domingo, 12 de julho de 2009

Depoimento de um oficial americano sobre a descida em planadores na Birmânia


Planadores
Um oficial americano que acompanhou as forças de Wingate relata a descida noturna dos planadores que transportaram as unidades:
"Nosso planador deu uma sacolejada no instante em que o avião-reboque iniciou a sua corrida, puxando-nos. Começamos a rodar pela pista em meio de uma poeirada que mal permitia enxergar. Sobre ambos os lados do campo, os homens trabalhavam febrilmente, enganchando os cabos nos planadores restantes. Repentinamente, no momento em que o nosso avião-reboque acelerou ao máximo, a poeira nos envolveu totalmente. Não se via nada, exceto o rosto do piloto e dos homens que viajavam no planador. Corríamos velozmente para a decolagem, sacolejando na extremidade do longo cabo de reboque.
"A nossa frente, o grande bimotor se encontrava já em pleno ar. Também nós elevamo-nos no espaço, segundos depois. Passamos por cima das árvores, lutando para ganhar altura, e começamos a descrever círculos para nos elevar a um nível suficiente que nos permitisse cruzar o maciço montanhoso... Toda a intensa atividade que nos rodeara durante dias desaparecera. Agora estávamos sós, diante do pôr-do-sol de Assam. Seus raios inundavam o interior do planador e tingiam de um tom rosado a sua transparente cobertura. Um espetáculo de beleza rara se ofereceu então aos nossos olhos, até que o sol desaparecesse atrás das montanhas e nossos rostos mergulhassem na escuridão da noite. Enquanto isso, os planadores ganhavam mais altura. A nossa frente, apenas enxergávamos as chamas azuladas dos escapamentos do avião rebocador. Tudo o que ouvíamos era o ensurdecedor rugido do vento contra nosso planador. De repente, um dos nossos companheiros exclamou: “7.000 pés... Vamos passar sobre as montanhas...”. Nesse momento entramos numa turbulência e começamos a sacudir violentamente. O cabo do reboque estremecia. Estávamos agora a 8.500 pés e em poucos momentos cruzaríamos a fronteira da Birmânia, deixando as montanhas para trás. Ao entrar na Birmânia, a terra parecia um imenso manto negro. A luta estava alta e brilhava intensamente. De súbito, o piloto virou a cabeça e nos indicou: “O rio Irrawady... Um segundo depois completou: “O objetivo dentro de vinte minutos”. Todos que estávamos no planador ficamos em suspenso. Retiniram os ferrolhos dos fuzis, no momento em que as armas foram preparadas. Foi dada a ordem de ajustar os cinturões. Na frente, o avião-reboque perdeu altura e iniciou um lento giro. O piloto então exclamou: “Já acenderam os sinais no solo”. Isso queria dizer que os primeiros planadores já haviam pousado. Descíamos agora mais rapidamente. A uma altura de mil pés, o piloto soltou a amarra e o planador começou a perder altura livremente, para realizar a aterrissagem na mais completa escuridão. Nenhuma força, a não ser o próprio peso do planador, nos impulsionava, fomos, a mais de cem milhas por hora, com o vento rugindo nos tensores do planador, para pousar em território dominado pelo inimigo, com todo um exército japonês interposto entre nós e nossas bases na Índia.
"Arvores! Passamos sobre elas... Luzes! Ficaram para trás velozmente. De repente uma extensa faixa de terra plana apareceu diante de nós. Baixamos. Estabilizamos o aparelho. Batemos violentamente e ricocheteamos no terreno. Os esquis do planador se fixaram ao solo, levantando nuvens de poeira que envolveram nosso aparelho como se fossem a cauda de um meteoro. Então, repentinamente, o planador se deteve, inclinando-se sobre o seu lado direito. As portas voaram dos gonzos. Os homens saltaram na escuridão, afastando-se correndo para a mata. A qualquer momento podia estourar o fogo inimigo. Planadores!... Outro avião-reboque está sobre nós. Vai soltando seus planadores. Um deles se dirige para as árvores, perdendo rapidamente altura. Impotentes para manobrar, seus homens voam para a morte. Um segundo mais tarde, escutamos um grande estrondo. São madeiras estraçalhadas. O planador desapareceu.".

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