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quinta-feira, 14 de março de 2013

Livro Antony Beevor defende que II Guerra Mundial começou na Manchúria

Tropas mongóis lutam contra o contra-ataque japonês na praia ocidental do rio Khalkhin Gol, 1939.

O historiador britânico Antony Beevor defende no livro ‘A Segunda Guerra Mundial’, publicado em Portugal, que o conflito começou na Manchúria e que se transformou numa “guerra civil internacional”.


“A Segunda Guerra Mundial foi claramente uma amálgama de conflitos, a maioria opôs nação contra nação, mas a guerra civil internacional entre a esquerda e direita permeou e chegou mesmo a dominar muitos deles”, escreve Beevor na introdução sobre as razões que conduziram à guerra.

“A Europa não entrou em guerra a 1 de Setembro de 1939. Alguns historiadores falam de uma 'guerra de trinta anos, de 1914 a 1945', em que a Primeira Guerra Mundial funcionou como catástrofe original” refere Beevor, que defende que a longínqua batalha de Khalkhin Gol, entre russos e japoneses, que começou no dia 12 de maio de 1939 na fronteira entre a Mongólia e a Manchúria ocupada pelo Exército Imperial Japonês marca - de facto - o início do conflito e determina o curso da guerra, sobretudo no Extremo Oriente.

Na batalha, que se prolongou até ao dia 31 de agosto de 1939, as forças de Moscovo lideradas por Zukov, então comandante de cavalaria do Exército Vermelho, derrotou as tropas japonesas e, segundo Beevor, alterou as intenções de Tóquio em invadir a União Soviética “mudando para sempre” o curso da guerra.

“A Batalha de Khalkin Gol, teve, assim, grande influência na decisão subsequente de os japoneses avançarem contra as colónias da França, Holanda e Grã-Bretanha no Sudeste Asiático, e até de enfrentarem a marinha de guerra dos Estados Unidos no Pacífico.


A consequente recusa por parte de Tóquio em atacar a União Soviética no inverno de 1941 desempenharia, portanto, um papel crítico no ponto de viragem geopolítico da guerra, tanto no Extremo Oriente como na luta de vida ou morte que Hitler travou com a União Soviética”, escreve o historiador britânico.

No capítulo dedicado ao período entre Maio e Setembro de 1945 (‘As bombas atómicas e a subjugação do Japão’) o autor faz a contagem de vítimas, nomeadamente dos judeus vítimas do Holocausto mas também dos milhões de mortos na Ucrânia, Bielorrússia, Polónia, Estados Bálticos e Balcãs.

“A Segunda Guerra Mundial, com as suas ramificações globais, foi a maior catástrofe provocada pelo homem da nossa história. As estatísticas do número de mortos – quer sejam sessenta milhões ou setenta milhões – transcendem a nossa compreensão”, refere Beevor que adverte para os riscos de comparações (página 1020).

“Numa crise actual, jornalistas e políticos vão instintivamente buscar paralelismos com a Segunda Guerra Mundial, seja para dramatizar a gravidade da situação, seja numa tentativa de se parecerem com Roosevelt ou Churchill” escreve o historiador para quem a Segunda Guerra é incomparável.

Fonte: http://www.noticiasaominuto.com/cultura/53862/antony-beevor-defende-que-ii-guerra-mundial-come%C3%A7ou-na-manch%C3%BAria#.UUJy-hymhRI

Obs: Assunto antigo, mas interessante para quem ainda não conhece.

sábado, 1 de maio de 2010

Passaporte para a vida

A luta de um homem corajoso que salvou milhares de judeus durante a Guerra.
 
Chiune (Sempo) Sugihara acordou com os gritos do lado de fora do consulado japonês em Kovno, na Lituânia. Através de uma janela, o diplomata de 40 anos de idade, viu, incrédulo, centenas de homens, mulheres e crian-ças. Muitos destes homens tinham barba e usavam longos casacos e chapéus de pele. Algumas pessoas seguravam bebês ou ajudavam os parentes mais idosos. A maioria carregava tudo o que possuía em trouxas.

"São refugiados judeus" – um contínuo do consulado disse a Sugihara. "Querem que o senhor salve suas vidas."

Era 27 de julho de 1940. No mês de setembro anterior a Alemanha invadira a Polônia e relatórios horríveis dos crimes alemães contra os judeus se espalhavam. Mas o que isto tinha a ver com um obscuro diplomata japonês na Lituânia? Sugihara pe-diu um encontro e Zorach Warhaftig, um advogado na casa dos 30, explicou a situação de seu povo.

Famílias inteiras estavam sendo assassinadas pelos nazistas, Warhaftig contou a Sugihara. Os refugiados conseguiram chegar à Lituânia dominada pelos russos, mas era apenas uma questão de tempo antes da guerra estourar ali também.

Sobrava apenas uma rota de fuga – por terra através da União Soviética. Mas os russos nunca os deixa-riam passar sem prova de que os judeus seriam recebidos por outro país depois de cruzar a União Soviética. Outros con-su-la-dos na Lituânia ou foram omissos ou fecharam.

Milhares de vistos seriam necessários. "Quero ajudá-los" – disse Sugihara – "mas tenho que pedir permissão a Tóquio."
Warhaftig ficou preocupado. Poucos países em 1940 queriam ajudar os judeus deserdados e o Japão era quase um aliado formal da Alemanha.

Na multidão naquele dia estava Yehoshua Nishri, 20 anos. Ele ouviu o relato de Warhaftig. É nossa única esperança – pensou. O tempo está correndo.

Sugihara telegrafou ao Ministro do Exterior em Tóquio, explicando a situação dos judeus. "Estou pedindo permissão para emitir vistos de trânsito imediatamente" – escreveu.

Dois dias mais tarde veio a resposta. Decepcionado, Sugihara leu: "Você não pode conceder vistos de trânsito para pessoas sem destino conhecido."

Naquela noite, Sugihara andou para lá e para cá até a alvorada. "Preciso fazer alguma coisa" – disse à esposa, Yukiko, que ficou acordada com ele.

"Sim" – Yukiko disse. "Precisamos." Ela pensou, triste, no aviso do parque de "Proibido para judeus." Como as pessoas podem fechar seu coração por ódio cego? ela pensava. O olhar de desespero nos olhos daqueles refugiados – especialmente daqueles com crianças pequenas – tocou a jovem mãe de três meninos.
Sugihara telegrafou novamente a Tóquio, explicando que aquele refugiados precisariam de 20 dias para cruzar a União Soviética. Partindo de barco do porto russo de Vladivostok, em 30 dias chegariam ao Japão. Com certeza, em 50 dias, ele argumentou, um destino final seria encontrado.

A resposta ainda era não.

Casal Sugihara 

Sugihara mandou um terceiro telegrama para Tóquio explicando que com um avanço nazista iminente, os judeus não tinham mais para onde se voltar. De novo, negativo. A escolha para Sempo Sugihara era óbvia: tinha de obedecer a seu governo ou a sua cons-ciên-cia.

Sempo Sugihara sempre agia independentemente. Formou-se no colégio com notas brilhantes e seu pai insistiu que fosse médico. Mas o sonho de Sempo era estudar literatura e morar no exterior.

Na manhã do vestibular de medicina, o jovem Sugihara saiu de casa com o conselho de seu pai para dar o melhor de si. Mas quando as provas foram entregues, ele escreveu seu nome no cabeçalho e colocou o lápis de lado. Quando o teste terminou, entregou uma folha em branco.

Sugihara foi estudar inglês na conceituada Universidade Waseda. Pagou seus estudos trabalhando meio-período como estivador, professor particular e puxador de riquixá.

Certo dia, ele viu um anúncio intrigante nos classificados. O Ministério das Relações Exteriores estava procurando jovens que quisessem estudar no exterior como início para a carreira diplomática. Caía como uma luva para o jovem sonhador. Um dos únicos a passar o teste eliminatório, Sugihara foi enviado para Harbin, na China. Lá estudou russo.

Depois de se formar com louvor, entrou a serviço do governo da Mandchúria controlada pelos japoneses, no nordeste da China. Chegou a vice-ministro de Relações Exteriores. Certa vez, quando o governo soviético queria vender uma ferrovia aos japoneses, Sugihara pesquisou o negócio. Depois de descobrir que o preço pedido era o dobro do valor da ferrovia, conseguiu cortar o preço pela metade.

Tal iniciativa logo colocou Sugihara a um passo de se tornar Ministro das Relações Exteriores da Mandchúria. Mas ele ficou desalentado com a maneira cruel com que seus concidadãos tratavam a população local. Sugihara renunciou ao cargo de vice-ministro e voltou ao Japão em 1934.

Uma vez que era um funcionário do governo japonês que dominava o russo como ninguém, o Chanceler esperava colocá-lo na embaixada em Moscou. Mas os soviéticos se lembraram do negócio da ferrovia e recusaram as credenciais de Sugihara. Em vez disso, Tóquio enviou-o a Lituânia para abrir uma represen-tação consular em 1939. Lá poderia relatar as atividades soviéticas e os planos alemães de guerra. Seis meses mais tarde, a guerra eclodiu e a União Soviética anexou a Lituânia. Todos os consulados deveriam ser fechados. E a multidão de judeus nos portões de Su-gihara aumentava a cada instante.

Sugihara e sua esposa discutiram o que aconteceria se ele desobedecesse ordens. "Poderia ser o fim de minha carreira" – ele disse. Mas no final, Sugihara sabia que caminho seguir.

"Vou ter de desobedecer a meu governo" – disse a Yukiko. "Mas se não o fizer, estarei desobedecendo a Deus."

Fora do consulado, Sugihara anunciou à multidão: "Vou conceder vistos de trânsito a quem quiser."
Houve um silêncio chocante, depois uma explosão de alegria. Muitos choravam, rezando. Uma fila longa e desorganizada se formou enquanto as pessoas se acotovelavam por um lugar.

Uma vez que os vistos japoneses eram apenas de trânsito, as pessoas deveriam ter de declarar um destino final. Curaçao, uma possessão holandesa no Caribe, foi uma sugestão. Warhaftig obteve uma declaração de que não era necessário visto para entrar nesta colônia.

Sugihara começou a emitir vistos naquela manhã, 1º de agosto. Primeiro, ele fazia as perguntas de praxe: se tinham passagem para fora do Japão; se tinham dinheiro suficiente para a viagem. Mas quando se tornou óbvio que muitos refugiados fugiram com a roupa do corpo, Sugihara omitiu estas perguntas.

Igo Feldblum, 12 anos, e sua família, escaparam de Cracóvia, Polônia. Quando foi sua vez de entrar no escritório de Sugihara, um dos assistentes do cônsul sussurrava uma frase a cada membro da família de Igo: "Banzai Nipon!" (Vida longa ao Japão!). Com estas palavras, Sugihara podia confirmar que os refugiados "falavam japonês".

Cada visto levava quinze minutos. Sugihara deixara de almoçar para emitir tantos quanto possível. Mesmo assim, quando finalmente parou naquela primeira noite, a multidão não diminuiu.

Ele trabalhou dia e noite e quando acabaram os formulários oficiais, escreveu mais à mão. À medida que passavam os dias, ele começou a ficar fraco. Seus olhos se tornaram injetados pela falta de sono. "Penso se não deveria parar já" – disse, exausto, à sua esposa uma noite.

"Vamos salvar o mais que pudermos" – Yukiko respondeu baixinho.

Na terceira semana de agosto, Sugihara recebeu telegramas ordenando-o a parar. Grande número de refugiados poloneses chegava ao Japão nos portos de Yokohama e Kobe, provocando confusão. Sugihara ignorou as ordens.

No final de agosto, os soviéticos exigiam que o consulado fosse fechado. Tóquio instruiu Sugihara a se mudar para Berlim. Porém centenas de judeus ainda estavam chegando. As faces suplicantes na multidão eram demais para ele. "Vou ficar uma noite num hotel aqui" – anunciou. "Vou conceder o máximo de vistos que puder antes de partir."

Documentos de viaje carimbados com o visto de Sugihara

Uma multidão seguiu a família até o hotel, onde Sugihara continuou a escrever. Na manhã seguinte, um grupo ainda maior seguiu Sugihara e sua família à estação do trem. No trem, ele continuou a escrever freneticamente, mas não conseguia dar vistos para todos. Começou a assinar seu nome em folhas em branco, esperando que o resto pudesse ser preen-chido. Ainda estava passando papéis quando o trem partiu.

"Sempo Sugihara" – um homem gritou nos trilhos – "nunca o esqueceremos."
Agarrando seus preciosos vistos, os refugiados partiram para o leste através da Sibéria. Quando se encontraram em segurança a bordo de um navio para o Japão, muitos estavam convencidos de que a pressa com que Sugihara escreveu e selou os pedaços de papel fora de algum modo abençoada.

Moshê Cohen, um estudante de religião de 17 anos, certamente o pensava. Quando seu grupo se preparava para subir no navio para Kobe, Cohen viu um oficial russo empurrar um rabino em direção a dois oficiais japoneses que verificavam os vistos. Quando o rabino abriu seu passaporte, o vento carregou o visto, levando-o num arco flutuante sobre a água.

"Todos olhamos, transfixados" – disse Cohen. "Voou a nosso redor até aterrissar na rampa, bem em frente aos pés do rabino. Ele o entregou aos japoneses, que acenaram para que seguisse."

No Japão, os judeus foram tratados sem discriminação. Quando seus vistos de trânsito expiraram, tiveram permissão para ir para Xangai esperar pelo fim da guerra. Curaçao estava fechado para eles. Depois da guerra, alguns ficaram no Japão. A maior parte dos outros foi para os Estados Unidos, América do Sul ou Palestina, o futuro Estado de Israel.

Sugihara estima que concedeu 3.500 vistos. Outros dizem que foram 6.000.


                   Judeus esperando por vistos em frente ao consulado japones em Kovno

Durante a guerra, Sugihara dirigiu os consulados na Tchecoslováquia, Romênia e Alemanha. Uma vez que seu governo nunca mencionou os vistos, achava que haviam esquecido.

Em 1945, Sugihara dirigia o consulado japonês em Bucareste, Romênia, quando ele e sua família foram presos pelas tropas soviéticas e levados a um campo de prisioneiros. Depois de 21 meses, a família retornou ao Japão.

De volta a Tóquio, Sugihara esperava que lhe oferecessem uma embaixada. Mas o vice-chanceler pediu sua renúncia. A costumeira carta de recomendação foi negada. Sugihara percebeu que se lembravam do que ele fizera na Lituânia.

Para sustentar a família, o diplomata de carreira primeiro tentou vender lâmpadas de porta em porta. Finalmente se mudou para Moscou para dirigir uma filial de uma empresa exportadora, deixando sua família para trás por longos períodos de tempo.

Os judeus cuja vida ele salvou nunca se esqueceram de Sugihara. Muitos tentaram encontrá-lo; suas investigações junto à Chancelaria de Tóquio foram infrutíferas.

Certo dia, em 1967, o filho de Sugihara, Hiroki, recebeu uma mensagem de um oficial da embaixada israelense em Tóquio que queria vê-lo. Era Yehoshua Nishri, que havia rastreado a família por meio de uma lista de universitários.

"Há anos procuro por seu pai" – Nishri contou a Hiroki. "Nunca esquecerei o homem que salvou minha vida."
Hiroki disse que seu pai estava trabalhando em Moscou. "Diga-lhe que Israel quer homenageá-lo pelo que ele fez" – Nishri falou.

Hiroki recebeu uma resposta típica de seu pai: estava ocupado com o trabalho e não tinha tempo para agradecimentos oficiais. Mas três meses mais tarde, Nishri convenceu Sugihara a ir para Israel.

Em Tel-Aviv, Sugihara foi recebido como herói. Houve festas para homenageá-lo organizadas por quem ele salvou – alguns deles desempenhavam papel importante na jovem história de Israel. Entre eles, Zorach Warhaftig que ajuda-ra a escrever a Declaração de Independência de Israel e era agora Ministro de Assuntos Religiosos.

"Sempre fiquei a pensar" – disse Warhaftig – "por que você fez aquilo."

Sugihara respondeu: "Vi pessoas em desespero e era capaz de ajudá-las e, então, por que não fazê-lo?"
Em 1984, o Departamento dos Mártires e Heróis do Holocausto de Israel concedeu a Sugihara o título de "Justo entre as Nações." Sugihara, com 85 anos, estava fraco demais para comparecer à cerimônia, assim sua esposa recebeu o prêmio. Um parque recebeu seu nome em 1992; Sugihara recebeu o título de cidadão honorário de Israel.

Sugihara foi homenageado nos Estados Unidos também. Recentemente, a Yeshivá de Mir celebrou o jubileu de ouro em Nova York. Todo o corpo docente e discente da escola – cerca de 300 rabinos, alunos e familiares – fugiu de Mir, Polônia e foi salvo por Sugihara. O aniversário foi comemorado com a criação do Sempo Sugihara Educational Fund em prol dos jovens eruditos judeus.
Igo Feldblum é atualmente médico em Haifa, Israel. "Um homem corajoso faz coisas difíceis" – reflete. "Um herói faz coisas que parecem impossíveis. Ele agiu mesmo sabendo que nada ganharia em troca."

Sugihara morreu no Japão em 1986 em relativa obscuridade. Apenas quando um grande número de judeus ortodoxos compareceu a sua casa para o funeral é que seus vizinhos perceberam que viviam ao lado de um herói.

Em 1991, o governo japonês emitiu um tardio pedido de desculpas a sua família por demiti-lo. Sua esposa e filhos ainda têm contato com judeus agradecidos que receberam um dos vistos de Su-gi-hara. Estima-se que se os descen-dentes dos que foram salvos fossem computados, haveria dezenas de milhares em todo o mundo que devem suas vidas ao corajoso diplomata.

Warhaftig, que tem 25 netos, olha para trás para o que aconteceu, e diz:

"Sempo Sugihara foi um emissário de Deus."

Por David Tracey
Fonte: http://www.chabad.org/
United States Holocaust Memorial Museum Photo Archive
http://www1.yadvashem.org/es/righteous/stories_sugihara.asp

sábado, 30 de janeiro de 2010

Lista de nomes dos áses e de vitórias - Japão




Nome do Ás_Vitórias

1.Hirojoshi Nishizawa_87
2.Shigeo Fukumoto_72
3.Sho-ichi Sugita_70
4.Tecuzo Iwamoto_66
5.Saburo Sakai_64
6.Horimichi Shinohara_58
7.Takeo Okumura_54
8.Satoshi Anabuki_51
9.Johei Hinoki_45
10.Yoshihiko Nakada_45
11.Sumi Kamito_40
12.Micuyoshi Tarui_38
13.Isamu Sasaki_37
14.Toshio Ota_34
15.Kazuo Sugino_32
16.Sada Koga_31
17.Yasuhiro Kuroe_30
18.Shizuo Ishii_29
19.Takeyoshi Muto_28
20.Chiyoshi Saito_28
21.Sada-aki Akamacu_27
22.Isamu Hosono_27
23.Jun-ichi Sasai_27
24.Rikio Shibata_27
25.Kenji Shimada_27
26.Goychi Sumino_27
27.Moritsugu Kanai_26
28.Isamu Kashiide_26
29.Takaji Kimura_26
30.Hidenori Matsunaga_26
31.Goro Miyamoto_26
32.Shogo Saito_26
33.Goro Furugori_25
34.Tomio Hanada_25
35.Tokuyasu Ishizuka_25
36.Naoshi Kanno_25
37.Kichigoro Haraguchi_24
38.Susumu Kajinami_24
39.Nobuo Ogyia_24
40.Toshiaki Honda_23
41.Shoji Kato_23
42.Hitoshi Asano_22
43.Tomori Hasegawa_22
44.Djozo Iwahashi_22
45.Zenzaburo Ohcuka_22
46.Saburo Togo_22
47.Katsuaku Kira_21
48.Morio Matsui_21
49.Naoharu Shiromoto_21
50.Yoshimi Hidaka_20
51.Teruhiko Kobayashi_20
52.Saburo Nakamura_20
53.Masaaki Shimakawa_20
54.Toshio Shiozura_20
55.Shigeo Sugio_20
56.Bunji Yoshiyama_20
57.Kanshi Ishikawa_19
58.Saburo Kimura_19
59.Ki-ichi Nagano_19
60.Yojiro Obusa_19
61.Yojiro Ofusa_19
62.Kaneyoshi Okano_19
63.Nakakazu Ozaki_19
64.Shogo Takeuchi_19
65.Kazushi Uto_19
66.Buni-chi Yamaguchi_19
67.Takeo Ishii_18
68.Takeo Kato_18
69.Masajiro Kawato_18
70.Sadamu Komachi_18
71.Akio Matsuba_18
72.Masayuki Nakase_18
73.Saburo Saito_18
74.Kazuo Shimizu_18
75.Takeo Tanimizu_18
76.Yukiyoshi Wakamatsu_18
77.Mamoru Hanada_17
78.Minoru Honda_17
79.Kiyoshi Ito_17
80.Keishu Kamihira_17
81.Keishu Kanihira_17
82.Masao Masuyama_17
83.Yoshio Oki_17
84.Shoichi Suzuki_17
85.Haruo Takagaki_17
86.Kenji Takamiya_17
87.Kuniyoshi Tanaka_17
88.Kisaku Igarashi_16
89.Misao Inoue_16
90.Susumu Ishihara_16
91.Riichi Ito_16
92.Kunimichi Kato_16
93.Kiyomi Katsuki_16
94.Tameyoshi Kuroki_16
95.Zenjiro Miyano_16
96.Muneyoshi Motojima_16
97.Bunkichi Nakajima_16
98.Kunimori Nakakariya_16
99.Yoshi-ichi Nakaya_16
100.Kiyoshi Namai_16
101.Mitsuo Ogura_16
102.Ryoji Ohara_16
103.Masami Shiga_16
104.Yukio Shimokawa_16
105.Tora-ichi Takatsuka_16
106.Hideo Watanabe_16
107.Yoshihiko Yajima_16
108.Hyoe Yonaga_16
109.Iwataro Hayawa_15
110.Tomesaku Igarashi_15
111.Kotaro Koyae_15
112.Shigeo Mango_15
113.Yoshimi Minami_15
114.Wataru Nakamichi_15
115.Shigeo Nango_15
116.Kenji Okabe_15
117.Megumu Ono_15
118.Kyushiro Otake_15
119.Toshio Sakagawa_15
120.Eiji Seino_15
121.Shigeru Shibukawa_15
122.Motonari Suho_15
123.Minpo Tanaka_15
124.Satoshi Yoshino_15
125.Masuaki Endo_14
126.Tomio Hirohata_14
127.Taka-aki Minami_14
128.Koji Motomura_14
129.Noboru Mune_14
130.Takeshi Noguchi_14
131.Djiro Okuda_14
132.Hiroshi Onazaki_14
133.Hiroshi Onozaki_14
134.Jukiharu Ozeki_14
135.Tadashi Shono_14
136.Ken-ichi Takahashi_14
137.Masao Taniguchi_14
138.Ichirobei Yamazaki_14
139.Mototsuna Yoshida_14
140.Masao Ashida_13
141.Matsuo Hagiri_13
142.Watari Handa_13
143.Fujitaro Ito_13
144.Kijoto Koga_13
145.Fudjikazu Koizumi_13
146.Masa-ichi Kondo_13
147.Toshio Kuroiwa_13
148.Shoji Kurono_13
149.Yoshiro Kuwabara_13
150.Hideo Maeda_13
151.Masatoshi Masuzawa_13
152.Mamoto Matsumura_13
153.Gitaro Miyazaki_13
154.Isamu Miyazaki_13
155.Shigetaka Omori_13
156.Hiroshi Shibagaki_13
157.Takeshi Shimizu_13
158.Norio Shindo_13
159.Nagao Shirai_13
160.Takao Takahashi_13
161.Sadao Uehara_13
162.Akiro Yamamoto_13
163.Sahei Yamashita_13
164.Kacumi Anma_12
165.Yukata Aoyagi_12
166.Tojoki Eto_12
167.Chitoshi Isozaki_12
168.Ryotaro Jobo_12
169.Takeo Kanamaru_12
170.Kan-ichi Kashimura_12
171.Tetsuo Kikuchi_12
172.Hideo Miyabe_12
173.Goro Nishihara_12
174.Noritsura Odaka_12
175.Masao Sasakibara_12
176.Mitsugu Sawada_12
177.Kiyoshi Shimizu_12
178.Sada-o Yamaguchi_12
179.Keisaku Yoshimura_12
180.Iyozo Fujita_11
181.Sumio Fukuda_11
182.Tokuro Fukuda_11
183.Yoshio Fukui_11
184.Hatsuo Hidaka_11
185.Mitsuo Hori_11
186.Matao Ichioka_11
187.Koji Ishizawa_11
188.Tsutomu Iwai_11
189.Teizo Kanamaru_11
190.Yoshina-o Kodaira_11
191.Takayori Kodama_11
192.Takeichi Kokubun_11
193.Jashiro Nashiguchi_11
194.Kijoshi Sekiya_11
195.Yoshijiro Shirahama_11
196.Hironojo Shishimoto_11
197.Eisaku Suzuki_11
198.Yoshio Wajima_11
199.Ichiro Yamamoto_11
200.Tomezo Yamamoto_11
201.Koshiro Yamashita_11
202.Kozaburo Yasui_11
203.Ken-ichi Abe_10
204.Takahide Aioi_10
205.Djiro Asano_10
206.Hikotai Atake_10
207.Yoshiro Hashiguchi_10
208.Kazuo Hattori_10
209.Chuichi Ichikawa_10
210.Isamu Ishii_10
211.Koichi Iwase_10
212.Matsuo Kagemitsu_10
213.Nobuo Kanazawa_10
214.Tomazaku Kasai_10
215.Saburo Kitahata_10
216.Hohei Kobayashi_10
217.Taro Kobayashi_10
218.Osamu Kudo_10
219.Sei-ichi Kurosawa_10
220.Toshio Matsumura_10
221.Kagemitsu Matsuo_10
222.Yoshikazu Nagahawa_10
223.Akiyoshi Nomura_10
224.Takao Sakano_10
225.Tomokazu Sasai_10
226.Sekizen Shibayama_10
227.Yasuhiro Shigematsuo_10
228.Tokuya Sudoh_10
229.Teruo Sugiyama_10
230.Shigeru Takahashi_10
231.Djiro Tanaka_10
232.Shinsaku Tanaka_10
233.Kosuke Tsubone_10
234.Joshito Yasuda_10
235.Katsuyoshi Yoshida_10
236.Kaname Harada_9
237.Takeomi Hayashi_9
238.Ichiro Higashiyama_9
239.Yoshio Hirose_9
240.Noguchi Hisashichi_9
241.Akira Ina_9
242.Teigo Ishida_9
243.Hideo Izumi_9
244.Saiji (Kani) Kaji_9
245.Daisuke Kanbara_9
246.Seiji Kanda_9
247.Shirotaro Kashima_9
248.Katsue Kato_9
249.Kenji Kato_9
250.Yutaka Kimura_9
251.Kensui Kono_9
252.Shigetoshi Kudo_9
253.Jiro Matsuda_9
254.Susumu Matsuki_9
255.Yoshijiro Minegishi_9
256.Isami Mochizuki_9
257.Mitsugu Mori_9
258.Hideo Morinio_9
259.Yoshio Nakamura_9
260.Shigeru Nakazaki_9
261.Ki-ichi Oda_9
262.Makoto Ogawa_9
263.Djuzo Okamoto_9
264.Shokichi Omori_9
265.Iwori Sakai_9
266.Miyoshi Shimamura_9
267.Toshihisa Shirakawa_9
268.Aja-o Shirane_9
269.Toshiyuki Sueda_9
270.Kiyonobu Suzuki_9
271.Katsutaro Takahashi_9
272.Hiroshi Takiguchi_9
273.Yamato Takiyama_9
274.Kazu-o Tsunoda_9
275.Tadao Yamanaka_9
276.Tokushige Yoshizawaa_9
277.Yu-ichi Ema_8
278.Sachio Endo_8
279.Yukio Endo_8
280.Kurakazu Goto_8
281.Hitoshi Hida_8
282.Masao Iizuka_8
283.Nayouke Ito_8
284.Yoshio Iwaki_8
285.Masao Izuka_8
286.Tadashi Kaneko_8
287.Konsuke Kawahara_8
288.Koki Kawamoto_8
289.Sadamitsu Kimura_8
290.Juzo Kuramoto_8
291.Ko-ichi Magara_8
292.Toyoo Moriura_8
293.Kazuo Muranaka_8
294.Kenji Nakagawa_8
295.Mochifumi Nango_8
296.Shigetsune Nishioka_8
297.Tsutae Obara_8
298.Misao Okubo_8
299.Satoru Ono_8
300.Takeyoshi Ono_8
301.Hitoshi Sato_8
302.Katsuma Shigemi_8
303.Hiroshi Suzuki_8
304.Kaoru Takaiwa_8
305.Tadao Tashiro_8
306.Shinobu Terada_8
307.Yoshihisa Tokuji_8
308.Ko Tsuchiya_8
309.Mitsou Yamato_8
310.Kenji Yanagiya_8
311.Shigeru Yano_8
312.Hiroji Yoshihara_8
313.Mitsuzo Asai_7
314.Dziro Chono_7
315.Yonesuke Fukuyama_7
316.Hiroshi Gomi_7
317.Fusata Iida_7
318.Masao Kanbara_7
319.Masao Miyamaru_7
320.Katsujiro Nakano_7
321.Tomoji Nakano_7
322.Koichi Ogata_7
323.Hiroshi Sekiguchi_7
324.Masao Sugawara_7
325.Tadashi Tarakuma_7
326.Watanabe_7
327.Yoshio Yoshida_7
328.Sakuji Hayashi_6
329.Fumisuke Ikuno_6
330.Shizuo Kojima_6
331.Shiro Kuratori_6
332.Kazunori Miyabe_6
333.Nobuji Negishi_6
334.Yashinori Nogushi_6
335.Yoshio Oishi_6
336.Takashi Okamoto_6
337.Takashi Oshibuchi_6
338.Yoshi-ichi Sasaki_6
339.Yoshio Shiga_6
340.Tadao Sumi_6
341.Shokichi Yonekawa_6
342.Yoshitaro Yoshioka_6
343.Yoshitugu Aramaki_5
344.Yoshisuke Arita_5
345.Kisaji Beppu_5
346.Kihei Fujiwara_5
347.Goro Furugori_5
348.Furukawa_5
349.Yoshishige Hayashi_5
350.Hideaki Inayama_5
351.Seiji Ishikawa_5
352.Tadashi Ishikawa_5
353.Susumu Ito_5
354.Enji Kakimoto_5
355.Teizo Kanemaru_5
356.Akira Kawakita_5
357.Toshio Matsuura_5
358.Masahiro Mitsuda_5
359.Yutaka Morioka_5
360.Yoshimitsu Naka_5
361.Matsumi Nakano_5
362.Nishikyo_5
363.Hannoshin Nishio_5
364.Masaharu Nishiwaki_5
365.Naoyuki Ogata_5
366.Hideo Oishi_5
367.Gonnoshi Sato_5
368.Minoru Suzuki_5
369.Tatsuo Takanashi_5
370.Yoshihiko Takenaka_5
371.Shimizu Takeshi_5
372.Toyomitsu Tsujinoue_5
373.Tomatsu Yokoyama_5

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Hiroshima: Memórias De Um Sobrevivente




Desejo apagar esta repugnante e desagradável lembrança de minha memória. O seis de agosto vem de novo este ano [1993], como sempre. Sei que está é a minha última chance para registrar, em três partes, o que sofri.



No fatídico dia de 6 de agosto de 1945, eu era um terceiroanista do Departamento de Ciências, Faculdade de formação de professores de Hiroshima (hoje em dia, a licenciatura em matemática da Universidade de formação de Professores de Hiroshima). Em meados do meu primeiro ano [1943], ouvíamos muitas vezes que as condições da guerra estavam piorando e que a frente de guerra estava se expandindo sem limites. Quase todos os estudantes foram recrutados para o exército. Mas ainda havia alguns na faculdade, pois éramos aspirantes a Professores no futuro. Mas a situação mudou gradualmente. Estudantes de ciências humanas foram também recrutados, somente deixaram ficar os estudantes de ciências naturais como nós.

A guerra continuou a piorar. Finalmente fomos mobilizados em abril, como trabalhadores no estaleiro Mitsubishi na vila de Eba, na cidade de Hiroshima. O estaleiro construía transportes de tropas da classe de 10.000 toneladas. A primeira tarefa que me foi designada foi a de soldar placas de aço, usando volumosos macacões feitos de um tecido duro, contendo chumbo. Mas depois de um pouco, fui transferido para uma posição de treinamento para estudantes do ginásio Shudo e do curso secundário da Escola de Comércio de Hiroshima. Nosso alojamento era um hotel chamado Kinsuikan, situado em Miyajima, um local famoso por sua paisagem. Íamos diariamente ao estaleiro de barco. Levava uma hora para irmos. Estávamos sempre expostos aos perigos de ataques aéreos feitos por caças saindo dos porta-aviões americanos e ao contato com minas. Tínhamos prontos pedaços de tábuas de madeira no barco, para substituir os coletes salva-vidas. Duas horas gastas no ir e vir eram preciosas para descansar e ler livros. Quanto a comida, estávamos sempre com fome. Arroz misturado com soja triturada, ou bolinhos de Eba feitos de trigo moído e estragão eram uma festa para nós.


O seis de agosto

Saímos do porto de Miyajima e chegamos ao estaleiro de Eba uns poucos minutos depois das oito horas, como sempre. Estava quente e o céu limpo, sem nuvens. Pouco antes das oito, uma sirene de ataque aéreo soou. Nos abrigamos enquanto reclamávamos, porque já estávamos acostumados à sirene. Logo o alerta foi cancelado. O encontro da manhã foi feito como sempre e uma chamada dos alunos do ginásio foi feita também. Fui até o segundo andar acertar alguns papéis. Estava conferindo a presença dos alunos enquanto mantinha minhas costas diretamente para o epicentro. De repente, uma luz azulada brilhou como um arco voltaico, como a luz de uma máquina de solda, ou como magnésio queimando. O mundo ficou branco.

De forma instintiva, pensei que tivesse havido um grande acidente na companhia de fornecimento de gás no distrito de Kannon ou na subestação transformadora em Misasa. Corri para a janela que estava bem aberta ao exterior, para ventilar. Olhei na direção do possível acidente. Observei uma nuvem amarela-avermelhada subindo como fogo de artifício, alto para o céu, cercada por fumaça negra como carvão. (Naquela época, como não tinha idéia do que seria uma bomba atômica, nunca imaginaria que uma nuvem de cogumelo estava para surgir). No mesmo momento, de longe, casas voavam um pouco e então caiam, esmagando-se no chão como peças de um jogo de dominó. Era igual a branca arrebentação de uma onda, vindo em minha direção, enquanto ficava em pé na praia. A onda se aproximou de forma inabalável (mais tarde, isto seria chamado de onda de choque da explosão). Me senti terrível pela primeira vez. Tinha que fazer alguma coisa, o segundo andar onde estava logo seria esmagado. Um amigo próximo, o Sr. Soma ou o Sr. Yoshikawa gritaram algo. Corri para debaixo da mesa e segurei a respiração, esperando que alguma coisa acontecesse. Em apenas alguns segundos eu vi o relâmpago e me enfiei debaixo da mesa.

Então, de repente, o chão desabou com um imenso som. Uma maciça nuvem de poeira se levantou. Naquele momento, eu congelei. Senti que a bomba tinha explodido logo na minha frente. Mas nenhum explosão aconteceu. Senti sem sombra de dúvida que a bomba era uma granada cegante e arrastei-me lentamente. Descobri que o chão tinha desabado com a explosão.

Meu amigo gritou: “seu olho direito está ferido!” Toquei meu olho e somente senti um monte de sangue na minha palma. Mas não sentia nenhuma dor. A explosão tinha arrebentando os caixilhos das janelas em pedacinhos e estilhaços devem ter penetrado minha sobrancelha. O sangue correndo tinha caído no meu olho e perdi a visão. Apoie-me no ombro do meu amigo para correr para a sala de enfermaria do escritório, cambaleando. Surpreendentemente, duzentas ou trezentas pessoas já estavam na fila. Quase todos tinham sofrido queimaduras. Mais tarde soube que muitas das pessoas na fila tinham morrido. Tive sorte no meu azar, pois não fiquei exposto diretamente à explosão. Todos os ferimentos eram na minha face. Todas as tentativas de parar com o sangramento falharam. O sangue continuar a fluir. Minhas roupas estavam de tal forma manchadas pelo sangue derramado que poderiam dar a impressão que estava gravemente ferido. Fui levado para a frente da fila e fizeram quatro pontos, depois de desinfetarem de forma rápida a ferida. Quanto sorte tive. Meus olhos estavam bem. Só quando minha sobrancelha foi cortada, a pele caiu e o sangue entrou no olho, causando uma cegueira temporária.

Foi dito que não havia maneiras de ajudar as vítimas de queimadura, só aplicar ungüento branco. Então fui colocado em uma tábua de madeira e deixado no chão de um prédio que estava inclinado pelo sopro da explosão. No meu peito estava uma etiqueta de papel em que estava escrito o meu nome, local de nascimento, idade e tipo sangüíneo. Ao meu redor estavam muitas vítimas de queimadura, gemendo de dor. As peles das pessoas vivas estava apodrecendo e soltando um cheiro intolerável. As pessoas estavam agonizando e morrendo lentamente, gemendo “ai, ai, água, água”. Fui deixado entre eles. Não sabia ao certo que horas eram, mas uma vez vi um céu azul sem nuvens, coberto por uma nuvem negra como carvão na direção de Koi e parecia que era uma chuva torrencial. Por volta das três da tarde, o ferry Enamimaru chegou para nos apanhar. Voltei aos meus alojamentos em Miyajima. Na manhã seguinte, o dia sete de agosto, as pessoas saudáveis foram para Hiroshima para limpar a cidade. Mas deixou-se que os feridos descansassem nos alojamentos.






O oito de agosto

Hoje, fui ao estaleiro em Eba, junto com alguns amigos meus. Meu rosto estava quase que totalmente embrulhado em bandagens, exceto o meu olho esquerdo. Então fui ao centro de Hiroshima. Como não haviam meios de transporte, tive que fazer toda a distância a pé. Primeiro visitei o Sr. Matsuoka, no distrito Minami Kan-non, onde estava me hospedando. Nada restava lá. Mandado pelos ares ou queimado, não sabia. Não havia nenhum traço. Naturalmente, minhas coisas, tais como cama, livros e outras coisas, não existiam. Não sabia se meu tio e minha tia Matsuoka tinham sobrevivido ou não. Mesmo hoje, não sei de seus destinos. Não tinha escolha, a não ser perambular até a escola em Higashisendamachi. Tanto quanto a vista alcançava, tudo estava totalmente incinerado em cinzas. Somente muros destruídos de concreto pontilhavam a paisagem. A esquerda e direita havia incontáveis corpos, ainda não removidos. Algumas pessoas olhavam os cadáveres, procurando seus parentes. Outros empilhavam a madeira meio queimada das casas, para incinerar os restos. Fiquei vagando pela cidade, cheia dos cheiros da morte.

Quando cheguei na ponte, soldados das tropas Akatsuiki estavam recuperando um imenso número de cadáveres do fundo do rio, usando barcos de desembarque. Todos os corpos estavam completamente nus. Alguns dos corpos permaneciam com as mão para cima, outros com as pernas torcidas em agonia. Estavam inchados pela água, branco-pálidos. A cena era muito lúgubre para lembrar, mesmo hoje em dia.

Finalmente cheguei na faculdade, passando pela ponte Takano. Todos os prédios de madeira da faculdade e os dormitórios estavam totalmente queimados, em ruínas. Somente a biblioteca na direita e a estrutura externa dos prédios do laboratório de ciências, nos fundos, foram poupados. Ao lado da entrada da frente, o corpo queimado de um cavalo fora deixado, soltando um fedor insuportável.

Percebendo que nada restara, fui até o endereço queimado dos Hasimotos, meus amigos, cujo marido tinha ido para a guerra e somente as mulheres tinham ficado para trás. Como os tinha ajudado a construir um abrigo de bombas subterrâneo e colocado coisas importantes lá, estame me preocupando com eles.

Fiquei mais calmo ao achar provas de coisas enterradas terem sido escavadas, pois isto era um sinal que meus amigos tinham sobrevivido. (Muitos anos atrás, fui a Hiroshima, mas lá não havia pistas para perguntar sobre o destino da família Hashimoto).

Então caminhei para Shiragamisha, pela avenida do bonde, para obter na praça municipal um certificado de flagelado. Não me preocupava de forma alguma com a minha cara miserável, embrulhada em bandagens, pois quase todas as pessoas estavam feridas e também perambulavam pelas ruas como zumbis em bandagens. Um bonde queimado, somente com a estrutura de aço restando, estava largado no meio da rua. Postes elétricos estavam inclinados e fios queimados balançavam dentro da janela.

Virei à esquerda no cruzamento do quarteirão Kamiya e caminhei pelos destroços do Pavilhão de Promoção Industrial da Prefeitura de Hiroshima (depois chamado de cúpula da Bomba Atômica), a ponte em forma de “T” de Aioi, Dobashi e o distrito de Fukushima. Continuei a caminhar em direção ao distrito Ibi.

Tão longe quanto a vista alcançava, toda a cidade estava queimada até as cinzas, pontilhada de muros de concreto que antes tinham sido prédios. Chapas de zinco queimadas soltavam rangidos nas janelas radioativas. Passei pelas ruínas e destroços, evitando os corpos dos mortos, cobertos com tapetes.

Finalmente cheguei na estação Ibi passando pela cidade morta, onde não havia sinais de uma só vida, cheia do cheiro dos cadáveres. Peguei um bonde em Miyajima e voltei para o hotel. Caminhei ao redor da cidade morta por oito dias, várias horas todos os dias. Como era bobo. Me arrependo de meu comportamento tolo de perambular. Nunca mais. Não desejo ver de novo tal inferno na terra. Não desejo mesmo me lembrar dele. Este é o limite do que posso descrever.

Deixem-me dizer uma última palavra: agora é um mundo pacífico. Vivemos em riqueza material e liberdade de palavra. As vezes acho estranho: porque estou vivo? Provavelmente posso estar “ficando vivo”. Só tenho um sentimento de gratidão, nenhuma reclamação ou insatisfação. Sempre agradeço a sociedade. Gostaria de dar alguma coisa de volta à sociedade.

Takeharu Terao