domingo, 15 de julho de 2012

Nazista mais procurado do mundo é encontrado em Budapeste (Laszlo Csatary)


Aos 97 anos, Laszlo Csatary era o nazista mais procurado do mundo (Reprodução / The Sun)


Aos 97 anos, Laszlo Csatary é acusado de cumplicidade na morte de 15.700 judeus

BUDAPESTE — O criminoso nazista mais procurado do mundo, Laszlo Csatary, de 97 anos - acusado de cumplicidade na morte de 15.700 judeus durante a Segunda Guerra Mundial - foi encontrado em Budapeste, na Hungria. O anúncio foi feito neste domingo pelo diretor do escritório do Centro Wiesenthal em Israel.

- Confirmo que Laszlo Csatary foi identificado em Budapeste - declarou Efraim Zuroff. - O jornal “The Sun” pôde fotografá-lo e filmá-lo graças às informações que fornecemos em setembro de 2011 - acrescentou.

Em 1944, Csatary foi comandante da Polícia Real na cidade de Kassa, na Hungria. A cargo de um gueto judeu, ele ajudou a organizar a deportação de cerca de 15.700 pessoas para Auschwitz. Segundo documentos descobertos pelo Centro Simon Wiesenthal, no campo de concentração, ele batia em mulheres com um chicote que carregava em seu cinto e as obrigava a cavar valas no chão congelado com as próprias mãos.

Após a vitória dos Aliados, Csatary fugiu para Kassa - agora rebatizada de Kosice, na Eslováquia. O comandante foi condenado à morte à revelia em 1948, por um tribunal tcheco, mas desapareceu misteriosamente após se esconder nas cidades canadenses de Montreal e Toronto. Com uma identidade falsa, dedicou-se a comercializar objetos de arte.

Jornal acha idoso em apartamento na Hungria

De acordo com uma reportagem exclusiva do tabloide “The Sun”, publicada neste domingo, Csatary vive em um apartamento de dois quartos em um bairro de Budapeste e fala Inglês com um sotaque canadense, depois de décadas vivendo em Montreal e Toronto. Ele abriu a porta apenas de meias e cuecas.

Quando perguntado se poderia justificar o passado, o idoso pareceu chocado e balbuciou “Não, não. Vá embora”. Questionado sobre o caso de deportação do Canadá, ele respondeu com raiva em inglês que não queria discutir o assunto.

Após expulsar a equipe de reportagem, Csatary deixou seu apartamento vestido elegantemente com calças cáqui, camisa e jaqueta cinza e branca, e tomou um bonde para um shopping próximo. Ele entrou em lojas e comprou um jornal de direita em um quiosque. Depois, passou quase duas horas conversando com uma amiga ruiva.

Ele se mudou para seu apartamento há algumas semanas, a pouco mais de um quilômetro da casa anterior, onde os vizinhos o chamavam de “Papa Csatary”. No novo lar, sua campainha é identificada como “Smith“. Mas por trás de uma porta de segurança, sua caixa de correio tem seu nome completo escrito à mão: “Smith L Csatary“.

Após ler a reportagem, Efraim Zuroff, diretor do Centro Wiesenthal, disse que o tempo nunca deve diminuir os crimes cometidos durante o Holocausto - ou desculpar os responsáveis ​​de encarar a punição. De acordo com Peter Feldmajer, presidente da Comunidade judia húngara “milhares de famílias judias sentiram tristeza e mágoa por causa deste homem”.

- Seria uma desgraça para toda a nação húngara se Csatary tentasse escapar da justiça.

Topo da lista dos mais procurados

Em abril, o Centro Wiesenthal colocou o nazista no topo da lista dos criminosos de guerra mais procurados do mundo. Há cerca de 15 anos, autoridades canadenses descobriram a verdadeira identidade de Csatary, e, por isso, ele voltou a desaparecer, desta vez escondendo-se na Hungria, segundo Zuroff, diretor do centro.

As informações sobre o paradeiro de Csatary foram enviadas em setembro de 2011 à promotoria da capital húngara. O vice-procurador de Budapeste, Jenö Varga, não confirmou a informação, limitando-se a declarar que “existe uma investigação em andamento”.

- Há 10 meses, um informante nos deu elementos que nos permitiram localizar Laszlo Csatary em Budapeste. Este informante recebeu US$ 25 mil em troca de informações que permitissem encontrar criminosos nazistas - disse Zuroff.

Fonte original:

Fonte:  

No G1: 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Sionistas Revisionistas


Partido político, também conhecido em hebraico como Berit ha-Zohar; Formalmente chamado de União dos Sionistas Revisionistas. A conferência inaugural do partido revisionista sionista teve lugar em Paris em abril de 1925, liderado por Vladimir Jabotinsky. Embora a maioria dos representantes eram sionistas locais de extração russa, que haviam se envolvido em luta Jabotinsky de criar uma Legião Judaica durante a I Guerra Mundial, uma minoria veio de outros países.

Resoluções da conferência enfatizou a necessidade de rever as políticas do sionismo oficial, a fim de realizar o objetivo final do movimento: um estado com uma maioria judaica na antiga Terra de Israel , em ambos os lados do rio Jordão. Isto viria acontecer, nas resoluções mantidas, através de colonização judaica em massa, a promoção da iniciativa privada, e a criação de um exército judeu na Palestina.

A idéia de criar um novo partido político tinha tomado forma durante a visita de Jabotinsky para os Estados do Báltico em 1923, especialmente após seu encontro com judeus em Riga, capital da Letónia. Nesse mesmo ano, uma Organização da Juventude Sionista nomeada pelo militante nacionalista judeu Yosef Trumpeldor foi criada em Riga, e em 1926 ele mudou seu nome para Berit Yosef Trumpeldor (Joseph Trumpeldor Alliance), mais conhecido por seu acrônimo hebraico, Betar. Embora oficialmente alinhado com Berit ha-Zohar, o partido manteve a sua independência. Dois de seus representantes da Letónia e dois da Lituânia participaram primeira conferência do Partido Revisionista em Paris.

Outros grupos de jovens judeus na Polônia também haviam sido atraídos para o esforço de Jabotinsky de estabelecer uma Legião Judaica durante a I Guerra Mundial, e em 1922 eles montaram Ha-Shahar (O Amanhecer), uma organização ativista sionista. Em dezembro de 1926, Ha-Shahar foi responsável pela realização da primeira Conferência Central de Revisionistas poloneses, que adotaram a plataforma da conferência inaugural de Paris.



Um encontro de sionistas revisionistas, Kaunas, 1930


A filial polonesa dos Revisionistas ficou mais forte a cada ano, especialmente após a primeira visita de Jabotinsky, em 1927. Além disso, o partido tinha muitos membros pequenos burgueses, juntamente com membros da inteligencia. Polônia logo se tornou fonte primária de força do Partido Revisionista, e foi neste país que forneceu a maior parte da imigração revisionista para a Palestina. Na terceira conferência da totalidade-polaca, realizada em Varsóvia em 1928, o país anfitrião respondia por 77 delegados representando 44 ramos principais. Um ano depois, o partido aumentou o número de seus principais ramos na Polônia para 340. A primeira conferência nacional de Revisionistas na Roménia também se reuniu em Czernowitz em abril de 1928.

Além do Betar, outros movimentos, como ha-Berit Ḥayil (A Aliança do Exército, formada por ex-militares); Nashim Berit Le'umiyot (Aliança Mulheres Nacionalistas), e várias organizações de estudantes judeus também se juntou ao ramo polaco do partido. Líderes poloneses incluídos Ya'akov Cohen, Yosef Shofmann, e Yohanan Bader. O partido focado em questões sionistas que envolvem a Terra de Israel, e não desempenhou um papel importante no parlamentar local e no conselho judaico(ou kehilah) nas campanhas eleitorais.


O final dos anos 1920 e início dos anos 1930 foram anos de crescimento e consolidação do movimento revisionista. Em diversas conferências realizadas durante esse período, dúvidas foram levantadas quanto à possibilidade de continuar operando sob o patrocinio da Organização Sionista Mundial. As tensões entre o movimento revisionista e Partidos dos trabalhadores sionistas atingiu um novo patamar após o assassinato de Hayim Arlozorov, líder Mapai, em 1933. Em um esforço para reduzir a tensão entre Mapai e campos de Revisionistas, foi realizada uma reunião entre Ben-Gurion e Jabotinsky, e foi acordado que os Revisionistas teriam um papel a desempenhar no executivo da Organização Sionista.

Em junho de 1935, os Revisionistas realizaram um referendo para decidir se retirar da Organização Sionista Mundial. A esmagadora maioria favoreceu tal política, e um congresso foi convocado em Viena em 1935, para estabelecer a Nova Organização Sionista (Nzo), com sede em Londres. Já em 1933, um novo partido, o Partido Estado judaico, havia sido criado por um pequeno grupo de revisionistas, liderado por Me'ir Grossman e Robert Stricker, que se opunham à retirada.

Em 1934, principalmente a fim de demonstrar força na comunidade judaica do Leste Europeu, os Revisionistas tinha começado uma campanha de petição tremendamente bem sucedida. Cerca de 600.000 pessoas de 24 países assinaram este documento, que exigiu que as autoridades britânicas permitissem imediatamente que os judeus a emigrassem livremente para a Palestina. Durante sua visita à Polônia em setembro de 1936, Jabotinsky, em nome de seu partido, publicou o Plano Decenal(dez anos), conhecido como o "plano de evacuação", no Diário Polonês Czas. No seu coração foi a proposto que, dentro de uma década, 1,5 milhões de judeus Leste e Europa Central , incluindo 750.000 da Polônia por si só, seria imigrar para a Palestina.

Os membros da filial local do Betar, a Organização juvenil
 sionista revisionista, Sokoly, Polônia, 1935.


Jabotinsky apresentou seu plano para os líderes do governo polonês, que saudaram calorosamente isso: as autoridades estavam interessados ​​em reduzir drasticamente a população judaica, que na época era de 3 milhões, quase 10 por cento da população da Polônia. A imprensa judaica da Polónia, no entanto, incluindo as revistas com uma tendência sionista, criticou o Plano Decenal, que ganhou o apoio das autoridades anti-semitas, tão ilusório, como parte de uma uma aceitação indireta do status inferior de milhões de judeus poloneses que foram considerados pelas autoridades como redundantes e prejudiciais ao Estado.

Durante esses anos as autoridades polacas, por suas próprias razões, forneceram o apoio secreto tanto a Haganah como a Etsel(um acrônimo para Irgun ha-ha-Tseva'i Le'umi, a Organização Militar Nacional, fundada em 1937 por revisionistas que tinham deixado Haganah). Este auxílio assume a forma de treinamento militar, fornecendo uma quantidade limitada de armas, e organizando a imigração ilegal. Como parte dessa assistência, as autoridades polacas durante a primavera de 1939 montaram um acampamento militar secreto nas montanhas dos Cárpatos, fornecendo treinamento militar para 25 comandantes Etsel que viajaram da Palestina.

Durante a revolta do gueto de Varsóvia em abril de 1943, lutando ao lado da muito maior Ha-ha-Irgun Yehudi ha-Loḥem(Organização combatente judaica) era uma pequena milícia independente conhecida como Igud Tseva'i Yehudi (União Militar Judaica ). Este grupo foi criado logo em outubro de 1942 e era composta principalmente de membros do movimento revisionista e Betar.Os Revisionistas também participaram das atividades do Partisans Irgun ha-Me'uḥad (Organização Partisan Unida) que foram realizadas em Białystok e no guetos de Vilna.


Tradução: Daniel Moratori(avidanofront.blogspot.om)

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Alemanha indenizará 80 mil sobreviventes soviéticos do Holocausto



A Alemanha pagará uma indenização de aproximadamente € 2,5 mil a cada um dos cerca de 80 mil sobreviventes do Holocausto que vivem nas ex-repúblicas da União Soviética. O genocídio de, aproximadamente, seis milhões de judeus europeus durante a Segunda Guerra Mundial foi patrocinado pela Alemanha nazista, liderada por Adolf Hitler.

Dos nove milhões de judeus que viviam na Europa antes do Holocausto, aproximadamente dois terços morreram, mais de um milhão de crianças, dois milhões de mulheres e três milhões de homens.

Fonte:
http://www.diariodarussia.com.br/internacional/noticias/2012/07/11/alemanha-indenizara-80-mil-sobreviventes-sovieticos-do-holocausto/

domingo, 8 de julho de 2012

Carta revela que Hitler deu proteção um ex-colega judeu





Documento certifica o desejo de Hitler de proteger seu antigo companheiro de armas da política antijudia do regime nazista

Ernst Hess, meados de 1918.
France Presse

Berlim - Uma carta encontrada recentemente revela que Adolf Hitler deu temporariamente sua proteção a um oficial judeu do exército, que lutou com ele na Primeira Guerra Mundial, informou neste sábado a historiadora Susanne Mauss, autora da descoberta.

O documento, datado de 1940 e que leva o selo do chefe das SS, Heinrich Himmler, certifica o desejo de Hitler de proteger seu antigo companheiro de armas da política antijudia do regime nazista.

O "Jewish Voice from Germany" publica uma cópia do documento encontrado por Mauss, membro do comitê de redação desta publicação.

O documento indica que Ernst Hess, então juiz do tribunal de Dusseldorf, "esteve durante a guerra de 1914-1918 na mesma companhia que o Führer e foi provisoriamente o chefe dessa companhia".

Apesar de reconhecer explicitamente Hess como "judeu com quatro avós judeus", a carta enfatiza o desejo de Hitler de que se considere "com benevolência" a demanda de Hess de gozar de tratamento especial.

A carta termina com um convite às autoridades competentes a "deixar em paz" o interessado.

No entanto, segundo a historiadora, a proteção do Führer foi apenas temporária entre 19 de agosto de 1941, a data do documento, e a primavera de 1941, quando Hess foi deportado para o campo de Milbertshofen, perto de Munique.

"O documento se refere ao 'desejo' ('Wunsch' em alemão) do Führer e isso é algo realmente surpreendente", afirmou Susanne Mauss à AFP.

Segundo ela, citar Hitler neste tipo de documento era um fato excepcional.


Mauss encontrou a carta quando estava preparando uma exposição chamada "Advogados sem direitos" sobre a história dos advogados judeus no distrito de Dusseldorf.

Ernst Hess, cuja filha, Ursula, tem agora 86 anos, sobreviveu à guerra e morreu em 14 de setembro de 1983, em Frankfurt. Sua irmã Berta morreu depois de ser deportada.


Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/mundo/2012/07/07/interna_mundo,311054/carta-revela-que-adolf-hitler-deu-protecao-a-um-ex-colega-judeu.shtml


No Yahoo:
http://br.noticias.yahoo.com/hitler-protegeu-judeu-veterano-primeira-guerra-mundial-200348988.html


Adendo:

Antes de ler a matéria, vamos desmistificar a propaganda antissemita que já está rolando nos meios, como se Hitler adorasse judeus,  pois como sempre, esse pessoal "revi" não tem ao minimo a capacidade de interpretação ou mesmo leitura e usa das manchetes sensacionalistas de tabloides para espalhar suas enlouquecias ideias.

Conforme matéria do Jewish Voice, temos uma parte da noticia contando sobre o assassinado de Berta Hess, e tem a vida de Ernest Hess e os trabalhos forçados:


"...
Ernst Hess foi deportado para Milbertshofen, um campo de concentração para judeus perto de Munique, onde ele foi forçado a labuta sob a vigilância de oficiais da SS. Mais tarde, ele foi designado para o barraca de construção da firma L. Ehrengut como um trabalhador comum, e alojado pela Gestapo em uma "Casa judia" de propriedade do joalheiro Karl Silberthau em Nibelungenstrasse 12. 

A única coisa que ainda proteger Ernst Hess da deportação era o seu "casamento miscigenado privilegiado" de Margarete Hess. Após Ehrengut ser destruído pelas bombas aliadas em 1943, Hess foi designado ao encanador Georg Grau, servindo como um trabalhador forçado até 20 de abril de 1945. 
..."

Pelo visto, a vida dele não foi boa, mesmo com a "ajudinha" de Hitler.

Mais sobre a liberação de pessoas de sangue judeu (muitos durante um certo tempo somente), ver o livro 'Os soldados judeus de Hitler", de Brian Mark Rigg.
Sobre o livro, cuidado com a utilização de certas pessoas com más intensões que citam o titulo de livro como se o exercito alemão fosse cheio de judeus de forma normal, mas não era bem assim. O livro mostra realmente a perseguição que esses "judeus" sofriam, e continuavam sofrendo a cada dia mais até o fim da guerra.


Tradução: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com.br)
Fonte:
Ver a matéria completa aqui, onde contem todas as informações:
http://jewish-voice-from-germany.de/cms/hitlers-jewish-commander-and-victim/





segunda-feira, 2 de julho de 2012

Memorial da Shoah suaviza texto que criticava Pio XII


IAs novas versões, em inglês e hebraico, do texto sobre o Papa Pio XII
 
presente no Memorial do Holocausto em Israel (Foto: Menahem Kahana/AFP) 
 


AFP
O memorial da Shoah Yad Vashem de Jerusalém suavizou neste domingo um texto que acusava o Papa Pio XII de não ter feito nada pelos judeus durante o Holocausto, ao adicionar que nem todos concordam com sua atitude durante a Segunda Guerra Mundial.

"Recentemente, ante as recomendações do instituto internacional Yad Vashem para a investigação sobre o Holocausto, o grupo de especialistas dedicado às atividades do Vaticano e do Papa Pio XII levou em consideração as pesquisas dos últimos anos, que apresentam um panorama mais complexo do que anteriormente", afirma a instituição em um comunicado.


"Ao contrário do que se disse, não é o resultado da pressão do Vaticano", afirma o documento, em referência a um artigo do jornal Haaretz segundo o qual o Yad Vashem cedeu à Santa Sé. Neste domingo, o texto explicativo que acompanhava desde 2005 uma fotografia do Papa Pio XII foi modificado, confirmou o porta-voz do Yad Vashem, Estee Yaari.

O texto antigo destacava as críticas a Pio XII, que era acusado de não ter agido contra as atrocidades infligidas aos judeus pelos nazistas. Ele era questionado sobretudo por não ter assinado, em dezembro de 1942, uma declaração dos Aliados condenando o extermínio dos judeus e de não ter atuado durante a operação de deportação dos judeus de Roma para Auschwitz.


O novo texto mantém as críticas a Pio XII, mas acrescenta os argumentos de seus defensores, que afirmam que a "neutralidade" do Papa possibilitou "um número importante de resgates clandestinos em diferentes níveis da Igreja". O conteúdo do texto foi motivo de conflitos entre o Yad Vashem e o Vaticano.

Fonte:
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/07/memorial-da-shoah-suaviza-texto-que-criticava-pio-xii.html

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Israel coroou «Miss Sobrevivente do Holocausto»

Hava Hershkovitz, de 79 anos, foi coroada quinta-feira «Miss Sobrevivente do Holocausto» naquilo que muitos consideram um macabro concurso de beleza realizado na cidade israelita de Haifa.


Trezentas mulheres com idades compreendidas entre os 74 e os 97 anos competiram, tendo sido seleccionadas 14 finalistas.

A vencedora passou três anos num campo de prisioneiros na antiga União Soviética após ter sido forçada a abandonar a Roménia, onde havia nascido, em 1941.

Os organizadores defendem-se das críticas argumentando que o evento foi pensado como uma celebração da vida e que as concorrentes foram selecionadas mais pelas suas histórias pessoais de sofrimento e sobrevivência nos guetos e campos de concentração do que pelo seu aspecto físico.

No entanto, Colette Avital , directora da organização israelita de sobreviventes do Holocausto e ela própria uma sobrevivente dos horrores nazis, classificou o concurso de «macabro» e afirmou que vestir as sobreviventes com roupas «glamourosas» por uma noite não irá dar «maior sentido» às suas vidas.

Cerca de 198 mil sobreviventes do Holocausto vivem em Israel.  

 Fonte:http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=580060
 Idosas disputam "miss sobrevivente do holocausto" em Israel
Para críticos, evento transformou um genocídio em entretenimento

Senhoras israelenses com idade entre 73 e 89 anos participaram nesta quinta-feira (28/06) de um concurso de beleza inusitado chamado "Miss Sobrevivente do Holocausto".

A proposta do concurso gerou polêmica uma vez que, para o mais conservadores, ele teria banalizado um tema trágico para o qual não cabem celebrações.



O jornal Yedioth Aharonoth chegou a publicar a carta de um leitor enfurecido, também sobrevivente do genocídio, que alegou que o evento é uma “tentativa de explorar o mais cruel derramamento de sangue na História visando ao entretenimento”.

Uma das finalistas foi Esty Lieber, de 74 anos, que nasceu na Polônia em 1937 e perdeu seu pai quando tinha apenas cinco anos. A candidata subiu ao palco e contou sua história para o público e para as demais concorrentes. A vencedora, contudo, foi Hava Hershkowitz, de 78 anos, nascida na Romênia.

O promotor do concurso de beleza, Shimon Sabag, rejeitou todas as críticas e argumentou que o evento é muito importante para manter viva a ”lembrança da história” e, ao mesmo tempo, “fazer com que os sobreviventes pensem no presente”. 
Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/22746/senhoras+disputam+miss+sobrevivente+do+holocausto+em+israel.shtml



 ESSA FOI A MAIOR MERDA QUE LI EM ANOS. ME ASSUSTOU E ME DEIXOU PERPLEXO MAIS DO QUE AS BABOSEIRAS QUE REVISIONISTAS E NEGACIONISTAS  QUE MUITOS IDIOTAS TENTAM DISTRIBUIR POR AI, POIS AO MENOS, DESSES "TIPOS" VOCÊ JÁ ESPERA ALGUMA PORCARIA. 
NÃO ACREDITO QUE CONSEGUIRAM PROMOVER ESSA MERDA. DA VONTADE DE DAR UMA BICUDA(CHUTE) EM TODOS MEUS LIVROS, FECHAR ESSE BLOG E NUNCA MAIS LER  NADA SOBRE O HOLOCAUSTO, PORQUE DESSA FORMA ESTÁ VIRANDO PIADA. ISSO É UM INSULTO  A TODA PESSOA QUE  MORREU SOBRE AS MÃOS DOS NAZISTAS, QUE SOFREU NOS CAMPOS E GUETOS. PROMOVER UMA "MISS SOBREVIVENTE DO HOLOCAUSTO" FOI ALGO QUE EU NUNCA IMAGINEI, NUNCA PASSOU NA MINHA CABEÇA SURGIR ALGO ASSIM DOS ISRAELENSES (SEM GENERALIZAR A PALAVRA ISRAELENSE). 

AONDE ESTÁ A GRAÇA DESSE EVENTO? A GRAÇA EU NÃO SEI, MAS CONSEGUI VER A DESGRAÇA QUE ISSO VAI TRAZER. JÁ NÃO TEMOS UMA QUANTIDADE DE IDIOTA FALANDO DA MIDIA JUDAICA E A PROMOÇÃO DO HOLOCAUSTO, AGORA VAMOS TER AGUENTAR  ANTISSEMITAS/REVISIONISTAS/NEGACIONISTAS/NEO-NAZISTAS E TODA A ESCORIA RECITANDO ESSE CONCURSO. A ANTIGA PIADA DESSE CORJA, CITANDO SEMPRE AS PALAVRAS  DE "HOLOCONTO" AGORA VAI VIRAR "HOLOCONCURSO", "MISS AUSCHWITZ", "MISS DACHAU", E QUANDO SURGIR A "MISS RAVENSBRÜCK" A GALERA VAI PIRAR.

AS PALAVRAS DE COLETTE AVITAL FORAM ÓTIMAS QUANDO CHAMOU O CONCURSO DE MACABRO. MACABRO É APELIDO, ESTÁ IGUAL HUMOR NEGRO ISSO.
SIMPLESMENTE ESTOU SEM PALAVRAS PARA DEMONSTRAR O QUE ME PASSA PELA CABEÇA AGORA. 


A FRASE DO LEITOR (E SOBREVIVENTE) FOI EXCEPCIONAL:"...tentativa de explorar o mais cruel derramamento de sangue na História visando ao entretenimento."



ESSA NOTICIA ME ATINGIU MAIS DO QUE O ACIDENTE DE MOTO QUE SOFRI ESSES DIAS.
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Só atualizando o tópico, existem outros concursos semelhantes como Miss landmine no Camboja e Angola, que por sinal tambem não sou favorável. Isso é uma opinião minha, que nada tem haver com acontecimento ocorrido no passado, mas à preservação da memoria de vitimas e respeito ao acontecimento.

Acho que deveria haver respeito aos que morreram. 

Fazendo uma analogia simples ao respeito, só considerar da mesma forma que quando dançam o Hino nacional em ritmo de funk para alguns é normal, para outros não é nada respeitoso. Uma moeda, dois lados.


sábado, 26 de maio de 2012

Morre Klaas Faber, um dos criminosos nazistas mais procurados

Klaas Faber
BERLIM, 26 Mai 2012 (AFP) -O criminoso de guerra nazista de origem holandesa Klaas Faber, segundo da lista de criminosos mais procurados pelo Centro Simon Wiesenthal, morreu aos 90 anos em Ingolstadt, no sul da Alemanha, informaram neste sábado fontes médicas.

A morte de Klaas Faber ocorreu na quinta-feira, segundo estas fontes.

Klaas Faber era procurado pela justiça holandesa há anos. Ex-membro do comando da SS Silbertanne, foi condenado à morte em seu país em 1947 por matar 22 judeus.

Sua pena foi comutada para prisão perpétua, mas conseguiu fugir da prisão em 1952, refugiando-se na Alemanha.

Em 1957, um segundo julgamento despronunciou o caso e Faber vivia desde então tranquilamente na pequena cidade bávara de Ingolstadt.

Em 2004, a Holanda tentou fazer com que Faber cumprisse na Alemanha a condenação imposta pela justiça holandesa, mas este pedido foi rejeitado por um tribunal alemão com base na decisão de 1957.

Em novembro de 2010, Haia emitiu uma ordem de prisão europeia contra Faber, mas a justiça alemã voltou a rejeitar a extradição, já que a Alemanha não extradita seus cidadãos, e o nonagenário adquiriu a nacionalidade alemã ao entrar na SS, em virtude da promulgação de uma lei nazista.

No entanto, a legislação prevê que um país europeu que rejeita uma extradição seja obrigado a cumprir a condenação pela qual foi solicitada sua extradição.
Klaas Carel Faber

Decreto da Eutanásia - Aktion T4



Fac simile do documento

[Águia Imperial] Adolf Hitler


Berlim, 1 de setembro de 1939

Reichsleiter Bouhler e
Sr. Doutor Brandt 

Ficam encarregados da responsabilidade de ampliar a autorização dos médicos que serão nomeados, de tal modo que uma morte misericordiosa pode ser concedida, depois de uma avaliação crítica da condição da sua doença, às pessoas com uma doença incurável segundo julgamento humano.

Adolf Hitler


Recebido de Bouhler
em 27/8/40
Dr. Gärtner 



Tradução: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Ordem de von Rundstedt - As ações da Wehrmacht e dos Einsatzgruppen: A luta contra elementos hostis ao Reich

URSS, 1941, uma execução pelo Einsatzgruppen, durante a Operação Barbarosa
As ações da Wehrmacht e dos Einsatzgruppen

Setembro de 1941


Alto comando
Corpo do Exercito Sul
Ic/AO (Abw, III)

Quartel General, 24 de setembro de 1941

Assunto: A luta contra elementos hostis ao Reich

na medida em que não está dirigida contra uma força militar inimiga, a investigação e luta contra as tendencias e os elementos hostis ao Reich (comunistas, judeus, etc.) dentro das zonas ocupadas, constituem a tarefa exclusiva dos Sonderkommandos (Unidades especiais), da Policia de Segurança e do SD, os quais, sob sua própria responsabilidade, tomaram as medidas necessárias e as levaram a cabo.

São proibidas as ações individuais de membros  da Werhmacht, ou a participação destes nos excessos cometidos pela população ucraniana contra judeus; também é proibido observar ou tirar fotografias enquanto   atuam os Sonderkommandos.

Esta proibição será levada a conhecimento dos membros de todas unidades. Os [Comandantes] encarregados da disciplina nos distintos intervalos, são responsabilizados da execução desta proibição. Em caso de infração, deverá se investigar cada circunstância para determinar se existiram falhas por parte do Comandante em sua obrigação de controle, e quando  for necessário, será castigado com severidade.

Assinado: von Rundstedt

Distribuição:
A.O.K. (Comando de inteligencia), Pz. Gr. (Divisão de blindados)
Bef rückw H (Comando da retaguarda)
Befehlsstelle Süd (Comando Sul)
Abt. des Stabes u. Wach-Kp. (Departamento do Estado Maior e das Companhias de Guarda)
Nachr.: Luftflotte (Força aerea) 

NOKW - 541

Tradução: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)

Fonte: El  Holocausto en documentos -  Selección de documentos sobre la destrucción de los judiós de Alemania y Austria, Polonia y la Unión Sociéticas;  p.426-427

Ver também: Ordem sobre a conduta de tropas em territórios orientais

terça-feira, 15 de maio de 2012

Ladrões roubam covas na Rússia para lucrar com peças da Segunda Guerra Mundial



"Você vai encontrar três rifles. Basta juntar as peças e montar um novo, que até funciona", conta um homem que pede para ser identificado como Alex, enquanto nós passamos pelo matagal. Nós estamos a caminho de uma área que foi palco de algumas semanas de ferozes combates durante a Segunda Guerra Mundial. 

Alex pediu para ser descrito como um "escavador". Ele nasceu e cresceu em Leningrado (atual São Petersburgo), na Rússia. Desde que ele tinha 15 anos, começou a buscar por "ferro" nos bosques. "Todos os moradores daqui fazem algum tipo de escavação. Alguns por interesse pessoal, outros para encontrar coisas para vender", afirma.

Um pequeno detalhe: todas as coisas encontradas estão enterradas em meio a ossos. Para encontrar pertences e conseguir dinheiro vendendo-os em mercados de produtos de segunda mão, é preciso procurar em meio aos restos de um soldado morto.

Os mais intensos combates da Segunda Guerra Mundial ocorreram no território que atualmente pertence a Rússia, Ucrânia, Belarus e países do Leste Europeu.


Trincheiras intactas

Os campos e florestas que serviram como campos de batalha foram muitas vezes deixados para trás intactos, sem que fossem retirados destroços, bombas não-detonadas e corpos, já que não houve tempo para que isso ocorresse.

Aqueles que realizaram escavações nestes locais são normalmente classificados como "brancos" ou "negros". "A primeira categoria se refere a pessoas registradas oficialmente junto a organizações não-governamentais como realizadores de buscas. Elas recebem um visto de trabalho das autoridades regionais onde as escavações estão sendo realizadas.

O propósito principal dos "brancos" é encontrar e enterrar os restos mortais de soldados do Exército Vermelho e confirmar sua identidade. Eles compram seus próprios equipamentos e não recebem remuneração.

Existem diversos grupos de voluntários na Lituânia, Letônia e Polônia. Alguns desses grupos montaram um batalhão formado por soldados, que vistoriam as escavações.

Um batalhão especial de buscas também foi montado na Rússia, mas o número de soldados que ganharam enterros oficiais após as operações de buscas ocorreram, na maioria dos casos, graças aos esforços de grupos de voluntários. Existem mais de 600 deles, ao todo.

Os escavadores classificados como "negros" atuam ilegalmente. Eles encontram corpos de soldados nortos nos campos e às vezes agem até em cemitérios militares, para ganhar dinheiro ou para aumentar suas coleções de memorabília.`

"Esta era uma única trincheira e veja, eles tiraram tudo que podiam daqui. E jogaram fora os restos de soldados. São saqueadores Como é que alguém pode lidar dessa maneira com os restos mortais de pessoas que deram suas vidas por nós?", afirma o voluntário Anatoly Skoryukov, ao me dar um exemplo do que os coveiros "negros" são capazes de fazer.



Venda em mercados

Skoryukov gentilmente começa a juntar os pedaços de um crânio que havia sido rompido com uma pá e outros ossos espalhados em um raio de diversos quilômetros. Alex, um "coveiro negro" que aceitou me levar à floresta com ele, admite abertamente que busca o lucro ao escavar os restos de soldados.

"Se todas essas coisas ainda estão nas florestas, significa que somos os únicos interessados. Se os governos acham isso importante, eles poderiam ter desenterrado tudo isso há muito tempo", afirmou.

Os frutos do trabalho dos "coveiros negros" pode ser visto todos os finais de semana nos principais mercados de segunda mão da maior parte das cidades da Rússia, Ucrânia e alguns países do Leste Europeu. É possível comprar também artigos militares na Internet. Eles são oferecidos por centenas de sites e redes sociais.

E não faltam compradores, colecionadores particulares e seguidores de movimentos neo-nazistas. Poucos deles estão interessados no verdadeiro valor histórico das peças. O mais imporante para eles é encontrar uma suástica.

Um capacete de um soldado do Exército Vermelho pode ser comprado em um mercadinho de São Petersburgo por até US$ 25 (cerca de R$ 50). O mesmo artefato de um soldado nazista custa dez vezes mais. Medalhas militares alemãs, como a Cruz de Ferro, chegam a custar US$ 600 (cerca de R$ 1.184).

Nos anos 90, surgiu um mercado para armamentos "revividos". "Explosivos, rifles e pistolas foram vendidos aos montes. Ainda há muitos deles nos campos, mas eles agora têm sido compradores somente por colecionadores. Para atirar, é mais fácil comprar um rifle Kalashnikov novo ou alguma outra coisa em oferta. É mais barato e confiável.

Mas "coveiros negros" ainda são capazes de fazer dinheiro com munições da Segunda Guerra Mundial. Eles retiram os explosivos de minas e de cápsulas e as vendem para caçadores e pescadores. Estes "explosivos amadores" chegam a ferir e matar pessoas todos os anos. O mínimo erro, durante a excavação pode causar uma explosão.

Esse tipo de venda sem regulamentação de armas e munições é ilegal na Rússia e ao desecrar covas, os "coveiros negros" podem pegar uma pena de prisão de até oito anos. Mas na prática, até mesmo multas são uma raridade.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Mensagem do comandante do AK a uma solicitação judia pedindo armas

Soldados das Waffen SS com um judeu que foi capturado durante a revolta.
Yad Vashem Foto Arquivo 2807/111
Depois de tudo, judeus procedentes de toda classe de grupos incluindo comunistas, se diregem a nós para pedir armas, como se nossos depositos estivessem completos. A modo de experimento, dei-lhes algumas pistolas. Não estou  de todo seguro que utilizaram essas armas. Já não lhes entrego mais armas, porque como já sabeis, nós mesmos não as temo; estamos esperando uma nova expedição. Informamos  aos nossos contatos judeus que temos em Londres.

Kalina

Arquivos do Yad Vashem, 025/93
 
Obs: O General Rowecki, Comandante do Ak, envio sua mensagem ao Governo Polaco de Londres, em 04 de janeiro de 1943. AK -  Armia Krajowa -  Exercito da Patria: O braço militar do movimento clandestino polaco  sob as ordens do governo em exilio em Londres.

Tradução: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)

Fonte: El  Holocausto en documentos -  Selección de documentos sobre la destrucción de los judiós de Alemania y Austria, Polonia y la Unión Sociéticas;  p.336


Pesquisador encontra relatório de deportação nazista em arquivo

Um pesquisador alemão anunciou nesta quarta-feira que encontrou em um arquivo londrino um estremecedor relatório policial sobre a deportação de judeus na Alemanha nazista que constitui um valioso documento histórico.

O relatório, que é assinado pelo capitão da Polícia e membro das tropas de assalto das SS Wilhelm Meurin e data de novembro de 1941, descreve a deportação de Düsseldorf e Wuppertal (oeste da Alemanha) com destino a Minsk (Belarus, URSS) de um total de 992 judeus, dos quais apenas cinco conseguiram sobreviver ao Holocausto.

O funcionário nazista, responsável pela supervisão da deportação, documenta de forma burocrática ao longo de sete páginas todas as paradas do trem da morte, enquanto não há praticamente nenhuma frase sobre o estado no qual se encontravam os judeus deportados Bastian Fleermann, o diretor do memorial das vítimas do regime nacional-socialista em Düsseldorf, explicou que encontrou o documento por acaso ao consultar no catálogo virtual da Biblioteca Wiener de Londres as palavras-chave "Düsseldorf" e "Minsk".

"Não sabemos como (o documento) chegou a este arquivo londrino", declarou Fleermann em Düsseldorf ao apresentar pela primeira vez o relatório policial.

Ao mesmo tempo, ele ressaltou a importância deste documento, já que por enquanto é conhecido apenas um semelhante sobre a deportação de judeus - o "relatório Salitter", encontrado nos anos 60 -, pois os nazistas tentaram eliminar no final da Segunda Guerra Mundial todo o rastro de sua maquinaria assassina.

Este documento, assinado pelo funcionário da Polícia Paul Salitter, descreve com detalhes a deportação no início de 1941 desde a estação para trens de carga de Derendorf, em Düsseldorf, de um total de 1.007 judeus com destino a Riga (Letônia).

terça-feira, 8 de maio de 2012

Cruz Vermelha Internacional e os prisioneiros de guerra alemães em mãos dos Aliados

Prisioneiros alemães, Sinzig, Alemanha, 12  de maio de 1945
Na primeira parte da guerra, havia relativamente poucos prisioneiros de guerra alemães. Isso mudou após o desembarque na Normandia.

Durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, o exército alemão foi vitorioso e houve, conseqüentemente poucos prisioneiros de guerra alemães em mãos dos Aliados. 

Após o desembarque na Normandia dos Aliados, e seu avanço para o interior da Alemanha, o número de soldados alemães feitos prisioneiros cresceu consideravelmente.

A rendição da Alemanha, em 08 de maio de 1945 levou à captura de milhões de soldados alemães que já não podiam contar com o apoio de seu governo, nem de suas famílias, eles mesmos em situação de extrema pobreza. Do lado vitorioso, a opinião pública considerou que os alemães estavam apenas recebendo o que mereciam, e o ICRC ( International Committee of the Red Cross ou CICV - Comitê Internacional da Cruz Vermelha) encontrou-se praticamente sozinho no intervindo em seu nome.

O CICV fez abordagens para as autoridades dos quatro zonas de ocupação e, no outono de 1945, recebeu autorização para enviar tanto ajuda e como delegados para as zonas de franceses e britânicos. Em 4 de fevereiro de 1946, o CICV foi autorizado a enviar ajuda para a zona americana, e em 13 de Abril 1946, obteve permissão para extender essa atividade para a zona soviética.

As quantidades recebidas pelo CICV para esses cativos permaneceu muito pequeno, no entanto. Durante suas visitas, os delegados observaram que os prisioneiros de guerra alemães foram frequentemente detidos em condições desumanas. Eles chamaram a atenção das autoridades para esse fato e, gradualmente, conseguiu fazer com que algumas melhorias fossem feitas.


Tradução: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)

quinta-feira, 3 de maio de 2012

A invenção do povo judeu (A "equivoco" do livro de Shlomo Sand)

Shlomo Sand, autor do livro  "A invenção do povo judeu"


Está em discussão a muito tempo em algumas comunidades e fóruns o assunto sobre bem vendido e polemico livro de Shlomo Sand, " A Invenção do Povo Judeu", onde ele  retrata sobre o passado do povo judeu e sua relação do Estado de Israel. Como anda um pessoal enviando comentários absurdos aqui no blog  esses dias embasado nesse livro, vou dar uma rápida explicação e eventual indicação de leitura. Não vou entrar em detalhes sobre criticas sobre documentação infundas e afirmações feitas por ele, mas vou indicar a resposta da ciência sobre a analise de DNA.

Antes de tudo (porque não quero bajuladores), não estou defendendo o Estado de Israel e seu direito de posse da terra judaico devido a DNA's (que por sinal tenho uma posição extremamente diferente da relacionada aos acontecimentos no Holocausto e seu atual governo e atitudes -que muitos já sabem no qual apoio um estado em que inclua judeus, cristão, árabes sem nenhum tipo de exclusão que está acontecendo de forma hedionda desde sua criação, mas isso é outro papo que não cabe aqui), mas ouvir esse pessoal "revisionista", negacionistas e antissemitas sustentarem essas teses malucas em cima desse tipo de livro é sem sentido e usadas com mal intenção, e pretendo deixar claro para aqueles que antes de comprarem o livro despercebido, pelo "assunto polemico", tenham uma base antes de sair acreditando em qualquer coisa que pega para ler, tanta na internet como em paginas impressas.

Não vou traduzir os textos, deixo isso a cargo dos interessados, que podem facilmente faze-lo usando o Google Tradutor ou mesmo o Google Chrome, que traduz automaticamente, mas vou deixar alguns links que já servem para abrirem os olhos de certas pessoas, links esses de reportagem de publicações cientificas serias e mundialmente conceituadas (como a Science), que explicam pela ciência que a tese de Sand não anda bem no caminho certo.


Science:

Materia no The Daily Beast:

A Sociedade Americana de Genética Humana, no Jornal Americano de Genética Humana (qualquer coisa, procurem pelo nome do artigo que encontra em outros meios científicos). Por sinal, fala ate dos Ashkenazi :

Texto bastante interessante também no The New York Times:
http://www.nytimes.com/2009/11/24/books/24jews.html?_r=1&scp=1&sq=shlomo%20sand&st=cse


Shlomo Sand: A invenção do povo judeu (livro) (Holocausto-doc)

Leiam essa materia sobre os Khazares e os Askhenazi e relacionem ao assunto:
Os khazares e o revisionismo (Holocausto-doc)

Boa leitura e bom conhecimento aos interessados e que permaneçam na agnosia os desinteressados.





terça-feira, 1 de maio de 2012

Destruição de monumentos a soldados mortos.



Tornou-se já tradição, por altura dos aniversários da Vitória sobre o Nazismo, destruir-se monumentos de homenagem aos soldados soviéticos mortos durante a guerra contra o regime de Hitler.


Sintomaticamente, esta tradição nasceu nas ex-repúblicas soviéticas, atualmente Estados independentes cujos habitantes resistiram ao invasor sendo cidadãos da URSS.

Em 19 de abril de 2012 a assembleia municipal de Turka (Ucrânia Ocidental) decretou a demolição do memorial aos soldados soviéticos. Em fevereiro de 2012, apesar de um forte movimento de protesto da população local, em Batumi (Geórgia) foi derrubado o monumento aos soldados soviéticos. Em 19 de dezembro de 2009, as autoridades de Kutaissi (Geórgia) fizeram explodir o Memorial de Glória Militar erigido em homenagem aos georgianos que deram suas vidas pela vitória sobre o nazismo.

Tudo isto não pode deixar de evocar a maneira como os rebeldes líbios destruíram monumentos em túmulos de soldados britânicos mortos na África do Norte durante a Segunda Guerra Mundial.

Idêntico tratamento sem-cerimônia é reservado aos monumentos aos soldados soviéticos e a seus túmulos na Letônia e Estônia. Nestes países atualmente integrantes da União Europeia se tornaram rotineiros desfiles de ex-homens das Waffen-SS de que participam deputados parlamentares. Sobre a quantidade de tinta derramada sobre os monumentos aos soldados soviéticos e o número de pedras funerárias profanadas nas repúblicas do Báltico não existem sequer dados estatísticos exatos.

Neste sentido, importa referir um pormenor importante que muitos políticos nas ex-repúblicas soviéticas fingem ignorar: para lutarem, contra os comunistas, pela independência do país, os ex-defensores da liberdade podiam ter escolhido outra forma de luta que não fosse aliarem-se aos nazis, a não ser que partilhassem as ideias e os métodos de Adolf Hitler.

Durante a ocupação nazista da França onde vivia exilado, Anton Denikin, general do exército imperial russo que combateu contra os bolcheviques durante a guerra civil que se seguiu à revolução de 1917, teve a dignidade e a coragem de rejeitar decididamente todas as propostas de colaboração por parte dos nazistas, apesar de ter sobejos motivos para odiar os bolcheviques.

As atuais gerações do povo alemão julgam por bem pedir desculpas pela barbariedade do regime nazista, responsável pela morte de milhões de pessoas, embora tivessem crescido na nova Alemanha em que a propaganda dessa ideologia totalitária e desumana é perseguida pela lei.

Além de ser impossível imaginar ex-homens das SS desfilarem pelas ruas de Berlim, é bem sabido como os alemães contemporâneos cuidam – por vezes, melhor mesmo do que na própria Rússia - dos túmulos de soldados soviéticos.

Será que subsiste na Rússia o sentimento de ódio aos alemães, atualmente, passadas décadas desde a guerra mais violenta que ceifou cerca de 30 milhões de vidas na ex-União Soviética.

Os primeiros a responder a esta pergunta já durante a guerra, em pleno bloqueio a Leningrado, foram músicos russos que interpretaram peças de Beethoven em salas frias de uma cidade morrando de fome ou por aqueles que conservaram obras de Schiller e Goethe preferindo morrer de frio do que queimá-las para se aquecer durante um inverno particularmente rigoroso.

Uma velha senhora, que perdeu toda sua família debaixo das bombas da Luftwaffe, me contou que, durante a guerra, no meio das ruínas de sua cidade, partilhava com prisioneiros de guerra alemães comida que lhe custa a arranjar para si própria.

Uma história curiosa me foi contada por um conhecido ucraniano que durante a guerra, ainda criança, foi deportado para a Alemanha para trabalhar numa usina subterrânea. As sentinelas alemãs se voltavam nas suas torres de vigia, findingo não repararem nas crianças que passavam do outro lado das cercas de arame farpado para pedirem aos soldados americanos e britânicos chocolate em troca das maçãs colhidas no pomar que disfarçava a usina militar.

Uma senhora habitante da Bielorrússia ocupada se lembrava como soldados alemães, às escondidas, traziam medicamentos a seu filho gravemente doente, o que finalemente lhe salvou a vida, enquanto homens de um destacamento punitivo das SS mataram outros membros de sua família.

A guerra não destruiu o essencial – o humanitarismo -, e os dois povos foram suficientemente inteligentes para separarem as noções de “nazismo” e de “alemães”, de “bolchevismo” e de “russos”, coisa essa de que certos políticos contemporâneos das ex-repúblicas soviéticas parecem incapazes.

Hoje ninguém estranha que o Festival de Cinema de Veneza tenha atribuído o “Leão de Ouro” ao realizador russo Alexander Sokurov por sua adaptação cinematográfica do “Faust”, e ainda por cima em alemão.

Nos anos 80 e 90 do século passado, os cantores alemães Thomas Anders e Dieter Bolen ultrapassaram em popularidade Lênin e os músicos do grupo alemão Scorpions, tal como do lendário Accept, são considerados na Rússia como “nossos”.

A coisa que me mais impressionou em minha infância, passada em Volgogrado (ex-Stalingrado) não foi a gigantesca estátua da Pátria-Mãe, de espada em punho, dominando as margens do Volga, e sim o pequeno memorial que existe à entrada da cidade e que tem o nome de “Campo de Batalha”.

Durante muitos anos depois da guerra, as pessoas recolheram no campo estilhaços de bombas e projéteis, armas russas e alemãs para, mais tarde, juntar todo esse arsenal numa composição escultural – o Monumento. É possívelmente assim que pode se imaginar a Morte, representada em metal deformado, que não poupou nem os Russos, nem os Alemães, naquela batalha que acabou por ser determinante do resultado da guerra.

Stalingrado foi um verdadeiro purgatório que consubstancia, de maneira concentrada, todas as ideias existentes sobre a guerra. No auge do frio, habitantes de Stalingrado cavaram túmulos par soldados russos e alemães. Os mortos jazem em paz ao lado.

A canção Stalingrad, publicada recentemente pelo grupo alemão Accept tem as seguintes linhas:

Dois soldados morrem, a luz se apaga e os corpos abatem.

Mais não são soldados, mais não têm ordens para matar o inimigo.

Juntos, na dor comum, ficaram irmãos de sangue...

“Perdoar” não é, de modo algum, “esquecer”, mas sim não semear o mal.

Stalingrado é o destino que, mais cedo ou mais tarde, merece qualquer agressor, por mais plausíveis que sejam as definições que utilize para disfarçar seus atos, cujas expressões reais são a guerra, o sangue e a destruição. É bom não esquecê-lo. As lições de Stalingrado mantêm plenamente sua atualidade.

Travar guerras contra os mortos é uma atitude profundamente indigna, tanto mais quando travadas pelos descendentes daqueles cuja terra foi liberada dos nazistas, à custa de sua vida, por soldados soviéticos. Eles também amavam a vida, mas esta lhes foi tirada.

Divulgação do livro Torpedo, o terror no Atlântico

Vou abrir espaço para a divulgação de um livro de cunho nacional sobre a atuação marítima em relação ao Brasil na 2ª Guerra Mundial, livro esse feito pelo Oficial Mercante Marcus Vinícius de Lima Arantes. O livro aborda o torpedeamento de navios mercantes brasileiros por submarinos alemães e o eventual patrulhamento pela Marinha do Brasil e pela FAB do Atlântico Sul.

Não posso fazer uma critica mais seria do livro pois ainda não o li o mesmo, mas parece ser bem interessante, e pelo fato de ser algo nacional eque aborda um assunto que é pouco falado, merece ser olhado com outros olhos.

Quem quiser (e deveria) comprar, entre em contato com o autor:
mv.arantes@hotmail.com

Aproveitem e deem uma olhada na  festa de lançamento do livro.


sexta-feira, 13 de abril de 2012

A Croácia e o conhecimento do Vaticano - Parte 2



   Em 30 de agosto de 1941, o núncio papal na Itália, monsenhor Francesco Borgongini Duca, escreveu para Maglione, retratando uma curiosa conversa com o adido cultural croata no Quirinal e dois franciscanos croatas. Eles falavam sobre os 100.000 ortodoxos convertidos ao catolicismo. O núncio indagou sobre os protestos que ouvira a respeito de "perseguições infligidas pelos católicos aos ortodoxos". O adido, "com muitos acenos de cabeça dos padres", tentou desmentir essas histórias, insistindo em que, "como o papa continua a dizer ao clero e aos fiéis, os católicos devem seguir os ensinamentos de Nosso Senhor e pro- pagar a fé por meio da persuasão, não da violência"(30).

   No mês seguinte, o embaixador especial de Pavelic, padre Cherubino Seguic, foi a Roma para descobrir o que se dizia sobre o regime e acabar com os "rumores" desfavoráveis. Em suas memórias defensivas, ele se queixa da "insinuação de calúnia" que se ouvia em Roma sobre a Croácia e garante que "tudo é distorcido ou inventado. Somos apresentados como um bando de bárbaros e canibais". Ele conversou com Giovanni Montini (o futuro Paulo VI), que "pediu informações detalhadas sobre os acontecimentos na Croácia. Falei tudo. Ele ouviu com muito interesse e atenção. As calúnias haviam chegado ao Vaticano e deviam ser denunciadas de uma maneira convincente" (31) . Portanto, as atrocidades — ou "calúnias" — eram do conhecimento comum em Roma no verão de 1941. A Santa Sé tinha canais pelos quais Pacelli podia verificar tudo e influenciar os acontecimentos.

   O delegado apostólico Ramiro Marcone, escolhido por Pacelli como seu representante pessoal na Croácia, era um amador que deu a impressão de passar corno um sonâmbulo por toda essa cena sangrenta. Um monge beneditino de 60 anos, ele não tinha qualquer experiência de diplomacia e passara grande parte de sua ida adulta dando aulas de Filosofia no Colégio de Santo Anselmo, em Roma. Sua área de atuação era o claustro e a sala de aula. Seu tempo na Croácia foi consumido em grande parte no comparecimento a cerimônias, jantares e desfiles públicos, sendo fotografado sempre ao lado de Pavelic. Era evidente que fora escolhido para apaziguar e encorajar.

Pavelic com ol arcebispo Stepinac
   Os equivalentes diplomáticos de Marcone, do lado croata, eram Nicola Rusinovic, um médico que praticava num hospital romano, e seu planejado substituto, um camarista papal no Vaticano, príncipe Erwin Lobkowicz (de origem boêmia). Esses arranjos eram semi-secretos, já que a Santa Sé ainda mantinha oficialmente relações diplomáticas com o governo real iugoslavo no exílio. Em março de 1942, apesar da abundância de provas apontando para os massacres, a Santa Sé prometia relações oficiais aos representantes croatas. Montini disse a Rusinovic: "Recomende gentileza a seu governo e aos círculos governamentais, pois assim nossas relações vão se consolidar. Desde que vocês se comportem de maneira apropriada, a forma das relações vai se definir espontaneamente" (32) . Em 22 de outubro de 1942, Pacelli encontrou o príncipe Lobkowicz em audiência. Segundo o príncipe, Pacelli, "em sua atitude habitual de extrema benevolência", disse que "esperava poder em breve me receber em circunstâncias diferentes"(33).

   Enquanto isso, um pedido de socorro aos judeus perseguidos na Croácia foi enviado à Santa Sé pelo Congresso Mundial Judaico e a comunidade israelita suíça, por meio do monsenhor Filippe Bernadini, o núncio apostólico em Berna. Num memorando substancial, datado de 17 de março de 1942, menos de dois meses depois da Conferência de Wannsee, em que foi delineada a Solução Final, Os representantes das duas organizações documentaram Perseguições aos judeus na Alemanha, França, Romênia, Eslováquia, Hungria e Croácia. Queriam em particular que o papa usa-se sua influência nos três últimos países, ligados à Santa Sé por fortes vínculos diplomáticos e eclesiásticos - na Eslováquia, por exemplo, um padre católico ocupava no momento a presidência. A parte sobre a Croácia dizia o seguinte: "Milhares de famílias foram deportadas para ilhas desertas ou encarceradas em campos de concentração todos os homens judeus foram enviados para campos de trabalho forçado. tendo de escavar esgotos, o que acarretou a morte de muitos. (...) Ao mesmo tempo, suas posas e filhos foram enviados para outro campo, onde também estão sofrendo terríveis privações'''(34).

   O memorando, cujo manuscrito está nos Arquivos Sionista em Jerusalém, foi publicado por Saul Friedlãnder, em sua coletânea de documentos sobre Pacelli e o Terceiro Reich. Em °ui: de 1998, Gerhard Riegner, um signatário sobrevivente do memorando, revelou em suas memórias publicadas, Ne jamais désesesperer(35)", que o Vaticano o excluíra dos onze volumes de documentos do tempo de guerra liberados - indicando que, mais de meio século depois da guerra, o Vaticano ainda não se mostrava disposto a confessar o que sabia sobre as atrocidades croatas e os primeiros estágios da Solução Final, e quando soube.

    Os três chefes da secretaria de Estado do Vaticano — Maglione, Montini e Tardini — indicaram várias vezes que tinham conhecimento dos protestos e pedidos de socorro, mas suas entrevistas com Rusinovic e Lobkowicz seguiam, como Falconi observou pela documentação disponível, um padrão invariável de "ataque simulado, escuta paciente e generosa rendição". Como não podia deixar de ser, os diplomatas croatas secretos no Vaticano estavam mais do que satisfeitos com a maneira pela qual os interrogatórios eram realizados: "Esclareci tudo, desmascarando a propaganda inimiga", escreveu Rusinovic, depois de uma reunião com Mondni. "Sobre os campos de concentração, expliquei que seria melhor se ele pedisse informações à delegação apostólica em Zagreb. (... ) Jornalistas estrangeiros foram convidados a visitar os campos de concentração e... ao irem embora, declararam que os campos tinham perfeitas condições de habitação e satisfaziam os requisitos de higiene." No final da entrevista, quando Rusinovic comentou que havia agora cinco milhões de católicos no vais, Montini disse: "O Santo Padre vai ajudá-los, pode ter certeza" (36).

 Sacerdote croata no trabalho de conversão forçada dos sérvios ortodoxos ao catolicismo.  


   Além disso, pode-se constatar que o Vaticano sabia da verdadeira situação na Croácia, no início de 1942, por uma conversa que Rusinovic teve com o cardeal francês Eugène TiSSCralt, um especialista em assuntos eslavos e agora confidente de Pacelli, apesar das restrições que lhe fizera no conclave. Ele disse ao representante croata, em 6 de março de 1942: "Sei com certeza que os próprios franciscanos, como o padre Simic, de Knin, têm participado dos ataques contra as populações ortodoxas, a fim de destruir a Igreja ortodoxa. Assim como vocês destruíram a Igreia ortodoxa em Bania Luka. Sei com certeza que os franciscanos na Bósnia e Herzegovina tem se comportado de maneira abominável o que muito me aflige. Esses atos não devem ser cometidos por pessoas educadas, cultas e civilizadas, muito menos por padres" (37). Durante uma reunião subseqüente, em 27 de maio, Tisserant disse a Rusinovic que, segundo os dados alemães, "350.000 sérvios desapareceram" e "em apenas um campo de concentração há 20.000 sérvios" (38).

    Pacelli, no entanto, nunca deixou de se mostrar benevolente com os líderes e representantes do regime de Pavelic. Uma lista de suas audiências, além das que já foram mencionadas, é significativa. Em julho de 1941, ele recebeu uma centena de membros da força policial croata, tendo à frente o chefe de polícia de Zagreb. Em 6 de fevereiro de 1942, ele concedeu uma audiência a um grupo de jovens do Ustashe em visita a Roma. Recebeu outra delegação de jovens do Ustashe em dezembro do mesmo ano.

    E, em 1943, quando conversava com Lobkowicz, Pacelli "expressou seu prazer pela carta pessoal do nosso Poglavnik [Pavelic]". Depois, na conversa, Pacelli disse que estava "desapontado porque, apesar de tudo, ninguém quer reconhecer o principal inimigo da Europa; nenhuma cruzada militar comum foi iniciada até agora contra o bo1chevismo"(39).

   Mas Hitler não lançara essa cruzada no verão de 1941? Nos tortuosos raciocínios de Pacelli sobre o comunismo, o nazismo, a Croácia e a evangelização católica do Leste, começamos a compreender - embora sem justificar - sua reticência em relação aos massacres croatas.


Notas (enumeradas conforme no livro):
30 - Ibid., p.259
31 - Ibid., p.307
32 - Citado em  Falconi, Silence, p. 333.
33 -  Ibid., p.334.
34 - S. Friedländer, Pius XII and the Third Reich: A Documentation, trad. ingl. (Londres, 1966), p.109.
35 - G. Riegner, Ne jamais désespérer (Paris, 1988), pp. 164-165.
36 - Citado em Falconi, Silence, p. 355.
37 - Ibid., p. 382
38 - Ibid., p. 388
39 - Ibid., pp. 344-346

Transcrição: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)
Fonte: CORNWELL, John - O Papa de Hitler - A historia secreta de Pio XII, Rio de Janeiro: Imago Ed., 2000, p. 290 - 293.