupp para o desenvolvimento do futuro carro de combate. A Krupp foi contratada para construir três diferentes protótipos, com a condição que as outras fábricas participassem da produção para que todas ganhassem experiência vital na construção de tanques. Em fevereiro de 1934, a Krupp entregou o protótipo LKA1.


Tanque LKA1 Krupp

Depois dos testes, o LKA1 melhorado foi denominado Las IA Landwirtschaflicher Schlepper (Trator Agrícola, para confundir os termos do Tratado de Versalhes), entrando em produção em abril de 1934, como PzKpfw I Ausf A (modelo A). No final desse mês, quinze PzKpfw I Ausf A foram produzidos e apresentados a Adolf Hitler por Heinz Guderian. O Alto Comando Alemão especificou um número de inventário (Sonderkraftfährzeug) para o veículo: Sdkfz 101 Ausf A (mais tarde, surgiria o Ausf B, maior e mais potente, embora com o mesmo armamento).



Tanques leves Sdkfz I Ausf A e B - profiles


Em 1934, a Alemanha recriou suas Forças Blindadas, em desafio ao Tratado de Versalhes. O Sdkfz 101 Ausf A, por ser pequeno, apresentava problemas de espaço, com apenas um receptor de rádio em sua torreta. Precisando de um veículo de comando para seus dois primeiros Regimentos Panzer, o Alto Comando decidiu modificar o Sdkfz 101, removendo sua torreta artilhada e aumentando sua superestrutura para receber mais um rádio (emissor) FuG-2 e seu operador, elevando a tripulação deste carro para três. Assim nascia o Kleiner Panzerbefehlswagen 1 KLA (Carro Comando Leve 1), baseado no chassi do Sdkfz 101 Ausf A , do qual foram construídas pouquíssimas unidades (apenas seis exemplares).


Kleiner Panzerbefehlswagen 1 KLA - KlPzBfWg 1 KLA - Versão desarmada

Primeiras apresentações dos Panzers (1935) - KLA 1A lidera um grupo de Sdkfz 101 Ausf A - (Panzer Colors II - Squadron Signal Pub.)


De início, estes Carros Comando não apresentavam armamento, entrando em ação na Guerra Civil da Espanha e nos estágios iniciais da Campanha Polonesa da Segunda Guerra Mundial.


Kleiner Panzerbefehlswagen 1 KLA – Guerra Civil Espanhola

Após experiências de combate, viu-se a necessidade de se acrescentar armamento ao veículo, instalando-se uma metralhadora MG-13 de 7,92mm na porção anterior da superestrutura do veículo, que em alguns veículos, foi estendida em toda a largura do casco (KLA late).


Kleiner Panzerbefehlswagen 1 KLA (late) Espanhol - observe o armamento e a superestrutura


Kleiner Panzerbefehlswagen 1 KLA (early) - Campanha da Polônia e França - versão armada

Este veículo teve uma carreira breve, pois o chassi era curto e sub-potencializado, sendo substituído pelo Carro Comando baseado no chassi do Sdkfz 101 Ausf B. O veículo resultante foi o Sdkfz 265 Kleiner Panzerbefehlswagens 3 KLB (KlPzBfWg 3KLB).


SdKfz 265 Kleiner Panzerbefehlswagen 3 - KlPzBfWg 3 KLB



Especificações Técnicas:
Kl.Pz.Bf.Wg 1A
Peso (pronto para ação): 5,4 ton.
Tripulação: 3.

Dimensões:
comprimento: 4,02 m

largura: 2,06 m
altura: 1,72 m
altura livre do solo: 25 cm
Blindagem (espessura da blindagem em mm / ângulo de inclinação em graus):

frontal do casco: 13 mm / 22°
lateral e ré do casco: 13 mm / 22°
fundo: 6 mm / 90º
teto do casco: 6 mm / 90°
superestrutura: 13 mm / 10°
Velocidade máxima (rod.) 57 Km/h.

Autonomia:

rodovia: 145 km
off-road: 100 Km.

Capacidade de superação de obstáculos:

ângulo de subida máxima: 30°
largura de trincheira: 1,4 m
altura de obstáculo: 0,36 m
profundidade de vau: 0,58 m

Motor:

Krupp M305 (Boxer) 57hp (42 Kw) / 2500 rpm
Capacidade de combustível: 144 l.

Armamento:

metralhadora MG13 Dreyse de 7.92mm





Histórico 2



Em 1933, o Departamento de Armas do Exército Alemão lançou um requerimento para um veículo de blindagem leve que pesasse em torno de 5.000kg e que pudesse ser utilizado para treinamento. Cinco companhias apresentaram seus protótipos. Após os testes, o projeto da Krupp foi aceito para desenvolvimento, sendo a Krupp responsável pelo chassi e a Daimler-Benz responsável pelo resto da estrutura. A produção do primeiro lote de 150 veículos iniciou-se em Julho de 1934 sob a designação Pzkpfw I Ausf A com um motor M 305, Krupp, que desenvolvia apenas 57 cavalos de força. Mas, no próximo lote, Ausf B, tinham um motor mais forte, e isso significava que o veículo teria de ser mais comprido. Este modelo era um pocuo mais pesado, mas seu motor mais forte, dava-o uma velocida de 40km/h na estrada. Em 1935, 800 destes já encontravam-se em serviço.

PzKpfw I na Espanha.
 
O Panzerkampfwagen I foi primeiramente utilizado na Guerra Civil Espanhola. No início da invasão da Polônia, em 1939, 1.445 estavam em serviço. Os Alemães ja haviam notado era mal adaptado para o serviço nas linhas de frente por causa de seu baixo poder de fogo e de sua leve blindagem. Na invasão da França, em 1940, apenas 523 PzKpfw foram utilizados, ainda que muitos ainda estevissem em serviço na Alemanha e na Polônia. Em 1941, o PzKpfw I ja havia sido retirado das linhas de frente, apesar que o modelo de comando Panzerbefehlwagen I continuou em serviço.

Uma vez que o tanque leve tornou-se obsoleto, o seu chassi passou por conversões para executar outros tipos de serviços. Carregar munições e outras tipos de cargas era um de seus serviços. Uma arma tcheca de 47-mm foi instalada em alguns destes tanques e foram utilizados no Norte da África. Mas logo esta arma tornou-se obsoleta conforme os tanques tornavam-se mais blindados. Outro modelo era um que tinha uma arma de 15cm instalada em uma nova estrutura, mas por ser muito pesada, apenas 40 foram feitas.

A torre localizava-se no centro do veículo, equipada com duas metralhadoras de 7,92mm, 525 cartuchos eram carregados para cada uma. O motorista sentava-se a esquerda da torre.



Especificações do Pzkpfw I Ausf B

Tripulação: 2
Peso: 6.000kg
Dimensões: comprimento: 4,42m; largura: 2,06m; altura: 1,72m
Motor: um motor Maybach NL38TR de seis cilindros desenvolvendo 100hp
Performance: velocidade máxima na estrada: 40km/h; alcance máximo: 140km
Armamento: 2 x MG34 7.92 mm

sábado, 15 de maio de 2010

Biografia de Vasili Zaitsev


Vassili Zaitsev e Vasily Chuikov - Stalingrado

O início da 2ª Guerra Mundial foi marcado pelo avanço das tropas hitleristas na Europa. Usando-se de uma estratégia conhecida como Blitzkrieg, o III Reich ampliava suas fronteiras a cada dia, chegando à conquistar quase metade da França, ocupar a Polônia, Tchecoslováquia, Romênia, Iugoslávia, Grécia e Hungria, partindo então para cima da União Soviética em uma operação conhecida como Barbarossa(homenagem ao imperador do Sacro Império Romano-Germânico que liderou uma expedição católica contra o Leste Europeu ortodoxo). Adentrando território soviético os fascistas alemães escravizavam as populações subjugadas e marchavam em direção ao leste, chegando nos portões de Moscou e cercando Leningrado, todavia resistia heroicamente uma cidade às margens do rio Volga, tida como um dos símbolos da URSS, essa cidade era conhecida como Stalingrado.

Durante o início da batalha de Stalingrado as condições que os russos enfrentavam eram extremamente difíceis, pois os alemães queriam os campos de petróleo do sul da Rússia, do Cáucaso e o controle do rio Volga. Era uma região de extrema importância econômica, industrial e política, o que fazia com que os nazistas levassem não só infantaria bastante numerosa, mas também tanques, aviões de caça, bombardeiros, canhões e infantaria blindada. Visto que a cidade industrial de Stalingrado não tinha grande concentração de efetivos militares, as condições eram extremamente difíceis e a vitória alemã parecia iminente. Todavia os efetivos para Stalingrado foram aumentados, contando com o comando de vários generais soviéticos, unidades da NKVD e a chegada de soldados de todas as partes da URSS. Hitler chegou a declarar uma guerra pessoal entre ele e Stalin, tornando-se assim um conflito entre o Vozhd e o Fürrer.

A população civil fugia, todavia não era possível que uma boa parte escapasse, fazendo com que muitos civis sofressem com a guerra ou se juntassem à luta como partizans(guerrilheiros comunistas). Um esforço sobrenatural era feito, cada fábrica, cada casa, cada rua era disputada arduamente. Efetivos não paravam de chegar, chegou-se a fazer uma ponte alguns centímetros abaixo do rio Volga(a primeira da história), trens blindados chegavam trazendo divisões do Exército Vermelho, uma dessas, a 284ª divisão do 62º exército, trazia dentre vários soldados um pastor de ovelhas siberiano que habitava a região dos Montes Urais. Nascido em Katav-Ivanovskogo, era órfão desde cedo e foi ensinado à atirar desde os 5 anos de idade por seu avô caçador de lobos, esse grande soldado que passaria imortal para a história se chamava Vassili Grigorievitch Zaitsev("lebre" em russo), que chegava à Stalingrado no dia 20 de setembro de 1942. De feições delicadas e olhos azuis o jovem pastor de 27 anos descia no solo de Stalingrado sem um rifle, tudo o que precisava para abater os fascistas.

Devido à falta de munições muitos soldados tinham de ficar atrás de outro que tivesse um rifle para pegá-lo quando este morresse, recebendo apenas uma tira de balas. Vassili recebeu apenas as balas, mas não ficou com o rifle. Avançando pela cidade junto da sua pequena tropa(que foi facilmente vencida pelos alemães entrincheirados), Vassili escondeu-se entre os cadáveres dos seus camaradas mortos e segundo relatos do livro Enemy at the gates("O Círculo de Fogo", transformado em filme) através do camarada comissário Igor Danilov apossou-se de um rifle e atirando apenas quando soava o som das explosões(afim de que não fosse ouvido o barulho do rifle), abateu 5 fascistas que estavam em um estabelecimento próximo sem ser percebido e sem levar um só tiro, o que conquistou a atenção do camarada comissário Danilov.

Naquele momento em que o jovem soldado Vassili mostrava proezas heróicas abatendo os soldados hitleristas, o camarada Nikita Khruschev chegava à Stalingrado para cobrar dos líderes militares e dos comissários. Uma das sugestões para um melhor desempenho dos soldados, agoniados com a provável vitória das tropas do III Reich, partiu do camarada Igor Danilov, comissário e jornalista que sugeriu publicação do jornal militar novamente e a exaltação do sacrifício pessoal e a dedicação à causa comunista, mostrando como exemplo aquele que conhecera de perto, o lendário atirador de elite Vassili Zaitsev.


O Moisin-Nagant 91/30, o modelo do rifle usado por Vassili(que hoje está no museu de Stalingrado)

Tal proeza funcionou e Vassili foi promovido para a divisão dos atiradores de elite, seu nome foi publicado nos jornais militares e ainda se tornou a grande sensação das primeiras páginas do jornal "Pravda", o qual era lido por milhões de pessoas na URSS, dando grandes esperanças ao povo soviético e aos soldados do Exército Vermelho. De fato as proezas de Zaitsev eram lendárias, por exemplo, no período de apenas 10 dias ele já havia eliminado cerca de 40 oficiais alemães de alta patente, corajosa atitude essa que fizera dele também o mais falado nas rádios soviéticas e o mais popular soldado da cidade e um dos mais da URSS(senão o mais popular). Foi devido à necessidade de mais soldados como ele, que Danilov encarregou Vassili de treinar e instruir outros atiradores de elite, dentre os quais a oficial russa-americana Tatiana Tchernova, que voltou dos EUA para a URSS quando a guerra havia começado. Obcecada pelo desejo de vingança contra os nazistas que executaram seus avós, Tania perdera também seus pais durante a guerra, e por isso sob instruções de Vassili Zaitsev tornou-se uma exímia franco-atiradora, matando um grande número de soldados alemães junta com seu instrutor.

Tania Tchernova também veio a tornar-se a namorada de Zaitsev, vindo a iniciar um relacionamento duradouro. Além de Tania, Vassili também deu eficaz treinamento à outros atiradores, procurando sempre compartilhar com estes seu conhecimento e táticas que utilizava na taiga siberiana. Vassili Zaitsev era um exímio atirador de elite, com seu rifle Moisin-Nagant 91/30(na época um dos melhores do Exército Vermelho) foi capaz de abater só em Stalingrado 242 nazistas, dentre soldados, oficiais e até atiradores de elite alemães, com os quais travou árduas lutas, sendo a mais épica dessas a luta com o major alemão Heintz Thorvald, também conhecido como Major König. Esse rico caçador de veados da Bavária foi enviado apenas com a missão de abater Vasha(como também era conhecido Vassili), fato que comprovava sua fama até mesmo entre os soldados alemães, o que fazia dele um arcanjo para os soviéticos e demônio para os alemães.

Ambos assistenciados, o duelo entre o comunista pastor de ovelhas e o nazista caçador de veados seria um dos épicos episódios da batalha de Stalingrado, pois além de sua extensa duração foi marcado por momentos em que ambos estiveram próximos da morte, momentos em que a sorte esteve presente, em que a ânsia e a angústia estiveram presente nos corações daqueles que aguardavam os resultados daquele duelo, fossem civis ou militares, enquanto que com toda cautela, mas sobretudo com calma os atiradores souberam levar tal conflito. Uma das desvantagens de Vasha era o fato de que seus atos haviam sido observados, sendo levados ao conhecimento de König, daí o fato de que ninguém sabia em que lugar o major fascista iria estar. Justamente por tal fato ajudarou a Vassili um garoto russo que fazia as botas do major para fingir estar do lado alemão mas na verdade marcar os encontros do soldado do Exército Vermelho e do major da Wermatch. Além do garoto ajudou-o também Nikolay Kulikov, que conheceu o major na Alemanha durante a época do tratado de não-agressão, buscando durante dois dias sinais do alemão e observando seus hábitos.

Acompanhando Vassili, Kulikov usou-se de binóculos para scannear as linhas inimigas quando estas travavam nas ruas batalhas e desferiam ataques contra as tropas soviéticas, sempre escondendo-se em prédios ou outras edificações. No terceiro dia quem o acompanhou foi o camarada comissário Igor Danilov, que acreditando ter avistado o alemão levantou-se e levou um tiro no ombro. Zaitsev queria saber aonde o major estava escondido e sobre isso William Craig relata no livro "Inimigo nos portões" que "para testar sua teoria, Zaitsev pôs uma luva em um pedaço de madeira e a exibiu, tendo esta imediatamente recebido um tiro, quando após esse momento Zaitsev verificou e percebeu que König estava abaixo de uma chapa de ferro".

Após muito tempo de espera com a sua paciência de siberiano, Vassili finalmente estava pronto para abater o nazista, quando então seu amigo Kulikov deixou a amostra um capacete do Exército Vermelho e Konig atirou e veio a verificar se Zaitsev estava morto, mas pelo ressentimento de ter seu amigo Danilov atingido e sua namorada Tania Tchernova ferida por uma mina atirada pelos nazistas, Zaitsev com todo o ressentimento e sede de justiça esperou o major chegar perto e disparou a bala de seu Moisin-Nagant diretamente em sua cabeça. Thorvald estava morto e o camarada Vassili apanhara então seu rifle K-98 como troféu do duelo. Este foi um dos mais épicos episódios de sua vida. Após o duelo o camarada Vassili Zaitsev veio a matar vários outros fascistas que infernizavam a vida dos cidadãos de Stalingrado. Indomável e audacioso ficaria conhecido em toda a cidade por seus feitos heróicos, tanto pelos comunistas quanto pelos nazistas, por quem era tão temido. Para se ter uma idéia muitos exércitos ficaram desmoralizados pelas perdas de oficiais que Vasha matou, daí a razão de ter sido designado um "super-atirador" alemão para matá-lo.

Vassili seria designado posteriormente como comandante dos atiradores de elite, que viam nele uma inspiração e um grande professor que procurava repassar aos alunos todos os conhecimentos aprendidos. Em janeiro de 1943 Vassili Zaitsev veio a ser gravemente ferido, sendo levado para Moscou e tratado no principal hospital da cidade com o professor universitário Filatov, um dos melhores médicos do país. Zaitsev pôde no mesmo ano retornar a Stalingrado e reecontrar seus amigos atiradores de elite e sua companheira Tania Tchernova.

À pedido seu veio a atuar no front de batalha como soldado comum, demonstrando clara determinação e heroísmo de um soldado exemplar. Após Stalingrado, Zaitsev atuou em Dniestre já com a patente de capitão. Nesse período o camarada capitão veio a escrever dois famosos manuais para atiradores de elite. Condecorado com a Ordem da Guerra Patriótica, duas Ordens da Bandeira Vermelha, várias vezes condecorado com a Ordem de Lenin, além de medalhas menores, Vassili Zaitsev recebeu então a medalha da Estrela Dourada e o status de "Herói da União Soviética", vindo a ser condecorado ainda outras vezes por ser veterano de guerra de Stalingrado.

Após o término da guerra Zaitsev desmobilizou-se e passou a ser um veterano de guerra, trabalhando como diretor de uma fábrica de construção de carros em Kiev, tendo terminado esse trabalho somente em 15 de dezembro de 1991, quando apenas o corpo físico deste grande herói nos deixava, enquanto sua memória, feitos e atitudes permanecem vivos na história daqueles que tão duramente em Stalingrado lutaram, que lêem esta curta biografia e que vivem hoje nas cidades aonde Zaitsev lutou e nos deu o exemplo de que podemos com determinação, coragem, vontade de avançar, otimismo, humanismo e luta, vencer os obstáculos que nos impõem dificuldades, levar a frente a luta de classes em direção a vitória do ideal popular comunista! Vassili Zaitsev foi um grande herói que a história dos homens jamais pode esquecer e que deve permanecer sempre vivo em nossas mentes, que se manteve leal ao ideal de Lenin e Stalin à todo tempo!


Túmulo de Vasily Grigoryevich Zaitsev


Bibliografia: Za Volgoi Zemliy dlya nas ne bylo. M., 1981 i dr. - Velikaya Otechestvenaya Voyna 1941-1945: Entsik.-M.: Sov. entsiklopediya - Geroi Sovietskogo Soyuza: Kratkiy Biograficheskiy Slovar. T. I. M.: Voyeniz. 1987. - Samsonov, A. M. Stalingrad Bitva. M. Nauka. 1968 - Enemy at the Gates: The History Behind the Movie(documentário do The History Channel) - http://www.warheroes.ru

terça-feira, 11 de maio de 2010

Pogrom

Pogrom é uma palavra russa que significa "causar estragos, destruir violentamente". Historicamente, o termo refere-se aos violentos ataques físicos da população em geral contra os judeus, tanto no império russo como em outros países. Acredita-se que o primeiro incidente deste tipo a ser rotulado pogrom foi um tumulto anti-semita ocorrido na cidade de Odessa em 1821. Como termo descritivo, a palavra "pogrom" tornou-se de uso comum durante as grandes revoltas anti-semitas que aconteceram na Ucrânia e no sul da Rússia, entre 1881 e 1884, após o assassinato do Czar Alexandre II. Durante o período do nazismo na Alemanha e no leste europeu, assim como havia acontecido na Rússia Czarista, os pretextos para os pogroms eram ressentimentos econômicos, sociais, e políticos contra os judeus, reforçando o já tradicional anti-semitismo religioso.

Cidadãos ucranianos espancam um judeu durante um pogrom em Lvov. Polônia, entre 30 de junho e 3 de julho de 1941.


Os perpetradores dos pogroms os organizavam localmente, algumas vezes com o incentivo do governo e da polícia. Eles estupravam e matavam suas vítimas, além de vandalizar e roubar suas propriedades. Durante a guerra civil que se seguiu à Revolução Bolchevique de 1917, nacionalistas ucranianos, autoridades polonesas, e soldados do Exército Vermelho se engajaram em violentos pogroms na região oeste da Bielorrússia e na província da Galícia, na Polônia (atualmente Ucrânia ocidental), matando dezenas de milhares de judeus entre 1918 e 1920.

Após á chegada dos nazistas ao poder na Alemanha, em 1933, Adolf Hitler declarou publicamente que desencorajava a "desordem" e atos de violência. Porém, na verdade, a violência nas ruas contra os judeus era tolerada e até encorajada durante certos períodos, quando os líderes nazistas calculavam que a violência prepararia a população alemã para as severas medidas jurídicas e administrativas que seriam implementadas, ostensivamente para "restabelecer a ordem". As badernas violentas pelas ruas tiveram início com revoltas ocorridas em Viena após a Anschluss, a Anexação da Áustria, no mês de março. A onda de violência nas ruas, orquestradas por todo o território alemão entre os dias 9 e 10 de novembro de 1938 tornou-se conhecida como a Noite dos Cristais, o ápice de um longo período de violência esporádica contra os judeus. A Noite dos Cristais foi seguida por um dramático aumento de leis de cunho anti-semita no final de 1938 e início de 1939. Outro período de violência nas ruas ocorreu nos dois primeiros meses do regime nazista e culminou em uma lei, proclamada em 7 de abril de 1933, que demitia os judeus e comunistas de seus empregos públicos. Alguns meses antes de se anunciarem as Leis Raciais de Nuremberg, em setembro de 1935, ocorreram inúmeros atos de violência contra os judeus em diversas cidades alemãs. Tais atos envolviam a queima de sinagogas, destruição de casas e de negócios judeus,além de agressão física. A Noite dos Cristais foi, com certeza, o mais destrutivo e o mais claramente coordenado destes "pogroms".

Durante a Segunda Guerra Mundial, as Einsatzgruppen, popularmente conhecidas como unidades móveis de extermínio, receberam ordens do Chefe de Segurança da Polícia, Reinhard Heydrich, para aceitar e até mesmo incentivar as populações nativas do recém-conquistado território soviético a iniciarem pogroms. Os pogroms, em diferentes graus de espontaneidade, nas cidades de Bialystok, Kovno, Lvov e Riga completavam a política alemã de sistematicamente eliminar comunidades judaicas inteiras na União Soviética. No dia 29 de junho de 1941, enquanto a Alemanha nazista e sua companheira no Eixo, a Romênia, invadiram a União Soviética, autoridades e unidades militares romenas, por vezes auxiliadas pelos soldados alemães, mataram pelo menos 8.000 judeus durante um pogrom em Iasi, na província romena da Moldávia. No dia 10 de julho de 1941, poloneses de Jedwabne, uma pequena cidade localizada no distrito de Bialystok, antes ocupada pelos soviéticos e agora pelos alemães, participaram do assassinato de centenas de seus vizinhos judeus. Apesar da responsabilidade por este ”pogrom” não ter sido claramente estabelecida, existem documentos que provam que a polícia alemã estava presente naquela cidade durante os assassinatos.

No final do verão de 1941, o aumento de casos de corrupção, roubo, descontentamento, e reclamações, destruição de importantes recursos econômicos e a infiltração de antigos comunistas em grupos que perpetravam os "pogroms" fizeram com que as autoridades alemãs abandonassem aquela prática na Frente Oriental. As unidades das SS e da polícia alemã rapidamente purgaram as unidades auxiliares da polícia, e começaram a executar massacres sistemáticos e controlados de comunidades judaicas inteiras na União Soviética ocupada.

Apesar dos alemães terem abandonado os pogroms como uma ferramenta para a sua política de aniquilação, aqueles eventos não terminaram com o fim da Segunda Guerra Mundial. Em 4 de julho de 1946, em Kielce na Polônia, moradores locais iniciaram um pogrom contra os judeus sobreviventes que retornavam à cidade e tentavam reaver suas propriedades, já ocupadas pela população local. Multidões atacaram os judeus após ouvirem falsos rumores de que os mesmos haviam raptado uma criança cristã para sacrificá-la em um ritual religioso. Os assassinos mataram pelo menos 42 judeus e feriram cerca de 50 mais.

Caixões com corpos dos judeus assassinados durante o pogrom de Kielce. Polônia, 6 de julho de 1946.


O pogrom de Kielce foi um dos fatores que levaram centenas de milhares de judeus sobreviventes do Holocausto a migrarem do leste para o oeste da Europa. Um movimento, conhecido como Brihah, levou os judeus poloneses e de outros países do leste europeu para campos de deslocados de guerra, localizados em áreas no oeste da Alemanha e da Áustria ocupadas pelos Aliados, bem como na Itália. O medo dos violentos pogroms foi a motivação que levou a grande maioria dos judeus a sair da Europa após a Guerra.






Fotos sequenciais de um pogrom em Kovno, Lituânia, junho 25 - julho 8, 1941.

Fonte: United States Holocaust Memorial Museum 
http://www.ushmm.org
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...