sexta-feira, 10 de julho de 2009

Transporte aéreo na batalha de "Admin Box" - Birmânia


Bruma


Transporte aéreo

Birmânia. Madrugada de 4 de fevereiro de 1944. A 7a Divisão britânica está cercada pelos japoneses na ribanceira denominada "Admin Box". Ali estão sitiados perto de 8.000 homens, sem possibilidade aparente de escapatória. Nas bases aliadas situadas em território da Índia iniciam-se imediatamente os preparativos para abastecer pelo ar o reduto de "Admin Box". É necessário manter a qualquer custo essa posição, para trancar aos japoneses a rota de avanço rumo à Índia. O comandante-chefe britânico, Almirante Mountbatten, transmite à guarnição sitiada uma dramática advertência: "É imperativo que cada homem permaneça em seu posto e lute até o fim". As operações de abastecimento aéreo, das quais dependia a sobrevivência da guarnição, foram confiadas ao Genera-Brigadeiro americano William D. Old. O primeiro vôo realizado pelos bimotores Dakota não conseguiu realizar o lançamento, pois enfrentou um violento fogo antiaéreo japonês. O General Old, imediatamente, honrando os seus antecedentes de homem valente e decidido, tomou o lugar do piloto no avião-guia, e ele mesmo conduziu a esquadrilha de Dakotas até o seu objetivo. A reação japonesa foi igualmente encarniçada. Os disparos da artilharia antiaérea avariaram numerosos aviões, inclusive o pilotado por Old. Os abastecimentos, contudo, foram lançados sobre a ribanceira. Assim foi cumprido o primeiro dos 900 vôos que realizariam os pilotos aliados, para abastecer as tropas sitiadas. No transcurso dessas operações foram lançadas com pára-quedas sobre o reduto de "Admin Box" mais de 3.000 toneladas de munições, medicamentos, víveres e armas. Além disso, entre o material, chegou-se a incluir cigarros, correspondência e até cerveja. Desta forma assegurou-se o prolongamento da resistência e se frustrou o avanço japonês sobre a Índia. A operação foi cumprida tanto de dia como de noite As tripulações, realizando um vôo atrás do outro, dedicavam ao descanso lapsos que não passavam de 5 horas diárias. Para substituir os esgotados pilotos, os aparelhos foram tripulados por altos chefes dos estados-maiores da aviação aliada. Era uma verdadeira competição, na qual todos lutavam para participar. Soldados dos serviços de terra, britânicos, hindus, americanos, sul-africanos, subiram aos aviões e ajudaram as tripulações a lançar as pesadas cargas.

Suprimentos lançados por avião em paraquedas
Para se ter uma idéia da difícil tarefa que tiveram de enfrentar, basta a seguinte descrição do método de lançamento, mediante pára-quedas, utilizado pelos aviões aliados nessa circunstância: "O lançamento de abastecimentos é uma arte. Os aviões devem voar a uma altura e velocidade mínimas durante o processo (que, quando estão abastecendo tropas da linha de frente, os coloca dentro do alcance do fogo até mesmo das armas leves do inimigo). Para completar um lançamento exato, cada avião deve efetuar pelo menos 8 passadas sobre a zona a abastecer. Durante essa meia hora o piloto deve manter o seu pesado avião em posição correta, do contrário o pára-quedas pode se enredar no leme à medida que as cargas caem pela porta de lançamento. Para a tripulação significa um esforço violento e sem interrupção, arrastar os fardos e sacos ao longo do corpo do avião até a porta aberta, suspendê-los e arrojá-los ao espaço. Na Birmânia, o trabalho era complicado pelas características do terreno, onde as zonas de lançamento eram localizadas em vales estreitos, amplas florestas ou encostas de colinas. O relevo acidentado do terreno, produzia turbulências no ar, que se intensificavam durante a época das monções; em uma ocasião, um avião cargueiro Dakota emergiu de uma nuvem, de cabeça para baixo. Porém, as dificuldades começaram realmente quando os lançamentos tiveram que ser efetuados de noite, e quando o inimigo empregou sinalização simulada para desviar os pilotos da sua rota".

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