terça-feira, 24 de agosto de 2010

Os Diários de Guerra de Hans Frank


No dia 1 de maio de 1945, o governador-geral da Polônia, Hans Frank foi preso por um patrulha americana em um pequeno escritório na cidade de Neuhaus-Josephstal.

Hans Frank entregou na tarde do dia 1 de maio a um oficial americano desta mesma patrulha os seus Diários de Guerra, estes continham muitas anotações de Hans Frank (extraído do livroTu carregas meu nome: A herança dos filhos de nazistas notórios, Norbert & Stephan Lebert, 2004, Ed.Record, Páginas 104-105), entre elas:

"Recebi ordens para saquear totalmente os territórios conquistados a Leste, ou seja, transformando suas estruturas econômicas, sociais, culturais e políticas em um monte de escombros." (19 de janeiro de 1940)

"(...)Conforme as últimas pesquisas, a maior parte da população da Polônia ingere apenas 600 calorias por dia, enquanto uma pessoa normal necessita de 2.200 calorias. Por isso dizem que a população polonesa está tão enfraquecida que ela se tornará uma presa fácil da febre exantemática(...). Só teremos comiseração com o povo alemão, e mais ninguém no mundo."(9 de setembro de 1941)

"(...)não será possível disponibilizar mais alimentos para a populaçã judia." (15 de outubro de 1941)

"(...) diga-se de passagem que estamos condenando à morte por desnutrição 1,2 milhão de judeus." (24 de agosto de 1942)

"Quando começamos, havia três milhões e meio de judeus, dos quais sobraram apenas algumas frentes de trabalho. Todo o resto, digamos assim, emigrou." (2 de junho de 1943)

"Quero ressaltar que não podemos ser melindrosos ao escutarmos o número de 17 mil fuzilados(...) Qualquer discórdia sobre métodos seria ridícula." (25 de janeiro de 1943)

"Uma vez ganha a guerra, poderemos fazer picadinho de poloneses, ucranianos e tudo o mais que anda por aí." (12 de janeiro de 1944)


Fonte: http://holocausto-doc.blogspot.com/2009/06/os-diarios-de-guerra-de-hans-frank.html

sábado, 21 de agosto de 2010

Um depoimento de Paul Blobel sobre a queima de corpos e destruição dos traços dos corpos de judeu mortos pelas Einsatzgruppen:



Eu, Paul Blobel, juro, declaro e afirmo em evidência:

1. Eu fui comandante do Sonderkommando 4A.

2. Depois de eu ter sido dispensado deste comando, eu deveria reportar a Berlim ao SS Obergruppenführer Heydrich e Gruppenführer Müller, e em junho de 1942foi-me confiada pelo Gruppenführer Müller a tarefa de destruir traços de execuções levadas a cabo pelas Einsatzgruppen no Leste. Minhas ordens eram de que eu deveria me reportar pessoalmente aos comandantes da Polícia de Segurança e SD, comunicar as ordens de Müller verbalmente e supervisionar sua implementação. Esta ordem era altamente secreta e o Gruppenführer Müller havia dado ordens de que devido à necessidade do mais alto sigilo, não deveria haver correspondência em conexão com esta tarefa. Em setembro de 1942, eu me reportei ao Dr. Thomas em Kiev e comuniquei a ordem a ele. A ordem não poderia ser executada imediatamente em parte porque o Dr. Thomas não estava disposto a executá-la, e também porque os materiais exigidos para a queima dos corpos não estavam disponíveis. Em maio e junho de 1943, eu fiz viagens adicionais para Kiev para tratar desse assunto e então, depois de conversas com o Dr. Thomas e com o líder da SS e da Polícia Hennecke, as ordens foram executadas.

3. Durante minhas visitas em agosto, eu mesmo observei a queima de corpos numa sepultura em massa próxima a Kiev. Esta sepultura tinha cerca de 55 m de comprimento, 3 m de largura e 2-1/2 m de profundidade. Depois que a cobertura havia sido removida, os corpos foram cobertos com material inflamável e incendiados. Levou cerca de dois dias até que a sepultura queimasse até o fundo. Eu mesmo observei que o fogo havia iluminado lá no fundo. Depois disso a sepultura foi preenchida e os traços praticamente destruídos.

4. Devido ao levantamento das linhas de frente, não foi possível destruir as sepulturas em massa mais distantes ao sul e ao leste, que haviam resultado de execuções pelas Einsatzgruppen. Eu viajei para Berlim em conexão com esse relatório, e foi enviado para a Estônia pelo Gruppenführer Müller. Eu comuniquei as mesmas ordens ao Oberführer Achammer-Pierader em Riga, e também ao Obergruppenführer Jeckeln. Eu retornei para Berlim a fim de obter combustível. A queima dos corpos começou somente em maio ou junho de 1944. Eu lembro que as incinerações ocorreram na área de Riga e Reval. Eu estive presente em tais incinerações próximas a Reval, mas as sepulturas eram menores ali e continham somente cerca de vinte a trinta corpos. As sepulturas na área de Reval estavam a 20 ou 30 km a leste da cidade, num distrito pantanoso e eu acho que quatro ou cinco sepulturas foram abertas e os corpos queimados.


5. De acordo com as minhas ordens, eu deveria ter ampliado minhas obrigações pela área inteira ocupada pelas Einsatzgruppen, mas devido à retirada da Rússia, eu não pude executar minhas ordens completamente...


18 de junho de 1947
//assinado// Paul Blobel


Fonte: Berenbaum, Michael, editor. Witness to the Holocaust. New York: HarperCollins. 1997. pp. 143-144
Tradução: Marcelo Oliveira

http://br.groups.yahoo.com/group/Holocausto-Doc/message/6262

Uma brasileira que salvou varios judeus


Aracy de Carvalho Guimarães Rosa (Rio Negro, Paraná, c. 1908) é uma senhora brasileira, segunda esposa do escritor João Guimarães Rosa. Aracy também é conhecida por ter seu nome escrito no Jardim dos Justos entre as Nações, no Museu do Holocausto (Yad Vashem), em Israel, por ter ajudado muitos judeus a entrarem ilegalmente no Brasil durante o governo de Getúlio Vargas. A homenagem foi prestada em 8 de julho de 1982, ocasião em que também foi homenageado o embaixador Luiz Martins de Souza Dantas. Ela é uma das pessoas homenageadas também no Museu do Holocausto de Washington (EUA).

Paranaense, foi morar com uma irmã de sua mãe na Alemanha após separar-se do primeiro marido. Por falar quatro línguas (português, inglês, francês e alemão), conseguiu uma nomeação no consulado brasileiro em Hamburgo, onde passou a ser chefe da Secção de Passaportes.

No ano de 1938, entrou em vigor, no Brasil, a Circular Secreta 1.127, que restringia a entrada de judeus no país. Aracy ignorou a circular e continuou preparando vistos para judeus, permitindo sua entrada no Brasil. Como despachava com o cônsul geral, ela colocava os vistos entre a papelada para as assinaturas. Para obter a aprovação dos vistos, Aracy simplesmente deixava de pôr neles a letra J, que identificava quem era judeu.

Nessa época, João Guimarães Rosa era cônsul adjunto (ainda não eram casados). Ele soube do que ela fazia e apoiou sua atitude, com o que Aracy intensificou aquele trabalho, livrando muitos judeus da prisão e da morte.

Aracy permaneceu na Alemanha até 1942, quando o governo brasileiro rompeu relações diplomáticas com aquele país e passou a apoiar os Aliados. Seu retorno ao Brasil, porém, não foi tranquilo. Ela e Guimarães Rosa ficaram quatro meses sob custódia do governo alemão, até serem trocados por diplomatas alemães.

Sua biografia inclui também ajuda a compositores e intelectuais durante o regime militar implantado no Brasil em 1964.

Aracy enviuvou no ano de 1967 e não se casou novamente.


 XX



Mais uma materia  sobre Aracy:

Os 100 anos da brasileira que casou com Guimarães Rosa e salvou judeus

Os olhos negros e vivos enxergam através das pessoas e se fixam em um ponto distante. Talvez estejam absortos em recordações do passado, quando Aracy Moebius de Carvalho, de 100 anos, desafiou o poder do regime nazista e enfrentou preconceitos para viver com o homem que amava, o escritor João Guimarães Rosa.

Era 1936 e Aracy trabalhava na Embaixada do Brasil em Hamburgo. Fazia dois anos que ela deixara o Brasil para uma temporada na casa da tia na Alemanha, levando o filho Eduardo Tess. Ela havia se separado do marido depois de um casamento de cinco anos e, à época, mulheres desquitadas não eram vistas com bons olhos pela sociedade. Graças à fluência em alemão, inglês e francês, Aracy foi contratada na embaixada, onde ficou responsável pelos vistos de emigração.

Às vésperas do estouro da 2ª Guerra Mundial, os judeus já sofriam com as perseguições. O governo de Getúlio Vargas, por sua vez, havia limitado o número de vistos concedidos para eles. Driblando a ordem recebida, ela facilitou o embarque de inúmeros judeus alemães para o Brasil.

Embaralhava a papelada para que o cônsul assinasse as requisições de visto sem se dar conta dos sobrenomes judaicos. Outra estratégia era conseguir passaportes sem a letra "J" - que identificava os judeus - com amigos que trabalhavam na prefeitura. Como o atendimento se restringia aos moradores da região de Hamburgo, ela conseguia atestados de residência falsos. Certa vez, levou uma pessoa escondida no banco de trás do carro. Como a placa do automóvel era do corpo consular, atravessou a fronteira com a Dinamarca sem ser revistada pelos nazistas.

[i]"Ela tinha uma bondade enorme. Ajudou muitos judeus. Eu quis recompensá-la com presentes, mas ela não aceitava dinheiro de ninguém, eu sou testemunha", conta Maria Margarethe Bertel Levy, de 100 anos, com seu forte sotaque alemão. Margarida, como é mais conhecida, veio com o marido para o Brasil graças à ajuda de Aracy. A mãe, no entanto, não teve a mesma sorte e morreu em um campo de concentração na Polônia.[/i]

Para se certificar do embarque, Aracy levou Margarida e o marido até o navio e escondeu as jóias em um pacote dentro da caixa para descarga do vaso sanitário da cabine, para que não fossem confiscadas pelos policiais. "Ela nos pediu para retirarmos o embrulho depois que o navio estivesse em alto-mar. Com a venda das jóias, pudemos alugar uma casa quando chegamos", diz Margarida. Anos mais tarde, as duas se reencontraram no Brasil e se tornaram grandes amigas. "Foi uma emoção enorme", diz. "Além da sua bondade, era uma mulher muito bonita."

Por um bom tempo, a embaixada brasileira em Hamburgo foi procurada por judeus vindos de toda a Alemanha e Aracy ficou conhecida como o "Anjo de Hamburgo". Por causa dos inúmeros gestos de coragem, ela é a única mulher brasileira convidada a plantar uma árvore no Bosque dos Justos, em Israel. O local é uma homenagem aos não-judeus que ajudaram a salvar vidas judias das perseguições nazistas na Europa. Ela ganhou um bosque com o seu nome. Aracy também é a única brasileira citada nos registros dos Museus do Holocausto, em Israel e em Washington.
Aracy de Carvalho Guimarães Rosa

ARA E JOÃOZINHO

Foi no consulado em Hamburgo, em 1938, que Aracy conheceu o grande amor de sua vida, o cônsul-adjunto João Guimarães Rosa, que mais tarde se tornaria um dos maiores escritores da literatura brasileira. [i]"Ele sabia que ela ajudava os judeus a fugir da guerra e aprovava, mas sempre lhe advertia sobre os riscos, porque ela não tinha imunidade consular. Ele falava: ?Aracy, tome cuidado, os nazistas são perigosos?", [/i]conta o único filho Eduardo Tess, de 79 anos, do primeiro casamento, que mora em São Paulo.

Quando o Brasil rompeu relações diplomáticas com a Alemanha em 1942, os funcionários da embaixada ficaram "internados" por quatro meses na cidade de Baden-Baden. Ainda no mesmo ano, Aracy e Guimarães Rosa vieram ao Brasil e, em 1947, se casaram por procuração na Embaixada do México, no Rio, pelo fato de já terem sido casados e a legislação brasileira não reconhecer a união entre desquitados.

O casamento "não oficial" dificultava a indicação dos dois para trabalharem na mesma embaixada. Ela recebeu um convite para trabalhar como secretária da Embaixada no Equador enquanto Guimarães Rosa foi chamado para a Colômbia. No entanto, ela preferiu abdicar da carreira a se separar de "Joãozinho", como o chamava carinhosamente.

Em 1948, Aracy e Guimarães Rosa seguiram para Paris, onde ele atuava como conselheiro da embaixada brasileira. Dois anos depois, o casal veio para o Rio, onde se estabeleceu no bairro de Copacabana. Foi durante o tempo em que moraram no Brasil e estiveram casados que Guimarães escreveu suas obras literárias mais importantes e desenvolveu sua prosa "roseana", como Sagarana e Primeiras Estórias. À amada, ele dedicou o livro Grande Sertão: Veredas. "A Aracy, minha mulher, Ara, pertence este livro". Com a morte de Guimarães Rosa em 1967, ela nunca mais se casou.

As histórias fascinantes de coragem e amor vividas por Aracy são contadas por seu filho. Ela sofre do mal de Alzheimer e pouco interage com os fatos do cotidiano. Algumas vezes, nem reconhece o filho, com quemveio morar há dez anos, em um amplo apartamento em São Paulo. Suas memórias podem ser conhecidas pelo vasto acervo de fotos, onde é possível vê-la sempre sorrindo, com os mesmos olhos negros e vivos.
Fonte 2º texto: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081221/not_imp297214,0.php


Morte:
Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa, viúva do escritor João Guimarães Rosa , morreu na manhã de 03 de março 2011 de causas naturais, em São Paulo. Aos 102 anos, ela sofria de Mal de Alzheimer.

Fonte do falecimento:
http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2011/03/03/morre-em-sp-aos-102-anos-viuva-do-escritor-guimaraes-rosa-aracy-moebius-923936735.asp

sábado, 14 de agosto de 2010

Boris Smyslovsky

Boris Alexeyevich Smyslovsky (também Smyslovsky-Holmston e Holmston-Smyslovsky) (03 de dezembro de 1897 - 5 de Setembro de 1988) foi um general russo, emigrante anti-comunista. Seus pseudônimos foram Artur Holmston e von Regenau. Ele comandou o pró-nazi e colaboracionista 1º Exército Nacional Russo, durante a II Guerra Mundial.

Boris Smyslovsky - terceiro da direita, de cachimbo- com sua esposa e funcionários.

Biografia

Smyslovksy nasceu em Terijoki , Grand Duchy, Finlândia (hoje Zelenogorsk, São Petersburgo, Rússia), e mais tarde se juntou ao Exército Imperial Russo, onde alcançou a patente de capitão da Guarda Imperial.
Durante a Guerra Civil Russa , ele lutou contra os bolcheviquese, em seguida mudou-se para a Polónia, depois para a Alemanha. Lá, ele entrou para a Preußische Kriegsakademie (Academia Militar Prussiana)

Sua visão era de que a intervenção  e ajuda estrangeira era necessária para libertar a Rússia do bolchevismo. Quando a Alemanha invadiu a União Soviética em 1941, serviu na Frente Leste com os batalhões formados que foram usados para combater guerrilheiros. À Smyslovsky foi dado o comando da Sonderdivision R ("divisão especial da Rússia) e se tornou o primeiro russo nos serviços alemães a comandar uma unidade anti-bolchevique na 2ª guerra.

Ele logo percebeu que a ideologia nazista ia de encontro com o seu ponto de vista da utilização inteligente das forças anti-bolcheviques russa e criou tentáculos para a Suíça , caso ele precisaria de asilo na guerra do fim.
Os russos em  Liechtenstein.

1º Exército Nacional Russo 

No final da guerra, a Alemanha aumentou seus voluntários russos no esforço de guerra, e as forças Smyslovsky foram elevadas para o 1º Exército Nacional Russo, em 10 de março de 1945.
Em abril de 1945, Smyslovsky direcionou seus combatentes para Feldkirch, onde se encontrou com o Grão-duque Vladimir Cyrillovich. O exército nesse momento contava com 462 homens, 30 mulheres e 2 crianças, e logo em seguida, mudou-se para o país neutro Liechtenstein , em 2 de maio de 1945. Os russos foram atendidas pela Liechtenstein Cruz Vermelha. Em 16 de agosto de 1945, um soviético delegação chegou ao Liechtenstein , na tentativa de repatriar os russos, e conseguiram que cerca de 200 do grupo concordassem em retornar, por meio de ameaças, sejam pro meio de promessas. Eles partiram em um trem para Viena e nada foi ouvido novamente sobre eles (foram fuzilados no meio do caminho por soldados soviéticos). O restante ficou em Liechtenstein por mais um ano, resistindo com o apoio de Liechtenstein à pressão por parte do governo soviético para participar do programa de repatriamento. Eventualmente, o governo da Argentina ofereceu asilo, e cerca de uma centena de pessoas foram para o país sulamericano. Smyslovsky foi visitado por Allen Dulles e outros especialistas militares ocidentais para saber mais sobre seus conhecimentos sobre a União Soviética e as informações entregues à Reinhard Gehlens ( ler nota mais abaixo).

De acordo com Alexander Frick, ministro do Liechtenstein, os russos não tiveram em nenhum momento o risco de serem extraditados, e a população local apoiou plenamente o governo de conceder asilo ao russo. A pequena população do país (12.141 em 1945 ) apoiou a emigrantes (4% da população) a uma taxa de SF 30.000 por mês durante 2 anos e pagar as suas despesas para ir para a Argentina, pois eles não sabem que esses custos foram mais tarde a ser reembolsado pela Alemanha. Enquanto os aliados ocidentais e de outros países na Europa cumpriram os pedidos da URSS para repatriar cidadãos soviéticos, independentemente de seus desejos individuais, Liechtenstein foi o único país que levantou-se a estas exigências e informou que o governo soviético que só os russos que queriam ir para casa teriam permissão para sair a hora que quisessem.

Smyslovsky morreu em Vaduz, Liechtenstein, em 05 de setembro de 1988.

Tumba de  smyslowsky.

Monumento aos soldados de Smyslovsky em Liechtenstein.
Holmston-Smyslovsky com sua esposa, Liechtenstein.

Nota: Reinhard Gehlen (03 de abril de 1902 - 8 de Junho de 1979) foi um general do exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial, que serviu como chefe de recolhimento de informações na Frente Oriental. Após a guerral, ele foi recrutado pelo Estados Unidos para criar um anel de espionagem contra a União Soviética (conhecida como a Organização Gehlen), e eventualmente se tornou chefe dos aparatos de inteligência da Alemanha Ocidental . Ele serviu como o primeiro presidente do Serviço Federal de Inteligência até 1968.


Filme: 
Filme francês de 1993, Vent d'Est (East Wind), dirigido por Robert Enrico baseia-se na visita de inspeção do Smyslovsky e seu exército. Ótimo filme que da para entender bem a situação dos russos.

Fonte:  
http://en.wikipedia.org/wiki/Boris_Smyslovsky
Transcrição e traduzido por : avidanofront.blogspot.com/

Campanha Norte-Africana




Durante a Segunda Guerra Mundial, a Campanha Norte-Africana, também conhecida como a Guerra do Deserto, desenrolou-se nodeserto norte-africano 10 de junho de 1940 até 16 de maio de 1943. Ela incluiu campanhas travadas nos desertos líbio e egípcio, noMarrocos e na Argélia (Operação Torch) e na Tunísia (Campanha Tunisiana).


A campanha foi travada entre os Aliados e as potências do Eixo. O esforço de guerra dos aliados era protagonizado pela Commonwealthe por exilados da Europa sob ocupação alemã. Os Estados Unidos entraram na guerra em 1941 e começaram a dar assistência militar direta na África do Norte em 11 de maio de 1942.

A luta na África do Norte começou com a declaração de guerra do Reino da Itália em 10 de junho de 1940. Em 14 de junho, o 11º Hussars Exército Britânico (composto por integrantes do 1º Royal Tank Regiment cruzou a fronteira líbia e capturou o Forte Capuzzo, italiano. Seguiu-se uma ofensiva italiana no Egito e, depois, uma contra-ofensiva britânica em dezembro de 1940 Operação Compasso. Durante a Operação Compasso, o 10º Batalhão do Exército italiano foi destruído e o Afrika Korps da Alemanha Nazista, comandados pelo marechal-de-campo Erwin Rommel, foram relocados para a África do Norte, durante a Operação Sonnenblume, para apoiar as forças italianas e prevenir uma completa derrota do Eixo.

Uma série de batalhas pelo controle da Líbia e partes do Egito seguiram-se e tiveram seu clímax na Segunda Batalha de El Alamein, quando as forças britânicas, sob o comando do tenente-general Bernard Montgomery, imprimiram uma derrota decisiva contra as forças do Eixo e empurraram-nas para a Tunísia. Depois das aterrissagens aliadas no Norte da África Operação Torch, sob o comando do General Dwight Eisenhower, no fim de 1942, e após as batalhas dos Aliados contra as forças da França de Vichy (que, depois disso, uniram-se aos Aliados), as forças combinadas dos Aliados cercaram as forças do Eixo no norte da Tunísia e forçaram-nas a se renderem.

Ao fazer os batalhões do Eixo lutarem num segundo front no Norte da África, os Aliados deram algum alívio à União Soviética, que lutava conta o Eixo no Front Leste. Informação obtida pela operação de decodificação britânica Ultra deu uma contribuição decisiva ao sucesso aliado na campanha norte-africana.


Avanço da 39ª secção Panzerjäger pertencente ao Afrika Korps, 1942.

Campanha no Deserto Ocidental


A Campanha Norte-Africana foi de importância estratégica tanto para os Aliados quanto para o Eixo. Os Aliados usaram-na como um passo na direção de um segundo front contra o Eixo na Europa e para ajudar a aliviar a pressão do Eixo no Front leste. As potências do Eixo planejavam dominar o Mediterrâneo por meio do controle de Gibraltar e do Canal de Suez, intencionavam promover uma bem-sucedida campanha na África do Norte e, ainda, atacar os ricos campos de petróleo do Oriente Médio.[1] Isto acabaria com os suprimentos de combustível dos Aliados na região e aumentaria tremendamente os surpimentados disponíveis para a máquina de guerra do Eixo.

Em 13 de setembro de 1940, a Itália enviou o 10º Batalhão, estacionado na Líbia, numa invasão de 200 mil soldados no protetorado britânico no Egito e armaram fortes defensivos emSidi Barrani. Mas o general italiano Graziani, sem apoio de inteligência de agentes infiltrados nas forças Aliadas na região, decidiu não continuar adiante em direção ao Cairo.

As forças Aliadas tinham 36 mil homens a menos comparados com o total de 200 mil do Eixo. Mesmo assim, ao fim de 1940, os Aliados lançaram um contra-ataque Operação Compasso, mais bem-sucedido do que o esperado, resultando na destruição da maior parte do 10º Batalhão italiano e no avanço das forças Aliadas para El Agheila. A derrota estrondosa não passou despercebida e novas tropas italianas sob Uldo Capzoni juntamente com tropas alemãs, os Afrika Korps sob o comando de Erwin Rommel foram enviadas para reforçar as forças italianas no oeste da Líbia. Ao mesmo tempo, as forças que haviam derrotado os italianos haviam se retirado do Deserto Ocidental, uma divisão de infantaria australiana foi enviada para apoiar os batalhões gregos durante a Batalha da Grécia e, enquanto a 7ª Divisão Armada foi enviada para o delta do Nilo para reabastecimento, divisões inexperientes e enfraquecidas os substituíram.

Embora Rommel tenha recebido ordem para simplesmente manter a posição alemã, um reconhecido armado logo tornar-se-ia uma plena ofensiva aérea a partir de El Agheila em março de 1941, a qual, com exceção de Tobruk, conseguiu fazer os Aliados recuarem além de Sollum de volta para o Egito, colocando ambos os lados aproximadamente de volta para suas posições antes da guerra.

As forças Aliadas lançaram um pequeno ataque, Operação Brevidade, numa tentativa de empurrar as forças do Eixo mais para trás da fronteira, mas falharam. Seguiu-se então uma ofensiva em maior escala, Operação Battleaxe, com o objetivo de aliviar o forte em Tobruk, o que também falhou.

Durante o conseqüente impasse, as forças Aliadas reorganizaram-se. Archibald Wavell obteve sucesso como comandante-em-chefe Comando do Oriente Médio e a Força do Deserto Ocidental foi reforçada com um segundo batalhão para formar o novo 8º Exército Britânico, o qual, neste tempo, foi composto de unidades dos Exércitos britânico, australiano, da Índia Britânica, neozelandês e sul-africano. Havia também uma brigada da França Livre sob o comando de Marie-Pierre Koenig. A nova formação lançou outra ofensiva, Operação Crusados, em novembro de 1941 e, em janeiro de 1942, recapturou todo o território recentemente conquistado por alemães e italianos. Novamente, o front moveu-se para El Agheila.

Depois de receber suprimentos e reforços de Tripoli, o Eixo novamente atacou, derrotando os Aliados na Batalha de Gazala em junho e capturando Tobruk. As forças do Eixo empurraram o 8º Batalhão de volta para trás da fronteira egípcia e foram detidas em julho a apenas 90 km de Alexandria durante a Primeira Batalha de El Alamein.

O general Claude Auchinleck, que tinha assumido pessoalmente o comando do 8º Batalhão depois da derrota em Gazala, perdeu o posto depois da Primeira Batalha de El Alamein e foi substituído pelo general Harold Alexander. O tenente-general William Gott havia recebido o comando do 8º Exército, mas foi morto no caminho e substituído pelo tenente-generalBernard Montgomery.

As forças do Eixo fizeram uma nova tentativa para penetrar em Cairo no fim de junho durante a Alam Halfa, mas foram detidas. Depois de um período de reequipamento e treino, o 8º Batalhão lançou uma grande ofensiva, derrotando decisivamente os batalhões ítalo-germânicos durante a Segunda Batalha de El Alamein no fim de outubro de 1942. O 8º Batalhão então empurrou as forças do Eixo para o oeste, conquistado Tripoli em meados de janeiro de 1943. Em fevereiro, o 8º Batalhão enfrentava os Panzer ítalo-germânicos perto do frontMareth, sob a liderança do 18º Army Group, comandado por Harold Alexander, na fase final da guerra no norte da África, a Campanha Tunisiana.


Operação Torch

A Operação Torch começou em 8 de novembro de 1942 e terminou em 11 de novembro de 1942. Numa tentativa de derrotar as forças alemães e italianas, as forças Aliadas dosEstados Unidos e a Grã-Bretanha aterrissaram na África do Norte ocupada por tropas da França de Vichy sob a premissa de que haveria pouca ou nenhuma resistência. Contudo, as forças da França de Vichy envidaram uma resistência poderosa e sangrenta contra os Aliados em Oran e no Marrocos. Mas não em Argel, onde um golpe de estado feito pela resistência francesa em 8 de novembro foi bem-sucedido em neutralizar o 19º Batalhão francês e em prender os comandantes de Vichy. Consequentemente, as ocupações aliadas praticamente não encontraram oposição em Argel e a cidade foi conquistada no primeiro dia bem como todo o comando da África de Vichy. Depois de três dias de conversações e ameaças, o general Mark Clark e Eisenhower obrigaram o Almirante de Vichy François Darlan (e o general Alphonse Juin) a ordenarem o fim da resistência armada em Oran e no Marrocos pelas forças francesas, em 10 de novembro e em 11 de novembro, com o aviso de que Darlan seria comandada por uma administração em favor da França Livre.

As campanhas aliadas forçaram o Eixo a ocupar a França de Vichy (Case Anton). Além disso, a esquadra francesa foi capturada em Toulon pelos italianos, o que não foi grande vantagem para estes porque a maior parte desta esquadra havia sido parcialmente destruída para prevenir seu uso pelas potências do Eixo. O batalhão de Vichy na África do Norte uniu-se aos Aliados.


Campanha Tunisiana

17 de novembro de 1942-13 de maio de 1943.

Depois das ofensivas terrestres da Operação Torch (desde novembro de 1942), os alemães e italianos iniciaram a formação de tropas na Tunísia para preencher o vácuo deixado pelas tropas de Vichy com sua retirada. Durante este período de fraqueza, os Aliados foram contrários a um avanço rápido contra a Tunísia enquanto tinham problemas com as autoridades de Vichy. Muitos dos soldados aliados perderam tempo na mesma posição por conta do status incerto e das intenções das tropas de Vichy.

Em meados de novembro, os Aliados conseguiram avançar para Tunísia, mas somente com a força de uma divisão. No começo de dezembro, a Força Tarefa Oriental da 78ª Divisão de Infantaria Britânica e integrantes da 1ª Divisão Armada dos Estados Unidos avançaram em direção ao leste até apenas 30 km de Tunis. Nesta altura, o Eixo tinha uma divisão alemã e cinco italianas na Tunísia para reforçar sua defesa. Os aliados foram destruídos.

Durante o inverno, seguiu-se um período de impasse, durante o qual os dois lados continuaram a formar tropas. Na altura do ano novo, as forças-tarefa aliadas eram formadas pelo 1º Batalhão americano e por três falanges britânicas, seis americanas e uma francesa, além de soldados de outras nações aliadas. . Na segunda metade de fevereiro, no leste da Tunísia, Rommel e von Arnim tiveram algum sucesso principalmente contra tropas francesas e americanas inexperientes, mais destacadamente ao cercar o US II Corps na Batalha de Kasserine Pass.

No começo de março, o 8º Batalhão britânico, avançando em direção ao oeste ao longo da costa norte-africana, havia atingido a fronteira tunisiana. Rommel e von Arnim foram cercados e superados na qualidade das manobras, no número de homens e armas. O 8º Batalhão britânico desbaratou a defensiva do Eixo na Linha Mareth no final de março e o 1º Batalhão lançou uma ofensiva grande na Tunísia central em meados de abril para pressionar as forças do Eixo até que sua resistência na África fosse derrotada por completo, o que aconteceu em 13 de maio de 1943, com um saldo superior a 275 mil prisioneiros de guerra. Esta grande derrota de tropas experientes reduziu grandemente a capacidade militar das potências do Eixo, embora a maior parte das tropas delas tenham escapado da Tunísia. Esta derrota na África levou à conquista de todas as colônias italianas em África.

Conclusão

Depois da vitória dos Aliados na Campanha Norte-Afriacana, o palco estava armado para a Campanha Italiana começar. A invasão aliada da Sicília teve início apenas dois meses depois.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Cartas de soldados alemães, escritas durante a batalha em Stalingrado

“Você é o coronel, querido pai e do Estado-Maior. Você sabe o que significa tudo isto, por isso evita de eu explicar o que poderia ser sentimentalismo.É o fim. Acho que ainda agüentamos uma semana, depois, fecha o cerco. Não quero falar dos motivos a favor ou contra nossa situação. Esses motivos são perfeitamente insignificantes e não tem importância, mas se pudesse dizer qualquer coisa, gostaria de dizer que não devem procurar em nós a razão dessa situação, mas sim em vocês e quem é o responsável por isso tudo. Levantai a cabeça! Você pai, e os que são da mesma opinião, estejam com atenção para não acontecer uma coisa pior à nossa pátria. Que o inferno do volga sirva de aviso. Por favor, não deixem que o vento leve esta lição.”

Fonte: Cartas de Stalingrado, Coleção Einaudi, 1958.

domingo, 8 de agosto de 2010

Herbet Floss - O especialista em cremação de cadáveres


Quem já leu o livro Treblinka de Jean-françois Steiner, que é um romance, no qual ele diz que o que foi escrito vem de supostos depoimentos e declarações de sobreviventes, lembra-se do especialista em cremação de cadáveres, que se chamava-se Herbert Floss. Sobre esse especialista em cremação de cadáveres, há muitos debates em relação da existencia ou não dele, e a impossibilidade da cremação da quantidade gigantesca de cadáveres. No "Eu sou o ultimo Judeu", de Chij Rajchman, também fala da existência de uma pessoa que era responsável pela cremação dos corpos, o qual o autor chama de "O Artista" (no livro de Steiner, ele fala que os prisioneiros também apelidaram Herbert Floss de "Artista", devido a seu ar inspirado, ou "canhoto das duas mãos", por causa da sua falta de jeito.)

A muitíssimos debates na internet, em que os revisionistas tentam mudar essa historia e alegam a impossibilidade da cremação de tal forma descrita no livro, como disse acima (só estou falando sobre a cremação, já que os negacionistas, revisionistas e outros  tentam dar outros "olhos" para o campo). A seguir, vou apresentar a parte dos dois livros, e ao leitor do blog, vai notar que o eventual romance de Steiner, que diz ter entrevistado sobreviventes de Treblinka, tem uma relação direta com o do livro "Eu sou o ultimo judeu", publicado anos depois,que é o depoimento de um dos 57 sobreviventes. Mas você pode dizer que Steiner pode ter entrevistado Chij Rajchman, e assim os dois livros tem uma correlação...se for assim, os dois confirmam o evento. Mas relembrando, o primeiro é um romance.


Para ler só clicar na imagem que vai ampliar  em uma melhor visualização e leitura:






                     






















Para ver outras similaridades entre os dois livros, comprem os livros, que tem um preço muito bom. O livro de Chij é bom entender um pouco de Treblinka, pois os relatos serão meios soltos para leigos no assunto.

(A reprodução das paginas  é só para uma argumentação das passagens nos livros, e mesmo sendo errado, vai contribuir para divulgação do mesmo)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A primeira experiência sob a artilharia alemã - FEB



O Cabo Raul Carlos dos Santos, que serviu num Compania de Petrechos (metralhadoras e morteiros) do 11º RI, relatou a sua primeira experiência sob a artilharia alemã:



Aí fomos recebidos com granadas.  A gente dizia “as boas vindas”. O inimigo já sabia do nosso deslocamento. Em Lucca, Monte Cassino, em Pistóia. Cada um procurava um lugar pra se esconder. Já estávamos a pé. 
Estávamos numa área montanhosa, subindo para Sila. Uma coisa horrível! No dia 28 [novembro], para Bombiana [lê anotações]. Botei aqui, Bombiana, mas não botei tudo. Era uma área, tudo tinha número, fica do lado...... do Monte Castelo? A direita assim. Era uma cidade pequena, estava tudo destruído. Minha Cia teve que ficar aqui. Encontramos muita resistência aqui, demais! De perto! De perto numa guerra é um Km, 800 metros. É! Tiro direto! Desses canhõezinhos então! Bombiana, nós passamos aqui umas duas, três semanas 
talvez. Quando chegamos cada qual recebeu ordem de cavar seu fox hole. Fomos instruídos disso. Tínhamos que procurar uma coisa pra nos defender. Você sabe o que é cavar um buraco ligeiro? Usávamos umas pazinhas. Quebrava a mão toda! Calo! Calo de estoura e você não sentir! Tirava a luva via aquela zorra toda saindo sangue! 


Cb. Raul Carlos dos Santos, entrevista concedida à Luciano Meron para sua dissertação em 25/09/2007

domingo, 1 de agosto de 2010

O preconceito racial na FEB




Embora os veteranos hoje não se refiram ou não se recordem de preconceito racial dentro da FEB, pelo menos durante a campanha italiana, há registros de que no transcorrer dos preparativos para o envio dos soldados brasileiros à Itália houve atitudes discriminatórias por parte de alguns oficiais. O veterano Demócrito C. de Arruda fala sobre o preconceito racial no Exército:







Em 1943, quando o nosso Regimento foi designado para fazer uma demonstração física em São Paulo e se tratou da seleção e organização das turmas componentes, veio uma ordem surpreendente, partida de um general: “tirem fora os negros!” A ordem não foi cumprida, mas houve uma posterior recomendando colocá-los no meio das turmas, evitando a testa e as pontas. Igual espetáculo ocorreu no Rio, em março de 1944, quando se preparava um desfile da infantaria expedicionária. Nas vésperas de sua realização, lá veio o mesmo comandante, já nosso conhecido, a ordem: “Excluam os negros!”. O problema era que, excluído os negros - e por aproximação também os cafuzos, os mulatos, os morenos, etc. - pouco restaria da nossa infantaria. A 



ordem, mais uma vez, foi desconhecida; mas, não podemos deixar de guardá-la em nossos espíritos como testemunho sobre a conduta do nosso comando.


Fonte da citação: Impressões de um infante sobre o comando - ARRUDA, Demócrito C. Arruda - Pagina 64.


Einsatzgruppen - Unidades móveis de extermínio


As Einsatzgruppen eram unidades móveis de extermínio, esquadrões compostos principalmente pela polícia alemã e pelas SS. Sob o comando do Serviço de Segurança (Sicherheitsdienst; SD) e das autoridades da Polícia de Segurança alemã (Sicherheitspolizei; Sipo), as unidades móveis de extermínio tinham, entre suas atividades a tarefa de assassinar pessoas suspeitas de serem inimigas raciais ou políticas do nazismo que se encontravam atrás das linhas de combate alemãs, dentro do território soviético ocupado.

As vítimas incluiam judeus, ciganos da subetnia Roma, e autoridades do estado e do Partido Comunista soviético. Os Einsatzgruppen também assassinaram milhares de deficientes físicos e mentais que se encontravam internados em instituições médicas e sociais. Muitos estudiosos acreditam que o assassinato sistemático dos judeus dentro da União Soviética ocupada pelos batalhões dos Einsatzgruppen e da Polícia da Ordem (Ordnungspolizei), foi o primeiro estágio da “Solução Final”, o programa nazista para o extermínio dos judeus europeus.


Soldados de uma unidade não identificada da Einsatzgruppe C (grupo de unidades móveis de extermínio) vasculham pertences dos judeus massacrados em Babi Yar, uma ravina perto de Kiev. Foto tirada na União Soviética, entre 29 de setembro a 1° de outubro de 1941.

Durante a invasão da União Soviética, em junho de 1941, as Einsatzgruppen acompanhavam o exército alemão enquanto este avançava rumo o interior do território soviético. As Einsatzgruppen, muitas vezes com o apoio dos cidadãos soviéticos e da polícia local, realizavam operações de extermínio em massa, indo diretamente até locais onde haviam comunidades judaicas e massacrando todos seus habitantes, diferentemente dos métodos posteriormente empregados de deportação dos judeus dos locais onde viviam, cidades ou guetos, para serem assassinados nos campos de extermínio.

O exército alemão provia o apoio logístico para asEinsatzgruppen, incluindo suprimentos, transporte, moradia, e até mesmo recursos humanos, através de unidades militares que vigiavam e transportavam os prisioneiros. No início de suas atividades as Einsatzgruppen atiravam somente em homens, porém, de meados até o final de 1941, passaram a assassinar a todos--homens, mulheres e crianças-- sem distinção de idade, e os enterrava em conjunto em grandes valas. Com a ajuda de informantes e intérpretes, identificavam-se os judeus de uma determinada região, que eram então levados para pontos de coleta, como lixo. Destes locais tinham que marchar, ou eram transportados por caminhões, para os locais onde seriam massacrados e onde grandes valas já haviam sido abertas. Em alguns casos, as vítimas tinham que cavar suas próprias sepulturas: depois de entregarem seus objetos de valor e de serem forçados a se despir, homens, mulheres e crianças eram fuzilados, fosse ao “estilo militar” (de pé, na frente da sepultura aberta) ou deitados dentro das valas, com a face virada para o fundo. Este último tipo de assassinato em massa era designado pelos nazistas e seus cúmplices, em deboche cruel, como “empacotamento de sardinhas”.

As Einsatzgruppen que acompanhavam o exército alemão durante a ocupação da União Soviética eram compostas por quatro grandes grupos operacionais: a Einsatzgruppe Aespalhou-se pelo leste da Prússia e atravessou a Lituânia, a Letônia, e a Estônia em direção a Leningrado (atualmente São Petersburgo). Elas massacraram os judeus de Kovno, Riga e Vilna; o Einsatzgruppe B saiu de Varsóvia, na Polônia ocupada, e espalhou-se pela Bielorrússia, em direção a Smolensk e Minsk, devastando a população judaica de Grodno, Minsk, Brest-Litvosk, Slonim, Gomel e Moglilev, além de outras regiões; a Einsatzgruppe C começou suas operações em Krakow (Cracóvia) e se espalhou atravessando a região oeste da Ucrânia, em direção a Kharkov e Rostov-on-Don. Os membros daquele grupo assassinaram populações inteiras em Lvov, Tarnopol, Zolochev, Kremenets, Cracóvia, Zhitomir e Kiev. Elas eram tão letais que, na cidade de Kiev, na Ucrânia, as unidades do 4º destacamento dosEinsatzgruppen mataram, em apenas dois dias, 33.771 judeus na ravina de Babi Yar, no final de setembro de 1941. Das quatro unidades, o Einsatzgruppe D era o que operava mais ao sul. Seus membros chacinaram populações judaicas inteiras no sul da Ucrânia e da Criméia, principalmente em Nikolayev, Kherson, Simferopol, Secastopol, Feodosiya, e na região de Krasnodar.

Em sua tarefa macabra, as Einsatzgruppen recebiam ajuda dos soldados alemães e dos demais países do Eixo, bem como de colaboradoracionistas locais e outras unidades das SS. Os membros das Einsatzgruppen eram escolhidos entre unidades das SS, das Waffen SS (formações militares das próprias SS), SD, Sipo, Polícia da Ordem, e outras unidades policiais.





Membros de um Einsatzkommando.Os homens à esquerda são civis de origem étnica alemã que aproveitaram para ajudar o esquadrão. Slarow, União Soviética. Dia 4 de julho de 1943.






Judeus ucranianos que foram forçados a se despir antes de serem massacrados pelo destacamento do Einsatzgruppe. Esta foto, originalmente colorida, era parte de uma série tirada por um fotografo militar alemão. Posteriormente, cópias dessa coleção foram usadas como evidência nos julgamentos dos crimes de guerra. Lubny, União Soviética, 16 de outubro de 1941


Na primavera de 1943, os batalhões das Einsatzgruppen e da Polícia da Ordem já haviam exterminado mais de um milhão de judeus soviéticos, além de dezenas de milhares de comissários políticos soviéticos, guerrilheiros, ciganos da subetnia Roma, e deficientes físicos e mentais que se encontravam em instituições destinadas a seus cuidados. Os métodos móveis de extermínio, particularmente os fuzilamentos, mostraram-se cansativos, ineficientes, e ainda traumatizanates para muitos dos que atiravam. Mesmo com a continuação das atividades das Einsatzgruppen, as autoridades alemãs planejaram e iniciaram a construção de instalações fixas de gás nos campos de extermínio centralizados com a finalidade de exterminar uma quantidade bem maior de judeus.

domingo, 25 de julho de 2010

Eu Sou o Último Judeu - Treblinka (1942-1943)

"Eu Sou o Último Judeu" traz relato inédito de sobrevivente de campo de concentração

Apenas 57 judeus sobreviveram ao campo de concentração Treblinka .É razoavelmente comum encontrarmos livros que trazem relatos sobre sobreviventes de campos de concentração nazistas, como Dachau e Auschwitz. Mas isso não acontece quando tratamos de Treblinka, e o motivo é o pior possível.

Dos cerca de 750 mil prisioneiros --em sua esmagadora maioria, judeus dos guetos de Varsóvia, capital da Polônia-- que foram enviados para lá, apenas 57 sobreviveram. Chij Rajchman foi um dos que estavam na revolta que deu liberdade a algumas poucas pessoas, permitindo que elas pelo menos lutassem por sua sobrevivência. Ele foi um dos últimos a conseguir escapar nesta ocasião.

Ainda fugitivo e sem saber se conseguiria chegar vivo ao final da Segunda Guerra Mundial, ele começou a escrever febrilmente sobre as terríveis experiências pelas quais tinha passado em Treblinka. Até agora inédito, este impressionante relato é publicado no Brasil com o nome de "Eu Sou o Último Judeu" (Jorge Zahar, 2010), em uma edição complementada por fotografias, mapas e plantas do campo de extermínio.






Horror


Durante os dez meses em que esteve preso lá, Rajchman sobreviveu de maneira quase que inexplicável. Viu incontáveis execuções e empalamentos, testemunhando algumas das piores atrocidades cometidas pelos seguidores de Hitler.

Ele próprio carregou cadáveres em decomposição e arrancou dentes de ouro dos mortos para dar aos nazistas. Em depoimento ao Museu do Holocausto de Washington, ele afirma que foi obrigado a cortar o cabelo de várias mulheres antes que elas fossem mortas em uma câmara de gás.

Após a guerra, testemunhou em diversos processos judiciais e se mudou para o Uruguai, onde viveu até a sua morte, em 2004.






Trecho do livro


Em vagões chumbados rumo a um destino desconhecido

Os vagões tristes me carregam para lá. Eles vêm de toda parte: do leste e do oeste, do norte e do sul. De dia e de noite, seja qual for a estação: primavera, verão, outono, inverno. Os comboios chegam lá abarrotados, incessantemente, e Treblinka prospera mais a cada dia que passa. Quanto mais comboios chegam, mais Treblinka consegue absorvê-los.

Partimos da estação de Lubartow, a cerca de 20km de Lublin.

Assim como todos nós, não sei para onde nos levam, nem por quê. Tentamos saber mais sobre isso durante o trajeto. Os guardas ucranianos que nos vigiam não dão mostras de nenhuma benevolência e se recusam a nos responder. A única coisa que ouvimos deles é: "Ouro, prata, objetos de valor!" Os assassinos não nos deixam em paz. Não se passa um instante sem que um deles nos aterrorize. Agridem-nos com coronhadas, e todos tentam molhar a mão desses criminososa fim de evitar os golpes.

Eis o retrato do nosso comboio.

Estou com a minha irmã caçula Rivke, uma bonita garota de 19 anos, e um de meus bons amigos, Volf Ber Rojzman, sua mulher e seus dois filhos. Conheço quase todos os que estão no vagão. Eles vêm do mesmo shtetl (do iídiche, "lugarejo", com maioria de população), Ostrow Lubelski. Somos 140, espremidos uns contra os outros, respirando um arviciado. Como é impossível nos deslocarmos, somos obrigados a fazer nossas necessidades no local, embora homens e mulheres estejam misturados. Ouvimos gemidos, e as pessoas perguntam-se umas às outras: para onde vamos? 

Respondem dando de ombros e soltando um suspiro. Ninguém sabe para onde vamos, e, ao mesmo tempo, ninguém queracreditar que somos levados para onde há meses nossos irmãos e irmãs, todos os nossos, são deportados.


Outro amigo, Katz, engenheiro, está sentado ao meu lado. Ele me garante que vamos para a Ucrânia e que seremos instalados fora das cidades, que poderemos cultivar a terra. Ele sabe disso, pois um tenente alemão lhe contou. Era o diretor de uma fazenda estatal que fica a 7km do nosso shtetl, em Jedlanka. Ele lhe faz essa confidência para lhe agradecer por ter consertado um motor elétrico. Quero acreditar nisso, a despeito das aparências.


Avançamos. Nosso comboio para com muita frequência, interrompido pela sinalização, pois não é prioritário e deve deixar passar os trens regulares. Passamos por diversas estações, entre as quais Lukow e Siedlce. A cada vez que o trem para, peço aos ucranianos que descem à plataforma para nos arranjarem água. Não respondem, mas, se lhes dermos um relógio de ouro, eles nos trazem um pouco dágua. Muitos entregaram seus objetos de valor sem receber em troca os poucos goles prometidos.

Tenho sorte. Peço um pouco dágua a um ucraniano, ele exige cem zlotys por uma garrafa. Aceito. Pouco depois, ele volta com meio litro. Pergunto-lhe quanto tempo de viagem temos pela frente. Ele me responde: três dias, pois vamos para a Ucrânia. Começo a achar que é verdade Faz praticamente 15 horas que partimos, e não percorremos mais de 120km.


"Eu Sou o Último Judeu" - Chil Rajchman -  Pagina 27 à 29.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/ult10082u710002.shtml




OBS: Quem já leu o livro Treblinka de Jean-françois Steiner, que é um romance, no qual ele diz que o que foi escrito vem de supostos depoimentos e declarações de sobreviventes, lembra-se do especialista em cremação de cadáveres, que se chamava-se Herbert Floss. Sobre esse especialista em cremação de cadaveres, há muitos debates em relação da existencia ou não dele, e a impossibilidade da cremação da quantidade gigantesca de cadaveres. Na próxima postagem, vou colocar uma parte do livro "Eu sou o ultimo Judeu" que também fala da existência de uma pessoa que era responsável pela cremação dos corpos, o qual o autor chama de "O Artista".



quinta-feira, 22 de julho de 2010

Cartas de soldados alemães escritas durante a batalha em Stalingrado


“Me assustei quando vi o papel. Estamos completamente isolados, sem ajuda exterior. Hitler nos abandonou. Esta carta vai seguir se o aeroporto ainda estiver nas nossas mãos. Estamos no norte da cidade. Os homens da bateria também pensam nisso, mas não o sabem tão bem como eu. O fim está próximo. Hannes e eu vamos à prisão. Ontem vi os russos apanharem quatro homens, depois da nossa infantaria ter recuperado a iniciativa. Não, não vamos para a prisão. Quando Stalingrado cair, você ficará sabendo que nunca mais voltarei”.

Fonte: Cartas de Stalingrado, Coleção Einaudi, 1958.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Flakturm / Flaktower - "Torres de batalhas" - As torres de defesa anti-aérea de Berlim





Exemplo de uma arma das torres: guarnição de um Flak 40 de 12,8 cm, na torre do zoologico de Berlim.


As torres de defesa anti-aérea de Berlim, tinham sido construidas em 191/42, logo a seguir aos primeiros ataques dos aliados.

Havia três complexos de defesa anti-aérea, cada um constituido por duas torres. Uma mais pequena, utilizada para comunicações e com armamento mais leve e outra muito maior, chamada de "Torre de batalha", equipada com armamento anti-aéreo pesado. Em Berlim, estas torres encontravam-se em,Humboldthain, Friedrichshain e a última, nos terrenos do jardim zoologico, na zona do Tiergarten (grande zona verde de Berlim), Estas três grandes torres, estavam nos vertices de um triangulo, no meio do qual ficava a zona do Reichtag e a Chancelaria do Reich. Era aliás a torre de comunicações do jardim zoológico, que servia de torre de comunicações do abrigo de Hitler, nos subterrâneos da chancelaria.

A maior de todas as torres, era a torre G, a "torre de batalha" do complexo do jardim zoologico. Cobria a superficie de um quarteirão, tinha uma altura superior a 40 metros, e paredes de betão reforçado, com uma espessura superior a 2.5 metros. As aberturas laterais podiam ser fechadas por coberturas de aço com 1 metro de espessura. No telhado, havia uma bataria com quatro peças duplas de 122mm (um total de oito canhões).

No interior, o ruido era insuportável, por causa do barulho dos disparos e do vaivem continuo dos elevadores das munições, desde o paiol, no andar terreo, até ao topo.

A torre G, tinha sido construida não só como uma torre de defesa anti-aérea mas também como um imenso depósito de 5 pisos, com a seguinte distribuição:

Cobertura - Peças anti-aéreas
5º andar - Guarnição de 100 a 300 homens da torre
4º andar - Hospital da Luftwaffe, com 100 camas, sala de raio X, e duas salas de operações completamente equipadas. O hospital dispunha de 5 médicos, 20 enfermeiras e 30 auxiliares. Nos últimos dias da batalha, o numero de pessoas aumentou enormemente.
3º andar - Casa forte, onde estavam alguns dos mais preciosos tesouros dos museus da Alemanha, como as esculturas de Pérgamo, mandadas construir por Euménio II rei dos Gregos, 180 anos antes de Cristo, ou o tesouro de ouro do rei Príamo, e outras reliquias obtidas aquando da descoberta da cidade de Tróia.
1º e 2º andares - Abrigo para os civis, com cozinhas, armazéns de géneros alimentares, e instalações de emergência para a radio alemã, "Deutschlandsender"
Piso térreo: Paiol de munições

A torre G, era bastante auto-suficiente. Tinha o seu próprio abastecimento de água, e energia eléctrica e acomodava 15.000 pessoas durante os ataques aéreos. O nível de aprovisionamentos era tal, que a guarnição da torre dizia que, acontecesso o que acontecesse ao resto de Berlim, a torre do jardim zoológico, era capaz de resistir durante um ano se necessário.




 


A Torre Flak no bunker do Zoologico (codinome "Gustav"), no parque Tiergarten. Em primeiro plano um destruído Tanque Josif Stalin.

Fonte: http://www.areamilitar.net/historia/1945_QuedaBerlim/1945_Flakturm_G.asp

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Heinz Knoke e o combate contra os Mosquitos


6 de novembro de 1942 

Ao meio-dia o centro divisionário telefona: dois Mosquitos acabam de cruzar a costa. Cinco minutos depois, o tenente Kramer, nosso controlador, está chamando. 

- Poderá decolar, com esse mau tempo? 

Sem mesmo refletir, respondo pela negativa. O teto é de trinta metros. Da janela do meu gabinete mal consigo ver a extremidade oposta do campo. 

Kramer não insiste e desliga. Ele bem sabe que tenho razão. Já faz algumas horas que uma chuva fina e glacial cobre toda a região. Os pilotos jogam baralho, escrevem cartas ou roncam em suas camas. 

A cada quinze minutos a posição dos Mosquitos é assinalada. Julgara que, com esse tempo, logo fariam meia volta. Mas esses inglêses são rijos. Uma hora depois, estão sobrevoando Berlim. 

A campainha do telefone toca novamente. Vou atender. 

- 5ª esquadrilha, subtenente Knoke. 

Reconheço imediatamente a voz de meu interlocutor: é o coronel Henschel, comandante da caça alemã na região do gôlfo da Alemanha. 

- Bom dia, meu pequeno Knoke! Como vai o tempo por aí? 

- De não se pôr uma dedo para fora, meu coronel. Não se vê nada a quinhentos metros. 

- De qualquer forma, meu pobre amigo, você precisa decolar. Acabo de receber um telefonema de Göring. O marechal está furioso. Não compreende como pudemos deixar que aqueles dois Mosquitos passassem, e nos ordena que os abatamos a qualquer preço. 

- Entendido, meu coronel! 

- Quem pretende mandar? 

- O ajudante Wennecker e eu mesmo. 

- Pois então, vão à merda! 

- Obrigado, meu coronel! 

Eu e Wennecker somos dos raros pilotos da esquadrilha capazes de voar com qualquer tempo. Não é a primeira vez que decolamos juntos, debaixo de chuva e envolvidos pela cerração. 

Decolamos às 13h 30m para tentar interceptar os Tommies que, agora, estão em algum ponto na região de Bremen e se dirigem reto na direção noroeste. Provavelmente, ganharão o mar pelas ilhas orientais da Frísia. 

Tomamos o rumo da costa. A voz clara do indicador nos dá o setor B-Q como sendo a posição dos Mosquitos. 

- Rumo 315. Apressem-se - insiste ele. 

É o momento de abrir bem os olhos. Se a indicação estiver exata, não tardaremos a ver nossa presa. Não fosse essa maldita chuva, teríamos a certeza de lhes cortar a retirada. A visibilidade é cada vez menos. Começo a sentir-me nervoso. 

- Você deveriam vê-los agora - insiste ele - Olhem bem, à sua esquerda. 

Não tenho tempo de responder. Bem na minha frente, uma sombra irrompe da cerração. 

Um Mosquito! Seu piloto já me viu. Guina tão brutalmente que sua asa esquerda quase roça o chão. Depois, volta-se com a mesma rapidez para a direita. 

Mas não adianta, meu amigo! Não pense qeu os seus ziguezagues sejam suficientes para enganar-me. A cada uma de suas cabriolas, disparo-lhe uma rajada, visando ligeiramente à frente de seu nariz. 

Voamos extremamente baixo. Felizmente, a região é plana como a palma da mão. Mais um minuto, e desembocamos sobre o mar. O Mosquito arrasta um leve penacho de fumaça. em supercompressão, voa a uma velocidade terrificante. Meu 'Gustavo' (Messerschmitt Me-109G) consegue seguí-lo, mas o de Wennwcker visivelmente perde terreno. Como valeu a pena atormentar os mecânicos, para que cuidassem do meu 'zinco' com dedicação toda particular! Cuidados que se traduzem em 15 a 20 quilômetros/hora suplementares. 

Quero diminuir a distância antes de liquidá-lo. Para isso só há um recurso: fechar as paletas do radiador. Lentamente vou me aproximando dele. Por fim, chego a uma centena de metros, mais ou menos. Com uma ligeira correção, a fuselagem do inglês vem colocar-se no meu colimador. Meus dedos comprimem o gatilho. 

Minha primeira rajada bate como um chicote em seu motor esquerdo. E é o fim. O Mosquito é um avião frágil, um avião de madeira. Tôda a sua asa se incendeia numa fração de segundos, e logo se destaca. Um choque, e o Mosquito desaparece nas vagas escuras do mar do Norte. Quando ganho altitude, vejo a mancha de óleo brilhar no fundo das ondas. 

Gotas de suor salgado me correm pelo rosto.


Fonte: trecho extraído de "A Grande Caça" (Die Grosse Jagd) - Heinz Knoke - Ed. Flamboyant.