terça-feira, 18 de maio de 2021
Uma história de um antigo operário da Outubro Vermelho
segunda-feira, 2 de novembro de 2020
Por que há tantos grupos neonazistas em Santa Catarina?
Levantamento indica aumento de células extremistas de direita no estado, que tem a maior concentração desses grupos no país. Pesquisadores apontam ligação com valorização de identidade branca e descendente de europeus.
Em quatro meses houve um crescimento de 23% na quantidade de células neonazistas em SC, aponta levantamento
O tema neonazismo veio à tona na última semana, com a posse da governadora interina de Santa Catarina, Daniela Reinehr. Seu pai, o professor aposentado Altair Reinehr é conhecido no estado por suas posturas negacionistas em relação ao Holocausto — ele foi colaborador de uma editora que sistematicamente publicava obras negando crimes da Alemanha nazista.
Após inicialmente se esquivar de responder se compactuava ou não com pensamentos neonazistas e negacionistas do Holocausto, a governadora interina publicou no sábado (31/10) um artigo no jornal Folha de S.Paulo intitulado Não compactuo com o nazismo. No texto, ela diz discordar das posições do pai, apesar de amá-lo como filha.
Em outro episódio famoso de Santa Catarina, em 2014, um voo da Polícia Civil sobre a cidade de Pomerode avistou a imagem de uma suástica no fundo de uma piscina particular. O assunto repercutiu nacionalmente. Neste ano, o dono da piscina, o professor Wandercy Pugliesi, tornou-se candidato a vereador pelo Partido Liberal.
Em outubro, contudo, ele acabou expulso do partido e, em seguida, renunciou à candidatura. Nos anos 1990 ele teve objetos nazistas apreendidos em sua casa e se declarou "admirador" do regime de Adolf Hitler (1889-1945).
Também em 2014, dois jovens foram presos em flagrante em Itajaí por colarem cartazes nazistas na cidade. Eles acabaram absolvidos pela Justiça no ano passado.
Mas, afinal, há uma onda neonazista em Santa Catarina? Ela é maior do que no restante do Brasil? Especialistas ouvidos pela DW Brasil acreditam que sim.
A antropóloga Adriana Dias, doutora pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisadora do tema, monitora há 18 anos movimentos de células extremistas de direita no país.
De acordo com ela, o estado tem atualmente 85 células neonazistas organizadas em ação. Em junho, o estudo dela indicava que eram 69 — ou seja, em quatro meses houve um crescimento de 23% na quantidade desses grupos.
Em número absolutos, Santa Catarina só tem menos células neonazistas do que São Paulo, onde estão em atividade 89 grupos. Considerando as populações, os catarinenses têm a maior concentração desses grupos em atividade. São 11,8 células neonazista por milhão de habitante no estado do Sul, contra 1,9 por milhão no do Sudeste.
Dias comenta que tem verificado um aumento na quantidade de participantes por célula. Até o ano passado, os grupos catarinenses costumavam ter entre quatro e 40 membros, conforme sua análise. Agora, muitos chegam a 100, e a média está em 40, aponta.
"Branco e herói"
"O cenário de Santa Catarina acaba se tornando propício para a emergência de grupos neonazistas porque existe a valorização de uma identidade específica e o apagamento da diferença e da diversidade. E, de forma descontextualizada e generalizada, a imigração europeia acaba permanecendo na base dessa construção identitária", analisa a historiadora Eloisa Rosalen, pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Ela ressalta, contudo, que não se pode simplificar a questão pelo fato de a imigração alemã ter sido preponderante no estado catarinense.
"Não compreendo como uma simples transferência temporal e espacial, da Alemanha para Santa Catarina, da ideologia nazista", enfatiza. Para a pesquisadora, houve uma construção identitária do estado "pautada na branquitude, nas narrativas heroicas do processo migratório e na ideia de descendência europeia" que acabou servindo como base para a "invenção catarinense de supremacia branca" ou para a maior aceitação de ideias neonazistas.
Isso teria sido reforçado ao longo do tempo com festas comemorativas em alusão aos imigrantes e também pelos relatos dos memorialistas locais que, segundo Rosalen, "supervalorizam o 'pioneirismo'".
"O que não quer dizer que essas festas ou livros têm caráter neonazista ou nazista", pondera. "O que se encontra nesses materiais é a valorização de uma identidade que vai ser tomada como referencial único para Santa Catarina: branca, descendente de europeus, com o seu centro no ‘pioneiro'. O erro está nessa tomada como único."
Para ela, acabou sendo forjada a história de um estado homogêneo, com "apagamentos das violências e das diversidades".
"Pouco se fala, na esfera pública, sobre a violência às populações indígenas durante a colonização", exemplifica. "Muito menos se registra a presença ou a descendência dos caboclos que ocupavam muitas terras na região serrana ou no Oeste Catarinense. Nada é dito sobre os insucessos migratórios que alguns colonos tiveram."
A historiadora Juliana Clasen lembra que o processo de colonização catarinense, no século 19, "se deu durante uma política de embranquecimento do Brasil, quando era muito desejável trazer famílias italianas e alemãs". Como muitos colonos se estabeleceram em locais distantes, pequenas vilas e cidades foram formadas e permaneceram isoladas.
"Essa ideia de que ‘somos alemães mesmo' acabou permanecendo", comenta Clasen. "Quando a pessoa é criada imersa nessa cultura, se chega a conhecer o nazismo pode vir a desenvolver uma predileção. Acaba muito mais suscetível a concordar com essas ideias, porque cresceu ‘longe do diferente' e ouvindo que ‘somos nós e eles'."
"São cidades pequenas muito avessas ao outro, ao migrante. [Ao longo do tempo], passaram a se sentir contaminadas por qualquer relação nova", completa a antropóloga Dias.
Desnazificação
Dias afirma, contudo, que é preciso tomar cuidado para não generalizar e acabar estigmatizando Santa Catarina.
"O povo catarinense não tem culpa", frisa. "Eles foram expostos a uma história por gente que ofereceu a eles um produto equivocado. E as pessoas que se imbuíram desse discurso e se tornaram hitleristas podem ser desnazificadas."
"Hoje há uma eficácia simbólica desse discurso em Santa Catarina. Enquanto não houver um governo que efetivamente discuta essas questões e faça um processo de desnazificação, não vejo saída", comenta a antropóloga.
Como a maior parte das ações e debates neonazistas são organizados pela internet, a DW Brasil solicitou à organização não governamental SaferNet Brasil, entidade brasileira que promove e defende os direitos humanos na rede, dados atualizados de denúncias recebidas sobre o tema.
Como os registros são anônimos, não foi possível fazer um recorte por estado. Mas, neste mês de outubro, a ONG recebeu 138 notificações relacionadas a neonazismo. Em outubro do ano passado tinham sido apenas 31 denúncias.
Fonte: https://www.dw.com/pt-br/por-que-h%C3%A1-tantos-grupos-neonazistas-em-santa-catarina/a-55471079
sexta-feira, 30 de agosto de 2019
Uma anotação típica do "Calendário" de Auschwitz
O prisioneiro no. 69656 é morto a tiros às 5:40 A.M. pelo sentinela SS de serviço na Torre de Guarda B do campo principal "enquanto escapava".
O pelotão de turno é enviado à rampa de descarregamento às 1:45 A. M. para controlar um transporte.
2.500 homens, mulheres e crianças judaicas chegam com um transporte RSHA de um gueto no Distrito de Zichenau. Após a seleção, 633 homens e 135 são admitidos ao campo e recebem os números 74745 -75377 e 24524 -24658. Os restantes 1.732 são mortos nas câmaras de gás.
1. 500 homens, mulheres e crianças judaicas chegam com um transporte RSHA do gueto no Distrito de Bialystok. Após a seleção, 282 homens e 379 mulheres são admitidos no campo e recebem os números 75378-75659 e 24659-25037. Os restantes 839 deportados são mortos nas câmaras de gás.
71 prisioneiros masculinos e dois prisioneiros femininos, enviados ao campo pela Sipo e o SD para o Distrito de Cracóvia, recebem os nos. 75660-75730, 25038, e 25039.
O Médico SS do Campo faz uma seleção na enfermaria dos prisioneiros. Seleciona 110 prisioneiros, que são levados para Birkenau e mortos nas câmaras de gás.
Esta na lista do Holocausto-doc no yahoo:
http://br.groups.yahoo.com/group/Holocausto-Doc/message/6113
domingo, 7 de outubro de 2018
Hoje é eleição, e cabe aqui uma reflexão: "Assimilação na véspera do assassinato dos judeus".
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018
Como a mídia 'mainstream' branqueia a al-Qaeda e os Capacetes brancos na Síria (4/4), por Eva Bartlett

"Muawiya Hassan Agha estava presente em Rashideen, e mais tarde ficou conhecido pela sua infame participação na execução de dois prisioneiros de guerra em Alepo. Devido ao seu excepcional mau comportamento, Agha foi supostamente despedido dos Capacetes Brancos, embora depois tenha voltado a ser fotografado na companhia de membros dos Capacetes Brancos. Agha foi também fotografado comemorando a "vitória" da Frente Al-Nusra em Idlib ".
- Não é a totalidade do Conselho de Segurança da ONU que acredita que a Síria cometeu os crimes os quais Solon se refere, mas sim uma parte desses membros que têm um admitido interesse em derrubar o governo sírio.
"Todas as provas disponíveis levam a Comissão a concluir que existem bases razoáveis para acreditar que as forças sírias largaram uma bomba que espalhou gás sarin sobre Khan Shaykhoun."
"Yussef apelou ao bombardeio de civis, à execução de todos os que não jejuarem durante o Ramadã, a execução de todos os que forem considerados Shabihas, o extermínio de soldados sírios e a pilhagem dos seus pertences... Ele claramente apoia a Frente Al-Nusra, uma organização internacionalmente considerada terrorista, e apoia o Ahrar Al Sham… Yussef está muito longe de ser neutro, imparcial ou humanitário."
As análises de Postol levam a concluir que as supostas provas"Acredito que pode ser demonstrado, sem nenhuma margem de dúvidas, que o documento não fornece nenhum tipo de prova de que o governo dos EUA tenha conhecimento concreto de que o governo sírio seja responsável pelo ataque químico de Khan Shaykhun (na Síria, entre as 6 e as 7 da manhã do dia 4 de Abril de 2017).
O jornalista investigativo Seymour Hersh analisou também as acusações oficiais, e reparou que as alegações realizadas pela MSF contradizem a versão oficial que acusa o governo sírio de ter bombardeado a área com gás sarin. Hersh escreveu: (destacado em negrito por mim)"apontam para um ataque que foi executado por indivíduos no solo, e não a partir de um avião, ma manhã de 4 de Abril", e realçam que "o relatório não tem absolutamente nenhuma prova de que este ataque tenha sido o resultado de uma bomba lançada do ar."
O segundo artigo ao qual Solon faz referência é um artigo do New York Times que classifica o relatório de "investigação politicamente independente". Isto deve levar os leitores a fazerem uma pausa para darem uma gargalhada, já que o mecanismo de investigação incluiu a OPAQ, que é financiada de forma bem questionável, e que, por entre os entrevistados nesta investigação, havia socorristas da Al-Qaeda."Uma equipa dos Médicos Sem Fronteiras (MSF), tratando vítimas do ataque de Khan Sheikhoun numa clínica 60 km a norte, relatou que 'oito pacientes mostravam sintomas de pupilas contraídas, espasmos musculares e defecação involuntária, típicas reações de exposição a um agente neurotóxico como o gás sarin e compostos similares'. A MSF visitou também outros hospitais que tinham recebido vítimas e descobriu que alguns pacientes 'cheiravam a lexívia', sugerindo que estes tinham sido expostos ao cloro.' Ou seja, os fatos sugerem que houve mais do que um artefato químico responsável pelos sintomas observados, o que não teria sido o caso se de fato tivesse sido a Força Aérea Síria a largar uma bomba com gás sarin (tal como insistem alguns ativistas da oposição), visto que uma bomba com gás sarin não tem percussão ou poder de ignição para desencadear uma explosão secundária. A gama de sintomas é, no entanto, consistente com a libertação de uma mistura de produtos químicos, incluindo cloro e organofosforados utilizados em muitos fertilizantes, os quais podem causar efeitos neurotóxicos semelhantes aos do gás sarin ".
@Syricide pegou uma das mais alarmantes irregularidades alegadas pelo Mecanismo de Investigação Conjunta [JIM, em inglês], tuitando:- O mesmo autor do Mecanismo de Investigação Conjunta reconhece que os rebeldes de Khan Shaykhun entretanto destruíram provas ao encher a "cratera" de impacto com cimento. Por que é que os "rebeldes" o fizeram e que consequências tiveram esta sabotagem sobre as investigações, são questões que não foram levantadas pelo relatório."
- "Ao reconhecer que Khan Shaykhun estava na altura sob controle de Al-Nusra, o relatório do Mecanismo de Investigação Conjunta demonstra outra contradição metodológica: a de que a Al-Nusra e os seus aliados jihadistas, ao controlar a área, controlavam também a informação "oficial" vinda de Khan Shaykhun sobre o alegado incidente. E isto exigiria um interrogatório sobre a confiabilidade/credibilidade (parcialidade) das principais fontes que o comitê usou nas suas alegações ".

"Philip Giraldi, um antigo funcionário da CIA e dos serviços de informação do exército, disse no dia 6 de Abril a um apresentador de rádio (Scott Horton) que esteve ouvindo o que têm a dizer fontes no terreno no Oriente Médio, pessoas que estão intimamente familiarizadas com as informações disponíveis, pessoas essas que afirmam que a base da narrativa que temos ouvido sobre sírios e russos usando armas químicas é uma fraude."
"isto desafia a crença de que ele não teria levantado esta questão se não fosse por uma razão de vantagem militar." Ford afirma acreditar que as acusações contra a Síria "simplesmente não são credíveis."
"Em vez de se centrar na dificuldade em avaliar o que aconteceu de fato em Khan Sheikhoun, cidade sobre controle da Al-Qaeda da Síria e onde, portanto, toda e qualquer informação daí proveniente deva ser considerada altamente suspeita, Rutenberg apenas argumentou que a sabedoria tradicional ocidental só pode estar certa.Para desacreditar possíveis céticos, Rutenberg associa-os a uma das personalidades de rádio mais excêntricas e adepta de "teorias da conspiração", o senhor Alex Jones, o que não é mais do que o exemplo mais recente da dependência do Times por falácias macartistas, utilizando não apenas a culpa por associação, mas refutando também o razoável ceticismo de alguém associando-o a alguém de outro que, num contexto completamente diferente, expressou algum tipo de ceticismo irracional."
"Beeley com muita frequência crítica os Capacetes Brancos na qualidade de editor do site 21st Century Wire, site criado por Patrick Henningsen que é também editor do Infowars.com.”
"Essa guerra genocida levada a cabo pelos EUA, o Reino Unido e a França, já agora, matou durante os meses de Janeiro e Fevereiro de 1991 pelo menos 200.000 iraquianos, metade dos quais eram civis. A AI terá para sempre o sangue do povo iraquiano nas suas mãos!"
"... com base nos meus mais de dezesseis anos de experiência lidando com a AI Londres e a AI USA no nível mais alto, está claro pra mim que ambas as organizações manifestam um padrão consistente e uma prática de seguir as linhas da política externa dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e de Israel. ... Efetivamente, a Amnistia Internacional e a AI USA funcionam como ferramentas do imperialismo, do colonialismo e do comportamento genocida dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e de Israel."
"Eliot Higgins é um membro não residente do militante anti-russo Atlantic Council, financiado pelo departamento de estado, e não possui conhecimentos técnicos em munições."
"Ele nunca acabou a universidade, tendo abandonado o Southampton Institute of Higher Education. Quando interrogado acerca dos seus estudos universitários, a sua resposta foi 'jornalismo...julgo eu'. ... Higgins sempre foi completamente honesto em relação à sua falta de conhecimentos técnicos.
A obsessão do The Guardian pela Rússia
"E o 4ª ponto que eu gostaria de referir, especificamente a vocês, é o muito real apreço sentido por toda a gente na Síria pelo apoio que a Rússia oferece na erradicação do ISIS e na erradicação de todos os outros grupos extremistas islâmicos."
Parte 1
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018
Como a mídia 'mainstream' branqueia a al-Qaeda e os Capacetes brancos na Síria (3/4), por Eva Bartlett

"Edward Bernays, o proclamado pai das relações públicas, escreveu sobre o governo invisível que é aquele que de fato governa um país. Referia-se ao jornalismo, à mídia. Isto foi há quase 80 anos atrás, pouco depois do jornalismo corporativo ter sido inventado. É uma história que poucos jornalistas conhecem ou falam sobre, e teve o seu início com o advento da publicidade corporativa.À medida que as novas corporações foram tomando o lugar da imprensa, algo chamado de "jornalismo profissional" foi inventado. De forma a atrair grandes anunciantes, a nova imprensa tinha de parecer ser respeitável, pilar do establishment, objetiva, imparcial, equilibrada. As primeiras escolas de jornalismo foram criadas, uma mitologia da neutralidade liberal foi criada ao redor dos jornalistas profissionais. O direito à liberdade de expressão passou a ser associada aos novos media.... Tudo isto não passava de um embuste. Aquilo de que o público não foi informado, foi que, de forma para poderem ser profissionais, os jornalistas tinham de assegurar que as suas notícias e opiniões fossem dominadas por fontes oficiais. E isto continua verdade até hoje. Vasculhe o New York Times num dia qualquer escolhido ao acaso, e verifique as fontes dos seus principais artigos de política interna e externa. Descobrirá então que todos esses artigos são dominados pelos interesses de governos e outros poderes. É esta a essência do jornalismo profissional."
"Acontece que concordo com a Eva em relação à Síria, mas, do ponto de vista de um jornalista, a verdadeira importância do que ela faz vai muito além do fato de produzir notícias a partir de um dado país. Ela desafia a narrativa estabelecida - e essa é a essência do jornalismo. Tudo o resto é a estenografia. Aspirantes a correspondentes estrangeiros, tomem nota!!"
"Uma blogueira de um site conspiracionista do 9/11 que apenas visitou a Síria pela primeira vez no ano passado não pode ser levada a sério como uma perita imparcial do conflito."


"Teoria da conspiração não foi uma expressão muito utilizada por jornalistas até 1967 quando, de repente, começou a ser utilizada o tempo todo, e cada vez mais é utilizado. E a razão para tudo isto é que a CIA, naquela época, enviou um memorando aos chefes das suas representações em todo o mundo instando-os a usar as suas posições privilegiadas e os seus amigos dentro de meios de comunicação para desacreditarem o trabalho de Mark Lane ... de escrever livros atacando o Relatório da Comissão Warren. Mark Lane era um best-seller, e então a resposta da CIA foi a de enviar esse memorando exigindo um contra-ataque, esperando que lacaios obedientes à agência escrevessem críticas atacando este tipo de escritores com o rótulo de "conspiracionistas" e que utilizassem um ou mais dos cinco argumentos especificados no memorando.
"Teoria da Conspiração" é um termo que provoca medo e ansiedade nos corações da maior parte das figuras públicas, em particular jornalistas e acadêmicos. Desde a década de 1960, este rótulo tornou-se um dispositivo disciplinar que tem sido incrivelmente efetivo na definição de certos eventos fora dos limites da pesquisa ou do debate. Sobretudo nos EUA, colocar legítimas questões sobre dúbias narrativas oficiais de forma a informar o público (e, consequentemente, o poder político), é visto como um crime que deve ser a todo o custo cauterizado da mentalidade coletiva."
"Nos 45 anos que precederam a publicação do memorando da CIA, a expressão 'teoria da conspiração apareceu apenas 50 vezes no Washington Post e no New York Times, ou seja, cerca de uma vez por ano. Nos 45 anos após a publicação do memorando da CIA, a expressão apareceu 2630 vezes, cerca de uma por semana.""... e claro, cada vez que a expressão é utilizada, é sempre num contexto no qual o "conspiracionista" possa ser caracterizado como menos inteligente e menos racional que aqueles que de forma acrítica aceitam as explicações oficiais para a maioria dos eventos. O presidente George Bush e os seus colegas usam frequentemente a expressão "teoria da conspiração" de forma a deter possíveis questões sobre as suas atividades.
"Mídias estatais russas têm levado a cabo uma campanha, sobretudo desde que, em Setembro de 2015, Moscou interveio militarmente."
"A campanha para desacreditar os Capacetes Brancos começou ao mesmo tempo em que a Rússia, em Setembro de 2015, interveio militarmente..."
"Purpose, uma empresa de relações públicas de Nova Iorque, criou pelo menos quatro ONG's/campanhas anti-Assad: os Capacetes Brancos, o Free Syrian Voices [3], o The Syria Campaign [4] e a March Campaign #withSyria. ... A mensagem é clara. A Purpose buscava luz verde para a intervenção militar na Síria coberta sob o pretexto de humanitarismo - o oxímero dos oxímeros ".
"Capacetes Brancos é o novo nome cunhado recentemente para a 'Syrian Civil Defence'. Apesar do seu nome, a Syria Civil Defence não foi criada por sírios nem exerce funções na Síria. Pelo contrário, foi criada pelos EUA e o Reino Unido em 2013. Alguns civis de zonas controladas por rebeldes foram pagos para irem à Turquia e aí receber algum treino em operações de resgate. O programa era gerido por James Le Mesurier, um ex-militar britânico e um contratista privado cuja empresa tem sede no Dubai."
"Reparem que o The Guardian e a Olivia Solon também afirmam que os Capacetes Brancos são apenas "voluntários", o que é uma fulcral deturpação de fatos desenhada para gerar simpatia pelos seus funcionários. Uma pessoa pode pura e simplesmente chamar a isto uma escandalosa mentira, visto que os membros dos Capacetes Brancos recebem regularmente um salário (ao qual, de forma enganadora, o The Guardian chama de "mesada") que é bem mais elevado que o salário médio sírio, detalhe convenientemente ignorado nesta peça de propaganda do The Guardian que parece ter sido feito de encomenda para o Ministério de Negócios Estrangeiros britânico.... jornalistas do The Guardian como a Solon não devem atrever-se a mencionar que o valor da "mesada" dos Capacetes Brancos é bem superior ao do salário padrão de um soldado do exército que, com sorte, leva para casa 60 ou 70 dólares por mês."
Parte 2
Parte 4
terça-feira, 13 de fevereiro de 2018
Como a mídia 'mainstream' branqueia a al-Qaeda e os Capacetes brancos na Síria (2/4), por Eva Bartlett


“A desinformação e a propaganda sobre a Síria assumem 3 formas distintas. A primeira é a demonização da liderança síria. A segunda é a romantização da oposição. A terceira forma implica em atacar todos aqueles que ousem questionar as caracterizações anteriores."
"Correspondentes surpreendentemente corajosos presentes na zona de guerra, incluindo norte-americanos, tentam contrariar a versão dirigida por Washington. Com grande risco para a sua própria segurança, esses repórteres tentam trazer à superfície a verdade sobre a guerra síria. As suas reportagens, com frequência, trazem nova luz que contraria a escuridão do reinante pensamento de manada. Ainda assim, para muitos consumidores de notícias, as suas vozes perdem-se por entre a cacofonia. Quem noticia a partir do terreno é normalmente ofuscado pelo consenso de Washington".
"Queremos que você transmita [ao mundo] que conspirações, terrorismo e a interferência de países ocidentais uniram apoiantes do governo e opositores no apoio ao presidente Bashar al-Assad".
"Por todo o lado onde andei na Síria (assim como durante os muito meses que passei em várias partes do Líbano, onde me encontrei com sírios vindo de toda a Síria) encontrei imensas provas do extenso apoio que dão ao presidente al-Assad. O orgulho que eu vi que a maioria dos sírios sente pelo presidente é bem evidente nos cartazes pendurados em casas e lojas, nas canções patrióticas e nas bandeiras sírias durante celebrações, e foi também evidente nas conversas que tive com sírios comuns de todas as fés. A maioria dos sírios pede-me que eu diga exatamente aquilo que vi e que transmita a mensagem de que cabe aos sírios decidir o seu futuro, que eles apoiam o seu presidente e o seu exército, e que a única maneira de parar o derramamento de sangue é fazer com que as nações ocidentais e do Golfo parem de enviar terroristas para a Síria, com que a Turquia pare de atacar a Síria e com que o Ocidente pare com as suas conversas sem sentido sobre "liberdade" e "democracia" e deixe os sírios decidir o seu próprio futuro ".
"'Nós o adoramos. Eu sou sunita e não alauita' disse Walid, originário de Raqqa. 'Eles têm medo que as nossas vozes sejam ouvidas', acrescentou... 'Eu venho de Der-ez-Zor,' disse um votante. 'ISIS (Estado Islâmico do Iraque e da Síria) está presente na nossa zona. Nós queremos Bashar al-Assad. Ele é uma pessoa honesta,' continuou, enquanto fazia um gesto com a sua mão."
"... ressaltou o apoio considerável que o presidente Bashar al-Assad ainda desfruta da população, incluindo muitos da majoritária comunidade muçulmana sunita. ... Sem o apoio sunita, no entanto, há muito que o governo de Assad teria colapsado".
"... há suspeitas fortes e concretas mas não ainda provas incontestáveis do uso do gás sarin, tendo em conta a forma como as vítimas foram tratadas. Estas foram usadas por parte da oposição, os rebeldes, e não pelas autoridades governamentais".

"... as duas últimas famílias com quem me encontrei disseram me que eles ajudavam primeiro os terroristas feridos e às vezes deixaram os civis nos escombros. Quando as câmeras estavam filmando, todos ficavam agitados, assim que as câmera eram desligadas, as vidas das pessoas sob o entulho perdiam importância... Todos os vídeos que você viu na mídia vêm de uma ou de outra. Os civis não podiam pagar para ter câmeras ou ligações 3G quando já era difícil comprar pão, apenas grupos armados e seus apoiadores o podiam fazer ".
“Quando lhes perguntei se tinham conhecimento da "defesa civil", responderam-me furiosos: "sim, sim, a defesa civil da frente al-Nusra". A maior parte deles quis aprofundar a questão e me explicou que a defesa civil da frente al-Nusra nunca ajudam civis, e que apenas trabalham para grupos armados."
Parte 1
Parte 3










