segunda-feira, 22 de julho de 2013

Batalha de Kursk através dos olhos de quem presenciou a destruição

Tanque Elefantes destruído na batalha de Kursk
Há 70 anos, cidade na região de Prokhorovka foi palco da maior batalha de tanques da história mundial.

Paira o silêncio sobre o campo de Prokhorovka. Somente de tempos em tempos ouve-se o repicar dos sinos, chamando os paroquianos para o serviço religioso na Igreja dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, construída com recursos doados pelo povo, em memória dos soldados que morreram na Batalha de Kursk.

Há 70 anos, nesse local fervia um terrível combate. Na região de Prokhorovka se desenrolou a maior batalha de tanques da história mundial. Tudo o que poderia se inflamar estava queimando, tudo estava coberto de poeira e fumaça dos tanques, aldeias, florestas e campos de trigo que ardiam em chamas. A terra foi queimada a tal ponto que não restou um único fiapo de grama. Aqui a guarda soviética se encontrou frente a frente com a elite da Wehrmacht, as divisões de tanques da SS.

A batalha de Kursk também leva o nome de Batalha no Arco de Kursk. Esse nome é devido à forma arqueada da frente de batalha, constituída pelas tropas soviéticas (ver mapa da batalha). Os combates na face sul do arco de Kursk começaram, praticamente, ainda no dia 4 de julho. Mas os principais eventos ocorreram na madrugada de 5 de julho, quando os alemães lançaram o primeiro ataque maciço com as suas conexões de tanques.

Na manhã de 5 de julho, o comandante da divisão “Adolf Hitler”, o Obergruppenführer, Josef Dietrich, se aproximou dos seus "Tigres", e um dos oficiais gritou para ele: "Vamos almoçar em Kursk!". Mas os integrantes da SS não conseguiram nem almoçar nem jantar em Kursk. Em 12 de julho, às 8h30, os batalhões de assalto soviéticos iniciaram um contra-ataque, opondo-se às tropas do 4º exército de tanques alemão.

Para revidar os ataques das tropas soviéticas, o comandante alemão Erich von Manstein lançou todas as forças disponíveis, porque entendia perfeitamente que o sucesso do avanço das tropas soviéticas poderia levar à completa derrota de todos os batalhões de assalto do grupo “Sul” dos exércitos alemães. Na enorme frente, com uma extensão total de mais de 200 km de comprimento, eclodiu uma luta feroz.

Os mais ferozes combates durante o dia 12 de julho estavam sendo realizados na assim chamada ponte (área de estágio tático) de Prokhorovka. Essa área foi conquistada pelo adversário em uma luta tensa ao longo do dia 11 de julho. Ali se estabeleceu e começou a agir o principal grupo das forças inimigas, que integrava a 2ª Divisão de blindados da SS. Foi sobre essa força que o comando soviético lançou o seu ataque principal.

"Poucos minutos depois, os tanques do primeiro escalão das nossas 29ª e 18ª Divisões, atirando em movimento, com um impacto frontal, penetraram nas disposições militares das tropas alemãs-fascistas e com um rápido e lancinante ataque, literalmente perfuraram as disposições do inimigo. […] Os seus "Tigres" e "Panteras" foram privados da supremacia do seu poder de fogo, no combate de curta distância. No início da ofensiva, eles se aproveitaram dessa supremacia durante o confronto com as nossas outras conexões de tanques e agora estavam sendo derrotados com êxito pelos tanques T-34 soviéticos e até mesmo pelos (leves – N. do E.) T-70, a distâncias curtas. O campo de batalha era um turbilhão de fumaça e pó, a terra tremia devido às explosões poderosas. Os tanques colidiam uns com os outros e ficavam enroscados sem conseguir se separar, então lutavam até a morte até que um deles se inflamava como uma tocha ou parava com as lagartas destruídas. Mas mesmo os tanques abatidos, se as suas armas estivessem em condição de operar, continuavam a disparar”.
Pável Rotmistrov, comandante militar soviético

“O primeiro tanque, eu abati quando estava me movimentando pela estrada de ferro, ao longo da área de desembarque e, literalmente, a uma distância de cem metros, vi um tanque “Tigre” que estava virado de lado para mim, disparando em nossos. Pelo visto ele tinha atingido vários tanques nossos, pois eles estavam indo de lado para cima dele e ele disparava nas laterais das nossas máquinas. Eu mirei um projétil perfurante e disparei. O tanque pegou fogo. Eu disparei mais uma vez e o tanque se inflamou ainda mais. A tripulação saltou para fora, mas não sei bem porque, eu não estava interessado nela. Eu contornei esse tanque e, em seguida, abati um tanque T-III e um tanque "Pantera". Sabe, quando eu abati o tanque "Pantera", experimentei uma sensação de euforia, pois, vejam só, consegui realizar um feito heroico".
Evguêni Chkurdalov, ex-oficial soviético

"De repente um T-34 irrompeu e dirigiu-se diretamente para nós. O nosso primeiro operador de rádio começou a me passar os projéteis, um a um, para que eu os colocasse no canhão. Enquanto isso, o nosso comandante que estava no compartimento de cima, não parava de gritar: ‘Atirem! Atirem!’, porque um tanque se aproximava cada vez mais. E somente após o quarto ‘Atirem’, eu ouvi ele dizer: ‘Graças a Deus!’. Então, depois de algum tempo, verificamos que o T-34 parou apenas a oito metros de distância de nós! No topo de sua torre, como se tivessem sido carimbados, havia orifícios de 5 centímetros [...]. As disposições militares dos dois lados se misturaram. “Os nossos tanquistas atingiam com êxito o inimigo, de distâncias próximas, mas também sofriam pesadas perdas”.
Wilhelm Rees, ex-oficial alemão da divisão “Adolf Hitler”

"O tanque T-34 do Comandante do 2º Batalhão da 181ª brigada da 18ª divisão, Capitão Skripkin, penetrou a formação de ”Tigres” e abateu dois tanques inimigos, antes que um projétil de 88 mm atingisse a torre do seu T-34 e outro perfurasse a sua blindagem lateral. O tanque soviético pegou fogo, e Skripkin, ferido, foi retirado do tanque destroçado pelo condutor, sargento Nikolaev e pelo operador de rádio, sargento Zirianov. Eles se refugiaram na cratera aberta pela bomba, mas ainda assim um dos "Tigres" os descobriu e partiu para cima deles. Então Nikolaev e seu artilheiro Tchernov saltaram novamente para o tanque em chamas, deram a partida e o orientaram diretamente para o "Tigre". Os dois tanques explodiram com o impacto”.

Infográfico
Extraído dos documentos do Arquivo Central do Ministério da Defesa da Federação Russa

O ataque com os blindados soviéticos, tanques novos com um conjunto completo de munição abalou significativamente as divisões do inimigo, já desgastadas pelas batalhas, e a ofensiva alemã malogrou.

Como resultado do contra-ataque das principais forças Soviéticas da 5ª guarda do exército de tanques, a sudoeste de Prokhorovka foi frustrada a ofensiva sobre o nordeste, das divisões de tanques da SS, “Cabeça Morta” e "Adolf Hitler". Essas divisões sofreram tamanhas perdas, que não puderam mais implementar uma ofensiva consistente.

As unidades da divisão de tanques da SS, “Reich”, também sofreram pesadas baixas devido aos ataques de unidades. Corpos da guarda de tanques que passaram a contra-atacar ao sul de Prokhorovka.

Perdas e resultados

As perdas totais dos dois lados do confronto de tanques nas proximidades de Prokhorovka estão avaliadas da seguinte maneira: do lado soviético se perderam 500 tanques e do lado alemão, 300 tanques e canhões autopropulsados.

É claro que o grupo "Sul" do exército alemão sofreu as piores perdas nos primeiros sete dias de combates, antes mesmo da batalha nas proximidades de Prokhorovka.

Mas o significado básico da batalha de Prokhorovka consiste no fato de que os soldados soviéticos deram um duríssimo golpe e conseguiram parar as divisões de tanques da SS que avançavam em direção à Kursk. Isso minou o espírito de combate da elite das tropas blindadas alemãs, e depois disso, elas definitivamente perderam fé na vitória das armas alemãs.

Fonte: http://gazetarussa.com.br/arte/2013/07/12/batalha_de_kursk_atraves_dos_olhos_de_quem_presenciou_tudo_20401.html
Link da imagem: Gazeta Russa

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Cortado de Parada Gay por tatuagens, DJ nega vínculo com nazismo

DJ tocaria na Parada Gay de Santo André, mas foi cortado do evento. Caso foi encaminhado à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância

O DJ Enrico Valveson Jorge, conhecido como DJ Enrico Tank, que tocou no último domingo na 17ª Parada do Orgulho GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais), na avenida Paulista, em São Paulo, foi cortado da parada que será realizada no próximo dia 23 em Santo André, no ABC paulista, por conta de tatuagens supostamente relacionadas ao nazismo e ao fascismo. 

Denunciado por um grupo de skinheads anti-intolerância denominado Rash-SP, Enrico possui ao menos 12 tatuagens que, de acordo com o grupo, têm ligação com movimentos neonazistas e fascistas. 

Símbolos como a bandeira confederada americana - utilizada por grupos racistas do sul dos Estados Unidos -, a Cruz Celta, uma cruz de ferro, marcas de bandas ligadas a movimentos neonazistas e a imagem do ditador fascista italiano Benito Mussolini podem ser vistas em imagens disponibilizadas pelo grupo e até mesmo no site do DJ. 

Após saber das tatuagens do DJ, a organização da Parada Gay de Santo André decidiu cortar Enrico do evento, por entender que a polêmica pode trazer prejuízos à parada. Segundo Marcelo Gil, da ONG ABCD''S (Ação Brotar pela Cidadania e Diversidade Sexual), que organiza a parada na cidade, o DJ tocaria voluntariamente e possui histórico por participar de festas voltadas ao público gay. 

Segundo ele, o caso foi encaminhado para a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) e para a Secretaria da Justiça. “Tiramos de nossa página e dos nossos materiais de divulgação o nome dele”, afirmou. De acordo com Marcelo, a atitude foi tomada para resguardar tanto a parada quanto Enrico. 

Em nota, o DJ negou que as tatuagens tenham cunho nazista ou fascista, e afirmou que o artigo que o acusa “é ofensivo, falso e preconceituoso”. “As afirmações postadas no referido blog são inverídicas, pois além de não citar nenhuma fonte de informação acerca dos significados das tatuagens, apenas limitam-se a apresentar versões próprias e distorcidas dos fatos”, afirmou Enrico. 

Segundo sua assessoria, o DJ posou nu para a publicação G Magazine, direcionada ao público LGBT, em 2002. “Se realmente fossem verídicas as acusações fantasiosas contra a sua pessoa, o DJ jamais teria aceito o convite da revista, ainda mais para expor-se despido”, alega. 

Na mesma nota, o DJ esclarece as tatuagens e afirma que muitos dos símbolos foram feitos por conta de seu gosto pela “temática de guerra”. Segundo ele,  a face de um soldado, que se assemelha ao ditador fascista italiano “não é a do ditador italiano Mussolini, e sim a de um combatente desconhecido”. 

Segundo sua assessoria, a tatuagem da bandeira confederada foi feita por conta da paixão do DJ pelo estilo musical country rock, a Cruz Celta representa o contato e identificação dele com o povo celta, e a cruz de ferro “significa condecoração aos heróis de guerra, não possuindo nenhum significado nazista”, entre outras explicações para as 12 tatuagens destacadas pelo grupo anti-intolerância. 

A organização da Parada Gay em São Paulo afirmou desconhecer o DJ e que o carro em que ele tocou no domingo, o sétimo dos 17 que trouxeram apresentações, era de responsabilidade de Marcelo Gil, que organiza a parada em Santo André. Ainda não há uma definição sobre o assunto. Uma reunião está agendada para amanhã e este deve ser um dos temas a ser discutido. 




A matéria publicada no mês passado (4 de junho de 2013) apresenta um personagem peculiar, conhecido pelo nome artístico DJ Enrico Tank, que já ganhou notoriedade devido às suas tatuagens incomuns. No entanto, vale ressaltar que este artigo tem a intenção de informar sobre a existência desse DJ, que é uma figura bastante caricata. Para aqueles que não estão familiarizados com ele, Enrico Tank é conhecido há algum tempo por suas tatuagens, que têm temas controversos.

Ele é um DJ que faz parte do cenário da música eletrônica, e o artigo menciona que seu público é diversificado, incluindo a comunidade LGBT. Segundo o próprio DJ, ele reconhece o carinho, respeito e apoio que recebe desse público. No entanto, a matéria também menciona algumas das tatuagens presentes em seu corpo, que levantam questões sobre sua afiliação com ideologias neonazistas e fascistas. Algumas dessas tatuagens incluem símbolos associados a movimentos extremistas, como W.A.R.(Resistência branca ariana), Combat 18 (caveira das SS com o numero 18 - A=1 e H=8 no alfabeto, sinalizando Adolf Hitler - organização terrorista neonazista), 88, a runa Odal,  Blood and Honour (organização neonazista), símbolo da banda neonazista Skrewdriver, white power e outras.

Na matéria no site dino, tem uma frase interessante:

Em entrevista realizada a uma grande revista internacional Enrico afirmou: “Sou hetero mais o meu público, o público que me consagrou, fez de mim um dos melhores DJs da Europa, que reconheceu o meu trabalho com amor, respeito e seriedade foi o publico GLS, então cada set que faço é com o mesmo sentimento, amo e admiro o publico GLS”, concluiu o DJ.

É preocupante o fato de um DJ com essas tatuagens ter uma presença tão diversificada em sua audiência, incluindo a comunidade LGBT. Há uma necessidade das pessoas estudarem mais história para compreender as implicações por trás desses símbolos e tatuagens.

Em resumo, é bizarro a notoriedade de DJ Enrico Tank, cujas tatuagens apresentam temas controversos e associados a movimentos extremistas, ao mesmo tempo em que ele afirma ter apreço pelo público LGBT. O autor destaca a importância do conhecimento histórico para entender essas questões.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Judeus reclamam com o papa por processo de canonização de Pio 12

CIDADE DO VATICANO, 24 Jun (Reuters) - Um líder judaico manifestou na segunda-feira ao papa Francisco sua preocupação com o processo de canonização de Pio 12, chefe da Igreja Católica durante a Segunda Guerra Mundial e acusado de fazer vista grossa ao Holocausto.

Francisco não fez menção a esse antecessor seu durante uma reunião com o Comitê Judaico Internacional para as Consultas Interreligiosas, mas reiterou a condenação da Igreja Católica ao antissemitismo.

"A comunidade judaica continua preocupada com os esforços para canonizar o papa Pio 12 enquanto inúmeros documentos pertencentes à história da Igreja e do povo judaico durante os sombrios anos do Holocausto continuam fechados à investigação acadêmica externa", disse ao papa Lawrence Schiffman, presidente da entidade judaica.

Há décadas as relações entre judeus e católicos está abalada pelas suspeitas de que a Igreja e o pontífice não teriam se empenhado suficientemente para coibir a perseguição aos judeus pelo regime nazista da Alemanha.

Partidários dizem que Pio 12, papa entre 1939 e 58, agiu nos bastidores para estimular a Igreja a salvar os judeus, e que se pronunciar publicamente de forma mais incisiva teria piorado a situação.

Os judeus pedem que o processo de santificação, ainda em estágio inicial, seja interrompido até que todos os arquivos do Vaticano relativos àquela época sejam abertos e estudados pelos acadêmicos. A maior parte deve ser liberada no ano que vem.

Na reunião da segunda-feira, a primeira entre o papa e essa organização judaica desde a eleição do pontífice, em março, Francisco evitou citar Pio 12. Mas, na época em que era arcebispo de Buenos Aires - cidade com grande comunidade judaica -, o papa defendeu a abertura dos arquivos.

"Devido às nossas raízes comuns, um cristão não pode ser antissemita", disse o papa à delegação judaica, ligada a uma entidade que representa as principais organizações desse grupo religioso e todas as correntes do pensamento judaico.

Fonte: http://noticias.r7.com/internacional/judeus-reclamam-com-o-papa-por-processo-de-canonizacao-de-pio-12-24062013-1

terça-feira, 18 de junho de 2013

Brasil - um momento como esse não poderia ficar de fora!



Brasilia

Rio de Janeiro

Curitiba

Porto Alegre

Salvador

São Paulo

Belo Horizonte

Juiz de Fora - MG


Não estou com tempo para postar e responder emails esses dias devido a faculdade e trabalho, peço minhas sinceras desculpas pela demora e esse mês tudo se normaliza. Mas tive de tirar um tempinho para postar sobre o acontecimento que está ocorrendo em todo o Brasil. Nesse meio, pessoas que realmente querem uma mudança no Governo, outras que querem uma mudança do Governo, e outros que querem a volta dos militares. Tem uma gama de pensamentos nessas multidões.

Só de curiosidade:
http://www.politicos.org.br/


segunda-feira, 10 de junho de 2013

EUA encontram diário perdido de líder nazista e assessor de Hitler


Alfred Rosenberg, confidente de Adolf Hitler
WASHINGTON, 10 Jun (Reuters) - O governo norte-americano recuperou 400 páginas do diário desaparecido de Alfred Rosenberg, confidente de Adolf Hitler que desempenhou um papel central no extermínio de milhões de judeus e outros durante a Segunda Guerra Mundial.

Uma avaliação preliminar do governo norte-americano examinada pela Reuters garante que o diário pode oferecer uma nova visão sobre os encontros de Rosenberg com Hitler e com outros líderes nazistas, incluindo Heinrich Himmler e Herman Göring. Também inclui detalhes sobre a ocupação alemã da União Soviética, incluindo planos de assassinato em massa de judeus e outros europeus do Leste.

"A documentação é de importância considerável para o estudo da época nazista, inclusive para a história do Holocausto", segundo a avaliação preparada pelo Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos, em Washington.

"Uma análise apressada do conteúdo indica que o material lança nova luz sobre várias questões importantes relacionadas à política do Terceiro Reich. O diário será uma fonte importante de informação a historiadores que complementa, e em parte contradiz, documentação já conhecida."

De que forma os escritos de Rosenberg, um ministro do Reich nazista que foi condenado em Nuremberg e enforcado em 1946, poderiam contradizer o que os historiadores acreditam ser verdade não está claro. Mais detalhes sobre o conteúdo do diário não estavam disponíveis, e uma autoridade do governo norte-americano insistiu que a análise do museu continua preliminar.

Mas o diário inclui detalhes sobre as tensões dentro do alto-comando alemão, em particular a crise provocada pelo voo de Rudolf Hess para a Grã-Bretanha em 1941, e o saque de obras de arte em toda a Europa, segundo a análise preliminar.

A recuperação deve ser anunciada nesta semana em uma coletiva de imprensa em Delaware, feita em conjunto por funcionários da Agência de Imigração e Alfândega, do Departamento de Justiça e do museu do Holocausto dos Estados Unidos.

O diário oferece uma coletânea das lembranças de Rosenberg da primavera de 1936 ao inverno de 1944, segundo a análise do museu. A maioria dos registros está escrita na letra cursiva espiralada de Rosenberg, alguns sobre papel arrancado de um livro de contabilidade e outros na parte de trás de um papel de carta oficial nazista, disse a análise.

Rosenberg foi um ideólogo nazista poderoso, principalmente nas questões raciais. Ele dirigia o departamento de questões estrangeiras do partido nazista e editava o jornal nazista. Vários de seus memorandos para Hitler foram citados como provas durante os julgamentos de Nuremberg, pós-guerra.

Rosenberg também dirigiu o sistemático saque nazista da propriedade artística, cultural e religiosa dos judeus por toda a Europa. A unidade nazista criada para tomar tais artefatos foi chamada de Força-Tarefa Reichsleiter Rosenberg.

Ele foi condenado por crimes contra a humanidade e foi um de uma dezena de oficiais sêniores nazistas executados em outubro de 1946. Seu diário, que estava nas mãos dos promotores de Nuremberg como prova, desapareceu depois do julgamento.

Autoridades norte-americanas suspeitavam que um promotor de Nuremberg, Robert Kempner, tivesse contrabandeado o diário para os Estados Unidos.

Nascido na Alemanha, Kempner fugiu para os Estados Unidos nos anos 1930 para escapar dos nazistas, só voltando para os julgamentos pós-guerra. Ele teria ajudado a revelar a existência do Protocolo de Wannsee, a conferência de 1942 durante a qual oficiais nazistas se encontraram para coordenar o genocídio contra os judeus, que denominaram de "A Solução Final".

Kempner citou alguns trechos do diário de Rosenberg em sua memória, e em 1956 um historiador alemão publicou trechos de 1939 e 1940. Mas grande parte do diário nunca apareceu.

Quando Kempner morreu em 1933, aos 93 anos, disputas legais sobre seus documentos se estenderam por quase uma década entre seus filhos, seu ex-secretário, um empreiteiro local e o museu do Holocausto. Os filhos concordaram em dar os documentos do pai ao museu do Holocausto, mas quando os funcionários chegaram para retirá-los da casa dele em 1999, descobriram que milhares de páginas tinham sumido.

Depois do incidente de 1999, o FBI abriu uma investigação criminal sobre os documentos desaparecidos. Ninguém foi acusado no caso.

Mas o museu do Holocausto conseguiu recuperar mais de 150.000 documentos, inclusive uma coleção de objetos do ex-secretário de Kempner, que a essa altura tinha se mudado para a casa de um acadêmico de Nova York chamado Herbert Richardson.

O diário de Rosenberg, no entanto, continuava desaparecido.

No início deste ano, o museu do Holocausto e um agente das Investigações de Segurança Interna tentaram localizar as páginas desaparecidas do diário. Eles rastrearam o diário e chegaram a Richardson, que vive perto de Buffalo.

Richardson não quis comentar. Um funcionário do governo disse que mais detalhes serão anunciados na coletiva de imprensa.

(Reportagem de John Shiffman em Washington e Kristina R. Cooke em San Francisco)
Reuters

Fonte: http://www.swissinfo.ch/por/internacional/EUA_encontram_diario_perdido_de_lider_nazista_e_assessor_de_Hitler.html?cid=36113648

terça-feira, 14 de maio de 2013

Polônia exuma vala comum com 200 vítimas do "terror stalinista"


Restos humanos são vistos durante exumação de cova comum de cemitério militar do período stalinista em Varsóvia, na Polônia. Acredita-se que o local abrigue ossadas de mais de 200 vítimas da repressão soviética no período posterior à Segunda Guerra Mundial. O objetivo da iniciativa é identificar os mortos.


Caveira foi encontrada nesta segunda-feira durante exumação de túmulo coletivo. O processo de exumação foi iniciado em junho de 2012 e paralisado para durante o inverno europeu. Mais de 100 ossadas foram exumadas no ano passada.

Imagem mostra o local onde vítima do terror stalinista pós-Segunda Guerra Mundial foi enterrada. As vítimas foram mortas entre 1948 e 1956. Cerca de 50 mil pessoas foram mortas na Polônia devido à repressão stalinista das décadas de 1940 e 1950 que consolidou a dominação soviética no país.


Perito trabalha no local em que caveira foi desencavada. Amostras de DNA retiradas das ossadas serão comparadas com o material fornecido por família de vítimas cujo paradeiro nunca foi esclarecido.


Funcionária do Instituto da Memória Nacional polonês trabalha na exumação da vala comum.


O trabalho de exumação dos túmulos está sendo realizada pelo Instituto da Memória Nacional da Polônia.


Perito manuseia fragmentos de ossada encontrada nesta segunda-feira.

Fotos: AFP
Fonte: Terra

Polônia busca restos mortais de vítimas do stalinismo em Varsóvia
Túmulo coletivo é exumado no cemitério militar da capital.
Cerca de 200 vítimas do regime comunista estariam enterradas ali.

Depois de mais de um ano, chegou ao fim nesta segunda-feira (13) o processo de exumação de um túmulo coletivo da era stalinista no cemitério militar de Varsóvia, capital da Polônia. Acredita-se que o túmulo tenha restos mortais de cerca de 200 pessoas, vítimas do regime comunista na Polônia durante o regime pós-Segunda Guerra Mundial.
"Durante a primeira etapa de trabalho no último verão, conseguimos exumar os restos de mais de cem vítimas", disse à AFP Krzysztof Szwagrzk, um oficial do Instituto da Memória Nacional que acompanhou o projeto.
No ano passado, o instituto exumou restos mortais de 117 supostas vítimas de uma era de terror stalinista que durou de 1948 a 1956 e caçou partidários antinazistas e antisoviéticos poloneses. Os restos foram removidos para o teste de DNA do Cemitério Militar de Powazki, na região central da capital polonesa.
O objetivo do projeto é encontrar os restos mortais do general Emil Fieldorf, chefe da resistência armada antinazista da Polônia, e de Witold Pilecki, um partidário polonês que se infiltrou voluntariamente no campo de concentração de Auschwitz com a intenção de divulgar o que viu.
Depois da guerra, os dois heróis da resistência foram acusados de traição e sentenciados à morte pelas autoridades comunistas na Polônia, fiéis ao ditador soviético Josef Stalin.

Fonte: G1

terça-feira, 7 de maio de 2013

Batalhão Policial de Reserva 101

Alemães que servem Batalhão de Polícia 101 humilham publicamente um homem judeu. Lukow, Polônia, 1942 

Quem foram os responsáveis? Que tipo de pessoa massacra civis? Chacina idosos? Assassinato de bebês? Para encontrar respostas a essas perguntas, o historiador Christopher Browning estudou interrogatórios feitos na década de 1960 e início de 1970 de 210 homens do Batalhão Polícial de Reserva 101. O batalhão foi originalmente formado a partir do equivalente alemão de policiais da cidade e do xerife do condado. Depois de 1939, ele e outros batalhões da Polícia de Ordem também serviram como forças de ocupação no território conquistado. Batalhão 101 foi designado para o distrito de Lubin da Polónia.

Como a Guarda Nacional nos Estados Unidos, os batalhões foram organizados regionalmente. A maioria dos soldados no Batalhão 101 vieram de trabalhadores e de bairros de classe média baixa em Hamburgo, na Alemanha. Eles eram mais velhos do que os homens que lutaram na linha de frente. A idade média foi de trinta e nove anos, com mais de metade entre trinta e sete e quarenta e dois. A maioria não era bem-educado. A maioria deixou a escola com a idade de quinze anos. Muito poucos eram nazistas e nenhum foi abertamente anti-semita. O Major Wilhelm Trapp, um policial de carreira de 53 anos de idade, que subiu na hierarquia, chefiou o batalhão. Embora ele se tornou um nazista em 1932, ele não era um membro da SS, embora seus dois capitães fossem.

A primeira missão de assassinato da unidade ocorreu em 13 de julho de 1942. Browning usou interrogatórios para juntar os acontecimentos daquele dia.

Assim que  a luz do dia estava rompendo, os homens chegaram à aldeia [de Jozefow] e montaram um semi-círculo ao redor major Trapp, que passou a dar um breve discurso. Com asfixia na voz e com lágrimas nos olhos, ele visivelmente lutava para controlar-se quando ele informou seus homens que haviam recebido ordens para executar uma tarefa muito desagradável. Essas ordens não eram de seu agrado, mas que veio de cima. Poderia, talvez, fazer a sua tarefa mais fácil, ele disse aos homens, se eles se lembraram de que, na Alemanha, as bombas estavam caindo sobre as mulheres e crianças. Duas testemunhas afirmaram que Trapp também mencionou que os judeus desta aldeia havia apoiado os guerrilheiros. Outra testemunha recordou Trapp de mencionar que os judeus haviam instigado o boicote contra a Alemanha. Trapp então explicou aos homens que os judeus em Jozefow teria de ser arrebanhados, após o que os jovens do sexo masculino deveriam ser selecionados para o trabalho e os outros baleados.

Trapp, em seguida, fez uma oferta extraordinária de seu batalhão: se qualquer um dos homens mais velhos, entre os quais não se sentia à altura da tarefa que estava diante dele, poderia se retirar. Trapp fez uma pausa, e depois de alguns instantes, um homem se aproximou. O capitão da 3ª companhia, enfurecido que um de seus homens tinham fileiras quebradas, começou a repreender o homem. O major disse ao capitão para segurar sua língua. Em seguida, dez ou doze outros homens adiantaram-se também. Eles viraram em seus rifles e foram orientados a aguardar mais uma designação do major.

Trapp, em seguida, convocou os comandantes de companhia e deu-lhes as respectivas atribuições. Dois pelotões da 3ª companhia estavam a cercar a aldeia, os homens tiveram ordens explicitas de atirar em qualquer um que tenta-se escapar. Os homens restantes estavam a reunir os judeus e levá-los para o mercado local. Aqueles muito doentes ou frágeis para andar para o mercado local, bem como crianças e qualquer pessoa que ofereça resistência ou tenta-se se esconder, foram fuzilados no local. Depois disso, alguns homens da 1ª companhia foram acompanhar os judeus selecionados para o trabalho no mercado, enquanto o resto iam para a floresta para formar os pelotões de fuzilamento. Os judeus estavam sendo colocados em caminhões do batalhão pela 2ª companhia e transportados do  mercado local para a floresta.

Tendo dado os comandantes da companhia das respectivas atribuições, Trapp passou o resto do dia na cidade, principalmente em uma sala de aula transformada em seu quartel-general, mas também nas casas do prefeito polonês e do padre local. Testemunhas que viram ele em vários momentos durante o dia, descreveu-o reclamando amargamente sobre as ordens que foram dadas e "chorando como uma criança." Ele, no entanto, afirmou que "ordens eram ordens" e tinham que ser realizadas. Nem uma única testemunha recordou vê-lo no local do tiroteio, um fato que não passou despercebido aos homens, que sentiram um pouco de raiva com isso. O motorista de Trapp se lembra dele dizendo mais tarde: "Se esse negócio judeu está sempre vingando na terra, então, tende piedade de nós alemães" (1).

Ao descrever o massacre, Browning nota: "Enquanto os homens do Batalhão de Reserva 101 estavam aparentemente dispostos a atirar nos judeus muitos fracos ou doentes para se mover, eles ainda evitaram na sua maior parte atirar nas crianças, apesar de suas ordens. Nenhum funcionário interveio, embora, posteriormente, um oficial advertiu a seus homens que, no futuro, eles teriam que ser mais enérgicos.".


Como a matança continuou, mais alguns soldados pediram para ser dispensados de suas funções. Alguns oficiais transferiram quem solicitou, enquanto outros pressionaram os seus homens a continuar apesar das reservas. Ao meio-dia, aos homens estavam sendo oferecidas garrafas de vodka para "refrescar" eles. À medida que o dia continuou, um número de soldados rompeu. No entanto, a maioria continuou até ao final. Após o termino do massacre, o batalhão foi transferido para a parte norte do distrito e os vários pelotões foram divididos, cada um  estacionado em uma cidade diferente. Todos os pelotões participaram de pelo menos mais uma ação de fuzilamento. A maioria descobriu que esses assassinatos posteriores eram mais fáceis de executar. Portanto, Browning vê que o primeiro massacre como uma importante linha divisória.

Mesmo 25 anos depois, não conseguia esconder o horror sem fim atirando judeus à queima-roupa. Em contrapartida, porém, falavam em torno de guetos e assistindo ["voluntários" poloneses] brutalmente conduzindo os judeus para os trens da morte com desprendimento considerável e uma ausência quase total de qualquer senso de participação ou responsabilidade. Tais ações eles costumavam rejeitar com um refrão padrão: "Eu estava apenas no cordão policial lá." O tratamento de choque de Jozefow havia criado uma unidade efetiva e insensível  de limpadores de guetos e, quando em ocasião necessária, assassinos definitivos. Depois de Jozefow nada mais parecia tão terrível. (2)

Ao chegar a conclusões a partir das entrevistas, Browning incide sobre as escolhas abertas para os homens que estudou. Ele escreve:

A maioria simplesmente negou que tivesse qualquer escolha. Confrontado com o testemunho dos outros, eles não contestaram que Trapp tinha feito a oferta, mas repetidamente alegaram que não tinha ouvido essa parte de seu discurso ou não se lembrava dela. Os poucos que admitiram que tinha sido dada a escolha e ainda não conseguiu optar foram bastante contundente. Um disse que não queria ser considerado um covarde por seus companheiros. Outro - mais consciente do que era necessaria verdadeira coragem - disse simplesmente: "Eu era covarde." Alguns outros também fizeram a tentativa de enfrentar a questão de escolha, mas não conseguiu encontrar as palavras. Foi um tempo e espaço diferentes, como se tivessem sido em outro planeta político e de vocabulário e os valores politicos da década de 1960 foram incapazes de explicar a situação em que se encontravam em 1942. Como um homem admitiu, não foi até anos depois que ele começou a considerar que o que ele tinha feito não tinha razão. Ele não tinha dado um pensamento no momento.(3)

Os homens que não participaram foram mais específicos sobre seus motivos. Alguns atribuíram sua recusa à sua idade ou ao fato de que eles não eram "homens de carreira." Só mencionar laços com os judeus como uma razão para não participar. Portanto Browning observa:

O que permanece praticamente não examinado pelos interrogadores e não mencionados pelos policiais foi o papel do anti-semitismo. Será que eles não falam disso porque o anti-semitismo não tinha sido um fator motivador? Ou eles estavam dispostos e capazes de enfrentar esse problema, mesmo depois de 25 anos, porque tinha sido muito importante, muito difundido? Somos tentados a se perguntar se o silêncio fala mais alto do que palavras, mas no final - o silêncio ainda é o silêncio, e a questão permanece sem resposta.

Foi o incidente em Jozefow típico? Certamente que não. Não conheço nenhum outro caso em que um comandante tão abertamente convidou e sancionou a não participação de seus homens em uma ação de matar. Mas no final, o fato importante não é que a experiência do Batalhão de Reserva 101 foi atípico, mas essa oferta extraordinária de Trapp não importava. Como qualquer outra unidade, o Batalhão Reserva de Polícia 101 matou os judeus que tinha sido dito para matar. (4)

Notas: 

1 - Christopher R. Browning, “One Day in Jozefow: Initiation to Mass Murder” in The Path to Genocide:Essays on Launching the Final Solution (Cambridge University Press, 1992), 174-175.

2 - Ibid., 179.

3 - Ibid., 181-182.

4 - Ibid., 183.

Obs: Esse é mais uma postagem sobre o Batalhão Policial de Reserva 101, sendo o segundo, conta o  um pouco sobre o massacre em Josefow, que é bem interessante.
A outra postagem é essa: Batalhão Policial de Reserva 101

Tradução: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Vídeo mostra prisão de neonazista investigado por agredir gays e negros em BH


A Guarda Municipal de Americana, cidade do interior de São Paulo, divulgou um vídeo que mostra o exato momento da prisão do neonazista que causou polêmica em Belo Horizonte ao divulgar uma foto no Facebook na qual aparece agredindo um morador de rua negro na Savassi. Antônio Donato Baudson Peret, de 25 anos, foi detido na tarde de domingo (14) ao chegar na rodoviária do município onde mora sua namorada.

Na filmagem, o neonazista aparece sendo abordado logo após sair de um ônibus. Investigadores da Polícia Civil de Minas Gerais foram até o interior de São Paulo para prender o jovem. Ele chegava de uma viagem à Capital paulista. Com Donato, foram encontradas duas facas, um facão e um soco inglês. A namorada dele também foi levada para a delegacia. Ela prestou depoimento e foi liberada.

Donato já está em Belo Horizonte e ficará detido durante pelo menos 30 dias. A prisão preventiva do jovem foi determinada pela Justiça durante o fim de semana. Ele será indiciado por apologia ao crime, com os agravantes de racismo e nazismo, e formação de quadrilha. Durante a última semana, a Delegacia Especializada de Investigações de Crimes Cibernéticos começou a investigar atuação de grupo neonazista de BH nas redes sociais. Outras três pessoas foram presas na Capital mineira.

O grupo prega intolerância e ataca moradores de rua, usuários de drogas, homossexuais, punks, skatistas e negros. Donato já responde a dois processos por agredir gays em Belo Horizonte.

O caso ganhou destaque na mídia mineira após Donato compartilhar um texto que surgiu de uma apuração do Centro de  Mídia Independente (CMI) e da coluna do historiador Matheus Machado, que escreve para o portal Bhaz. Na ocasião, o neonazista criticava o estudante de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Gabriel Spínola. Nos comentários em seu perfil, ele dizia que conhecia o jovem e insinuava que o trote na instituição de ensino teria desencadeado investigações contra o grupo do qual faz parte.

No perfil de Antônio Donato, que foi deletado logo após a repercussão do caso, havia várias fotos de apologia ao nazismo, incluindo imagens de uma criança com acessórios que fazem referência ao regime.

Link do video:  http://www.youtube.com/watch?v=UU0BCmPHSuI&feature=player_embedded

Fonte: http://www.bhaz.com.br/video-mostra-prisao-de-neonazista-investigado-por-agredir-gays-e-negros-em-bh/

Mais material no Holocausto-Doc.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Batalhão Polícial de Reserva 101


Membros do Batalhão Polícial 101 celebram o Natal em seus quartéis.
Dezembro de 1940 - Foto USHMM -  Michael O'Hara
O Batalhão Reserva de Polícia 101 foi uma unidade da Polícia de Ordem Alemã [Ordnungspolizei ou Orpo] que durante a ocupação nazista da Polônia desempenhou um papel central na implementação da Solução Final contra o povo judeu e a repressão da população polonesa. Os membros do batalhão participaram de batidas policiais súbitas e expulsão de judeus, poloneses e ciganos , de guarda e liquidação de guetos , na deportação para campos de concentração e no o tiroteio em massa de dezenas de milhares de civis.

Criado em Hamburgo, o Batalhão 101 foi uma das treze formações da polícia que foram colocados à disposição do exército alemão durante a invasão da Polônia , em setembro de 1939 . Os membros do batalhão cruzaram para a Polônia na cidade fronteiriça de Oppeln e depois se mudaram para Czestochowa Kielce, onde batida capturou soldados poloneses e equipamento militar que foram guardado em um campo de prisioneiros. Em 13 de dezembro, o batalhão de polícia voltou para Hamburgo, onde muitos de seus recrutas foram transferidos para outras unidades e substituídos por reservistas meia-idade.

Em maio de 1940 , o batalhão foi novamente enviado para a Polônia, onde ele estava envolvido em todo o Wartegau (os distritos do oeste da Polônia formalmente anexada pelo Terceiro Reich) na expulsão e reassentamento de poloneses, ciganos e judeus. Estima-se que cerca de 37.000 pessoas foram evacuadas pelo Batalhão de Polícia 101 sozinho em um período de cinco meses durante a primavera e o verão de 1940. Seguindo as ações de reassentamento, o batalhão esteve envolvido nos esforços para caçar poloneses que fugiram da ordem de evacuação.

Em 28 de novembro de 1940 o batalhão da polícia foi re-implantado para proteger o perímetro do gueto de Lodz , que havia sido selado sete meses antes. Estes policiais tinham uma ordem permanente para atirar em qualquer judeu que chegasse muito perto do muro que cercava o gueto.

Em maio de 1941, Batalhão de Polícia 101 foi enviado para casa em Hamburgo, onde foi totalmente reconstituído. Depois que a maioria de seus recrutas anteriores foram distribuídos para outras unidades policiais, suas fileiras estavam cheios de reservistas elaborados. Enquanto a maioria de seus membros ainda viesse de Hamburgo, um grupo de Luxemburgo agora se juntou às suas fileiras. Para os próximos doze meses, a novo batalhão passou por um treinamento extenso e em torno de Hamburgo. Este período coincidiu com a deportação para a Europa Oriental da população judaica de Hamburgo e seus arredores em quatro transportes que partiram entre 25 de outubro e 4 de dezembro de 1941 .

Membros do Batalhão de Polícia 101 estiveram envolvidos em vários aspectos do processo de deportação, incluindo guarda do centro de agrupamento (na loja maçônica em Hamburgo) e da estação ferroviária Sternschanze, onde os judeus foram abordados em trens, e o acompanhamento de transportes para seus destinos finais: Lodz, Minsk e Riga. Em junho de 1942, o Batalhão de Polícia 101 foi enviado de volta para a Polônia. Postado para o distrito de Lublin, o batalhão chegou durante uma pausa temporária nas deportações em massa de judeus para os campos da morte da Operação Reinhard, de Belzec, Sobibor e Treblinka. Para as próximas quatro semanas, membros do batalhão foram implantados na reunião de assentamentos menores judeus e concentrá-los em guetos e campos maiores, particularmente Izbica e Piaski, os dois campos principais de montagem no sul do distrito de Lublin.

A partir de meados de julho de 1942, com cinturão de judeus na cidade de Jozefow perto Bilgoraj, membros do Batalhão de Polícia 101 foram utilizados para o tiroteio em massa de civis judeus em cidades em todo o distrito de Lublin. Estes incluem (para além de Jozefow) Lomazy (Agosto de 1942), Miedzyrzec (Agosto de 1942), Serokomla (Setembro de 1942), Kock (Setembro de 1942), Parczew (Outubro de 1942), Konskowola (Outubro de 1942), Miedzyrzec (uma segunda ação em outubro 1942) e Lukow (Novembro de 1942).

A participação de policiais do Batalhão 101 na Solução Final culminou no massacre na Erntefest [Festival da Colheita] de 3-4 de novembro de 1943. No curso desta ação de matar, talvez a maior dirigida contra os judeus de toda a guerra, cerca de 42.000 prisioneiros judeus no distrito de Lublin nos campos de concentração Majdanek, e Trawniki e Poniatowa foram aniquilados. Estima-se que durante o período entre julho de 1942 e novembro de 1943 , o Batalhão de Policia 101 era o único responsável pelas mortes por disparo de mais de 38 mil judeus e deportação de outros 45 mil.

Nos últimos 16 meses da guerra o Batalhão Polícial 101 foi envolvido em ações contra guerrilheiros e tropas inimigas. Quase todos os membros do batalhão sobreviveram ao colapso do Terceiro Reich e retornou com segurança para a Alemanha. No imediato pós-guerra apenas quatro membros da unidade sofreram as conseqüências legais de suas ações na Polônia. Estes policiais, que foram detidos por sua participação no assassinato de 78 poloneses na cidade de Talcyn, foram extraditados para a Polônia em 1947 e julgados no ano seguinte. Dois foram condenados à morte e dois à prisão. Não foi até 1962, no entanto, que Batalhão Reserva de Polícia 101 como um todo veio sob investigação e repressão legal pelo Gabinete do Procurador do Estado, em Hamburgo. Em 1967, 14 membros da unidade foram levados a julgamento. Embora a maioria foram condenados, apenas cinco receberam penas de prisão (variando de cinco a oito anos), que foram posteriormente reduzidas no curso de um processo de longa apelação.

Tradução: Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com

Fonte bibliografica: Browning, Christopher R., Ordinary Men: Reserve Police Battalion 101 and the Final Solution in Poland, New York, Harper Collins, 1992, pp.xv-xvii; 3-9; 38-71; 88-114; 133-146; 191-192.

Fonte original: http://digitalassets.ushmm.org/photoarchives/detail.aspx?id=1134228 (U.S. Holocaust Memorial Museum -USHMM)

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Amsterdã recompensará vítimas do nazismo multadas por não pagar impostos


Amsterdã estudará como recompensar os sobreviventes do Holocausto que foram multados por não terem pagado impostos durante o período em que estiveram ausentes em campos de concentração ou foragidos da perseguição nazista, publicou nesta quarta-feira o jornal holandês "Parool".

Dezenas de sobreviventes do Holocausto que conseguiram voltar à capital holandesa foram multadas pela falta de pagamento de uma taxa aplicada às propriedades (erfpacht) durante o período em que estiveram fora da cidade.

"Não podemos deixar isto como foi decidido na ocasião", afirmou o prefeito da cidade, Eberhard Van der Laan, que ressaltou: "Vamos ver como podemos corrigir o que deve ser corrigido".

Vários estudantes descobriram evidências destas práticas durante os trabalhos que realizavam para digitalizar o arquivo da Prefeitura de Amsterdã, o que levou às autoridades locais a considerar uma maneira de recompensar os afetados.

"Esta é uma situação séria que necessita ser examinada", declarou Van der Laan. "O aspecto legal (dos impostos) foi levado em conta com formalidade, burocracia e frieza ao invés de mostrar empatia em direção às vítimas".

Só 35 mil dos 140 mil judeus que viviam na Holanda no momento da explosão da Segunda Guerra Mundial sobreviveram ao conflito, sendo que das 107 mil pessoas que foram transferidas aos campos de concentração, 102 mil foram assassinadas, segundo Parool.

Um dos episódios mais conhecidos da invasão nazista da Holanda é o que relatou a jovem Anne Frank em seu diário durante os dois anos em que se manteve escondida em um apartamento de Amsterdã com sua família, até que foram descobertos e deportados para diferentes campos de concentração.

O diário, traduzido para 55 línguas, é um dos livros mais vendidos da história e se transformou em um testemunho real da perseguição sofrida pelos judeus pelo nazismo.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Novo estudo aponta para mais de 15 milhões de vítimas

Velas lembram das vítimas do Holocausto no Jewish Museum and Tolerance Center, em Moscovo, na Rússia
 Fotografia © Sergei Karpukhin - Reuters
Consulta de novos arquivos e uma busca meticulosa multiplicaram por três o impacto do nazismo durante a II Guerra Mundial.

Auschwitz e o Gueto de Varsóvia simbolizaram tanto o Holocausto que houve pouco esforço de memória coletiva para lembrar os milhares de locais onde o nazismo também levou a cabo os seus planos de morte. Os centros de extermínio em massa estão bem documentados, mas faltava uma observação mais atenta. Isso é o que está a fazer o Holocausto Memorial Museum de Washington através do projeto "Enciclopédia dos Campos e Guetos".

Segundo o jornal espanhol "ABC", o resultado, até agora, é um mapa de 42.500 campos de concentração, guetos, fábricas de trabalhos forçados e outros lugares de detenção distribuídos por toda a Europa, da França à Rússia. No total, entre 15 e 20 milhões de pessoas morreram ou estiveram detidas nesses centros, na sua maioria judeus, mas também integrantes de outros grupos perseguidos pelos nazis como ciganos ou homossexuais.

"Os números são mais altos do que se pensava de início. Já sabíamos que a vida era horrível nos campos e guetos, mas os números são absolutamente incríveis", afirma Hartmut Berghoff, diretor do German Historical Institute de Washington, onde um fórum acadêmico revelou as novas investigações avançadas pelo jornal norte-americano "The New York Times".

Os valores, fruto do trabalho de vários investigadores e obtidos a partir de testemunhos das vítimas, falam por si: 30.000 campos de trabalhos forçados, 1.1150 guetos de judeus, 980 campos de concentração, 500 bordéis de prostituição forçada e milhares de centros destinados à prática da eutanásia a pessoas dementes e a abortos forçados.

Os números têm diversas consequências. Uma é a constatação de que dificilmente a população alemã podia ignorar o que se estava a passar. Em Berlim, por exemplo, os investigadores documentaram cerca de 3.000 campos e "casas judias" onde se concentravam os prisioneiros antes da sua deportação para Leste. Segundo Martin Dean, editor do novo volume da Enciclopédia (o segundo de cinco volumes), "não se podia ir a nenhum lado na Alemanha sem nos depararmos com campos de trabalhos forçados, campos de prisioneiros de guerra ou campos de concentração. Estavam em todo o lado". Por isso, insiste,"não são sustentáveis as alegações de muitos alemães de que não tinham conhecimento do que se estava a passar com os seus vizinhos judeus".

Outra das consequências é que agora pode aumentar o número de famílias das vítimas a pedir indemnizações em tribunal. Até agora tinham existido processos judiciais contra grandes empresas que se aproveitaram da mão de obra escrava do Terceiro Reich, mas poucas vezes foi possível exigir indemnizações a empresários mais pequenos.

A investigação, para conseguir obter um mapa completo da geografia dos campos e guetos do nazismo teve um impulso decisivo com a abertura dos arquivos que pertenciam à antiga União Soviética. Segundo Martin Dean, "ao estarem disponíveis nas últimas décadas foram cruciais para identificar guetos em locais tão distantes como a Lituânia ou a Federação Russa, que apenas eram mencionados em documentação alemã".


Obs: Creio que agora vai haver uma histeria no meio "revisionista"/neonazista com os números. Como esse pessoal não lê o artigo e fica somente pelo titulo, não perceberão a parte "...entre 15 e 20 milhões de pessoas morreram ou estiveram detidas nesses centros..." . 
Mas sobre o artigo, depois da descoberta da quantidade maior de campos, guetos, bordeis e etc, e do consequente  conhecimento do povo alemão sobre o ocorrido, vou passar uma dica de livro:
  "Apoiando Hitler - Consentimento e coerção na Alemanha nazista - Robert Gellately"

Aproveitando, deem uma olhada no Holocaust Controversies que também saiu uma matéria muito interessante:
http://holocaustcontroversies.blogspot.com.br/2013/03/42500-camps-and-ghettos_11.html

quinta-feira, 14 de março de 2013

Livro Antony Beevor defende que II Guerra Mundial começou na Manchúria

Tropas mongóis lutam contra o contra-ataque japonês na praia ocidental do rio Khalkhin Gol, 1939.

O historiador britânico Antony Beevor defende no livro ‘A Segunda Guerra Mundial’, publicado em Portugal, que o conflito começou na Manchúria e que se transformou numa “guerra civil internacional”.


“A Segunda Guerra Mundial foi claramente uma amálgama de conflitos, a maioria opôs nação contra nação, mas a guerra civil internacional entre a esquerda e direita permeou e chegou mesmo a dominar muitos deles”, escreve Beevor na introdução sobre as razões que conduziram à guerra.

“A Europa não entrou em guerra a 1 de Setembro de 1939. Alguns historiadores falam de uma 'guerra de trinta anos, de 1914 a 1945', em que a Primeira Guerra Mundial funcionou como catástrofe original” refere Beevor, que defende que a longínqua batalha de Khalkhin Gol, entre russos e japoneses, que começou no dia 12 de maio de 1939 na fronteira entre a Mongólia e a Manchúria ocupada pelo Exército Imperial Japonês marca - de facto - o início do conflito e determina o curso da guerra, sobretudo no Extremo Oriente.

Na batalha, que se prolongou até ao dia 31 de agosto de 1939, as forças de Moscovo lideradas por Zukov, então comandante de cavalaria do Exército Vermelho, derrotou as tropas japonesas e, segundo Beevor, alterou as intenções de Tóquio em invadir a União Soviética “mudando para sempre” o curso da guerra.

“A Batalha de Khalkin Gol, teve, assim, grande influência na decisão subsequente de os japoneses avançarem contra as colónias da França, Holanda e Grã-Bretanha no Sudeste Asiático, e até de enfrentarem a marinha de guerra dos Estados Unidos no Pacífico.


A consequente recusa por parte de Tóquio em atacar a União Soviética no inverno de 1941 desempenharia, portanto, um papel crítico no ponto de viragem geopolítico da guerra, tanto no Extremo Oriente como na luta de vida ou morte que Hitler travou com a União Soviética”, escreve o historiador britânico.

No capítulo dedicado ao período entre Maio e Setembro de 1945 (‘As bombas atómicas e a subjugação do Japão’) o autor faz a contagem de vítimas, nomeadamente dos judeus vítimas do Holocausto mas também dos milhões de mortos na Ucrânia, Bielorrússia, Polónia, Estados Bálticos e Balcãs.

“A Segunda Guerra Mundial, com as suas ramificações globais, foi a maior catástrofe provocada pelo homem da nossa história. As estatísticas do número de mortos – quer sejam sessenta milhões ou setenta milhões – transcendem a nossa compreensão”, refere Beevor que adverte para os riscos de comparações (página 1020).

“Numa crise actual, jornalistas e políticos vão instintivamente buscar paralelismos com a Segunda Guerra Mundial, seja para dramatizar a gravidade da situação, seja numa tentativa de se parecerem com Roosevelt ou Churchill” escreve o historiador para quem a Segunda Guerra é incomparável.

Fonte: http://www.noticiasaominuto.com/cultura/53862/antony-beevor-defende-que-ii-guerra-mundial-come%C3%A7ou-na-manch%C3%BAria#.UUJy-hymhRI

Obs: Assunto antigo, mas interessante para quem ainda não conhece.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Herdeiros de Goebbels, ministro de Hitler, hoje são bilionários

O ministro da propaganda de Hitler, Paul Joseph Goebbels (à dir),com sua
esposa Magda e seus seis filhos; posicionado de uniforme, no centro
da imagem, Harald Quandt, filho do primeiro casamento de Magda.
 Uma investigação da Bloomberg mostrou que os "netos postiços" do ministro da propaganda de Adolf Hitler, Joseph Goebbels, atualmente possuem espólios bilionários.

A fortuna não veio de Goebbels, que foi o segundo marido da avó das crianças, Magda, mas do avô biológico, Guenther Quandt, dono de um império industrial que produziu armas e mísseis para o governo nazista.

 Segundo a reportagem, de 1940 a 1945, as fábricas de Quandt funcionaram com a mão de obra forçada de mais de 50 mil trabalhadores, como prisioneiros de guerra e de campos de concentração.

Após a guerra, Guenther Quandt foi julgado como um "Mitlaeufer", ou seja, um apoiador nazista que não estava formalmente envolvido nos crimes do regime.

Os filhos biológicos de Quandt, Herbert (que não era filho de Magda, mas do primeiro casamento de Guenther) e Harald, herdaram a fortuna do pai (morto em 1954), que tinha entre seus ativos a participação na manufatura alemã de carros Daimler. Mais tarde, eles compraram parte da BMW (Bayerische Motoren Werke).

A família de Herbert tornou-se a acionista majoritária da BMW após a década de 1960, quando ele evitou o colapso da empresa e investiu na criação de novos modelos. Já os descendentes de Harald tiveram uma participação menor nas ações da BMW, embora detenham hoje uma fortuna avaliada em ao menos 6 bilhões de dólares pela Bloomberg.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1226591-herdeiros-de-goebbels-ministro-de-hitler-hoje-sao-bilionarios.shtml

Relacionado: Hugo Boss lamenta uso de trabalhadores forçados durante o nazismo

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Ordem do führer sobre a administração das regiões do leste novamente ocupadas


17 de julho de 1941

Quartel general do führer

Para restabelecer a ordem publica e a vida nas regiões do leste novamente ocupadas, ordeno:

1. Depois de cessarem as operações militares nas regiões do Leste novamente ocupadas, a administração destas regiões passará das autoridades militares para autoridades civis. Por conseqüência, as regiões que devem passar para o controle das autoridades civis assim como a data desta transmissão de poderes serão fixadas por mim, caso por caso, por um decreto especial.

2. As autoridades civis nas regiões do Leste novamente ocupadas ficam subordinadas ao ministro do reich para territórios limítrofes do Reich ou do governo geral.

3. Os direitos soberanos e os plenos poderes das autoridades militares são assegurados nas regiões di Leste novamente ocupadas pelos comandantes das forças armadas com meu decreto de 25 de junho de 1941.

As questões de competência do delegado do plano quadrienal nas regiões do Leste novamente ocupadas foram reguladas pelo meu decreto de 29 de junho de 1941, e as questões de competência do chefe das tropas SS do Reich, chefe da policia alemã foram reguladas pelo meu decreto de 17 de julho de 1941, e as indicações que se seguem não lhes dizem respeito.

4. O reichsleiter Alfred Rosenberg é nomeado ministro do Reich para territórios ocupados do leste, com sede em Berlim.

5. As regiões do Leste novamente ocupadas subordinadas ao ministro do Reich para negócios dos territórios ocupados são divididas em comissariados do Império, que se subdividem em regiões gerais, subdivididas por sua vez em distritos. Vários distritos podem ser reunidos para formar um região principal. O ministro do Reich para negócios dos territórios ocupados do Leste estabelecerá estas disposições com maior detalhe.

6.À frente de cada comissariado do reich encontra-se um comissariado do Império, à frente de cada região geral um comissário geral e à frente de cada distrito um comissário de distrito. No caso de formação de uma região principal assumirá sua direção um comissário principal.
Os comissários do Reich e os comissários gerais são designados por mim, os chefes das seções principais das administrações subordinadas aos comissários do Reich assim como os comissários principais e os comissários de distrito são nomeados pelo ministro do Reich para negócios dos territórios ocupados do leste.

7. Os comissários do Reich estão subordinados ao ministro do Reich para negócios dos territórios ocupados do Leste e só dele devem receber diretrizes, exceto no que está previsto no parágrafo 3.

8. O ministro para negócios dos territórios  ocupados do leste está encarregado de promulgar leis para as regiões ocupadas do Leste que lhe estão subordinadas. Pode delegar os seus poderes de promulgação de eis nos comissários do Reich.

9. Toda a administração da região para questão de origem civil está subordinada aos comissários do Reich.As autoridades superiores competentes do Reich serão encarregadas de assegurar o funcionamento normal dos transportes e dos correios de acordo com as indicações do chefe do Estado-Maior geral das forças armadas durante as operações militares. Depois de acabadas  as operações militares poderão ser adotadas outras regras.

10. Para estabelecer uma ligação entre as medidas tomadas pelo ministro do Reich para os negócios das regiões  ocupadas do Leste ou pelos comissários do Reich nos territórios que  lhe estão subordinados, e o problema de interesses de Estado mais importantes, o ministro do Reich para os negócios das regiões ocupadas do Leste fica em contato estreito com as instancias superiores do Reich. Em caso de divergências de opiniões que não possam ser resolvidas por discussões diretas, é necessário que antes de se tomar uma decisão eu seja consultado por intermédio do ministro do Reich e chefe da Chancelaria.

11. As ordens necessárias apara realizar e completar o presente decreto serão dadas pelo ministro do Reich para os negócios das regiões ocupadas do Leste depois de consultados o ministro do Reich e chefe da Chancelaria e o chefe do Estado-Maior das forças armadas.

Führer
Adolf Hitler

Chefe do Estado-Maior Geral das Forças Armadas
Keitel

Ministro do Reich e Chefe da Chancelaria do Reich
Lammers

(O original alemão encontra-se nos Arquivos Centrais da URSS sobre a Revolução de Outubro, fundo 7021, registro 148, dossier 183, folhas 45-46.)

Transcrição: Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com
Fonte: COELHO, Zeferino - O crime metódico. Ed. Inova Limitada -pag. 29-32

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Extrato do processo verbal de uma reunião de Hitler com os dirigentes do Reich sobre os objetivos da guerra contra a União Soviética

Martin Bormann
16 de julho de 1941

(Secreto)

Quartel general do comandante chefe

Por ordem do führer realizou-se hoje às 15 horas uma reunião na sua residência com a participação do Reichsleiter Rosenberg, do ministro do Reich Lammers¹, do marechal Keitel, o marechal do Reich e eu próprio².

A reunião começou às 15 horas e prolongou-se até cerca das 20 com um intervalo para tomar café.

na sua declaração inicial, o führer sublinhou que queria apresentar algumas noções de principio. Na hora atual, são necessárias várias medidas. Testemunham-no os artigos de um jornal indiscreto de Vichy, segundo o qual a guerra contra a URSS seria a guerra da Europa. Assim, a guerra deve ser travada por assim dizer no interior de toda a Europa. Com esta posição o jornal de Vichy pretende talvez significar que os benefícios desta guerra não devem caber exclusivamente à Alemanha, mas a todos os Estados europeus.

Atualmente, importa que não revelemos publicamente os nossos objetivos, coisa que, além do mais, seria inútil. O essencial é que saibamos o que queremos. De modo algum devemos tornar mais difícil o nosso caminho com declarações supérfluas. Tais explicações são supérfluas porque só podem fazer o que estiver dentro das nossas possibilidades, e o que está para além das nossas forças escapa-nos.

Para o mundo,  a motivação das nossas ações devem fundamentar-se em razões táticas. Devemos agir neste caso do mesmo modo que na Noruega, na Dinamarca, na Holanda e na Bélgica. Em todos estes caos nada dissemos acerca dos nossos objetivos, e no futuro usaremos a mesma inteligência e continuaremos a não o fazer.

Portanto, sublinharemos novamente que fomos forçados a ocupar uma região, impor nela a ordem e estabelecer a segurança. Fomos obrigados, no interesse da população, a assegurar a tranqüilidade, os abastecimentos, o funcionamento dos meios de transporte, etc.. Nisso se baseia a possibilidade de uma anexação. Assim, não deve dar a entender que se trata de uma anexação definitiva. Contudo, apesar disso aplicamos e aplicaremos todas as medidas necessárias tais como deportações, execuções, etc..

Mas não queremos fazer de quem quer que seja nosso inimigo demasiado cedo. Por esta razão agiremos como se quiséssemos aplicar um mandato. Mas deve ser claro para nós que nunca mais abandonaremos estas regiões.

Partindo daqui, trata-se dos seguintes casos:
1. Nada construir para a anexação definitiva, mas tudo preparar em segredo para isso.
2. Sublinharemos que trazemos liberdade

Em particular:

A Crimeia deve ser libertada de todos os estrangeiros e povoada de alemães. Do mesmo modo a Galícia austríaca deve tornar-se uma província do Reich alemão.

Atualmente as nossas relações com a Romênia são boas, mas ninguém sabe no que se tornarão no futuro. Deve ter-se isto em conta e devem-se organizar em conseqüência as nossas fronteiras. Não podemos depender das boas intenções de terceiros estados. Devemos estabelecer as nossas relações com a Romênia partindo desse principio.

Em suma, trata-se de um grande bolo de que devemos tomar posse, dirigir e explorar.

Agora os russos deram ordem de criar a guerra de guerrilhas na retaguarda das nossas tropas. Esta guerra também traz vantagens: permite-nos destruir tudo o que se levante contra nós.

O essencial:

Nunca mais deve ser possível a criação de uma potencia militar a ocidente dos Urais, mesmo que para isso tenhamos que manter a guerra durante 100 anos. Todos os sucessores do führer devem saber que o Reich só se encontrará em segurança quando, a ocidente dos Urais, não haver tropas estrangeiras. A Alemanha encarrega-se de defender este espaço contra qualquer perigo eventual. deve adotar-se uma regra absoluta: "Nunca permitir alguém, exceto os alemães, use armas".

Isto é capital. Mesmo se, no futuro próximo, nos parece fácil convencer os povos estrangeiros dominados a dar-nos uma ajuda armada, agir assim seria um erro. Um belo dia tudo se voltará obrigatória e inevitavelmente contra nós. Só o alemão tem o direito de usar armas, e não um eslavo, um tcheco, um cossaco ou um ucraniano.

Em caso algum devemos praticar uma policia hesitante como antes de 1918 na Alsácia. O inglês distingue-se sempre porque segue continuamente uma única linha,  um único fim. Neste ponto de vista teremos obrigatoriamente de aprender com os ingleses. E por essa razão, não temos o direito de fazer depender as nossas relações de certas personalidades. devemos tomar como exemplo a atitude dos ingleses na Índia, em relação aos príncipes hindus: um soldado deve sempre defender o regime.

Devemos transformar as regiões do Leste novamente conquistadas num jardim paradisíaco. Tem pra nós uma importância vital. Comparadas com elas, as colônias tem um papel completamente secundário.

Mesmo nos caso sem que separemos certas regiões, devemos sempre apresentar-nos como defensores do direito e da população. É preciso escolher desde já as formulas necessárias. Não falaremos de uma nova região do Reich, mas de uma missão necessária decorrente da guerra.

Em particular: nos países bálticos, a região que se estende até ao Dvina, de acordo com o marechal Keitel, deve desde já ser colocada sob a nossa administração.

O Reichsleiter Rosenberg sublinha que, na sua opinião, em cada região(comissariado), a atitude para com a população deve ser diferente. Na Ucrânia, deveríamos fazer promessas no domínio da cultura, deveríamos despertar a consciência histórica dos ucranianos, abrir uma universidade em Kiev, etc..

O marechal do Reich opõe-se a esta ideia indicando que em primeiro lugar devemos assegurar o nosso abastecimento de viveres, e o resto virá mais tarde.

(Uma questão subsidiaria: haverá ainda em geral uma camada de intelectuais na Ucrânia, ou terão emigrado para fora da Rússia atual os ucranianos pertencentes às classes superiores?)

Rosenberg continua: na Ucrânia, devem igualmente ser devolvidas certas tendências autonomistas.

O marechal do reich pede ao führer que indique quais as regiões prometidas a outros Estados.

O führer responde que Antonesco quer obter a Bessarábia e Odessa com um corredor indo de Odessa para Oes-noroeste. Em resposta às objeções de Rosenberg e do marechal do Reich, o führer indica que a fronteira pedida por Antonesco ultrapassa um pouco a antiga fronteira romena. Sublinha que nenhuma promessa precisa foi feita aos húngaros, aos turcos e aos eslovacos.

O führer propõe que se examine se não se deve entregar imediatamente a parte austríaca da Galícia ao governo geral. Depois de uma troca de opiniões, o führer decide não transferir esta parte para o governo geral, mas subordiná-la ao ministro do Reich Frank(Lvov).

O marechal do Reich considera que se deve anexar à Prússia oriental diferentes partes dos países bálticos, por exemplo as florestas de Bialystok.

O führer sublinha que toda a região báltica se deve tornar uma região do Reich.

Do mesmo modo, a Crimeia com as regiões vizinhas(regiões situadas ao norte) deve fazer parte do Reich. Estas regiões devem ser tão grandes quanto possível.

Rosenberg exprime algumas dúvidas no que diz respeito aos ucranianos que lá habitam.

(De passagem: foi notado por varias vezes que Rosenberg presta muita atenção aos ucranianos. Ele pretende também aumentar consideravelmente a velha Ucrânia.)

O führer sublinha que a colônia situada na região do Volga deve formar uma região do Reich, como a região de Baku. Deve tornar-se uma concessão alemã(colônia militar).

Os finlandeses querem obter a Carélia do Leste. mas tendo em conta a rica produção de níquel, a península de Kola deve pertencer a Alemanha.

Com todas as precauções deve ser preparada a anexação da Finlândia como estado aliado. Os finlandeses querem a região de Leningrado. O führer quer arrasar Leningrado para em seguida a dar aos finlandeses...
O Reichsleiter Rosenberg levanta o problema da direção.

O führer dirige-se ao marechal do Reich e ao marechal dizendo que continuava a insistir na necessidade de dotar os regimentos da policia de carros de combate. Para utilizar a policia nas novas regiões do leste isto é muito importante pois, dispondo de um numero suficiente de carros, a policia poderá fazer muitas coisas. Aliás, sublinha o führer, as forças de segurança são muitos fracas. Mas o marechal do reich transferirá os seus aeródromos de treino para as novas regiões e, em caso de revolta, os aviões Ju-52 poderão efetuar bombardeamentos. O enorme espaço deve ser pacificado tão depressa quanto possível. O melhor meio de o conseguir é fuzilar quem quer que olhe de lado.

O marechal Keitel sublinha que se deve responsabilizar a população pelos seus próprios assuntos, visto que, naturalmente, é impossível colocar um guarda diante década barraca, em cada cais. Os habitantes devem saber que todo aquele que ficar inativo será fuzilado e que serão eles os responsáveis por todos os delitos.

A uma pergunta do reichsleiter Rosenberg o führer responde que é necessário restaurar a imprensa, por exemplo na Ucrânia, para poder agir sobre a população local...

O reichsleiter Rosenberg pede que seja posto à sua disposição um imóvel para os seus serviços. Pede o edifício da representação comercial soviética situado na Lietzenburgerstrasse. Contudo, o Ministério dos negócios Estrangeiros é de opinião que este edifício goza de extraterritorialidade. O führer responde que isso são futilidades. Fica encarregado o ministro do Reich, Dr. Lammers, de informar o Ministério dos negócios Estrangeiros que este edifício deve ser imediatamente posto á disposição de Rosenberg sem quaisquer conversações...

(O original alemão encontra-se nos Arquivos Centrais da URSS, fundo 7445, registro 2, dossier 162, folhas 433-443)

Transcrição: Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com
Fonte: COELHO, Zeferino - O crime metódico. Ed. Inova Limitada -pag. 22-28

1. Hans Lammers, chefe da chancelaria do Império; em 1949 foi condenado por crimes de guerra a 20 anos deprisão, mas foi libertado pelos americanos em 1951.
2. Trata-se de Bormann.