quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Confirmadas valas comuns em Treblinka

Treblinka
Arqueólogos forenses britânicos são autores da primeira tentativa científica de localização de restos mortais de vítimas do Holocausto, no campo de concentração de Treblinka, na Polónia.

Entre 1942 e 1943, mais de 800 mil judeus foram mortos em Treblinka. A existência de valas comuns neste campo de concentração era apenas conhecida pelos relatos de sobreviventes, o que originava dúvidas acerca da veracidade dos mesmos.

Um estudo conduzido pela arqueóloga britânica Caroline Sturdy Colls, da Universidade de Birmingham, veio comprovar esses testemunhos. Novas tecnologias aplicadas na investigação - que incluem imagens de satélite, GPS, radar de penetração no solo, levantamento de resistência do solo e aparelhos de imagens elétricas - permitiram localizar seis valas comuns nas áreas referenciadas pelas testemunhas.

Uma destas valas tem 26 metros de comprimento, 17 de largura e, pelo menos, quatro de profundidade.

A pesquisa no terreno permitiu também localizar construções que aparentam ser estruturais, sendo que duas delas são provavelmente restos das câmaras de gás. De acordo com as testemunhas, estas eram as únicas estruturas feitas de tijolos.

De forma a respeitar as tradições religiosas dos judeus - que não permitem a exumação dos corpos - não foram feitas escavações no local. As descobertas foram feitas através do contraste detetado pelas tecnologias modernas entre as propriedades físicas do solo e as características no interior do mesmo, como perturbações causadas por algo enterrado.

Pesquisas anteriores

Um relatório de 1946 encontrou no local "restos de postes queimados, pedaços de arame farpado e secções curtas de estrada pavimentada" e ainda "grandes quantidades de cinzas humanas misturadas com areia e ossos". Apesar de terem sido detetados restos humanos no local, nunca ficou comprovada a existência de valas comuns.

Na pesquisa que começou em 2010, Caroline Sturdy Colls deixou claro que é possível ver fragmentos de osso na superfície do solo, especialmente depois de chover, resultantes das cinzas da cremação dos corpos.

Encobrir crimes de guerra

Ao contrário do campo de concentração de Auschwitz, onde as câmaras de gás e os crematórios continuam de pé, em Treblinka tudo foi destruído.

Hoje em dia, o local onde morreram milhares de pessoas é um memorial de 17 mil pedras com os nomes dos locais de onde eram originários os judeus que para aqui foram transportados.

A decisão de destruir este campo de concentração e cremar os corpos das vítimas aconteceu depois de o Exército alemão ter percebido que deveria encobrir os crimes de guerra.

Em 1943, os nazis abandonaram este campo próximo de Varsóvia. Destruíram todos os edifícios e todos os vestígios que levassem a crer que ali tinha sido montado um campo de concentração. Transformaram então Treblinka numa quinta e plantaram árvores à volta.

Mas para um grupo de arqueólogos forenses todas as provas apontam para o propósito real daquele sítio.



Memorial em Treblinka
Outra reportagem no Publico:

Arqueóloga forense britânica detecta valas comuns em Treblinka
Uma arqueóloga forense britânica, Caroline Sturdy Colls, conseguiu provar através de métodos de investigação modernos a existência de valas comuns no campo de concentração polaco de Treblinka. Num estudo anterior, levado a cabo em 1946, a existência destas campas não tinha ficado provada.

Apesar de não ser tão conhecido como os campos de concentração de Auschwitz e Birkenau, o campo de Treblinka foi outro emblemático local de extermínio nazi na Polónia. Este campo esteve em funções entre Julho de 1942 e Outubro de 1943. Durante esse tempo calcula-se que tenham morrido aí aproximadamente 850.000 pessoas, incluindo mulheres e crianças, maioritariamente judeus mas também cidadãos romenos.

Quando os nazis abandonaram o campo de Treblinka, em 1943 (ainda antes do final da II Guerra Mundial, que só terminou em 1945), destruíram todos os edifícios e eliminaram todos os vestígios de que ali pudesse ter existido um campo de concentração, transformando o local numa quinta.

Mas para uma arqueóloga forense equipada com tecnologia do século XXI, os mais leves indícios foram transformados em certezas: Treblinka foi um local onde se mataram e enterraram pessoas durante a II Guerra Mundial.

Estas conclusões serão  apresentadas hoje num especial da BBC Radio 4 às 20h00.

Apesar de a investigação de 1946 a eventuais crimes de guerra praticados em Treblinka ter detectado restos mortais humanos no solo e “grandes quantidades de cinzas humanas misturadas com areia e ossos”, os responsáveis por esta investigação sempre disseram não ter detectado vestígios da existência de valas comuns.

A existência destas valas comuns tinha apenas sido descrita por testemunhas que sobreviveram ao campo de concentração.

A dúvida permaneceu, por isso, até 2010, altura em que a arqueóloga forense Caroline Sturdy Colls começou a estudar os campos de Treblinka munida com tecnologias modernas, incluindo um radar de penetração no solo, um levantamento de resistência do solo e aparelhos de imagética electrónica.

Os estudos foram levados a cabo sem recurso a escavações, já que isto é contrário às leis e princípios judaicos, que não permitem, por exemplo, a exumação de restos humanos, indica a BBC.

No final das suas análises, Caroline Sturdy Colls detectou grandes valas comuns em áreas que as testemunhas tinham indicado como albergando zonas de cremação e enterro.

Uma das valas comuns teria 26 metros de comprimentos, 17 de largura e pelo menos quatro metros de profundidade. Mais outras cinco valas - variando em comprimento, largura e profundidade - foram igualmente detectadas pelos modernos aparelhos usados na investigação.

Para além das valas comuns, a investigação terá igualmente detectado dois conjuntos de vestígios que parecem ter sido arquitecturais. Ou seja, poderão corresponder aos locais onde estavam instaladas as câmaras de gás. De acordo com os sobreviventes, estas eram as duas únicas estruturas feitas de tijolo no campo de Treblinka.

As ordens de destruição deste campo de concentração próximo de Varsóvia aconteceram depois de o Exército alemão ter descoberto os corpos de polacos assassinados pela polícia secreta soviética em Katyn três anos antes, convencendo a liderança alemã da importância de se encobrirem os crimes de guerra.




Agora o link da BBC, onde tem a matéria em inglês mais detalhada, bem mais completa e interessante, com mais detalhes que a arqueologista Caroline Collis Sturdy explica:

Um comentário:

  1. Obrigado por visitar o meu blog e parabéns pelo seu! Seja sempre bem vindo na 101 Airborne division!

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