sábado, 26 de dezembro de 2009

Episódios da retirada alemã, em dezembro de 1941, tomados de narrações de soldados e oficiais.



“Todos os hospitais e lugares de reuniões de enfermos aos quais cheguei estavam congestionados e sempre fui despachado em condições que dificilmente podem ser escritas. Não se notava preocupação pelos feridos. Por isto, num trem-hospital auxiliar, passamos 18 horas sem café e alimentos; o chefe do tem, um cirurgião da aviação, que não se havia interessado por nenhum dos prisioneiros, desaparece em Lyblin porque a sua licença começava no dia seguinte... Uma parte dos que andavam vagando pelos hospitais devia estar na frente; isto se aplica não somente ao pessoal da tropa mas também aos oficiais; é assombrosa a quantidade deles.”

“O quadro que apresenta o caminho da retirada, agora, não é grato; a disciplina começa a ser relaxada. Aumenta o numero de soldados que se retiram a pé e sem armas, com um novilho atado por uma corda ou com um trenó carregado de batatas atrás deles; emigram, assim, sem chefes, para o oeste. Os soldados mortos devido aos bombardeios já não são enterrados. As colunas, freqüentemente sem chefes, aparecem pelos caminhos, enquanto as tropas combatentes de todas as armas, inclusive as antiaéreas, mantêm-se adiante, empenhando suas ultimas energias. Todo o complemento das unidades (formação de exército, aviação, serviço de abastecimento) volta para a retaguarda sem condução, como se fosse uma fuga. Uma psicose, quase um pânico, apoderou-se das colunas que não conheciam este quadro, habituadas somente a avanços impetuosos. Sem alimentação, com frio, sem direção, retrocedem. Entre eles há também feridos que não puderam ser evacuados.”

“O transporte ferroviário foi terrível. Depois da partida de Kaluga, em vagão de carga, fomos desembarcados até o meio dia. Ao anoitecer, continuamos a viagem num caminhão aberto. Depois em uma hora, fomos desembarcados numa escola de calefação. Ali permanecemos dois dias. Não houve comida quente e a fria era insuficiente. Depois, fomos num trem-hospital russo até Viasma. Lá, permanecemos 89 horas na estação. Enquanto isso, os aviões russos atacaram. Finalmente, fomos transportados para o trem-hospital alemão que fazia 48 horas que estava ao lado no nosso. Desgraçadamente, também ali a situação era pouco agradável; eram carros de 3ª classe; com três cobertores, em cada banco havia um soldado, o terceiro no corredor em cima do chão...”

“Quanto mais nos aproximávamos de Kaluga, tanto maior era a quantidade de armas e materiais uqe se achava sem dono pelos caminhos e pelos campos. Haviam sido abandonadas peças leves e pesadas, pedaços de pontes novas, inúmeros caminhões e automóveis e até colunas inteiras de caminhões. Se as intensas tempestades de neve, sobretudo nos dias 22 e 23 de dezembro, não houvessem “tapado” - no sentido literal da palavra – estes sinais de uma retirada precipitada ao olhos das unidades da frente que passavam em sua proximidade, a impressão da derrota – da qual é culpado o comando supremo – teria sido ainda mais dolorosa.”

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