Babi Yar, Ucrânia, prisioneiros de guerra soviéticos na exumação de corpos de vítimas que foram assassinadas em outubro de 1941, fotografia de em 1943. |
Kiev
28 de novembro de 1943
...Durante a ocupação
de Kiev pelos alemães, eu morava na rua Tiraspolskaia, nº 55, apartamento nº2. A minha casa ficava perto de Babi-Yar.
Em 22 de Setembro de 1411 vi chegar durante o dia cerca de
10 caminhões carregados de judeus, homens, mulheres e crianças; algumas mulheres traziam bebês ao colo.
Juntamente com várias mulheres minhas vizinhas aproximei-me
sem ser notada pelo serviço de guarda alemão do local onde paravam os caminhões
e onde desciam os prisioneiros. Vimos que a cerca de 15 metros de Babi-Yar os
alemães obrigavam os judeus a despir-se e mandavam-os correr ao longo de uma
vala, fuzilando-os com pistolas-metralhadoras.
Eu própria vi como os alemães lançavam as crianças na vala. Lá
no fundo estavam não só fuzilados, mas também feridos entre os quais, crianças.
Os alemães tapavam a vala, mas a fina camada de terra mexia com os movimentos
dos que estavam vivos.
Muitas pessoas, pressentindo a sua morte, perdiam os
sentidos, rasgavam as roupas e arrancavam os cabelos, lançavam-se aos pés dos
soldados alemães, mas em resposta eram espancados.
O fuzilamento dos judeus durou vários dias.
Aconteceu encontrar-me junto do campo de prisioneiros de
guerra de Syretz. Vi que os soldados e os oficiais do Exercito Vermelho presos
não tinham roupa nem calçado, e que muitos homens estavam amarrados uns aos
outros, a uma distancia que lhes permitisse trabalhar.
No inverno de 1942, não me recordo exatamente do mês, os
soldados alemães levaram para Babi-Yar 65 marinheiros presos. Tinham as mãos e
os pés amarrados e tal modo que tinham dificuldade em deslocar-se. Andavam
completamente despidos e descalços na neve com um tempo muito frio.
Os habitantes atiraram para a coluna de prisioneiros camisas
e botas, mas estes recusaram-nas, e lembro-me que um deles disse: "Morremos pela pátria". Depois desta
declaração, começaram a cantar a Internacional, e os soldados alemães
batiam-lhes com bastões. Via-se pelos bonés que eram marinheiros. Foram todos
fuzilados.
No campo dos prisioneiros de guerra de Syretz, os alemães construíram
um forno para queimar vivos os guerrilheiros, os comunistas e os militantes
soviéticos.
Da janela do meu quarto, via os alemães a lançarem homens
vivos no forno aceso e, por vezes, ouvia-se em minha casa os seus gritos aos
serem queimados.
Na primavera de 1943 vi levarem para Babi-Yar 4 caminhões
com civis. Segundo diziam os habitantes, estes homens foram trazidos de um
local onde os alemães tinham prendido um guerrilheiro. Foram queimados no
forno.
Uma vez vi uma mulher que, ao passar junto dos prisioneiros
de guerra de Syretz, atirou por cima da cerca um pedaço de pão para os
prisioneiros. As sentinelas fuzilaram-na ali mesmo.
No verão de 1943, na época do corte da madeira, vi os
alemães obrigarem um prisioneiro a subir a uma arvore que os outros estavam a
serrar. A arvore caiu e com ela o homem, que morreu.
Pela mesma altura vi os alemães obrigarem os prisioneiros a
fazer ginástica, isto é,a rastejarem sobre o ventre numa extensão de 200 metros
com as mãos atadas atrás do das costas. Se alguns dos homens se levantavam, os
guardas os espancavam-nos.
No mesmo campo de Syretz, vi os alemães obrigarem um
prisioneiro culpado a deitar-se de bruços com as mãos atadas atrás das costa,
atiçando-lhe depois os cães. Estes mordiam no prisioneiro mas ele não podia
resistir, de contrario o espancavam. Se o prisioneiro perdia os sentidos,
obrigavam outros detidos a enterrá-lo vivo.
Gorbatcheva
(O original alemão encontra-se nos Arquivos centrais da U.R.S.S.
sobre a Revolução de Outubro, fundo 7021, registro 65, dossier 6, folhas 11 e
12)
Transcrição: Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com
Fonte: COELHO, Zeferino - O crime metódico. Ed. Inova Limitada - pg.114-116
Nota adicional sobre a foto:
Durante julho de 1943, quando os soviéticos chegaram mais perto da cidade, duas unidades especiais alemães foram formadas sob o nome de código 1005. Seu objetivo era cobrir os vestígios dos assassinatos em massa e eles supervisionaram prisioneiros de guerra que foram forçados a desenterrar os corpos nos locais do homicídio e queimá-los.
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