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terça-feira, 18 de junho de 2013

Brasil - um momento como esse não poderia ficar de fora!



Brasilia

Rio de Janeiro

Curitiba

Porto Alegre

Salvador

São Paulo

Belo Horizonte

Juiz de Fora - MG


Não estou com tempo para postar e responder emails esses dias devido a faculdade e trabalho, peço minhas sinceras desculpas pela demora e esse mês tudo se normaliza. Mas tive de tirar um tempinho para postar sobre o acontecimento que está ocorrendo em todo o Brasil. Nesse meio, pessoas que realmente querem uma mudança no Governo, outras que querem uma mudança do Governo, e outros que querem a volta dos militares. Tem uma gama de pensamentos nessas multidões.

Só de curiosidade:
http://www.politicos.org.br/


sexta-feira, 7 de maio de 2010

A partida

Rubem Braga : durante a Segunda Guerra Mundial atuou como correspondente de guerra junto à F.E.B. (Força Expedicionária Brasileira).


Setembro, 1944

Escrevo do Rio, em uma tarde de setembro de 1944. Não, isto não é mais o Rio. Depois que subimos a escada de bordo, vergados ao peso das malas, não mais estamos no Rio. O Rio está bem ali perto, atrás do feio armazém sujo; e está definitivamente longe. Os americanos da tripulação entram em forma: pela última vez antes da partida têm licença para sair: irão à Praça Mauá, à Glória, ao Beach Club. Um oficial passa-os em revista, lentamente. Um deles leva uma caixa debaixo do braço. É, certamente, um presente. Leio o rótulo: ''Ilusão - Meias de Seda''. Ele desce três degraus, volta-se para a popa, faz uma continência à bandeira americana e dispara escada abaixo. Outros homens, centenas, milhares de homens, sobem por várias escadas para os navios. Vistos do alto parecem estranhos bichos verdes, formigas humanas, cada um carregando um grande saco verde às costas, subindo lentamente. Vamos para o outro lado, olhamos a água suja e quase imóvel. A tarde cai. Vejo, boiando na água, um gorro de marinheiro. É triste, esse gorro branco perdido na água suja do cais: faz pensar em abandono, em afogamento.
Os homens sobem para os navios. Sobem por várias escadas, em fila indiana; sobem lentamente. Passam-se os minutos, as horas, os dias, os anos, os séculos, e o navio não sai. Os homens sobem. No salão há ordens, organização da rotina de bordo, leitura de regulamentos, e conversa. A esta hora, eu... A esta hora, lá em casa... A esta hora, ela... Mas é absurdo: Estamos falando do Rio como se estivéssemos longe. E estamos aqui, estamos no Rio. Na verdade estamos presos.

Nem mesmo os oficiais podem ir ao convés que dá para a terra. Ninguém deve ficar ali, para não perturbar a faina do embarque. Arranjo uma licença, vou ver os homens de perto. Não estão tristes nem alegres: sobem calados, aparentemente muito preocupados com a bagagem e a ficha que cada um carrega e que indica o seu lugar a bordo.

E como não há ninguém se despedindo de ninguém no cais, ninguém chora nem ri. Faz calor, e isso é aborrecido. Há quantos anos estamos a bordo? Hoje é segunda-feira ou março de 1953? Os compartimentos dos praças e os camarotes dos oficiais se enchem. Esperamos, esperamos. E lá fora, na cidade proibida, passa o tempo, a ronda das estrelas e da lua e do sol, e as mulheres que vão e vêm, a vida que vai e volta, e nós estamos eternamente neste enorme navio imóvel.

E como o Brasil é uma grande aldeia, descubro ligações. No beliche embaixo do meu vejo uma cara conhecida, não sei de onde. Ele diz que se chama Renato, é do Banco do Brasil, e afinal apuramos que nos conhecemos de vista: somos ambos "inocentes do Leblon", colegas dos ônibus 66 e 67. No primeiro beliche à minha direita - 90 centímetros a boreste - estica-se um jovem tenente desconhecido; mas logo fico sabendo que é casado, há alguns meses, com Jussara, aquela menina loura de minha terra, filha, pelos dois lados, de gente de Cachoeiro de Itapemirim. Pesa sobre mim a terrível ameaça da Justiça Militar: o beliche bem acima do meu verga-se ao peso sensacional do jornalista capitão Amador Cisneiros, promotor militar.

Deus quis certamente proteger este tão degradado filho de Eva: entre os 18 homens do meu camarote há sete santos homens: cinco padres católicos e dois pastores protestantes. Se eu morrer aqui, se um torpedo me estraçalhar, se Amador Cisneiros me esmagar, morrerei em grande odor de santidade.

Se este navio não sair amanhã, enjoarei.

O Presidente da República vem se despedir da tropa: depois vem o arcebispo. Alguém traz jornais: avançamos para eles com ares famélicos, como se estivéssemos há anos longe da pátria. E temos licença para escrever cartas; tristes cartas que só serão entregues, a alguns quilômetros daqui, depois que o navio chegar à Europa.

Às seis horas da manhã o pessoal do camarote começou a se arrumar depressa: o navio está saindo! Subimos para o convés superior. Todos correm alegremente; o armazém odioso sumiu, estamos navegando, a cidade se desenrola aos nossos olhos, avançamos pela baía. Olhamos a cidade, mas de repente entramos numa cerração e não vemos coisa alguma. O fotógrafo, decepcionado, pragueja. Depois paramos novamente. Passa o tempo. Afinal o navio se move. Agora vamos. "A cobra fumou!" Durante meses todos hesitamos: a cobra fumará? Na tropa não se falava de outra coisa: a cobra não vai fumar, quebraram o cachimbo da cobra etc., etc. E essa cobra mitológica, essa cobra de gíria obscura dos cariocas, está finalmente fumando. Isso quer dizer: vamos mesmo, estamos saindo. "A cobra fumou”.Lá vamos pelos mares, para a guerra, para voltar ou não voltar, pouco importa; o que importa é que a "cobra fumou". E os piores praças, os mais rebeldes, os que sumiam de repente, os que nunca chegavam na hora, todos estão presentes. Não faltou um só homem, não houve uma só vaga tentativa de deserção. Os homens que vieram de reserva voltaram do cais, não havia lugar para eles a bordo, porque na hora da "cobra fumar" todo mundo compareceu.

Adeus, Rio de Janeiro! Adeus, oh! Clara, oh! Magnânima, oh! Soberba e leal cidade do Rio de Janeiro. Uma barca da Cantareira passa perto, e alguém me chama a atenção: "veja, é a Quinta! É a QuintaColuna!” As fortalezas, embandeiradas, nos desejam boa viagem. Homens que passam em lanchas acenam adeus. A voz gordurosa de um padre, ampliada pelo alto-falante de bordo, convida-nos a erguer os olhos para Deus. Mas olhamos a cidade, olhamos obstinadamente para a Cidade dos Homens. Que Cidade dos Homens sobre a terra é mais humana que vós, Rio de Janeiro? Todos cantam o Hino Nacional. Alguns homens correm para bombordo; é a turma de Niterói que se despede. Mas antes de passarmos o Pão de Açúcar e de se desdobrar aos nossos olhos Copacabana, vejo uma tocante despedida. O comboio de navios enormes passa junto de um pequeno barco de pesca. Um pescador solitário fica em pé e acena com a mão. Seu barquinho balança fortemente com as ondas que os navios vão formando. Mas ele continua de pé, acenando lentamente a mão. Olho-o por um binóculo: é um velho pescador de camisa esfarrapada. Entre os monstros armados do oceano, sua canoa é humilde e frágil, mas ele tem uma estranha imponência. E fica lá para trás, indiferente aos balouços fortes da canoa, de pé, acenando lentamente a mão como quem cumpre um dever, como quem transmite sua pobre mensagem. Uma grande mensagem.

Setembro, 1944

A bordo, o oficial ou praça que trabalha come três vezes ao dia; quem não trabalha come duas vezes. Quem come duas vezes faz o pequeno almoço as nove e o jantar às quatro da tarde. Os americanos resolveram abrasileirar a comida, mas a comida foi mal traduzida. Não é comida brasileira nem americana; é, provavelmente, a comida típica de alguma parte do Atlântico. Come-se.

O que impressiona a bordo é a limpeza. O comandante americano, tenente-coronel McNair, declarou que tem transportado muita tropa nesta guerra e até agora não transportou nenhuma tão limpa e disciplinada como a nossa. Não sei se é costume dele dizer isso, mas que há limpeza há. Às 10 da manhã há inspeção geral dos camarotes e compartimentos. Há prêmios para o compartimento mais limpo e bem-arrumado, e os praças disputam esses prêmios. Como todos estão rigorosamente em ordem, a imaginação trabalha para ganhar o prêmio: os homens começam a enfeitar seus compartimentos, inventam coisas, dispõem os cobertores em V da Vitória. Os mais desleixados são vigiados pelos mais cuidadosos. O homem que acende um cigarro num camarote é imediatamente impedido de fumar pelos outros, porque só se pode fumar no banheiro ou no convés. E esses homens quando fumam fazem esta coisa absurda: jogam os palitos de fósforos e os tocos de cigarro exatamente nos cinzeiros ou nas latas de lixo.


Rubem Braga (esquerda em pé) com os correspondentes de guerra da FEB em 1944

Depois do equador ninguém enjoou mais. O "moral da tropa" ergueu-se. Os praças formam choros e cantam sambas e canções. Os oficiais fazem o mesmo, porém com menos bossa. Pelas seis horas fecha-se o navio; ninguém mais pode ir ao convés. As seis e meia funciona o "cabaré da Cobra”. Tem números variados, mas num cabaré há duas espécies de coisa que sempre fazem alguma falta - senhoras e álcool. A proibição de beber foi rigorosamente seguida: não entrou a bordo uma gota de cachaça sequer.

Às sete e meia os oficiais têm direito a uma sessão de cinema. O salão fica mais cheio do que qualquer "poeira"; há gente sentada no chão e gente trepada nas cadeiras. Não há legendas em português, e quem não entende pergunta a quem entende o que é que houve na tela.

Pelas nove e pouco acaba o cinema e logo depois se apagam as luzes do salão, ficando só algumas lâmpadas vermelhas muito fracas.

É hora de dormir. Nas noites de calmaria, isso era difícil. Os banheiros enchiam-se, e, depois, os oficiais, uns em calças de pijama, outros em calção de física, vinham para o salão, onde se pode fumar e conversar. E ali ficavam conversando na penumbra avermelhada, até o sono bater.

Descobriram que nos corredores e escadas sempre há algum vento. E na noite mais quente da viagem formaram-se essas filas que o carioca não conhece, e que devem servir de consolo aos que esperam o ônibus, a carne ou o leite; as filas do ar...

E enquanto estamos trancados aqui na escuridão avermelhada, lá fora é a noite.

Desde que o navio saiu não vimos mais a noite. A noite nos é proibida, com sua lua e suas estrelas. Navegamos para outro hemisfério.Certamente a lua está ficando mais cheia, noite após noite. Certamente algumas constelações morreram para as bandas do sul; o Cruzeiro deve ter mergulhado nas águas. Certamente estrelas virgens para os nossos olhos subiram do horizonte. Não sabemos. Fumamos na escuridão, trancados, e conversamos sem vontade e sem fé. Uma noite, correndo os compartimentos do navio, subindo e descendo escadas, vi de repente uma estranha claridade azul. Eu estava sozinho e não havia ali nenhum PM - o polícia militar que está a todo o momento em toda parte dizendo o que devemos fazer e por onde devemos seguir, e principalmente o que NÃO devemos fazer, por onde NÃO devemos seguir.

Hesitei um instante e galguei a escada estreita e escura. Tropecei numa soleira e dei mais dois passos. Aquela desconhecida claridade azul era a noite. Saltei para o ar livre sem fazer ruído. Um guarda estava ali perto, no convés, mas não me pressentiu. Há 10 dias eu não via a noite: lá estavam as estrelas e em alguma parte devia estar a lua, porque o céu era azul. Noite! Livre noite sobre a terra e sobre o mar, noite nas montanhas e no charco, no deserto e na rua, abençoada sede! Os homens que fumam cachimbo na triste escuridão vos saúdam: do fundo de nosso torpe salão vos abençoamos, oh! Lua, oh! Nuvens, oh! Estrelas do norte, oh! Grande noite azul.

Setembo, 1944

O soldado inglês é um tommie, o francês é um poilu, o brasileiro é o pracinha. Agora o pracinha vai para a guerra. O pracinha está num compartimento onde há muitos pracinhas. Há um pracinha no beliche de lona embaixo do seu e há dois pracinhas nos dois beliches acima do seu. Dentro do compartimento, a bombordo, a boreste, a ré, a vante, por baixo e por cima, há mais 379 pracinhas empilhados, todos seminus. Abaixo daquele, há outro compartimento, e abaixo desse outro há ainda outro, e acima e ao lado há outros compartimentos, todos absolutamente cheios de pracinhas do chão ao teto. Mas o pracinha mal pode ver dois ou três companheiros. As luzes foram apagadas, e só restam algumas baças lâmpadas vermelhas. Um americano me explicou o uso da luz vermelha dentro do navio trancado: a luz branca ou azul ou de qualquer outra cor apresenta grandes inconvenientes para o homem que subitamente tem de sair do interior do navio para ocupar seu posto em algum canhão ou metralhadora. Ele levará muito tempo sem conseguir enxergar nada na escuridão do mar. Se, porém, sai de um ambiente de luz vermelha, seus olhos em poucos segundos estão funcionando tão bem como se ele já estivesse há muito tempo na escuridão.

O pracinha não sabe de nada disso. Apenas vê, nas ilhas de fraca luz rubra que são vagas manchas de sangue na grande escuridão, vultos de dois ou três companheiros mais próximos. A luz vermelha espelha-se nos corpos suados. Faz um calor infernal: estamos na zona das calmarias, e quem não está de cuecas está de calção de ginástica.

Antes, pouco depois que se saiu do Rio, havia vento forte, e uma parte da tropa enjoou horrivelmente. Havia pracinhas chegados há pouco tempo do interior e que nunca tinham visto o mar em sua vida; e alguns, com o perdão da palavra, "restituíram" até a alma. Mas isso em certos lugares: não para fora do navio. Não se pode lançar nada fora do navio, nem uma ponta de cigarro; os detritos são jogados fora a uma hora certa, ao escurecer. Dizem que já houve o caso de transportes de tropas que foram seguidos pelos submarinos que se guiavam pelos detritos lançados ao mar.

O pracinha só mexe em seu beliche. São 10 horas, e às nove e meia deu o toque de silêncio. Que calor! Durante o dia o mar esteve parado, chato, como se fosse de aço mole, e do céu vinha um mormaço geral.

Foi evitando essas calmarias que Cabral descobriu o Brasil - diziam os compêndios de meu tempo. Eu também seria capaz de descobrir qualquer coisa, fosse o que fosse, para fugir a essa calmaria. O pracinha também descobre uma fuga: tomar banho.

O banheiro é grande, mas está cheio. Dezenas, centenas de pracinhas nus e seminus estão nos banheiros iluminados; são pretos, brancos, mulatos, amarelos, de todas as cores do Brasil e do mundo. Há muitos chuveiros de água salgada e apenas um de água doce em cada banheiro. Isso também é a única vantagem que pracinha leva sobre oficial, que não tem chuveiro de água doce. O pracinha toma banho e, saindo da claridade do banheiro, mergulha outra vez na escuridão do compartimento, tateando entre as pilhas de corpos nus, arrastando seu salva-vidas. É um pesado colete de lona impermeável cheio de paina, que a gente tem de carregar dia e noite. É grosso, incômodo, sujo. Uns o chamam de "pára-quedas" outros de "tatu", outros, mais elegantes de “renard”.

O pracinha consegue, afinal, acertar com o seu beliche. Amarra o salva-vidas ao lado do saco verde e sobe. E sua.

Sua-se, meus senhores, sua-se aos litros, sua-se aos potes, sua-se a cântaros neste navio trancado. Há ventiladores, há sistema de renovação do ar, e tudo isso é muito interessante. Mas o pracinha sua. Seu corpo está pegajoso, porque ele só conseguiu tomar banho de água salgada, e o sal do suor se mistura com o sal da água do banho, e o pracinha não pode dormir. Na escuridão de raras manchas rubras, ele fica pensando na vida - e, ocasionalmente, na morte. Se a distinta senhora minha leitora descesse àquele compartimento desmaiaria; é, à primeira vista, fúnebre. Aquela pretidão com manchas de sangue no ar, os homens em inumeráveis pilhas de quatro, quase nus, suando. Mas, coragem, minha senhora. Estamos no 203. Desçamos ao 303. Mais uma escada, senhora: vamos ao 403, e agora acabamos nossa viagem; é só ir ao 503. Porque além do C-503-L não há mais nada, é o próprio fundo do mar. E a escada que desce para o C-503-L é diferente das outras; ela se abre de repente, como um alçapão, dando para o profundo escuro baixo abismo, no fundo de outras escuridões que se acumulam negras lá para cima; além, mais uma escada e escuridão, e outra escada e escuridão, e outra escada e escuridão, e em cada escuridão, homens, homens e homens empilhados do teto ao chão, suando, suando, suando. Assim é o C-503-L.

Mas o pracinha agüenta. Arranja-se mais um ventilador, desce-se um cano de lona que traz ar. O pior é a impressão. E o pracinha guarda para si mesmo as suas impressões. Se tem medo, não diz. Vai para lá e fica. Depois se acostuma. Quando descobre que está vivo, e afinal de contas tem ar para respirar, e banheiro para tomar banho, se acostuma. Ali, naquele mesmo beliche onde está esticado o corpo suado do nosso pracinha, já esteve o corpo de um soldado americano que ia atravessando o Atlântico para leste, ou o Pacífico, para oeste, para lutar. Ali já esteve o corpo de um soldado francês que ia lutar pela sua terra escravizada. Ali já esteve o corpo de um italiano que ia preso para a América, depois de lutar pelo seu Duce ridículo. Este navio tem andado por muitos mares e levado muitos homens para a guerra ou para a paz. Na pobre lona onde se agita o nosso pracinha, agitaram-se, nestes últimos anos, sonhos e pesadelos, resmungos em várias línguas de homens de várias espécies. Alguns estão mortos; outros estão lutando, ou metidos em campos de concentração: ou gemendo em hospitais. O pracinha talvez não saiba disso. No meio dessa grande e tormentosa humanidade, o pracinha é um homem, é apenas um homem.

E agora ele vai dizer a sua palavra, vai intervir, como homem, no destino da humanidade. Saiba ou não saiba disso, o pracinha vai.

E isso é o que serve.

Amanhece. O pracinha toma banho, faz seu pequeno almoço, sobe para o convés, para o ar livre. Há espumas no mar, acabou-se a calmaria, não haverá mais calor. O navio marcha. E com o navio marcha o pracinha, marcha para as neves onde vai lutar por um mundo em que ninguém mais precise viajar no compartimento C-503-L.

Por Rubem Braga

domingo, 21 de março de 2010

A Vida nos Caça-Ferro (Brasil)




Caça-Submarino G8-Graúna da Classe G

C a r a c t e r í s t i c a s

Deslocamento: 280 ton (padrão), 450 ton (carregado).
Dimensões: 52.73 m de comprimento, 7.01 m de boca e 3.04 m de calado.
Propulsão: diesel; 2 motores diesel de 16 cilindros General Motors Model 16-258S gerando 2.000 bhp, acoplados a dois eixos com hélices de três pás.
Eletricidade: ?
Velocidade: máxima de 20 nós.
Raio de ação: 3.000 milhas náuticas à 12 nós.
Armamento: 1 canhão de 3 pol. (76.2 mm/50); 1 canhão Bofors L/60 de 40 mm em um reparo Mk 3; 2 metralhadoras Oerlikon de 20 mm em reparos singelos Mk 4; 2 lançadores óctuplos de bomba granada A/S (LBG) de 7.2 pol. Mousetrap Mk 20 na proa; 2 calhas de cargas de profundidade Mk 3 e 2 projetores laterais do tipo K Mk 6 para cargas de profundidade Mk 6 ou Mk 9.
Sensores: 1 radar de vigilância de superfície tipo SF ou SL; 1 sonar de casco.
Código Internacional de Chamada: ?
Tripulação: 65 homens, sendo 5 oficiais e 60 praças.
Obs: Características da época da incorporação na MB.

H i s t ó r i c o

O Caça Submarino Graúna - G 8, ex-USS PC 561, foi o primeiro navio a ostentar esse nome na Marinha do Brasil, em homenagem a essa ave negra de nossa fauna. O Graúna foi construído pelo estaleiro Jeffersonville Boat and Machine Co., em Jeffersonville, IN. Foi lançado em 1º de maio de 1942 e incorporado a Marinha dos EUA em 11 de julho. Foi transferido e incorporado a MB em 30 de novembro de 1943 em cerimônia realizada em Miami, Florida. Naquela ocasião, assumiu o comando, o Capitão-Tenente José Leite Soares Júnior.
O custo de aquisição dos Caça Submarinos dessa classe em 1942-43 era de US$ 1,7 milhões.

Em seu livro "A Marinha do Brasil na Segunda Guerra Mundial", o Almirante Arthur Oscar Saldanha da Gama, descreve o serviço e a vida a bordo dos Caça-Submarino, carinhosamente chamado pelo pessoal da Armada de "Caça-Ferro", em artigo compilado da Revista do Clube Naval, n.º 252, de maio de 1978, de autoria do Almirante Rubens José Rodrigues de Mattos, intitulado "A Vida nos Caça-Ferro, durante a II Guerra Mundial".
Segue abaixo o depoimento transcrito da revista, conforme acima assinalado:


"Os navios menores, os do tipo SC, foram substituídos pelos PC’s, de 173 pés, casco de ferro, dos quais tivemos oito com nomes iniciados pela letra "G". Como os caças de 110 pés, estes foram projetados para patrulhas com bases nos portos; contudo, tanto na Marinha americana, como na nossa foram usados intensamente nos comboios. A prova máxima destes barcos de 173 pés consistia na escolta do comboio Recife-Trinidad (JT), principalmente na volta, aproado aos ventos alísios e o mar sempre cavado, em 11 a 13 dias de viagem.

Esses navios receberam o radar e tinham melhor tipo de sonar, maior raio de ação e melhores acomodações que os SC’s de madeira, mas eram, assim mesmo, muito deficientes. Eram navios para gente jovem, pois os mais velhos não poderiam resistir à dura vida de bordo. Podemos dizer, sem receio de errar, que os homens que tripulavam esses navios, se não eram, tornaram-se verdadeiros marinheiros.

Os da classe "G" eram melhor armados, havendo, entre eles algumas diferenças nas peças usadas, principalmente no canhão de 3 polegadas e nas metralhadoras de 20 mm, quando foram introduzidos os canhões automáticos de 40 mm. Todo armamento era de duplo uso, de superfície e antiaéreo, se bem que nunca foram disparados contra aviões (na MB) .

Em ambos os tipos, o ponto crítico estava na limitada velocidade máxima, muito próxima da de ataque anti-submarino de 15 nós. Contudo eram navios de fácil manobra, condição essencial para a sua função principal, isto é, combater submarinos imersos. Os "G’s" eram navios de 280 toneladas, dois motores de 2.880 com dois hélices, 60 toneladas de óleo diesel e 65 homens de tripulação.

Os caça submarinos eram empregados em todas as missões anti-submarinos, quer na patrulha, quer nas escoltas de comboios. Essas não eram, na realidade, missões empolgantes ou gloriosas, de curta duração, como acontecia com os avioes militares, os quais recebiam informes precisos, saindo as aeronaves para o ataque aos submarinos plotados. Voltavam esses pilotos às suas bases cheios de excitação, contando, com profusos gestos de mão, os detalhes do combate. A vida de um caça submarino no mar era, pelo contrário, monótona e cansativa, prolongando-se por dias seguidos, sem nada acontecer. A Vitória da missão estava, justamente, em nada de anormal haver no comboio, para os mercantes chegarem, com as suas valiosas carga, incólumes aos seus destinos.

A tripulação de um "caça-ferro" , tipo G, assim chamado para distinguir do "caça-pau" do tipo J, era de 60 homens fortes, moços e capazes, pois de outra forma não resistiriam àquela vida, dividida nos clássicos "quartos", "de serviço", "de retém", e "de folga", folga esta em que nada significava, porque no mar, em tempo de guerra, todos trabalhavam. Os Postos-de-Combate eram rapidamente guarnecidos nas emergências, que não eram poucas e sempre nas horas de maior perigo para o comboio, isto é, nos crepúsculos matutino e vespertino. Estes Postos, atendidos por todos, sem exceção, todos os dias, com mau e bom tempo, marcavam o início e o fim do dia; contudo à noite, por qualquer suspeita, poderiam haver ocorrências, para as quais seria soada, sem hesitação pelo Oficial de Quarto, a buzina de chamada geral. Por essa razão, os homens escolhidos para os caça-submarinos deveriam ser calmos e controlados, de forma a poder, receber chuva e vento frio na cara e voltar meia hora depois para retomar o sono e dormir, até que a buzina soasse novamente. Nos Postos-de-Combate, os homens compareciam, obrigatoriamente, vestindo os capacetes de aço e coletes salva vidas, espalhando-se pelo navio, fechando, na ordem prevista, as portas estanques, e guarnecendo seus postos no armamento, comunicações e máquinas. Em segundos estava o navio pronto, na sua mais alta eficiência, para o combate. Sem indisciplinas ou esmorecimentos, essa gente, vigilante e coesa, estava pronta para qualquer eventualidade; o endoutrinamento era de tal forma perfeito, que poucas ordens eram dadas, sendo unicamente ouvidos os ruídos normais dos aparelhos e a voz severa e serena do Comandante.

Ãs vezes, o tempo era bom, que minorava as condições de vida num caça-submarino que, de convés baixo e levando alta velocidade, obrigava homens aquecidos em seus beliches a se levantarem, já vestidos, e enfrentarem borrifos das ondas, quando atendiam em segundos, os seus postos. Em outras ocasiões, o tempo era mau: o vento soprava forte e o mar varria a proa a cada caturro do navio. A guarnição do canhão de proa era a que mais sofria; a onda invadia o barco, carregando tudo, a ponto de, por vezes, desaparecer no mar, como perdidas fossem, mas ao navio se levantar , rápido, lá estavam os homens, sem um protesto, inteiramente molhados, agarrados como podiam, sem contudo abandonarem seus postos e prontos para fazer o canhão despejar fogo contra o inimigo.

Malgrado toda essa provação e atenção permanente, a vida administrativa do navio continuava; havia a "parada", quando o Imediato distribuía o serviço para limpeza e conservação do material; alem do mais cozinhavam e comiam; quando havia ordem, recebiam meio balde de água para o banho, se bem que água era artigo de luxo e sempre apreciada e poupada. Também, não eram esquecidos os Postos de Incêndio, de Colisão e de Abandono. A cada homem cabia, no convés ou na máquina um incumbência específica, mantida sempre em boas condições.

Os caça submarinos eram navios excelentes: dificilmente os arquitetos navais poderiam fazer um barco tão completo e, ao mesmo tempo, tão compacto. Eram bem armados, com um canhão de duplo uso, de 76 mm na proa; a meio-navio havia instalado um canhão de duplo efeito de 40 mm Bofors, mesmo tipo daqueles fornecidos pelos EUA à URSS, durante a guerra. Além disso, possuía duas metralhadoras, de superfície e anti-aérea de 20 mm Oerlikon, e , no ataque anti-submarino, duas calhas duplas de doze foguetes, dois morteiros K de bombas de profundidade, em ambos os bordos e finalmente as calhas de bombas de profundidade na popa. As calhas de bombas apenas deixavam cair os petrechos, mas os morteiros em K podiam variar a distância, conforme a carga de projeção usada.

Os alojamentos eram confortáveis e com boa ventilação; cada homem dispunha de um beliche e um armário de alumínio, pequeno, mas muito prático. Por ante-à-ré do passadiço ficava a estação rádio bem aparelhada e, logo depois a praça d’armas, tudo no convés principal. A coberta do rancho da guarnição era localizada a ré, ao lado da cozinha, onde o fogão elétrico era o justo orgulho do cozinheiro, membro eficiente da metralhadora de BE. Dois eixos acoplados hidraulicamente aos motores principais davam ao navio, ao fim de 30 segundos, inicialmente a velocidade de 7 nós, indo depois até 18 nós. O fato de levar algum tempo para o acoplamento e arrancar já nos 7 nós, quando se dava a partida no forte motor diesel, pertubava os manobristas de renome, dificultando as atracações e outras manobras,. Era porém otimo navio no mar, apesar de baixo, e os seus dois lemes faziam o navio girar muito rapidamente, condição necessária à caça do insidioso inimigo, o submarino."


Fonte: "A Vida nos Caça-Ferro" - Almirante Rubens José Rodrigues de Mattos - Revista do Clube Naval, n.º 252, de maio de 1978

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Josef Mengele e os gemêos

Josef Mengele era um cientista nazista envolvido em um programa de genética que tinha a tarefa de criar uma raça superior de povos arianos. O trabalho de Mengele, ou o "Anjo da Morte", como era chamado, foi o de encontrar formas de aumentar as chances de uma mãe dar à luz a gêmeos. Enquanto trabalhava no campo de concentração de Auschwitz, Mengele fez uma série de experiências brutais em gêmeos, a maioria morreu com os resultados das cirurgias ou de feridas infectadas mais tarde.

Uma noite, o anjo da morte colocou 14 pares de gêmeos para dormir em sua sala de operações. Ele então injetou clorofórmio diretamente em seus corações, matando-os instantaneamente e começou a dissecá-los, tomando notas de cada pedaço de seus corpos. As autópsias eram uma parte importante das experiências de Mengele.

Em outro experimento bizarro, ele levou um par de gêmeos ciganos e costurou-os juntos, a remoção cirúrgica das veias deixou-os com gangrena. Um gêmeo que sobreviveu e esteve sob os cuidados do médico lembrou que seu irmão veio a perder a sua vida;

"Dr. Mengele estava sempre mais interessado em Tibi. Não sei porquê, talvez porque ele era o gêmeo mais velho. Mengele fez várias operações em Tibi. Uma cirurgia em sua espinha deixou meu irmão paralisado. Ele não podia andar mais. Então eles tiraram seus órgãos sexuais. Após a quarta operação, eu não vi mais o Tibi. Eu não posso dizer-lhe como me sentia. É impossível colocar em palavras o que senti. Eles haviam tirado o meu pai, minha mãe, meus dois irmãos mais velhos e, agora, meu irmão gêmeo."

Os gêmeos de Auschwitz foram alojados em quartos mais confortáveis do que os outros presos, tinham melhor alimentado e estavam a salvo das câmaras de gás. Mengele se apresentava aos gêmeos como 'Tio Mengele "e dava-lhes doces. A maioria dos registros mantidos por Mengele foram perdidos ou destruídos no final da guerra, de modo que a extensão de suas atrocidades, nunca será conhecida. Sabe-se contudo que, durante a II Guerra Mundial, cerca de 3.000 gêmeos foram para Auschwitz, mas apenas cerca de 52 deles iriam conseguir sair dali vivos.

Depois da guerra, Mengele conseguiu escapar da Alemanha depois de receber uma falsa identidade de inocentes trabalhadores da Cruz Vermelha que forneciam documentos para milhares de refugiados. Ele fugiu primeiro para a Argentina e, em seguida, rodou pela América do Sul em uma tentativa de evitar a captura e julgamentos de crimes de guerra. Acredita-se que ele possa ter continuado seus experimentos genéticos no Brasil na década de 1960. Isso por que na cidade gaúcha de Cândido Godói, uma em cada cinco gestações resultam em gêmeos, a maioria dos quais loiros e de olhos azuis.



Encontro anual de gemêos em Godoi(RS) / Brasil

Moradores afirmam que Mengele visitou a cidade em várias ocasiões e que ofereceu tratamento médico para as mulheres. Normalmente, nascem gêmeos em cada oitenta gravidez assim, parece que em Cândido Godói, Josef Mengele conseguiu alcançar o seu sonho de criar o que ele acreditava ser uma raça superior.

Abaixo  um pedaço da matéria no Telegraph:
 

"Camarasa conversou com a população de Cândido Godói, a maioria de descendência germânica, e muitos contaram que um educado alemão que se apresentava como Rudolph Weiss, e era especialista em reprodução, passou pela cidade na década de 1960, pouco antes do surgimento dos gêmeos em série. Este homem, que muitos na cidade acreditam que era Mengele, atendeu mulheres, acompanhou gestações e as prescreveu medicação. Há uma ocorrência de gêmeos a cada cinco nascimentos em Cândido Godói, bem superior à média de um nascimento de gêmeos a cada 80 partos."


   
Biografia: Mengele: o Anjo da Morte na América do Sul
http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/southamerica/brazil/4307262/Nazi-angel-of-death-Josef-Mengele-created-twin-town-in-Brazil.html

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Ações na Terra de Ninguém (FEB)

Durante o período em que o I/11º RI defendeu o Quarteirão de Iola, lançou inúmeras patrulhas de reconhecimento e emboscada, em que se procurava delinear as posições ocupadas pelo inimigo e as unidades que as mantinham, o que procurava grande reação por parte dos alemães, constituindo-se na zona mais batida de toda a FEB, como bem assinalavam os boletins de informações da 1º DIE.
A posição por nós ora ocupada dominava inteiramente o vale do Rio Panaro, descortinando novos horizontes, tal côo ocorrera com os alemães, em relação ao Rio Reno, durante o tempo que dominaram essas mesmas alturas.

Entre os fatos marcantes de nossa permanência no Quarteirão de Iola teve destaque especial a descoberta, por parte de nossas patrulhas um grande deposito de munições deixado pelos alemães quando da ofensiva aliada que os desalojou das alturas daquele divisor de águas. Tal depósito, de difícil acesso por nosso lado, encontrava-se localizado agora na “terra de ninguém’, a sudoeste de Montese e próximo as atuais linhas inimigas, protegido assim por sua vigilância e tiros.
A descoberta desse grande depósito de munição de artilharia de morteiro 88 mm, que os alemães deviam estar planejando recuperar, levando-o de volta ao interior de suas linhas, fez com que o Major Lisboa deliberasse ser de capital importância sua destruição, o mais rápido possível, embora não fosse nada fácil sua execução.
Tal destruição exigia homens calmos, inteligentes e especializados, pois não se tratava de uma missão de patrulha – pois bons patrulheiros o Batalhão estava cheio – mas de empreendimento que, alem das qualidades necessárias ao bom patrulhador, demandava uma grande dose de conhecimentos técnicos sobre explosivos. Não foi difícil achar quem iria dirigir tão perigosa incursão pela “terra de ninguém”, pois apesar daquele Tenente ter chegado ao batalhão a pouco tempo, já havia conquistado a amizade, o respeito e a admiração de todos nos, pois alem de seu modo respeitoso e simpático de a todos tratar, vinha demonstrando coragem, calma e sangue frio no cumprimento de sua difícil função – oficial responsável pela colocação e retirada de minas e armadilhas. O Ten. Adhemar de Lima Andrade havia concluído, com ótimo aproveitamento, um curso onde aprendera todos os segredos sobre minas e explosivos.
Eu já me entendia muito bem com aquele baiano, sereno, sem arrogância, disciplinado, leal, senhor dos seus nervos, que tão bem se amoldara ao ótimo ambiente reinante entre os oficiais do Estado Maior do I/11º RI. Como fui um dos poucos, a saber, que lhe coubera, pude sentir ao mesmo tempo em que pedia a Deus pelo seu sucesso, toda a sua serenidade e determinação. Ao vê-lo, reunindo e instruindo seus homens, dava-me a impressão de que ia executar o mais comum e rotineira das operações.
Numa noite intensa escuridão lá vai o Adhemar e seus homens. Ultrapassaram Iola, II Truffi e Bicocchi, Entram em contato com os nossos postos mais avançados e, cautelosos, silenciosos e determinados, sobem a primeira cota gêmea, que vasculham com cuidado, de modo a não serem percebidos pelo inimigo tão próximo. De repente, na contra-encosta, um sorriso de satisfação – lá estava o depósito.
Calmo, como que estivesse articulando uma simples brincadeira com o Yvon ou o Quintiliano, ele estudou a situação do depósito, investigou, calculou, prendeu cargas e detonadores com retardo e, terminada a missão, voltou ao PC, cansado, mas feliz, onde se apresentou ao Major Lisboa, simplesmente, sem jactância ou basófia:
- Pronto, Major, missão cumprida!
Nada vimos ou ouvimos até então, pelo que permaneci ansioso, na expectativa de um não desejado fracasso – os segundos parecendo horas – e nada, de explosão.
Mas, minutos após, tremenda explosão é ouvida, alertando brasileiros e alemães. De dentro do meu peito, liberto, rugiu todo o meu entusiasmo: Eta! Baianinho bom!
Os nossos telefones começam a chamar insistentemente, todos querem saber o que aconteceu, principalmente o E/2 da Divisão:
- Que houve na frente do Batalhão?
O Major Lisboa, calmo, o Deschamps, mais calmo ainda, mas tremendamente orgulhosos pela façanha, vão respondendo:
- Não foi nada. Os alemães acabam de ficar com o seu estoque de munição ainda mais diminuído.
O bravo baiano, antes de ir dormir e sem dar o devido valor à grandeza do ato que praticara, mas tremendamente senhor de si, ainda brinca com o Yvon:
- Viu Doutor, como é perigoso entrar em local cercado por tiras brancas.



Fonte:
Montese – Marco Glorioso de uma Trajetória
Coronel Adhemar Rivermar de Almeida
Editora: Bibliex
Pag:130, 131 e 133

domingo, 20 de dezembro de 2009

Relatório do Esquadrão de Reconhecimento da FEB na Itália

1ª DIVISÃO DE INFANTARIA EXPEDICIONÁRIA
1º ESQUADRÃO DE RECONHECIMENTO
RELATÓRIO ORGANIZAÇÃO
[Pelo Capitão Plínio Pitaluga]

Com a criação da 1ª D.I.E. [Divisão de Infantaria Expedicionária-FEB] em fins de 1943, o 2º Regimento Moto-Mecanizado, então sediado na Capital Federal, recebeu ordens para preparar um de seus Esquadrões para participar da Campanha da Itália. Foi designado o 3º Esquadrão de Reconhecimento e Descoberta. Somente em 4 de fevereiro de 1944 foi dada autonomia administrativa à nova Unidade que passou a ocupar um pavilhão de madeira ao lado do picadeiro da Escola das Armas, ficando entretanto subordinado ao 2º Regimento Moto-Mecanizado quanto à alimentação. Embora não dispondo de todo o material orgânico foi iniciada a instrução, visando inicialmente ao preparo moral e cívico. Em fevereiro e março de 1944, foram distribuídas 5 viaturas blindadas de reconhecimento e viaturas de rolamento misto [meia-lagartas], facilitando assim a formação dos motoristas. O selecionamento [sic] dos homens não foi completo, não se levando em conta especialização da Unidade. Isso prejudicou seriamente a formação dos motoristas, principalmente pela falta de reservas. A 9 de fevereiro de 1944 o 1º Esquadrão de reconhecimento foi incorporado a 1ª D.I.E. e a 11, deslocou-se para a região de Barra de Guaratiba onde realizou o 1º acampamento, visando principalmente o melhoramento do estado físico. Um oficial do Exército Americano, da reserva, foi designado para permanecer adido ao Esquadrão, orientando o emprego e manutenção do material de origem americana.

Com a mudança da Unidade para os pavilhões do Capistrano, muito embora sem o conforto necessário, a alimentação foi melhorada, procurando se adapta ao regimem americano. A instrução de tiro foi intensificada e as medidas burocráticas de declaração de herdeiros e fichas de desconto foram ultimadas. O Esquadrão participou do desfile do dia 24 de maio e realizou um exercício de emprego de Pelotão como demonstração ao Exmo. Snr. Cmt. Da 1ª D.I.E. Quando do embarque do 1º Escalão, O Esquadrão menos o 2º Pelotão, deslocou-se para o Retiro dos Bandeirantes onde esteve durante 4 dias, realizando principalmente exercícios de tiro de canhão, a.a. [armas automáticas] e morteiro 81mm.

Neste relatório aparecem duas fases de treinamento e entrada em ação correspondente ao 2º Pelotão que embarcou o 1º Escalão, e a outra fase ligada ao grosso do Esquadrão. Uma revisão do estado sanitário da Unidade, afastou 20% do efetivo. Esse claro foi preenchido, na véspera do embarque, por elementos do Depósito de Pessoal da F.E.B. O 2º Pelotão embarcou no dia 30/VI/1944, fazendo parte do 1º Escalão, no transporte americano - "Gen. Mann", tendo chegado a Nápoles no dia 16/VII/1944, dirigindo-se para Bagnoli, onde acampou.

2ª Parte

a) Fase de treinamento na Itália

O 2º Pelotão permaneceu em Bagnoli até o dia 30/VII/1944, quando foi transportado, em trem, para Tarquinia, onde começou a receber o material e intensificar a instrução de motorista e serviço em campanha. Um oficial [O comandante do destacamento, Capitão Flávio Franco Ferreira] e 5 praças foram [aperfeiçoar?] os conhecimentos sobre armamento e minas, em Caserta. No dia 5 de agosto o 1º Escalão da F.E.B. era incorporado ao Vº [sic] Exército Americano, de onde passou a receber as diretivas para a instrução, que entrou em uma fase intensiva, exigindo um esforço diário de 10,00 horas.

No dia 18/VIII/1944, o 2º Pelotão seguiu para Vada, entrando na 2ª fase de treinamento tendo participado de grande exercício realizado no norte de Vada. O oficial e praças fizeram estágio junto as unidades americanas que estavam em contato com os alemães.

3ª Parte

Transporte - (b)

O grosso do Esquadrão embarcou com o 2º escalão no dia 20 de setembro de 1944, no transporte americano Gen. Mann, desatracando o navio a 22.

No dia 6 de outubro de 1944 chegou a Nápoles, e a 9 em lanchas americanas o Esquadrão foi transportado para Livorno, onde chegou a 11. No mesmo dia, em viaturas seguiu para a área de estacionamento em Pisa, onde acampou. Todos os deslocamentos foram feitos em segurança e o estado sanitário da tropa não apresentou alteração sensível.

4ª Parte

Treinamentos

O Vº Exército, com os deslocamentos de elementos para a invasão do sul da França, atravessava uma crise de efetivos e também devido as condições topográficas encontrava-se na defensiva, detido nos contrafortes dos Apeninos.

Não havia necessidade de tropa de reconhecimento e daí a decisão de se deixar o Esquadrão em último lugar na ordem de preferência para o recebimento de material. Inicialmente foram entregues algumas viaturas de 1/4 Ton. [Jipes] para o transporte e instrução. O armamento somente nos primeiros dias de novembro, começou a ser distribuído atrasando assim o início da instrução de tiro. O esforço foi voltado para o preparo físico e moral, tendo em vista que a mudança de ambiente, a vida em comum em grande acampamento, os problemas sexuais e outros estavam concorrendo para o afrouxamento dos laços disciplinares.

Nesta fase, foi feita uma nova inspeção de saúde visando as doenças venéreas e o tratamento odontológico. Oficiais e praças freqüentaram cursos de informações ministrados por oficiais americanos e curso de minas e armadilhas quer na área do estacionamento ou em Caserta. A tropa ficou acampada utilizando-se as barracas para 2 praças levadas do Brasil e que não apresentavam boa vedação a água. A alimentação toda americana não foi aceita inicialmente com agrado por parte dos praças. As condições de limpeza e higiene do acampamento, no do Esquadrão eram satisfatórias.

No dia 6 de novembro o Esquadrão recebeu ordens para apressar o recebimento de material de diversas procedências, tendo em vista o seu emprego imediato sem passar pela fase de readaptação e treinamento prevista. Dentro de uma semana, quase todo o equipamento achava-se nas mãos da tropa e praticamente sem a realização de exercícios de conjunto no âmbito do Pelotão. O esquadrão era dado como pronto para entrar em ação. As últimas viaturas e reconhecimento e transporte de rolamento misto foram entregues com [sic] 4 horas antes da partida do Esquadrão para a frente, recebidas da Companhia de Manutenção sem a devida revisão. Os morteiros 60 mm recebidos na véspera não foram utilizados em exercícios de tiro por absoluta carência de tempo, agravada a situação pelo fato de não ter ainda no Brasil, feito o emprego dessa arma, por falta de munição. Muito auxiliaram o recebimento desse material a ação de oficiais americanos e a capacidade da 1ª Companhia de Manutenção. O volume de material recebido ultrapassava a capacidade de transporte das viaturas orgânicas da unidade, daí a necessidade de se conseguir do G4 [Seção do Estado Maior responsável pela Logística, na FEB chefiado pelo Major Aguinaldo José Senna Campos], 2 viaturas de 2 1/2 toneladas para auxiliar o deslocamento.

Principalmente na parte de transmissão o aumento de acessórios e sobressalentes foi considerável. O espírito combativo da tropa era bom, mostrando-se o homem ansioso por entrar em ação. Não foi possível proporcionar a turmas de praças estágio na linha de frente, pois o 2º Pelotão que se encontrava a disposição do Destacamento General Zenóbio, nessa ocasião achava-se em reserva. No dia 13 de novembro os oficiais reconheceram a região de reunião, em Granaglione, e no dia 15 o Esquadrão, em 2 colunas, deslocava-se para Granaglione. No dia 16, o 2º Pelotão reuniu-se ao Esquadrão, continuando porém em Capugnano.

[A ação em Collechio-Fornovo]
Ligação:

Pelo rádio o Snr. Cmt. Da 1ª D.I.E., teve ordem de procurar, no Q.G. o G3 [Seção de Operações do Estado Maior, no caso da FEB, chefiada pelo Ten. Cel. Humberto de Alencar Castello Branco], para receber nova missão e esclarecer a situação do Esquadrão.

Perseguição
Passagem do Panaro

No dia 23, pela calma apresentada nas posições e por informações de civis sobre a retirada do inimigo, o 3º Pelotão foi lançado, às 11 horas, sobre Marano, tendo realizado a travessia, a vau, sem qualquer oposição. O grosso do Esquadrão reuni-se em Marano entrando mais tarde em ligação com a direita, com o III/11º R.I. e a esquerda II/6º R.I. Pela ordem transmitida pelo rádio, o Esq. aguardou em Marano nova missão, para o dia 24.

Ordem de descoberta nº 29 - (G2) [Seção de Informações do Estado Maior]

(Extrato)

I) - Situação:

a) - O inimigo retraiu-se do corte de Parano segundo o eixo:
1 - Vignola - Castelvetro - Sassuolo.
2 - Pavulo - Montesino - Prignano.

e) Tropa amiga:
Elementos da 897 T.D. [Tank Destroyers - batalhão norte-americano de Carros de Combate], agindo segundo o eixo Vignola-Fornigine atingiram no fim da jornada de 23 esta última localidade, levando os reconhecimentos a Sassuolo.

II - MISSÃO DO ESQUADRÃO

1) Lançar-se pelo eixo: Marano - Castelvetro - Sassuolo de modo a esclarecer, por meios de golpes de sonda, as transversais que vem a ter a este eixo por S.W.
2) Embora informações de que o inimigo tenha empregado destruição maciça ao longo do eixo: Marano - Croseta - Montesinoj - Pelegrineto - Malacoda - Ponte Nuova [sic] - cumpre lançar um elemento ligeiro afim de reconhecer o mesmo. Instalar-se em fim de jornada com o grosso na região de Ponte Nuovo. O 2º Pelotão deu diversos golpes de sonda e pelas informações colhidas, a zona achava-se completamente limpa de inimigo organizado. As 10 horas as vanguardas atingiram Sossuolo - Ponte Nuovo e entrou em ligação com elementos do Esquadrão de Reconhecimento da 34 D.I. [Divisão de Infantaria] Americana.

Prisioneiros

Foram feitos quatro prisioneiros na região de Ponte Nuovo. Não se constatando a presença de inimigo organizado, o 1º Pelotão foi lançado para Cavalgrande - Scandiano e reconhecer região de M. Evangelo - Montebabbio - Castellarano - reunindo-se em Ponte Nuovo com o grosso do Esquadrão.

Transposição do Enza

As 15 horas de 24, o Esquadrão recebeu em Ponte Nuova, a ordem de Descoberta nº 30.

I – Situação

a) O inimigo dispõe dos restos das Divisões 232 – 114 – 334 que foram batidas pelo IVº Corpo.
É possível encontro com resistências retardadoras.

b) Tropa amiga:

A D.I.E. prosseguirá na ofensiva para NE devendo atingir no fim da jornada de hoje as margens E da Torrente Tresinaro.

II – MISSÃO DO ESQUADRÃO:

Descoberta do eixo – Sassuolo – Scandiano – Albinea – Quatro Castelo – atingindo em primeiro lanço a transversal Reggio – Casloa, reconhecer a estrada número 63, de albinea [sic] a Casina e levar a descoberta ao corte da Torrente Enza, ocupando a ponte S. Polo, sobre a mesma.

III – LIGAÇÕES E TRANSMISSÃO-

Pelo rádio posto a posto, em escuta permanente; informação mesmo negativa nas horas cheias.

IV – EXECUÇÃO – Imediata -

O movimento foi iniciado às 16 horas.

O 1º Pelotão continuou na vanguarda e as 17 horas informava que tropas americanas já se encontravam em contato com uma resistência em Vassano, na estrada 63, entre Casino e Albinea.

Em vista da situação, o comandante do Esquadrão resolveu continuar a missão diretamente sobre S. Polo d’Enza, não realizando o reconhecimento de Cassina.

O 2º Pelotão ultrapassou o 1º Pelotão que se reagrupou nas proximidades de S. Polo e o 3º Pelotão foi lançado sobre Bebiano, de onde saíra uma coluna inimiga em direção a Montecchio de Emilia – O esquadrão passou a noite de 24 para 25 guardando as passagens de S. Polo Enza.

Ação em Parma – No dia 25 o 1º Pelotão foi lançado sobre Traversetolo, ocupando [esta?] localidade e vigiando as saídas para Parma e Laghirano. Uma patrulha, comandado [sic] pelo próprio comandante do Esquadrão esteve em Panocchio e Laghirano, onde estabeleceu ligação com chefes dos partesanos [sic] e com oficiais ingleses pára-quedistas que afiam com os combatentes italianos. Informações foram prestadas sobre presença de alemães em Colecchio e o deslocamento de 2 batalhões de Berceto para Fornovo.

A ordem de descoberta nº 31 de 25, recebida às 14 horas, em S. Polo d’Enza, previa os reconhecimentos já realizados em Laghiano e como a zona compreendida entre o Enzo e o Parma estava livre do inimigo, o Esquadrão foi lançado para a região de Porpurano e entrou em ligação com o Esquadrão de Reconhecimento da 34 D.I. (americana) – o 3º Pelotão foi reconhecer as orlas de Parma e atacou, com elementos a pé, um posto avançado inimigo que foi dominado, tendo os alemães as seguintes baixas:

Prisioneiro..............1
Morto..............1
Ferido..............1

Essa ação concorreu para facilitar a progressão da infantaria da 34 D.I.

AÇÃO DE VANGUARDA EM COLLECCHIO

Por oficial de ligação do G2 [Informações], o Esquadrão recebeu as 12 horas do dia 26, ordem para se lançar sobre Collecchio, para guardar as passagens do Taro –

O Esquadrão cumpriu a missão, com o 3º Pelotão em vanguarda pelo eixo:

Proporano – Gaione – S. Martino –

Ao atingir as orlas de Collecchio o 3º Pelotão foi detido por fogos de a.a. e carros de reconhecimento inimigos.
O 2º Pelotão desbordou pelo flanco esquerdo, tentando penetrar na cidade, sendo repelido por forte fogo de carros blindados.

O 1º Pelotão em reserva guardando a estrada para Sala Baganza.

Uma patrulha do 2º Pelotão tentou o flanqueamento de Collecchio e entrou em ligação em Vino Fertili, com uma Cia. de Infantaria americana.

O contato foi mantido e o Esquadrão foi reforçado inicialmente às 16 horas por uma Companhia do III/6º R.I. transportada em viatura e às 18 por elementos do II/11º R.I.

Às 17 horas os 2º e 3º Pelotões protegidos por elementos do 11º R.I. e do 6º R.I. penetraram na cidade, retirando-se para as orlas da cidade.

A Sec. de Eng. Nessa jornada organizou a defesa de Sola Bagaza, auxiliando a defesa do flanco do Esquadrão, tendo preparado a estrada para destruição.

No dia 27, o Esquadrão auxiliou a dominar um núcleo de resistência em Collecchio.

Às 9 horas o G2 da 1ª D.I.E. [Ten. Cel. Amaury Kruel] pessoalmente transmitiu, verbalmente, a nova missão do Esquadrão.
“Um destacamento de descoberta, formado por uma Cia.de Infantaria do 1º Regimento de Infantaria, o Esquadrão de Reconhecimento – uma Sec. de Engenharia, deveria se deslocar para a região de Castel de S. Giovani para guardar a ponte do rio Pó; lançar patrulhas para Borgonoro; aprisionar elementos inimigos dispersos”.

Foi marcada uma região de reunião na ponte de Taro, estrada número 10 e o Esquadrão deslocou-se às 10 horas de Collecchio. Somente às 14 horas apresentou-se o Major Comandante do Destacamento que ao tomar as primeiras providências, no ponto reunião recebeu ordem, com nova missão ao Esquadrão.

“Remanescente [sic] inimigos, batidos em Collecchio, retiram-se apressadamente pelo eixo Fornovo-Noceto.

Deveis interromper missão e lançar-se imediatamente sobre o eixo Castelguelfo – Noceto – Fornovo de maneira a exterminar o inimigo que desordenado retira-se na direçào da via Emilia”.

Imediatamente, o Esquadrão lançou-se em 2 colunas, deixando o T.C. em Ponte de Taro.

1) – Grosso – pelo eixo Noceto – Medesano – 1º e 3º Pelts.
2) – Flanco guarda – 2º Pel. pelo eixo Stradela – Belicchi – Medesano.

Foi estabelecido ligação com carros de combate americanos, na altura de Noceto e nas saídas de Medesano para Felegara, o 3º Pel., vanguarda foi hostilizado com fogos de a.a. – o 1º Pel. foi lançado pelo eixo de S. Andre, no flanco direito e chegando a essa localidade onde se entregaram cerca de 800 prisioneiros.

Em Medesano 3º e 2º Pelotões apeiaram para o combate as 22 horas as resistências reveladas foram vencidas.
Prisioneiros

Em Medesao..............120
Em S.Andre..............800
Feridos..............12

Além disso grande quantidade de armamento foi capturado, que por falta de tempo e de pessoal não foi avaliado.
Uma casa foi incendiada pelo fogo dos M 8

- Noite de 27/28 – O esquadrão permanceu patrulhando as saídas para Flegara e o Vale do Rio Taro.

Na manhã de 28, o Esq. Montou uma ação sobre Felegara com o seguinte dispositivo:

2º Pel. – no eixo Medesano-Felegara.
1º Pel. – de S. Andre para Felegara.
3º Pel. – de reserva no eixo Medesano, Felegara.

Na entrada de Felegara o 2º Pelotao entrou em contato, não podendo prosseguir pela ameaça de envolvimento no flanco esquerdo e por resistência revelada nas elevações a N de Felegara – o 3º Pel. foi lançado no flanco esquerdo, vale do Taro e 1 Pel. da 7ª Cia. do III/6º R.I. foi transportado de Medesano para a região, progredindo pelas alturas.

Os alemães se retiraram, deixando grande quantidade de armamento (Mtrs. Anti-carros [sic]-fuzis), 5 viaturas automóveis e viaturas hipomóveis, animais. Foram feitos cerca de 30 prisioneiros.

O Esquadrão sofreu as seguintes baixas: -
Feridos
Soldado..............1

Viatura incendiada
M 8..............1

Essa viatura foi atingida por um tiro de “lança rojão” na entrada de Felegara. A guarnição, sob o apoio de outro M 8, abandonou-a sem maiores conseqüências.

O Esquadrão reuniu-se em Felegara e uma patrulha a pé teve contato na estrada de Fornovo. A 7ª Cia. do III/6º R.I. cerrou sobre o Esquadrão.

Para a jornada de 29, o Esquadrão recebeu a seguinte ordem:
“Retomar a progressão, para ocupar Croceta e entrar em ligação com o 6º R.I., em Fornovo; lançar elementos de captura de prisioneiros sobre Varano e estrada que passa por Rubiano”.

A noite de 28 para 29, transcorreu sem qualquer alteração e na manhã de 29 às 10 horas, quando o Esquadrão se preparava para continuar a missão, apoiado pela Cia. de Infantaria, foi procurado por um Coronel alemão acompanhado de um Capitão para entrar entendimento sobre a suspensão da luta naquele setor. Encaminhados os parlamentares ao P.C. do III/6º R.I., em Collecchio entendimentos já estavam se realizando para a rendiçào da 148ª Divisão Alemã e os remanescentes da Divisão Itália.

Os parlamentares retornaram as linhas alemãs e toda atividade cessou na frente de Felegara.

Às 14 horas o Esquadrão deslocou-se menos o Pel. Extra que permaneceu em Ponte de Taro, para Collecchio com o objetivo de colocar a retaguarda da 148ª D. Alemã, para protege-la de ataques de partesanos e entrar em ligação com as vanguardas das tropas americanas.

O Snr. Chefe do E.M. determinou que somente um pelotão (1º Pelotão) acompanhasse o comandante do Esquadrão, a Fornovo, onde se realizaram entendimento com o Chefe do E.M. da Divisão Alemã, sobre a ação dos partisanos, que ignorando a suspensão das hostilidades continuavam atacando as retaguardas. Foram realizadas outrossim, ligações com chefe dos partesanos e ainda 150 prisioneiros alemães foram devolvidos pelos italianos, a 148ª Divisão, sob a responsabilidade do Comandante do Esquadrão.

O 3º Pelotão pernoitou em Fornovo, e o comandante do Esquadrão é chamado às duas horas do dia 30 para receber nova missão no Q.G. em Montecchio.

(...)