sábado, 26 de abril de 2014

Jornal faz campanha para tirar tanques soviéticos de monumento em Berlim

"Bild" defende que veículos soviéticos da Segunda Guerra sejam removidos de memorial e afirma que se trata de iniciativa de repúdio à ação da Rússia na Crimeia e na Ucrânia.


Em protesto contra as ações da Rússia na Crimeia e na Ucrânia, a Alemanha deve remover dois tanques soviéticos da época da Segunda Guerra Mundial situados em pedestais próximos ao Portão de Brandemburgo, em Berlim. Essa inusitada proposta foi publicada nesta terça-feira (15/04) pelo jornal sensacionalista Bild, jornal alemão de maior vendagem na Europa.

O periódico lançou uma petição pela retirada do par de tanques verdes modelo T-34, que adornam um memorial de guerra soviético desde a construção do monumento, em 1945. Os jornais Bild e B.Z. (ambos do grupo editorial Axel Springer) convocaram seus leitores a enviar cartas de protesto ao Parlamento alemão contra os dois símbolos da guerra.

"Não queremos tanques russos perto do Portão de Brandemburgo!" é o título do modelo de carta que os jornais publicaram, pedindo a seus leitores para recortarem, assinarem e enviarem a mensagem ao Bundestag (câmara baixa do Parlamento) por correio ou pela internet.

Atração turística

"O Bundestag deve determinar: os tanques russos no memorial no parque berlinense Tiergarten devem ser removidos", prossegue o texto, argumentando que "numa época em que tanques russos ameaçam a Europa livre e democrática, não queremos mais tanques russos perto do Portão de Brandemburgo".

Memorial fica no centro da capital alemã
No memorial estão enterrados cerca de 2,5 mil dos 80 mil soldados do Exército Vermelho tombados em Berlim, na batalha final da Segunda Guerra Mundial. Ele fica a 200 metros do edifício do Parlamento, o Reichstag. Atração turística da capital alemã, ele é um dos três memoriais soviéticos da cidade.

Segundo a lei alemã, uma petição é considerada passível de ser analisada por uma comissão interna do Bundestag caso ela alcance 50 mil assinaturas dentro de quatro semanas, a partir da data do encaminhamento do documento à casa. O Bild informa que deu entrada, oficialmente, ao abaixo-assinado no Parlamento alemão nesta segunda-feira.

Fonte: DW

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Documentos do FBI dizem que Hitler fugiu para a Argentina

Documentos revelados pelo FBI revelam que Adolf Hitler terá fugido para a Argentina de submarino no fim da Segunda Guerra Mundial. E que o ditador sofria de asma e úlceras.

De acordo com o jornal Express, os dados foram fornecidos em 1945 ao FBI por um informador argentino, que em troca pretendia asilo.

Este informador disse ainda que o líder nazi tinha cortado o seu bigode e vivia num rancho fortemente vigiado. "Se forem a um hotel em San Antonio, Argentina, consigo arranjar um homem que se encontre lá com vocês e vos diga onde é o rancho onde está Hitler", disse o informador.

A informação chegou ao líder do FBI, J. Edgar Hoover, que a reencaminhou para o Departamento de Guerra.

No entanto, num documento de 21 de setembro de 1945, os agentes do FBI concluiram que devido à pouca informação seria impossível continuar a seguir esta pista.

Os documentos do FBI estão disponíveis aqui.
Fonte: DN
Mais: Link

OBS: Essa matéria saiu em 2011 e já foi rebatida, em breve sai uma atualização sobre ela.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Livro: Vitória no Pacífico - Do Ataque a Pearl Harbor à Vitória em Okinawa

Vitória no Pacífico -  Do Ataque a Pearl Harbor à Vitória em Okinawa -  Karen Farrington 

O lançamento da M.books deste mês(abril) conta como a tentativa de conquista japonesa foi frustrada e como os Aliados lutaram por toda a Birmânia, ilha por ilha, rumo à vitória final no Oriente.

Em 7 de dezembro de 1941, a marinha japonesa atacou Pearl Harbor. Simultaneamente, o exército japonês lançou ataques maciços na Malásia, Hong Kong e nas Filipinas. A esfera de influência dos japoneses se espalhou num ritmo fenomenal.

À medida que as nações da Ásia caíam uma a uma e as tropas britânicas e americanas na região eram rapidamente subjugadas, parecia que o sonho do império japonês estava para se tornar realidade.

Da luta selvagem pelas ilhas do Pacífico à reconquista da Birmânia, contra todas as chances, pelo “esquecido” 14º Exército, Vitória no Pacífico conta toda a história de como a guerra contra os japoneses no Extremo Oriente foi finalmente vencida.

Sobre a autora: Karen Farrington - é escritora e ex-jornalista do Fleet Street, que se especializou no estudo de confl itos ao longo do século XX. Ela marcou o 50º aniversário do final da Segunda Guerra Mundial com a publicação de Eyewitness to World War II, compilado de várias entrevistas com veteranos ao redor do mundo, sendo que muitos deles contribuíram para a Vitória no Pacífico.

Contato da editora:
M. Books do Brasil Editora Ltda. 
Atendimento ao Cliente: 11 3645-0409 / 0410 - Fax: 11 3832-0335
Visite nosso site: http://www.mbooks.com.br / Twitter: @mbooks_ / Facebook: facebook/mbookseditora

Por sinal, a editora está com um livro sobre Nuremberg:
Os Julgamentos de Nuremberg - Paul Roland
Tem alguns comentários sobre o livro na Amazon:

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Eva Braun, esposa de Hitler, pode ter tido origem judaica

Eva Braun e Hitler.

Eva Braun, a esposa de Adolf Hitler, pode ter tido origens judaicas, segundo novas análises de DNA realizadas para um documentário que será transmitido na quarta-feira pelo canal britânico Channel 4.

Esta tese se apoia na análise de cabelos provenientes de uma escova encontrada em Berghof, a residência de Hitler na Baviera, onde Eva Braun passou a maior parte do tempo durante a Segunda Guerra Mundial. Nos cabelos, os pesquisadores encontraram uma sequência específica de DNA "fortemente associada" aos judeus asquenazes, que representam aproximadamente 80% da população judaica.

Na Alemanha, muitos judeus asquenazes se converteram ao catolicismo no século XIX. "É uma descoberta impressionante. Jamais teria imaginado ver um resultado potencialmente tão extraordinário", comentou Mark Evans, o apresentador do programa "The Dead Famous DNA" no Channel 4.

Segundo os produtores do documentário, tudo indica que os cabelos analisados são provenientes de Eva Braun, mas o único meio de garantir formalmente seria compará-los com o DNA de um de seus dois descendentes vivos, mas eles se negaram a se submeter à análise. Eva Braun foi amante durante longos anos de Hitler. Eles se casaram no dia 29 de abril de 1945, na véspera do suicídio de ambos no bunker do ditador nazista em Berlim.

Fonte: http://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2014/04/05/interna_internacional,515786/eva-braun-esposa-de-hitler-pode-ter-tido-origem-judaica.shtml

sábado, 5 de abril de 2014

Cavalaria Polaca: Um mito militar dissipado

Cavalaria polaca
Às 02:00 em 1 º de setembro de 1939, o coronel Kazimierz Mastelarz, comandante do 18 º Regimento da Brigada de Cavalaria Pomorska , avistou um batalhão de infantaria alemã exposto na floresta perto da aldeia polonesa de Krojanty. Ele rapidamente reuniu seus soldados para uma carga de sabre e caiu sobre o inimigo desprevenido, facilmente a ultrapassagem deles. Para o coronel, a ação curta, mas breve, deve ter parecido um começo casual para a guerra para ele e seus homens. Seu primeiro encontro com a tão anunciada Wehrmacht de Hitler tinha provado um sucesso tático a um custo insignificante. No entanto, a vitória teria uma curta duração. Antes dos poloneses poderem se reorganizar, uma coluna de tanques alemães e tropas motorizadas apareceu em torno de uma curva e desencadeou uma saraivada de fogo devastador. Cerca de vinte soldados, incluindo o próprio coronel foram mortos antes de os poloneses pudessem girar seus cavalos e retirar-se, abandonando o campo ganhado recentemente dos alemães, que avançavam. No dia seguinte, correspondentes de guerra italianos foram trazidos para o local e disseram que os cavalarianos poloneses se lançaram em carga contra os tanques alemães.

Foi desta forma que um dos mitos mais duradouros da Segunda Guerra Mundial, e a imagem definidora da campanha de setembro, nasceu. O general alemão Heinz Guderian escreveu em suas memórias que "A Brigada de Cavalaria Polonesa Pomorska, na ignorância da natureza de nossos tanques, tinham dado carga com espadas e lanças e sofreram perdas enormes". [1] Winston Churchill escreveu que os poloneses "deram carga bravamente contra os tanques pululantes e carros blindados, mas não poderiam prejudicá-los com as suas espadas e lanças ".[2] Ainda hoje, cerca de setenta anos depois, o mito permanece amplamente acreditado mesmo nos círculos militares. Na apresentação de 2005, o jornal do Exército canadense, escrito por um major do exército canadense, conta como as tropas polacas "com pouco mais de coragem e lanças" foram "abatidos" quando em carga contra carros blindados e tanques alemães. [3] Como é que uma imprecisão histórica tão flagrante pode perpetuar até hoje? A resposta está nos diversos contextos, através do qual o mito tem sido interpretados e divulgados. Isso quer dizer que, enquanto a imagem de um cavaleiro polaco em carga contra um tanque tem sido usado para denegrir os poloneses e o Estado polonês na guerras, também serviu como um símbolo nacional importante de auto-sacrifício e da tradição romântica. No entanto, antes de se aprofundar em diferentes interpretações do mito, é importante esclarecer o papel da cavalaria do Exército Polonês de antes da guerra e seu uso na Campanha de Setembro.

 A cavalaria polonesa foi a última a constituir um braço militar na estratégica autônoma. Os 70.000 homens que compunham o Exército polonês em onze brigadas de cavalaria representavam não apenas cerca de dez por cento a sua força total, mas também sua elite. Distinguidos por suas botas elegantes e uniformes bem adaptados, cavaleiros eram normalmente recrutados entre latifundiários e classes educadas e compartilhavam um profundo senso de lealdade para com os seus regimentos e tradição. Durante a década de 1930, táticas e a organização foram atualizados em resposta à nova face da guerra moderna. A lança foi abandonada como arma em 1934 e, apesar dos cavalarianos tivessem sabres, cargas montadas  foram desencorajados a favor de ataques em pé. Na verdade, noventa por cento dos engajamentos de cavalaria poloneses durante a campanha 1939 foram travadas desmontados. [4] A principal vantagem do cavaleiro foi pensada para não residir em cargas, mas em sua mobilidade e capacidade de resposta de acordo com qualquer situação. Nem eram ilusões mantidas como às realidades sobre combate entre cavalaria e tanques. Em 1937, o exército polonês emitiu uma "diretiva relativa a combate entre unidades de cavalaria e blindados." Ele afirma que: "Em vista do enorme desenvolvimento das forças blindadas, a cavalaria vai enfrentá-los continuamente e tem que aprender a lidar com eles, se quiserem cumprir suas tarefas ". [5] Cavaleiros são instruídos sobre tanques de combate, atraindo-os em terrenos acidentados e atacá-los com armas anti-tanques, artilharia cavalo e munições anti-tanque para rifles e metralhadoras.Em nenhum lugar diz que cavaleiros  montados devem atacar tanques, e muito menos com o sabre ou lanças.

A capa de uma revista Juventude Hitlerista 
de 1939, explorando o mito do "ataque 
contra tanques."
Entretanto, nenhuma quantidade de capacidade e moral por parte de seus oficiais e soldados poderia alterar o fato de que a cavalaria polonesa era essencialmente uma relíquia de uma época passada de guerra. Como um observador britânico escreveu: "Lembro-me de passar um dia com um regimento de cavalaria polonesa em sua sede fora de Varsóvia, e ninguém viu as manifestações mais maravilhosas de equitação. Mas de alguma forma eu sabia o suficiente sobre assuntos militares a perceber o quão triste que estava. Este foi um exército à moda antiga ".[6] O importante papel desempenhado pela cavalaria durante a Guerra Russo-Polonesa de 1920 levou a uma confiança equivocada entre os líderes militares quanto ao valor da cavalaria na batalha. Muitos sentiram que o tanque foi superestimado como uma arma, difícil de manobrar e passíveis de quebras em terrenos acidentados. Além disso, forragem para um cavalo era mais fácil de obter do que as enormes quantidades de gasolina necessárias para a força dos tanques. Embora houvesse pessoas como Władysław Sikorski, que reconheceu a importância da mecanização rápida, havia outras considerações. O ditador da Polônia, o marechal Józef Pilsudski, foi amplamente reconhecido como o "fundador e pai do exército polonês" e insistiu em manter a palavra final sobre todos os assuntos militares. Como o marechal cresceu velho e doente, tornou-se impossível chamar a sua atenção para os problemas fundamentais da doutrina e armamento.[7] Havia também a questão dos recursos financeiros limitados da Polônia e da capacidade produtiva industrial. Em 1939, o custo de equipar toda uma divisão blindada excedeu o orçamento anual total para o Exército polonês inteiro. Apesar do fato de a Polônia passar uma parte considerável de seu produto interno para os militares, nas despesas de defesa entre 1935 e 1939, infelizmente, foi de apenas um trigésimo da Alemanha. [8]

Nota-se no entanto, que a Polônia não era de forma alguma o único país combatente em 1939 em manter um lugar para cavalaria em suas doutrinas militares. Ao longo da década de 1930, o exército britânico, incentivado pelo Ministro da Guerra Duff Cooper, ao que um escritor descreveu, manteve o cavalo como um acessório "místico". [9]Tais sentimentos foram ecoados nos Estados Unidos pelo general John Knowles Herr, que, até 1939 pedia o fortalecimento da cavalaria e sua importância tática na próxima guerra. Em junho de 1941, o Exército Vermelho tinha trinta divisões de cavalaria em campo e os cavalarianos soviéticos tiveram um papel importante durante a guerra, não menos de que estavam liderando o cerco do Sexto Exército alemão em Stalingrado. Tais sentimentos foram ecoados nos Estados Unidos pelo general John Knowles Herr, que, até 1939 pedia o fortalecimento da cavalaria e sua importância tática na próxima guerra. Em junho de 1941, o Exército Vermelho tinha trinta divisões de cavalaria em campo e os cavalarianos soviéticos tiveram um papel importante durante a guerra, não menos de que estavam liderando o cerco do Sexto Exército alemão em Stalingrado. Mesmo a Wehrmacht alemã, líder na guerra mecanizada, dependia de cavalos para oitenta por cento de sua mobilidade durante a invasão da Polônia. [10] Cinco divisões de cavalaria acompanhou o exército alemão na União Soviética em junho de 1941 e como a guerra avançava e as realidades logísticas e geográficas de lutar uma guerra na Rússia tornou-se evidente, tanto o exército alemão como as Waffen SS expandiram significativamente suas unidades de cavalaria.

Um exame detalhado do desempenho da cavalaria polonesa em setembro de 1939 revela um registro de combate muito diferente do que os cavaleiros suicidas em carga contra tanques. Ao longo da campanha a cavalaria repetidamente provou ser a elite do exército polonês, mantendo sua disciplina e determinação em face de uma situação que era insustentável desde o início. De fato, na manhã do encontro em Krojanty, o comandante da 20 ª Divisão Motorizada alemã pediu permissão para retirar-se em face da "pressão intensa da cavalaria".[11] Naquele mesmo dia, na aldeia de Mokra, a Brigada de Cavalaria Wołyńska, entrincheirada em excelentes posições, repeliu repetidos ataques da 4ª Divisão Panzer alemã. A Brigada de Cavalaria Podolska conseguiu escapar atrás das linhas alemãs e brevemente invadir a Prússia Oriental, onde causou confusão e consternação considerável. [12] O louvor relutante da cavalaria polonesa ainda pode ser encontrado entre as lembranças dos alemães invasores. Guderian escreve:
 Durante a noite, o nervosismo no primeiro dia da batalha se fez sentir mais do que uma vez. Pouco depois da meia-noite a 2ª Divisão(motorizada) me informou que eles estavam sendo obrigados a se retirar pela cavalaria polonesa. Eu fiquei sem palavras por um momento; Quando recuperei o uso da minha voz eu perguntei ao comandante divisional se ele nunca tinha ouvido falar de granadeiros da Pomerânia sendo quebrados pela cavalaria hostil. Ele respondeu que não, e já tinha me garantido que ele poderia manter suas posições. Eu decidi tudo e que tinha que visitar essa divisão na manhã seguinte.[13] 
Nota-se que as unidades de cavalaria que lutavam em torno de Kock, no centro da Polônia não se renderam até 6 de outubro, enquanto alguns elementos da Brigada Podolska ainda conseguiram evitar a rendição por completo e fugir para a Hungria. A vitória alemã sobre a Polônia, em 1939, foi o primeiro grande sucesso militar da Wehrmacht desde a Primeira Guerra Mundial. Enquanto os poloneses lutaram bravamente, infligindo mais de 50.000 mortes em quatro semanas, a vitória alemã nunca esteve em dúvida. A invasão em 17 de setembro pela União Soviética, junto com a falta de ação flagrante por parte dos britânicos e franceses, assegurou o colapso rápido da Polônia. Para a propaganda alemã, a imagem de cavaleiros poloneses ingenuamente dando carga contra tanques serviu para destacar a superioridade tecnológica e intelectual das novas Forças Armadas alemãs e foi amplamente divulgado. Hans J. Massaquoi, morador de treze anos de Hamburgo, no momento da invasão alemã, conta em suas memórias como os noticiários apresentaram a imagem de cavaleiros em carga contra tanques como "uma grande piada polonesa".[14] Entre as representações mais famosas foi em 1941 o filme de propaganda "Kampfgeschwader Lützow" (esquadrão de combate Lützow). Para aumentar o realismo do filme, os cineastas pediram a ajuda do exército alemão em filmar no que dizia ser genuíno com filmagens do campo de batalha na Campanha de Setembro.[15] Em uma seqüência uma coluna de veículos blindados alemães é subitamente atacada por cavaleiros poloneses que carregam  para cima deles com sabres em punho. Os veículos alemães prontamente viram o rosto para seus atacantes, que são rapidamente postos em fuga deixando atrás de si um campo coberto de corpos mortos e cavalos sem cavaleiros.

Após a Segunda Guerra Mundial, a Polónia se encaixou desajeitadamente em historiografias ocidentais e soviéticas oficiais. Como resultado, a Campanha de setembro manteve praticamente inexplorada e várias imprecisões foram deixadas sem correção. O filme encenado encontrado em Kampfgeschwader Lützow até apareceu em documentários como autêntica filmagem de campo de batalha.[16] Como o historiador Norman Davies afirma, para muitos russos e ocidentais, a imagem de cavaleiros poloneses imprudentes em carga contra tanques foi mais fácil de aceitar que os "indignos papéis desempenhados pelos seus próprios governos, em 1939".[17] Apologistas nazistas e simpatizantes também têm aproveitado o mito como uma forma de difamar o Estado polonês entre guerras e seu povo. Em sua obra best-seller A Guerra de Hitler, o historiador desonrado e negador do Holocausto condenado, David Irving, usa o mito para fazer exatamente isso. Irving retrata guerras na Polónia como um país atrasado e agressivo que incitou a Alemanha à guerra. Ele descreve os poloneses como sendo um povo bárbaro que cruelmente perseguiam minorias alemãs e planejavam sua própria invasão da Alemanha. Ele escreve o polonês do campo  em 1939, "emaranhado e despenteado, como desde os tempos pré-históricos." Diante desses fatos, não é surpresa que os cavaleiros poloneses estavam "convencidos que os tanques alemães eram apenas manequins de folha de flandres" e iria atacá-los com suas lanças.[18]

Cavalaria polaca em ação,1939.
Seria incorreto no entanto, afirmar que as interpretações do mito tem sido universalmente negativas. Uma das razões inegáveis ​​que persiste até hoje é o seu valor como um símbolo de coragem altruísta e sacrifício. Certamente não se pode deixar de lembrar das famosas palavras do  General francês Pierre Bosquet ao testemunhar uma carga da Brigada Ligeira, “C’est magnifique mais ce n’est pas la guerre.” Em seu romance de 1959 The Tin Drum, a primeira parcela em seu épico " "Danzig Trilogy", Gunther Grama retrata o cavaleiro como o Don Quixote (Pan Kichot) da Polônia. Montando para a morte certa, o cavaleiro é visto como um belo anacronismo típico de uma era perdida do romantismo polonês. "Oh, tão brilhantemente a galope!", escreve ele, "vocês nobres poloneses a cavalo, estes não são tanques de aço , eles são meros moinhos de vento ou ovelhas, eu chamo você para beijar a mão da senhora."[19] Outra tal representação é encontrado no filme polonês de 1959 "Lotna" . Devido a razões políticas, os filmes sobre a campanha de 1939 não foram favorecidos durante a era comunista e "Lotna" é uma das poucas exceções importantes. Dirigido pelo lendário cineasta Andrzej Wajda, o filme acumulou considerável controvérsia devido à sua descrição surreal da cavalaria polonesa atacando tanques alemães. Em um ponto, um Uhlan polonês ainda ataca em vão pelo cano de um tanque com seu sabre. Embora muitos críticos poloneses e público sentiram que o filme seja irrisório das tradições militares do país, Wajda estava completamente ciente dos fatos históricos. Seu pai tinha sido um oficial da cavalaria durante a guerra, e ele fez questão de usar veteranos da Campanha de setembro como consultores.[20] A carga temerária da cavalaria contra tanques alemães não se destina a ser tomada como um fato histórico, mas sim como emblemática de uma era e tradição na história polonesa que depois de 1939 se foi para sempre, destruída pelas novas tecnologia de guerras.

A noção de que a cavalaria polonesa em carga contra tanques alemães em setembro de 1939, enquanto completamente falsa, encontrou um lugar aparentemente permanente nos anais da história militar. Enquanto alguns vão sempre usar o mito para ilustrar imprudência e imperícia na batalha, os outros vão vê-lo como um ato intemporal de valor marcial. Uma coisa que é certa, porém, é que o mito não será colocado para descansar em qualquer momento no futuro próximo. A Campanha de setembro, enquanto em grande parte esquecida no Ocidente, continua a ser na Europa Oriental um dos capítulos mais controversos da guerra. Este verão passado, antes do septuagésimo aniversário da invasão alemã da Polônia, o Ministério da Defesa russo acusou oficialmente a Polónia de ser responsável pela Segunda Guerra Mundial, recusando-se a ceder às exigências alemãs. A acusação foi feita na sequência da criação do "Comitê para a Oposição contra as tentativas de falsificar a história em detrimento da Rússia." Fundada pelo Presidente da Federação da Rússia , Dmitry Medvedev , o Comitê procura minar tais "distorções do registro histórico" como a do Massacre de Katyn 1939, em que 22 mil oficiais poloneses foram executados sumariamente. Enquanto grandes eventos históricos estão sendo deliberadamente negados em vez de re-examinados, é altamente improvável que tais questões aparentemente insignificantes como se deve ter ou não cavaleiros poloneses dado carga contra tanques alemães jamais vai ser respondida inequivocamente.

Tradução: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)

Notas e bibliografia 
Notas de Rodapé

[1]. Heinz Guderian, Panzer Leader (London: Michael Joseph Ltd., 1952), 72. 
[2]. Winston S. Churchill, The Second World War and Epilogue on the Years 1945-1957 (London: Cassell, 1959), 168. 
[3]. Tod Strickland, “Cavalry Charging Panzers: An Evaluation of Leadership Doctrine in the Canadian Army,” The Canadian Army Journal 8, no. 1 (Spring 2005): 39. 
[4]. Steven Zaloga, The Polish Army 1939-45 (London: Osprey Publishing, 1982), 9. 
[5]. Steven Zaloga, The Polish Campaign, 1939 (New York: Hippocrene Books, 1985), 38. 
[6]. Nicholas Bethell, The War Hitler Won: September 1939 (London: The Penguin Press, 1972, 99. 
[7]. Richard M. Watt, Bitter Glory: Poland and its Fate, 1918-1939 (New York: Hippocrene Books, 1998, 44. 
[8]. Steven Zaloga, Poland 1939: The Birth of Blitzkrieg (New York: Osprey Publishing, 2002), 22. 
[9]. Piers Brendon, The Dark Valley: A Panorama of the 1930's (New York: Alfred A. Knopf, 2000), 420. 
[10]. Christopher Ailsby, Waffen-S.S.: Hitler's Black Guard at War (London: Brown Books Limited, 1997), 23. 
[11]. Zaloga, Poland 1939: The Birth of Blitzkrieg, 42 
[12]. Bethell, 30. 
[13]. Heinz Guderian, Panzer Leader (New York: Da Capo Press, 2001), 71. 
[14]. Hans J. Massaquoi, Destined to Witness (New York: Perennial, 1999), 141. 
[15]. Jo Fox, Film Propaganda in Britain and Nazi Germany: World War II Cinema (New York: Berg, 2007), 100. 
[16]. Zaloga, Poland 1939: The Birth of Blitzkrieg, 92. 
[17]. Norman Davies, God's Playground Volume II: 1795 to the Present (New York: Oxford University Press, 2005), 325. 
[18]. David Irving, Hitler's War: 1939-1942 (London: Paperman, 1977), 6, 9-11. 
[19]. Günter Grass, The Danzig Trilogy: The Tin Drum, Cat and Mouse, Dog Years (New York: Random House, 1987), 195. 
[20]. Tadeusz Lubelski, Wajda (Wrocław: Wydawn. Dolnośląskie, 2006), 79. 

Tradução: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)
Escrito por Alexander Zakrzewski. Se você tiver dúvidas ou comentários sobre este artigo, por favor, entre em contato com Alexander Zakrzewski pelo email: alex.p.zed@gmail.com

terça-feira, 25 de março de 2014

Aktion "Erntefest" (Operação "Festival da Colheita")

Corpos em uma vala comum descoberta no campo de Majdanek
Introdução
Introdução por um artigo do USHMM-United States Holocaust Memorial Museum

Traduzido do alemão, "Erntefest" significa "Festival da Colheita". A palavra "Erntefest" foi o nome de código para a operação alemã para matar todos os judeus remanescentes no Distrito Lublin do Generalgouvernement (um território no interior da Polônia ocupada), no outono de 1943. O momento da operação foi aparentemente em resposta a vários esforços de sobreviventes judeus para resistir aos nazistas (por exemplo, as revoltas nos campos de extermínio de Sobibor e Treblinka, e resistência armada na Varsóvia, Bialystok, guetos de Vilna). Os SS temiam revoltas adicionais lideradas por judeus no Generalgouvernement. Para evitar uma maior resistência, a SS decidiu matar a maioria dos judeus remanescentes, que foram empregados em projetos de trabalho forçado e foram concentrados nos acampamentos deTrawniki, Poniatowa e Majdanek .

A "Erntefest" começou na madrugada de 03 de novembro de 1943. Os campos de trabalho Trawniki e Poniatowa foram cercados por SS e unidades da polícia. Judeus foram levados para fora dos campos em grupos e fuzilados em covas próximas cavadas para esse fim. Em Majdanek, os judeus foram separados primeiro dos outros prisioneiros. Eles foram levados em grupos para trincheiras próximas e fuzilados. Judeus de outros campos de trabalho na área de Lublin também foram levados para Majdanek e fuzilados. Música foi tocada nos alto-falantes, tanto em Majdanek como em Trawniki, para abafar o barulho do fuzilamento em massa. A operação de assassinato foi concluída em um único dia em Majdanek e Trawniki. Em Poniatowa o tiroteio durou dois dias. Cerca de 42.000 judeus foram mortos durante a "Erntefest".


Segue abaixo um artigo da historiadora Jennifer Rosenberg.


Aktion Erntefest


Em 3 de novembro de 1943, os nazistas cometeram simultâneos atos de assassinato em massa de cerca de 43.000 homens judeus, mulheres e crianças em três campos restantes na Generalgouvernement (área grande na Polônia) - Trawniki , Poniatowa e Majdanek . O nome de código para esta operação era Erntefest ("Festival da Colheita").

Por que matar tantos em um dia?

Os nazistas estavam ficandos nervoso e, talvez, um pouco assustados. A imagem da invencibilidade alemã tinha sido quebrada na batalha de Stalingrado em janeiro de 1943. Judeus se revoltaram no Gueto de Varsóvia, em abril de 1943 e novamente no campo de extermínio de Treblinka, em agosto de 1943. Mas parece que era a revolta judia no campo de extermínio de Sobibor em 14 de outubro de 1943 que fez Heinrich Himmler temer mais essas revoltas; assim após a revolta de Sobibor, Himmler ordenou a matança dos judeus remanescentes no Generalgouvernement.

A morte deveria ser conduzida toda em um dia, com quase nenhum aviso prévio, para evitar qualquer resistência possível.

Himmler confiou essa tarefa para o Superior SS e Líder da Polícia do Generalgouvernement, Friedrich Krüger , que por sua vez delegou ao Superior SS  e Líder da Polícia do distrito de Lublin, Jacob Sporrenberg .


Trawniki

No início da manhã de 3 de novembro, os judeus no campo de trabalho Trawniki foram retirados de suas barracas. Em pequenos grupos, eles foram levados para o campo de treinamento para os auxiliares SS Trawniki. A música de dança foi tocada (alto-falantes tinham sido criados para abafar o barulho dos tiros e os dos gritos de moribundos).

Depois de ter sido forçada a se despir, suas roupas foram adicionados à crescente pilha de roupas e eles foram levados a uma trincheira pré-escavada. Os primeiros grupos foram conduzidos através da trincheira e disseram para se deitarem. Em seguida, foram fuzilados. Grupos posteriores foram obrigados a ficarem sobre os cadáveres dos grupos anteriores. Em seguida, eles também foram baleados.

  • Total de mortos: No final da tarde, quando a matança terminou, cerca de 8.000 a 10.000 judeus foram assassinados em Trawniki neste único dia.
  • Cremação: Para encobrir a evidência deste assassinato em massa, os nazistas trouxeram 100-120 judeus do campo Milejow. Depois de terem cremado todos os cadáveres, levando cerca de duas a três semanas, esses prisioneiros também foram baleados e seus corpos cremados.

Poniatowa

No máximo no final de outubro, os judeus do campo de Poniatowa foram levados para perto do portão de entrada do acampamento e ordenou a cavar trincheiras: duas de 95 metros por 2 metros, com uma profundidade de 1,5 metros em ziguezague. Embora os prisioneiros foram informados de que essas trincheiras eram trincheiras de defesa, elas eram realmente o lugar onde eles estavam prestes a serem baleados.

Muito semelhante ao que aconteceu nesse mesmo dia em Trawniki, os judeus foram levados para as trincheiras e fuzilados.

"Tiramos a roupa rapidamente e, com nossos braços erguidos, fomos na direção das valas que nós mesmos haviamos cavados. Os túmulos, que eram de dois metros de profundidade estavam cheios de corpos nus. Minha vizinha da barraca com quatorze anos de idade, filha de cabelos loiros e de aparência inocente parecia estar à procura de um lugar confortável. Enquanto eles estavam se aproximando do lugar, um homem das SS carregando um fuzil e lhe disse: 'Não tenha pressa' .. Mas nós deitamos rapidamente, a fim de evitar olhar para os mortos. Minha filhinha estava tremendo de medo, e me pedindo para cobrir seus olhos. Eu abracei sua cabeça; minha mão esquerda eu coloquei sobre seus olhos enquanto na minha direita eu segurei suas mãos. Desta forma, deitamos, com nossos rostos virados para baixo.
Tiros foram disparados, eu senti uma dor aguda na minha mão, e a bala perfurou o crânio de minha filha. Outro tiro foi ouvido muito próximo. Eu estava totalmente abalado, fiquei tonto e perdi a consciência. Eu ouvi os gemidos de uma mulher nas proximidades, mas chegou ao fim depois de alguns segundos. " (1)


  • Resistência: Ao contrário dos outros dois campos, em Poniatowa, um grupo de prisioneiros judeus resistiu. Quando o tiroteio estava em fase de conclusão, um grupo pertencente a clandestinidade se separou. Após atear fogo a vários dos quartéis contendo roupas, os resistentes encontraram  segurança, embora apenas temporariamente, em um quartel. Com poucas armas que eles tinham conseguido adquirir nos meses anteriores, eles dispararam de volta para os nazistas. Infelizmente, os nazistas incendiaram o quartel e todos os opositores eram queimados vivos.
  • Total de mortos: Em Poniatowa, cerca de 15.000 judeus foram assassinados neste primeiro dia.
  • Cremação: Os nazistas mantiveram cerca de 150 judeus vivos em Poniatowa para que estes prisioneiros pudessem cremar os cadáveres. Os nazistas também reuniram cerca de mais 50 judeus, que foram encontrados escondidos em todo o acampamento. No entanto, esses presos se recusaram a cremar os corpos. Assim, esses prisioneiros foram fuzilados e substituídos por outros 120 judeus de outro acampamento.

Majdanek

No final de outubro, cerca de 300 prisioneiros de Majdanek foram retirados por trás dos campos V e VI, perto do crematório, e ordenados a cavar. Eles estavam a cavar três trincheiras, cerca de 100 metros de comprimento e 2 metros de profundidade, em uma linha em ziguezague.

Majdanek, na Polônia.Uma vala comum cheia
com os restos de corpos, no momento da libertação.
Para a matança, cerca de 100 homens da SS e da polícia vieram de Auschwitz e de outros locais para complementar a equipe de Majdanek. Dois caminhões com alto-falantes entraram no campo, em preparação para o 3 de novembro - um foi colocado perto do portão do campo (perto da estrada) e o outra foi colocado perto das trincheiras recém-cavadas.

Na manhã do dia 3 de novembro, os prisioneiros passaram pelo processo de rotina de chamada. No final da chamada, os prisioneiros judeus a partir de campos III e IV receberam ordens para avançar e criar uma coluna separada. Esses e milhares de outros judeus dos campos próximos, fábricas, e esquadrões de trabalho foram levados para o campo V para aguardar a execução.

Em grupos de 100 (homens e mulheres separadamente), os prisioneiros judeus foram levados para os lavatórios e forçados a se despir. Eles foram levados, nús, através de um buraco na cerca do campo V (buraco cortado por Schutzlagerführer Thumann). Do buraco na cerca, os prisioneiros passaram por um corredor delimitado por policiais armados. Uma vez nas valas, eles foram obrigados a se deitarem, e em seguida, baleados por homens da SS em pé na borda da vala. Os grupos seguintes foram lançados em cima dos grupos anteriores recém-mortos.

  • Total de mortos: Em Majdanek em 3 de novembro, cerca de 18.000 judeus foram assassinados. Este dia ficou conhecido como "Quarta sangrenta" entre os prisioneiros restantes de Majdanek.
  • Cremação: Os nazistas mantiveram 311 mulheres judias e 300 homens judeus vivos para classificar as roupas e outros pertences de quem estava morto. Após a triagem realizada, as mulheres foram enviadas para Auschwitz e gaseadas na chegada. As mulheres foram forçadas a cremar corpos, e então elas também foram mortas.

Fim da Aktion Reinhard

O assassinato em massa de cerca de 43 mil judeus em 03 de novembro de 1943 durante a Aktion Erntefest significou o fim da Aktion Reinhard . Este foi um dia muito sangrento na história.

Notas:
(1) -  Sobrevivente feminina das execuções em massa Poniatowa como citado por Martin Gilbert, The Holocaust (New York: Holt, Rinehart and Winston, 1985) 629.

Bibliografia:
- Arad, Yitzhak. Belzec, Sobibor, Treblinka: The Operation Reinhard Death Camps. Indianapolis: Indiana University Press, 1987.
- Gilbert, Martin. The Holocaust: A History of the Jews of Europe During the Second World War. New York: Holt, Rinehart and Winston, 1985.
- Marszalek, Jozef. Majdanek: The Concentration Camp in Lublin. Warsaw: Interpress, 1986.

Traduções: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)

Outros:
Video da libertação do campo de Majdanek e suas valas comuns: 
http://www.ushmm.org/wlc/en/media_fi.php?ModuleId=10005190&MediaId=210
http://www.majdanek.eu/articles.php?acid=185&lng=1
Fotos: http://www.yadvashem.org/
Ver também: Batalhão Policial de Reserva 101

quarta-feira, 19 de março de 2014

Suposto enfermeiro de Auschwitz é detido na Alemanha

A polícia prendeu no norte da Alemanha um suposto
ex-enfermeiro do campo de extermínio de Auschwitz 

Berlim — A polícia prendeu no norte da Alemanha um suposto ex-enfermeiro do campo de extermínio de Auschwitz durante a Segunda Guerra Mundial, de 93 anos, anunciou nesta terça-feira o Ministério Público de Schwerin.

Os agentes revistaram a casa do aposentado, próxima à cidade de Neubrandenburgo, no norte.

O idoso passou por uma consulta médica e compareceu diante do juiz, acrescentou a mesma fonte.

Membro da SS entre 1940 e 1944, é suspeito de ter participado no extermínio em massa de prisioneiros em Auschwitz em setembro de 1944.

A justiça investiga oito comboios de prisioneiros que chegaram ao campo em setembro de 1944 procedentes de Cadcy (Eslovênia), Viena, Westerbork (Holanda), Lyon, Trieste, Berlim, Stutthof (Alsácia) e Kaunas (Lituânia).

No total, 1.721 pessoas foram enviadas logo após sua chegada às câmaras de gás, depois de terem sido consideradas inaptas ao trabalho.

O caso deste suposto ex-enfermeiro de Auschwitz foi levado ao Ministério Público de Schwerin pelo gabinete central de investigações de crimes do nacional-socialismo de Luisburgo (sudoeste).

Este último havia anunciado em setembro de 2013 ter encerrado investigações em torno de 49 pessoas e transmitido 30 casos aos Ministérios Públicos regionais alemães.

Mais de 6.000 pessoas trabalharam em Auschwitz, onde cerca de 1,1 milhão de judeus, ciganos, homossexuais e opositores políticos morreram nas câmaras de gás, de cansaço ou por diversas doenças.

Por mais de 60 anos, os tribunais alemães só julgavam acusados contra os quais existiam provas diretas ou testemunhos.

Mas a condenação do apátrida de origem ucraniana John Demjanjuk em Munique em maio de 2011 abriu um precedente jurídico. Demjanjuk foi condenado a 5 anos de prisão por sua participação no assassinato de 28.000 judeus. O tribunal considerou que ele era guarda no campo de Sobibor, embora não tenha provado seu envolvimento direto nos crimes.

Fonte: AFP

terça-feira, 18 de março de 2014

Aos 90 anos, ex-guarda da SS em Auschwitz será julgada

Gisela S. é uma das 6 mulheres ainda vivas que mataram milhares de judeus em campo de concentração na Polônia; ela era soldado da SS, organização responsável por muitos dos crimes contra a humanidade durante a II Guerra Mundial
Gisela S.

Uma mulher de 90 anos, identificada como Gisela S., enfrentará a justiça por crimes contra a humanidade pelo seu trabalho como guarda da SS - organização paramilitar ligada ao partido nazista e a Adolf Hitler - no campo de concentração nazista na Polônia, Auschwitz, onde quase 2 milhões de pessoas morreram, na maioria judeus. Gisela responderá por assassinato em massa e é uma das trinta pessoas que trabalharam em Auschwitz que ainda estão vivas e vivem na Alemanha.

Com o apelido de “Demming” durante a guerra, seu arquivo foi levantado nos últimos anos; ela responderá pelos crimes esta semana, sendo a segunda pessoa a ser julgada no último mês. 

Alega-se que Gisela era uma “disciplinadora severa” da guarda, que batia nos prisioneiros e que, por muitas vezes, teria sido encarregada de prender os judeus “infratores” em pequenos quartos escuros, onde até 15 pessoas ficavam amontoadas, sem comida e bebida, durante dias. Não era incomum que estas pessoas morressem confinadas.

Gisela S. vive atualmente numa casa perto de Hamburgo, na Alemanha, e é conhecida por ser “nazista fanática”, tendo sido parte da BDM, a Liga das Mulheres da Alemanha, sendo contratada pela guarda da SS em 1940.

Com informações do Daily Mail.
Fonte: Terra

sábado, 15 de março de 2014

Morre homem que dizia ser marinheiro de foto da 2ªGuerra

Morreu nesta sexta-feira Glenn McDuffie, o homem que se tornou conhecido por afirmar que era o marinheiro da célebre foto do beijo de um casal na Times Square no fim da Segunda Guerra Mundial. A imagem, que mostra o oficial beijando uma enfermeira na rua, foi tirada pelo fotógrafo Alfred Eisenstaedt, da revista Life, em 14 de agosto de 1945.

A artista forense do Departamento de Polícia de Houston Lois Gibson, que identificou McDuffie como o homem da imagem, disse na sexta-feira que ele morreu no dia 9 de março. McDuffie tinha 86 anos.

Lois relatou ter tirado cerca de 100 fotos de McDuffie com um travesseiro, posando da mesma forma que na famosa foto. Ao sobrepor essas imagens à original, explicou Lois, ela conseguiu comparar os músculos, orelhas e outros traços do homem, que na época das fotos tinha 80 anos, com o jovem que se inclina sobre a mulher apoiada em seu braço para beijá-la. Fonte: Associated Press.

Fonte: Estadao

sexta-feira, 14 de março de 2014

Guarda de Auschwitz irá a julgamento na Alemanha

Oskar Groening, guarda de Auschwitz 
Alemanha poderia começar o julgamento do ex-sargento SS Oskar Groening, fazendo dele o primeiro ex-guarda de um campo de extermínio a comparecer perante um tribunal alemão em décadas.

Promotores alemães decidiram que um idoso de 92  anos, ex-guarda de Auschwitz, está apto para ser julgado por ser um acessório para o assassinato de dezenas de milhares de judeus enviados para a morte no campo de extermínio nazista infame durante a Segunda Guerra Mundial.

Oskar Groening, um ex-sargento nazista, admite que serviu em Auschwitz durante dois anos e meio, mas ele afirma que apenas guardava pertences dos presos condenados no acampamento e insiste que ele não cometeu crimes de guerra lá.

No entanto promotores estaduais em Hanover anunciaram nesta quinta-feira que eles tinham concluído uma investigação inicial contra Groening e pronunciado que ele estava apto para ser julgado. Ele é susceptível de se tornar o primeiro ex-guarda de campo de extermínio de comparecer perante um tribunal alemão em décadas.

Dois outros ex-guardas de Auschwitz idosos também sob investigação pelo Ministério Público de Hanover são considerados muito frágeis para serem julgados, segundo jornal Germany’s Bild nesta quinta-feira.

Um tribunal Aliado inocentou Groening, que trabalhava como gerente de uma fábrica de vidro e agora vive perto de Lüneburg, de crimes de guerra em 1948. No entanto, ele afirma que ele continua a ser assombrado pelos horrores de Auschwitz até hoje.

"Uma noite, em janeiro de 1943 eu vi pela primeira vez, como os judeus foram gaseados de verdade", lembrou em uma entrevista. "Havia mais de uma centena de prisioneiros e em breve havia gritos cheios de pânico quando eles foram levados para a câmara e a porta estava fechada.

"Ao longo dos anos, tenho ouvido os gritos dos mortos nos meus sonhos. Eu nunca vou ser livre deles.

"A culpa nunca vai me deixar. Eu só posso implorar por perdão e orar por reparação."

Groening é um de um punhado de ex-guardas de Auschwitz perseguidos por crimes de guerra nazistas pela unidade de investigação com sede em Stuttgart, da Alemanha. Kurt Schrimm, o seu diretor disse que os primeiros processos podem começar ainda este ano.

Os casos são parte do impulso final da Alemanha para trazer os últimos suspeitos de crimes de guerra nazistas à justiça. Os promotores têm sido capazes de apresentar acusações por causa de um precedente jurídico estabelecido em 2011 pela condenação do ex-guarda   docampo de extermínio nazista do  de Sobibor,John Demjanjuk, por um tribunal de Munique.

Tradução: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)
Fonte: Telegraph


PS: Esse é um nazista que confirma toda a maquina de extermínio em Auschwitz, e se arrepende ter estado lá.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Publicados documentos sobre colaboração de nacionalistas ucranianos com Alemanha nazista

O MRE da Rússia divulgou uma série de documentos do antigo Ministério do Interior soviético, referentes aos anos 1942-45 sobre a atividade desenvolvida por nacionalistas ucranianos durante a Segunda Guerra Mundial.

Os documentos contêm depoimentos e provas irrefutáveis de sua colaboração com as autoridades nazistas e participação em execuções em massa da população civil.

Vale notar que os ativistas ultra-nacionalistas voltaram a ganhar força após o colapso da URSS. O ex-presidente pró-europeu, Viktor Yuschenko, chegou a distinguir Stepan Bandera e Romam Schuschkevich, fundadores do Exército Insurreto Ucraniano (UPA) e da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN), com o título honorífico de Herói da Ucrânia.

Os seus simpatizantes e sucessores continuam protagonizando os eventos dramáticos em Kiev.
Fonte: http://portuguese.ruvr.ru/news/2014_03_05/Publicados-documentos-sobre-colabora-o-de-nacionalistas-ucranianos-com-Alemanha-nazista-7246/

Links dos documentos: http://www.idd.mid.ru/inf/inf_01.html

Obrigado ao Roberto que achos os documentos: Holocausto-doc: Documentos sobre os fascistas ucranianos (em russo)

 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Laudo aponta neonazistas com insanidade mental e processo é suspenso

Morador de rua foi agredido por neonazista Donato Di Mauro 

Investigação do caso começou após uma foto ser divulgada na internet, em que Antônio Donato Baudson Peret aparece agredindo um catador de papel, utilizando uma corrente para "enforcar" o homem

O processo contra os skinheads Antônio Donato Baudson Peret, conhecido como Donato Di Mauro, de 25 anos, e Marcus Vinícius Garcia Cunha, de 26, por formação de quadrilha, racismo e divulgação do nazismo foi suspenso nessa segunda-feira (24). A decisão foi publicada no processo dos jovens divulgado no site do órgão na Justiça Federal. A decisão foi tomada depois que um laudo médico apontou que a dupla apresenta insanidade mental. Dupla é acusada de integrar um grupo neonazista que atuava na capital mineira.

Processo

Após cinco meses preso na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, Marcus Vinícius Garcia Cunha, conseguiu o alvará de soltura e deixou o presídio no dia 15 de outubro de 2013.

Já Antônio Donato Baudson Peret preso na mesma penitenciária também conseguiu alvará de soltura e, após seis meses detido, foi liberado no dia 23 de outubro do mesmo ano.

Relembre

O caso veio à tona quando uma foto polêmica de Peret foi divulgada pela internet e provocou revolta. Na imagem, ele aparece agredindo um catador de papel, utilizando uma corrente para "enforcar" o homem. Na época, ele ainda colocou a legenda "Quer fumar "crackinho", quer? Em meio a praça pública cheia de criança?", dando a entender que a vítima era usuária de drogas. Como a foto ganhou repercussão, o jovem fugiu, mas acabou sendo preso em Americana (SP).

Marcus Cunha e João Matheus Moura foram detidos por equipes do Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Civil e da 1ª Delegacia de Polícia Sul. A casa dos detidos foi vasculhada, com autorização judicial através de três mandados de busca e apreensão. Atualmente, Moura está solto após ser libertado por decisão da Justiça. Já Peret e cunha permanecem presos em penitenciárias da região metropolitana de Belo Horizonte.
Fonte: O Tempo

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Entidade judaica mundial pede que Hungria reavalie memorial da Segunda Guerra


BUDAPESTE, 14 Fev (Reuters) - O Congresso Judaico Mundial fez um chamado à Hungria nesta sexta-feira para que reconsidere os planos de erguer um monumento de recordação da ocupação alemã em 1944 e procure dialogar mais com a comunidade judaica do país.

Grupos judaicos húngaros dizem que o monumento é parte de uma política oficial de ocultar o papel desempenhado por húngaros na deportação e assassinato dos judeus do país durante a Segunda Guerra Mundial.

A Associação das Congregações Judaicas Húngaras decidiu este mês que irá boicotar os eventos de recordação do 70o aniversário da decisão de junho de 1944 de enviar 437.000 judeus para os campos de morte nazistas, a menos que o primeiro-ministro Viktor Orban atenda a seus pedidos.

O presidente do Congresso Judaico Mundial, Ronald Lauder, disse em um comunicado que ele apoia plenamente a decisão do grupo húngaro de promover um boicote.

"Se Viktor Orban e o governo húngaro acreditam seriamente que a estátua também deva ser um memorial às vítimas judias, pelo menos eles deveriam ouvir as preocupações da comunidade judaica, levá-las em consideração, e reconsiderar seus planos", disse Lauder em um artigo publicado na edição de sábado do diário húngaro Nepszabadsag.

O anti-semitismo continua sendo um tema sensível na Hungria, que tem uma forte comunidade judaica, de 100.000 pessoas, uma das maiores da Europa.

(Reportagem de Krisztina Than)
Fonte: Reuters

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Presos na Alemanha três supostos guardas do campo de Auschwitz

BERLIM, 20 Fev (Reuters) - Três suspeitos de terem sido guardas do campo de extermínio de Auschwitz, dirigido por nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, foram presos no sudoeste da Alemanha, informou a procuradoria pública de Stuttgart nesta quinta-feira.

A procuradoria afirmou que se acredita que os três acusados, de 88, 92 e 94 anos de idade, estiveram envolvidos no assassinato de prisioneiros em Auschwitz, na Polônia, então sob ocupação nazista.

Eles foram presos depois que a polícia revistou seis casas no Estado de Baden-Wuerttemberg usando informação divulgada a vários Estados alemães no fim do ano passado pelo escritório central das Autoridades Judiciárias para a Investigação dos Crimes do Nacional Socialismo.

Vários documentos da era nazista foram apreendidos durante a busca na quarta-feira e estão sendo analisados, disseram promotores. Cerca de 1,5 milhão de pessoas morreram em Auschwitz, na maioria judeus, mas também ciganos, poloneses e outros, entre 1940 e 1945.

Autoridades alemãs estão tentando rastrear outros colaboradores do baixo escalão em uma "última oportunidade" de caça aos responsáveis pelo Holocausto, no qual cerca de 6 milhões de judeus foram mortos.

(Reportagem de Monica Raymunt)

Fonte: Reuters

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Um estado-morredouro: Madagáscar - Parte 1/2

Pré-história do projeto Madagáscar.

Pré-história diplomática 

Um conjunto de circunstâncias históricas tinha preparado a opinião mundial e a diplomática internacional para considerar a ilha de Madagáscar associada à ideia de uma transferência de população judaica.

Desde 1937, iniciativa tomada pela Polônia(188), são considerados planos para organizar a deslocação de alguns milhares de famílias judaicas da Polônia sobrepovoada para a ilha, que se tornara numa colônia francesa no final do século XIX. (É preciso notar que a conquista militar de Madagáscar pelos Franceses em 1883 tinha chamado a atenção do mundo para essa ilha africana finalmente colonizada. Foi assim que desde 1885 "problema judaico".) (189) 
Paul de Lagarde pensou em Madagáscar como solução parcial do

Em 1937, quando o Governo polaco começa a estudar o projeto de uma transferência de população polaca judaica para Madagáscar, retoma em suma um tema bastante simples: existe território capaz de receber colonos. Em relação aos judeus, a ilha interessa não só a Polônia, mas em breve também os ingleses que a vêem como solução para substituir a Palestina, e os franceses que queriam ver-se livres de um excesso de judeus chegados a França.

Assim, de janeiro de 1937 a janeiro de 1939, vemos intervir a vários níveis e segundo diferentes pontos de vista, neste tema da transferência de Judeus para lugares coloniais, e especialmente Madagáscar, pessoas como Léon Blum, primeiro-ministro da França, Montet, o seu ministro das Colônias(190), um pouco mais tarde (Dezembro de 1937) Delbos, ministro dos Negócios Estrangeiros da França (191). 

Alan Graham pede explicações ao Governo britânico no Parlamento acerca da eventual transferência dos judeus da Europa central e oriental para Madagáscar, com intento de salvaguardar a situação na Palestina. O secretário dos Negócios Estrangeiros britânico, Halifax, interroga o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Bonnet (no dia 26 de abril de 1938) (192), que promete examinar "o assunto desejando tomar-se útil". (193)

De 11 a 14 de janeiro de 1939, Ciano, o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Mussolini (este último tinha, no dia 3 de janeiro de 1939, por ocasião de uma conversa com William Philips, o embaixador dos Estados Unidos, rejeitado a idéia de receber uma grande colônia judaica na Etiópia, mostrando-se porém a favor da criação de um Estado judaico independente em qualquer outra parte menos na Palestina(194), Chamberlain e Halifax encontram-se e durante esses encontros falam, entre outras coisas, dos Judeus que devem ser enviados para colônias e principalmente para Madagáscar. (195) 

A Alemanha, como se vê, não participa nessas negociações obscuras. No entanto, a diplomacia e o Governo alemães são informados da sua ocorrência. Refere-se em relação a isto a investigação do assunto Judeus-Colónias numa conversa entre Chamberlain e Hitler. (196)

Pirow, então ministro da Defesa da África do Sul, conta que teria tido em 1938 uma conversa com Hitler em que lhe teria sugerido a possibilidade de autorizar a emigração dos judeus para um dos três países seguintes: a antiga África oriental alemã, a ilha da Guiana inglesa, ou Madagáscar. Hitler teria durante essa conversa demonstrando a sua preferência por Madagáscar, acrescentando que estava pronto a oferecer à França compensações pela ilha.(197) (o que leva a crer que os alemães teriam eles próprios "protegido" estava "colônia judaica".)

No dia 5 de março de 1938 um dos membros da equipa de trabalho de Heydrich comunica a Eichmann a ordem seguinte: "Peço que brevemente se reúna material para um relatório sobre C [C=chefe=Heydrich]... Deverá expor-se com clareza que a questão judaica na base atual (emigração) não pode ser resolvida (dificuldades financeiras, etc.) e que por isso deviam ser feitos esforços para encontrar uma solução de política estrangeira, tal como já fora negociado entre polônia e a França." (198)

(Tratava-se, entre a Polônia e a França, de Madagáscar.)

Ainda sobre o assunto, Goring acrescentava, no dia 12 de novembro de 1938, que Hitler lhe tinha dito no dia 9 do mesmo mês que ia "agora finalmente atacar as potências que tinham levantado a questão judaica para em seguida chegar concretamente a uma solução da questão de Madagáscar."(199)

Bonnet, ministro dos Negócios Estrangeiros da França, revelava confidencialmente a Ribbentrop, a7 de dezembro de 1938,que a França não podia continuar a receber refugiados judeus da Alemanha. Pedia-lhe que a Alemanha tomasse as devidas medidas para parar com aquela emigração em direção à França. E confessava-lhe que a França, por outro lado,tentava encontrar um meio para se livrar de alguns 10.000 judeus. Pensava-se, dizia, para isso na ilha de Madagáscar. (A nota de Ribbentrop que relata esta conversa devia se lida por Hitler.)(200)

Fala-se ainda de uma conversa entre Hitler e François-Poncet,embaixador da França em Berlim, em que se teria referido a idéia de Madagáscar. (201)

No dia 7 de fevereiro de 1939, durante uma conferência de imprensa, Rosenberg acrescentava alguns detalhes em relação à opinião nazi que apoiava o projeto Judeus-Madagáscar. "Aquilo que devia estabelecer-se não era um Estado judaico, mas sim uma reserva judaica", afirmava, acrescentando que "administradores experientes em questões de ordem pública" deveriam ser os responsáveis do assunto em questão.(202)

Ainda na mesma conferencia de imprensa sugeria que 15 milhões de judeus deveriam ser levados para Madagáscar ou para a Guiana,visto que os dois projetos tinham já sidos aceites nas relações internacionais. (203)

Pré-historia doutrinal

Na Alemanha, o tema da deportação dos judeus para uma colônia longínqua tinha sido abordado com interrupções por varias vezes nas esferas do "anti-semitismo" desde a época em que nascera essa doutrina. Assim, desde 1885, Paul de Lagarde pensava em Madagáscar como o local para onde se podia mandar judeus da Romênia. (204)

Em 1892, Karl Paasch publicava, no Antisemiten-Spiegel de Dantzig, um texto em que afirmava que a solução mais simples e pratica para a "questão judaica" consistia sem duvida no extermínio físico dos judeus.(205) Considerava porem que se a Alemanha se tornara talvez demasiado dócil e demasiado fraca para os exterminar fisicamente, podia pelos menos deportá-los para a ilha de Nova Guiné e deixá-los aí morrer lentamente.(206)

Em 1931, surgiu na Alemanha um folheto supostamente traduzido do holandês, intitulado Arische Rasse, christliche Kultur und das judenproblem(a raça ariana, a cultura cristã e o problema dos judeus).(207) Em 1932, esse folheto ia já na terceira edição. A argumentação incitava todos os "arianos" a unirem-se para salvar a sua cultura. O primeiro passo devia ser a eliminação dos judeus à escala internacional. O verdadeiro remédio seria "o aniquilamento corporal e a exterminação de um povo estrangeiro reconhecido como um perigo público. Esta via do combate pode, hoje,dificilmente ser percorrida."(208)

A razão pela qual aquela via não era a adequada devia-se ao fato de que aquele extermínio corporal não podia dar-se em todo o mundo e que conseqüentemente isso não seria inteiramente satisfatório. A solução alternativa consistia em forçar a concentração dos judeus do mundo inteiro numa terra colocada sob o controlo pan-ariano, enquanto lhes seriam retirados todos os seus direitos em todos os países "arianos". Indubitavelmente, o local dessa concentração devia absolutamente se uma ilha. "É lá que a possibilidade de controlo é maior e o perigo de contágio mais pequenos." (209)

Na capa do livro estava desenhado o contorno geográfico da ilha de Madagáscar. (210)

Está provado que oito anos depois,em 1939 - como um eco desse texto-, Alfredo Rosernberg declarava num programa de rádio: "É preciso juntar os judeus de todo o mundo edos seus continentes...Todos eles, com os seus Rothschild e Mandel [ministro doa França], os Tsadisks [justos] e rabinos de Belz, os Albert Eisntein com os Hore-Belisha [ministro britanico] e os Kaganovitch [comissário soviético), todos juntos,deviam ser reunidos e instalados algures numa linha selvagem com um clima mortal, como Madagáscar ou a Guiana. Isolados do mundo exterior como leprosos,que molhem com o seu suor e o seu sangue as covas das minas; quanto mais cruel for o clima, mais desumano for o trabalho,melhor será para o mundo cristão,para a civilização cristã como nós a conhecemos; a odiosa raça judaica encontrar-se-á isolada numa reserva sem regresso,de onde só existe uma saida - a morte."(211)


Continua...

Notas:
(188) - Cf. L. Yahil: Madagascar - Phantom of a Solution for the Jewish Question, em:Bela Vago/George L. Mosse(ed.): Jews and Non-jews in eastern Europe 1918-1945, New York,Toronto, Jerusalém 1974, p.316, Philip Friedman: The Lublin Reservation and the Madagascar Plan, em: Yivo Annual ofjewish social scince, vol. VIII (1953), p. 165; Joseph Tenenbaum: Race and Reich, New York 1956, p. 239.
(189) -  Paul de Lagarde: Die nächsten Pflichten deutscher Politik (1885), cf. Yahil,p.315 sq.; cf. também sobre Lagarde supra(p.18). Em 1926 o governo polaco, em 1927 o governo japonês tinha examinado a possibilidade de transplantar algumas populações (na Polonia tratava-se de camponeses) para a ilha de Madagascar, cf. Yahil, p.316; Friedman, p.165; Tenenbaum, p.239. Nessa altura, esses dois governos abandonaram rapidamente esse projeto, tendo chegado à "conclusão de que a ilha não podia fornecer o terreno de que necessitavam e que as condições existentes não permitiam um tal estabelecimento", Yahil,p.316.
(190) - Cf. Yahil,p.317; Friedman, p.166.
(191) -  Cf. Yahil, p. 318.
(192) -  Cf. Yahil, p. 321.
(193) -  Cf. Yahil, p. 322.
(194) -  Cf. Friedman, p.168.
(195) -  Cf. Tenenbaum, p.241.
(196) -  Cf. Friedman, p. 241.
(197) -  Cf. ibid, p. 168.
(198) - Documentos do processo Eichmann, T111;citado por yahil, p. 321.
(199) -  Citado por: Hartmut Wrede: Der Fall Grynszpan und die Reichs-kristallnacht, Hamburg 1988, p.143.
(200) -  Akten zur deutschen auswärtigen Politik (ADAP) 1918-1945, Serie D, Bd IV,pp 420 sg.
(201) -  Cf. Friedman,  p. 169.
(202) -  Cf. Yahil, p. 323.
(203) -  Ibid.; cf. também Friedman, p. 169.
(204) -  Paul de Lagarde: Die nächsten Pflichten deutscher Politik, op. cit., cf. Yahil, p.315 sg
(205) -  Karl Paasch: Eine Jüdich-Deutsche Gesandtschaft und ihre Helfer, em Antisemiten-Spiegel, Danzig 1982, cf.Graml, p.79.
(206) -  Cf. Graml, p. 204.
(207) -  Egon van Winghene, A.Tjoern: Arische Rasse, christliche kultur un das Judenproblem, cf Yahil, p. 319; cf. também Friedman, p. 165.
(208) -  Citado por Yahil, p. 320.
(209) -  Citado por ibid..
(210) -  Cf. ibid.,; cf. também Friedman, p.165.
(211) -  Citado por Tenenbaum, p. 347.

Transcrição: Daniel Moratori (avidanofront.blogspot.com)

Fonte: Objectivo extermínio - Vontade, resolução e decisões de Hitler - G. Miedzianagora e G. Jofer - Pg 65-69



terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Papa estuda abrir arquivos sobre polêmico Pio XII


Pio XII
Papa estuda a possibilidade de antecipar a abertura dos arquivos do Vaticano durante o controvertido pontificado de Pio XII (1939-1958)


Cidade do Vaticano - O papa Francisco estuda a possibilidade de antecipar a abertura dos arquivos do Vaticano durante o controvertido pontificado de Pio XII (1939-1958), acusado de ter mantido silêncio sobre o Holocausto dos judeus durante a Segunda Guerra Mundial, indicaram fontes do Vaticano.

A abertura dos arquivos, que são secretos desde 1939, depende do pontífice, que pode autorizar sua consulta, o que até agora não foi feito em respeito às pessoas que ainda vivem e pelo elevado número de documentos que é preciso classificar.

"É possível que anuncie sua abertura em breve", asseguraram fontes da Congregação para a Doutrina da Fé.

Segundo essas fontes, a documentação já está digitalizada e pronta para ser consultada pelos historiadores e especialistas.

"A figura de Pio XII não é tão terrível", comentou ainda a fonte.

Líderes religiosos judeus e historiadores acusaram por anos Pio XII de passividade ante o Holocausto nazista e pediram que seja interrompido seu processo de beatificação ao menos por uma geração em consideração aos sobreviventes ainda vivos.

Em 2009, o agora papa emérito Bento XVI assinou o decreto confirmando as "virtudes heróicas" de Pio XII, proclamando-o "venerável", etapa prévia à beatificação, que originou vários protestos das comunidades judias.

A Igreja católica alega que a chamada neutralidade do papa durante esse episódio permitiu salvar um número importante de judeus e, segundo Bento XVI, Eugenio Pacelli, papa Pio XII, foi "um dos grandes justos, já que salvou mais judeus do que ninguém".

Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/mundo/2014/02/03/interna_mundo,410968/papa-estuda-abrir-os-arquivos-sobre-o-polemico-papa-pio-xii.shtml