sexta-feira, 25 de junho de 2010

Giorgio Perlasca, o Schindler italiano


Giorgio Perlasca (31 de janeiro de 1910 – 15 de agosto 1992) foi um italiano que assumiu a identidade de cônsul-geral da República Espanhola na Hungria, no inverno de 1944, com o objetivo de utilizar essa credencial diplomática para atuar no salvamento de milhares de judeus perseguidos pelo nazismo, durante a Segunda Guerra Mundial.

A vida

Perlasca nasceu na cidade italiana de Como. Com poucos meses de idade, devido a motivos profissionais de seu pai Carlo, sua família transfere-se para Maserà, província de Pádua. Ainda jovem, adere à ideologia fascista, tornando-se um entusiasta. Lutou na África Oriental durante a Segunda Guerra Italo-Abissinia, e na Guerra Civil Espanhola (Corpo Truppe Volontari), ao lado das forças de Francisco Franco. Desiludiu-se com o fascismo italiano devido à aliança com a Alemanha (contra quem a Itália havia lutado durante a Primeira Guerra Mundial) e a implementação na Itália das leis anti-semitas e raciais, aos moldes do nazismo.

Segunda Guerra Mundial

Durante a Segunda Guerra Mundial, Perlasca trabalhou no Leste Europeu, com o objetivo de comercializar carne para o Exército Italiano em ação nos Bálcãs. Encontrava-se na Hungria quando a Itália assinou o armistício (8 de setembro de 1943), sendo detido pelo governo húngaro pró-Alemanha. Consegue escapar após a ocupação alemã na Hungria, apresentando-se na embaixada espanhola como cidadão espanhol, através de um passaporte falsificado, com o nome de Jorge Perlasca.

Passa a auxiliar o embaixador espanhol, Ángel Sanz Briz, que juntamente com outros representantes de países neutros, trabalhavam para evacuar a população judia do país. Em novembro de 1944, Sanz Briz recebe ordem do governo espanhol para retirar-se para a Suíça. Perlasca recusa-se a sair do país, e, através de um documento forjado, apresenta-se como substituto temporário de Briz frente a embaixada espanhola em Budapeste. Assim, impede que o governo húngaro confisque os imóveis ocupados pela embaixada, bem como os transforma em “casas-seguras” (devido à imunidade diplomática), onde consegue refugiar milhares de cidadãos judeus.

Durante todo o inverno, Perlasca consegue esconder, proteger e alimentar milhares de cidadãos judeus, além de emitir salvo-condutos que permitiam a saída em segurança de um grande número desses cidadãos.

Pós-guerra

Com a expulsão dos alemães e a ocupação da Hungria pelas tropas soviéticas, Perlasca volta para a Itália, vivendo no anonimato e sem revelar a ninguém (nem mesmo a sua família) suas ações humanitárias durante a guerra. Porém, a comunidade judia de Budapeste não o esqueceu e, em 1980, conseguiu localizá-lo, vivendo modestamente na Itália. Foi então que o mundo conheceu a heróica história de Perlasca.

Perlasca foi reconhecido e condecorado pelos governos italiano, húngaro, espanhol e israelense, tendo sido considerado por esse último como "justo entre as nações". Suas atividades durante a Segunda Guerra Mundial foram retratadas no filme "Perlasca – um herói italiano", produzido pela emissora italiana RAI (Perlasca, Un Eroe Italiano – Itália/Hungria – 2002) Giorgio Perlasca faleceu de um ataque cardíaco em 1992.


Fonte: Sítio italiano dedicado a Perlasca (em italiano): 
http://www.giorgioperlasca.it/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Giorgio_Perlasca


O time que preferiu morrer, a perder!




A história do futebol mundial inclui milhares de episódios emocionantes e comovedores, mas seguramente nenhum seja tão terrível como o protagonizado pelos jogadores do Dinamo de Kiev nos anos 40. Os jogadores jogaram um partida sabendo que se ganhassem seriam assassinados e, no entanto, decidiram ganhar. Na morte deram uma lição de coragem, de vida e honra, que não encontra, por seu dramatismo, outro caso similar no mundo.

Para compreender sua decisão, é necessário conhecer como chegaram a jogar aquela decisiva partida, e por que um simples encontro de futebol apresentou para eles o momento crucial de suas vidas.

Tudo começou em 19 de setembro de 1941, quando a cidade de Kiev (capital ucraniana) foi ocupada pelo exército nazista, e os homens de Hitler aplicaram um regime de castigo impiedoso e arrasaram com tudo. A cidade converteu-se num inferno controlado pelos nazistas, e durante os meses seguintes chegaram centenas de prisioneiros de guerra, que não tinham permissão para trabalhar nem viver nas casas, assim todos vagavam pelas ruas na mais absoluta indigência. Entre aqueles soldados doentes e desnutridos, estava Nikolai Trusevich, que tinha sido goleiro do Dinamo.

Josef Kordik, um padeiro alemão a quem os nazistas não perseguiam, precisamente por sua origem, era torcedor fanático do Dinamo. Num dia caminhava pela rua quando, surpreso, olhou um mendigo e de imediato se deu conta de que era seu ídolo: o gigante Trusevich.

Ainda que fosse ilegal, mediante artimanhas, o comerciante alemão enganou aos nazistas e contratou o goleiro para que trabalhasse em sua padaria. Sua ânsia por ajudá-lo foi valorizado pelo goleiro, que agradecia a possibilidade de se alimentar e dormir debaixo de um teto. Ao mesmo tempo, Kordik emocionava-se por ter feito amizade com a estrela de sua equipe.

Na convivência, as conversas sempre giravam em torno do futebol e do Dinamo, até que o padeiro teve uma idéia genial: encomendou a Trusevich que em lugar de trabalhar como ele, amassando pães, se dedicasse a buscar o resto de seus colegas. Não só continuaria lhe pagando, senão que juntos podiam salvar os outros jogadores.


O arqueiro percorreu o que restara da cidade devastada dia e noite, e entre feridos e mendigos foi descobrindo, um a um, a seus amigos do Dinamo. Kordik deu trabalho a todos, se esforçando para que ninguém descobrisse a manobra. Trusevich encontrou também alguns rivais do campeonato russo, três jogadores da Lokomotiv, e também os resgatou. Em poucas semanas, a padaria escondia entre seus empregados uma equipe completa.

Reunidos pelo padeiro, os jogadores não demoraram em dar o seguinte passo, e decidiram, alentados por seu protetor, voltar a jogar. Era, além de escapar dos nazistas, a única que bem sabiam fazer. Muitos tinham perdido suas famílias nas mãos do exército de Hitler, e o futebol era a última sombra mantida de suas vidas anteriores.
Como o Dinamo estava enclausurado e proibido, deram um novo nome para aquela equipe. Assim nasceu o FC Start, que através de contatos alemães começou a desafiar a equipes de soldados inimigos e seleções formadas no III Reich.

Em sete de junho de 1942, jogaram sua primeira partida. Apesar de estarem famintos e cansados por terem trabalhado toda a noite, venceram por 7 a 2. Seu seguinte rival foi a equipe de uma guarnição húngara, ganharam de 6 a 2. Depois meteram 11 gols numa equipa romena. A coisa ficou séria quando em 17 de julho enfrentaram uma equipe do exército alemão e golearam por 6 a 2. Muitos nazistas começaram a ficar chateados pela crescente fama do grupo de empregados da padaria e buscaram uma equipe melhor para ganhar deles. Trouxeram da Hungria o MSG com a missão de derrotá-los, mas o FC Start goleou mais uma vez por 5 a 1, e mais tarde, ganhou de 3 a 2 na revanche.

Poster propaganda da revanche.

Em seis de agosto, convencidos de sua superioridade, os alemães prepararam uma equipe com membros da Luftwaffe, o Flakelf, que era uma grande time, utilizado como instrumento de propaganda de Hitler. Os nazistas tinham resolvido buscar o melhor rival possível para acabar com o FC Start, que já gozava de enorme popularidade entre o sofrido povo refém dos nazistas. A surpresa foi grande, porque apesar da violência e falta de esportividade dos alemães, o Start venceu por 5 a 1.

Depois dessa escandalosa queda do time de Hitler, os alemães descobriram a manobra do padeiro. Assim, de Berlim chegou uma ordem de acabar com todos eles, inclusive com o padeiro, mas os hierarcas nazistas locais não se contentaram com isso. Não queriam que a última imagem dos russos fosse uma vitória, porque acreditavam que se fossem simplesmente assassinados não fariam nada mais que perpetuar a derrota alemã.

A superioridade da raça ariana, em particular no esporte, era uma obsessão para Hitler e os altos comandos. Por essa razão, antes de fuzilá-los, queriam derrotar o time em um jogo.

Com um clima tremendo de pressão e ameaças por todas as partes, anunciou-se a revanche para 9 de agosto, no repleto estádio Zenit. Antes do jogo, um oficial da SS entrou no vestiário e disse em russo:

- “Vou ser o juiz do jogo, respeitem as regras e saúdem com o braço levantado”, exigindo que eles fizessem a saudação nazista.

Já no campo, os jogadores do Start (camisa vermelha e calção branco) levantaram o braço, mas no momento da saudação, levaram a mão ao peito e no lugar de dizer: – “Heil Hitler!”, gritaram – “Fizculthura!”, uma expressão soviética que proclamava a cultura física.

Os alemães (camisa branca e calção negro) marcaram o primeiro gol, mas o Start chegou ao intervalo do segundo tempo ganhando por 2 a 1.

Receberam novas visitas ao vestiário, desta vez com armas e advertências claras e concretas:

- “Se vocês ganharem, não sai ninguém vivo”. Ameaçou um outro oficial da SS. Os jogadores ficaram com muito medo e até propuseram-se a não voltar para o segundo tempo. Mas pensaram em suas famílias, nos crimes que foram cometidos, na gente sofrida que nas arquibancadas gritava desesperadamente por eles e decidiram, sim, jogar.

Deram um verdadeiro baile nos nazistas. E no final da partida, quando ganhavam por 5 a 3, o atacante Klimenko ficou cara a cara com o arqueiro alemão. Deu lhe um drible deixando o coitado estatelado no chão e ao ficar em frente a trave, quando todos esperavam o gol, deu meia volta e chutou a bola para o centro do campo. Foi um gesto de desprezo, de deboche, de superioridade total. O estádio veio abaixo.

Como toda Kiev poderia a vir falar da façanha, os nazistas deixaram que saíssem do campo como se nada tivesse ocorrido. Inclusive o Start jogou dias depois e goleou o Rukh por 8 a 0. Mas o final já estava traçado: depois dessa última partida, a Gestapo visitou a padaria.

O primeiro a morrer torturado em frente a todos os outros foi Kordik, o padeiro. Os demais presos foram enviados para os campos de concentração de Siretz. Ali mataram brutalmente a Kuzmenko, Klimenko e o arqueiro Trusevich, que morreu vestido com a camiseta do FC Start. Goncharenko e Sviridovsky, que não estavam na padaria naquele dia, foram os únicos que sobreviveram, escondidos, até a libertação de Kiev em novembro de 1943. O resto da equipe foi torturada até a morte.

Ainda hoje, os possuidores de entradas daquela partida têm direito a um assento gratuito no estádio do Dinamo de Kiev. Nas escadarias do clube, custodiado em forma permanente, conserva-se atualmente um monumento que saúda e recorda àqueles heróis do FC Start, os indomáveis prisioneiros de guerra do Exército Vermelho aos quais ninguém pôde derrotar durante uma dezena de históricas partidas, entre 1941 e 1942.

Foram todos mortos entre torturas e fuzilamentos, mas há uma lembrança, uma fotografia que, para os torcedores do Dinamo, vale mais que todas as jóias em conjunto do Kremlin. Ali figuram os nomes dos jogadores.

Goncharenko e Sviridovsky, os únicos sobreviventes, junto ao monumento que recorda a seus colegas.
Na Ucrânia, os jogadores do FC Start hoje são heróis da pátria e seu exemplo de coragem é ensinado nos colégios. No estádio Zenit uma placa diz “Aos jogadores que morreram com a cabeça levantada ante o invasor nazista”.

Esta é a história da dramática “Partida da Morte”. O cineasta John Huston inspirou-se neste fato real para rodar seu filme “Fuga para a vitória” (Escape to Victory) de 1982 que chamou muita atenção à época do lançamento porque dele participaram grandes nomes do cinema como Michael Caine, Sylvester Stallone e Max Von Sydow, mas muito mais pela participação de algumas estrelas do futebol, como Bobby Moore, Osvaldo Ardiles, Kazimierz Deyna e Pelé. No filme John Huston fez o que não pôde o destino: salvar os heróis.



Monumento aos jogadores do Dinamo.

 Fonte:http://drosmar.com/a-equipe-de-futebol-que-preferiu-morrer-a-perder/

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Operações de Asfixia por Gás

No final de 1939, já se preparando para as operações de assassinato em massa, os nazistas iniciaram experimentos com gases venenosos em doentes mentais (“euthanasia”). A eutanásia, eufemismo utilizado pelos nazistas para o morticínio, era simplesmente o processo de eliminação sistemática daqueles alemães que os nazistas consideravam "indignos de viver" devido a alguma deficiência física ou mental. Seis instalações para levar adiante este projeto de mortandade por gás foram criadas como parte do Programa de Eutanásia: Bernburg, Brandenburg, Grafeneck, Hadamar, Hartheim e Sonnenstein. Estes campos de extermínio utilizavam o monóxido de carbono em sua forma pura, produzido quimicamente.
Após a invasão alemã à União Soviética, em junho de 1941, e das atividades de fuzilamento em massa de civis, levadas a cabo pelas unidades móveis de extermínio (Einsatzgruppe), os nazistas começaram a experimentar com asfixia por gás nas chamadas “vans de gás” . Estes veículos eram caminhões hermeticamente fechados com o cano de escapamento voltado para o compartimento interior. O uso do gás foi iniciado após os membros dos Einsatzgruppen reclamarem da fadiga causada pela luta e da angústia mental que sentiam ao atirar em enormes grupos de mulheres e crianças. Some-se a isto o fato de que o gás era um método mais econômico. Os Einsatzgruppen (unidades móveis de extermínio) assassinaram centenas de milhares de pessoas nas operações de asfixia por gás, a maioria deles judeus, ciganos Roma, e deficientes mentais. Em 1941, a liderança das SS chegou à conclusão de que deportar os judeus para os campos de extermínio (para serem envenenados por gás) era o método mais eficaz para alcançar rapidamente a "Solução Final". Naquele mesmo ano, os nazistas criaram o campo de Chelmno, na Polônia, e lá judeus e ciganos da sub-etnia Roma, que viviam na área de Lodz, na Polônia, lá foram mortos em “vans de gás”.
Em 1942, o extermínio sistemático em massa nas câmaras fixas de gás (com monóxido de carbono gerado por motores a diesel) foi iniciado em Belzec, Sobibor e Treblinka, todos campos localizados na Polônia. Era dito às vítimas, enquanto eram "descarregadas" dos vagões de gado em que tinham sido transportadas até os campos, que elas seriam desinfetadas nos "chuveiros". Muitas vítimas eram espancadas pelos guardas nazistas e seus colaboradores ucranianos, que também gritavam impropérios ofensivos, e eram obrigadas a entrar nos "chuveiros" com os braços levantados, para que coubessem mais pessoas nas câmaras de gás. Quanto mais pessoas dentro das câmaras de gás, mais rapidamente elas morriam.
Os nazistas estavam constantemente a buscar métodos mais eficientes de extermínio. Em setembro de 1941, no campo de Auschwitz, na Polônia, eles realizaram experiências com o gás Zyklon B (utilizado para fumigação), envenenando cerca de 600 prisioneiros de guerra soviéticos e 250 prisioneiros enfermos. O Zyklon B, em forma de comprimido, se transformava em gás letal quando entrava em contato com o ar. Por ter ação rápida, foi escolhido para ser o instrumento de extermínio em massa em Auschwitz, e lá, no auge das deportações, até 6.000 judeus eram mortos diariamente por este gás.
Mesmo não sendo campos de extermínio, os campos de concentração de Stutthof, Mauthausen, Sachsenhausen e Ravensbrueck, também possuíam câmaras de gás. Elas eram relativamente pequenas, construídas para eliminar aqueles prisioneiros que os nazistas consideravam "inaptos" para o trabalho. A maioria destes campos utilizava o Zyklon B como o agente exterminador das câmaras de gás

Fonte: http://www.ushmm.org/wlc/ptbr/article.php?ModuleId=10005220

domingo, 13 de junho de 2010

Andrei Vlasov

Andrei Andreyevich Vlasov e bem poderia passar por um teólogo da Igreja Ortodoxa Russa. A verdade é que esteve quase a sê-lo, não fossem as duas Revoluções de 1917. Nascido em 1900, o mais novo de 13 irmãos, os acontecimentos de Petrogrado apanharam-no a frequentar o seminário de Níjni Novgorod e não acabou os estudos. Na Primavera de 1919, a vida do jovem Vlasov recebeu a inflexão definitiva quando foi incorporado no Exército Vermelho.

Combinando uma formação académica superior à da grande maioria dos outros recrutas com um bom desempenho prático no terreno, aos 20 anos Vlasov já desempenhava as funções equivalentes às de capitão(*) e era um veterano da Guerra Civil, tendo estado presente nas frentes do Don, da Crimeia e da Ucrânia. No final da Guerra (1923), e com a desmobilização do Exército Vermelho, Andrei Vlasov, como muitos outros oficiais promissores da sua geração, preferiu continuar a sua carreira militar, a única actividade que conhecera. Em 1930 tornou-se membro do Partido Comunista. Nem muito cedo, nem muito tarde: na ocasião certa se quisesse que a carreira continuasse a progredir.


No entanto, Vlasov devia ser considerado suficientemente sólido politicamente para ter escapado às Grandes Purgas (1937-38) e até para ser destacado para missões no exterior: em 1938-39 esteve na China como membro do staff soviético ali destacado em auxílio ao Exército Nacional Revolucionário do Kuomintang. Quando regressou da China em 1939, Vlasov era considerado entre os purgadíssimos quadros superiores do Exército Vermelho um dos melhores especialistas em instrução, que conseguia transformar as unidades mais medíocres em unidades de excepcional valor combativo. Pelo que fizera com a 99ª Divisão de Infantaria, Vlasov recebeu em 1940 a Ordem de Lenine.


Mas foi a partir de Junho de 1941, nas circunstâncias adversas da retirada soviética perante a invasão alemã que a competência de Vlasov se começou a destacar ainda mais. Por duas vezes, em Lvov e em Kiev, as unidades de Vlasov conseguiram furar o cerco que os alemães haviam montado. Seis meses depois, vemo-lo reaparecer à frente de uma das unidades (20º Exército) encarregadas da crucial defesa de Moscovo, de onde sai ainda mais prestigiado, promovido e condecorado. Mais, para efeitos da propaganda soviética no exterior, Vlasov, filho de camponeses pobres, era um activo a não desperdiçar e em 1942, já ele era excepcionalmente autorizado a dar entrevistas à imprensa americana…


É suposto que serão as consequências do que aconteceu depois que impedem que haja análises objectivas sobre as responsabilidades que levaram a que o próximo comando de Andrei Vlasov (2º Exército de Choque, como se percebe pela designação, uma unidade de elite) tenha vindo a ficar cercado na sua ofensiva da Primavera de 1942 para reabrir as ligações com a Leninegrado cercada. Dessa vez no Volkov, as tropas de Vlasov não conseguiram furar o cerco e o próprio general acabou capturado, escondido numa quinta, em 11 de Julho de 1942. O prisioneiro nº 16 901, Tenente-General Andrei Andreyevich Vlasov ia tornar-se num incómodo político tanto para soviéticos como para alemães…


Em qualquer guerra, os oficiais generais que foram capturados pelo inimigo são sempre um embaraço. Esse embaraço poderá aumentar no caso deles se decidirem a produzir declarações públicas criticando o seu poder político. Foi o que aconteceu aos alemães quando o Marechal Paulus, capturado em Estalinegrado, se juntou ao Comité Nacional para uma Alemanha Livre (NKFD), criticando a repressão desencadeada por Hitler depois do atentado de 20 de Julho de 1944. Mas, se as declarações do General Vlasov, desse mesmo teor mas em relação a Estaline eram de molde a embaraçar o regime que o levara ao estrelato, as suas intenções eram de molde a incomodar o dos seus captores.



Em síntese, Vlasov pretendia criar um movimento de libertação nacional, depois baptizado de Comité para a Libertação dos Povos da Rússia (KONR), apoiado num exército (Exército de Libertação da Rússia - ROA) que seria recrutado entre os milhões de prisioneiros soviéticos que a Alemanha fizera no início da Guerra. Além de arriscada e de uma moralidade mais do que duvidosa, a jogada política de Andrei Vlasov era de uma ingenuidade enorme. Hitler e o topo da hierarquia alemã nunca pensaram nele como um possível parceiro político de um eventual satélite russo, apenas pretenderam usá-lo para fomentar o recrutamento de prisioneiros por causa do seu prestígio.


Apesar de terem usado muitas centenas de milhares de soldados e auxiliares de origem soviética nas suas formações, foi só em Janeiro de 1945 – a 3 meses do fim da Guerra, portanto – que os alemães autorizaram que fossem formadas 2 divisões do tal exército proposto por Vlasov para a libertação da Rússia. Nessa altura, já as frentes de combate do Leste haviam saído da Rússia e o destino da Segunda Guerra Mundial não era difícil de adivinhar… Aquilo que aconteceria aos voluntários do exército do General Vlasov também não… Até aos últimos dias dos combates, nos princípios de Maio de 1945, eles procuraram desesperadamente render-se apenas aos exércitos ocidentais que vinham de Oeste…


Mas em Maio de 1945 a Guerra-Fria ainda não havia começado e havia até um regime de boa colaboração entre os exércitos vencedores. Estaline exigira-o em Yalta e os seus dois aliados não viam razão para o negar: todos os cidadãos soviéticos aprisionados a lutar pelos alemães deveriam ser entregues à União Soviética para aí serem julgados. Assim terá acontecido com Vlasov. Inicialmente concebera-se para ele um julgamento dos espectaculares, com confissões, à boa maneira daqueles dos anos 30. Mas não foi assim. Nas transcrições pode ainda ler-se que Vlasov confessou que a explicação para o seu comportamento fora a covardia… Quanto à sentença, é o terceiro a contar da esquerda na fotografia abaixo…


(*) Para se conformar à ideologia comunista, o Exército Vermelho não usava patentes. Viria a estabelecê-las em meados dos anos 30.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Sargento John Basilone

Sargento John Basilone (4 de novembro de 1916 - 19 de fevereiro de 1945) foi o único Mariner que recebeu a Medalha de Honra por suas ações na Batalha de Guadalcanal durante a II Guerra Mundial. Ele foi o único inscrito Marinha na Segunda Guerra Mundial para receber a Medalha de Honra e a Cruz da Marinha.

Ele serviu três anos no Exército dos Estados Unidos antes de ingressar no Corpo de Fuzileiros Navais. Em 1940 ingressou no Corpo de Fuzileiros Navais e depois do treinamento foi enviado a Guantánamo, em Cuba, as Ilhas Salomão e, eventualmente, para Guadalcanal. Ele foi morto em ação no primeiro dia da batalha de Iwo Jima, depois que ele foi homenageado postumamente com a Cruz da Marinha. Desde sua morte e sepultamento no Cemitério Nacional de Arlington, ele tem recebido muitas honras, sendo inclusive nome de ruas, locais militares e um destróier da Marinha.

Basilone nasceu em casa, em 4 de novembro de 1916 em Buffalo, Nova York, o sexto de dez filhos. Seu pai, Salvatore Basilone emigraram apenas fora de Nápoles, Itália, em 1903, quando ele tinha 19 anos e se estabeleceram em Manville, Nova Jersey. Sua mãe, Dora Bengivenga nasceu em 1889 e cresceu em Manville, mas os pais dela, Carlo e Catrina também vieram de Nápoles.

Em 24 de outubro de 1942 sua unidade enfrentou os japoneses na área de Lunga, quando sua posição foi atacada por um regimento de cerca de 3000 soldados. As forças japonesas iniciaram um ataque frontal com metralhadoras, granadas e morteiros. As forças norte-americanas lutaram por 48 horas e apenas Basilone e mais dois outros homens de seu esquadrão ainda eram capazes de continuar lutando. Basilone moveu uma arma extra para a posição e manteve o fogo contínuo contra as forças de penetração japonesa. Ele consertou outra metralhadora e pessoalmente manteve a linha defensiva até a chegda de substituto. Com a luta contínua, a munição ficou muito baixa e as linhas de abastecimento foram cortadas. Basilone combatido por meio de linhas hostis voltou com munição urgentemente necessários para seus artilheiros. Até o final da batalha, o regimento japonês foi praticamente aniquilado. Por sua atuação durante a batalha, ele recebeu a mais alta condecoração do exército dos Estados Unidos para a bravura, a Medalha de Honra.
Sargento Lena Mae Basilone, viúva de John Basilone, se prepara para batizar o destróier USS Basilone (nomeado em sua honra), em 21 de dezembro de 1945

Depois de receber a Medalha de Honra, voltou para os Estados Unidos e participou de uma turnê. Sua chegada foi muito esperada e divulgada e sua cidade natal, realizou um desfile em sua homenagem quando ele voltou. O desfile ocorreu no Baile domingo, 19 de setembro, 1943 e atraiu uma multidão enorme, com milhares de pessoas, incluindo políticos, celebridades e imprensa nacional. O desfile foi notícia nacional na revista Life e Movietone Fox News. Após o desfile, ele percorreu o país a angariar dinheiro para o esforço de guerra e status de celebridade alcançada. Ele apreciou a admiração, mas sentia-se fora do lugar e queria voltar à vida como um fuzileiro naval e ele pediu para voltar para a guerra. O Corpo de Fuzileiros Navais negou seu pedido Foi-lhe oferecido uma comissão, mas ele não aceitou e depois ofereceram um trabalho como um instrutor, mas recusou-a também. Ele pediu novamente para voltar à guerra e desta vez o pedido foi aprovado. Ele deixou Camp Pendleton, Califórnia em 27 de dezembro de 1943. Quando estava situado em Camp Pendleton, ele conheceu sua futura esposa Lena Mae Riggi, um sargento da reserva do Corpo de Fuzileiros Navais da Mulher. Eles se casaram na Igreja de St. Mary, em Oceanside, 10 de julho de 1944, com uma recepção no Hotel Carlsbad.


Após o seu pedido para retornar para ao front ter sido aprovado, foi lotado na Companhia C, 1 º Batalhão, 27 Marine Regiment, 5 Divisão da Marinha durante a invasão de Iwo Jima.

Em 19 de fevereiro de 1945 na luta contra as forças japonesas na Praia Vermelha II. Durante a batalha, o japonês concentrou seu fogo contra as tropas americanas de entrada fortins fortificada encenado por toda a ilha. Com sua unidade fixado para baixo, Basilone fez o seu caminho em torno do lado das posições japonesas até que ele foi diretamente no topo da palafita. Ele, então, atacou com granadas e demolições, sozinho, destruindo o único ponto forte e hostil toda sua guarnição de defesa. Em seguida, ele abriu caminho para o Aeródromo Número 1 e mais tarde ajudou um tanque amigável que estava preso em um campo de minas inimigo e intensa artilharia. Ele guiou o veículo pesado sobre o terreno para a segurança, apesar do fogo de armas pesadas das forças japonesas. Como ele mudou ao longo da borda do campo de pouso, um morteiro explodiu e o matou. Por suas ações durante a batalha de Iwo Jima foi postumamente aprovados para segunda mais alta condecoração do Corpo de Fuzileiros Navais para a bravura, a Cruz da Marinha.

1ª Foto: Memorial a Basilone


2ª Foto: Seu corpo foi enterrado em Cemitério Nacional de Arlington em, Virginia, e seu túmulo pode ser encontrado na seção 12, tumba 384.

Rumo a liberdade

Nicholas Winton

Ano - 1939. Local - Londres, estação de Liverpool. Mais de uma centena de crianças amontoadas, com etiquetas presas em seu pescoço, desembarcam do trem, uma atrás da outra
 
Mais uma vez, a história mostrou que, às vezes, uma pessoa sozinha faz a diferença e consegue até mudar o rumo da história e da vida de inúmeras outras. Assim foi com Nicholas Winton, o inglês que, com sua iniciativa e empenho pessoal, salvou a vida de centenas de crianças, em sua maioria judias, ajudando-as a escapar do Holocausto.

O envolvimento de Winton na operação que culminou com o transporte das crianças da então Checoslováquia para a Grã-Bretanha começou por causa de um fato corriqueiro. Era o ano de 1938 e Winton viu cancelados seus planos de férias de final de ano com seu amigo, Martin Blake, funcionário da Comissão Britânica para Refugiados da Checoslováquia. Este, por sua vez, fez a seguinte sugestão ao amigo: "Venha comigo para a Checoslováquia. Quero mostrar-lhe algo". E Winton aceitou o convite, perguntando-se o que Blake poderia ter para lhe mostrar.

Ao chegar na Checoslováquia entendeu o que o amigo queria dizer. Diante de seus olhos, milhares de refugiados desesperados - judeus assustados, comunistas e dissidentes políticos tinham que deixar o país rapidamente por causa do Acordo de Munique, assinado em setembro e, segundo o qual, a Grã-Bretanha, França e Itália haviam concordado em retirar suas tropas do território checo e ceder à Alemanha uma parte deste território. "Quando vi todas aquelas pessoas, percebi que deveria fazer algo para ajudá-las". E fez.

Winton ficou três semanas em Praga, coletando fotos e informações sobre jovens que precisavam de ajuda. Ao retornar à Grã-Bretanha, teve que convencer o governo a permitir a entrada dos jovens refugiados, o que de fato conseguiu, e atender as condições impostas pelas autoridades. Winton conseguiu através do apoio de organizações beneficentes e de organizações cristãs encontrar pessoas interessadas em adotar os refugiados, assim como obter os recursos necessários para o transporte e para o deposito de 50 libras para cada criança .

Durante os primeiros nove meses de 1939, organizou o transporte de crianças para a Grã-Bretanha, chegando ao total de 664 jovens, dos quais 90% eram judeus. O novo grupo, com quase 200 passageiros, deveria partir no dia 3 de setembro, quando a guerra eclodiu. Todos os meios de transportes foram bloqueados e os que não conseguiram sair da Checoslováquia foram enviados aos campos de concentração, nos quais acabaram morrendo, como milhares de outros judeus, durante o período de 1939 a 1945.

1 - Winton recebe uma criança salva na plataforma do trem na Inglaterra
2 - O heróico Nicholas Winton aos 98 anos de idade


Apesar de todo o seu empenho, porém, o responsável por essas operações de resgate permaneceu oculto por quase meio século. Nem as crianças por ele salvas sabiam a quem agradecer por estarem vivas. O fato tornou-se conhecido, mais por obra do destino do que por iniciativa de Winton.

No final de 1987, enquanto organizava seus documentos, Winton encontrou a listagem do nome de todas as crianças que havia salvado em 1939. Não sabendo o que fazer com a lista, foi aconselhado por um amigo a entregá-la à Dra. Elizabeth Maxwell, uma especialista em estudos sobre o Holocausto, esposa de um jornalista judeu, o magnata Robert Maxwell. A história foi publicada no Sunday Mirror, um dos tablóides da família Maxwell, com grande repercussão.

A apresentadora de televisão londrina Esther Rantzen, ouvindo a história, interessou-se em trazê-lo a seu programa, "That's life". Sob o pretexto de que viesse apenas assistir ao show para prestigiá-la, colocou Winton estrategicamente na primeira fileira. Durante o programa, Rantzen anunciou: "Senhor Winton, tenho uma surpresa para lhe contar. Sentados ao seu lado estão duas das pessoas que o senhor salvou da Checoslováquia, em 1939".

Vera Gissing, que estava ao seu lado, relembra que seus olhos se arregalaram ao fitá-la e começaram a lacrimejar: "Para mim, após tantos anos, ter finalmente conhecido o homem que salvou minha vida, foi um momento muito especial. Fiquei apenas preocupada com ele, pois pensei que, que aos 80 anos, o choque seria muito forte. Apesar da grande alegria em nos conhecer, ele não gostou da maneira como a apresentação foi feita".

Ela escreveu a biografia de Winton em reconhecimento a seu ato de coragem. Na obra, a autora relata toda a sua vida, seus méritos e a operação de resgate que se iniciou em 1938. Na época, ele trabalhava como operador na Bolsa de Valores. Vera Gissing conta que, quando a guerra eclodiu, não havia quase nada que Winton pudesse fazer para ajudar os refugiados. Porém em 1942, ele abandonou o mercado financeiro e tornou-se voluntário da Cruz Vermelha, na França. Posteriormente começou a trabalhar nas Nações Unidas e, em seguida, no International Bank, em Paris. Depois de se aposentar dedicou-se exclusivamente ao trabalho voluntário, tendo sido homenageado em 1993 com o título de Membro do Império Britânico e incluído na lista de honra da rainha Elizabeth.


Atualmente, Winton vive em Maidenhead, perto de Londres, com sua esposa, com a qual é casado desde 1948. Tem dois filhos; um terceiro faleceu na infância. Desde 1988, no entanto, sua família cresceu rapidamente. "Ele é nosso pai e avô honorário, porque nossa família foi exterminada durante a guerra", afirmou Vera Gissing.

Sessenta destas "crianças" se reuniram em um evento chamado "Obrigado, Inglaterra", organizado pelo embaixador checo para honrar aqueles que acolheram e facilitaram a adaptação destes refugiados. Na ocasião, a atuação de Nicolas Winton foi comparada à de Oscar Schindler, por um dos organizadores.

Nicolas Winton, no entanto, não entende o porquê de tantas homenagens. "Ele considera que apenas fez o seu dever", explica Vera Gissing. "Outras pessoas também tiveram méritos nesta operação, mas Winton foi quem idealizou e organizou o salvamento de tantas vidas. Sem ele, algumas poucas crianças poderiam ter sido salvas, apenas algumas".

Fonte: http://www.morasha.com.br/conteudo/artigos/artigos_view.asp?a=226&p=0

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Espionagem em Pearl Harbor



Tudo começou em 1935 e o cenário foi o Ministério de Propaganda do III Reich, em Berlim. Fazia dois anos que Goebbels estava à frente daquele departamento quando, em princípios deste ano, ofereceu uma festa ao seu pessoal. O secretário particular do ministro de propaganda, Leopold Kuehn, estava presente, acompanhado por sua jovem irmã Ruth. Goebbels, geralmente indiferente à beleza feminina, sentiu-se atraído pela formosa Ruth. Ficou toda a noite a seu lado e, de acordo com as aparências, aquele encontro tornaria a se repetir. Porém, mais tarde, possivelmente sob pressões, Ruth Kuehn teve que sair da Alemanha. O destino quis que sua nova residência fosse fixada próxima à do General Haushofer, famoso geopolítico. O general informou a Goebbels que tinha oportunidades não somente para a senhorita Kuehn, mas também para seus pais e irmãos. Aquelas "oportunidades" significavam ingressar, depois de um período de treinamento, no Serviço Secreto do Japão; devemos destacar, com efeito, que Haushofer trabalhava na organização do citado Serviço Secreto a pedido do governo japonês.

Em 15 de agosto de 1935, finalmente, uma família alemã desembarcou no Havaí. O pai era cientista, um elegante professor de cabelos grisalhos, bem educado de aspecto atraente. O Doutor Bernard Julius Otto Kuehn chegou com toda a sua família, exceto seu filho Leopold. Com ele vieram sua esposa Friedel, seu filho de seis anos, Hans Joachim, e sua filha Ruth. Estavam ali porque seu pai interessava-se pelo idioma japonês. Além disso, o doutor e sua filha estavam cativados pela história do Havaí. Eles percorreram meticulosamente todo o Havaí, até conhecer a topografia de suas ilhas melhor que sua própria casa. Ruth gostava da praia e dos esportes aquáticos, assim como sua família. Freqüentemente nadavam e passeavam de lancha. Friedel, a mãe, cujo aspecto era de uma matrona vulgar, escutava e observava detalhes de importância que passariam despercebidos a olhos menos avisados.

Ruth trabalhava de acordo com o plano estabelecido. Falava corretamente o inglês, dançava maravilhosamente e freqüentava todas as reuniões sociais importantes, onde se encontrava com oficiais americanos desejosos de passar uns momentos com a formosa alemã.

O doutor, por sua vez, escrevia uma série de artigos sobre os primeiros colonos alemães que chegaram às ilhas; os artigos, aparentemente, eram publicados por jornais de seu país natal.

Durante seus primeiros três anos nas ilhas, receberam cerca de 70.000 dólares, enviados a um banco de Honolulu pela Rotterdam Bank Association. Friedel, por seu turno, voltou de uma de suas viagens ao Japão com mais de 16.000 dólares.

Posteriormente, o FBI e o Serviço Secreto da Marinha calcularam que a família recebera, durante aquele período, quase 100.000 dólares.

Os Kuehn, porém, estavam a serviço de dois países. Cedidos aos japoneses pelo General Haushofer, os alemães descobriram logo seu valor. E foi assim que cópias das informações partiram rumo a Berlim, engrossando os arquivos da espionagem alemã.

No começo do ano de 1939, o Doutor Kuehn decidiu que necessitava de um lugar tranqüilo para o estudo do idioma japonês. Mudou-se, então, com sua família, de Honolulu para Pearl Harbor. A partir de então, o plano do Serviço Secreto japonês, para o qual haviam sido enviados Ruth e seu pai, começou a concretizar-se.

Ruth converteu-se na companhia favorita dos jovens e das esposas dos oficiais de marinha. Muito atraente, deu a entender, de muitas maneiras, ser uma experta no cuidado da beleza física. Por isso, quando em 1939 decidiu abrir um salão de beleza, a idéia foi recebida com entusiasmo. O êxito foi total, e a concorrência, integrada na maioria por noivas ou esposas de oficiais navais, superou todas as expectativas. Não é preciso dizer que as informações recolhidas referentes a chegadas e partidas de barcos, avarias, acidentes e alarmas iam diretamente para seus objetivos: Berlim e Tóquio. Afinal, o vice-cônsul japonês em Honolulu, Otogiro Okuda, reuniu-se secretamente com Ruth e seu pai. Okuda disse-lhes que era necessário enviar informações precisas, detalhadas e minuciosas, com dados exatos, das localizações dos barcos, aeroportos e quanta informação militar pudesse ser recolhida, com brevidade.

Kuehn começou a dar cumprimento ás instruções recebidas, iniciando longos passeios pelos molhes de Pearl Harbor, acompanhado de seu filho pequeno, excelente pretexto para deter-se ante os imponentes couraçados e estudá-los detidamente.

Os Kuehn, além da residência em Pearl Harbor, tinham uma pequena casa em Kalama, povoado situado em Oahu, perto de Pearl Harbor. Dali, pai e filha, em 2 de dezembro de 1941, utilizaram um sistema de comunicações por meio de sinais luminosos, que se constituiu em pleno êxito. Além disso, providos de poderosos binóculos, estudavam detidamente os movimentos dos barcos americanos. Os sinais, em código, eram recebidos pelo Vice-Cônsul Okuda, que, depois de decifra-los, os irradiava imediatamente a Tóquio.

Em 7 de dezembro de 1941, Ruth Kuehn abriu a janela da água-furtada e seu pai começou a fazer os sinais convencionais. Por meio destes, informaram aos japoneses quais eram os objetivos que deviam atacar e suas localizações. O Doutor Kuehn indicava os alvos, enquanto Ruth os observava por meio de seus binóculos.

Daquela pequena janela foi conduzido o ataque a Pearl Harbor, na manhã de 9 de dezembro.

Mas algo sucedeu. Aquelas luzes, quase imperceptíveis, foram localizadas pelos homens da defesa. E os Kuehn, que esperavam sair de Pearl Harbor num submarino japonês, foram detidos. O Doutor Kuehn, desesperado, atribuiu a si toda a responsabilidade do feito. Procurou por todos os meios evitar as suspeitas que recaíam sobre sua esposa e sua filha e, finalmente, resolveu revelar tudo quanto sabia. Kuehn foi condenado à morte; mais tarde, em 26 de outubro de 1942, a sentença foi comutada por 50 anos de trabalhos forçados, que seriam cumpridos em Alcatraz. Sua esposa e sua filha Ruth foram presas e, posteriormente, libertadas.

Fonte: adluna.sites.uol.com.br/

sábado, 5 de junho de 2010

Massacre de civis alemães é revelado em vídeo



Há muito se sabe que civis alemães foram vítimas dos excessos tchecos imediatamente após a rendição dos nazistas no fim da Segunda Guerra Mundial. Mas um vídeo recém-descoberto mostra um desses massacres em detalhes brutais. O vídeo deixou a República Tcheca em choque.

Por décadas as imagens ficaram esquecidas numa caixa de alumínio – quase 7 minutos de filme original em preto e branco, filmado com uma câmera 8 mm em 10 de maio de 1945, no distrito de Borislavka, em Praga, durante os confusos dias que se seguiram à rendição alemã.

O homem que fez a filmagem é Jirí Chmelnicek, um engenheiro civil e cinegrafista amador que viveu no distrito de Borislavka e queria documentar a liberação da cidade da ocupação alemã. Chmelnicek filmou tanques, soldados e refugiados pelas ruas. Então, em certo ponto, sua câmera pegou um grupo de alemães, que haviam sido expulsos de suas casas por soldados do Exército Vermelho e milicianos tchecos.

O filme de Chmelnicek mostra como os alemães foram agrupados em um cinema próximo, também chamado Borislavka. A câmera então mostra a lateral da rua, onde 40 homens e pelo menos uma mulher estão de pé de costas para as lentes. Uma pradaria pode ser vista ao fundo. Tiros são disparados e, um a um, todas as pessoas alinhadas caem mortas. Os feridos deitados no chão imploram por misericórdia. Então um caminhão do Exército Vermelho passa por cima, com seus pneus esmagando os mortos e feridos da mesma maneira. Depois, outros alemães podem ser vistos, forçados a cavar uma vala comum na pradaria.





Um choque para os tchecos


As trêmulas imagens mostram um evento que foi descrito inúmeras vezes por testemunhas e historiadores: a matança sistemática de civis alemães. Ainda assim, o filme foi um choque para os tchecos. “Até agora, não havia filmagem alguma dessas execuções”, disse o cineasta tcheco David Vondracek, que mostrou as imagens na TV. “Quando vi essas imagens pela primeira vez, senti que assistia uma transmissão ao vivo do passado”.

As únicas imagens anteriormente conhecidas haviam sido feitas por cinegrafistas da Força Aérea do Exército Americano. Mostra civis alemães feridos no chão em Plzen, na antiga Tchecoslováquia, no começo de maio de 1945. As imagens incluem alguns corpos, mas não mostra os assassinatos, do começo ao fim, como este novo filme.

O documentário de Vondracek sobre as atrocidades tchecas, chamado “Matança ao Estilo Tcheco”, foi levado ao ar pela televisão estatal tcheca dois dias antes de 8 de maio, aniversário da rendição alemã. A transmissão marca um ponto importante na conturbada relação do país com seu nem sempre agradável passado na Segunda Guerra Mundial.

Até mesmo organizações que representam os “Alemães dos Sudetos” – alemães étnicos que foram expulsos da Tchecoslováquia após o fim da guerra – tomaram conhecimento. Horst Seehofer, governador da Bavária, planeja uma viagem oficial à Praga, fazendo dele o primeiro a fazer isso desde a Segunda Guerra. “Isso é muitíssimo importante para os alemães dos Sudetos”, comentou Seehofer recentemente.




Vítimas de atos de vingança

Depois da derrota da Alemanha Nazista, os tchecos e o Exército Vermelho expulsaram cerca de 
3 milhões de alemães étnicos dos Sudetos e do resto da Tchecoslováquia. No processo, cerca de 30.000 civis foram vítimas de atos de vingança. Somente uma ínfima percentagem deles estava envolvida com a ocupação. Alemães e tchecos haviam vivido lado a lado por décadas antes da anexação da Boêmia e Morávia em 1938, duas regiões que hoje constituem a maior parte da República Tcheca.

Ninguém sabe quem liderou a expulsão dos alemães de Borislavka, nem os crimes dos quais foram acusados. Foram certamente mortos por soldados do Exército Vermelho e talvez também pela “Guarda Revolucionária” – membros da milícia tcheca. Aqueles que dispararam os tiros também podem ter sido 
antigos colaboradores tchecos, que haviam trabalhado com os alemães e agora queriam limpar seus nomes com uma mostra de brutalidade anti-germânica.
Helena Dvoracková, filha do cineasta amador Chmelnick, foi uma das primeiras a ver as filmagens. Ela não se lembra que idade tinha quando o pai montou a tela de projeção e mostrou-lhe o filme. “Não me lembro se ele disse alguma coisa sobre isso – e realmente, não há muito o que dizer”, ela disse.







“Sob a pradaria”

Seu pai manteve o filme oculto em casa por décadas. A polícia comunista até mesmo os abordou – alguém desconfiara que a filmagem existia. A polícia perguntou sobre o filme e ameaçou Chmelnicek. Mas o cineasta não entregou os rolos. Ele queria que o mundo eventualmente descobrisse o que havia sido feito ao povo indefeso naquele dia de maio em Borislavka.

Dez anos atrás, muito depois da morte do pai, Helena Dvoracková ofereceu a filmagem a um conhecido historiador tcheco, mas ele manteve o filme escondido. “
O povo me apedrejaria se eu mostrasse isso”, ele supostamente disse, e colocou o filme nos arquivos da televisão. Foi lá que o cineasta Vondracek o encontrou, após um operador de câmera que conhecia a família de Chmelnicek contar-lhe a respeito.

Hoje, Borislavka é um dos melhores subúrbios de Praga, e grama alta cresceu sobre a pradaria onde realizaram-se as execuções. Vondracek agora quer começar uma busca pela vala comum dos alemães. “
Deve estar em algum lugar sob a pradaria”, disse.

Talvez esteja perto de um monumento a dois tchecos que caíram em batalha contra os nazistas em 6 de maio de 1945.

Assista ao video: Irei corrigir o link, então acessem o documentario logo abaixo na minha conta do Youtube que tem as mesmas cenas.


Fontes: Der Spiegel, 2 de junho de 2010.
http://globalfire.tv/nj/10de/zeitgeschichte/verbrechen_an_deutschen.htm
http://www.ct24.cz/domaci/89000-zabijeni-po-cesku-drasticke-zabery-vrazdeni-nemeckych-civilistu/


Coloquei todos os videos na minha conta do youtube .
Link do documentario Töten auf Tschechisch - Die andere Seite der Vertreibung (Massacre de alemães ne Tchecoslováquia - O outro lado da expulsão).

Massacre de alemães ne Tchecoslováquia - O outro lado da expulsão - 1 de 4 
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