segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Mussolini temia efeitos da ganância nazi na Grécia


Um olhar pelo diário pessoal de Galeazzo Ciano, ministro dos Negócios Estrangeiros da Itália fascista e genro de Benito Mussolini, mostra-nos os pontos de contacto entre a Grécia da Segunda Guerra Mundial e a crise que o país vive actualmente. Patrick Cockburn destaca no jornal britânico The Independent as frases retiradas dos diários de Ciano, que datam dos anos da Segunda Guerra Mundial.

No artigo de opinião, o especialista britânico critica duramente a atuação do FMI e da União Europeia e as políticas de austeridade, argumentando que a situação atual da Grécia e a tensão vivida entre os responsáveis gregos e os credores internacionais apresenta curiosas semelhanças com o país ocupado pelas forças do Eixo.

Os avisos e a pressão sobre o ‘Duce’


Em outubro de 1940, Mussolini já ocupava a Albânia desde 1939 e vinha a pressionar constantemente a fronteira do país com a Grécia. Aliada às pretensões imperialistas e a vontade de afirmação no Mediterrâneo do regime fascista italiano estava a constante pressão de Adolf Hitler sobre o duce.

Mussolini, por sua vez, lidava com grandes perdas nos territórios do norte de África e precisava de se reafirmar enquanto potência do Eixo e sair da sombra do Führer.

Apesar dos avisos e ultimatos deixados, a invasão acabou mesmo por acontecer, a 28 de outubro de 1940. As tropas gregas ainda impuseram importantes perdas aos homens de Mussolini, mas o exército helénico acabaria por cair a 6 de abril de 1941 frente às forças italianas e alemãs.

No sucessivo, a Wehrmacht defrontou-se na Grécia com os problemas habituais de qualquer ocupação em larga escala e por um período considerável, tendo tentado resolvê-los por meio de uma expropriação sistemática da população que passara a encontrar-se sob o seu controlo.

Mussolini receava, no entanto, que essa expropriação sistemática acabasse por tornar-se contraproducente e manifestou mesmo o temor de que a "estupidez política dos alemães" na Grécia pudesse tornar-se o princípio do fim e o prenúncio da derrota de ambas, Alemanha e Itália, na Segunda Guerra Mundial.

As frases são retiradas do livro “The Ciano Diaries, 1937-1943”, publicado em 1945 (sem edição em Portugal), e alertam para o desastre económico e social do país ao fim de dois anos de ocupação.

6 de Outubro de 1942:

«Clodius (director ministerial no III Reich) encontra-se em Roma para discutir a questão financeira da Grécia, que é muito má. Se continuar a este ritmo, resultará numa inflação sensacional e inevitável, com todas as suas consequências.»

8 de Outubro de 1942: (Ciano reescreve uma das respostas de Mussolini após ter exposto as suas preocupações quanto à questão grega)

«“Se perdermos esta guerra, será devido à estupidez política dos alemães, que nem sequer tentaram usar o senso comum, e transformaram a Europa num quente e traiçoeiro vulcão”.

Ele (Mussolini) pretende falar com Himmler sobre esta questão, mas não vai chegar a lado algum.»
 
 Fonte: http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=801504&tm=4&layout=121&visual=49

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