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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Roma promete impedir funeral de criminoso de guerra nazista

Erich Priebke (Gerard Julien/AFP )
Nazista condenado por massacre de 335 italianos morreu aos 100 anos ao cumprir prisão domiciliar em Roma


Autoridades civis e religiosas vêm se manifestando para impedir um funeral em Roma para Erich Priebke, um criminoso de guerra nazista condenado por um dos piores massacres ocorridos na Itália, que morreu na semana passada, aos 100 anos.

Priebke, que nunca pediu desculpas por seu papel na morte de 335 civis nas Fossas Ardeatinas, perto de Roma em 1944, e que negou a ocorrência do Holocausto, estava cumprindo sentença de prisão perpétua em prisão domiciliar quando morreu na capital italiana.

Sua morte, assim como seu centésimo aniversário em julho, trouxe à tona algumas das profundas tensões que permanecem no rescaldo da Segunda Guerra Mundial na Itália, depois do país ter chegado perto de uma guerra civil após a ditadura fascista de Benito Mussolini ter entrado em colapso em 1943.

O jornal Il Messaggero mostrou uma pichação do lado de fora da residência de Priebke em Roma com os dizeres "Honra a Priebke" em italiano, com uma suástica nazista.

O advogado de Priebke, Paolo Giachini, disse à Reuters neste domingo que a família iria pedir para que Priebke fosse enterrado em Roma assim que os procedimentos formais de registro de óbito fossem concluídos, mas houve oposição imediata.

Ignazio Marino, o prefeito de centro-esquerda de Roma, disse que seria um insulto ter Priebke enterrado na cidade.

"Eu farei tudo em meu poder para evitar o enterro de Erich Priebke em Roma", disse ele em um comunicado.

As autoridades da igreja também disseram que não iriam receber um enterro religioso em Roma.

"Não há planos para qualquer funeral religioso em Roma para Erich Priebke", disse o porta-voz da igreja Walter Insero ao jornal católico Avvenire.

Fonte: Portal Terra

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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Ex-oficial de guerra nazista Erich Priebke morre em Roma, aos 100 anos

Erich Priebke em foto feita durante julgamento em 1996 (Foto: Giulio Broglio/AP)

Priebke foi condenado em 1998 à prisão perpétua pelo massacre das Fossas Ardeatinas de Roma, em 1944

Roma - O ex-oficial das SS Erich Priebke, condenado em 1998 à prisão perpétua na Itália pelo massacre das Fossas Ardeatinas em Roma em 1944 e um dos últimos criminosos nazistas em vida, morreu nesta sexta-feira aos 100 anos em sua residência na capital italiana, onde permanecia em prisão domiciliar.

Priebke, que completou um século de vida no dia 29 de junho, foi um dos oficiais que organizou o massacre em cavernas nos arredores de Roma de 335 civis, entre eles 75 judeus, executados com um tiro na nuca no dia 24 de março de 1944, em represália por um ataque da resistência contra uma unidade das SS.

Detido na Argentina em 1994 depois de ter vivido tranquilamente neste país por mais de 40 anos, extraditado e julgado na Itália, onde cumpriu prisão domiciliar por razões de saúde, Priebke jamais pediu desculpas, nem manifestou arrependimento algum.

"Não choraremos por ele. Morreu um assassino que matou mais gente que um 'serial killer'. Alguém que não se arrependeu e que viveu uma vida longa, em parte feliz", lamentou Francesco Polcaro, presidente da Associação Nacional de Partisanos Italianos (ANPI).

O ex-capitão nazista gozou do apoio de vários movimentos pró-nazistas da Itália e da Europa, que garantiram a ele assistência legal e médica até o fim de sua vida "Suportou com dignidade anos de perseguição, convertendo-se em exemplo de coragem e coerência", comentou seu advogado e procurador, Paolo Giachini, depois de anunciar sua morte.
Segundo Giachini, Priebke será enterrado em Bariloche, no sul da Argentina, onde passou mais de 40 anos de sua vida.

Priebke será colocado numa câmara ardente e, posteriormente, seu corpo será trasladado para a Argentina, para ser enterrado ao lado de sua esposa, declarou o advogado. Segundo contou ao jornal Il Corriere della Sera um de seus amigos, Mario Merlino - conhecido como o "professor negro" por sua militância fascista - o ex-capitão alemão teria se convertido nos últimos anos ao cristianismo, lia textos sagrados e costumava se recolher para meditar depois de ter perdido quase completamente a memória.

Há 10 anos, uma festa organizada por seus 90 anos, assim como a saída pública a um restaurante provocaram protestos na Itália. Sua presença em um restaurante romano em 2011 acompanhado por amigos, fotografada pela popular revista Oggi, provocou indignação, em particular pela comunidade judaica, que pediu que seu caso fosse revisado.

Priebke foi autorizado em 1999 a deixar seu domicílio "durante o tempo estritamente necessário para a satisfação de necessidades indispensáveis", como as visitas médicas. Os familiares das vítimas do maior massacre cometido pelas tropas nazistas na Itália esperaram por anos que pedisse desculpas pelo papel que teve como responsável pela operação. Durante o processo realizado em Roma, Priebke, que compareceu em várias audiências, afirmou que se limitou a cumprir ordens.

Sebastiano di Lascio, advogado da associação de familiares de vítimas do massacre, chamou de chocante a negativa do ex-oficial nazista de pedir desculpas. O fato de Priebke ter vivido até os 100 anos, enquanto suas vítimas, algumas das quais tinham 17 ou 18 anos, nunca terem conseguido envelhecer, era inaceitável para os sobreviventes e familiares.

O massacre das Fossas Ardeatinas, em março de 1944, foi ordenado em vingança por uma bomba detonada pela resistência nas ruas de Roma, que matou 33 soldados alemães. Acredita-se que foi o próprio Adolf Hitler quem ordenou que 10 pessoas fossem mortas por cada alemão morto.

As vítimas foram reunidas no bairro judeu e outras, sobretudo detidos políticos, foram transferidas das prisões a uma rede de cavernas nos arredores da cidade, onde foram executadas.