terça-feira, 18 de maio de 2010

Uma história de um antigo operário da Outubro Vermelho


Ju 87 Stuka em Stalingrado
Pela orla estavam as pessoas, incluindo muitas crianças. Usando pequenas pás, bem como suas próprias mãos, elas cavavam buracos para protegerem-se das balas e granadas de artilharia. A amanhecer aviões alemães apareceram sobre o Volga. Em um vôo rasante eles passaram por cima de uma balsa, bombardearam e abriram fogo de metralhadoras. De cima, era muito bem visível aos pilotos que na orla os civis estavam esperando. Muitas vezes nós vimos pilotos inimigos agindo como assassinos profissionais. Eles abriam fogo sobre mulheres e crianças desarmadas e selecionavam objetivos para maximizar o número das pessoas assassinadas. Os pilotos lançaram bombas em uma multidão no momento que esta começava a subir a bordo de um barco, metralhavam os conveses dos barcos e bombardeavam as ilhas nas quais centenas de feridos tinham se acumulado. As pessoas não só cruzavam o rio em barcos e barcaças. Elas navegavam em barcos superlotados, até mesmo em troncos, barris e tábuas atadas com arame. E sobre cada ponto flutuante os fascistas abriam fogo do ar. Era uma caçada de pessoas.


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Nós retornamos à nossa fábrica no assentamento. Nós chegamos a estação de trem de Archeda e fomos a pé mais adiante. Estava muito frio. Nós viajamos dois dias. Passamos a noite em desolados abrigos externos. Nós chegamos na cidade em 14 de fevereiro. No distrito da fábrica nós encontramos o diretor P.A. Matevosyan e o diretor da garagem V. J. Jukov. Eles chegaram primeiro à fábrica e a retomaram do comando militar. Eles nos avisaram: todas as áreas da fábrica são um sólido campo minado. Só é possível andar através de trilhas feitas pelos sapadores. Nós começamos a procurar um lugar para abrigar a nós mesmos. Nós decidimos assentar moradia temporária diretamente nas propriedades da fábrica. Nós entramos no alto-forno N1 da fábrica. Era necessário examinar a localização de um porão. Nós demos uma olhada silenciosamente e atravessamos um buraco na parede da oficina. De repente nós vimos uma metralhadora posicionada num buraco em uma parede mirando a uma barreira. Nós mesmos não tínhamos nenhuma arma.
O que fazer? Nós deveríamos entrar mais adiante na oficina ou não? Nós estacamos; era necessário olhar mais além ao redor. Nós ouvimos passos vindos da direção do Volga. Dois soldados fascistas com marmitas de estanho chegaram mais próximos à nossa oficina. No caminho eles foram até a metralhadora. Ao nos verem eles ficaram atônitos. Após alguns momentos de confusão eles começaram a tagarelar em um péssimo russo: " Nós trabalhamos cozinha e garagem ". Mas nós sabíamos que não havia nenhuma cozinha ou garagem funcionando no distrito da fábrica a muito tempo. Nós dissemos " ok " e seguimos em frente. Depois de alguns minutos nós encontramos um jovem soldado - submetralhador, e perguntamos-lhe: vocês recolheram todos os prisioneiros de guerra na área da usina? " Sim, claro , ele respondeu. A mais de uma semana atrás. O que aconteceu "? Nós vimos dois fascistas e uma posição de metralhadora, nós respondemos. " Hm... Vamos " ele disse. Ele entrou na oficina com nós atrás dele. Nós descemos em um porão. Seguimos na mais completa escuridão. Nós passamos um porão localizado, e a um outro. No terçeiro era visível uma escrivaninha de madeira, forno, marmitas de estanho, uma luminária de pavio. Sobre catres, alemão deitados. O soldado iluminou o porão com uma lanterna e gritou: " Armas sobre a escrivaninha ".
Os soldados fascistas ergueram-se de seus catres e puseram suas pistolas e outras armas na escrivaninha. O soldado os conduziu para o quartel-general.

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