sábado, 18 de dezembro de 2010

Tratamento aos trabalhadores judeus no Gueto de Varsóvia


Guarda alemão para um judeu em uma entrada para o gueto de Varsóvia.
Durante toda a ocupação, os alemães exigiram dos judeus no gueto um trabalho escravo. Ainda que antes da emissão de decretos oficiais, soldados alemães em caminhões caçavam judeus na rua para trabalhar em quartéis, carregar caminhões, remover pilhas de escombros, limpar as ruas, e assim por diante. Pegavam pessoas sem se importar com idade, sexo ou estado físico. Os homens, alvos preferidos dessas caçadas, raramente saiam de casa. O aparecimento de um soldado alemão aterrorizava o gueto e os homens imediatamente fugiam das ruas.

Aos trabalhadores eram dadas apenas as mais primitivas ferramentas de trabalho. Em vez de panos de limpeza eram obrigados a usar a própria roupa. Mas ainda pior que o trabalho era a brutalidade de jovens soldados com inclinações sádicas ou inflamados por propaganda anti-judaica. Ao acompanhamento de ásperas gargalhadas cortavam as longas barbas dos judeus ortodoxos, ou zombavam dos trabalhadores com um enxurrada de contínuos gritos e pancadas. Às vezes confiscavam os cartões de identidade dos trabalhadores para obriga-los a se apresentaram repetidamente. Bernard Goldstein, ativista do Bund no gueto de Varsóvia, descreveu o trabalho forçado imposto a idosos sem força para executa-lo. Goldstein falou sobre as matanças que testemunhou. Recordou um incidente típico que havia observado. Um grupo de homens tinha de desencovar vigas de metal debaixo das ruínas de um prédio no gueto, pô-las em carrocas, atrelar-se às mesmas e arrasta-las a um local de ajuntamento. Um velho supervisor alemão, de Viena, demonstrou alguns sinais de simpatia, oferecendo ao grupo até um pedaço de pão. Inesperadamente, porém, a atitude do alemão mudou por completo:

Ele subitamente se pôs a gritar como um louco: Trabalhem! Trabalhem! e começou a nos bater com a coronha do seu fuzil. Isso ocorreu quando ele avistou um oficial se aproximando de nós. "É assim que preciso me comportar", explicou-me ele depois, quando o oficial já havia ido embora, desculpando-se assim por ter posto de lado sua passividade vienense e a trocado por brutalidade prussiana... Ao entardecer, após o trabalho, fomos alinhados em fileiras de 4-5, e levados a cidadela [a fortaleza militar em Varsóvia que outrora havia sido uma prisão russa]. Enquanto nos arrastávamos ao longo do canal, soldados alemães enfileirados de ambos os lados começaram a nos atacar com chicotes, varas e fuzis. Começamos a correr e eles correram atras de nós, batendo-nos impiedosamente e gritando: "judeus sujos","judeus pobres", e expressões semelhantes. Estavamos exaustos e cobertos de sangue após um dia de "trabalho".

Transcrito por: Daniel Moratori - avidanofront.blogspot.com
Fonte: GUTMAN, Israel - Resistência. Ed. Imago, 1995, pg 66-67.

Um comentário:

  1. Que tal barbárie jamais volte a ocorrer para que o sentimento de humanidade do ser humano, que inclui TODOS os seres humanos, não desapareça.

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