domingo, 1 de agosto de 2010

O preconceito racial na FEB




Embora os veteranos hoje não se refiram ou não se recordem de preconceito racial dentro da FEB, pelo menos durante a campanha italiana, há registros de que no transcorrer dos preparativos para o envio dos soldados brasileiros à Itália houve atitudes discriminatórias por parte de alguns oficiais. O veterano Demócrito C. de Arruda fala sobre o preconceito racial no Exército:







Em 1943, quando o nosso Regimento foi designado para fazer uma demonstração física em São Paulo e se tratou da seleção e organização das turmas componentes, veio uma ordem surpreendente, partida de um general: “tirem fora os negros!” A ordem não foi cumprida, mas houve uma posterior recomendando colocá-los no meio das turmas, evitando a testa e as pontas. Igual espetáculo ocorreu no Rio, em março de 1944, quando se preparava um desfile da infantaria expedicionária. Nas vésperas de sua realização, lá veio o mesmo comandante, já nosso conhecido, a ordem: “Excluam os negros!”. O problema era que, excluído os negros - e por aproximação também os cafuzos, os mulatos, os morenos, etc. - pouco restaria da nossa infantaria. A 



ordem, mais uma vez, foi desconhecida; mas, não podemos deixar de guardá-la em nossos espíritos como testemunho sobre a conduta do nosso comando.


Fonte da citação: Impressões de um infante sobre o comando - ARRUDA, Demócrito C. Arruda - Pagina 64.


5 comentários:

  1. Olá, Daniel! Grande blog! Com relação a este post, o preconceito racial ainda existe no nosso Brasil, uma país tão plural em termos culturais e étnicos. Bem, seu blog é ótimo e irei recomendá-lo. Abçs, Carla- Jovens na História Blog

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  2. Olha, acho que preconceito na FEB existiu em fatos isolados. Se formos comparar com o Exército Americano, que tinha pelotões "raciais" com negros e nipônicos formando efetivos separados, podemos concluir que nossa tropa era bem avançada nesse quesito. Agora, claro, existiam aqueles que não concordavam com essa "mistura", caso do comandante citado. Mas era pessoal e não uma atitude do Exército como instituição.

    Abração!

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  3. Até hoje (passados mais de 60 anos do ocorrido) os "bois" ainda continuam sem nome. O oficial era...? Quem?... Racismo...? Onde...?

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  4. O oficial era o general Zenóbio da Costa.

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  5. Certamente que houveram sim casos de discriminação racial. Acredito que esse ranço tenha vindo junto com os americanos (oficiais de ligação) que aqui estavam. Interessante notar também que na FEB, poucos foram os pracinhas de origem nipônica. Até onde consegui encontrar, foram 3 ou 4. nenhum que me recorde, da arma de infantaria. Salvo engano eram da arma de Engenharia e de Saúde.

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